Notas iniciais
Nos vemos lá em baixo.

Trechos da música: Ready, Set, Don't Go - Miley Cyrus ft.Billy Ray Cyrus

She's gotta do what she's gotta do (Ela deve fazer o que ela deve fazer)

And I've gotta like it or not (E eu tenho que gostar ou não)

She's got dreams too big for this town (Ela tem sonhos enormes para essa cidade)

And she needs to give 'em a shot (E ela precisa dar a eles uma chance)

Whatever they are (Onde quer que eles estejam) [...]


POV Dinho


Estou a mais de duas horas esperando algum contato da Fatinha, e nada. Já mandei mensagem, já tente ligar, mas ou cai na caixa postal, ou aparece no meu visor “ligação rejeitada”. Odeio o que ela tá fazendo comigo. Será que ela não entende que eu to preocupado? Meu maior medo é ela sozinha por ai, com fome, cansada... Ela disse que eu sou um péssimo melhor amigo, e quer saber? Parado aqui que nem um idiota, talvez eu seja mesmo... Isso!

Me levantei da cama com um pulo, peguei uma mochila, celular, e fui para a cozinha. Busquei alguns biscoitos na despensa e uma garrafa de suco. Avisei para minha mãe que eu ia me encontrar com a Lia. Peguei o celular e disquei o número dela.

Oi amor – atendeu no primeiro toque

– Oi amor, você tá em casa? Pode me encontrar agora na praçinha? – perguntei apressadamente enquanto saia de casa.

Claro que posso, mas aconteceu alguma coisa? Você tá estranho... – perguntou preocupada

– Eu to preocupado com a Fatinha amor, ela não liga e não atende as minhas ligações. Daqui a pouco começa a ficar escuro, e ela não deve ter comido nada... Vou procurar ela, e preciso que você vá comigo. Mas tem que ser agora!

Claro que eu vou, também to preocupada com ela, alias eu também tentei ligar e nada... Mas espera ai que eu vou ligar pra Ju ir com a gente ok?

– Tá amor, mas não demora por favor!

Ok, vou ligar pra ela agora! Espera ai... – dizendo isso, desligamos e eu fiquei esperando no banco.

Mais uns cinco minutos, e pude ver Lia vindo apressada. Com Ju e um outro cara do lado delas. Levantei-me e fui em direção a elas.

– Oi amor, oi Ju – falei dando um selinho na Lia e apertando a mão da Ju – E você... – olhei interrogativamente pro cara.

– Ah Dinho, esse aqui é meu irmão, ele insistiu em vir comigo pra ajudar – se explicou Ju

– Prazer aí, Bruno – levou uma mão pra que eu cumprimentasse.

– Dinho. – apertamos as mãos e logo soltei – Então galera, vamos logo, antes que escureça. – peguei na mão da Lia e fomos em direção em que Fatinha havia ido logo cedo.

“Fatinha!” “Fatinha cadê você?” Lia e Ju gritavam enquanto procurávamos em todo canto.

Quanto mais a gente ia se distanciando, mais eu ficava preocupado... Minha amiga, sozinha, não, por favor, que nada de ruim aconteça com ela... Eu suplicava olhando para todos os lados.

– Ela não tá em nenhum canto – Bruno interrompeu meus pensamentos

– Não cara, ela tem que tá! – falei um pouco mais alto

– Calma Dinho, a gente vai encontrar... – Lia tentou me tranquilizar

– Gente...

– Oi Ju, que foi? – viramos pra onde ela olhava.

– Ali... – sussurrou apontando para um canto escuro. Pressionei meus olhos, tentando ver algo fora aquela escuridão. Não deu pra ver muita coisa, mas parecia alguém deitado. Corremos naquela direção, e conforme íamos chegando perto...

– Fatinha! – gritei quando percebi que de fato era ela. Fazendo ela acordar assustada.

– Hã? Dinho? – falou enquanto acordava. Não respondi, apenas a abracei forte.

– Sua maluca, nunca mais faz isso comigo, tá me ouvindo? NUNCA! – exclamei botando minhas mãos no rosto dela, fazendo com que ela olhasse pra mim.

– Eu pedi pra você me deixar sozinha...

– É, mas você não atendeu minhas ligações e eu fiquei preocupado. Bora, levanta. – Fiz essa se levantar, mas ela quase cai de tão fraca que tava.

– Wow Fatinha, calma ai – Lia deu um passo a frente, segurando ela pelo outro lado. – A gente tem que levar ela pra algum lugar Dinho...

– Eu sei, mas onde?

– Na tua casa? – Ju piscou, como se aquela fosse uma resposta óbvia.

– Não! – exclamei fazendo todos se assustarem – A família dela mora ali perto e minha mãe conta tudo pra D. Vilma. Não... tem que ser em outro lugar. – olhei para o chão pensativo

– Me deixem! – Fatinha nos empurrou – Não pedi ajuda de ninguém, vão embora!

– Para com isso Fatinha, todo mundo tá querendo te ajudar – Bruno a repreendeu e Fatinha o olhou com uma cara nada boa.

– Vê se me esquece – Fatinha bufou. Eu, Lia e Ju olhamos os dois sem entender nada. Bruno continuou a encarando, e ela a ele. Alguma coisa aconteceu e eu não to sabendo? Bom, deixa essa história pra depois... A segurança dela em primeiro lugar. Como se tivesse lido meu pensamento, Ju se pronunciou.

– Ai gente, já chega né? Viemos buscar ela, então vamos logo embora que eu to começando a ficar com medo desse lugar. E vamos levar ela, ela queira ou não. – a olhou deixando claro que a vontade dela não importava naquele momento. Fatinha revirou os olhos, bufando de ódio.

– E pra onde vamos levar? Na casa do Dinho não dá... Na minha sem condições, porque a Raquel tá pior a cada dia... – ia continuar mas Ju a interrompeu.

– Pode ser na minha... – todos olharam pra ela, e Bruno franziu a testa como se não tivesse gostado nadinha. E pelo visto, não foi só ele...

– Não mesmo! Prefiro ficar na rua

Aquela teimosia tava me dando nos nervos. Ignorei o que ela tinha dito, e a puxei pelo braço, levando ela de volta conosco. Bruno não se pronunciou apesar de ter ficado explícito que ele não gostou da ideia. O que nos levou a entender como um sim. Fatinha me empurrava e dizia que não queria, mas eu continuei ignorando, até que ela desistiu.

Andamos por um tipo de beco que dava direto para o prédio da Ju. Sempre observando pra ver se não vinha ninguém conhecido. Chegando lá, deixei os biscoitos que eu havia pego, dei um beijo na testa da Fatinha, e me despedi dos outros dois.

Levei Lia pra minha casa, e fomos direto para o telhado. Deitamos e ficamos olhando para o céu.

– Obrigado por hoje viu? – sussurrei no ouvido dela, e pude sentir os seus pelos arrepiarem.

– Não precisa agradecer meu amor.. Eu não sou fã número um da Fatinha, mas eu te amo. E eu faço tudo por você, mas isso você já sabe... – sorriu e depois piscou.

– Eu sei. Eu também te amo marrentinha – selei os nossos lábios com um selinho demorado. Encostei minha cabeça na dela, e por ali ficamos.

POV Fatinha

Por mais que eu esteja P da vida por terem me jogado nessa casa, fico mais que agradecida por não ter que passar a noite naquele lugar fedorento.

Depois que Dinho foi embora, Juliana fez a janta, e eu pude tomar banho. Aproveitando pra lavar tudo de ruim que ainda sobrava em mim. Pelo menos por ora. Vesti o pijama que ela me emprestou e fui deitar pra dormir. Quer dizer, eu tentei dormir, e muito. Mas o a minha cabeça ficava girando. Imagens da minha mãe, do meu pai, de tudo que ele fez e falou. Eu chorei o tempo todo que estive naquele buraco. E deve ser por isso que agora lágrima nenhuma se atreve a escorrer dos meus olhos.

Escuto um barulho semelhante a uma porta sendo aberta, e me levanto de fininho, para ver o que é. E advinha quem é? Se alguém chutou o idiota do Bruno, acertou. Fico parada na porta do quarto, enquanto ele ri baixo e se despede de alguém. Pelo cabelo grande, me pareceu ser um homem. Tá, e isso importa por quê? Bufei com aquele pensamento.

Bruno leva um susto quando me vê.

– Fatinha?

– Oi Bruno – respondo seca

– Fazendo o que acordada há essa hora? – pergunta fechando a porta, e indo em direção à cozinha.

– Não consigo dormir... E você? – pergunto sem pensar. Você tem que aprender a ficar calada Fatinha. Me repreendo.

– Sai com uns amigos... Quer água ou alguma coisa? – pergunta ainda de costas pra mim.

Penso por alguns segundos até que respondo por fim – Água.

Ele enche um copo e eu me aproximo da cozinha pra pegar. Ficamos frente a frente enquanto ele oferece o copo e eu bebo. Eu tento, mas não consigo deixar de encarar aqueles olhos castanhos. E pra minha sorte, ou azar. Ele também está fazendo o mesmo. Eu não tinha esquecido do jeito que ele me tratou de manhã. Aquilo ainda martelava na minha cabeça. Mas naquele momento, ali, enquanto ele me encarava, parecia que nada tinha acontecido. Porque aquele idiota tinha que ser tão lindo?

Terminei a água, e passei por ele, indo deixar o copo na pia. Não sei se era coisa da minha cabeça, mas eu sentia que ele ainda estava ali, me observando... E eu não estava enganada. Fechei os olhos quando o senti se aproximar. Com uma mão, tirou os cabelos que estavam no meu pescoço, e devagar, encostou os lábios, deixando beijos que iam do pescoço ao meu ombro. Fazendo os pelos do meu corpo se arrepiarem automaticamente.

“Eu sou só mais um cara que você vai pegar e vice versa” Sacudo minha cabeça com aquela memória.

– Não Bruno... Eu não to bem – suplico baixinho

Ele para de beijar meu pescoço, e me vira, fazendo com que fiquemos há centímetros de distancia. Eu olho para sua boca, certa de que súplica nenhuma que eu fizesse iria adiantar. Ele me machucou, me humilhou por assim dizer. Mas eu o queria. Como nunca quis outra pessoa. Disso eu tinha toda e absoluta certeza.

– Deixa eu cuidar de você... – ele sussurra e eu me perco naquele hálito quente, fechando automaticamente os olhos.

E essa foi a deixa dele.


[...] Let me go now (Deixe-me ir agora)

She's gotta do what she's gotta do (Ela tem que fazer o que tiver que fazer)

I gotta do what I gotta do (Eu tenho o que fazer o que quero fazer)

Notas finais
Primeiro. NÃO ME MATEM! hahaha Suspense é alma do negócio, certo? Então arrebentem nos reviews, que no próximo TEEEM! Beijus!