Segundo Mundo

5 Capítulo 5 - Viagem


Ficava imaginando como estaria a festa lá em baixo. Havia um turbilhão de coisas em minha cabeça. Eu fechei os olhos.

— Eu sempre estive com você Alice, e estarei sempre. – Disse-me uma voz doce e que era conhecida por mim, mas eu não sabia de onde.

— Quem está ai? -Perguntei.

A voz não respondeu. Eu estava só em meu quarto e estava ficando louca também? Pensei comigo mesma.

Eu sentei na cama, tirei o medalhão do pescoço e o coloquei no criado-mudo, deitei e apertei meu rosto contra o travesseiro. Inquieta sentei novamente na cama, fiquei em silêncio para tentar ouvir a voz de novo, peguei o medalhão novamente no criado-mudo e o encarei, e analisei. Eu o toquei com as pontas dos dedos, tentei abri-lo com força, até conseguir e uma luz brilhante saiu de dentro dele. Pisquei os olhos por causa da luz forte, e me dei conta que não estava mais em meu quarto em Syltin.

Estava em uma rua clara, com um jardim enorme e avistei uma mansão de paredes brancas, portas e janelas cor bege. Havia crianças por toda a rua e por todos os lugares. Também havia adultos, adolescentes e idosos. Uma garotinha de cabelos negros e bochechas pálidas sorriu para mim, eu sorri para ela. A garotinha saiu correndo em direção a um rapaz alto, de cabelos pretos como a noite escura, e com olhos verdes. Eu os vi conversando. Ela se afastou e ele veio em minha direção.

— Olá, Alice, não esperava que você viesse hoje.

Eu estava totalmente confusa, tonta, perdida.

Como ele sabia meu nome, se nem me conhecia? E onde eu estava?

— Quem é você? – Perguntei

— Meu nome é Marcus, esperava que soubesse, Alice.

— Onde estou?

— Em Marinix.

— Você me trouxe aqui?

— Não, ele te trouxe até aqui. – Disse o rapaz apontando para o medalhão.

— Por quê?

— Para você me ver de novo, como antigamente. – Disse o rapaz sorrindo.- Você o encontrou?! Como é...

— De novo?! Antigamente?! Eu nunca estive aqui! — Exclamei.

Ele parecia frustrado.

— Me leve de volta agora! – Quase gritei.

— Por favor, fique mais um pouco, não tenha medo de mim eu não ousaria te machucar.

Eu ri alto e cruzei os braços.

— Ora, não tenho medo de garotos, além disso, você que devia ter medo de mim . Ah... eu vou ficar mais um pouco só porque você pediu com jeito. – Respondi por fim, tentando soar ser corajosa, mas não era.

Ele me olhou e sorriu, e deu um passo para mais perto de mim. A luz da lua e das estrelas davam um contraste aos olhos verdes dele, era um contraste lindo, maravilhoso, não sabia como descrever seus olhos verdes vivos como esmeraldas.

— Você não mudou nada, pelo visto. – Disse Marcus.

Aquilo era loucura. Eu sorri, não teria como não sorrir daqueles olhos verdes gentis e serenos me olhando.

— Então... preciso ir. –Disse eu.

— Ok, abra o medalhão e você voltará para casa. Ah! Volte sempre que quiser. – Disse ele.

Eu sorri sem jeito, abri o medalhão, fechei os olhos por causa da luz que surgira novamente, olhei para o lado e notei que estava de volta no meu quarto claro e bagunçado.

A música alta da festa continuava, será que Conan ainda estava lá, o que ele estava fazendo? Levantei-me da cama desci a escada, a porta entre o corredor e a sala estava entre aberta. Olhei pela fresta da porta, não avistei Conan entre as pessoas. Depois daquele ato horrível de Conan, não queria voltar a vê-lo, embora tinha que ir ao colégio e encará-lo diariamente.

De repente, senti alguém puxar meu cabelo, me virei imediatamente, num pulo, vi o sorriso largo, com riso alto e exagerado de Bruno. Eu cruzei os braços e exclamei:

— Você me assustou, garoto!

Ele riu novamente mais alto e exageradamente do que de costume.

— É, percebi.

Eu voltei correndo para o quarto, sentei na cama novamente, olhei ao redor, e estava tudo igual, as paredes pretas e extremamente bagunçado. Comecei a pensar nas situações que aconteceram naquela noite, e outras mil coisas:

Ok, suponhamos que Conan tenha bebido um pouco, além do que deveria, e fez aquele ato sem sentido e medonho. A outra situação é que fui tele transportada por um medalhão de prata, para outro lugar e conheci um rapaz lindo, e tive a impressão que ele me conhecia.

Vamos dizer que essa segunda situação foi um sonho, simples assim.

Dei-me de ombros. E se o fato de que fui tele transportada for real? E se Conan for um psicopata, ter bipolaridade ou algo do tipo?

Dei-me de ombros novamente.

Ouvi uma batida na porta, me encolhi involuntariamente num instante.

— Prima, tá tudo bem? Você sumiu da festa do nada. — Disse Isabella num tom de preocupação, tentando abrir a porta girando a maçaneta, mas a porta estava trancada.

— Estou meio indisposta deve ser o sereno da noite, não se preocupe, vá curtir a festa. – Disse eu fingindo um pigarro.

— Tá bem, qualquer coisa me grite. – Falou Isabella.

Ouvi os saltos de minha prima batendo firmemente nos degraus da escada. Eu continuava com meus pensamentos solitariamente.

Eu continuava a pensar nos fatos que ocorreram naquela noite, decidi considerar que ter conhecido um rapaz de olhos verdes por mais doido que seja, foi tudo sonho.

Mas, e Conan? Qual será minha teoria para seu ato inexplicável? Drogas, bebidas, bipolaridade, psicopatia?

Eu estava sozinha, com medo e assustada, como uma criança que teve um pesadelo.

Abafei o rosto no travesseiro tentando parar um pouco de pensar, tentar dormir ou sei lá.