Sei Que Você Tá Afim
9 Descoberta
Notas iniciais
Esse capítulo vai especialmente para TeamBrutinha, muito obrigada pela recomendação linda ♥
Trechos da música: It's time - Imagine Dragons
It's time to begin, isn't it (É a hora de começar, não é?)
I get a little bit, bigger, but then (Fico um pouco, maior mas, depois)
I'll admit, i'm just the same as i was (Admitirei sou o mesmo que eu era)
Now don't you understand (Você não entende?)
That i'm never changing who i am (Nunca mudarei quem eu sou) [...]
Narrado em terceira pessoa
Era aula de educação-física, e Marcela pediu para que fossem separados grupos, para jogar queimada. Era uma linda tarde de sol, e todos pareciam estar se divertindo, bem, não exatamente todos.
Lia olhou para a arquibancada que estava praticamente vazia, se não fosse por uma Juliana encostada contra parede, se lamentando com alguma coisa. Alguma coisa não, alguém! pensou indo em direção a amiga — Ai Ju, sai dessa deprê cara, foi só um beijo , pelo amor de deeeus! — disse levantando as mãos.
– Ai não, de novo não — Ju suspirou derrotada — Até quando você vai ficar me enchendo com esse lance do beijo? Não posso nem sentar pra descansar? — falou com a cara mais lavada, tentando parecer indiferente.
– Aham, me engana que eu gosto Juliana. Você tá morrendo de vergonha do Gil, e toda vez que ele vem falar com você, você foge que nem diabo foge da cruz — Lia ironizou, fazendo a amiga revirar os olhos.
– Não quero falar com ele tá? Pelo menos não agora... Ai amiga — Juliana suspirou — Me ajuda — pediu fazendo beicinho e cara de choro.
Lia riu e sentou-se ao lado da amiga — Ai Ju, uma hora ou outra vocês vão ter que conversar, isso é fato. Vocês moram no mesmo prédio lembra? — Juliana bufou — E outra, tá na cara que vocês se gostam, e isso todo mundo já percebeu, menos essa cabecinha oca aqui — falou cerrando os dentes, e batendo de leve na cabeça da amiga.
– Eu não aguento mais ter que ficar correndo dele... Mas é que sei lá, eu sou muito tímida, você sabe! — olhou para Lia que apenas riu e concordou — Eu saio de casa sem tomar café, só pra não ter que topar com ele no corredor, já imaginou? — bufou indignada — Eu quero muito falar com ele, mas quando eu olho pra ele eu fico nervosa... — falou olhando para o chão.
– Ihhh Ju, sei não heim, acho que você tá apaixonada...
– Quê? Não viaja Lia – bufou pelo nariz, revirando os olhos.
– É sério! Olha sua cara, você tá vermelha — falou apontando para o rosto da amiga, caindo na gargalhada.
– Para! Se não a Marcela vai brigar com a gente... — tentou repreender, mas já era tarde demais.
– Juliana! Lia! Porque vocês não estão participando da aula? — perguntou a professora, fazendo todos pararem e as encarar. Os olhares de Juliana e Gil se cruzaram, mas ela desviou no mesmo segundo.
– A gente já tá indo Marcela, só viemos passar um pano no rosto — Lia mentiu, pegando um lenço que estava próximo, fingindo limpar o suor.
Lia se levantou, levando Juliana junto – Vem apaixonada. Vamos vencer esses manés, e depois da aula você vai falar com Gil — ordenou fazendo Juliana arregalar os olhos.
– Você só pode tá brincando...
– Estou não. Vamos!
Juliana ficou confusa de início, já que Lia jamais fora mandona desse jeito com ela, principalmente por casa de garotos. Ela na verdade odiava eles, com exceção de um certo carinha de cabelos enrolados. No fundo ela sabia que tinha que conversar com Gil, pois eles haviam se beijado em um dos corredores do colégio, o que pra ela foi uma surpresa. Afinal, ela era tímida, e ele nem se fale. O mais estranho ainda foi que ela gostou daquela proximidade. Eles já eram amigos desde o primeiro ano, mas nunca tinham tido nada nesse nível... Se ela queria o beijar de novo? Cada célula do corpo dela estava gritando Sim! Por favor! Juliana suspirou pesadamente, rindo de si mesma.
POV Bruno
Eu estava deitado no meu quarto, pensando no quanto minha vida foi uma merda essa semana.
Até agora não consigo acreditar que peguei minha namorada — não mais minha — se agarrando com outro cara no campus da faculdade. Era terça a noite, e ela havia me ligado pra dizer que não vinha pra cá, porque iria dormir com uma amiga. E eu, o otário, não desconfiei de nada. E como eu iria? Ficava se fazendo de santinha na minha frente, dizendo que me amava e que eu era o namorado que ela sempre sonhou. Vagabunda mentirosa. Por sorte, eu tive que ir buscar uns livros na biblioteca, e quando sai, lá estava ela, se atracando que nem uma vadia. E a maluca ainda se fez de desentendida, alegando que não estava beijando ele. Como se eu fosse cego... Não quis nem ouvir o que ela tinha pra falar, dei as costas e me mandei. Se doeu? Bom... eu amo a Ana, pelo menos amava. E pra não ficar chorando que nem um idiota, comecei a ir pra balada desde então, com meus fieis escoteiros, Rasta e Nélio. Bebia todas e saia pegando geral. Há algum tempo eu diria que isso é errado, que vai contra os ensinamentos que meus pais me deram. Mas quer saber? Eu já sou maior de idade há muito tempo, e sei muito bem cuidar da minha vida. Ou pelo menos sabia... Isso não importa. Foi até bom ter acontecido desse jeito, aquele Bruno certinho, ingênuo e apaixonado, que acreditava em tudo que a namoradinha dizia, morreu naquele gramado. É claro que eu não vou largar a faculdade. Além de eu gostar do curso que faço, lá tá cheio de mulherada doidinha pra dar. E eu to adorando...
Hoje aquela colega da Juliana veio aqui, fazer uma "visitinha" pra ela. Até parece que ela não sabia que eu estava sozinho, por favor... Se ela fosse uma das garotas do campus, eu não teria nem hesitado, traria pro meu quarto na mesma hora. Mas a mina ainda tá no colegial... Ela falou naquele dia que é maior de idade, será mesmo? Bem, de maior ou não, virgem com certeza ela não é. E sendo maluca do jeito que é, mesmo eu dizendo que não, foi entrando toda folgada. Acabamos nos beijando, e puta merda, aquela garota é quente! Eu nem me dei conta, mas eu queria tê-la ali, na sala ou no meu quarto, tanto faz. Mas ela surtou de repente e ficou toda histérica quando tentei tirar a roupa dela, o que me aborreceu pra caralho. É claro que eu não ai deixar barato, mas resolvi relevar, já que há pouco tempo ela tinha sofrido um acidente. Dessa ela se livrou, mas se ela pensa que terminamos por ali. Ela tá muito enganada. Os minutos foram passando, e eu adormeci com aquela imagem loira de batons vermelhos.
POV Fatinha
– Cadê o imbecil do Dinho que não chega? — eu já estava impaciente esperando por ele.
Meus olhos ainda estavam inchados de tanto que eu tinha chorado. Agora eu só estava irritada. Pelo modo que o Bruno me tratou, pelo meu melhor amigo, não tão amigo, que deveria estar aqui comigo, mas não está. Pelos meus pais por não me aceitam como eu sou. A vida das outras garotas parecia um conto de fadas, porque só a minha tinha que ser esse inferno? Continuei me martirizando, até que aquele filho da mãe apareceu.
– Onde você tava? — me levantei, fazendo ele se assustar.
– Fatinha?
– Sim. Eu. Não tá vendo?
– Hey, calma, o que aconteceu? — falou assustado, se aproximando de mim.
– Você é um péssimo melhor amigo! — falei, agora com as lágrimas de volta
– Para com isso Fatinha... eu nem sabia que você tava aqui... Vem cá... — falou me puxando para a borda da cama — Me conta o que aconteceu!?
– Minha vida Dinho, meus pais... tudo! — pensei no Bruno, mas achei melhor deixar essa história pra outra hora .
– Relaxa Fatinha, ainda não sei do que você tá falando, mas tenho certeza que vai dar tudo certo, agora me conta direito o que E-X-A-T-A-M-E-N-T-E aconteceu.
Abri a boca, pronta para falar, mas me assustei com gritos que vinham do lado de fora. Eu e Dinho nos entreolhamos, sem entender nada, até que os gritos pareceram vir da frente da casa dele. Saímos do quarto para ver quem era. Conforme os gritos iam aumentam, meus músculos se comprimiram quando percebi o quanto aquela voz era familiar. E então meu corpo todo começou a tremer, levei uma mão à boca, tentando reprimir um gemido de pavor.
– Maria de Fátima apareça agora! Eu sei que você está aí! — meu pai gritava do lado de fora.
– Dinho, e agora? — falei assustada. Ele sussurrou algo como "vai ficar tudo bem, eu prometo" de volta
– Adolfo, pelo amor de Deus, pare de fazer escândalo! — minha mãe tentava o acalmar
– Pouco me importa com o que os outros vão pensar, Vilma. Você viu como sua filha estava vestida?
– Nossa filha Adolfo. NOOSSA!
Abrimos a porta, e meu pai me olhou escandalizado. Nunca pensei que algum dia fosse ver meu pai desse jeito. Ele não estava apenas chateado. Os olhos dele estavam brilhando, e não, isso não é coisa boa. Minha mãe estava ao seu lado, chorando e tentando o segurar, pra que ele não avançasse em mim. Olhei ao redor, e caramba! Hoje todo mundo decidiu tirar dia de folga foi?
– Como você consegue chamar isso de filha Vilma? Olha as roupas que essa infame está usando. — meus olhos já estavam lagrimando novamente. Meu pai se soltou dos braços de minha mãe e partiu em minha direção, fazendo Dinho se por automaticamente entre nós.
– Seu Adolfo, por favor, se acalma... Desse jeito ninguém vai resolver nada.
– Saia da frente Adriano — falou me cerrando com os olhos. Olhei para o chão, envergonhada.
– Desculpe senhor, mas não vou deixar que você faça mal a ela – meu pai bufou.
– Quem você pensa que é? Meu filho? – riu sarcasticamente – E você? – agora olhando pra mim – Vivia dizendo que já é grandinha, e que podia cuidar da vida sozinha... Porque não vem aqui e me enfrenta como mulher?
Aquele não era meu pai. Não podia ser. Mas ele estava certo, eu havia prometido a mim mesma que iria confrontá-los, eu tinha que fazer isso, por mim.
– Deixa comigo Dinho, eu resolvo... – falei baixo tentando o afastar de nossa frente.
– Você tá maluca? – ele ia falar algo mais, mas o interrompi
– Confia em mim – ele hesitou por um instante, mas acabou indo para o lado.
– Pai... – comecei, mas fui surpreendida pelo golpe no meu rosto. Soltei um gemido involuntário, levando uma mão a minha bochecha, agora quente. Lágrimas começaram a sair sem pedir permissão. Meu pai nunca havia me batido, e pior, na frente de toda essa gente. Logo atrás minha mãe também nos olhava assustada, chorando. Eu queria falar algo, mas as palavras ficavam engasgadas na minha garganta.
– Nunca mais ouse me chamar de pai, eu tenho vergonha de você. Tá me ouvindo? – cuspiu com cara de nojo – Eu quero você fora da minha casa hoje mesmo, sua... sua... vadia! – Oh! Foi a única coisa que consegui falar. Eu preferia ter levado uma facada no peito. Acho que teria doído menos. Eu não tinha mais forças pra continuar ali, então eu corri. Dinho quis vir atrás de mim, mas eu implorei pra me deixar só, e ele atendeu com a condição de que eu ligasse pra ele quando estivesse melhor. Isso provavelmente vai demorar séculos, pensei comigo mesma. Mas acabei atendendo ao pedido, desesperada pra ficar só.
Eu não sei por quanto tempo corri. Só sei que estava em um beco escuro, quando parei, tentando desesperadamente puxar ar para os meus pulmões. Olhei em volta e não havia ninguém. Menos mal. Procurei por um canto mais escondido, e me enrosquei, botando a cabeça no joelho. E chorei como nunca havia chorado antes.
[…] This road never looked so lonely (Esta estrada nunca pareceu tão solitária)
This house doesn't burn down slowly (Esta casa não queima lentamente)
To ashes, to ashes (Até as cinzas, até as cinzas)
Notas finais
O que acharam dessa nova fase do Bruno? hahaha
Quem ficou com dó da Fatinha levanta a mão O/
E não se preocupem. Tempos bons estão por vir...
Bjs e até o próximo.
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