Notas iniciais
Tá saindo raído a fic né ' aqui estamos já no quarto capitulo... Enjoy
— Pela milionésima vez, Eu. Estou. Bem! — Disse Riza, levantando-se e voltando ao encontro de Roy.

Aquilo já estava começando a ficar muito chato, mas ela sabia que era apenas a maneira dele de mostrar que se importava. Sinceramente, ele poderia se importar de um jeito menos insistente.

— Tem certeza que está bem?

Dessa vez a pergunta foi somente para deixá-la irritada. Um passatempo que Roy cultivava desde que se conheceram há... talvez dez anos? Desde a adolescência, Roy passava o tempo que tinha sobrando dos estudos irritando a filha do professor. Quando perguntavam se ele não tinha nada melhor para fazer, a resposta imediata era negativa. As reações da loira eram impagáveis, nada podia ser melhor que aquilo.

Agora ele via como estava errado.

— Ok, tudo de novo. — Posicionando-se juntamente a Riza ele sentia que iriam errar novamente.

Se existiam muitas palavras para expressar o que sentia ali e agora, a coisa certa a fazer era ficar em silêncio.

Passos que iam da esquerda para a direita, rápidos, provocantes. Num momento Riza chegava perto o suficiente para que ele pudesse sentir o calor de sua pele, mas no próximo, já estava longe o bastante para fazê-lo ansiar pela próxima aproximação.

Sentia-se atraído por ela, e isso não era novidade nenhuma, para nenhum dos dois. Mas tinha alguma coisa errada.

Começava a achar que ganhar aquele jogo não fora uma idéia assim tão boa.

A coreografia acompanhava perfeitamente o ritmo da musica, e as duas coisas juntas bagunçavam a mente dele; cada vez mais perdendo o foco, transferindo-o da dança para ela.

Agora com as costas dela coladas em seu peito ele percebia a respiração dela tão pesada quanto a dele; o rosto grudado ao dela permitia sentir a tensão em seu maxilar... Sentiu-se começar a suar.

Era demais para ele, mas se havia muitas opções sobre o que fazer, o melhor era apenas ignorar; o problema é que ele ignorou a coisa errada.

As mãos começavam a perigosamente dar a volta na cintura dela.

— Roy, qual o problema?

— Você... — Respondeu engolindo em seco.

Ele respirou fundo, e soltou-se dela não antes da ultima besteira do dia, beijar seu pescoço.

Para sorte dele, Riza estava intrigada demais com a resposta esquisita a sua pergunta para que pudesse notar os lábios leves dele rapidamente tocando sua pele; normalmente ele era o problema das coisas, não ela. Aquilo não tinha sentido nenhum.

Roy saiu tropeçando nos próprios pés até a porta, procurando a maior distancia possível da subordinada. Quando perguntado para onde ia, apenas respondeu que estava com fome.

Era meio-dia, e eles haviam passado a manhã inteira tentando ensaiar sem nem mesmo conseguir chegar ao meio da coreografia. Alguém errava, alguém se exaltava, mas nunca ninguém fazia a coisa certa.

Saindo do teatro o sol brilhava intensamente, mas o frio era de congelar os ossos. Como o cavalheiro gentil que era, Roy não hesitou em colocar o próprio casaco nos ombros de Riza, que apesar de todos os protestos não conseguia convencê-lo de que estava sem frio.

— Aonde quer comer? Eu pago... — Disse com um sorriso impulsivo.

Qual era o problema dele afinal? Erm... Talvez nenhum? Ela deu-se conta de que nunca tinha passado tanto tempo com Roy como civil. Roy podia não saber de metade de sua vida, mas fora o fato de que ele tinha dormido com metade da cidade, ela também não sabia muita coisa dele. Ficou pasma com a descoberta, afinal, convivera anos com ele e não sabia nem mesmo qual era sua cor favorita.

— Já que é você que vai pagar, eu quero ir ao lugar mais caro do bairro.- disse olhando para ele com um cara de lady Riza, a Riza sofisticada, exigente e de certa forma chata, que ela sabia ser de vez em quando.

— Você não tem dó nem piedade de mim, não é? — Apesar de a frase parecer séria ele ainda sorria, estranhando um pouco as reações nada convencionais dela.

— Nenhuma. Ah... Qual é a sua cor favorita?

— Verde, eu acho... E a sua?

Se ela havia começado aquele papo então o que fazer se não continuar? Era bom saber que ela não se sentia como um peixe fora d\'água perto dele. Ou era pelo menos isso que ela transpassava... Ou isso era só um modo de não preocupa-lo? Nunca conseguia saber se ela estava realmente pensando! Estava até suspeitando da possibilidade dela ter o deixado ganhar aquele jogo.

— Azul... Nunca gostei de rosa, sabe? — Essa falta de informação sobre ele dava uma sensação péssima. Sem um \'porque\' aparente, mas dava.

De qualquer forma era divertido. Perguntas simples às vezes tinham as respostas mais absurdas, e as perguntas que pareciam mais absurdas tinham respostas mais absurdas ainda. Pareciam dispostos a dar os detalhes mais sórdidos de sua vida um para o outro. Inegavelmente a confiança que havia entre os dois ultrapassava os limites do bom senso.

— Não pode estar falando sério... — Roy se mostrava cético perante a ultima informação.

— Pois estou. — Disse ela rindo.

— Ainda não acredito nisso.

Riza gargalhava diante da reação exagerada dele, e ele se sentia lisonjeado de arrancar essas demonstrações de felicidade de alguém que raramente lhe dirigia um sorriso. Lembrava-se perfeitamente daquele dia em que havia chegado atrasado num dia critico do treinamento. Hawkeye-sensei estava correndo todos os cantos da casa a sua procura para lhe dar uma bronca, e tentando se esconder ele entrou num quarto qualquer da casa, sem perceber que era o de Riza. O humor dela não estava dos melhores, e assim que ela o viu, começou a gritar dizendo que havia achado Roy. Ele calou a boca da menina com sua própria.

O pai da menina abriu a porta a tempo de pegar os dois se beijando, e Roy acabou levando duas broncas naquele dia.

— É sério, aquele foi meu primeiro beijo. Por que esse ceticismo todo?

— Não sei... Só me pegou um pouco de surpresa.

Nunca em toda a vida Riza pensou em ter uma conversa tão normal assim com ele. O maldito tango estava deixando ela à vontade, e isso podia ter conseqüências seriíssimas quando as coisas voltassem ao normal. Apesar de não ser o mais comum, era uma situação confortável, e aquilo a deixava cada vez mais desconfortável. E por que esses paradoxos tinham que ser tão freqüentes em sua vida? Deixava tudo mais complicado...

Alguns chamariam de trivial, mas o assunto tratado pelos dois era da mais suma importância. Talvez nunca fosse aplicado em nenhum lugar o conhecimento ali obtido; e mesmo assim tudo parecia muito interessante.

Uma hora e meia se passou, e entre mais perguntas e exclamações ou risadas, a conversa envolvente desligou os dois de todo o mundo ao redor. Esqueceram-se completamente de comer (o que só lhes foi fazer falta ao final do dia), e ao perceberem que estava passando da hora, voltaram para o teatro.

Ao entrarem pela porta, a primeira coisa a ser notada foi a falta de almas vivas presentes. O teatro estava completamente vazio, embora estivesse cheio de gente assim que eles saíram para almoçar.

O pessoal do backstage é rápido...

O cenário estava completo montado e tudo estava em seu devido lugar.

Não houve hesitação nenhuma, e quando Roy perguntou se ela gostaria de sair do porão um pouco, a resposta imediata foi ‘sim’.

Em pouco tempo já estavam em cima do palco, mas sem coragem nenhum de começar a dançar. O efeito das ultimas tentativas falhas de completar a coreografia ainda assombravam um pouco a mente de ambos.

— Ok, vamos tentar não errar tanto dessa vez...

Passo, passo, passo, giro... É, até que estava indo tudo bem.

Roy não se sentia mais tão enlouquecido pela proximidade, e Riza já não fazia tanto esforço para resistir aos próprios impulsos de agarrá-lo. Finalmente conseguiam olhar nos olhos um do outro sem correr nenhum risco.

Pensamentos agora mais limpos resultavam numa dança completamente diferente da que tinham. Os gestos que antes eram tão frios (e que mesmo frio despertavam calores nos dançarinos) agora voltavam a ser vibrantes e elegantes, mas sem fazê-los perder a cabeça. Não era mais tão torturante, era na verdade divertido.

Sentindo que agora não precisavam ser tão contido, sair da coreografia apenas para brincar um pouco e ver até onde iam parecia fácil. Voltaram aos passos mais ousados do dia anterior, ainda não entendendo por que exatamente se sentiam mais livres para poder executá-los.

A perna de Riza subia pela dele enquanto a mesma, completamente entregue aos braços dele, mordia os lábios para não deixar escapar um sorriso de satisfação. Roy sentia suas mãos mais firmes sobre o corpo perfeito dela não hesitando em momento algum; seus olhos tinham um brilho malicioso.

— Roy... — ‘Shh’ respondeu aquele que pela segunda vez no dia estava com os lábios em seu pescoço.

— R-hmm... — As palavras não saiam de maneira nenhuma, por mais que o que ela tinha a dizer fosse importante. A boca dele em seu pescoço tirava seu fôlego completamente, provavelmente mais do que se estivessem por cima de sua própria boca. Não se importava com isso, na verdade acabara de perceber que gostava. Confiar nele daquela maneira não tinha problema, mas havia confiado demais em si mesma; e isso não era bom.

O grande problema de tudo isso era que a marcação na qual estavam acostumados era completamente diferente da que seria utilizada no palco, e não tendo isso em mente a aproximação da borda foi fatal (?). Em um segundo Roy tinha Riza nos braços, e ‘poof’. No outro ela estava estatelada no chão abaixo dele.

— Estou bem, antes que pergunte.

As risadas de ambos não se continham, mas assim que Riza levantou-se do chão, depois de cair pela terceira vez no dia, elas quase se transformaram em lágrimas.

Somente os movimentos rápidos de Roy não permitiram que ela caísse novamente.

— O que foi? — Perguntou ele, preocupado, apoiando o corpo dela em seu próprio.

— Nada. Eu só quebrei o salto. — Ela desviava o rosto da visão dele impedindo-o de ver sua expressão de dor.

Sem dizer uma palavra ele apenas gentilmente puxou o rosto dela para ver se havia alguma verdade ali.

— E talvez o tornoze- ah!

Antes que ela pudesse pensar em dizer alguma coisa se viu aninhada no colo dele e sendo carregada para um hospital.

— Não precisa me levar, eu consigo andar ok?

— Você mal consegue ficar em pé!

— Consi-

— Por favor... — Disse elevando o tom de sua voz e olhando para ela. — Você salva minha vida pelo menos três vezes por dia. Deixe-me fazer algo por você uma vez na vida... Por favor...

Ela desvia o olhar do dele novamente apenas para não deixar de parecer forte e um “Você já fez tanto por mim...” sai num sussurro. Ele, no entanto, não foi capaz de ouvir.

As palavras foram ditas apenas para ela mesma.

*

Ainda sendo carregada por Roy, ela não conseguia acertar o buraco da fechadura da porta de sua casa.

— Será que dá pra me colocar no chão?

— Não.

Riza rolou os olhos e continuou a brigar com as chaves até que a porta da casa foi aberta com certa dificuldade. Ela da uma reparada no estado atual dos dois.

— Parece até que somos casados.

Roy colocou-a no sofá mais próximo. Não era exatamente pesada, mas ele havia começado a se cansar depois da vigésima quadra.

— Somos casados... — Disse com um olhar maroto ao sentar-se ao seu lado.

— Não me lembre disso. –– Riza sibilou.

A expressão dela não era nem de longe séria, mas o assunto ainda era um tabu e ele preferiu não desenterrar certas lembranças. Ele também preferia não lembrar daquela noite em especial, mas as imagens vinham inconscientemente e ele não podia fazer nada a respeito.

Um primeiro beijo, um casamento... Os dois tinham muito mais história juntos do que imaginavam, e por mais que fosse difícil para ele aceitar, estava inegável e perdidamente apaixonado por ela.

Não era só uma atração, não era somente desejo...

— Bom, é melhor eu ir antes que fique tarde demais. – ele já se levantava.

— O que acha de... ficar aqui comigo essa noite?

... Mas mesmo assim ele não sabia como responder essa pergunta.

Notas finais
Como sempre, vou pedir que quem leu deixe uma review, isso seria de muita ajuda, afinal, isso ajuda a fazer um trabalho melhor