Notas iniciais
Humm... é hoje? Talvez... Obs: Recomendo que ouçam a música Braveheart da Neon Jungle quando Alex começa a distribuir as cartas. E me perdoem por qualquer erro de português.

CALLIE PDV

O silêncio reinava no campus da universidade. O cheiro da relva de manhã era algo que poucas pessoas aproveitavam no início do dia. Com uma boa música no meu MP4, eu fazia minha corrida curta no perímetro universitário. Por razões que eu não sabia, eu acordei antes das cinco horas da manhã em uma sexta-feira. E para evitar ficar revirando na cama eu decidi liberar toda aquela energia que estava armazenada.

Como não havia nenhuma outra alma sequer no pátio, eu me sentia bem em correr com um short curto e uma camiseta. Correndo através das árvores, eu cantarolava o refrão da música.

Olá... – uma voz rouca cantarola no meu lóbulo esquerdo.

– Jesus Cristo! – grito. Eu automaticamente me assusto, dando alguns passos para o lado. Arizona Robbins segura uma risada e eu respiro fundo para tentar controlar meus batimentos cardíacos.

– Não, é Arizona Robbins! – provoca a loira, mostrando suas covinhas. Eu reviro os olhos e analiso a roupa de ginástica que ela usava.

– O que você está fazendo? – pergunto, começando a correr novamente.

– Correndo? – responde Arizona, como se fosse óbvio. A loira começa a correr ao meu lado também sem ao menos perguntar se eu queria companhia. – Eu vi você correndo e decidi me juntar a você.

– Hum... – cantarolo, tentando não dar muita atenção.

– Eu posso correr com você? – pergunta Arizona, diminuindo o ritmo até parar. – Porque se você não quiser, tudo bem. A universidade é grande o suficiente para nós duas.

Eu paro de correr e analiso sua expressão calma. Arizona ergue uma sobrancelha esperando pela resposta e eu me questiono o que a fez mudar de atitude, de arrogante para... simpática.

– Tanto faz... só não me atrase. – resmungo, voltando a correr. Segundos depois, ouço passos ao meu lado e o calor exalando de seu corpo.

– Então... desde quando você corre? – pergunta a loira.

– Eu faço isso todas as manhãs. – respondo, virando a esquina em direção à outra rua que era a do refeitório e da lavanderia.

– Isso é bom... saudável. – diz. Eu analiso por cima do ombro a fadiga da mulher e seguro um sorriso. Decido diminuir o ritmo para ajudá-la na respiração.

– Algo me diz que você começou agora.

– Está tão óbvio assim? – pergunta Arizona, dando uma risadinha. Eu tento evitar, mas não resisto em rir também.

– Um pouco. – respondo.

Ficamos em silêncio enquanto corríamos. Eu ainda estranhava o fato da loira parar de fazer comentários idiotas tentando puxar assunto. Talvez ela finalmente tivesse entendido que eu não queria conversar com ela. Vejo-a observar as árvores como se nunca tivesse visto-as daquele jeito.

– O cheiro é bom. – diz a loira, analisando a relva.

– Eu gosto do cheiro. – respondo, inspirando fundo. – Poucas pessoas já sentiram.

– A maioria ainda está de ressaca. – responde Arizona, dando uma risadinha. Eu franzo o cenho, porque ela é aquele tipo de pessoa.

Depois de mais alguns minutos em silêncio, decido apertar o passo, sabendo que meu tempo de corrida estava chegando ao fim.

– Talvez eu devesse parar de fumar. – diz Arizona, parando de correr para respirar. – Ouvi dizer que faz mal à saúde.

– Não gosto muito de fumantes. – retruco, diminuindo meu ritmo de corrida. Eu suspiro, sabendo que ela iria me atrasar.

– É... eu também passei à não gostar. – responde a loira. – Me desculpe... você pode continuar. Eu estou apenas lhe atrasando.

Viro-me totalmente e vejo seu olhar de súplica. Rosno, sabendo que a mulher tentava bancar a boa samaritana. Olho no meu relógio de pulso e vejo que já era próximo das 06h30min e em poucos minutos o campus começaria a ficar movimentado. Ignoro a voz azucrinante que particularmente odiava Arizona Robbins e paro de movimentar parada.

– Vamos comprar uma garrafa de água. – digo, apontando para o refeitório. A mulher fica séria por alguns segundos e depois faz um movimento banal com a mão.

– Não, obrigada. Eu estou bem.

– Tem certeza? – pergunto, desconfiada. – Você parece que está morrendo e sequer corremos meia hora.

– Não sou uma garota esportiva. – responde Arizona, rindo. – Pelo menos não nesse tipo de esporte.

Reviro os olhos enquanto escutava a risada rouca da mulher. “Estava demorando para que a velha Arizona voltasse...” meu cérebro critica. Viro-me e começo a correr em direção aos alojamentos femininos.

Te vejo no laboratório? – grita Arizona, atrás.

– Tenho outra escolha?! – respondo, sem olhar para ela.

Perdida em pensamentos, eu jogava uma ervilha de um lado para o outro no prato. Os barulhos das conversas ao redor passavam despercebidos por meu cérebro que nem ousava em processá-las.

– Terra chamando Callie. – a voz de Addison ressurge ao meu lado. Eu dou um sorriso de lado e a ruiva senta em sua cadeira na minha frente – Tudo bem?

– Sim. Só um pouco de dor de cabeça. – respondo, mordendo em um pedaço de cenoura. E não era mentira, minha cabeça me incomodava desde cedo.

– Você não vai acreditar em quem veio conversar comigo hoje. – diz Addison, dando um sorriso malicioso.

– Quem? – pergunto, fingindo uma pequena animação.

– Teddy Altman. – responde a ruiva, apontando com a cabeça para uma mesa do outro lado do salão. Teddy estava junto com Arizona, Mark, Alex e George e eles riam intensamente sobre alguma coisa que Arizona dizia.

– E... – suspiro. Addison arqueia uma sobrancelha e eu dou uma risadinha. – Não vai me dizer que ela fala monólogos da vagina também.

– Eu ouvi rumores que sim. – murmura Addison.

– E você vai se certificar, huh? – pergunto, dando uma piscadela maliciosa.

– Mas é claro! – responde a ruiva, dando de ombros. – Ela é quente! E eu tenho que admitir que todo aquele grupo ali é!

– Sério? – resmungo.

– Sim! Mark e Alex eu já me certifiquei. – diz Addison, se gabando. Lanço-a um olhar de soslaio, me lembrando de quando ela e Mark se pegaram em uma festa aleatória. – Ainda falta George, Teddy e Arizona.

– Arizona não vai ser um alvo difícil. – completo, rindo.

– Hum... sinto um pouco de ciúmes nessa fala?

– Ciúmes? – retruco, surpresa. – Sério? Por que eu teria ciúmes logo dela?

– Eu não sei. Parece um desejo reprimido. – responde Addison, dando uma risada alta. Eu paro de comer e aponto o garfo de plástico para ela.

– Para! – rosno, séria. – Não estou brincando!

– Ok... me desculpe! – retruca a ruiva, erguendo as mãos em sinal de rendição. – Eu apenas estou dizendo, Callie... você precisa de sexo! Tipo... urgentemente!

– Argh... eu sei. – sussurro, revirando os olhos.

– Acho que posso tentar resolver isso para você hoje. – responde Addison, sorrindo.

– Oh, não! – digo, negando com a cabeça rapidamente. – Quando você fala assim não vai dar certo! Nada disso!

– Qual é... apenas uma festinha! – implora Addison.

Alguém disse festa? – a voz de Mark ecoa ao meu lado. O homem sorri, interessado na conversa. Olho, por cima do ombro, que a mesa que antes frequentava já estava vazia.

– Acha que o seu dormitório pode ser um esconderijo para nós hoje? – pergunta Addison, mordendo o lábio inferior sensualmente para o homem.

– Querida, eu estou com a Lexie. – responde Mark, em forma de um gemido.

– Eu sei... mas eu não vou lá para reviver o passado. – retruca, dando um peteleco na cabeça do homem. – Precisamos de álcool no sistema depois que a festa de Derek não foi lá uma das melhores.

– Eu posso conversar com Alex. – responde Mark, dando de ombros. – Tenho certeza que ele vai querer.

– Como vamos fazer isso se homens e mulheres não podem ficar no mesmo quarto depois das 23 horas? – pergunto, querendo ser realmente estraga prazeres.

– Querida... você realmente tem que aprender muito ainda. – retruca Mark, dando uma piscadela maliciosa para mim. – Apenas achem um jeito de passar pela portaria do feminino e deixem o masculino comigo. Estejam no meu quarto às 23h30min. E levem a garrafa de Gatorade. – diz o homem, caminhando em direção à saída.

– Pode deixar! – cantarola Addison, fazendo uma dança animada. – Viu? É assim que se faz quando se quer beber.

– E o que lhe fez pensar que vou? – provoco-a.

– Oh, Calliope Iphegenia Torres... – rosna Addison, cerrando os olhos para me intimidar. – Você vai sim!

Adentro no laboratório, tentando equilibrar os livros em minhas mãos. A professora Lauren Boswell andava pela sala, distribuindo um microscópio e uma caixa de lâminas para cada aluno. Alguns usavam máscaras cirúrgicas e luvas látex. Já com dois microscópios em cima da minha mesa, eu jogo meus livros com cuidado em busca de não derrubá-los, e isso faz Arizona, que já estava sentada em sua cadeira, me olhar desconfiada. E o fato de ser a última aluna a entrar, Lauren não perdeu tempo em começar a aula.

– Boa tarde. – diz Lauren, em frente à sua mesa. – Eu disse na última aula que hoje estudaríamos tecidos danificados por células cancerígenas. Hoje faremos isso através de microscópios. Em duplas, vocês devem organizá-las em uma tabela de benigno e maligno, além de identificar qual célula é e o diagnostico. Vocês têm toda a aula e isso valerá créditos.

Vejo Arizona resmungar baixo com o último detalhe. Ela puxa o microscópio para perto de si e coloca uma lâmina, ajustando-o para a objetiva de 40x. Eu faço o mesmo e analiso o tecido retirado de uma cartilagem.

– Eu amo ossos... – suspiro, com um sorriso bobo enquanto terminava de concluir que se tratava de um Sarcoma.

– O que? – pergunta Arizona. – Você disse alguma coisa?

– Eu amo ossos. – repito mais alto e um pouco envergonhada.

– Então vai querer fazer ortopedia? – pergunta a loira, com um sorriso amigo.

– Ainda tem muito tempo para tomar uma decisão como essa, mas... sim! Eu adoraria fazer Orto. – respondo, sorrindo. – E você?

– Oh... eu... – gagueja, engolindo seco. – Eu ainda não sei. – diz Arizona, sem graça. – É como você disse... ainda falta muito tempo.

– É...

– Eu acho que é Sarcoma, certo? – pergunta Arizona, apontando para a lâmina. – Maligno.

– Sim. – respondo, escrevendo em um papel ao lado. – Você faz o diagnóstico ou eu?

– Se quiser.

– Ok. – sussurro, escrevendo rapidamente na folha de respostas. Arizona enquanto isso trocou a sua lâmina pela próxima e depois fez o mesmo no meu microscópio. – Obrigada... – digo.

– De nada. – responde a loira. Ela estuda lâmina por alguns segundos antes que eu fizesse o mesmo.

– Carcinoma? – pergunto, mesmo tendo certeza do que via no tecido epitelial.

– Sim. É maligno. – murmura a loira. – O diagnóstico é através de uma lesão e com uma evolução lenta. O único tratamento é uma cirurgia.

– Ou radioterapia. – completo. Mordo a língua ao ver que acabara de corrigi-la. Arizona dá um sorriso forçado e escreve no papel respostas.

Continuamos daquele jeito até terminarmos antes que qualquer outra dupla chegasse perto disso. Pude perceber que às vezes a loira tinha dúvida no que responder, e conclui que talvez fosse por sua falta de estudo. Porém, eu continuei com a minha política de não me meter na vida dos outros. Meredith e Cristina estavam em constante briga com uma lâmina e Alex paquerava Izzie que ria sem parar. Olho ao redor até que percebo que Arizona me estudava intensamente.

– O que? – pergunto, confusa.

– Você vai ao quarto de Alex hoje? – pergunta a loira.

– Você está me convidando ou me repreendendo? – retruco, cerrando os olhos.

– Depende do seu ponto de vista. – responde Arizona, calmamente.

– Eu estou considerando o fato. – digo, olhando através da janela para fugir daqueles olhos azuis intensos. Ouço uma risada rouca ao meu lado e me viro para ver Arizona sorrindo e olhando para baixo. – O que é engraçado?

– Você. – responde a loira, levantando o olhar. – Seu jeito de falar... seu jeito de agir. É... meio que... único. – completa, dando outra risadinha sem graça.

– Devo levar isso como um elogio?

– Sim. – murmura Arizona, dando de ombros. Eu seguro um sorriso para não demonstrar minha pequena satisfação com aquilo.

Sra. Boswell veio à nossa mesa para ver porque não estávamos trabalhando. Olhou sobre nossos ombros e viu o trabalho concluído. Mesmo que indiretamente eu percebo uma troca de olhares entre Arizona e a professora, que ergue a sobrancelha como resposta.

– Muito bem. – elogia Lauren, pegando a folha de respostas.

O silêncio reinou entre nós duas. Olho no relógio e vejo que era próximo das 19 horas e ainda havia mais cinco minutos de aula restantes. Arizona pega sua caneta e começa a rabiscar uma ponta de seu caderno. Fora um dia cansativo e apenas a primeira semana de readaptação. Provavelmente todo o trabalho pesado ainda estava por vir.

– Então... – cantarola Arizona, tentando puxar assunto. – Você tem irmão ou irmãs?

– Uma irmã. – respondo, tentando ser educada mesmo que o tópico família não fosse um dos meus preferidos.

– Mais nova?

– Sim. Cinco anos.

– Oh... deve ser um saco. – diz Arizona, sorrindo.

– Oh, acredite, ela é! – retruco, concordando fortemente.

– E seus pais? – pergunta, querendo mesmo forçar aquela conversa.

– Eu não quero ser rude, Arizona, mas eu não quero falar sobre isso. – murmuro. A loira me estuda por alguns segundos e dá de ombros.

– Me desculpe. – suspira, erguendo as mãos em rendição. Um sorriso de lado nasce aos poucos enquanto seus olhos azuis me estudavam de novo. – É que... eu estou interessada em você.

Minha garganta ficou seca instantaneamente. Dou uma risadinha sem graça para tentar evitar meu espanto e para que a minha parte racional voltasse a funcionar.

– Não é uma piada, Calliope. – repreende Arizona. Meu corpo rapidamente responde ao ouvir meu nome sair dos lábios da loira. “Jesus... o sotaque forçado...” meu cérebro grita, gostando.

– Espera! – sussurro, assustada. – Como você sabe meu nome completo?

– Eu... hãm... – gagueja Arizona, sem saber o que falar. Ela engole seco duas vezes e eu continuo encarando-a. – Está... hãm... está escrito no seu livro!

– Que livro? – pergunto, cruzando os braços na frente do corpo. Arizona abre a boca, pensando em alguma resposta.

– Hãm... aquela vez que a gente se trombou. Eu vi em um livro. – responde a loira, imediatamente.

– Você não chegou a abrir meu livro. – retruco, convicta.

– Ele caiu aberto. Eu fechei e lhe entreguei. – responde Arizona, com um olhar firme. – E então você o pegou, bruscamente, e saiu entre os alunos. – diz. Seus olhos azuis me intimidavam como se quisessem implantar a verdade.

Estudo-a arduamente. Lauren naquele exato momento termina a aula e todos se levantam de suas mesas. Alguns ainda lutavam para conseguir mais alguns minutos para terminar o trabalho e outros entregavam a folha com respostas. Arizona não desviava o olhar, em busca de não se mostrar intimidada por mim. Eu rosno e pego meus livros em cima da mesa, com a minha típica de reação de fugir de situações.

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ARIZONA PDV

Em frente ao espelho eu terminava de passar uma escova por meus cabelos. Teddy lutava por espaço comigo, tentando colocar um par de brincos nas orelhas. Sento-me na minha cama para terminar de colocar meu par de saltos-alto.

– Você vai tentar algo hoje, Casanova? – provoca a loira, enquanto passava um batom avermelhado nos lábios para combinar com a sua blusa. Meu short jeans e camiseta eram meus melhores amigos naquele tipo de festa.

– Até você vai começar a me chamar de Casanova? Sério? – resmungo, me colocando de pé.

– É o que você é, senhorita. – provoca ainda mais Teddy, fazendo algo parecido com uma reverência. Eu reviro os olhos e caminho até o guarda-roupa para pegar um batom.

– Eu não sei... aquela mulher é...

– Estranha? Você já disse isso. – completa Teddy, dando-me espaço no espelho.

– Não. Ela é... solitária. – respondo, franzindo o cenho. – Você já a viu com outra pessoa que não seja a Addison?

– Eu já a vi com Mark, mas... – sussurra Teddy, fazendo uma cara de “ele está do nosso lado”. – Ela costumava andar também com April e Jackson.

– Eu sinto falta de Jackson conosco. – digo, dando uma risadinha. – Oh, aquele homem sabia beber!

– Eu concordo. – responde Teddy, sorrindo.

Terminamos de nos arrumar e saímos do quarto, guardando nossos cartões no bolso de trás de nossos shorts. Já era próximo das 00h00min. Com uma garrafa de enxaguante bucal na minha mão direita, eu sabia que poderia ser expulsa por estar com bebida alcoólica dentro da universidade.

Olhamos para os lados em busca de alguma inspeção que nunca acontecia. Caminhamos com cuidado e pegamos a escada em vez do elevador. Ao chegarmos na portaria, Olivia lia atentamente o que parecia ser uma versão de bolso de Cinquenta Tons de Cinza. Eu e Teddy seguramos uma risada com a expressão de vergonha da mulher.

Olivia se levanta e vai até dentro da pequena sala atrás do balcão. Eu e Teddy não perdemos tempo e corremos porta a fora antes que ela voltasse.

– Isso foi ótimo! – murmura Teddy, rindo enquanto caminhávamos pela sombra dos prédios até o alojamento masculino C.

– Olhe só... Teddy Altman gostando de quebrar regras. – provoco e a loira revira os olhos.

– Já deveria estar acostumada. – responde. – Mas, continue me falando... como foi hoje na aula do laboratório?

– Ela me corrigiu e eu odeio quando as pessoas fazem isso. – rosno, virando a esquina do alojamento B. – Além que ela vivia sempre querendo parecer a mais inteligente. E eu quase pisei na bola quando disse o nome completo dela.

– Por que você fez isso? – pergunta Teddy, me dando um tapa na nuca.

– Ai! Foi sem querer! – rosno. – Quando vi já havia saído por minha boca!

– Você é realmente uma anta! – retruca a loira.

Paramos de andar quando chegamos em frente ao alojamento masculino C. Nos entreolhamos ao perceber que não havia ninguém na portaria daquele prédio. Dando de ombros, nós atravessamos o tranquilamente e nos atrevemos até pegar o elevador para o terceiro andar. Saímos do cubículo e caminhamos até a porta 347. Podia-se ouvir a música eletrônica moderada por baixo da porta. Eu bato duas vezes, sabendo que aquele era nosso sinal. Não demora muito para que Alex aparecesse abrindo a porta.

– Casanova! – grita o homem, segurando um copo na mão.

Eu sorrio e abraço Alex. Teddy faz o mesmo e adentramos no quarto. Mark e Addison estavam sentados na cama de Alex e Callie estava sentada na cama de Mark. Cumprimento todos rapidamente e me sento, longe por início, na mesma cama que Callie.

– Oi... – cumprimento-a separadamente.

– Oi. – responde a morena, com um copo já na mão. Entrego a minha garrafa de enxaguante bucal para Alex que a coloca em cima da sua escrivaninha onde havia copos e outras garrafas disfarçadas.

– Então essa é a “festa”? – pergunto, fazendo uma careta com a quantidade de pessoas.

– Qual é... você sabe que não podíamos convidar todo o alojamento, tem dedo duros por todos os lugares. – responde Mark, bebendo um gole de um líquido que parecia Tequila.

– Além que quanto menos pessoas, melhor... – completa Alex, apontando a cabeça disfarçadamente para Callie.

Eu sorrio, concordando e levanto para pegar um pouco de bebida pra mim. Talvez o álcool me ajudasse a paquerar, coisa que há muito tempo eu não precisava fazer.

– De quem foi a ideia do livro de Cinquenta Tons de Cinza para a Olivia? – pergunto, tomando um tiro de Tequila. O álcool sequer tinha ardência na minha garganta, mas mesmo assim um gemido sai por meus lábios.

– Minha. – responde Addison, dando uma risada rouca.

– Foi uma boa ideia. – murmura Teddy, sorrindo para a ruiva.

Eu entrego um tiro para minha amiga loira e dou uma piscadela maliciosa para ela, incentivando-a a continuar o que estava fazendo. Caminho até a cama de Mark e me sento ao lado de Callie para observar os quatro conversando.

– Isso está tão animado! – minto, começando um assunto. – Uh! Quero dançar a noite toda! – provoco e faço pelo menos a morena rir.

– Geralmente as minhas festas envolvendo livros são mais animadas. – responde Callie, bebendo um gole de cerveja. Vejo a morena olhar para o celular e em seguida o guardar no bolso.

– Esperando a ligação de alguém? – pergunto. A morena dá um sorriso triste e faz um movimento banal com a mão para que eu me esquecesse de aquilo. “Que droga!” meu cérebro rosna.

Ficamos daquele jeito por longos minutos. Teddy e Addison engataram em uma conversa com Mark e Alex. Eu já havia contado cada listra das persianas da janela, em busca de algo para fazer, porque a cada assunto que eu começava com Callie ela respondia duas sentenças e terminava com ele. Porém, pelo menos, ela não parava de beber e isso já era um ponto para mim no final da noite.

– Quer saber? Acho que deveríamos jogar cartas, o que acham? – convida Alex, abrindo uma gaveta e tirando duas embalagens.

– Não estamos em um cassino, idiota. – retruco, bebendo um gole de cerveja. – Não temos sequer fichas.

– Daremos um jeito. – murmura Alex, puxando uma mesa para o centro do quarto.

– Quais vão ser as apostas? – pergunta Mark, sentando-se de um lado. Teddy e Addison fazem o mesmo. E por incrível que pareceu, Callie não questionou e rapidamente se juntou a eles. “Bendito álcool!” meu cérebro comemora. Alex me puxa para o outro lado da mesa.

– Que tal... nossas roupas? – oferece Addison, mordendo o lábio inferior. Os homens se entreolham e concordam rapidamente ao verem que havia mais mulheres.

– O que vamos jogar? – pergunta Callie, do outro lado.

– Pôquer. – respondo, dando um sorriso de lado. – Stripper Pôquer.

Vejo a mulher me encarar diretamente. Seus seios estavam arqueados por causa de sua respiração irregular e só agora eu percebo como eles eram lindos. Callie pega seu cabelo negro longo e o amarra em um coque, deixando uma extensa área de pele morena à vista. “Ela está me provocando?” meu cérebro questiona. Alex pega as cartas e espalha pela mesa.

– Quais são as regras? – pergunta Callie.

– O jogo só para quando alguém ficar nu. – responde Alex. – Quem ganhar a rodada, escolhe uma pessoa para retirar uma peça de roupa. Concordam?

– Sim. – respondemos em coro.

O jogo começa quando Alex distribui duas cartas para cada. Ele seria jogador e distribuidor ao mesmo tempo. Na minha mão estavam dois oitos de espadas. Todos pareciam contentes com as cartas em mão, então passamos para a segunda parte do jogo. Alex retira três cartas do monte e as vira na mesa. Era um Rei, um quatro de ouros e um sete de paus.

Os jogadores se entreolham, decidindo se desistiriam ou não daquela mão. Valeria tirar uma peça de roupa por aquilo? Eu estudo Callie que olhava atentamente para as cartas em mãos e para as outras em cima da mesa. Ninguém parece desistir e o jogo continua. Alex retira outra carta e a vira para a mesa, colocando ela ao lado das outras. Era um Rei de espadas.

Um sorriso fraco nasce no meu rosto, com finalmente a sorte ao meu favor. Outra rodada vem e Alex coloca dessa vez um Rei de ouros na mesa. “Isso aí!” meu cérebro comemora. Um por um, todos vão colocando suas cartas na mesa.

A regra era que as duas cartas da sua mão complementasse o jogo na mesa. Teddy e Mark não tinham nada. Alex e Addison tinham dois pares. Callie sorri e mostra uma Quadra. Eu retribuo outro sorriso e jogo um Full House na mesa. Alex e Addison dão um grito de alegria e Callie rosna.

– Quem vai dar as honras, Arizona? – pergunta Alex, bebendo um gole de sua bebida.

– Callie. – respondo, ainda olhando para a morena. Ela sorri, já sabendo que eu a escolheria. Callie pega na bainha de sua blusa e a puxa por seu pescoço.

Eu engulo seco ao ver a pele quente e macia de seu estômago e seios apertados em um sutiã preto. Ela joga o tecido para trás, em cima da cama.

– Uh... isso começou bem! – comemora Alex, esfregando as mãos. – DJ! Aumente o som! – grita o homem, apertando no botão de volume de seu MP4 conectado à uma caixa. E aquela foi a primeira vez que Callie Torres me olhou diferente.

As horas pareciam estar voando. Nem ao menos parecia que tínhamos aula no Sábado cedo, mesmo que fossem apenas para completar créditos. Callie ria como nunca, com provavelmente o álcool falando por si. “Mais um ponto para você” meu cérebro comemora ao ver o quanto seria fácil daquele jeito.

Eu tentava evitar, mas minhas bochechas coradas diziam a verdade. O olhar de Callie Torres em cima da mim estava me excitando. Depois de perder meu short e camiseta, a mulher analisava, sem sutileza, cada área da minha pele branca. E eu respondia do mesmo jeito, com água na boca ao estudar seus seios apertados e abdômen.

– Talvez você devesse parar de comê-la com os olhos... – sussurra Teddy, ao meu ouvido.

Eu ignoro a loira e continuo com o olhar fixo em Callie. Pouco me importava minhas cartas, porque aquela mulher estava respondendo à minha provocação. Um sorriso pervertido nasce aos poucos em seus lábios enquanto ela mudava as cartas de lugar em sua mão. Eu engulo seco e tento concentrar no meu jogo. Mas, novamente, volto a olhar por cima das cartas e vejo seu olhar em mim. “Você já está bêbada demais” meu cérebro nublado rosna.

– E quem você escolhe para tirar a roupa, Teddy? – pergunta Alex, depois de uma rodada que eu sequer sabia qual era.

– Callie! – grita minha amiga, levantando o copo para cima. – Você e Arizona são a únicas aqui com mais roupas, então...

Alex, provavelmente por estar bêbado demais para ver as cartas, estava apenas de cueca e meias. Addison estava apenas com a blusa e calcinha, depois de trapacear e retirar o sutiã primeiro. Mark estava de calça, por ser o mais sóbrio dali e Callie estava de sutiã e calça.

A morena revira os olhos e se levanta parar tirar sua calça. Eu analiso o tecido jeans descer por suas pernas tonificadas. Pela primeira vez agradeço o fato dela fazer caminhadas pelas manhãs, porque aquelas pernas... meu Deus. Eu balanço a cabeça, tentando voltar para o jogo, mas era quase impossível. Aquela calcinha fina ainda rondava por minha mente.

– Terra chamando Arizona... – grita Addison, me dando um empurrão de leve. – Pare de viajar nas curvas de Callie e pegue suas cartas.

Eu coro institivamente enquanto os outros riam. Callie me observava, sorrindo vitoriosa. Ela mordia o lábio inferior enquanto estudava as cartas e pela primeira vez eu sinto um aperto em minhas entranhas. O jogo continuou por mais alguns minutos até na rodada que Alex foi obrigado a retirar as meias.

– Teddy? – chamo a loira que estava quieta de repente. Ela estava pálida e eu já sabia o que aquilo significava. – Oh... não... – e antes mesmo que eu pudesse avisar Addison, a loira vira para o lado e um líquido amarelo sai por seus lábios.

– Oh meu Deus! – grita Addison, assustada e com as mãos para o ar, enquanto Teddy continuava. Mark e Alex, bêbados, começam a rir. Eu queria fazer o mesmo, mas decido ajudar minha amiga naquela situação embaraçosa. Callie também se levanta e puxa Addison para um lado.

– Oh, me desculpe! Me desculpe! – implora Teddy, cambaleando para um lado.

– Isso que dá não se acostumar com o álcool. – provoco, ajudando minha amiga a ficar de pé. Callie ria e ao mesmo tempo retirava todo o vomitado do colo de Addison que tentava fazer a cara mais educada possível.

– Está tudo bem... – sussurra a ruiva, pegando uma peça de roupa aleatória no chão para se limpar.

– Não! – grito, mas era tarde demais. Ela para, mas o tecido já estava sujo. – Essa era a minha camiseta. – choramingo, dando um sorriso forçado. Eu reviro os olhos e visto meu short para ajudar Teddy a colocar sua roupa.

– Eu acho que a festa acabou. – choraminga Mark.

Addison caminha até mim e me entrega minha camiseta. Eu dou um sorriso amigo e jogo o tecido para o lado para depois resolver o que fazer com ele. Depois que, com certa dificuldade eu vesti Teddy, eu a coloco sentada na cama de Alex.

– Obrigada por me ajudar essa noite, amiga. – rosno perto da loira que grunhe algo de volta.

Callie e Addison, ambas já vestidas, saem do quarto. Eu puxo Callie pelo pulso e a distancio de Addison que ainda resmungava alguma coisa sobre aquela blusa ser da Gucci.

– Ei... espere. – ronrono, dando um sorriso de covinhas. – Não vai nem dizer boa noite?

– Boa noite. – responde Callie, virando-se novamente. Eu bufo e a puxo de novo. – Arizona... – choraminga. A mulher estuda meus seios apertados no sutiã azul e revira os olhos. “Eu sei que essa parte sua ainda está por ai...”

– Qual é... – sussurro, deixando meu hálito quente contra seu pescoço. – Eu gosto de você... muito.

– Uhum... – cantarola Callie, dando uma risada rouca. – Eu posso ter bebido Arizona, mas eu ainda tenho cérebro e sei pensar.

– Ouch... – rosno, de fato recebendo um tapa imaginário no rosto.

– E para um dia eu pense em lhe beijar... primeiro teríamos que ser... eu não sei... talvez amigas. – diz a morena, com a língua enrolando. – Porque amizade é a base de um relacionamento.

– Querida... ninguém aqui está falando de relacionamento. – respondo, passando minhas mãos por seus braços. Eu dou um sorriso de covinhas em busca de influenciá-la.

Sua respiração quente estava contra meu rosto e eu podia sentir o calor exalando de seus poros. Eu nunca havia ficado perto dela daquele jeito e eu podia colocar a culpa no álcool, mas eu gostava daquilo.

– Eu conheço você, Arizona Rob... “Robinsh”... – responde Callie, com dificuldade em falar meu sobrenome. Eu seguro uma risada, achando de fato engraçado a mulher daquele jeito. – Acredite, você vai precisar melhorar suas artimanhas, porque não vai ser hoje que eu vou cair nesse seu joguinho. – conclui, puxando seu punho da minha mão e caminhando para ajudar Addison que estava encostada contra uma máquina de refrigerante e salgadinhos. Ela passa o braço da amiga no ombro e começa a andar, enquanto eu analisava suas curvas descaradamente.

– Então isso significa que vai ser algum dia? – grito, rindo, quando elas quase desapareciam no corredor. Callie vira-se e dá uma piscadela.

– Ou nunca. – responde a morena, antes de virar a esquina.

“O seu único problema, Calliope, é que você me subestima”.

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CALLIE PDV

Minha cabeça latejava. Por sorte, meu pai não me ligara na última noite, talvez ainda imaginado que eu estivesse com medo de sair. E eu sou despertada do meu sono apenas quando algum infeliz abre as persianas do quarto e os raios solares batem diretamente em meus olhos.

– Addison! – grito, colocando o travesseiro na frente dos olhos.

– Acorde! – grita a ruiva. – Porque não foi você levou um banho de vômito ontem à noite.

– Eu não ligo! – rosno, querendo voltar a dormir. – Eu vou bem nas matérias apenas para não precisar ir à aulas completares nos sábados e domingos! E você me acorda às... – resmungo, pegando meu celular para olhar as horas. – Eu não acredito! Você me acordou às dez horas em um maldito Sábado! – grito, jogando um travesseiro nela.

– Jesus Cristo, mulher! São dez horas! – retruca Addison, assustada. – Isso tudo é frustração sexual? Deus me livre, chame alguém para dar um jeito nisso!

– Argh! – rosno, com minha dor de cabeça aumentando. Tudo o que minha mente continuava a reproduzir era o sonho que eu estava tendo.

– Oh meu Deus! – grita Addison, dando uma risada alta ao perceber tudo. – Você estava tendo sonhos eróticos, não era?

– Não! – retruco, tentando me defender rapidamente.

– Sim, você estava! – diz a ruiva, em meio às gargalhadas. – Era por isso que você estava se remexendo toda na cama.

– Addison, para! – grito, levantando-me com supetão da cama. Minhas bochechas coravam como carvão enquanto eu caminhava para pegar minha nécessaire no guarda-roupa e uma toalha de banho.

– Você estava sonhando com Arizona, não era? – pergunta Addison, me rondando. – Eu tenho certeza que era! Oh meu Deus!

– Eu não estava sonhando com ela e ponto! – rosno, saindo do quarto às pressas.

Mas aquilo era mentira. Meu sonho realmente se tratava de Arizona Robbins. Suas mãos estavam em todo o meu corpo e nós duas estávamos contra uma parede. Eu a pressionava contra mim e seus lábios estavam em meu pescoço. O mesmo perfume de ontem por minhas narinas, a extensão de carne branca à mostra...

– Ei, cuidado, Callie! – a voz de Lexie me resgata dos pensamentos quando eu trombo com a mulher saindo banheiro.

A mulher mediana dá um sorriso amigo e some no corredor. Eu balanço a cabeça, em busca de me livrar daqueles pensamentos. Não perco tempo e adentro em um box, retirando minha roupa e ligando o chuveiro.

A água escorria por meu corpo nu. Eu não sabia onde estava com a cabeça em aceitar jogar Stripper Poker no quarto de Alex e Mark. “Provavelmente mergulhada no álcool” meu cérebro zomba. O sonho volta à minha mente, não ajudando em nada minha situação. Decido então mudar a temperada da água para gelada.

com o choque de temperaturas, mas foi o único remédio no momento para minha mente turbulenta. Tomo meu banho em busca de diminuir minha ressaca. Pouco depois, enrolada em uma toalha, eu saio do box e escovo meu dentes de frente para espelho.

Uma ou duas pessoas entravam no banheiro a cada um minuto e olhavam para mim, sussurrando. Eu estranho o fato e saio do banheiro para saber o que estava acontecendo. Addison estava me esperando do lado de fora e sua expressão não era uma das melhores. Vejo ao lado da mulher suas malas prontas e sua mochila cheia de materiais.

– O que está acontecendo? – pergunto, assustada. – Por quanto tempo eu fiquei no banho?

– Tempo suficiente para que isso acontecesse... – responde a mulher saindo do meu campo de visão.

– Calliope, vista-se! – a voz de Ellis Grey ressurge. – Haverá uma mudança de quarto.

Arizona ao lado de Ellis Grey estavam no meio do corredor. Percebo ao lado da loira, duas malas e uma caixa cheia de utensílios em suas mãos. Arizona sorri descaradamente e retira seus olhos de sol escuros, para me fitar com seus olhos azuis profundos.

– Bom dia... colega de quarto. – cumprimenta Arizona, dando uma risadinha.

Notas finais
OMG!!!! Colega de quarto????? Deixem seus comentários, possíveis xingamentos, ideias e opiniões sobre a história. :)