Notas iniciais
Que tal um capítulo duplo, huh? Muito obrigada pelos comentários, pessoal!! ♥ E me perdoem por qualquer erro de português. Eles serão corrigidos depois. :)

ARIZONA PDV

Um gemido baixo vem da loira que eu pressionava contra a parede. Seus lábios se chocavam contra os meus e suas mãos estavam emaranhadas no meu cabelo. Elas deslizam por minhas costas e apertam minha bunda com força. Eu rosno baixo e continuo atacando seus lábios. Minhas mãos estavam em sua cintura e logo após já estavam suas coxas firmes. Ouço a mulher gemer contra meu corpo e segundos depois ela me afasta.

– Isso é errado! – ela suspira, com a respiração irregular.

– Não parecia errado há cinco segundos... – ronrono, tentando beijar seu pescoço, mas ela me empurra pra trás novamente.

– Arizona, eu sou sua professora! – diz a loira mais velha e eu reviro os olhos com o desejo começando a se dissipar, pois eu sabia que aquilo era o início de uma discussão. – Eu acabei de sair de um divórcio e...

– Lauren, eu sei disso! Eu sei que você era casada com um homem e bláh, bláh, bláh... – murmuro, dando um passo para trás. – Olhe, não estou lhe obrigando a nada, está vendo? – digo, abrindo os braços e dando de ombros.

Minha professora de Anatomia Patológica me estuda por alguns segundos. Eu dou um sorriso de lado e ela suspira ao ver minhas covinhas. “Tática infalível...” meu cérebro caçoa.

– Não me venha com covinhas, Arizona! – provoca a mulher, puxando-me pela blusa aos poucos para perto dela. – Nem elas e nem esses olhos azuis irão me seduzir.

– Eles não estão fazendo isso? – pergunto, erguendo uma sobrancelha. – Então... – cantarolo, sorrindo. – Eu tenho certeza que minha boca vai. – digo e puxo o rosto da mulher contra o meu.

Minha língua pede acesso à sua boca e ela aceita sem questionar. Estávamos dentro do seu escritório no segundo piso do prédio principal. Mesmo tendo o laboratório para si, Lauren também tinha essa sala que usávamos em suas “horas vagas”. A mulher puxava meus cabelos e eu a pressionava contra a parede com a minha perna direita, fazendo-a suspirar.

Professora Boswell? – uma voz grave pigarreia na porta. Eu rapidamente solto o corpo da mulher e dou um passo para trás, assustada.

– Droga, Alex! – rosno, passando as mãos por meus cabelos. O homem segura uma risada, ainda na porta que eu achava que estava fechada. Lauren olha para mim assustada e sorrio para tentar tranquilizá-la. – Tudo bem... Alex é confiável.

– Sou um túmulo, professora. – diz Alex, sorrindo. Lauren rosna e me empurra para longe dela.

– Achei que era um segredo! – retruca a Lauren, irritada.

– Ei... Lauren, qual é? Sério? – resmungo, revirando os olhos.

– Eu não queria incomodar, estou voltando... – diz Alex, ameaçando dar um passo na direção contrária.

– Preciso estar na reunião em cinco minutos. – responde a mulher, pegando suas coisas espalhadas em cima da mesa e colocando dentro de sua maleta. – Aconselho que você também esteja lá, Srta. Robbins. – diz, séria.

E antes mesmo que eu pudesse dizer alguma coisa a loira mais velha passa por Alex na porta e dispara no corredor.

– Srta. Robbins? – provoca Alex. – Esse é o jeito que sua segunda namorada lhe chama?

– Segunda namorada? – pergunto, dando uma risada alta enquanto saímos da sala. – Eu sequer tenho uma namorada... como terei duas?

– Leah e Lauren no mesmo dia? – pergunta o homem, dando uma piscadela. – Me diz, você faz uma espécie de rodízio de loiras?

– Cale a boca!

– Aham... – cantarola Alex.

– E provavelmente Leah irá me ligar mais tarde. – cantarolo também e Alex dá uma risada alta.

– Essa é a minha garota! – comemora Alex, batendo a sua mão na minha.

– E você? O que veio fazer aqui além de atrapalhar? – rosno, enquanto andávamos pelo corredor do segundo piso.

– Como um ótimo amigo que sou, eu vim lhe buscar para uma palestra muito, muito, muito interessante! – diz Alex, sendo sarcástico como sempre. – Ou para dormir nessa palestra muito, muito, muito interessante... – cantarola, dando de ombros. – Você escolhe!

– Engraçadinho... – resmungo, enquanto descíamos as escadas para o primeiro andar.

De fora do prédio principal, um grupo de jovens seguia em direção norte da universidade. Seguimos eles e cerca de cinco minutos depois já havíamos chegado em frente ao salão de festas ou palestras. Teddy e George nos esperavam na entrada.

– Onde está Mark? – pergunta Alex para Teddy.

– Provavelmente agarrando alguma professora assim como Arizona faz. – sussurra Teddy, rindo.

– Ei... Shhhh! – advirto, olhando para os lados. – Se isso chegar aos ouvidos de Richard Webber eu posso ser até expulsa!

– Achei que apenas eu sabia sobre você e Boswell. – provoca Alex.

– Às vezes eu minto... muito. – respondo, com um sorriso cínico.

O local já estava cheio e barulhento. Haviam cadeiras distribuídas pelo salão, uma mesa com algumas comidas e água, deixando claro que aquilo demoraria uma eternidade para terminar. Sentamo-nos na penúltima fileira, pois assim poderíamos dormir em paz, com exceção de Teddy claro. Richard e Ellis se preparavam para começar a falar em cima do palco.

Sejam bem-vindos novamente à Universidade de Seattle. – cumprimenta Richard no microfone na parte norte do salão. Todos automaticamente ficam em silêncio e quietos. – Não preciso me apresentar novamente, pois não há novatos nesse semestre e isso significa que as regras continuam as mesmas!

– Quanto tempo você acha que isso vai durar? – pergunta George ao meu lado.

– Eu não sei. – respondo, desinteressada. – Apenas não se importe se eu usar o seu ombro como travesseiro.

O homem dá uma risada e eu de fato encosto minha cabeça em seu ombro. George era um cara legal, filho de pais que trabalhavam na área de hotelaria e ele nos ajudava sempre que pedíamos. Seus pais tinham hotéis em áreas mais afastadas com filiais na maioria dos estados. Na vida pessoal ou sexual haviam-se rumores que ele dormia com uma loira chamada Izzie Stevens do alojamento C, mas tudo não passava de algo casual, assim como Alex preferia.

Alex era 100% bolsista por ter ficando em primeiro lugar em uma prova no primeiro ano da faculdade. E por mais que vagabundasse por aí ele era um aluno esforçado. Não conseguia explicar como ele tinha facilidade em todas as disciplinas. Talvez seja por isso que ele tivesse tanto tempo para beber e ser mulherengo. Ele não falava muito sobre sua família, mas eu sabia que ele tinha uma tia em Ohio.

E como quis ter o melhor ensino possível, não pensou duas vezes em vir para Washington. Alex não tinha um lugar para morar a não ser ficar na universidade nos finais de semana, mas depois que nos tornamos amigos decidimos dividir um apartamento. Quando o orçamento apertava, nós dois trabalhávamos no bar no final da nossa rua, o conhecido Joe’s. Miguel, o dono do apartamento e porteiro, sabia que éramos responsáveis e fez um preço acessível por ficarmos apenas nos Sábados e Domingos. Enquanto Richard falava sobre as provas finais, Teddy estava apreensiva ao meu lado.

Teddy era 50% bolsista depois de ter ficado em segundo lugar na mesma prova que Alex. Seus pais eram donos de alguns restaurantes no centro da cidade e eu precisava admitir que a loira havia nascido com o dom da culinária, pois nem minha mãe sabia cozinhar daquele jeito. Porém, Teddy insistia em dizer que era apenas um hobby, pois seu grande sonho era se tornar médica.

Mergulhada em pensamentos, não vejo um homem se aproximar e sentar ao lado de George. Eu me assusto quando Mark aproxima seu rosto de nós, afobado. Mark morou até completar 21 anos com sua mãe e um padrasto no estado da Carolina do Norte, mas o homem nunca nos deu mais detalhes que isso.

– Eu perdi muita coisa? – pergunta o homem, ajeitando as roupas.

– Não. – respondemos nos quatro em coro.

– Ele apenas está falando sobre o acúmulo de créditos e provas finais. – diz George, prestativo.

– Onde você estava? – pergunta Teddy, franzindo o cenho.

– Refazendo “ligações” do último semestre. – responde Mark, com um sorriso malicioso.

– Não acredito que Lexie Grey deu bola para você de novo. – murmuro, rindo.

– Ei... eu gosto dela. – retruca Mark. – Nós só estávamos dando... um tempo.

– E você estava dando um tempo na cama com outra? – pergunto e o homem me dá um olhar de soslaio.

– Como se você não fosse fazer a mesma coisa. – rosna Mark. Eu seguro uma risadinha e dou de ombros, indiretamente concordando.

– Você não se sente mal por estar ficando com uma garota do primeiro ano da faculdade? – pergunta George. Mark pensa por alguns segundos e dá de ombros.

– Não. – diz, calmamente.

– Isso é quase ilegal. – provoco, rindo.

– Falou a mulher que tem relações com a professora de Anatomia Patológica para passar de ano. – retruca Mark.

– Eu nunca fiquei com ela com essa intenção. – rosno, lançando ao homem um olhar frio. – Eu não fico com mulheres por causa de interesse. Apenas... por prazer.

– Mas as ilude... – sussurra Alex, rindo baixo. – O que é quase pior.

– Elas me conhecem bem antes de se relacionarem comigo. – respondo. – Quero dizer... elas apenas conhecem aquilo que quero que conheçam, mas nunca obriguei ninguém a fazer nada.

– Nada que um par de covinhas e olhos azuis não faça. – diz Teddy, rindo.

– Oh, querida, isso já são ossos do ofício. – respondo, lançando-a uma piscadela maliciosa.

Cerca de duas horas depois já estávamos em nossos quartos. Era a mesma decoração em todos os alojamentos, independente do sexo. Deitada em minha cama perto da janela, eu encarava o teto sabendo que faria isso pelo resto do dia depois que Richard nos liberou para iniciarmos nossas aulas na próxima manhã.

Com um cigarro em mãos, eu me sentia mais leve enquanto liberava a fumaça em direção à janela. Era um vício horrível, eu tinha consciência disso, mas realmente não ligava.

– Esses cigarros ainda irão lhe matar. – resmunga Teddy do outro lado o quarto. – Sorte sua que não temos inspeção nos corredores, senão perceberiam o cheiro.

– É proibido fumar em sala de aula, não em quartos. – retruco, dando um sorriso sarcástico. Teddy resmunga alguma coisa baixo e volta a mexer em sua mochila em cima de sua cama. – Acalme-se, garota! As aulas começam apenas amanhã!

– Não significa que não preciso repassar as matérias do semestre passado. – responde Teddy, sem olhar para mim. – Preciso terminar de atingir meus créditos e fazer uma boa prova no final do ano.

– Você já tem mais que a metade dos seus créditos. – retruco, dando uma tragada. Créditos eram notas necessárias para se fazer uma prova no final do ano que, dependendo do resultado, você passaria para o próximo ano da faculdade. – Tenho certeza que fará uma boa prova.

– Obrigada, mas eu prefiro não arriscar. – diz Teddy. Ela mexe em suas coisas por mais alguns segundos e depois olha para mim. – E você?

– Estudar? – pergunto, com descaso. – Só amanhã mesmo.

– Não estou falando sobre isso... quero dizer sobre seus créditos. Já está com pelo menos metade, não é? – pergunta a loira, de fato preocupada.

– Não estou me preocupando com eles ainda. – respondo, encarando o teto.

– Arizona...

– Eu sei. – rosno, lançando um olhar de soslaio para Teddy. – Semestre passado foi apenas... cansativo para mim.

– Está pronta para amanhã? – pergunta a loira, com um olhar amigo. Eu respiro fundo e sinalizo negativamente com a cabeça. – Sabe que pode contar comigo, certo?

– Você sabe que vou acabar chorando em seu ombro quando voltar. – sussurro, tentando diminuir a tensão da conversa. Teddy dá um sorriso fraco e concorda com a cabeça.

– Provavelmente será Alex e eu que levaremos você para beber e esquecer as mágoas.

– Achei que estivesse aqui para estudar e não sair conosco.

– Posso abrir uma exceção para minha melhor amiga. – murmura a loira. Um sorriso sincero nasce em meu rosto aos poucos. Eu volto a encarar o teto, mas minha paciência estava chegando ao fim.

– Quer saber... vou tomar um banho e começar a beber essa noite. – digo e a loira dá uma risada alta. Coloco uma perna para fora da cama e fico em pé, já caminhando em direção à porta. Apago o cigarro e o jogo no lixo ao lado. Pego minha nécessaire e minha toalha no guarda-roupa e abro a porta. – Vou ver se Alex tem um pouco de bebida escondida no vidro do enxaguante bucal quando voltar.

Boa sorte! – grita a Teddy antes que eu fechasse a porta de nosso quarto no alojamento A.

“Ainda tenho algumas horas até amanhã...”.

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CALLIE PDV

– Se eles descobrirem isso estaremos encrencadas! – rosno, olhando a ruiva colocar uma garrafa de Gatorade cheia de vodca no fundo da gaveta de roupas íntimas.

– Nunca irão procurar por isso no meio de nossas calcinhas, você sabe disso. – murmura Addison, com um sorriso triunfante. – Na verdade, nunca fazem inspeção nos corredores! Você tem que aprender a viver mais, Callie!

Eu reviro os olhos e termino de procurar por algumas roupas no guarda-roupa. As únicas proibições da universidade eram a ingestão de bebida alcoólica e homens e mulheres no mesmo quarto depois das 22 horas. Em minha opinião, isso mais parecia uma escola interna e não uma universidade com todos maiores de idade... mas... não era da minha conta.

O relógio na parede do quarto marcava 18h30min. O jantar era servido das 19 até às 21 horas. Depois de aguentar duas horas de discurso de Richard Webber sobre as normas que já estávamos cansadas de saber, tudo o que eu ansiava era um banho.

E por causa disso, sabia que no horário do jantar o banheiro não estaria tão congestionado. Addison ainda estava enrolada em sua toalha, deixando seu corpo esbelto quase à mostra. Não que eu sentisse algo desse tipo por minha melhor amiga, mas toda mulher sabe admitir quando outra é bonita e Addison com certeza era.

– Estou indo tomar banho. – aviso, pegando meu pequeno nécessaire e saindo pela porta do quarto.

Cristina Yang, uma asiática de gênio forte, gritava com uma máquina de Coca-Cola no corredor e Meredith Grey, sua amiga inseparável e também sua colega de quarto, a esperava encostada ao box de vidro na parede onde tinha um machado para emergências. Eu as cumprimento e elas respondem amistosamente.

Entro no banheiro e escuto um chuveiro ligado. Solto um suspiro de alívio e coloco meu nécessaire em cima da pia para me preparar. Havia um enorme espelho e pisos brancos envolviam todo o banheiro. Um coro de risadas femininas ecoa pelo banheiro e franzo o cenho, estranhando. Checo de novo se havia outro chuveiro ligado e vejo apenas o vapor saindo de um único box. Logo seguro um sorriso malicioso ao entender a situação.

Em poucos segundos o chuveiro desliga e a porta do box se abre. Eu observo, cabisbaixa e através do espelho Leah Murphy sair do box com um sorriso alegre no rosto. Ela estava enrolada em sua toalha e com as bochechas coradas. Ainda segurando uma risada, ela me cumprimenta através do reflexo e eu retribuo sendo amistosa. Ela era do segundo ano de faculdade e do alojamento B, bem longe do meu. E quando a loira sai do banheiro compartilhado, eu finalmente rio baixo. Mas meu sorriso diminuiu, ao ver quem saía do box também.

Arizona Robbins se assusta inicialmente a me ver, mas logo um sorriso sarcástico nasce em seu rosto e ela se aproxima de mim, olhando-me através do espelho. Eu continuo em silêncio, mexendo em meu nécessaire e retirando minha toalha.

– Boa noite... – cumprimenta Arizona, depois de alguns segundos. Eu olho através do espelho e vejo seus olhos azuis me encarando. A loira colocava pasta dental em sua escova e abria a torneira deixando a água correr.

– Boa noite. – respondo, educadamente. As palavras de Addison ainda vagavam por minha mente. Eu não podia ter raiva dela sem nenhuma razão, mas... havia algo nela que eu não gostava.

A loira começa a escovar seus dentes, olhando seu reflexo no espelho. Havia cerca de mais dois metros de pia e espelho para a esquerda e ela decidiu ficar logo ao meu lado. Arizona pega seu cabelo loiro molhado e o prende em um coque frouxo com uma goma que estava em seu pulso. Uma toalha estava presa ao seu corpo e gotículas estavam espalhadas por seu pescoço. As imagens de Arizona e Leah no banheiro vagavam por minha cabeça e eu bufo tentando não imaginar.

Não senti vontade de me despedir e entrei em um box fechando a porta atrás de mim. Retirei minha roupa e liguei o chuveiro com a água morna caindo em meu corpo. Fico por um tempo indeterminado tentando diminuir meus nervos. Tomo meu banho e apenas quando me sinto um pouco melhor, eu me enrolo na toalha e saio do box. O banheiro estava vazio e eu suspiro aliviada. Saio no corredor principal em direção ao meu quarto em busca de roupas limpas. Passo o cartão e adentro, percebendo o silêncio no local.

– Legal... obrigada por me esperar para jantar, Addison. – resmungo baixo, abrindo meu guarda-roupa.

Em um jeans confortável e uma camiseta eu pego o elevador em direção ao Térreo. Ao sair do cubículo de metal, vejo algumas meninas conversando com a recepcionista e outras assistindo televisão. April Kepner estava sentada no sofá, mas a me ver logo abre um sorriso e corre até meu lado.

– Animada em ter voltado? – pergunta a ruiva, de porte mediano e um crucifixo enorme no peito, mostrando sua devoção a Jesus.

– Claro que sim. – respondo. “Na verdade, eu estava feliz com o fato de simplesmente ter saído de casa.” meu cérebro acrescenta. Eu seguro uma risada, pois April era o tipo de garota que minha mãe queria que eu fosse amiga. – E você, animada?

– Claro que estou. – murmura April, sorrindo. – É apenas aqui que posso ficar com Jackson, sabe... meus pais não são muito fãs do fato de eu estar namorando.

– Por quê? – pergunto.

Enquanto isso, andávamos pela calçada em direção norte da universidade. Alguns postes iluminavam os bancos em nosso caminho e homens e mulheres passavam conversando por nós.

– Porque eles acham que o namoro atrapalharia meus estudos. – responde a ruiva, com seu sorriso diminuindo. – Mas Jackson não me atrapalharia.

– Ele parece ser um bom homem.

– Ele é.

– Ele vai jantar com você? Ou conosco? – pergunto, tentando ser prestativa. A ruiva sorri e sinaliza que sim com a cabeça.

Continuamos o resto do caminho falando sobre as disciplinas que seriam retomadas no dia seguinte. Passamos em frente à pequena lavanderia e em frente à enfermaria que na verdade era um pequeno hospital onde os alunos do quarto ano faziam seus primeiros contatos com o ambiente. E depois de andar mais um pouco finalmente chegamos ao refeitório.

Empurramos a porta transparente e o barulho das conversas bate contra nossos corpos. Mesas fixas ao chão estavam distribuídas pelo grande salão. Tanto do lado direito quanto do esquerdo estavam servidas as comidas. Avisto ao longe, Addison, Mark e Erica sentados a uma mesa. Eu suspiro, sabendo que aquilo poderia dar errado por causa de uma determinada pessoa. Mas, mesmo assim, eu sigo April até onde estavam as bandejas.

– Olhe só... achei que havia se afogado no banheiro. – provoca Addison quando eu me aproximo da mesa com três cadeiras restantes.

– Engraçadinha... – sussurro, com um sorriso fraco. Addison estava de um lado da mesa e Mark e Erica estavam do outro. Eu hesito por alguns segundos e me sento ao lado da minha amiga ruiva.

– Como vai indo, Callie? – pergunta Mark, sorrindo.

– Eu vou bem, e você? – respondo. Mark era o único que eu tinha algum tipo de afeto do grupo de Alex. Eu gostava do jeito de ser do homem e nós já tivemos ótimas conversas... mas nada além disso.

– Eu vou bem também. – diz o homem.

Resolveu trocar de turma agora, Sloan? – a voz de Jackson ecoa na parte de trás da mesa. O moreno alto e atlético dá um beijo em sua namorada que estava ao meu lado e senta ao lado de Erica. A loira alta e magra evitava fazer contato visual comigo.

– Fico meio intermediário... já disse. – responde Mark, mostrando o sorriso largo que era sua marca.

– Por que está tão calada hoje, loira? – pergunta Jackson, mordendo em um pedaço de cenoura.

– Estou com dor de cabeça. – responde Erica, dando um sorriso falso.

– Acredito que as férias de Julho lhe deram bastante canseira... – provoca Mark, dando um cutucão no ombro da loira. Ela revira os olhos, mas acaba sorrindo. Eu mordo um pedaço do meu sanduiche natural, observando tudo. – Como está a vida com a namorada?

– Está tudo bem com a Sasha. – responde Erica, bebendo um gole de seu suco. – Fizemos um ano de namoro mês passado.

– Parabéns, Erica! – digo, tentando reconciliar com a loira. Erica olha para mim e dá um sorriso que pareceu verdadeiro, mas eu sabia que não era.

No primeiro ano de faculdade nós éramos colegas de quarto e amigas inseparáveis e bem... uma coisa levou a outra. Erica me fazia feliz. Nós duas descobrimos aquele mundo diferente juntas, mas de repente estávamos brigando no meio de um corredor no prédio principal depois que minha mãe havia descoberto tudo. Talvez fosse por isso que depois da minha primeira experiência com o outro sexo, minha mãe ficou tão obcecada com religião.

Toda essa situação complicada acarretou nosso término. Na época, Erica ainda tentava conversar comigo, mas eu estava em uma constante pressão em casa, com minha mãe não me aceitando e minha irmã, que deveria sempre ficar ao meu lado, ajudando a me incriminar.

E por causa disso eu extrapolei em uma de nossas discussões e tudo terminou comigo dando um tapa no rosto da loira, depois que ela havia falado barbáries sobre a minha família. Na época eu tentei de todos os modos possíveis pedir perdão por minha ação, mas Erica me ignorava por completo e com o passar dos anos ela apenas aprendeu a me suportar.

Precisava admitir que até pouco tempo atrás eu ainda nutria sentimentos pela loira, mas isso foi se dissolvendo. Meu pai, Carlos, o único que pelo menos tentou me ouvir, me disse uma frase que nunca esqueci: “O tempo cura tudo”. E desde aquele dia eu foquei nessas palavras. Tudo na vida é passageiro e nada é eterno.

Conversamos por longos minutos sobre banalidades, principalmente sobre assuntos amorosos, pois Addison não deixaria esse tópico passar abatido. Mark comentara sobre seu relacionamento com Lexie Grey, meia irmã de Meredith, e Jackson e April falaram sobre seus planos para o futuro.

Mentalmente eu tentava descobrir como Jackson Avery mudara tanto. No início da faculdade ele era membro de ouro do grupo de Alex e isso significava bebedeira todas as noites e mulheres diferentes. Mas, depois que ele e April começaram um romance o moreno mudou completamente.

– Agora preciso aderir ao outro grupo, lindas. – diz Mark, dando uma piscadela para as meninas. – Até mais Jackson.

– Até mais, cara. – responde o moreno, com a mão entrelaçada à de April em cima da mesa.

Mark levanta da cadeira e caminha até extremidade onde Alex, Arizona e Teddy se sentavam a outra mesa. O olhar de Arizona cruza com o meu e eu vejo um sorriso nascer em seu rosto. “Ela está rindo porque sabe que você as escutou dentro do banheiro!” meu cérebro brada.

– Sabia que alguns comentários sobre você estão vagando por aí? – pergunta April para Addison, ao meu lado.

– Sempre estão comentando algo sobre mim... – murmura Addison, com desdém. – Diga-me... o que estão falando dessa vez?

– Que você é uma falsa lésbica e que não vai demorar muito para cair na cama com um homem de novo. – responde April, receosa. Jackson dá um cutucão na namorada e um sorriso sem graça. – Não que eu tenha algum tipo de preconceito... porque eu não tenho, acredite! – diz a ruiva, ignorando o aviso de seu namorado.

– E quem disse isso? – pergunto, incomodada com aquela situação. Eu simplesmente odiava esses tipos de comentários.

– Callie... está tudo bem... eu sou bi! É claro que irei cair na cama com homens... – tenta falar Addison com um tom de brincadeira, mas eu ignoro.

– Quem começou os comentários? – pergunto, olhando séria para April. A mulher engole seco pensando que realmente deveria ter seguido o conselho de seu namorado. – April? Você começou o assunto... agora termine!

– Eu não sei! – responde a ruiva, na defensiva. – Eu realmente não sei, eu apenas fiquei sabendo por que algumas meninas me contaram na capela um pouco antes de eu ir para o alojamento mais cedo. – diz April. Havia uma pequena capela na região leste da universidade, pois cerca de noventa e nove por cento dos alunos eram católicos.

– Você vai para a capela fofocar? – rosno, não acreditando no que estava ouvindo.

– Callie... – diz Erica, me dando um olhar duro. Não conversávamos muito, mas ainda tínhamos nossa conexão e ela sabia quando eu estava prestes a explodir. – Não vale a pena... deixe isso de lado... – pede a loira.

– Eu realmente não sei quem começou os comentários. – completa April. Vejo o desespero nos olhos da ruiva e decido acreditar que ela dizia a verdade. – Apenas sei que isso começou em um clube.

– Clube? – pergunto, olhando para Addison.

– Eu... eu... – gagueja Addison, tão surpresa quanto eu. – Sim, eu fui a um clube em Los Angeles, mas... não havia ninguém que me conhecia lá!

– E você ficou com uma garota lá? – pergunta Erica, sorrindo maliciosamente.

– Sim. – responde Addison. Jackson ergue uma sobrancelha sugestiva e a ruiva bufa. – Não nesse sentido, idiota. Foi apenas um beijo... pelo menos no clube foi apenas um beijo. – completa Addison, dando uma piscadela maliciosa e Erica dá uma risadinha. Mas, eu ainda continuava nervosa com aquela situação.

– Alguém viu você e espalhou isso de modo ofensivo. – digo, séria. Addison bebe um gole de seu suco e pensa por alguns segundos. De repente sua expressão fica séria.

– Eu me lembro de alguém... – sussurra Addison, séria.

– Quem? – pergunto, querendo saber o idiota que havia começado aquilo. Em vez de responder Addison apenas vira o rosto e encara uma mesa no lado extremo do salão. Sigo seu olhar, mas havia muitas pessoas naquela direção. – Addison? Quem?

– Arizona Robbins estava naquele clube... – responde Addison e eu olho para a loira rindo junto com seu grupo de amigos. Fecho o punho, com raiva.

“É claro que seria Arizona Robbins...”.

Notas finais
Vish... parece que agora Callie tem uma real razão para sentir "algo" por Arizona! E o que vocês acharam de Arizona com Lauren? hahahaha Deixem seus comentários, ideias e opiniões sobre a história! :D