Notas iniciais
Alguém aí está curioso para saber quais são os outros integrantes? Obs1: Quero agradecer a recomendação! Muito obrigada! Obs2: Só queria dizer que a história foi inspirada no clipe Animals! Eu já tinha uma base da história na cabeça, mas quando assisti o clipe Animals eu pensei: eu realmente preciso ter um cara daquele na universidade! Hahahaha Adam ♥ Obs3: Recomendo que ouçam duas músicas e ambas são no PDV do Alex (isso mesmo!). A primeira é Sweet Dreams cover da Emily Browning e a comecem logo no início do capítulo. A segunda é Monster (DotEXE Dubstep Remix) da Meg & Dia, quando Alex quebra o vidro do box com o cotovelo. E me perdoem por qualquer erro de português.

ALEX PDV

TRÊS HORAS ANTES

Observo pela janela do laboratório a chuva fina cair na grama do pátio. Suspiro, pensando quando me livraria daquele papel chato de garoto universitário. Sim, eu conseguiria me formar em medicina se quisesse e meu pai sempre disse que eu tinha facilidade com sangue e corpos, mas... eu não queria ser o Alex Karev “amigo” de Arizona Robbins.

Só de pensar naquela mulher e tudo o que precisei aturar durante três anos me fazia revirar os olhos, com nojo. Morar com ela, aconselhá-la, ir às festas na casa de seus pais... aquilo foram de longe as coisas mais entediantes que eu precisei fazer.

Um sorriso orgulhoso nasce em meus lábios ao lembrar que tudo aquilo havia sido armado por mim. Quando eu propus para Burke todo o plano – claro, ele sabia apenas de uma parte do Grande Plano – ele topou na hora. O homem guardava uma enorme raiva por Arizona por tê-lo feito passar alguns anos na cadeia e bastou o incentivo certo para ele sucumbir à proposta.

Eu dei ao homem tudo o que ele precisava. Eu disse que Arizona estaria na casa de Derek, eu dei acesso à universidade, eu dei as informações, eu dei a localização e o momento certo de fazer as chantagens contra Arizona. Eu fui o grande maestro do pequeno inferno da loira. Eu comemorava internamente ao ver Arizona aos poucos aceitando a proposta, ou ainda, ela aos poucos se “apaixonando” por Callie. E no final de tudo ela era confidente a mim... oh, ela era tão patética!

Ouço ao fundo o barulho do DJ testando as músicas no salão e os sons das pessoas nos alojamentos. Diferente delas, eu gostava do meu silêncio e o laboratório nas madrugadas me proporcionava isso. Viro-me e encaro as paredes avermelhadas por causa da lâmpada.

Olho novamente as imagens que encarava toda santa noite que eu as colocava. Foi muito fácil pegar a chave do homem que limpava o prédio principal – já que eu havia prometido para meu irmão que eu não iria matar o pobre homem – e fazer uma cópia. Mas, às vezes, minhas mãos coçavam para ver a vida de alguém se esvaindo.

Eu acreditava que aqueles segundos... os próximos da morte... eram os segundos mais valiosos da existência de uma pessoa. O ciclo da vida era nascer, crescer e morrer, mas os únicos segundos que diferem uma existência para o fim da mesma eram aqueles. E sempre, todas as pessoas que eu já matei ansiavam por mais míseros segundos de vida.

Mais fácil ainda era persegui-las. Não quero soar machista, mas mulheres não prestam muita atenção ao redor delas. Eu segui Arizona e Callie por diversos lugares e elas sequer notaram a minha presença. “Talvez fosse o amor...” minha voz interior caçoa. Sim, provavelmente.

Eu fiquei horas, debaixo de chuva até, observando-as do pátio a janela do alojamento delas ... observei no refeitório... no estacionamento. Minha irmã, também me ajudou, gravando a cena do banheiro feminino onde Arizona pedia duas semanas à Burke. Até no festival de shows eu estava, metros atrás das quatro mulheres.

E por último hoje, no shopping. Eu, por um ato estúpido que me gerou uma crise de raiva depois, deixei o flash da minha máquina fotográfica ligado. Pude perceber claramente quando Arizona percebeu a luz e olhou em minha direção; e assim como um paparazzi meia boca eu precisei me esconder atrás de uma loja.

Sento-me na cadeira e pego uma lente para analisar uma foto especial. Observo as curvas de Callie abraçada à Arizona. Franzo o cenho tentando absorver qualquer sentimento naquela foto, porque de acordo com Arizona ela havia se apaixonado por Callie.

Aquele foi o grande objetivo da aposta. Fazer com que as vidas de Callie Torres e Arizona Robbins se unissem, porém, o que ambas não sabiam, era que existia uma maior razão por trás disso tudo. Eu precisava admitir que o fato de sentimentos nascerem em meio àquilo não estava planejado, mas isso não interferiu em nada no final. Arizona continuou sendo uma marionete e Burke soube bem administrá-la até hoje.

Penso em todos os detalhes que aquele plano teve. Eu simplesmente fui um gênio quando eu implantei a fofoca na universidade que Addison era uma falsa lésbica. Oh, eu ri pensando cá com meus botões quando ela e Callie acharam que foi Arizona quem a havia visto no clube, mas não imaginavam que fora eu quem estava lá... tirando fotos.

Olho para cima e analiso as fotos também penduradas. Eu adorava captar o momento das expressões faciais, porque eu nunca as entendia. Eu nunca sabia o que levava uma pessoa a sentir amor, sentir compaixão, ou sentimentos desse tipo. Porém, apenas um era a exceção: o medo. Aquele fora o único sentimento que eu havia prometido para mim mesmo nunca mais sentir e sim proporcionar a outra pessoas.

Eu não era diferente de ninguém no quesito de gostar de violência. Sabe por que as pessoas gostam tanto de violência? Porque ela dá prazer. Os seres humanos acham a violência profundamente satisfatória. Ela lhe dá poder, lhe dá confiança... lhe dá tudo.

Mas tirando o prazer, tanto sentimental quanto sexual, e o medo, eu era um grande nada emocional. Eu pensava que talvez fosse por isso que eu tinha tanta facilidade de fingir sentimentos e personalidades, porque quando as pessoas falam uma com as outras, elas nunca dizem o que querem dizer. Elas dizem outra coisa e é esperado que você saiba o que elas querem dizer. Basta apenas... fingir durante esse processo.

Olho no relógio apenas para ter certeza que tudo estava em ordem. Nada iria dar errado se todos fizessem sua parte. Eu tinha todo o plano na minha mente e ansiava anos por aquela noite. Meu pai finalmente teria a vingança que tanto almejava e merecia; minha mãe não precisaria viver nas condições que vivia e eu teria sido leal àquele que foi a mim um dia.

Levanto-me e olho novamente pela janela e percebo que chuva havia parado. Um sorriso nasce no canto do meu lábio e eu caminho em direção da saída do laboratório, pegando meu blazer na porta. Visto-o e o ajeito no meu corpo, pegando também a máscara. Coloco-a em meu rosto e fecho a porta, mas não a tranco, porque o plano... estava apenas começando.

TRÊS HORAS DEPOIS

Eu assoviava tranquilamente no ritmo da música eletrônica que tocava no baile enquanto caminhava pelo corredor do terceiro piso do alojamento A feminino. Sapateio, fazendo uma dança um pouco desengonçada e dou uma gargalhada. Tudo estava ocorrendo como planejado. Toda a cena no alojamento feminino antes da Arizona revelar para a universidade inteira que Callie Torres era apenas uma aposta foi uma farsa e quando Arizona terminou o discurso e correu atrás da morena Burke me soltou.

Quando as portas se fecharam eu olhei para Burke e ele sorriu, batendo na minha mão para comemorar. Mal perdi tempo e corri para cá, para esperar Arizona. A loira ainda estava vagando pela universidade, o que estava me dando tempo de sobra.

Meu celular vibra e eu o pego no meu bolso. Sorrio ao ver a mensagem que dizia: “Arizona acabou de entrar no laboratório”. Isso era bom... muito bom, pois significava que Arizona descobria naquele exato momento quem eu realmente era. Eu tentava imaginar a reação da mulher ao ver todas as fotos que eu trabalhei por tanto tempo. Não demoraria muito para que Arizona viesse para cá, assim como um ratinho seguindo uma trilha de migalhas. Callie apareceria a qualquer momento também nesse piso e tudo daria certo.

Paro de andar apenas quando vejo o que estava procurando. Com o cotovelo eu quebro o vidro do box e retiro o machado. Analiso a arma e penso na minha irmã com sua obsessão com lâminas. “Oh... ela deve estar adorando fazer a parte dela agora” penso, voltando a sorrir. Ela não demoraria muito para que ela chegasse a um daqueles corredores adjacentes com Callie.

Entretanto uma voz feminina me chama a atenção e meu sorriso morre ao ver Lexie Grey virando a esquina com um celular na orelha. A me ver segurando um machado e os cacos do vidro do box no chão, ela ergue uma sobrancelha e desliga o aparelho.

– Alex... – a mulher mediana fala. – O que você está fazendo?

Fico em silêncio e estudo sua anatomia. A única coisa que me dava mais prazer do que matar uma mulher era levá-las para a cama, porque elas eram inocentes até o último segundo.

Eu me lembrava perfeitamente de quando era apenas um garoto e me questionava o porquê que eu gostava tanto de esquartejar os coelhos achava atrás da minha casa em Ohio. Ou até, o porquê de, por mais que miserável fosse a vida que eu levava antes de meu pai me encontrar, eu gostar de trabalhar no açougue no centro de Seattle. Eu me sentia bem com esses tipos de coisa por perto.

Estudo os lábios de Lexie se mexendo enquanto ela falava alguma coisa que meu cérebro facilmente ignorou por ser entediante demais. Penso em quantos problemas eu poderia ter se caso a matasse, mas minha mão esquerda coçava enquanto segurava o machado.

– Alex? – chama Lexie, já apenas dois metros de distância de mim.

Eu não tinha outra escolha, porque Lexie estava sendo curiosa demais. Ela havia visto demais e poderia estragar todo aquele plano que eu havia construído meticulosamente. Ainda mais que eu poderia aproveitar o fato que todos estavam no salão ainda atônitos por causa do vídeo que eu tinha feito ao lado de Burke.

– Alex, você já está bêbado? – provoca Lexie, dando uma risadinha. Eu reviro os olhos, sem paciência.

– Ah... cale a boca. – bufo, levantando o machado e dando uma pancada na mandíbula da mulher com o cabo de madeira. Eu sabia perfeitamente que aquele golpe não a mataria, mas a deixaria zonza e assim eu poderia pelo menos me divertir um pouco antes de finalizar o trabalho. Lexie cai de quatro no chão, atordoada.

– Alex, pare! – ela implora, começando a chorar.

Eu reviro os olhos novamente, perguntando-me porquê de toda mulher começar a chorar antes de morrer. Lexie começa a engatinhar em direção ao elevador no final do corredor. Dou uma risada e deixo que ela continue. Ao ver que eu não atacava novamente Lexie tenta se levantar, mas eu sou mais rápido e uso a parte de trás do machado para dar-lhe outra pancada nas costas. A mulher cai novamente, chorando.

– Por que você está fazendo isso? Pare! – ela grita.

“Por que você está fazendo isso? Pare, por favor! Oh meu Deus!” – cantarolo, sendo sarcástico. – Sério? Vocês não conseguem mudar o roteiro quando estão prestes a morrer? Você até parece a Reed quando eu a matei!

– O que? – gagueja Lexie, com seus olhos arregalados.

As imagens daquela noite voltam a minha mente. Eu estava em um parque, tirando fotos de Arizona e Teddy em um bar nas férias. Reed Adamson e seu namorado Charles Percy estavam se beijando em um banco em meio às penumbras e, por causa disso, eu não os avistei em primeiro instante e eles me viram com a câmera em mãos.

E como eu não suportava deslizes, eu precisei dizer qualquer desculpa para camuflar a razão que eu tirava fotos das duas e chamei-os para beber no bar. Mas, em um beco próximo, eu bati minha câmera na nuca de Charles que caiu desacordado e arrastei Reed para a escuridão, tampando a sua boca.

– Se você chegar até aquele elevador eu deixo você viver. – minto, apontando com o machado para o elevador. Oh, como eu adorava brincar.

Eu observo Lexie me estudar, com medo. O que mais me fascina nas pessoas quando estão com medo é que elas não pensam. O corpo começa a produzir mais adrenalina e isso faz com que ela fique trêmula e enjoada. Então um bando de vozes críticas começa a confundir sua linha pensamento dizendo que aqueles são seus últimos segundos de vida. Seu corpo vira um constante caos interiormente enquanto externamente você não faz nada.

Lexie ao ver minha quietude aparente se levanta em um supetão, provavelmente com a dor em sua mandíbula e sua coluna sendo camufladas pela adrenalina e corre em direção ao elevador.

– Tão estúpida... – cantarolo com um suspiro triste.

Começo a andar lentamente em direção da mulher que apertava desesperadamente o botão do elevador. Ela começa a chorar ao ver que eu a seguia. A porta se abre e ela se joga contra a parede do cubículo de metal.

– Me desculpe... mas acho que seu namorado irá me perdoar. – digo, dando de ombros. Adentro no elevador já levantando o machado e um grito de horror sai pelos lábios da mulher quando a porta de metal se fecha.

Eu inspiro fundo ao ver a mulher caída no chão, agoniando. Analiso as gotas de sangue no meu blazer e xingo baixo. Agacho-me para retirar o machado, mas então a porta de metal se abre. Não preciso virar meu rosto para saber que aquela era Arizona, porque eu reconhecia o seu perfume. Um grito de horror sai por seus lábios e eu continuo analisando Lexie sem vida.

– É isso que acontece quando as pessoas são curiosas demais. Uma pena que ela estava no corredor logo no momento que eu quebrei o vidro do box. – murmuro, tentando parecer arrependido. Levanto-me e vejo o início de lágrimas em seus olhos. – Por que você está prestes a chorar, Casanova? – pergunto, usando seu apelido ridículo. Eu estudo sua expressão, tentando entender seus sentimentos. – Você sequer a conhecia.

– Alex... – sua voz estava trêmula. Era o medo. – Por que você? Logo você?

– Do mesmo jeito que você não conhecia Lexie Grey, Arizona, você não me conhece e nem conhece minha família. – respondo, sorrindo para a mulher que eu precisei aturar durante quase quatro longos anos. Eu me inclino e puxo o machado de dentro de Lexie. – Surpresa? – pergunto, não conseguindo evitar minha vontade de rir com a cara da mulher.

A loira dá passos para trás e em seguida começa a correr. Eu reviro os olhos, já esperando por isso. Começo a andar, ainda sapateando ao som da música eletrônica. Ela não acharia nenhuma saída e por isso eu estava extremamente calmo. Eu já virava a mesma esquina que ela quando a luz é cortada. “Obrigada, irmão!” cantarolo, gastando poucos segundos para me acostumar com a escuridão.

– Casanova? – cantarolo, ao vê-la de frente para uma janela. Ela se vira e continua a andar para trás. – Não precisava ser assim, sinceramente. – digo, dando uma risada. Ela me encara, ainda não acreditando que aquilo realmente estava acontecendo. Coço meu rosto, respirando fundo. “Ser morta pelo melhor amigo? Ok... isso era até meio sádico para mim. Ou... não” penso. Dou de ombros, já imaginado a lâmina adentrar seu Abdome Piramidal. – Agora... você vai morrer, Arizona.

Ergo e coloco força contra o machado. Mas então vejo uma sombra ao lado do corpo da mulher e reconheço o homem que dá uma pancada no maxilar de Arizona com o cabo de madeira de seu machado. Arizona cai no chão, desmaiada.

– Por que você fez isso? – rosno, com raiva. – Eu deveria matá-la enquanto ainda estivesse acordada!

– Precisamos dela viva. – responde Mark, me lançando um olhar mortal. – Nosso pai vai odiar que ela não veja o que ele está tramando.

– Argh! – rosno, revirando os olhos. – A única coisa que pedi foi que deixassem Arizona para mim!

– E vamos deixar, irmão! – responde Mark, colocando o machado no cós de sua calça social, o qual provavelmente havia roubado em outro andar e pega os braços de Arizona. – Agora me ajude a levá-la, porque nossa irmã precisa de ajuda.

– Tudo bem... – suspiro. Coloco o machado também no cós da minha calça e pego Arizona pelas pernas. Ergo uma sobrancelha sugestiva ao ver as curvas da mulher.

Eu e Mark carregamos Arizona até o quarto de nossa irmã. Mark joga para mim a fita adesiva e eu enrolo nas mãos da loira e em seus pés, apenas para me certificar que minha amiga não fugiria antes mesmo da melhor parte da noite começar. Quando pronto, eu fecho a porta e eu e Mark caminhamos pelo corredor.

– Que tal irmos de escadas, huh? – pergunto, apontando para a porta no corredor.

– Por que não podemos usar o elevador? – pergunta Mark, semicerrando os olhos.

– Não queremos que Richard me encontre assim. – digo, apontando para a mancha de sangue no meu blazer.

– De quem é esse sangue? – pergunta Mark, ainda me interrogando. Eu simplesmente odiava quando Mark agia como o cheio de razão e boas intenções e às vezes eu me questionava se ele era realmente tão leal quanto eu e minha irmã. – Quem você matou, Alex? – pergunta, me empurrando contra a parede e me segurando através de meu blazer. – Você disse que não mataria ninguém!

– Irmãozinho... – suspiro, tentando manter a calma. Eu retiro suas mãos de meu blazer. – Eu precisei matar Olivia! – digo, de fato não mentindo. A mulher estava morta debaixo do balcão da recepção. – Como acha que poderíamos transitar por aqui sem nenhum incômodo?

Ele bufa e empurra a porta que dava entrada para a escada. Suspiro, sabendo que quando ele descobrisse que eu havia matado sua namorada ele surtaria. Mas, quando isso acontecesse, a noite já estaria no fim.

Ao empurrarmos a porta que dava entrada para o terceiro piso, já avistamos Addison Montgomery e Teddy Altman de fora do quarto de Callie Torres. Mark retira um vidro de seu bolso e molha dois pedaços de pano com o líquido de seu interior. Meu irmão me entrega um enquanto caminhávamos. Addison e Teddy estavam em uma intensa discussão e a ruiva chorava.

– Romances sempre me dão nojo. – comento com meu irmão. Mark dá uma risadinha e isso chama atenção das duas mulheres.

– Alex... o que aconteceu? – pergunta Teddy, enxugando as lágrimas e apontando para a mancha de sangue na minha roupa.

– Não se preocupe com o que aconteceu. – respondo, sorrindo para a outra mulher que precisei aturar. – Preocupe-se com o que vai acontecer! – digo.

Teddy franze o cenho e com um movimento rápido coloco o pedaço de pano em sua boca. Mark faz o mesmo com Addison. As duas mulheres começam a se debater e gritar, mas éramos homens e mais fortes, além de termos um pano que abafava suas tentativas de pedir socorro.

– Shhhhh... – sussurro no ouvido de Teddy que aos poucos ia perdendo a força por causa do sonífero. – Vai ficar tudo bem, loira. Você não precisa morrer! Já a família de Arizona e a família de Callie sim.

A mulher grunhe algo e de repente sinto seu corpo ficar mole contra o meu. Addison já estava apagada contra os braços de Mark. Eu pego uma boa respiração e puxo o corpo de Teddy para cima do meu ombro. Faço uma batida especial do quarto de Callie e Arizona e espero por alguns segundos. Continuo assobiar ao som da música eletrônica até que a porta se abre.

– Tudo pronto? – pergunto para a mulher. Minha irmã sorri e abre mais a porta para que eu pudesse ver Callie Torres desacordada no chão.

– Tudo mais que pronto, irmão. – responde Erica, com uma piscadela. Nós dois compartilhamos uma risadinha e a loira pega sua ex-namorada pelas pernas.

“Oh... a noite está apenas começando...”

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CALLIE PDV

Um dos piores sentimentos que o homem pode sentir é a traição. Existem vários sentidos para essa palavra, mas todos, independentes da situação, se remetem ao fato de ser desleal a alguém. Confiar em uma pessoa requer sacrifício e coragem, pois quanto mais ela souber sobre você mais formas de lhe machucar ela terá.

Eu confiei em Arizona Robbins e o pior de toda a situação foi saber que desde o início ela tinha a intenção de me induzir a isso, que ela havia se aproximado de mim para isso.

Mal percebi o caminho que percorri em direção do alojamento, porque minhas lágrimas embaçavam qualquer imagem na minha frente. Eu podia ouvir as vozes de duas ou três pessoas, mas eu não conseguia identificá-las e na verdade, nem queria. Eu queria ficar sozinha. Eu queria me arrastar de volta para minha vida entediante que eu tinha antes de ter o azar de Arizona Robbins entrar nela.

Como pude ser tão inocente? Como pude não perceber que ela havia mudado drasticamente de um momento para outro? Pessoas não mudam! Logo eu que sempre me mantive atenta às atitudes alheias, nunca me deixei levar por sentimentos... logo eu fui um alvo fácil. Tudo fazia sentido! O porquê dela se tornar minha colega de laboratório e minha colega de quarto: ela queria que eu estivesse com ela em todos os momentos do dia e eu acabasse me apaixonando. Ela sabia tudo sobre mim, meus gostos, meu defeitos, minhas manias... Era... genial!

Eu me recusava a acreditar que todos os beijos, todos os toques, todas as palavras havia sido falsas ou cheias de segundas intenções. “Ela nunca disse de volta!” meu cérebro ressalta. Eu grunhido de dor sai por meus lábios enquanto eu saía do prédio principal.

Era verdade. Arizona nunca havia dito para mim que me amava. Ela nunca havia respondido ao meu eu te amo e eu fui estúpida o suficiente para acreditar que ela não estava “pronta” para dizer. Pelo menos assim ela não era uma completa vadia sem escrúpulos. “Sim, ela é!” meu cérebro adverte.

Adentro no alojamento e sequer dou importância ao fato de Olivia não estar na recepção. Talvez ela também estivesse lá no salão, rindo junto com toda a universidade e comentando como eu fui tola em amar Arizona.

Apenas percebo que corria quando diminuo a velocidade para apertar o botão do elevador. Minhas mãos estavam trêmulas e minha respiração irregular por causa do meu choro.

Deus... as imagens minha e da mulher nos amando repetiam-se diversas e diversas vezes na frente dos meus olhos. Não era amor para Arizona. Era apenas sexo, uma forma de conseguir prazer e chegar a um orgasmo. Eu podia imaginar ela rindo ao lado de Alex, Mark, Teddy e George sobre o fato de eu ser tão inocente. Porque se ela teve escrúpulos suficientes para fazer aquela aposta, ela os teria para comentar sobre nossos momentos.

A porta de metal se fecha e eu me encosto contra a parede. Meu estômago revira e minhas pernas estavam bambas. Eu hiperventilava na tentativa de me acalmar. A dor que consumia meu peito era insuportável. A porta do elevador se abre e eu caminho até meu quarto. Um grito de raiva sai por meus lábios quando vejo que o meu cartão havia ficado com Arizona. Bato com força na porta para diminuir a minha dor. A porta do elevador se abre e Addison, Teddy e Erica saem do cubo de metal e ao ver a loira eu rapidamente respondo.

– Saia daqui, Teddy! – grito, apontando para a mulher. Addison sequer olhava para ela.

– Por favor, Callie, me escute! – implora Teddy. – Eu não sabia que ela faria isso! Eu achei...

– Você sabia desde o início! – brado, andando em direção dela com a raiva consumindo o meu corpo.

– Callie, para! – ordena Erica, entrando na minha frente. Ela segura meus braços enquanto eu tentava me soltar. – Para! Você não está pensando!

– Não preciso pensar, Erica! – grito, querendo me soltar. Mas então as lágrimas ganham a luta novamente e eu aos poucos vou perdendo as forças contra o corpo da mulher. Eu me sentia suja.

Vamos entrar, vamos... – pede Erica, com sua voz contra meus cabelos. Ela me guia até a porta e pede o cartão para Addison. Os olhos da minha amiga também estavam avermelhados mostrando seu choro eminente. Ela também gostava de Teddy. Nós duas havíamos sido enganadas.

Erica passa o cartão de Addison na porta e me guia até minha cama. Quando eu me sento no colchão as imagens minha e de Arizona nuas em cima dele vem na minha mente e eu me levanto, sentindo nojo de tocar qualquer local que a mulher já esteve.

Deixe ela comigo. – pede Erica na porta, para Addison e Teddy. – Vou fazê-la se acalmar e depois você conversa com ela, ok? – diz, provavelmente para Addison.

Não escuto a resposta porque eu encarava as coisas de Arizona em cima da cama. Eu pego os lençóis da minha cama com o intuito de retirá-los dali e jogá-los fora, queimá-los, rasgá-los, qualquer coisa!

– Callie, pare! – pede novamente Erica, segurando minhas mãos. – Pare, por favor! – ela força minhas mãos.

– Eu a odeio! – gaguejo, com o nó das lágrimas na minha garganta. As lágrimas ardiam enquanto desciam por meu rosto. Erica me abraça e eu sem forças para lutar, aceito o afeto. A loira envolve seus braços em meu corpo e por mais que tivéssemos terminado pelos piores motivos, ainda tínhamos nossa conexão. – Como ela pôde fazer isso?

– Eu sei que é patético eu falar isso, mas... eu nunca gostei dela, Callie. – responde Erica, me libertando de seus braços. A loira me encara com seus olhos claros. – Não falei nada, pois achei que você pensaria que... eu estaria com ciúmes ou algo do tipo. Mas Arizona não é uma pessoa boa.

– Eu realmente achei que ela havia mudado. – sussurro, sentando-me na minha cama e colocando as mãos em meu rosto. Qualquer canto que eu olhava naquele quarto eu me lembrava dela. – E o pior de tudo... George... Teddy... Mark... oh Deus, até o Mark! Eles sabiam o tempo todo! – digo, entre soluções.

– Está tudo bem, Calliope... – diz a loira, usando meu nome que eu sabia que ela não usava há muito tempo. – Vai ficar tudo bem. Arizona será expulsa e...

– O quê? – pergunto, encarando-a.

– Escutei Richard expulsando-a segundos antes de eu sair atrás de você. – responde Erica, colocando uma mecha de cabelo negro atrás da minha orelha. – Ela merece sair daqui!

Eu fico em silêncio, questionando se tudo o que ela me dissera era verdade. Se a loira havia sido expulsa ela não teria mais o que fazer da vida. Daniel iria acabar com ela e Barbara iria ficar desolada. “Por que você ainda se importa?!” meu cérebro repreende. Colo as mãos novamente contra meu rosto e enxugo parcialmente as lágrimas. Levanto-me e paro em frente a grande mesa. Encaro a janela e tento regular minha respiração. Ouço o barulho de Erica se levantando, mas eu continuo de costas.

Eu não acredito que você ainda se importa com ela?! – eu mal percebo que a voz de Erica estava diferente.

– Eu a amo, Erica! – respondo, fechando os olhos por causa das lágrimas. – Não é um sentimento fácil de acabar.

Isso chega perto do que você sentiu por mim? – pergunta a mulher. Eu franzo o cenho, ainda sem me virar.

– Não. – suspiro, frustrada. – Me desculpe. – gaguejo.

Tudo bem... porque não haverá mais Arizona para você se preocupar. – sua voz estava fria. Eu abro os olhos, confusa e viro-me lentamente para ela.

– Do que você está falan... – minha voz é cortada quando meu olhar vai direto para o pano úmido em sua mão esquerda. – Erica... o que é isso?

– Relaxe, Calliope... – diz Erica, caminhando em minha direção. – Eu prometo que não irá doer!

Um tiro de adrenalina percorre o meu corpo e eu tento gritar, mas a loira coloca o pano na minha boca e me gira contra seu corpo, imobilizando-me e aplicando uma chave de pescoço. Minhas vias áreas e minha boca queimavam por causa do cheiro forte no pano. Meus olhos lagrimejaram ao ver que minha força estava se dissipando.

– Shhhh... não lute. Vai ser pior, querida.

Minhas pálpebras pensam e eu perco o controle sobre meus músculos. E a sua risada é o último som que eu escuto.

Notas finais
~voz dos leitores~ Para de me torturar, Talita! ~voz dos leitores~ hahahaha me desculpe! E creio que vocês irão querer me matar ainda mais, porque irei viajar por alguns dias e voltarei apenas na segunda! Mas prometo que o próximo capítulo vai saciar a curiosidade de vocês! ~correndo para a barraca nas colinas~ Deixem seus comentários, ideias, xingamentos e opiniões sobre a história! :D