Sei Que Você Tá Afim
17 Sumiço
Notas iniciais
Boa leitura meninas.
Trechos da música: Open your eyes - Snow Patrol
Get up, get out (Levante, vá embora)
Get away from these liars (Saia de perto desses mentirosos)
´Cause they don't get your soul (Porque eles não tem sua alma)
Or your fire (Ou sua chama)
Take my hand, knot your fingers through mine (Pegue minha mão)
Knot your fingers through mine (Entrelace seus dedos entre os meus)
And we'll walk from this dark room (E nós sairemos deste lugar escuro)
For the last time (Pela última vez) […]
Narrado em terceira pessoa
Fatinha terminava de fazer o café da manhã, enquanto Bruno fazia esforço pra tentar sair da cama.
Ele sentia que estava esquecendo algo, que tinha que fazer algo, mas devido à ressaca e turbulências da noite anterior, não lembrava de jeito nenhum.
– Bom dia! – Fatinha fala alegremente assim que vê Bruno sair do quarto
Bruno olha impressionado para a mesa, que está recheada e muito bem organizada – Nossa Fatinha, isso tudo é pra quem?
– Gostou gato? – Bruno abre um sorriso contagiante e afirma com a cabeça – Achei que ia precisar pra mandar bem na entrevista...
– Entrevista? – ele pergunta surpreso
– É gato... Ah, aquele seu amigo Rasta ligou e pediu pra te avisar que vai ser daqui a duas horas
– MERDA! Eu tinha esquecido – Bruno corre para o quarto, e separa um terno claro – Tem que passar essa droga ainda – ele se queixa
– Eu passo gato – ela se prontifica
– Não precisa Fatinha, eu faço
– Ah gato, para com isso – Fatinha fala enquanto tira as roupas da mão dele – Vai tomar banho, que eu passo pra você
Bruno ficou parado com um sorriso bobo no rosto. Fatinha vinha o surpreendendo de um jeito que ele não conseguia entender. Ela passou o terno majestosamente e o ajudou a vestir. Não era algo que ele estivesse acostumado, afinal, fora ele, a única que algum dia se atreveu a vesti-lo, arrumá-lo, perfumá-lo e essas coisas pessoas, tinha sido sua mãe.
– Prontinho – ela suspirou ao terminar de arrumar a gravata – Agora sim, você vai causar gato! – falou toda saltitante – Er... desculpa – a loira lamenta – Você não gosta que te chame de gato né? Foi mal...
– Tudo bem – Bruno sorri – Eu acho que não me incomoda mais – E era verdade. Ele realmente havia ficado com muita raiva quando ela o chamou assim pela primeira vez, mas agora ele até que gostava do apelido. Desde que vindo dela.
Fatinha sorriu e os dois seguiram para a mesa do café.
– Nossa Fatinha, isso aqui tá muito bom – Bruno elogiou enquanto terminava de mastigar a panqueca.
– Umas das especialidades de Maria de Fátima, meu amor – ela se gabou, fazendo Bruno achar graça.
O café continuou tranquilo, nada de muita conversa, apenas olhares e sorrisos envergonhados.
Ambos queriam e não queriam falar sobre a noite anterior. Bruno ainda estava confuso em relação a muita coisa. Ele não chegou a ficar completamente insano, ele sabia que tinha feito e dito coisas, e um sorriso começou a brotar no seu rosto, assim que ele lembrou de como Fatinha tinha sido cuidadosa com ele. Mas essa não era a hora certa pra falar sobre isso... Já Fatinha estava com medo de que ele tivesse esquecido, ela sabe que a bebida pode fazer isso com as pessoas, então achou melhor manter aquilo para si.
Tentando mudar os pensamentos, Bruno rodeia os olhares pela sala, até que se lembra de Juliana.
– E a Ju? – pergunta do nada, fazendo Fatinha se assustar.
– Ah, ela veio cedo, mas já foi pro Quadrante
Bruno abaixa a cabeça, se sentindo mal novamente – Passei dos limites ontem né? – ele sussurra
– Dá tempo pra ela... Lembra? – ela pergunta, com esperança de que ele lembrasse não só disso, mas de outras coisas... Bruno a fita cuidadoso e assente
– Lembro... Mas já está na minha hora... E na sua também – ele decreta
– É mesmo, hoje nós vamos terminar de conferir as medidas do pessoal – ela fala enquanto se levanta da mesa
– Medidas? – ele pergunta
– É, daquele trabalho... Que a gente se reuniu aqui
– Ah
Bruno analisa o uniforme nada apropriado de Fatinha, e franze a testa em desaprovação. Ele já havia visto ela assim, mas por um motivo ainda desconhecido, agora ele se “incomodava” – Você vai assim pra aula?
– Assim como? – ela pergunta e olha pra ele
– Assim – ele aponta para a saia dela
– Uhum, algum problema?
– Tirando o fato de que não cobre nem uma palmo da sua perna, nenhum – ele ironiza
– Ai gato, fala sério! Essa saia tá até grande – ela explica, enquanto mede o tamanho com a mão – É uma nova lei sabe? Lei Maria de Fátima – ela ri e ele faz careta, não entendendo nada – Não posso usar saia menor de 40 centímetros – ela faz bico.
– Você usava menor que isso? – ele pergunta perplexo. Fatinha não responde, apenas acha graça da cara dele.
Chegando a portaria, Fatinha dá de cara com Vitor parado na frente do prédio, conversando com Severino. Ele a olha encantado, enquanto ela fica com medo de que os dois arranjem mais uma confusão. Bruno fecha a cara assim que o vê, claro.
– Anjo, que você tá fazendo aqui? – ela pergunta, se pondo no meio dos dois.
Fatinha às vezes fala as coisas sem pensar, isso é fato. E agora Bruno já estava emburrado pelo apelidinho dado ao outro cara.
– Mas esse cara é muito cara de pau mesmo – Bruno faz uma carranca enquanto olha para Vitor com desprezo
– Calminha – ela o alerta e ele bufa
– Desculpa não ter ligado pra avisar, mas eu vim te buscar pra gente ir pra aula
– Pra quê se a escola é praticamente do outro lado da rua? – Bruno o cerra com os olhos
Fatinha respirou fundo e passou a mão na nuca. Ela já estava ficando sem paciência. Esses dois parecem crianças, meu deus! Ela pensou
– Eu tenho que ir Bruno, boa sorte na entrevista – ela fala enquanto se afasta dele
– Pera ai – Bruno a segura pelos braços, os fazendo ficar frente a frente — Você vai com esse cara?
– Ei, não machuca ela! – Vitor dá um passo à frente tentando pegá-la pelo braço também
– Porque eu machucaria ela, seu idiota?
– É verdade... Você não machuca as mulheres – Vitor ironiza
– Seu... – Bruno se irrita e tenta avançar em cima dele, mas Fatinha e Severino são mais rápidos
– Para Bruno! Desnecessário heim? Ele é da minha sala, para de besteira – ela tenta se explicar
– E eu e ela estamos juntos – Vitor decreta seco, fazendo Bruno franzir a testa. Ele a encarava como se perguntando se aquilo tudo era verdade. Fatinha engoliu em seco, ela não sabia o que dizer diante daquilo. E o silêncio foi suficiente para Bruno, que a largou e seguiu para o estacionamento que ficava ali próximo. Fatinha o acompanhou com os olhos.
– O que foi isso Vitor? – ela o acusa sem pensar
– Você disse que não tinha problema falar pra todo mundo
– Só se precisasse! – ela quase grita – Não precisa ficar falando desse jeito
– Desculpa... Eu não sabia – ele cora, abaixando a cabeça. Fatinha suspira e decide esquecer daquilo
– Deixa pra lá, vamos logo – ela fala e o arrasta para rua
***
– Como assim eles sumiram? – Fatinha entra em pânico ao saber que nem Lia, nem Dinho haviam sido vistos desde a noite anterior
– A gente já tentou ligar várias vezes, mas só cai na caixa postal – Gil tenta explicar
– Ai Fatinha – Ju que até então chorava e soluçava nos braços de Gil, agora chora nos ombros da loira
– Calma Ju, a gente vai dar um jeito... – Fatinha afaga as costa de Ju, numa tentativa falha de acalma-la.
Tantos os alunos, quanto alguns professores e até o diretor ligaram e saíram às ruas, perguntando se alguém tinha visto os dois, mas ninguém sabia de nada.
Fatinha, Ju, Gil, Orelha, Pilha, Morgana, Fera e Rita saíram à procura pelas ruas mais próximas, mas não os encontraram. Os pais de Lia e Dinho já não sabendo o que fazer, apelaram para os oficiais. E as buscas continuaram até no começo na noite. Onde os mesmo alegaram não ser possível procurar no meio daquela escuridão.
Mas a galera do Quadrante não estava nem um pouco interessados com isso, continuaram até altas horas da noite. Mas tiveram que parar por conta do cansaço de praticamente todos.
O que esse idiota tinha na cabeça? Fatinha o xingava em pensamento.
Todos se despediram, e Fatinha ajudou Gil a levar Ju para casa. Mesmo ela não querendo dormir em casa, pois ela sabia que iria ter que dar de cara com seu irmão, Fatinha e Gil a convenceram que seria melhor, e ela acabou concordando.
– Tchau Fatinha, tchau Ju... – Gil se despediu das meninas, e puxou Juliana para um abraço aconchegante – Relaxa que vai dar tudo certo... Vai ver não aconteceu nada demais, e eles estão curtindo por aí. Você conhece a Lia, isso é a cara dela... – Ju ainda soluçava e fazia beicinho, mas assentiu aos carinhos de Gil.
Fatinha e Ju entraram no apartamento, e Bruno estava no sofá vendo TV.
– Fatinha! Ju! Eu tava preocupado com vocês – ele dá um pulo do sofá, se aproximando delas. Ju se esquiva e vai direto para o quarto.
– Chegou cedo... – Fatinha fala baixo
– É... – ele responde e ri baixinho – O que aconteceu? Eu pensei em ligar pra Ju, mas ela não ia atender. E você... Bem, eu não tenho o seu número
– Cadê o seu celular? – ela pergunta fazendo Bruno franzir a testa sem entender. Ele pega o celular, e a entrega. Ela anota o número e salva – Agora você não precisa mais de desculpas pra não me ligar – ela lança o seu melhor sorriso safado, e Bruno a observa divertido, fechando a cara logo em seguida.
– Acho que o seu namoradinho não vai gostar de saber disso – ele fala e Fatinha revisa os olhos
– Que saco – ela bufa – Ele não é meu namorado, eu posso te explicar isso mais tarde, mas agora tenho que ficar com a Ju
– Tá, mas o que houve?
– A Lia e o Dinho sumiram – Fatinha suspira
– Quando isso? Hoje? – ele pergunta um pouco assustado. Fatinha assente e uma lágrima sai de seus olhos enquanto ela senta na borda do sofá. Bruno morde os lábios e se agacha, ficando de joelho no meio das pernas dela.
– Tenho certeza que vai dar tudo certo Fatinha – ele tenta tranquiliza-la
– Acho que eu já ouvi essa frase umas trezentas vezes hoje – ela revira os olhos, e ele sorri
– Mas é a pura verdade. Se ficar pensando besteira, vai ser pior – Ele ajeita uma mecha de cabelo dela, o colocando atrás da orelha – Amanhã eu vou chamar uns meninos lá da facul pra ajudar, ta bom? – sua voz era quase como um suspiro, mas Fatinha assentiu.
Com uma mão, Bruno a acaricia o rosto, e ela fecha os olhos, se entregando ao momento.
– Pensei que você ia sair pra beber hoje, de novo – ela pensa alto e ele morde os lábios a observando.
– Eu não sou do tipo que faz isso – ele fala baixinho, enviando ar quente para o rosto da loira – Pelo menos eu não era – ele para de acariciá-la e suspira pesadamente. Ela franze a testa com a falta do contato, estava tão bom...
– E o que te fez ficar assim? – ela realmente quer saber. Bruno a olha decidindo se quer ou não contar. Está tarde, e ele não quer ter essa conversa agora, então ele opta pela última opção.
– Você não disse que tinha que ficar com a Ju? – ele pergunta e ela revira os olhos – Eu posso te explicar isso mais tarde – ele repete a mesma frase dela e ela sorri, recordando de ter feito o mesmo.
– Você tá me imitando? – ela ironiza
– Isso soa familiar? – pergunta com outra pergunta, fazendo os dois rires. Fatinha se levanta e Bruno a acompanha até a porta.
Quando ela estava prestes a entrar, vira-se pra ele, lembrando de outra coisa.
– Pera ai, você não disse como foi na entrevista – ela ergue uma sobrancelha
– Você quer mesmo saber? – Fatinha assente, e pela expressão dele, coisa boa não tinha sido – Foi péssimo – mas ele sorri com a lembrança.
– Sério? – Fatinha o fita perplexa
– Uhum – ele concorda – Mas não se preocupa com isso, vai ter outras vindo por ai – ele molha os lábios admirando a boca dela. O ar que até então estava tranquilo, volta a ficar carregado da eletricidade entre eles. Bruno franze a testa como se estivesse em uma batalha particular, então ele se curva e descansa a testa na dela, fazendo os dois fecharem os olhos.
Eles permanecem assim por alguns segundos, até que ele levanta a cabeça bruscamente lançando um meio sorriso pra ela – Boa noite – e é tudo o que ele diz antes de virar as costas e ir embora.
Fatinha apenas fica parada, respirando com dificuldade. Não foi exatamente o que ela pensava que ia acontecer... Argh, essas mudanças de humor dele estão definitivamente a deixando confusa.
[…] The anger swells in my guts (A raiva me corrói por dentro)
And I won't feel these slices and cuts (E eu não vou sentir esses pedaços e cortes)
I want so much to open your eyes (Eu quero tanto abrir seus olhos)
´Cause I need (Por que eu preciso)
You to look into mine (Que você olhe dentro dos meus)
Notas finais
Se gostar, comentem. Bjs
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