Sei Que Você Tá Afim
18 A busca
Notas iniciais
Trechos da música: Don't You Worry Child - Conor Maynard (Cover)
Up on the hill across the blue lake (Em cima da colina sobre o lago azul)
Thats where i had (E aí que eu tive)
Mmy first heart break (Pela primeira vez meu coração partido)
I still remember how it all changed (Eu ainda me lembro como tudo mudou)
My father said (Meu pai disse)
Don't you worry (Não se preocupe)
Don't you worry child (Não se preocupe criança) [...]
POV Ju
Nunca tinha tido sonhos tão assustadores quantos esses que tive essa noite.
Estou deitada na cama, esperando que o dia realmente amanheça. O que eu faria na rua há essa hora? Procurar minha melhor amiga parecia ser a melhor resposta, mas eu não podia ir sozinha. Minha cabeça e meus sentimentos estão abalados demais. Eu não consigo pensar, não consigo raciocinar. É a primeira vez que vivo um pesadelo, e o pior, isso aqui é a realidade.
***
Fatinha faz o café da manhã, enquanto eu me arrumo. Decidimos não ir pra aula hoje – e creio que não só nós, como quase o segundo ano inteiro. Vamos continuar procurando pela Lia e pelo Dinho...
Tentaram enfiar tantas coisas na minha cabeça ontem. Coisas tipo: Eles devem ter ido se curtir em algum lugar... Aventura é a cara deles... Não aconteceu nada demais... Ata! Até parece que eu sou idiota né? Eu tenho essa carinha boba sim, mas eu não sou burra. Porque eles desligariam o telefone se não tivesse acontecido nada demais? Essas lágrimas que caem pelo meu rosto já são conhecidas... Eu venho soltando-as já tem algum tempo. E não, não tem só a ver com Lia e Dinho.
Ultimamente pessoas que eu amo estão me magoando como se eu fosse um nada. E eu me pergunto o que eu fiz pra merecer tanto sofrimento. Lia, minha dita melhor amiga, que parece não se importar com o fato de eu estar morrendo de preocupação. Bruno, o irmão que eu tanto idolatrava e me orgulhava, sendo nada mais que um machista imbecil e superficial. Eu não quero mais chorar, eu já to cansada de sofrer e me martirizar pelos outros, mas essa batalha é em vão. Eu me importo demais.
POV Fatinha
Espero até que Ju termine de tomar café, e pego minha bolsa, pra que possamos voltar a procurar pelos dois irresponsáveis. Espero de verdade que eles tenham uma ótima explicação por toda essa bagunça que eles estão fazendo não só na minha vida, mas principalmente na da Ju. Ouvir uma pessoa chorar alguns minutos é moleza, humanos são tão fracos... Mas ouvir alguém chorar a noite toda, nem uma pessoa que tenha coração de pedra aguenta. Olho pra ela, e a única coisa que vejo é uma menininha cheia de olheira pela noite mal dormida, e olhos inchados devidos ao choro. Agora é sério, espero que o Dinho não esteja em apuros, porque o que eu tenho pra ele é muito pior que isso. Ele não espera por esperar...
– Isso mesmo Rasta, avisa o Nélio, porque aquele idiota não atende o telefone. Eu chamei mais uns cara da faculdade também – pausa – Isso mesmo, todo mundo naquela praçinha – outra pausa, e ele concorda com a cabeça, olhando para mim – Beleza mano, por favor, não demora – e dito isso, Bruno desliga o telefone.
Ele me olha como se me cumprimentando e eu apenas lanço um meio sorriso. Eu ainda to chateada com ele, se ele acha que pode confundir minha cabeça desse jeito e fingir que nada aconteceu, ele está muito enganado. Então ele desce o olhar para a Ju, que está posicionada de costas pra ele. Ele sei que ele quer falar algo, tanto que ele abre a boca e a fecha diversas vezes. E se não estivéssemos na situação atual, eu até deixaria eles a sós, eles realmente precisam conversar, mas não agora. Não quero ser a culpada por mais devastações no coração da Ju.
– Vocês já vão? — ele interrompe meus pensamentos
– Sim – me limito a responder
– Beleza, eu vou indo na frente, porque marquei com os caras
Eu assinto com a cabeça, e ele sai.
– O que foi isso? – Ju sibila
– Ele vai ajudar
– Ajudar em quê? – Péssima hora pra gritaria Juliana. Eu penso, mas não falo de volta.
– Ajudar Juliana, tá pronta? – pergunto enquanto me retiro da mesa
– Não! – ela estava gritando alto – Ajudar em que Fatinha?
– Meu deus garota – eu bufo – Você pensa que é a única que se preocupa com a Lia e o Dinho? – tá, talvez eu tenha pegado pesado, mas é tarde demais pra me lamentar. Juliana franze a testa se reprimindo para não chorar. Não, por favor, tudo menos chorar. Eu imploro em pensamento – Ju... – sussurro me aproximando dela, mas ela se esquiva, me deixando plantada no meio da sala, enquanto sai pela porta.
Chego à praça, e as mesmas pessoas que estavam ontem – exceto pelo Bruno, e mais alguns garotos. E eu sei que é péssima hora pra isso, mas meu deus, ele tinha mesmo que trazer tantos gatos? Olha aquele ali, e aquele ali, não, pera ai, aquele ali então... Céus! Bruno parece ter percebido, porque quando o olho, ele revira os olhos, negando com a cabeça. Acho graça da cena, é tão divertido ver ele com ciúmes... Por mais que ele não admita que seja isso.
Me aproximo de Gil, que está com abraçado com Ju.
– Ju... – sussurro novamente – Eu não sei o que deu em mim, me desculpa tá — ela soluça por alguns segundos, mas me olha fazendo o seu melhor para sorrir. É um sorriso sincero, mesmo que forçado.
Nos separamos em grupos de três, e nos dividimos pela cidade e arredores. Eu, Ju e Gil fomos parar numa espécie de mato, um pouco distante. Tudo vazio e silencioso a principio, mas não era um espaço pequeno, então decidimos procurar por ali também.
– Lia!!! Dinho!!! – eu e Gil gritávamos, mas só ouvíamos nosso eco de volta
Ju também queria gritar conosco, mas a voz dela devia estar embargada pelo tanto de choro que ainda caía. E só de olhar pra ela dava vontade de chorar, sério. Já falei o quanto quero matar aqueles dois filhos da mãe? Pois é.
Continuamos gritando e tentando nos livras daqueles galhos enormes que cobriam nossa visão, até que a Ju nos para – Gente, para – ela pede
– Quê Ju, escutou alguma coisa? – Gil pergunta
– Shhhh – ela franze a testa e eu e Gil nos entreolhamos sem entender, mas nos assustamos assim que ela começa a correr.
– Ju, espera! – eu tento para-la, sem sucesso. Conforme corremos atrás dela, escuto gritos fracos pelo ar. Juliana para bruscamente, tentando adivinhar de onde aqueles gritos vinham.
– Por aqui – ela decreta e nos apressamos pra acompanha-la
Fatinha... Gil...Mais gritos abafados.
Meu deus, isso não pode ser coisa da minha cabeça. Afinal, não é só que eu estou escutando. Corremos mais rápido dessa vez, e paramos no que parece ser uma buraco, coberto de folhas pelo lado.
– LIA! – Juliana grita e eu boto uma mão na boca tentando reprimir essas sensações estranhas.
Lia está de pé, olhando para nós, e Dinho está deitado. Meu deus! Ele parece está desacordado. Não não não, eu não posso chorar agora... eu não vou.
– Ju... – Lia suplica chorosa — Graças a Deus...
– Calma, vou tentar procurar alguma coisa – Gil fala e corre em direção contrária a nossa.
– Amiga... – Ju começa, e vendo que ela não consegue terminar eu me pronuncio.
– Calma Lia, a gente vai tirar vocês dai, eu prometo
Ninguém ali consegue falar muitas coisas. Ju não consegue conter o choro, e claro, Lia também não. Ela disse que o Dinho bateu a cabeça e está desacordado desde ontem. Que ela tentou sair, mas como o buraco é fundo, não conseguiu. Pergunto se ela verificou o pulso dele, e ela responde que ele está respirando normalmente, e que já tentou acordá-lo, mas nada.
Gil demora mais do que o esperado, mas chega com o que eu acho ser galho de bambu, aparentemente resistente. Eu desço no buraco, e dou um abraço apertado na Lia, e ela retribui. Agradeço mentalmente por ela está bem. Ambas seguramos o corpo do Dinho, e empurramos até que Gil consegue puxá-lo. Depois ajudo Lia a subir, e em seguida, eu.
Lia e Ju dão abraços apertados, e eu apenas observo. Pela primeira vez, eu não sinto inveja. Bom, não que eu realmente sentisse isso, mas eu nunca tive amigas de verdade. E elas vinham sendo muito mais que isso pra mim. Eu as abraço, e ajudo Gil a carregar Dinho. Seguimos nosso caminho de volta, e eu penso em ligar pra primeira pessoa que vem na minha cabeça, afinal, não podemos carrega-lo tanto tempo. Eu deixo que elas andem um pouco a frente e disco o número.
– Bruno? – ele atende no primeiro toque
– Oi Fatinha, alguma novidade?
– Achamos eles – eu respondo maravilhada, e ouço ele dar um suspiro abafado – Eles estão bem, quer dizer... A Lia tá, mas o Dinho não
– O que ele tem?
– Desacordado, deve ter sido a queda, bom não sei, mas eu preciso que você traga seu carro agora!
– Ok, em que parte vocês estão?
– Sabe a direção que nós viemos? – eu pergunto e ele assente com um gemido – Bem, é só você vir direto. É quase uma floresta, é um pouco grande, tem bastante mato, nós já estamos tentando sair, mas o Dinho precisa ir pro médico rápido
Ele afirma, e logo desliga o telefone.
– Quem era Fatinha? – Juliana quer saber
– Bruno – ela abre a boca pra dizer algo, mas eu a interrompo – A gente precisa de alguém pra levar o Dinho, e a Lia também precisa, por favor... – eu praticamente imploro. Ela não parece concordar, mas também não se pronuncia contra.
Alguns minutos depois vejo Bruno correndo em nossa direção, com mais dois amigos. Bruno carrega Dinho nos braços e faz o possível pra chegar o mais rápido no carro.
Bruno nos leva direto para o hospital, e os dois são atendidos imediatamente.
***
Lia foi atendida rapidamente, e deram apenas alguns fortificantes para ela, e a alimentaram. Tirando a terra dos braços e pernas, ela já parecia mais saudável. A galera não pôde ficar no hospital, devido ao espaço que apesar de grande, era minúsculo para tanta gente. Então permanecemos apenas eu, Ju, Gil, Lia, Bruno e a mãe do Dinho na recepção. Ninguém queria ir embora antes de saber se tinha acontecido algo com Dinho.
Dr. Lorenzo aparece na sala, e nos levantamos esperando que ele diga algo.
– Não é nada grave – ele começa – Mas ele vai ter que ficar alguns dias por aqui. Pra repousar e receber os suprimentos que precisa – Alívio toma conta de todos, e é perceptível. A mãe de Dinho já não chora mais, nem Lia.
Bruno leva Lia para casa, e segue comigo, Gil e Ju, que mesmo protestando, não queria ter que andar de volta.
Chegamos no apartamento, e eu tomei um banho maravilhoso. Bruno e Ju fizeram o mesmo, e eu decidi preparar algo para comermos.
– Oi – Bruno sussurra assim que sai do seu quarto
– Oi – eu aceno – Vai sair? – realmente não sei porque perguntei isso. Ele dá um meio sorriso.
– Não. A Ju tá no quarto dela? – ele franze a testa e eu assinto — Já volto...
– Bruno – eu o chamo – Você acha que é uma boa ideia? – ele não responde, apenas vira de costas e entra no quarto.
[…] There was a time (Houve um tempo)
I used to look into my father's eyes (Eu costumava olhar nos olhos de meu pai)
In a happy home (Em um lar feliz)
I was a king i had a gold throne (Eu era um rei que tinha um trono de ouro)
Notas finais
O que acharam? Comentem, bjos!
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