Notas iniciais
Arizona tem alguma razão pra ser assim? E me perdoem por qualquer erro de português, espero corrigi-los depois.

ARIZONA PDV

Eu não conseguia dormir. Meus olhos ardiam e eu sabia que a qualquer momento meu celular tocaria. Sabia também que estava atrasada, mas eu não conseguia encontrar forças para levantar daquela cama de solteiro. Olho para o lado e vejo Teddy dormindo antes de seu primeiro dia oficial de volta aos estudos. Ela merecia estar ali, pois ela queria estar. Eu não.

Não odeio medicina, pois eu amava e uma vez tive o sonho de ser médica. Mas esse sonho foi se dissolvendo aos poucos e agora eu apenas estava naquela faculdade por causa da minha mãe e... meu pai. Pensar no ex-Coronel Daniel Robbins fazia meu estômago apertar.

Assusto-me com o meu celular vibrando perto do travesseiro. O pego e vejo na tela o nome “Barbara Robbins”. Pelo menos fora ela quem ligara dessa vez.

– Alô. – respondo, fingindo uma voz de sono.

Eu sei que você deve estar cansada e é o seu primeiro dia na faculdade, mas... você sabe que dia é hoje. – a voz da minha mãe ecoou pelo telefone.

– Estou atrasada? – pergunto, fazendo um papel de boba.

Apenas se você já estiver dentro de um táxi vindo para cá.. aí não estará. – responde minha mãe e um sorriso fraco nasce em meu rosto. – Por que meus instintos maternos estão me dizendo que você ainda está debaixo de cobertas?

– Porque na maioria das vezes você está certa. – respondo e a risada doce da minha mãe ecoa pela linha. Eu suspiro, feliz em saber que ela estava um pouco melhor.

Querida... quanto tempo você vai demorar para chegar aqui? – pergunta minha mãe. – Preciso saber para conseguir enrolar... ele.

– Eu já disse que você não deve satisfações a ele. – rosno, sentando-me na beirada na cama. Passo minha mão por meus olhos em busca de tentar diminuir a ardência.

Eu sei, querida... – sussurra minha mãe, como se estivesse conversando escondido de alguém. – Mas ele é pai dele e também é seu pai.

– Eu sei...

Então, por favor, venha o mais rápido que você conseguir, Arizona. – pede minha mãe e eu vejo a súplica em sua fala.

– Estarei aí em vinte minutos. – respondo, com um suspiro cansado. Minha mãe se despede e eu desligo o telefone.

Vejo no relógio da tela que era apenas sete horas da manhã. Richard em seu discurso havia dito que as aulas começariam às dez e meia. “Pelo menos você terá uma desculpa de sair de lá...” meu cérebro zomba. Respiro fundo e me levanto da cama, caminhando em direção ao meu guarda-roupa. O quarto ainda estava escuro por causa das persianas e eu gasto mais tempo ainda para me arrumar em busca de não acordar minha colega de quarto.

Dentro de um vestido preto que sempre ficava no fundo do meu guarda-roupa e uma sapatilha da mesma cor, eu tentava arrumar meu cabelo em frente ao espelho da porta de madeira. Mudo meus brincos para outros menores e passo um batom básico. Estudo meu reflexo por alguns segundos, pensando se meu irmão gostaria da pessoa que eu era hoje.

– Pegue meu carro... – diz Teddy, com a voz rouca de sono. Eu me viro e vejo a loira sentando-se na beirada da cama. – Você deve ter apenas mais dez minutos antes que liguem de novo e até acordar Alex para pegar o carro dele... você irá demorar uma hora.

– Teddy...

– Não tente retrucar. – rosna a loira, jogando a chave para mim. Eu pego o objeto no ar, mesmo com o escuro englobando quase tudo.

– Obrigada... – sussurro e eu vejo o sorriso da minha amiga.

– Apenas não faça nada estúpido, Arizona. – provoca Teddy, deitando-se novamente e cobrindo quase a cabeça toda com o cobertor. – Não quero precisar ir à cadeira lhe soltar!

Eu seguro uma risada, sabendo que apenas a loira conseguiria me fazer rir em uma hora daquelas. Respondo uma espécie de “Uhum...” e saio do quarto. O silêncio reinava no campus enquanto eu caminhava em direção ao estacionamento.

Na tentativa de diminuir minha ansiedade ontem à noite, eu chamei Leah para meu alojamento, ou mais especificamente, o banheiro. Mas tudo não passava de borrões e na maioria das vezes era assim com as mulheres que eu dormia. Eu nunca me entregava completamente e raramente eu me sentia mal por isso.

Aperto o alarme e acho o carro de Teddy em meio aos demais. Era um Chevrolet Classic cinza. Não perco tempo e adentro no carro. Engato a ré e acelero em direção à saída da área universitária. Pouco depois já pegava a estrada principal em direção ao centro de Seattle. A universidade ficava no lado sudeste da cidade e meu destino era apenas vinte minutos dali.

E quando gasto esses minutos, eu paro o carro antes de adentrar nos grandes portões que tinha uma escrita enorme: Cemitério. Minha boca estava seca e eu ansiava por nicotina. Mas sabia que se chegasse lá cheirando cigarro, seria uma briga com certeza.

Saio do Chevrolet Classic e arrumo meu vestido enquanto caminhava para dentro do cemitério. Ao longe consigo avistar a silhueta de quatro pessoas. A cada lápide que eu passava e a cada passo que eu dava, eu conseguia ver mais nitidamente os rostos deles. E quando já estava perto o suficiente da minha mãe um sorriso nasce em seu rosto. A mulher de 46 anos estava em um vestido também preto e seus cabelos loiros assim como os meus caiam em seus ombros.

– Como vai, mãe? – sussurro, enquanto ela me puxava para um beijo na bochecha. Em sua mão direita estava um pequeno arranjo de flores brancas.

– Eu estou bem, querida. – responde Barbara. Eu dou um sorriso fraco e aceito seu abraço. Ao seu lado estava um homem mediano, cabelos negros, um bom terno e com aproximadamente a mesma idade.

– Como está, Stark? – pergunto, pegando em sua mão.

– Por favor, já disse para me chamar de apenas Robert. – pede Robert, com um sorriso simpático.

– Tudo bem. – digo, cordialmente.

Por mais que a ocasião não se tratasse daquilo, eu gostava de Robert, pois ele fazia minha mãe feliz. No início foi difícil aceitar o fato de meus pais terem seguidos direções diferentes que incluíam pessoas diferentes, mas foi melhor assim. Caminho mais para a esquerda e coloco um beijo no alto da cabeça da menininha de cinco anos.

– Você disse que demoraria apenas vinte minutos... – resmunga a menina. – Estou lhe esperando a quarenta.

– Eu sei, Sofia. – digo. – O trânsito estava horrível.

– As pessoas sempre usam essa desculpa. – retruca Sofia.

– Garota esperta. – murmuro, sorrindo.

Ainda tinha uma pessoa atrás de mim. Eu não olho naquela direção, em busca de deixar claro minha falta de interesse em começar uma conversa com Daniel. E por causa disso eu podia sentir seu olhar frio nas minhas costas.

Sofia abraça minha cintura tentando diminuir a tensão entre nós. Por mais que ela tivesse apenas cinco anos e nos dois primeiros de sua vida nós não havíamos nos conhecido ainda, ela era a única ali que conseguia me acalmar.

Da próxima vez tente não se atrasar tanto. – a voz de Daniel ecoa em minhas costas. Eu fecho os olhos em busca de não ser rude.

– Pode deixar que no próximo ano eu tentarei. – respondo, engolindo seco.

Com todos reunidos, minha mãe começa o ritual colocando uma flor branca em cima do túmulo de granito. Nele estava o rosto de um homem que deveria ter 25 anos agora, loiro e de olhos azuis. Timothy e eu éramos considerados quase irmãos gêmeos, por contermos as mesmas covinhas e olhos azuis. Mas o homem era um ano mais velho que eu... ou melhor, foi.

Cerca de quatro anos atrás enquanto eu iniciava meu segundo ano de bacharel, que duravam três anos para entrar para faculdade, a notícia chegou e devastou toda a família. Timothy Robbins havia morrido em ação no Iraque. Minha mãe entrou em uma profunda depressão e meu pai, ou melhor, Daniel, não pensou duas vezes em apenas focar em sua empresa.

Ele também havia servido no exército, mas já era aposentado pelo tempo ilustre. Daniel tinha desde 2000, nos EUA, a empresa chamada “Robbins Company” que cobria os gastos de ex-combatentes feridos ou aposentados. Sua empresa ficara tão famosa que foi reconhecida pela Casa Branca e legitimada oficialmente no ataque às Torres Gêmeas em 2001 por causa da necessidade de envio e cuidados de soldados ao Afeganistão. E com filiais abertas em vários estados a minha família era uma das mais ricas de Seattle.

Mas nem todo o dinheiro do mundo conseguiu manter as estruturas dela em pé. Quando meu irmão morreu parte da família foi com ele. Minha mãe precisava de um ombro e Daniel não deu. Nunca tive inveja da relação entre meu pai e Timothy, mas eu sabia que ele tinha mais afinidade com meu irmão do que comigo. Quando Tim morreu... o meu pai amoroso morreu também.

Minha mãe cansou e pediu o divórcio depois de um ano. Em cerca de três meses, ela conhecera Robert Stark que também foi fuzileiro. Na verdade Robert era cliente do meu pai ao pedir aposentadoria, pois fora ferido na virilha na guerra e teve seu Canal Deferente afetado, perdendo a chance de ter filhos. Ele era um bom homem e tratava minha mãe bem, então era o que importava para mim. Robert e Barbara se casaram no final do meu terceiro ano de bacharel. E um ano antes disso Sofia entrou em nossas vidas.

Outra bomba na família: Timothy Robbins tinha uma filha. Emily Mason era o nome da mãe da garotinha e mulher com que meu irmão passou uma noite durante uma de suas licenças que ganhara servindo. Sofia tinha cerca de dois anos quando Emily, uma mulher alta e morena bateu à nossa porta, dizendo que não tinha mais condições de cuidar da menininha. Daniel de imediato pediu um exame de DNA, temendo estar em um golpe e perder sua grande companhia. Mas quando a verdade veio à tona e Sofia era mesmo filha de Timothy, as estruturas da “família” se abalaram novamente.

E tudo piorou quando Emily Mason foi embora e deixou Sofia sob nossos cuidados. Daniel não queria mais problemas, mas minha mãe implorou que a menina ficasse conosco e prometeu que cuidaria dela com Robert. Meu pai, enciumado com o fato de minha mãe ter conhecido um novo homem, não aceitou inicialmente. Mas depois de um tempo, desistiu de lutar provavelmente em respeito à alma do meu irmão. Então Sofia Mason Robbins se tornou a única coisa que ainda unia aquela família.

– Timothy gostaria de saber que estamos todos reunidos aqui hoje. – diz minha mãe, terminando de colocar todas as rosas brancas perto do túmulo. A frase “Um bom homem na tempestade.” estava marcada em sua lápide e meus olhos lagrimejam.

– Eu gostaria de ter conhecido você, papai. – sussurra Sofia, colocando um desenho perto do granito. Eu engulo seco e uma lágrima escorre em meu rosto. Havia se passado quatro anos, mas a dor ainda estava ali. Pessoas dizem que o tempo cura tudo, mas elas estão completamente enganadas.

– Ele também gostaria de ter lhe conhecido, querida. – respondo, passando a mão por seus cachos morenos. Sofia era uma quase uma cópia de sua mãe, cabelos negros e olhos castanho-escuros, exceto pela pele clara e covinhas que era marca dos Robbins.

– Ele vai gostar do meu desenho? – pergunta a menina, completamente inocente. Eu dou uma risada baixa, com meu coração inchando de tristeza.

– Tenho certeza que não haverá desenhista melhor para fazer melhor que o seu no céu. – respondo e Sofia dá um sorriso de covinhas. Vejo Barbara e Robert sorrirem com a cena e minha mãe entrelaça o braço no de seu marido. – O que ele significa?

– É a nossa família. – responde Sofia.

Eu analiso o papel no chão. Tim estava com uma roupa verde que sinalizava sua farda militar. Eu estava com um capelo, ou mais conhecido como chapéu de formatura na cabeça. Emily estava desenhada na cor marrom, sinalizando sua cor morena e esbelta. E por fim estava mais uma mulher e dois homens, os quais deduzir ser minha mãe, Robert e... meu pai.

Já eram nove e meia da manhã. Estávamos sentados à mesa em uma pequena lanchonete no centro de Seattle. Há poucos minutos estávamos conversando sobre a economia dos Estados Unidos. Eu me questionava: quem conversava sobre a economia americana com uma criança de cinco anos à mesa e no meio de uma lanchonete? Bem... isso apenas mostrava o quanto era difícil começar um assunto.

– Sofia... você contou para sua tia sobre o quê a professora disse sobre seus desenhos na aula de Artes? – pergunta Robert, tentando começar um assunto.

O homem e minha mãe criavam Sofia em uma casa no mesmo bairro que a do meu pai, porém distante o suficiente para não causar intrigas. Eu visitava Sofia sempre que conseguia diferente do meu pai.

– Ah, ela não disse nada... – diz a garotinha, envergonhada.

Eu sorrio, mexendo no copo com água intocado na minha frente e observando-a ao meu lado na mesa, enquanto Robert e Barbara estavam em outro e Daniel em uma das pontas.

– Isso é mentira! E mentir é feio. – adverte minha mãe, com o tom de brincadeira. – Ela disse que você desenha muito bem e tem grandes chances de representar a sala na gincana no final do mês.

– Sério? – pergunto, sorrindo. – Meus parabéns, Picasso! Agora serei famosa por causa da minha sobrinha!

– Não fale assim... – diz Sofia, dando uma risada doce. – Eu vou fazer um desenho chamado “Minha tia e seu maço de cigarros”.

– Bom título. – provoco, rindo baixo.

– Eu sei. – retruca Sofia, sorrindo. – Mas eu apenas irei ajudar a minha sala na gincana e...

Arizona, você poderia me passar o açúcar? – a voz de Daniel interrompe a fala de Sofia. O sorriso da menina diminui até morrer.

Todos ficam apreensivos na mesa e eu fecho os olhos, sabendo que ele sequer prestava atenção na conversa, pois acabara com ela. Abro os olhos e Daniel me encarava com o semblante sério.

A raiva nascia em meio às minhas entranhas, pois eu não suportava o jeito que ele tratava Sofia. Ela era a única inocente naquela mesa e não merecia nada daquilo. Minha mãe ao ver que uma discussão estava começando, faz o que me foi mandado e coloca o pequeno recipiente com açúcar perto do meu pai.

– Eu acho que ainda tem alguns minutos de sobra no relógio, Daniel. – rosno, pegando o recipiente com açúcar e colocando no mesmo lugar que estava antes, no lado oposto da mesa e longe dele. – Só mais alguns segundos para você terminar de ouvir a conversa!

– Sofia é perfeitamente capaz de dizer por si se estiver sentindo desprezada. – responde meu pai, com um tom grave e autoritário. – Eu a desprezei de alguma forma, Sofia? – pergunta, olhando para a menina cabisbaixa.

– Eu... não... eu estou bem. – responde a menina, com um sorriso triste. Eu engulo seco, tentando me acalmar.

– Eu não quis mudar o assunto. – diz Daniel, com a voz mais calma. – Me descul...

– Qual era o assunto? – retruco, antes que ele terminasse de falar.

– Arizona... – adverte minha mãe, mas eu a ignoro.

– Eu perguntei... qual era o assunto? – repito, olhando para meu pai.

– Perdão? – rosna Daniel, me lançando um olhar frio por questionar sua autoridade militar.

– Responda a pergunta! – digo, não me intimidando.

– É melhor você ter mais respeito comigo, Arizona Robbins! – retruca Daniel, aumentando o tom da sua voz. Sofia abaixa ainda mais a cabeça e Robert se mantinha calado.

– Apenas admita que você não sabe do quê estávamos falando! – respondo, dando uma risadinha sarcástica. Daniel respira fundo e eu vejo que ele também controlava sua raiva.

– Agora não é o momento para seus rompantes históricos, Arizona. – diz Daniel, frio. – Estamos aqui pelo seu irmão.

– Oh... por meu irmão... sempre meu irmão. – cantarolo, sendo sarcástica ao extremo. Não resisto e levanto da cadeira rindo. – Certo... tudo bem!

– Arizona... por favor... – minha mãe tenta falar novamente, mas a raiva era a única que eu dava ouvidos.

– Vejo você depois, Picasso. – digo, beijando o alto da cabeça da minha sobrinha. Eu precisava sair dali, pois não aguentava mais aquela estupidez.

– Eu não te dei o direito de se levantar da mesa, Arizona Robbins! – grita meu pai, levantando-se. Eu reviro os olhos e continuo caminhando em direção à saída da lanchonete. As pessoas que ali comiam observavam tudo em silêncio. – Eu ainda sou seu pai! – grita Daniel.

– Pena que você percebeu isso tarde demais. – grito, empurrando a porta transparente e saindo na chuva fina.

Passo o cartão no laser da porta e adentro em meu quarto. Percebo que estava sozinha e deduzo que Teddy estava tomando seu café antes das aulas começarem. Pego as primeiras roupas que encontro em meu guarda-roupa, meu nécessaire e faço meu caminho em direção ao banheiro. Eu precisava tirar as partículas daquele lugar de mim.

Apenas quando estou debaixo da ducha de água quente eu consigo realmente relaxar. Do lado de fora, uma chuva englobava a cidade cinza. Junto com a água que ia embora pelo pequeno ralo ia também minha raiva. Era simplesmente daquele jeito... eu e meu pai não nos suportávamos... não mais. E decidida em parar de chorar por isso, eu resolvi desligar a chave das minhas emoções.

Talvez fosse por isso que eu não me entregava completamente a ninguém. Talvez fosse por isso que eu não suportava ficar em um relacionamento. A vida havia me estragado e eu estava de bem com isso.

– Então quer dizer que você não fez nenhuma besteira? – pergunta Teddy, enquanto caminhávamos pelo corredor do prédio principal em direção à primeira aula que era Histologia Avançada II.

– Não, eu saí antes disso. – respondo, colocando açúcar no meu café em busca de me manter acordada depois de uma noite mal dormida.

– Não acredito que seu pai fez isso. – completa Alex, do outro lado.

– Ele é um idiota. – murmuro, adentrando na sala que ainda estava vazia por faltar cinco minutos para começar a aula. – Mas é o idiota que paga minha faculdade... graças à minha mãe.

– Pense que quando terminar a faculdade você poderá ser interna em qualquer hospital do mundo. – responde Alex, subindo os degraus para se sentar na ultima fileira de carteiras. Todas as carteiras, uma do lado da outra, formavam um grande semicírculo ao redor da mesa do professor no centro da sala.

– Não vejo a hora de isso acontecer. – resmungo, sentando-me ao seu lado e Teddy faz o mesmo. Bebo um gole do líquido fumegante e coloco meus livros em cima do braço da carteira.

– Quer saber o que vai melhorar nosso humor? – pergunta Alex, sorrindo.

– Quando você fala assim é algo relacionado com álcool. – retruca Teddy, revirando os olhos e eu dou uma risada concordando.

– Tem uma festa na casa de Derek hoje. – diz Alex, ignorando o comentário da loira. – E sabe como é... muito álcool em casa de rico.

– Festa em uma segunda-feira? – pergunta Teddy, com uma careta.

– Desde quando tem dia para ter festa enquanto estamos na faculdade? – retruca Alex, como se aquilo fosse óbvio.

– Eu não sei devo ir... – murmuro, respirando fundo. – Não estou com humor para isso, sinceramente.

– E tem que ter humor para beber? – bufa Alex. – Qual é... vai ser divertido! – rosna o homem. Eu e Teddy nos entreolhamos. – Vamos lá apenas para cumprimentar e deixar nossa presença! Nós iremos tomar apenas um drink, eu prometo!

– Qual foi a última vez que você tomou apenas um drink? – pergunta Teddy para Alex. O homem pensa por alguns segundos e dá de ombros.

– Comunhão. – responde e eu Teddy compartilhamos uma risada alta.

E segundos depois Ellis Grey entra na sala e atrás dela o restante da turma do terceiro ano de faculdade de medicina. Vejo Addison e a morena entrarem conversando, e ao seu lado April e Jackson. Meredith, Cristina, Mark e George também entram. A turma de aproximadamente 40 alunos se acomoda nas carteiras e eu continuo perdida em pensamentos. Apenas mudo meu foco de visão quando sinto algo batendo contra minha cabeça. Olho no chão e vejo uma bolinha de papel.

– E aí? – sussurra Alex, enquanto Ellis arrumava seus materiais em cima da mesa para dar início à aula. – Topa a festa de hoje?

– Claro. – digo, dando de ombros. – Por que não?

Alex e Teddy tagarelavam alguma coisa enquanto caminhávamos pela calçada da área universitária. Jovens perambulavam por todos os lados, provavelmente cientes da festa. Derek se tornara popular depois que começou a namorar a filha do diretor da faculdade, Meredith Grey.

– Tome a chave! – grita Alex, jogando a chave de seu carro para mim. – Você está mais acostumada a dirigir ele do que eu.

– Não quero estar em um carro em quase 200 km/h! – resmunga Teddy, abrindo a porta do carona.

– Arizona foi feita para correr e você sabe. – completa Alex, sentando-se no banco do carona. Eu sorrio e abro a porta do motorista. – Você corre melhor em meu carro do que em sua própria moto...

– Eu achei que você tinha parado de correr, Arizona. – retruca Teddy, enquanto eu dava partida no carro.

– E eu parei. – rosno, olhando para ela através do retrovisor. – Eu apenas fiz isso porque minha mãe pediu.

– Eu sei. – sussurra Teddy, acomodando-se no banco de trás.

A loira estava em um vestido azul e seus cachos loiros soltos. Alex vestia sua típica jaqueta preta e um jeans da mesma cor, enquanto eu estava em um vestido preto e salto alto.

Nas ruas as pessoas andavam de um lado para o outro. Seattle não perdia por muito para Nova Iorque no quesito de cidade que nunca dorme. O silêncio não durou, porque a área universitária não ficava muito longe dos bairros nobres. Ao longe já se ouvia o barulho da música eletrônica e se via os carros estacionados por perto.

– Por que algo me diz que o pai dele não está em casa? – pergunta Teddy. Eu estaciono o carro alguns quarteirões atrás e saímos do veículo.

– Os pais dele sempre estão viajando. – responde Alex, fechando a porta. Nós continuamos a andar pela calçada escura, escutando os gritos vindos da residência.

Mulheres com vestidos curtos e homens de camisetas coloridas seguiam o caminho do jardim enorme. A casa de dois andares estava repleta de luzes e caixas de som. Minha boca abre ao ver a quantidade pessoas com garrafas e copos de cerveja em mãos. Eles se moviam de acordo com a música alta. Impressionava-me o fato da polícia não ter sido acionada ainda. “Tem muito tempo que você não faz contato com o mundo rico, Arizona!” meu cérebro zomba.

Eu ignoro meus pensamentos e adentro ao lado de meus amigos na mansão. Tudo o que eu queria era uma maldita bebida para esquecer aquele dia horrível e tentar me sentir melhor para os próximos. Talvez Alex tivesse razão... talvez uma festa e álcool poderiam resolver meu estado... ou, de acordo com a voz dentro da minha cabeça... poderiam piorar ainda mais.

Notas finais
Por que algo me diz que o que acontecerá nessa festa irá mudar tanto a vida de Arizona quanto a vida de Callie? Hum... será bom ou ruim? Deixem seus comentários, ideias e opiniões sobre a história, pois são eles que me inspiram na hora de escrever! :)