Seis Horas
3 19:46
– Isso não pode ser sério. – Jenny sussurrou e seus olhos estavam cheios de lágrimas.
– Westerfeld não parecia estar brincando. – Rebecca falou, sem fôlego. De repente começou a sentir falta do quarto escuro e úmido, porém seguro que estava escondido no andar de cima. – E não estava.
– O que vamos fazer?
– Não temos escolha, amor. – Nate olhou para Jenny e segurou suas bochechas entre as mãos. – Precisamos lutar. Você precisa sair viva.
Aquelas palavras queimaram Rebecca por dentro, sua garganta formou um bolo de nada e seus olhos arderam. Mas aquilo era óbvio, não era? Era obvio, que ele iria querer que sua namorada saísse viva, mesmo que isso envolvesse matar a ex.
– Mas eu não vou matar você. – Jenny chorou mais, “mais forte do que imagina” dissera Westerfeld, mas até agora só o que fizera fora chorar e se esconder atrás de Nate. – Sei que quer salvar Julie, mas isso é loucura.
Os pensamentos de Rebecca iam de “fraca” até “egoísta”, com a atitude de Jenny. Talvez fosse implicância, mas ela não conseguia achar certo o que ela estava fazendo. Chorar? Ok, todos choram, nem sempre só por fraqueza. Mas tentar convencer Nate a arriscar a vida de Julie?
– Vamos lutar com você querendo ou não, Jenny. – Rebecca falou mais alto do que planejava. – É a Julie. – E olhou nos olhos de Nate pela segunda vez naquela noite. – Não podemos arriscar.
– É a Julie. – Ele concordou. – Vale a pena.
– O que vale a pena? Me matar? – A voz de Jenny estava aguda, em um sinal de desespero.
– Você não vai morrer. – Nate gritou. “Claro que não” pensou Rebecca. “Eu que vou.”
– Eu acho que se vamos fazer isso, devemos começar logo. – Rebecca andou em direção à saída, sabendo que depois dali as coisas seriam muito diferentes. Com ela, com Nate. E até mesmo com Jenny. – Vejo vocês depois. – E saiu do quarto.
Enquanto caminhava pela casa abandonada, Rebecca percebeu que era realmente muito grande. Poderia ser um instituto, poderia ser lar para mendigos, poderia ser tanta coisa. Mas era um local para assassinato. Jovens eram jogados ali como porcos para o abate. E ela era um desses jovens.
Ela abria as portas enquanto passava por elas, os cômodos eram grandes e antigos. Poeira cobria todos os móveis, e com a luz precária (descobrira que em toda a casa a luz era assim) tudo ficava meio assustador.
A garota começou a pensar nas palavras de Westerfeld.
“Você é meu vencedor, Nathaniel” a verdade era que para ela, Nate também era o vencedor. Era tão obvio que ele já deveria ter sido descartado.
Mas ser obvio não significa ser o certo.
É exatamente como quando você vai a uma loja, e um moletom de 100 reais fica 20% mais caro e o vendedor resolve te dar 20% de desconto. O obvio seria você pagar 100 reais, porém o certo é você pagar 96.
Rebecca balançou a cabeça, aquilo não era momento pra pensar em matemática. Ela estava prestes a morrer.
Uma das portas que tentara abrir estava trancada.
“Você possui uma coisa que as duas não possuem” sim, ele tinha. Mas ele só tinha porque nenhuma das duas pensou nisso, porque ele não pensou nisso, ou ele tinha apenas por ter?
Mas Rebecca pensou, e ela poderia mudar isso. O problema maior era: Ela queria mudar?
Forçou a porta. Percebeu que ela não estava trancada e sim emperrada. Após alguns minutos conseguiu abri-la e se espantou com seu interior.
O quarto estava cheio de armas de fogo, espadas e adagas, e a visão não fazia bem a ela. Westerfeld disse que eles poderiam colocar fogo na casa, mas ela não queria isso. Ela não queria prolongar aquela situação. Entrou no quarto, fechou a porta e sentou-se no chão, lutando para não chorar, e tentando pensar em algo.
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