Segundo Mundo

7 Capítulo 7 - Além da conexão


Eu olhei ao meu redor e vi minha guitarra no canto da porta. Estava quase escurecendo a luz do crepúsculo enfeitava o céu maravilhosamente.

Sai do quarto e fui para a cozinha, havia um bilhete na porta da geladeira:

Alice,

Eu, seu pai e seus primos fomos ao mercado.

Ligue-me quando acordar.

Não iremos demorar

Obs: Tem um sanduíche para você na geladeira, esquente no micro-ondas.

Mamãe.

Eu não queria ligar para minha mãe, ela, com certeza, iria voltar para casa logo. Eu queria ficar sozinha.

Peguei o lanche na geladeira recheado com queijo, e o devorei sem esquentar no micro-ondas.

Decidi ir para a garagem, estava tudo empoeirado. Avistei meus patins sem freio, mas, estava procurando outra coisa.

Vi uma pilha de caixas e a desempilhei, entre as caixas estava minha caixa de recordações cor-de-rosa, das princesas da Disney, e a peguei.

Eu sai e fechei o portão desbotado da garagem e fui para o quarto e tranquei a porta.

Sentei no chão e encarei diretamente a caixa cor-de-rosa com as inicias A.S. (Alice Scott) bordadas em veludo cor lilás na tampa da caixa. Eu a abri com delicadeza e lá estava meu álbum de infância, folheei até a página de fotos dos meus quatro anos de idade, e observei cada foto atentamente.

Até que uma foto chamou minha atenção, segurava uma boneca de pano de cabelinhos pretos e bochechas vermelhinhas com um vestido roxo.

Analisei a foto e percebi que segurava o medalhão, o medalhão que me leva até Marinix , o medalhão que me leva até Marcus.

Por algum motivo sorri, comecei a pensar em Marcus e que não podia deixar ele se sentir culpado pela perda de nossa conexão ou pelo meu ¨rapto¨.

Não foi culpa dele, eu tenho toda certeza e por mais que eu diga, ele sempre vai dizer que é culpado.

Que garoto teimoso!

Tinha que fazer com que ele parasse de se culpar. Já percebi que isso faz com que ele subestime sua capacidade de me proteger, e eu não posso deixar que ele se comporte desse jeito.

Eu respirei fundo e peguei no meu guarda-roupa extremamente desorganizado, uma mochila velha, coloquei a minha caixa com meu álbum dentro dela.

Por algum motivo não conseguia parar de pensar em Marcus, e seus olhos lindamente verdes.

De repente, ouvi a voz de Bruno no corredor, eu abri a porta do meu quarto, e resolvi descer.

— A Alice TPM finalmente apareceu. – Disse Bruno

Isabella surgiu na porta do banheiro.

— Está mais calminha? – Perguntou ela olhando minha expressão.

Eu concordei acenando com a cabeça, e pensei:

Admito, os olhos de Marcus me acalmavam de maneira inexplicável.

— Podem me ajudar com as compras? – Gritou minha mãe interrompendo meus pensamentos.

Nós fomos para fora ajudar minha mãe a descarregar as compras. Peguei uma das sacolas, estava incrivelmente pesada e levei para cozinha. Vi Bruno, Isabella e minha mãe virem logo atrás de mim.

Sentei numa das cadeiras ao redor da mesa.

— Comeu o sanduíche que deixei para você na geladeira? – Perguntou minha mãe retirando as compras da sacola e colocando no balcão.

Eu fiz sim, com a cabeça.

— Está quieta, o que foi? – Perguntou minha mãe.

— Não é nada, só estou pensativa. – Disse eu enquanto analisava as compras sobre o balcão.

Minha mãe sorriu.

— Onde está papai? – Perguntei.

Ela deu de ombros.

— Deve estar perdido no supermercado. – Ela disse brincando.

Eu escutei alguém abrir a porta e olhei para o corredor. Meu pai surgiu com duas sacolas na mão.

— Boa tarde, garotas! – Disse ele.

— Boa tarde, pai. – Respondi.

— Obrigada por me chamar de garota, Thomas. – Minha mãe disse sorrindo.

Ele se aproximou dela e a beijou.

Eu sorri e fui pra sala.

Bruno estava deitado no sofá de um jeito atravessado e espaçoso. E Isabella estava sentada no chão com uma almofada no colo, ambos estavam vendo TV.

Eu sentei ao lado de Isabella.

— O que estão assistindo? – Perguntei.

— Bob Esponja. – Disse Isabella.

Bruno olhava diretamente para a TV.

Tentei assistir ao desenho, mas, do nada ... pensei em Marcus, e sorri.

— Eu conheço essa carinha. – Disse Isabella me pegando pelo braço e me levando até o quarto de hóspedes.

Ela fechou a porta e sentou na cama.

— Anda! Conte-me tudo! Quem é ele? – Perguntou ela num tom curioso.

Eu franzi a testa.

— De que você está falando?

— Teus olhos estão brilhando e você está sorrindo sem motivo.

— E daí? Perguntei

— E daí que você está apaixonada! Quem é?! É aquele amigo seu, o Conan, não é? – Disse ela rindo exageradamente e com ansiedade.

— Não. – Falei.

Eu senti um arrepio só de ouvir o nome Conan.

— Me diga o nome dele!

— Eu não estou apaixonada!

Comecei a ficar nervosa, Conan me deixou com medo e em pânico.

— Não fale em Conan, por favor! – Exclamei.

— Tudo bem. – Ela deu de ombros.

De repente os olhos de Marcus me vieram à cabeça novamente, eu não consegui conter mais um sorriso.

— Viu?! Sorriu de novo sem motivo! Está apaixonada sim, não negue, Alice! – Disse Isabella me encarando.- Quando quiser me contar, me procure! – Completou cruzando os braços.

— Ok .– Falei.

Isabella saiu e em seguida voltei para o meu quarto, fechei a porta, e pensei:

E se eu estiver mesmo apaixonada? Por Marcus?

Os olhos dele me acalmam. O sorriso dele me deixa abobalhada. Sua voz me dá uma enorme paz.

Eu amo o toque dele, era como se o tempo parasse simplesmente quando ele me toca.

Eu amo como ele fala comigo, com seu tom de voz sereno, doce, e seu jeito teimoso!

E mais uma vez, sorri... só de pensar em tudo isso.

Sabia que esse sentimento iria além de nossa conexão e era mais forte.

Mas será que ele sente o mesmo? Será que ele vê isso em meus olhos?

Ele dominava minha mente em todos os sentidos!

Queria mesmo era poder encontrá-lo naquele instante, mas tudo isso parecia um pouco insano.

Então resolvi pegar o medalhão no bolso da minha calça jeans, peguei a mochila velha na qual tinha colocado minha caixa cor-de-rosa com meu álbum de fotos.