Notas iniciais
Aviso: Esse capítulo pode chocar algumas pessoas, eu entendo. Mas vou relembrar, isso é uma fic, então é claro que não será como na novela. E pra quem acompanha a fic desde o começo sabe que esse Bruno não é exatamente o tipo de cara certinho. Explico o motivo do capítulo lá em baixo. Dito isso, aproveiteeeem. Eu fiquei muito satisfeita com esse cap.
Trechos da música: All I Need - Within Temptation

Don't tear me down for all I need (Não me deixe mal por tudo que eu preciso)

Make my heart a better place (Faça do meu coração um lugar melhor)

Give me something I can believe (Me dê algo em que eu possa acreditar)

Don't tear it down, what's left of me (Não acabe com isso)

What's left of me (Tudo o que resta de mim)

Make my heart a better place (Faça do meu coração um lugar melhor) [...]


POV Fatinha


Nós estávamos saindo do restaurante, quando eu avistei o Bruno beijando uma qualquer e a colocando dentro do táxi. Eu realmente não sei o que me deu, mas eu segurei a mão do Vitor, entrelaçando nossos dedos. E comecei a rir mais do que o normal. Eu esperava que ele visse aquilo, eu torcia na verdade. E ele viu.


POV Bruno


Eu ando praticamente correndo, enquanto sinto mãos tentando me puxar, sem sucesso. Todos percebem minha presença antes mesmo que eu chegue, e ambos me olham assustados, como se estivesse fazendo algo proibido... Exceto ela. A cerro com os olhos, e ela não demonstra nenhum tipo de medo. Eu respiro, tentando manter algum controle, mas minha raiva parece já ter tomado conta de mim.

– Juliana! – assobio sem pensar – Isso é hora de tá na rua? — minha voz sai mais alta do que eu imaginava, e ela me olha assustada.

– Calma lek – alguma voz tenta me acalmar, mas eu não dou a mínima

– Perdeu a língua Juliana? — ela abre a boca pra falar algo, mas depois fecha. Fatinha se coloca na frente dela e me cerra com os olhos.

– Tá ficando doido? – ela sibila, franzindo a testa em desaprovação.

– Não se mete – trinco os dentes. Eu realmente estou me segurando pra não gritar com ela aqui mesmo.

O cara que estava com elas se opõe – Calma cara, nós só viemos jantar, eu sou de maior, não precisa de preocupar

– Eu nem te conheço – o interrompe. E se não fosse duas mãos me segurando, eu já teria saltado em cima dele e o batido com força. Eu nem sei o motivo de eu querer fazer isso, mas eu quero – Bora Juliana – decreto seco, a pegando pelo braço.

Ela tenta me empurrar enquanto eu a arrasto no meio da rua

– Bruno! – ela grita perto do meu ouvido – Você tá me machucando, para! – ela continua tentando se soltar de mim, mas eu sou mais forte – Bruno! – outro grito. Sinto uma pontada forte na minha cabeça, me fazendo soltar as mãos do braço dela, e os levando até minha cabeça.

Ela tenta se afastar, mas eu a alcanço novamente, e de novo, a puxo pelo braço.

– Calma aí cara, tu tá machucando ela... – Mas que saco! O cara se coloca na minha frente de novo. E se o que ele queria era me irritar, pois ele conseguiu. Talvez tenha sido só eu com muita raiva, ou o vinho me dando uma coragem até então desconhecida, mas quando eu menos percebo, minha mão avança, fechada em punho, fazendo ele recuar. Antes de eu acertá-lo, uma mão me segura por trás, e eu empurro com força, fazendo quem quer que seja cair no chão.

– Bruno!

Pisco, voltando a realidade. Eu olho para a Fatinha, e ela está horrorizada. Aliás, todos estão. Viro-me em direção a pessoa jogada no chão. Merda! Me abaixo rapidamente, tentando alcança-la, mas ela me empurra, se derramando em lágrimas. Eu não consigo acreditar no que eu acabei de fazer, e eu sinto uma vontade louca de socar minha cabeça na parede.

Eu passo a mão nos cabelos, visivelmente nervoso e chocado. Sim, eu estou chocado. Eu nunca pensei que chegaria a fazer isso com ninguém, muito menos com alguém da minha família.

Fatinha e mais alguns, a ajudam a levantar, enquanto eu permaneço estático. Eu tento me aproximar, mas me seguram por trás. Mas que merda! Eles estão mesmo pensando que eu vou algum mal a ela? Franzo a testa, revoltado.

Você fez mal à ela. Meu subconsciente me ralha.

Fatinha afaga os cabelos da Ju, enquanto ela não para de chorar. Meu olhos ardem, e eu sinto lágrimas molharem meus olhos.

– Ju... eu... me desculpa – gaguejo enquanto tento falar o mais alto que posso. Ela vira as costas, dizendo que quer ir embora. Eu dou uma passo a frente, alcançando-a pelo cotovelo, mas ela puxa o braço com força.

– Não me toca, seu bêbado! – ela grita e é como se ela tivesse dado um chute no meu estômago. Eu fico em estado de choque, enquanto lágrimas saem dos meus olhos, sem permissão.

Observo enquanto elas se afastam, e eu agradeço mentalmente pelo táxi que não demora a chegar. Me sento em um dos bancos que estavam próximos, e apoio minha cabeça com as mãos, e permaneço assim por alguns minutos. Eu nunca me senti tão baixo em toda minha vida. E o pior de tudo, ela não falou nenhuma mentira... Eu sou um bêbado. Ela está certa. Me martirizo em pensamento.

Rasta se oferece pra me levar pra casa dele, mas eu recuso. Eu preciso ir pra minha casa, eu preciso falar com a Ju. Eu preciso que ela me desculpe. Eu preciso... Então eles chamam um táxi, e entram nele comigo. No caminho, eu não consigo fazer nada, além de me xingar por ter sido tão idiota. E eles permanecem calados do meu lado. Afinal, o que eles poderiam dizer? Estavam tão chocados quanto eu. E eles não iriam dizer nada que eu já não soubesse...

Desço do táxi, e vou em direção ao apartamento. Provavelmente ela deve estar trancada no quarto, eu imagino. E eu não a culpo, quanto mais ela se afastar de mim, melhor... Não! E a batalha na minha cabeça me acompanha até em frente à porta.

Entro cambaleando, enquanto faço esforço pra me manter em pé. Fatinha está de pé na sala, me olhando.

– Onde ela tá? – as palavras saem automáticas da minha boca

– Ela não tá aqui...

– Então onde? – franzo a testa, falando da forma mais fraca que posso

– Ela foi dormir na casa do Gil – abro a boca pra dizer algo, mas ela me interrompe – Não vai adiantar nada você querer conversar com ela agora, vocês dois estão com cabeça quente, vão acabar brigando de novo, deixa pra amanhã ou outro dia. Dá tempo pra ela... – por mais que eu não queira aceitar, eu sei que ela tá certa.

Me sento no sofá, apoiando minha cabeça de novo com as mãos, até que sinto mãos carinhosas acariciarem minhas costas.

– O que foi que eu fiz Fatinha... – pergunto quase como um sussurro

– Eu sei que não foi por mal, no fundo ela sabe também mas...

– Mas o que?

– Ela precisa de tempo Bruno, tenta respeitar...

– Eu não sei por que fiz aquilo – e de novo, as lágrimas ardem nos meus olhos

– Tem certeza que não sabe? – ela ironiza. Eu paro pra pensar um pouco. Eu sei por que fiz tudo aquilo...

– Você – digo enquanto levanto o olhar pra ela

– Ah, agora a culpa é minha? – ela ergue uma sobrancelha, mostrando estar ofendida.

– Por que você saiu com aquele cara? – ignoro a pergunta dela, e ela fica surpresa por eu falar sobre isso – Nada daquilo teria acontecido se você – sacudo a cabeça, eu tenho que aprender a pensar antes de falar.

– Se eu... – ela faz menção para que eu continue

– Não sei Fatinha, eu vou pro meu quarto — falo enquanto me levanto do sofá. Ela também levanta e me segura pelo braço

– Não Bruno – ela diz seca – O que você ia dizer? – ela exige – É por que eu tava com o Vitor não foi? Você ficou com ciúmes? – ela pergunta e eu engulo em seco. Eu não sei o que responder. Ela tem que parar de perguntar essas coisas, eu não tô no meu estado normal de consciência.

Eu deixo ela parada, e continuo meu caminho para o quarto. Antes que eu feche a porta, ela já está dentro do meu quarto.

– Fatinha! – a repreendo quando ela passa por mim

– Eu quero saber Bruno – ela exige mais uma vez – Foi ciúmes de mim?

– Não sei Fatinha, talvez, e daí. Isso importa?

– Importa pra mim – ela sussurra – Você gosta de mim... – franzo a testa. Não pareceu ser uma pergunta.

– Não sei, não quero falar sobre isso agora. Eu não to bem – digo e e me jogo na cama, de barriga para cima. Pego um travesseiro, e tapo a minha visão.

Sinto minha cama ceder um pouco, e logo ela está sentada ao meu lado. Ela tira o travesseiro das minhas mãos, e me olha de um jeito diferente... Cuidadoso.

– Deixa eu cuidar de você então – ela me desarma completamente, usando a mesma frase que eu usei com ela há uns dias atrás. Me pego querendo desesperadamente que ela fique, mas não quero fazer... Aquilo. E imagino que seja isso que ela queria. O que mais poderia ser? Esse pensamento me deixa triste.

– Eu não consigo Fatinha, não hoje, desculpa – eu espero que ela não entenda como uma fora. Longe disso.

– Você não consegue o quê Bruno? – ela franze a testa

– Não se faça de desentendida – reviso os olhos, virando-me de costas para ela

– Eu não faço ideia do que você tá falando – ela fala enquanto se retira do quarto. Idiota. Meu subconsciente tirou o dia pra me contrariar.

Mesmo que nós tentássemos, eu não iria conseguir, eu sei disso. Minha cabeça tá perturbada demais. Eu quero ficar sozinho? É obvio que não. Eu até entendo o fato dela querer me usar depois de tudo o que eu passei. Eu já fiz isso com ela.

Balanço a minha cabeça, chega de pensar. Prefiro que ela me use, do que ter que chorar que nem um bobo e ainda mais sozinho.

Sigo para o quarto dela, e ela está de camisola. Suspiro pesadamente, ela não faz ideia do efeito que causa. Ou melhor, ela faz sim.

– Precisando de alguma coisa? – ela pergunta enquanto se prepara para deitar

– Você – o pedido sai mais como uma rogação. Ela me olha divertida.

– Você sempre tem esses surtos de personalidade? – essa eu tive que rir.

– Você disse que ia cuidar de mim – faço minha melhor cara de pidão

– E você negou

– Eu reconsiderei

– E se eu não quiser mais?

– Eu posso fazer você querer de volta – é a vez dela rir.

– Eu ainda vou me arrepender disso – ela segura minhas mãos, me arrastando para o quarto

Chegando lá, tiro minha camisa e minha calça, e jogo em algum canto. Ela me analisa divertida, se deitando na cama. Me arrasto sobre ela, equilibrando meu peso sobre ela. Beijo o seu pescoço, enquanto minhas mãos passeiam pela sua cintura. Faço uma trilha entre o pescoço, maxilar, bochecha, até chegar na boca, onde descanso um selinho demorado. Com uma mão ela acaricia meu rosto. Nosso beijo está diferente, eu sinto isso. Antes era como gasolina e fogo. Agora é lento, calmo. Estranho... Mas nela é um estranho bom.

Levanto a barra da sua camisola alguns centímetros e ela me para.

– Não – ela tenta falar por entre nosso beijo

– Porque?

– Foi pra isso que você foi me chamar? – a encaro, e ela parece decepcionada.

– Pensei que você... – não consigo terminar

– Pois você pensou errado – ela fala em fio de voz enquanto tenta sair de baixo de mim

– Espera

– Que é? – ela me cerra – Como você consegue pensar nisso agora? – ela está brava

– Espera, eu não quis fazer isso... Você...

– Eu o quê? – firme e seca

– Você disse que queria cuidar de mim

– Cuidar Bruno – ela explica – Não dormir com você – abro a boca pra falar, mas fecho em seguida. Eu não fazia ideia...

– Me larga, eu vou pro meu quarto

– Não – a interrompo – Eu não sei o que eu tava pensando. Por favor

– Você é um idiota – ela fala, mas eu vejo diverção nas palavras. Eu rio. Talvez eu seja mesmo – Arreda pra lá – ela ordena – E se você tentar alguma coisa, eu não respondo por mim — eu rio de novo. Ela parece uma moleca falando essas coisas. Eu concordo com a cabeça.

Foi uma noite e tanto. Eu descando no peito da Fatinha, enquanto ela passa as mãos pelos meus cabelos. Não sei por quanto tempo ficamos desse jeito, só sei que eu apaguei alguns minutos depois.

Can you still see the heart of me? (Você ainda pode ver um coração em mim?)

All my agony fades away (Toda minha agonia desaparece)

when you hold me in your embrace (Quando você me envolve em seu abraço)

Notas finais
Explicando o surto do Bruno: Quem acompanha sabe que o Bruno é um cafajeste, bêbado, e tudo que há de pior em um homem. Eu precisava acabar com isso, claro. Eu também quero romance. Mas pra isso acontecer ele precisava de um choque de realidade. Por favor, xinguem o personagem, ele realmente tá precisando, mas não xinguem a Autora. :p

Já sabem, reviews me deixam inspirada. Até o próximo