— Você está bem? – Nate perguntou preocupado. Era estranho vê-la depois de tanto tempo em um momento tão esquisito.

O cômodo era uma sala antiga, com paredes cobertas por espelhos emoldurados como quadros. Ver a si mesma várias vezes deixava Rebecca mal, mas ver várias vezes Nate de mãos dadas com Jenny a enjoava.

— Onde estamos? – Ela perguntou, tentando não encarar os espelhos.

— Não sabemos. – Jenny respondeu, encolhendo-se ao falar.

— Como vieram pra cá?

— Jogados em um carro. – Nate respondeu.

Rebecca andou até a poltrona e sentou-se olhando pra baixo. Ela respondeu “Deve ser o padrão.” antes de começar a pensar num jeito de sair dali. Mas mesmo para ela, que tinha solução para tudo, era quase impossível conseguir pensar em algo.

Um homem encapuzado, assim como os caras que a sequestraram, entrou na sala. Ao lado deles, dois caras segurando armas se mantinham de prontidão, seus rostos cobertos por uma máscara branca.

Rebecca se levantou e Nate se pôs na frente de Jenny enquanto esta congelava.

— É um imenso prazer ter os três aqui. – Sua voz era grave, e o jeito que ele falava mostrava que se divertia. – Imagino que não saibam o motivo de estarem nessa casa... – Ele fez uma pausa dramática. –Simples, vocês estão aqui para se matar.

A respiração de Nate ficou mais pesada, Jenny agora tremia.

— Mas não se preocupem, temos regras para isso aqui não virar bagunça. – O homem continuou. – Regra número um: Só um pode sair daqui com vida. Dois: Caso não aceitem se matar, nós iremos atrás de seus familiares. Três: Qualquer esquema para sobreviver é permitido. Quatro: Vocês só têm seis horas para concluir, se passar disso a família de vocês morre. Perguntas?

— Isso é piada? – Rebecca perguntou. Ela tentava parecer mais confiante do que realmente estava. De fato, ela estava a ponto de chorar e gritar pela mãe. – Não tem sentido isso aqui. Terão assassinatos? Duvido. E o tempo que ficaremos? Sentirão nossa falta. Então, é obvio que virão atrás de nós.

— Rebecca Davis! – Rebecca se arrepiou com o deleite que tinha na voz do homem. – Me disseram que você é bastante esperta, que seria nossa estrela. – O homem deu uma risada prazerosa. – Mas vamos às respostas. Não, senhorita Davis, não é piada, não seja tão cética. E não serão assassinatos, serão acertos de contas. Vocês ficarão por apenas algumas horas, e não há ninguém fora daqui para notar a ausência de vocês.

“Seus pais estão viajando, pelo que sei. Não tem irmãos, primos, nem tios na sua casa. Está sozinha. Nathaniel Bloomwood, seus pais e seu irmão estão no casamento da sua prima, não é? Você ficaria em casa fingindo que está doente para não ir. E Jenny Stewart, bom querida, sua avó nunca está acordada e nunca vai ver se você já chegou.

“São perfeitos, o time dos sonhos. Fora que os três são movidos por ressentimento e paixão suficientes para explodir esse lugar. E precisamos disso, de um pouco de fogo. Obrigada por apresentar a história de vocês naquele belo texto, Rebecca, sem ele não teríamos esse belo entretenimento. É isso. A partir de agora são inimigos mortais, e dentro de seis horas apenas um estará vivo.”

— Não aceito isso. – Nate falou como se estivesse lutando para conseguir respirar.

— Então já posso começar a perseguir sua família. – Se virou para o cara a sua esquerda. – Vamos começar com a pequena Julie.

— NÃO. – A menção a Julie foi golpe baixo, Jenny e Rebecca sabiam da adoração que Nate tinha por ela.

Julie era a sobrinha de Nate. Há três anos, sua irmã Charlotte engravidara de um drogado que a abandonara quando descobriu que estava grávida. Os pais a expulsaram de casa, e Charlotte fora morar com uma amiga. Nate a ajudava com tudo que podia, mesmo que com apenas quinze anos. Na hora do parto, Charlotte não sobreviveu, e os pais de Nate ficaram com a criança.

— Então vai participar? Que maravilha. Fez uma ótima escolha, deixaremos sua sobrinha em paz, mesmo que você morra. – O homem encapuzado olhou para os três, do pequeno pedaço de rosto que Jenny mostrava, para o ódio que Nate exibia, para a desconfiança na expressão de Rebecca. – Você é meu vencedor, Nathaniel. – Ele disse com uma voz profunda, mas depois suavizou. – Não é machismo, garotas. E Rebecca, você pode realmente ser uma estrela aqui. Mas você, Nathaniel... Você possui uma coisa que as duas não possuem. E você já sabe o que é, certo, Rebecca? Sabe do que estou falando.

Nate olhou para Rebecca, e ela olhou em seus olhos. Naquele momento ela teve certeza que sabia do que aquele homem louco dizia, sabia o que Nathaniel tinha de diferente das duas.

— Senhorita Stewart, não se esconda, você não é inocente quanto finge ser. O seu problema é que não gosta muito de pensar antes de agir, você pode aprender isso em seis horas. Ou não. – O homem encapuzado virou as costas para sair do cômodo, quando de repente parou. – Ah, me chamem de Westerfeld.

E assim, Westerfeld saiu da sala, deixando os três estáticos e confusos.