Notas iniciais
Como isso tudo vai se desenrolar, hein? Prontos?! Obs: Queria (sempre muito feliz) agradecer pela recomendação! Muito muito obrigada mesmo! E me perdoem por qualquer erro de português.

CALLIE PDV

Durante toda a minha vida eu disse para mim mesma que tinha certeza e consciência das pessoas que me rondavam, até porque, nunca foram muitas. Eu era próxima da minha família, pois acreditava que neles eu sempre poderia confiar, entretanto, percebi que até nesse aspecto eu estava enganada: todas as pessoas mentiam.

Eles dizem: mentir é inevitável. Se eu afirmasse o contrário, estaria sendo uma hipócrita, mas o que fazer quando se percebe que está rodeada delas? Minha mãe a qual era a dona das ideologias cristãs era uma adúltera, meu pai que deveria ser justo roubou milhões, minha irmã que deveria me apoiar me odiava por ser apenas filha de outro homem.

Eu me perguntava: eu era tão fácil de enganar assim? Minha família, minha namorada, meu melhor amigo... todos mentiram para mim e eu sequer desconfiei. Jesus... eu deveria ser muito patética, porque eu ainda me recusava em acreditar que tudo havia desmoronado tão rapidamente. Até horas atrás eu estava sorrindo como uma idiota apaixonada e agora... só me restava o idiota.

Eu não sabia o que pensar. Eu não sabia o que fazer. Eu não sabia o que sentir. Ao mesmo tempo em que tudo começou a fazer sentido... nada tinha explicação. Aquela história ainda vagava por minha mente, misturada com a dor e ódio.

E tudo ganhou mais intensidade ao perceber que eu poderia estar nos meus últimos minutos de vida e que Arizona estava ali comigo. Deus, eu a odiava tanto que me dava vontade de chorar e bater nela por me faz amá-la na mesma intensidade.

A loira olha para mim, sabendo que podiam ser nossos últimos momentos. Eu fecho os olhos e espero. Um grito de desespero sai por seus lábios e eu aperto meus olhos. Nada acontece. Eu abro um olho e vejo o cronômetro apagado. Um suspiro alto sai por nossos lábios ao mesmo tempo.

– Graças a Deus... – suspiro, fechando os olhos. Quando eu os abro, vejo Arizona me encarando.

– Callie... por favor, me escute! – ela tenta, mas eu ignoro. Eu não queria ouvir nada dela. Ela havia me enganado desde o início. Eu fui uma aposta. Um desafio. Uma chantagem.

– Arizona... o fato de estarmos vivas não muda nada! – murmuro, pegando o revólver calibre 38.

Analiso e conto quantas balas havia no tambor. O giro e puxo o cão da arma. Só agora eu agradeço mentalmente o fato de meu pai ter me ensinado a atirar quando criança.

– Eu apenas disse aquilo porque Burke estava me chantageando! – murmura Arizona. Eu paro meus movimentos e olho para ela. – Ele disse que mataria Alex, você, Sofia e minha família e... naquele momento eu ainda não sabia que Alex era um maluco psicótico!

– Mas a aposta continua verdadeira, não é? – pergunto. – Você se aproximou de mim por causa de uma aposta, não foi? Você me levou pra cama, me fez sentir coisas que nunca havia sentido e me humilhou... – digo, aumentando meu tom de voz. – Por uma aposta, não foi?!

– Sim, mas... – gagueja Arizona, mas eu dou uma risada sarcástica baixa para tentar diminuir a dor que estava no meu peito.

– Não preciso saber de mais nada! – digo, lançando para a mulher um olhar frio.

– Callie, por favor, me escute... – ela tenta novamente. Eu fecho os olhos para controlar minha raiva.

– Não, eu não vou te escutar, porque eu já fui idiota por ter lhe ouvido tantas vezes! Fui um brinquedo em suas mãos e agora sou um brinquedo nas mãos deles... eu estou cansada de ser o brinquedo de alguém!

No canto de seus olhos havia o início da formação de lágrimas, mas eu tento ignorá-las. Eu ainda a amava e isso doía. Viro-me, com a 38 em mãos e caminho em direção à saída do laboratório. Eu precisava salvar meu pai.

Eu me apaixonei por você, Calliope. – sussurra Arizona.

Eu paro de andar e fecho os olhos. Bastou aquilo para que as lágrimas ganhassem a batalha. Deus... eu não sabia se ela ainda estava mentindo. Viro-me lentamente e vejo lágrimas escorrendo por seu rosto. Eu queria acreditar nela, mas eu não conseguia.

– Eu me apaixonei por você e não tive tempo suficiente para dizer isso! – completa a loira.

Eu viro o rosto, não tendo coragem de encará-la. Meu foco vai para as fotografias nas paredes. Havia fotos nossas em diversas situações. Em uma delas a loira ria com seu “grupo” de amigos e isso faz a raiva novamente nascer dentro de mim. Ela deveria estar rindo de sua aposta.

– Por favor, fale alguma coisa! – implora Arizona, dando passos na minha direção. Eu faço um sinal com a mão para que parasse e ela obedece.

– Não, porque você não destrói algo que ama! Quando isso terminar... – digo, tentando diminuir o máximo a dor na minha voz e enxugar minhas lágrimas. – Eu quero fazer questão de nunca mais lhe ver!

– Calliope... não! – sussurra Arizona, dando outro passo na minha direção.

– Não me chame de Calliope, Arizona! – rosno, com raiva. – Você não tem mais esse direito. E por mais que eu queira distância da sua hipocrisia, eu preciso da sua ajuda para terminar com isso. – digo.

A imagem da minha família tentando me avisar que aquilo tudo foi um erro vem a minha mente e eu me martirizo por ter escolhido Arizona acima deles. E antes mesmo de deixar a mulher retrucar, eu me viro e saio do laboratório.

Longe da luz da sala, a escuridão abrangia todas as direções. Ouço passos nas minhas costas e viro-me bruscamente, mirando a arma para o rosto de Arizona. Ela abaixa a arma e me lança um olhar cheio de dor, mas ainda consciente de tudo. Agora o que importava era viver.

– Fique atrás de mim... – ordeno, começando a andar pelo corredor.

Pisco algumas vezes para me acostumar com a falta de luz e levanto a arma, mantendo-a sempre na mira. Eu precisava admitir, eu não era uma das melhores atiradoras, mas... era o que tínhamos. Eu tentava ao máximo manter minhas mãos firmes e não tremer.

Chego até perto da janela no fim do corredor e olho para fora. A lua já não iluminava mais nada e nuvens densas novamente cobriam a cidade cinza. A universidade era iluminada apenas pelas luzes fracas das velas dentro das luminárias que foram usadas como decoração. Arizona apalpa o próprio corpo e solta um resmungo baixo.

– Levaram meu celular! – sussurra, fechando o punho de raiva. – Como vamos ligar para a polícia?

– Precisamos chegar à reitoria, talvez Richard esteja lá. – murmuro, olhando pela janela. Eu aponto para o lado leste que estava entre algumas penumbras. – Se conseguirmos chegar lá podemos ligar para polícia.

– Callie... – rosna Arizona, chamando meu olhar para ela. – São cinco contra duas! Precisamos sair daqui e pedir ajuda!

– Você pode deixar o seu pai aqui, mas eu não vou deixar o meu! – respondo, séria. – Eles devem estar loucos agora, porque já era para as bombas terem explodido.

– O que faz você achar que eles ainda estão aqui? – pergunta Arizona. – Ainda mais se Richard estiver na reitoria, eles não ficariam na universidade!

– Eles devem ter o prendido também, não sei! – respondo, olhando pela janela e procurando por qualquer movimentação. – Olha... eles não esperariam até a madrugada para fazer isso se não quisessem fazer aqui!

– Hãm... talvez eles ficaram aqui porque seria muito difícil sair com três corpos de uma universidade em meio a um baile? – provoca Arizona, com sarcasmo.

– Se fosse assim eles não teriam trazido nossos pais, Arizona, pense um pouco! – retruco, mas imediatamente franzo o cenho. – Espera aí... por que três corpos? Seria apenas nós duas.

– Lexie está morta. – responde Arizona, com um suspiro de dor. – Por que você acha que Mark nos ajudou?

– Droga... – suspiro, passando a mão por meu rosto. – Quantas outras pessoas devem ter morrido?

– Eu não sei. Mas vamos fazer o seguinte... vamos até a reitoria e procuramos por Richard. Se ele não estiver, ela provavelmente estará trancada. Mas, podemos arrombá-la e eu tenho certeza que lá terá um sistema de alarme.

– O alarme vai atrair a polícia, certo. Eu concordo, mas o alarme também vai chamar a atenção deles e eles irão matar nossos pais!

– Então acionamos o alarme e procuramos por nossos pais! – retruca Arizona. – Eles ficaram loucos procurando por quem o acionou.

– Tudo bem... vamos fazer isso.

Usando as paredes como guias, descemos os degraus da escada e viramos para a esquerda. Em qualquer dia da semana, eu passava nesse trecho do corredor diversas vezes, mas na escuridão de repente pareceu estranho e mais comprido... muito mais comprido.

Meu pé ficou preso em alguma coisa e antes que eu pudesse cair, Arizona me segura pela cintura. Eu mal tenho tempo de criticá-la por ter me segurado contra seu corpo, pois a pouca luz das janelas iluminou as características do corpo que eu tropecei. Eu coloco a mão sobre a boca para abafar meu grito de espanto ao ver o corpo de um dos seguranças da universidade de bruços, banhado no próprio sangue.

Coloco dois dedos em seu pescoço e não sinto nenhuma pulsação. Ele estava morto. Viro seu corpo procurando pelo o que causou sua morte e vejo o buraco de bala sobre seu peitoral esquerdo.

– Ele ainda está quente e o sangue também, mostrando que não tem muito tempo que morreu. – sussurra Arizona, agachando e analisando o corpo. – Eu daria alguns minutos.

– Precisamos chegar à reitoria. Agora! – digo, engolindo meu medo.

Levanto-me e Arizona rapidamente se posiciona ao meu lado. Caminhamos até finalmente chegarmos à recepção. A porta do prédio principal estava fechada e eu caminho até a maçaneta.

Olho por cima do ombro Arizona ir até recepção, provavelmente para tentar o telefone fixo dali. A loira xinga baixo quando mostra para mim o pedaço do fio cortado. Arizona olha para baixo e coloca as mãos na boca, com seus olhos arregalando.

– Não venha aqui!– ela pede, quando eu ameaço dar um passo em sua direção. – É a Olivia.

– Oh... Deus... – suspiro, com uma lágrima escapulindo pelo canto do meu olho. Arizona suspira e caminha até mim. Percebo a expressão pálida da mulher, como se estivesse prestes a vomitar. – Nós precisamos tirar nossos pais e sair daqui!

– Sim. – concorda Arizona, com as pupilas dilatadas por causa do medo.

Empurro a porta da recepção e analiso as penumbras do lado de fora. Eles poderiam estar em qualquer lugar. Começamos a caminhar pela calçada, procurando por qualquer movimentação em meio às sombras. O lugar mais provável seria o pátio, do outro lado, depois dos alojamentos.

Vocês não deveriam estar vivas! – a voz de Erica ressurge atrás de nós. No segundo que gasto para me virar, a loira dá um murro na minha mão e a minha arma dispara.

*BANG*

O tiro acerta uma janela próxima e o vidro quebra. A arma cai atrás de alguns arbustos na calçada. Arizona rapidamente ataca Erica, que se esquiva dos braços da loira. Eu me agacho, procurando pela arma no meio dos galhos. Erica dá um soco no nariz de Arizona que grunhe em dor, cambaleando para o lado.

E ao ver que eu procurava pela arma, Erica anda em minha direção, puxando-me pelos cabelos para longe do arbusto. Tento então dar um soco de direita, mas ela intercepta, fechando sua mão ao redor do meu pulso.

– Ter o pai um ex-militar tem lá suas vantagens, querida. – provoca Erica, sorrindo para mim.

– Meu pai é policial! – retruco, já girando seu punho do mesmo jeito que fiz com Arizona em um de nossos “momentos”. Coloco seu punho atrás de suas costas, virando seu braço por completo e sinto o seu ombro deslocar.

Um grito de dor vem da boca de Erica. Arizona se equilibra depois da pancada e rosna de raiva. Ao ver que eu segurava Erica, Arizona anda em direção da loira já fechando seu punho e dá um soco em cheio no rosto dela.

– Argh! – resmunga Arizona, balançando o punho por causa da dor.

Arizona enxuga o sangue que saía de seu nariz com a parte de trás da mão e sem perder tempo dá outro soco em Erica, dessa vez sendo em seu estômago. E de novo... e de novo... enquanto a loira apenas choramingava de dor, tentando se livrar de mim.

Erica abaixa a cabeça, ofegante. Ela para de lutar e havia perdido a força nas pernas. Eu e Arizona nos entreolhamos, questionando o que faríamos agora. Mataríamos ela? Não éramos assim! Eu já estava pronta para aplicar uma chave de pescoço para que ela perdesse a coincidência quando um rosnado vem de seus lábios.

E no segundo seguinte Erica puxa o meu braço para frente, deslocando-me da posição e me dá um murro nas costelas. Um grunhido sai por meus lábios com a pancada e vejo seu outro punho em direção ao meu rosto. Caio no chão, com a minha mandíbula latejando e sinto o corte no meu lábio inferior.

Erica aproveita minha posição e dá um chute contra a mesma costela afetada. Coloco as mãos na frente tentando me proteger, mas a mulher era mais rápida. O gosto de ferro em minha língua me deixava zonza.

E antes de conseguir fazer mais, Arizona pula em cima de Erica. Eu mal consigo ver a luta, porque minha visão estava embaçada por causa da dor em meu tórax. Ouvindo os gritos da luta, eu coloco a mão sobre minhas costelas procurando por alguma fratura. Tento-me colocar de pé, mas não consigo por causa da falta de forças em minhas pernas. Vejo Arizona agonizando no chão, com a mão na barriga depois de um chute de Erica.

Ao ver que nós duas estávamos fracas e suspirando em dor, Erica enfia uma mão por dentro de seu vestido e retira uma pequena pistola. Eu enxugo o excesso de sangue que saía do meu lábio inferior e tento me colocar de pé.

– Esperei vocês duas acharem que ganhariam essa luta de mim, o que foi bem estúpido da parte de vocês. – ela diz, dando uma risada doentia e apontado a arma para Arizona que ainda tinha dificuldade para respirar. A me ver ficando de pé ela mira para mim. – Não me faça atirar em você, Callie!

– Desde quando tudo isso era um plano? – pergunto, franzindo o cenho e tentando acalmá-la. Precisávamos de tempo. – O que nós tivemos...

– O que nós tivemos? – caçoa Erica, rindo. – Depois que você disse que o que você sentia por Arizona nem chegava perto do que sentiu por mim, eu percebi que fui uma completa idiota por ter amado você. – rosna, olhando para Arizona. Minha bochecha cora, ao ver que agora Arizona sabia disso. – E sim, naquela época eu queria me aproximar de você e sua família, mas eu me apaixonei por você e depois que me humilhou eu pensei em um plano melhor.

– Sempre vingança amorosa... – provoca Arizona, tentando ficar de pé.

– Não fizemos isso antes porque você está mergulhada nas drogas demais... – provoca Erica, dando uma risadinha para Arizona, que a encara. – Não era para vocês terem sobrevivo àquela maldita bomba. Tenho certeza que alguém ajudou vocês! – rosna Erica, com raiva. Ao ver nossa hesitação ela deduz. – Foi o Mark, não é? Oh, droga! Sempre querendo bancar o herói! Foi por isso que ele não apareceu ainda...

– Você realmente está fazendo isso por causa de um homem que não pode mais ter filhos? – pergunta Arizona. – Erica, isso não faz sentido!

– Você ainda não vê? Eu pouco me importo com a vingança deles! – retruca a loira. – Acha mesmo que eu estaria nessa apenas para vingar um homem estéril? Robert e Nicole são os únicos apaixonados e que estão procurando por vingança! Eu sempre quis ter o que vocês duas têm! Eu sempre quis a fortuna de vocês!

– O que? Então sua família é quebrada? – provoca Arizona, gastando tempo. – Pelo visto Alex ou Robert não sabem disso!

– Eles não precisam saber que não queremos as mesmas coisas! Alex, ao contrário, é o único obcecado com essa porcaria de lealdade! E Mark... é apenas o Mark, o cara bonzinho. Eu nem sei o que ele estava fazendo aqui, mas não importa, porque já deve estar longe por agora. Eu vou arrancar cada centavo de vocês!

– Eles não vão te ajudar nisso, Erica! – retruco, séria. – Pare enquanto é tempo!

– Não tente fazer joguinhos comigo, Callie! – rosna Erica, olhando para mim. – Agora... o que me intriga é quem eu vou matar primeiro, já que era para vocês já estarem mortas!

– Erica, você não precisa fazer isso! – tenta Arizona.

– Oh, eu preciso! – murmura Erica, ainda apontando para ela. – Diga suas últimas palavras Arizona...

– Erica, por favor... – imploro. Eu não poderia ver Arizona morrer, não por minha causa, não no meio daquilo... não depois de tudo. – Não faça isso!

– Tarde demais! – rosna Erica.

Meu foco vai para o dedo da loira no gatilho. Arizona olha para mim e nossos olhares se cruzam.

*BANG*

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ARIZONA PDV

As pessoas dizem que quando estão em seus últimos segundos de vida eles veem uma espécie de filme na frente de seus olhos. Quando Erica deslizou o seu dedo para o gatilho da arma, eu olhei para Callie, sendo ela a única coisa que me importava ali. Eu sabia que se eu morresse, seria ela a última imagem que eu queria ver.

*BANG*

Eu fecho os olhos e espero a dor ou... qualquer coisa. Um suspiro de surpresa sai dos lábios de Callie e eu abro os olhos, para entender o que havia acontecido. Erica estava sobre um joelho e seus olhos estavam arregalados. A loira cai no chão frio com uma mancha vermelha se espalhando pelo tecido do seu vestido, nas costas. Ela dá o seu último suspiro de vida e seu olhar paralisa para o nada.

Eu olho para frente procurando por quem havia efetuado o tiro. Uma silhueta sai em meio das penumbras e eu rapidamente reconheço George, segurando o revólver 38 em mãos. O homem ainda estava trêmulo e assustado por ter retirado a vida de uma mulher.

– Vocês estão bem? – pergunta George, se aproximando.

Meu abdômen estava dolorido por causa dos chutes que havia recebido de Erica enquanto Callie ainda estava no chão. Eu não havia pensado duas vezes antes de pular em cima da mulher que batia na morena. Meu nariz sangrava por estar deslocado e eu precisava constantemente limpar o fluxo de sangue.

– O que você está fazendo aqui? – pergunta Callie, preocupada.

– Eu... eu fui para o quarto depois do baile. – responde George, andando até a morena para analisar o corte em seu lábio. – Fiquei no meu quarto mesmo com Richard mandando todos para casa, mas acordei com o barulho do tiro. Eu fui até os alojamentos vizinhos e cerca de mais 10 pessoas também havia escutado o disparo. Decidi descer e vi Erica apontando a arma para vocês. Não pensei duas vezes em... fazer isso.

– Eles já ligaram para a polícia? – pergunta Callie. – Eles estão com os nossos pais presos!

– Cristina estava junto com Meredith e elas ligaram. – responde George, ainda olhando para Callie.

Por mais que aquele não fosse o momento, eu não pude resistir em perceber a troca de olhares dos dois. As palavras de Callie dizendo que faria questão de nunca mais me ver ainda vagavam por minha mente. Eu havia prometido para mim mesma que depois que toda aquela situação estivesse terminada eu tentaria conversar com a mulher e resolver as coisas, porque eu não podia simplesmente deixá-la ir embora.

– Quanto tempo irão gastar para chegarem aqui? – pergunto, engolindo meus... ciúmes.

– Eu não sei. – responde George.

Ele caminha até um pouco a frente de nós, olhando para os lados. Callie olha para mim e franze o cenho, ao perceber minha expressão emburrada. George vai até perto das árvores para estudar os alojamentos de longe.

– A polícia simplesmente não pode entrar aqui, pois não sabem quem é o assassino. Estávamos em confinamento, mas... agora acabou, não é? – pergunta George, virando-se para nós.

– Erica não é a única assassina aqui, George. – responde Callie.

Esse é o problema... Erica nunca foi uma assassina. – a voz de Alex ressurge.

Uma sombra sai de trás da árvore e antes que eu pudesse gritar para George, o barulho de uma lâmina rasgando a carne ecoa. Os olhos de George arregalam com a dor e o rosto de Alex reflete atrás dele, por causa o brilho das luminárias.

– Ela nunca soube a arte de matar. Já você não precisava ter morrido, cara. Não mesmo! – rosna Alex, enfiando ainda mais a lâmina na coluna de George.

Meu sangue congela e eu continuo sem mexer por longos segundos. Uma quantidade de sangue escapole pelos lábios de George e a arma cai aos seus pés. Alex retira o objeto de dentro de George e ele cai agoniando, no chão. Vejo o brilho da faca na mão de Alex e o sangue pingando.

Só então percebo que o homem havia sido frio o suficiente de ver sua “irmã” morrer e continuar em silêncio. Jesus... quem era ele? Eu e Alex olhamos ao mesmo tempo para a arma. Ela estava mais próxima dele e como se lesse os meus pensamentos, um sorriso psicótico nasce em seus lábios.

Sem pensar muito eu começo a correr na direção de Callie. Vejo sua expressão de horror e puxo seu braço, na direção contrária. Ela mal tem tempo de ordenar suas pernas a correr, pois eu já gritava para que ela fizesse isso.

– Corra! – eu grito, vendo Alex pegar a arma no chão. Ele não hesitaria como Erica.

*BANG*

Uma janela do prédio principal ao meu lado se estilhaça com a bala que deveria acertar minha cabeça. Meu coração tentava bombear sangue para meu corpo e meu cérebro tentava racionar a melhor rota para fugir. Callie segura minha mão e nós corremos para o primeiro lugar que avistamos: o alojamento B. Poderíamos nos esconder em um dos quartos e Alex demoraria horas para nos achar, dando assim tempo suficiente para que a polícia chegasse.

Garotas, por que estão correndo? – pergunta Alex, de fato se divertindo. – Vocês vão morrer mais cedo ou mais tarde!

Eu e Callie adentramos correndo pela recepção, indo direto para um dos vários corredores que desmembravam o alojamento. Havia apenas penumbras que pouco ajudavam na hora de escolhermos nossas direções. Viramos um corredor e eu escorrego por estar descalça no chão sem atrito. Callie me ajuda a equilibrar novamente e viramos mais uma esquina na tentativa de despistar Alex.

Corremos até perto da porta do elevador e tomamos aqueles poucos segundos para respirar. Aperto o botão do elevador e olhamos para os lados. Uma gota de suor escorria pela lateral do meu rosto. Aquilo parecia um maldito filme de terror.

Meu pulmão ardia, provavelmente por causa da minha pouca prática de exercícios físicos. Encosto-me à porta e olho para o lado esquerdo enquanto Callie olhava para o direito. Meus olhos arregalam quando lentamente Alex aparece em uma das esquinas em meio às penumbras, cerca de 8 quartos de distância de nós. As portas de metal se abrem e eu empurro Callie para dentro do elevador. A morena me olha, ainda atordoada.

– O que vamos fazer? – pergunta Callie, apertando o botão do terceiro piso.

– Ele deve estar subindo pelas escadas! – rosno, batendo na parede de metal. Viro-me para a morena com meus lábios ardendo por causa das lágrimas. – Estamos sem saída, Callie... – choramingo.

– Não. – diz Callie, colocando as mãos em meus ombros. – Vamos despistá-lo e vamos achar nossos pais, ok? Vamos sair vivas dessa!

– Eu não sei se consigo... – gaguejo, olhando em seus olhos.

– Nós conseguimos! – corrige Callie.

Seus olhos também expressavam medo, mas ela continuava sendo a rocha que sempre era. Oh como eu queria beijá-la, ainda mais que aquilo poderia ser a última coisa que eu faria. Callie engole seco e percebo que seu corpo reagia do mesmo jeito. Mas então a porta de metal se abre e o terror recomeça.

Callie se distancia de mim e coloca apenas a cabeça para fora do elevador para checar. Ela faz um sinal com a mão dizendo que estava tudo bem e saímos ainda temerosas. Diferente do primeiro piso que era iluminado pelas luminárias do pátio, o terceiro era uma completa escuridão. Alex poderia estar a poucos metros de nós que nem faríamos noção daquilo. E isso faz com que Callie entrelaçasse seus dedos nos meus com ainda mais força.

Continuamos a seguir a parede como mapa. E então como obra do bom Destino, as luzes são acesas novamente. Nossa retina queima por causa do brilho repentino e isso nos fazer gemer em dor, enquanto colocávamos as mãos na frente dos olhos. Quando abrimos os olhos, Alex nos encarava no início do corredor, sorrindo. O revólver 38 estava apontado para nós, enquanto a pistola do meu ainda estava no cós de sua calça. Não tínhamos chance.

– Minha irmã não conseguiu fazer, mas eu consigo. – murmura Alex, apontado a arma para Callie. Sem pensar duas vezes eu empurro a morena para o outro corredor.

*BANG*

Um grito e um grunhido rasgam o ar. Meu tríceps queimava com a dor da carne exposta. Olho para meu braço e continuo grunhindo, ao ver o sangue escorrendo pela pele. Callie estava agachada ao meu lado, também analisando o corte da bala de raspão. Procuro por algum ferimento em Callie que justificasse o grito, mas não encontro.

– Foi de raspão! – balbucio, em meio à dor. – Vamos sair daqui! – imploro, colocando a mão para estacar o sangramento. Olho para trás esperando ver Alex nos perseguindo, mas em vez disso o homem passa correndo pelo outro corredor.

Mãe! Não! – ele grita, desesperado.

Eu e Callie nos levantamos e caminhamos até o corredor, sendo aquele o único da rota para sairmos dali. Olho para trás e vejo Alex segurando o corpo de Nicole Herman sem vida em seus braços. Ele não havia a visto atrás de nós e mesmo com a bala pegando de raspão no meu braço a velocidade do projétil não diminuiu. Seu choro era pura dor enquanto ele a embalava, com um buraco no tórax.

– Me desculpe! – implora Alex, tentando estancar o sangramento mesmo que já fosse tarde demais. – Me desculpe, oh! Eu não a vi, oh! Mãe!

Respiro fundo para aguentar minha própria dor e Callie começa a me puxar, enquanto virávamos outro corredor.

Eu vou matar vocês! – o grito de Alex ecoa nos corredores.

E quando empurramos a porta para as escadas, eu olho para trás e avisto Alex andando em nossa direção. Seus olhos estavam avermelhados e completamente cheios de raiva. Um arrepio de medo percorre minha coluna como nunca antes. Eu e Callie seguramos o corrimão e começamos a correr descendo pelos degraus escorregadios. Olho para cima nas escadas em busca de ver o homem nos perseguindo, mas eu não vejo nenhum indício dele.

Quando eu e Callie chegamos aos degraus do primeiro piso, mal conseguíamos respirar. Minhas pernas estavam bambas por causa do pouco oxigênio. “Malditos cigarros!” meu cérebro desesperado grita. Eu respiro fundo enquanto Callie me esperava na porta. Ela implora com o olhar para que eu me apressasse e eu faço isso, colocando-me ereta novamente.

Ela empurra a porta e o que vejo em seguida faz meu coração parar de bater por alguns segundos. Ao empurrar a porta Alex estava a centímetros do corpo da morena. Ele a segura pelo pescoço, sufocando-a com força. Eu não penso duas vezes em tentar reagir, mas ele a gira contra seu corpo e coloca o revólver 38 em sua cabeça.

– Chega de joguinhos, Arizona! – sua voz estava fria como nunca. Ele ainda chorava em silêncio. – Do mesmo jeito que eu acabei de ver minha mãe morrer... vocês verão os pais de vocês. Agora, eu quero que você saia desse maldito prédio! – ele grita, sufocando Callie com seu antebraço.

Ele a puxa para trás, dando-me espaço para passar pela porta. Eu não poderia vê-la morrer. Callie olhava para mim, implorando por ajuda.

– Tudo bem, só não faça isso, ok? – imploro.

– Anda, Arizona! – grita Alex e eu me assusto. Caminho na frente dele e atravessamos a recepção, saindo pelo prédio. Olho por cima do ombro e o vejo revezando a arma em minha direção e na direção de Callie. – Ande até o pátio!

Eu o obedeço sem hesitar. Quando chegamos perto suficiente do pátio percebo três pessoas na grama verde. Duas estavam de joelho e uma em pé. Robert, o que estava em pé, olhava em nossa direção e rosnava baixo. À medida que nos aproximamos percebo os olhos avermelhados de chorar do homem. Ele sabia sobre Erica.

– Elas merecem ver isso! – rosna Alex, empurrando Callie em direção a Carlos e Daniel que estavam de joelhos no chão, como se estivessem prestes a serem executados.

Meu pai olha para mim e um suspiro de alívio sai por seus lábios ao ver que eu estava bem, mesmo depois de tudo. “Onde está a maldita polícia?” meu cérebro brada. Alex me empurra também e eu caio ao lado de Carlos.

– Vocês mataram a minha filha! – grita Robert, apontando sua arma para mim. A raiva dele era evidente. Ele coloca as mãos na cabeça, desesperado. – Onde está Mark? Eu preciso da ajuda dele!

– Ele fugiu. – responde Alex, sem ter coragem de olhar nos olhos do pai. “Alex se sentia culpado” penso. – Ele soltou as duas, porque provavelmente descobriu que eu matei Lexie.

– Droga, Alex! – grita Robert. – A polícia já está a caminho! Tem uns filhos da puta dentro daquele alojamento! Era sua obrigação não deixar ninguém na universidade!

– Olha! Nós sabíamos que essa maldita universidade não tinha inspeção! – grita de volta Alex. Eu e Carlos nos entreolhamos e pela primeira vez o mesmo pensamento passou por nossa mente. – E têm vários alunos que não têm onde morarem! É claro que eles ficariam aqui!

– Os matasse então! Era para você ter checado os quartos enquanto os quatros estavam desmaiados! Esse era o seu único trabalho!

– Eu chequei!

– Não é o que parece! – grita Robert, apontando para Alex.

Enquanto isso, por cima do ombro, eu observo a fita adesiva enrolada nas mãos de Carlos. Tento com a ponta dos meus dedos puxá-la para que ele pudesse se livrar.

– Você é um imprestável! – grita Robert.

– Pai... – suspira Alex, em dor.

– Onde está sua mãe? – pergunta Robert, olhando em direção aos alojamentos. – Ela foi procurar por você para terminarmos com isso e fugirmos!

Alex abaixa a cabeça e não responde. Em primeiro momento Robert não percebe a atitude do homem, mas ao ver sua quietude franze o cenho. Um suspiro de raiva sai por meus lábios ao ver que nada acontecia com a fita adesiva, pois eu precisaria usar os meus dentes para rasgá-la. Robert me olha e eu decido então colocar outro plano em prática: enrolação.

– É... Alex... por que você não diz onde sua mamãe está? – pergunto, dando um sorriso sarcástico mesmo morrendo de medo.

– Cala a sua boca, puta! – grita Alex, apontando a arma para mim.

– Onde está Nicole? – pergunta Robert, encarando Alex.

– Foi um acidente... eu não a vi... a bala pegou de raspão no braço de Arizona e...

– Oh, não! – grita Robert, colocando as mãos na cabeça.

O homem explode e parte para cima de Alex, segurando-o pela gola de sua blusa social que já estava toda amassada e suja do sangue de sua esposa.

– Pai! – choraminga novamente Alex. – Pare!

– Seu filho da mãe! – grita Robert. – O que vou fazer agora? Não! Não! Não! Por favor, não! Minha Nicole não! – diz, entregando-se as lágrimas e soltando a blusa de Alex. – Isso não tem razão se ela não estiver aqui!

– Eu não tinha a intenção! – grita Alex, também chorando. – Ela apareceu do nada!

– Está tudo dando errado! – sussurra Robert. Vejo as pupilas do homem dilatadas por causa da adrenalina enquanto ele puxava os cabelos. – Está tudo dando errado! – grita, gesticulando em desespero.

– Pai, por favor, se acalme! – pede Alex. Percebo por cima do ombro que meu pai também tentava se livrar da fita adesiva. – Ainda podemos dar um fim nisso!

– Eu não quero mais isso! – diz Robert. Sua expressão estava pálida e de repente ele estava tranquilamente sério. – Eu fiz isso para que eu e ela tivéssemos vingança, mas de nada adianta agora. Eu não quero um mundo sem a minha Nicole!

– Não! – grita Alex.

E em um piscar de olhos Robert levanta a arma na lateral da cabeça e puxa o gatilho.

*BANG*

O homem cai diretamente no chão com o impacto do tiro à queima roupa. Um grito sai por meus lábios ao ver a quantidade de sangue misturando com o líquido encefálico de Robert, ao lado de seu corpo. Alex continua congelado no lugar que estava, segurando a arma nas mãos trêmulas.

– Não, pai! – grita Alex, agachando-se ao lado do corpo sem vida. Um grito de raiva rasga a garganta de Alex e ele mira a arma para mim.

– Não! – eu imploro, mas era tarde demais.

*BANG*

Um choque profundo corta o meu corpo. Eu olho para baixo e vejo a grande quantidade de sangue saindo de meu joelho e escorrendo por minha perna esquerda. Um grito de dor sai por meus lábios e eu levanto o olhar e vejo Alex apontando a arma para mim novamente...

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CALLIE PDV

*BANG*

Meu estômago revirava, por causa da adrenalina excessiva. Eu estava taquicardia e minha cabeça doía tanto que eu mal conseguia pensar. E tudo piorou quando eu ouvi o grito de dor sair pelos lábios de Arizona. Meu corpo congela quando ela cai para o lado, com uma mancha vermelha se espalhando pelo joelho de sua perna esquerda. Alex mira novamente para ela.

– Arizona! – eu grito, tentando me levantar imediatamente.

– Fique quieta aí! – grita de volta o homem, apontando a arma agora para mim. Meu pai, em um ato de desespero se levanta, para tentar atacá-lo.

*BANG*

Meu coração aperta ao ver a quantidade de sangue espalhando pela farda de meu pai. Eu tento gritar, mas continuo paralisada ao vê-lo cair no chão, com a mão na barriga. Levanto, sem pensar duas vezes, e me agacho ao seu lado, colocando pressão contra a ferida. Meu pai grunhia em dor. Eu piscava descontroladamente, sem saber o que fazer. Arizona também gritava, segurando seu joelho.

– Pai, por favor, aguente firme! – eu imploro, com as lágrimas escorrendo por meu rosto.

Carlos me olha e faz um afirmativo com a cabeça, enquanto tentava engolir a dor. Procuro pelo buraco de saída da bala e o vejo em suas costas. Suspiro, um pouco aliviada, ao ver que o projétil não estava em algum órgão. Coloco as mãos de meu pai sobre o ferimento e analiso Arizona, que ainda estava em meio à dor do outro lado.

Ponha a arma no chão, Alex! – a voz de Mark ressurge atrás do homem. Eu levanto o olhar e vejo Mark apontando uma arma para seu “irmão”. – Ninguém mais vai morrer hoje!

– Nosso pai, nossa mãe e nossa irmã estão mortos! – grita Alex, apontando para Robert morto no chão. Ele mira a arma para o ruivo. – Como pôde virar-se contra nós? Como pode virar-se contra mim?

– Eu nunca fui a favor de mortes! – responde Mark. – Se eu queria me vingar por nosso pai? Sim, mas não se vinga tirando a vida de outras pessoas e eu percebi isso tarde demais! Eu estava dentro do meu carro indo embora e percebi que se deixasse você e a sua psicose mais pessoas acabariam mortas. Agora solte essa arma, Alex e vamos embora daqui! A polícia está chegando, eles já estão na avenida. – diz Mark, abaixando a sua arma primeiro para dar confiança a Alex. O homem o estuda, hesitando. – Está vendo? Eu não quero lhe machucar, Alex. Podemos fugir e nunca mais veremos esse lugar novamente. Por favor, vamos embora, irmão!

– Irmão? – repete Alex, com a voz fria. – Você nunca foi meu irmão!

*BANG*

Pisco e vejo o tiro rasgar o peito de Mark. O ruivo cai para trás, com a mão no local do tiro. Era tantas mortes, tanto sangue que minha mente estava em um constate nó. Meu estômago revirava por causa da adrenalina e tudo o que eu queria era vomitar. Ao fundo escuto o barulho das sirenes e isso faz com que Alex fica ainda mais desesperado.

Percebo por cima do ombro, Arizona colocar peso sobre uma perna e não tenho tempo de gritar para ela não fazer aquela estupidez. Aproveitando que Alex estudava o corpo do irmão morto, Arizona ergue-se para pular em cima do homem. Alex, com um bom reflexo, ainda consegue puxar o gatilho.

*BANG*

Um grito de dor sai pelos lábios de Arizona, mas ainda assim ela cai por cima do homem, que deixa a arma escapulir para o lado. Eu aproveito a oportunidade e rasgo, com a boca, a fita adesiva das mãos de Daniel que estava ao meu lado.

Arizona e Alex estavam em uma constante briga e o homem ganhava por causa da falta de forças da loira. Daniel, desesperado pela filha, rasga a fita dos tornozelos e se coloca de pé, já correndo em direção da arma. Apenas o vejo levantá-la e então Alex olhar para ele.

*BANG*

Um tiro acerta o meio da testa do assassino que cai ao lado do corpo de Arizona. A mulher mal conseguia respirar e estava pálida por causa da perda de sangue. Estudo meu pai e vejo que sua situação estava mais estável e que sua respiração ainda estava compassada.

Corro até Arizona e olho o ferimento grave em sua perna. O segundo tiro havia pegado um pouco mais em baixo, piorando ainda mais o estado de seu membro esquerdo. Ela estava perdendo muito sangue. Coloco minhas mãos sobre o ferimento e um grito sai por seus lábios.

– Calliope... – ela gagueja, em meio a dor.

– Acabou Arizona! – digo, olhando para Alex que estava com os olhos abertos, porém morto. – Acabou!

– Precisamos levá-los para o hospital! – diz Daniel, agachando-se e pegando a filha nos braços, mas ele não precisou fazer muito, pois o barulho das sirenes ficou ainda mais forte. Um suspiro de alívio sai por meus lábios.

Uma série de viaturas adentra na rua da universidade e freiam bruscamente ao nos ver. Corro novamente até meu pai e fico ao seu lado até que dois médicos vêm em nossa direção. Eu me levanto, ajudando-os a colocá-lo na maca.

Meu corpo, que antes estava mergulhado na adrenalina, foi ficando cada vez mais fraco. Sinto braços fortes me envolverem e eu olho para cima, encontrando os olhos de um enfermeiro me segurando. E antes de tudo se apagar, eu vejo Daniel carregando o corpo mal vivo de Arizona para dentro de uma ambulância.

Notas finais
Mais mortes por aí? Alguma complicação no hospital... ou... já chega? hahahaha ~voz maléfica da Shonda~ tudo é possível... ~voz maléfica Shonda~ Deixem seus comentários, ideias, xingamentos e opiniões sobre a história. :D