Sei Que Você Tá Afim
14 Notícia
Notas iniciais
Trechos da música: Impossible - James Arthur
I remember years ago (Eu me lembro de anos atrás)
Someone told me I should take (Alguém me disse que eu deveria ter)
Caution when it comes to love, I did (Cuidado quando se trata de amor, eu tive)
And you were strong and I was not (E você foi forte e eu não)
My illusion, my mistake (Minha ilusão, meu erro)
I was careless, I forgot, I did (Eu fui descuidado, eu esqueci, eu esqueci) [...]
POV Fatinha
Ainda de olhos fechados, me espreguiço na cama, tateando ao redor. E para minha tristeza, estou sozinha. Desperto assustada. Droga. Eu ainda estou no quarto do Bruno. Dupla droga. Em um salto, levanto da cama, e visto a toalha que estava pendurada no cabide. Na sala, Bruno parece calmo, tomando café e olhando algo em seu notebook.
– Bom dia – ele se limita a falar, mas eu não respondo. Com passos largos, chego ao quarto da Ju. E como assim ela não está?
– Ju? – entro no quarto, a sua procura. Merda! – Cadê a Juliana?
– Bom dia – ele repete. Eu realmente não estou com paciência para sarcasmos.
– Bom dia Bruno, cadê ela? – pergunto franzindo a testa
– Onde você deveria estar agora – ergo uma sobrancelha. O que ele tá querendo dizer com isso? E como se estivesse lendo meu pensamento, ele responde – Escola.
– Ah – e por um segundo me deixo sentir aliviada. Mas não por muito tempo. Droga! Será que ela me viu no quarto dele? Será que tá com raiva de mim a ponto de nem se importar em me acordar? Merda, justo agora que a gente tava se dando tão bem. E ele, porque eu sou a única que tá parecendo se importar? – Bruno?
– Hum?
– Ela... – olho para o chão, não sei como perguntar, ou melhor, eu sei, mas as palavras estão engatadas na minha garganta. Passo a mão no cabelo, atordoada – Ela... nós – Merda. Péssima hora pra ficar sem palavras.
– Não Fatinha — levanto o olhar. Ele ainda está olhando para a tela do notebook. Será que um de nós pode falar algo coerente?
– Não o que Bruno? – pergunto irritada
– Juliana pensa que você dormiu fora de casa, se é isso que você tá pensando...
– Ah – alivio de novo. – Porque você não me acordou? – o acuso
– Você já é bem grandinha pra acordar sozinha, você não acha?
– Mas não custava nada
– Você já tá atrasada de qualquer forma, deixa de paranoia. E veste alguma coisa – ele levanta o olhar, me analisando — Não consigo me concentrar com você só de toalha – Oh! Eu a afeto. Isso soa tão bom, e ao mesmo tempo tão... quente. Dois podem jogar o mesmo jogo, certo?
Me aproximo, ficando atrás dele. Ele está lendo algum texto, sobre alguma coisa, e eu me encurvo, deixando minha boca próxima ao ouvido dele.
– Eu sou mais interessante que esse negócio ai que você tá estudando? – sussurro da maneira mais provocativa, e ele permanece impassível.
– Não provoca garota...
– Tá com medo de mim, Brunito? – pergunto e ele vira o rosto, fazendo com que fiquemos bem próximo.
– Brunito? – pergunta esboçando um meio sorriso. Rio pelo nariz, concordando, e ele volta o rosto para a tela – Vai tomar banho Fatinha
– Vem comigo... – pergunto baixo, e em segundos, ele está na minha frente, me empurrando contra a parede. Com uma mão na minha nuca, e outra na minha cintura, passeando o olhar entre meus olhos e minha boca. Quero o beijar, e sei que ele quer também, mas ninguém se atreve a dar o primeiro passo. Eu, não sabendo o que fazer... Isso é novo.
– O que você tá fazendo comigo? – ele franze a testa, perguntando mais pra si mesmo do que pra mim.
A campainha toca, e ele pisca várias vezes, como se voltando para a realidade. Tira a mão de mim e abre passagem, fazendo menção para que eu vá tomar banho. E assim eu o faço.
“O que você tá fazendo comigo?”
Eu sei que ele sente atração por mim, isso está mais que óbvio. Mas isso... Argh. Expulso esses pensamentos, me concentrando apenas na água.
Quando saio do banheiro me deparo com uma mulher alta, branca, rindo para ele. E o pior, ele também está rindo pra ela. De repente eu estou com raiva, dele... dela... de mim. Ela se assusta quando me vê, mas eu não dou a mínima, passo direto para o quarto, e bato a porta com força.
Me olho no espelho e me permito sorrir de leve. Nossa, que saudades eu tinha das minhas roupas. Suspiro aliviada. Isso deve bastar.
Pego minha mochila, e antes que eu me atrase de novo, corro para a porta. Mas se pensaram que eu ia sair me lamentando, erraram feio.
– Psiu – o chamo da porta. Ele hesita por um instante, mas acaba olhando – Eu amei passar a noite com você... Gato – sorrio e mando um beijo. O rosto dele fica impassível, deve ter ficado com raiva. Bem feito. Ele abre a boca, mas antes que ele fale algo, eu já estou fora.
***
– Hey! – Dinho me para no corredor – Preciso falar com você
– Pode falar
– Não aqui, na minha casa – ele fala baixo
– Aconteceu alguma coisa? – pergunto já muito preocupada
– Aconteceu, mas não dá pra contar aqui, vamos? – fez passagem pra que eu seguisse na frente.
– Cadê as meninas? – procuro ao redor
– Não sei, bora logo Fatinha – ele me apressa, botando uma mão na minha costa.
– Tá tá
***
Dinho me conta que sua mãe ganhou promoção, mas que o trabalho é fora do Brasil. Que mesmo relutante, ele está pensando em ir com ela. Afinal, desde que o pai dele os abandonou, eles choraram juntos, e passaram por tantos altos e baixos. E agora, ele não consegue aceitar a ideia de deixar que ela vá sozinha. O que torna o fato de ele amar Lia como nunca pensou em amar alguém, seja tão difícil. Eu o encaro perplexa, eu to me segurando pra não chorar, eu quero ser forte, por ele.
– O que eu faço? – ele me olha com cara de choro. Eu quero dizer tantas coisas, eu quero realmente lhe dar alguma opinião que valha a pena. Mas eu sou egoísta.
– Você vai me deixar? – pronto, as lágrimas já estão caindo desenfreadamente.
– Fatinha... – ele se move em minha direção e me abraça. Eu descanso minha cabeça em seu ombro. Droga! Meu melhor amigo indo embora? Eu não posso aceitar isso. Não não não não. Eu tento lutar contra esse demônio dentro de mim – Fala alguma coisa, por favor... – ele implora
– Dinho... eu... – enxugo minhas lágrimas com força — Eu... – encaro minhas mãos, eu preciso dizer alguma coisa que preste.
– Eu vou ali
– NÃO! – pulo da cama e agarro suas mãos. Ele me olha assustado, mas logo relaxa
– Eu só vou buscar água sua maluquinha – eu franzo a testa. Como ele consegue fazer piada uma hora dessas? Eu o solto, e ele vai até a cozinha, voltando menos de um minuto depois, com um copo de água.
– Eu não to com sede
– Teimosia pra cima de mim? Bebe logo – rolo os olhos. Ele é tão mandão...
Bebo a água, e em alguns minutos já me sinto mais calma. Eu posso ser doida, como muita gente fala, mas eu também sei dar bons conselhos, pelo menos eu acho... Só tem um jeito de descobrir.
– Dinho... – eu começo – Eu sei toda a barra que você passou por causa do seu pai... Eu sei que antes da Lia, você tinha a sua mãe, e eram só vocês, lembra? – ele concorda, assentindo – Cara, eu não faço ideia de como tu vai falar pra marrentinha, e é melhor tu se preparar pro pior – ele engole em seco – Quando é que vocês vão?
– Daqui a duas semanas
– Depois da festa de fim de ano? – o interrompo, e ele apenas assente – Você tá mesmo pensando em ir? – assente de novo – Quando vai contar pra Lia?
Ele olha para o nada, ele parece tão aflito. Meu amigo... – Eu não sei cara... Eu to tão mau, mamãe me contou isso ontem, por isso eu não pude ir naquela reunião do trabalho – hum, agora entendo – Desde ontem eu to evitando ela. Eu não consigo nem imaginar olhar pra ela, ver ela chorar, isso vai acabar comigo... – ele para, tentando puxar o ar
– Você ficaria se ela pedisse?
– Não sei... Eu amo ela, e acho que nunca vou conseguir amar alguém desse jeito. Mas é minha mãe Fatinha. – ele levanta as mãos, explicando – Quando aquele idiota deixou a gente, ela entrou em depressão, você sabe! – seus olhos já estão inchados – Foram anos naquele hospital, internada. Eu nunca deixaria minha mãe passar por aquilo de novo. Nunca! – ele encara suas mãos, e eu luto contra o aperto no meu coração. Eu me aconchego do seu lado, e o abraço.
– Vai dar tudo certo Dinho – e é tudo o que eu consigo dizer.
***
Péssima hora de ter arranjado esse trabalho. Eu não consigo me concentrar em absolutamente nada, fora que esses gringos ficam falando coisa com coisa, e eu não entendo nadinha. A única coisa que eu queria agora, era estar com o Dinho. Eu nunca vi ele desse jeito...
– Fatinha?
Me apoio com o cotovelo na mesa, olhando pro nada. Eu lembro exatamente quando a mãe dele ficou doente. Ele se martirizava todos os dias, dizendo que a culpa era dele. Que ele não tinha ficado do lado dela, quando ela precisou. E acho que até hoje ele se culpa... E a Lia? Meu deus, eu não morro de amores por aquela garota, mas eu nunca desejaria isso a ninguém.
– ACORDA FATINHA!
– MEU DEUS – me assusto, quase caindo da cadeira – Que foi Michel?
– Eu que pergunto, o que aconteceu? Você tá ai parada olhando pro nada, há horas
– Nada não...
– Quer ir pra casa? Eu fico aqui, depois você volta... – nem deixei ele terminar, pulei da cadeira, dei um beijo no rosto dele, e voltei pro prédio.
Ju e Lia estavam rindo de algo na sala, e assim que me viram, correram pra cima de mim.
– Você pode ter escapado da gente durante a aula mocinha, mas agora pode contar... – as duas me olhavam com excitação, dando risinhos sacanas
– Contar o que? – franzo a testa
– Como assim contar o que? – Lia se antecipa – Ju falou que você dormiu fora... – Droga. Era isso?
– Eu tava com... – preciso pensar, e rápido! Eu passo por elas, me sentando no sofá. – É... – Elas não podem saber que eu fiquei com o Bruno. Não agora. – Vitor – engulo sem seco.
– Sabiaaa! – Ju pula em cima de mim – Eu te falei Lia! Eu sabia que tinha sido ele – e de repente as duas estão rindo, e a piada sou eu. Que ótimo. Se eu não estivesse tão mau pelo Dinho, eu poderia estar rindo também – Mas olha, me avisa da próxima vez ok? Eu fiquei que nem uma idiota, preocupada com você de manhã – Ju franze a testa, fazendo bico.
– Desculpa... – eu digo tentando sorrir – Vocês vão ficar aqui? Eu preciso ir pro Hostel, Michel tá me esperando – minto
– Vamos ficar aqui sim – Ju responde – Você e o Vitor estão namorando? – Isso vai ser mais difícil do que eu pensei.
– Não Ju, a gente não tá namorando, foi só uns beijos, só isso – minto de novo
– Uns beijos? Você dormiu na casa dele! Eu nunca fiz isso... – Ju se encolhe – Mas também não sou burra...
– Tá, vocês venceram, mas eu preciso ir agora. Sério! Depois eu falo com vocês... – falo enquanto saio do apartamento.
E agora? Elas vão ficar soltando piadinhas pra cima dele, e ele não vai entender nada. Me apresso indo em direção a casa dele. Eu preciso de um plano...
[...] And now, when all is done (E agora, quando tudo se foi)
There is nothing to say (Não há nada a dizer)
And if you're done with embarrassing me (E se você terminou de me envergonhar)
On your own you can go ahead (Você pode ir em frente sozinha)
Tell them (Diga a eles)
Notas finais
Até o próximo. :)
Fale com o autor