Notas iniciais
E como eu disse... as coisas vão começar a fugir do controle e isso vai ser principalmente para Arizona :/ (Me perdoem pelo capítulo grande!) Obs: Recomendo que ouçam três músicas e elas são consecutivas. A primeira é Don't Deserve You do Plumb, depois Salvation da Gabrielle Aplin e por último Lay Me Down do Sam Smith. Comece a primeira quando Arizona chega no apartamento dela e de Alex. E me perdoem por qualquer erro. :)

ARIZONA PDV

– Vocês realmente têm que ir? – pergunta Sofia, com uma expressão triste.

– Infelizmente sim, querida. – digo, agachando-me para ficar do tamanho da criança.

Callie estava ao meu lado perto da porta principal da casa. Já era próximo das 21 horas e nenhum sinal do meu pai ou de Robert. Eu, particularmente, não me importava com aquilo, pois já imaginava que meu pai não faria esforços para estar ali, então eu não ligava para o fato de não receber feliz aniversário por parte dele e... por parte de Robert... bem, eu estava feliz que ele e meu pai estivessem finalmente se conciliando.

Teddy, Addison e Alex já haviam ido embora minutos antes, pois as mulheres diziam que precisavam dormir e arrumar suas roupas para o baile amanhã. Callie se despede da minha mãe, a abraçando. Sofia passa a mão pelo pescoço e faz uma expressão de desconforto.

– Tudo bem? – pergunto, preocupada.

– Acho que colori muito na última noite. – responde Sofia.

– Eu já disse para pegar um pouco mais leve nos desenhos, Picasso. – advirto, mas ao mesmo tempo um sorriso estava em meus lábios. Levanto-me e vejo um prato de bolo quase intocado em cima da mesa. – Você não provou do bolo? Você estava com tanta vontade...

– Não estava com muita fome. – responde Sofia, com um sorriso fraco.

– Desde a hora do almoço? – continuo, começando a ficar preocupada.

– Isso é verdade. – concorda minha mãe, também séria. – Vou obrigá-la a comer daqui a pouco alguma coisa.

– Vovó... – grunhe Sofia, com desgosto.

– Nada disso. Você precisa comer, ok? – adverte minha mãe. – Ainda mais que estava doente semana passada.

– Ela estava doente? – pergunto, confusa.

– Ela estava com uma pequena dor de garganta, mas nada que se preocupar. – responde Barbara, abraçando a menininha. Tento ignorar minha preocupação, mas era quase impossível. Suspiro, sabendo que não poderia controlar tudo por mais que quisesse.

– Vamos? – chamo Callie e ela concorda com a cabeça. – Muito obrigada, Picasso. Eu adorei a festa! – digo para Sofia que sorri.

– Viu! Eu disse que seria legal!

– Eu sei. – concordo, sorrindo.

Eu e Callie saímos pela porta principal e caminhamos até seu Thunderbird parado em frente. Barbara e Sofia nos observavam da porta e eu me despeço, entrando no lado do carona. Callie senta no banco do motorista e liga o carro.

Pouco depois já dirigíamos pelas ruas pouco movimentadas do bairro nobre de Seattle. Diferente do bairro de classe média, aqui as pessoas não socializavam com as outras por horas a fio. Porém, silêncio entre nós duas era tranquilizador, algo que aprendemos a desenvolver.

– Pra onde vamos? – pergunto, um pouco receosa, pois talvez a morena estivesse arrependida sobre o que eu havia dito para sua mãe.

– Vamos pra universidade. – responde Callie, com uma expressão calma. – Por quê? Quer ir a outro lugar?

– Não, é que... – hesito, por alguns segundos. – Não sei... talvez você estivesse se sentido mal pelo que falei com sua mãe e...

– Aquilo que você falou pra minha mãe foi o que estava preso na minha garganta por anos, Arizona. – murmura Callie, alterando seu olhar para mim e para a estrada. – Eu apenas não tive coragem o suficiente de dizer. Então... obrigada!

– Não me agradeça, Calliope. – peço, na verdade, pensando em tudo o que rondava na minha mente ultimamente.

– Eu preciso lhe agradecer, Arizona. – adverte a morena, franzindo o cenho. – Você fez o meu mundo virar de cabeça pra baixo em poucas semanas.

Meu peito aperta. Fito o escuro do lado de fora do carro por alguns segundos, pensando no que dizer para aquela mulher, mas não adiantava. Ela me conhecia e me desconhecia ao mesmo tempo. Callie entendia tudo o que acontecia comigo, mas havia partes de mim, partes obscuras que me levaram a estar ali, que ela sequer imaginava que existiam.

– Arizona? – a voz angelical dela me chamava. Eu fecho os olhos, me odiando por completo. – Tudo bem?

– Sim. – digo, respirando fundo e olhando para ela. – Vamos para a universidade, então.

Callie faz um afirmativo com a cabeça e acelera o carro, saindo do bairro nobre. Porém, eu sabia que ela havia notado minha inquietude.

– Então... o que você achou da sua festa de aniversário? – pergunta a morena, com ternura.

– Salvaram o meu dia. – respondo, dando um sorriso fraco.

– Está vendo... não é tão ruim ficar velha... – diz e eu ergo uma sobrancelha sugestiva.

– Não, obrigada. Eu prefiro ser assim... jovem e... quente. – provoco-a, apenas para vê-la rir e consigo.

– Você e seu grande ego. – rosna Callie, rindo. Ela para em um semáforo e me estuda por alguns segundos. – Será que conseguiremos algum pedaço de pizza no refeitório? Porque estou faminta!

– Vire à esquerda. – digo, apontando para a direção certa. – Vamos comprar uma agora, que tal?

Callie sorri e faz o trajeto até um restaurante próximo. Vinte minutos depois, ao comprarmos uma pizza de Calabresa, pois eu sabia que era a favorita da morena, nós entramos em seu carro e retomamos nosso caminho em direção à universidade.

Callie dirige até o estacionamento e para o carro ao lado da minha moto T-100 Triumph. Saio do veículo, segurando a pizza em mãos e minha mochila nos ombros. Callie aperta o alarme e caminhamos pelo pátio. Alguns jovens conversavam debaixo de árvores aleatórias e o barulho de conversas intensas vinha do refeitório.

Entrando no alojamento A, cumprimentamos Olivia que retribui com um sorriso amigo. Adentramos no elevador e apertamos o terceiro andar. Já de fora do cubículo de metal, caminhamos pelo corredor e Callie passa seu cartão, abrindo a porta. Coloco a pizza em cima da mesa e jogo minha mochila em minha cama.

Eu e a morena resolvemos ir tomar banho, sem segundas intenções dessa vez, antes de comermos. Depois de quase quinze minutos, voltamos ao quarto enroladas em nossas toalhas e trocamos de roupa. Callie já estava pronta e começava a abrir a caixa da pizza e eu terminava de organizar minhas coisas.

Porém, antes mesmo de pensar em fazer algo, sinto meu celular vibrar em meu bolso de trás. O toque de Who Let The Dogs Out começa e um sorriso nasce tanto nos lábios de Callie quanto nos meus. Pego o celular e vejo “Sofia Robbins” na tela. Deslizo meu dedo e atendo.

– Já sentiu saudades da tia, huh? – digo, sorrindo.

Arizona, eu preciso de ajuda! – a voz trêmula da minha mãe ecoa pela linha. Ela estava chorando.

– Mãe? O que aconteceu? – pergunto, com meu coração acelerando de um segundo para o outro. Eu congelo por completo. A mulher chorava descontroladamente enquanto tentava falar algo para mim, mas eu não conseguia entender.

– O que aconteceu? – pergunta Callie, assustada com minha expressão.

– Mãe, por favor, se controle! – peço, desesperada. – Me fale o que aconteceu!

Sofia... ela... meu Deus! – choraminga minha mãe e meu coração para de bater por alguns segundos.

– Mãe! – eu grito, perdendo a paciência.

Ela está convulsionando! – responde minha mãe, no mesmo tom. – Ela começou com uma febre repentina e... meu Deus, tem espuma saindo pela boca dela! Me ajude, Arizona! – grita minha mãe.

– Eu estou indo pra aí agora! – digo, correndo em direção a porta. Pego minha jaqueta, meu capacete e a chave da moto. Callie me olhava assustada e eu imploro com o olhar que ela viesse junto. Ela confirma com a cabeça e pega o outro capacete que estava ali desde a última vez que usara. – Não tente segurá-la, mãe. Deixe que ela convulsione ou será pior. Tente abaixar a febre dela. Você já ligou para a ambulância?

Sim. Sim. – gagueja minha mãe, sem saber o que fazer. – Acho melhor você ir direto para o hospital, Arizona. Eles estão chegando...

– Não...

Arizona! Não perca tempo! – ordena minha mãe e eu escuto o barulho das sirenes antes da linha ficar muda. Eu rosno baixo e corro em direção do elevador, apertando desesperadamente o botão.

– Anda! Anda! Anda! – imploro, com as lágrimas nascendo no canto dos meus olhos.

– Arizona... – sussurra Callie, colocando a mão no meu ombro. – O que aconteceu com Sofia?

– Ela está convulsionando e com febre alta. – respondo, não querendo olhar para a mulher, pois eu sabia que se fizesse isso desabaria em lágrimas. A porta do elevador se abre e eu adentro, já apertando o botão do térreo. Callie entra ao meu lado.

Os minutos pareciam estar mais lentos que o normal. Eu acelero o máximo que conseguia em minha moto. Callie estava abraçada contra mim, mas eu estava longe. O que estava acontecendo com Sofia? Eu não poderia perdê-la também! Ela estava bem, pelo amor de Deus, eu estava conversando com ela em menos de uma hora atrás!

Corto todos os carros possíveis e hesito em atravessar o semáforo, pois Callie ainda estava comigo e eu não podia colocar a vida dela em perigo. Estaciono a moto em frente ao Seattle Grace Hospital, pois eu sabia que o hospital mais próximo era aquele e a ambulância a levaria para ali. Pulo da moto e Callie faz o mesmo. Retiro a chave da ignição, deixo o capacete e já começo a correr através do pequeno pátio até a entrada principal.

O barulho da ambulância próxima me faz ficar ainda mais atordoada. O carro freia e uma série de médicos e internos passa por mim e Callie. Parecia uma cena em câmera lenta, onde o paramédico abria as portas da ambulância e retirava uma maca média de seu interior. Sofia estava estabilizada e um tubo estava em sua boca, ajudando-a a respirar. Minha mãe sai da ambulância também em prantos.

Você não pode ficar aqui... – uma voz masculina ressurge ao fundo, mas eu empurro o homem, que parecia ser um médico, para o lado e caminho em direção à maca. – Você não pode ficar aqui! – a voz fica mais nítida e um homem moreno entra na minha frente.

– Ela é a minha sobrinha! – grito, tentando passar, mas seus braços fortes me impediam. – Aquela é a minha mãe!

– Nos deixe fazer nosso trabalho! – retruca o homem, que tinha o sobrenome Ross no jaleco.

– Arizona... – Callie tenta me chamar, mas eu a ignoro. Os médicos passam empurrando a maca em direção do pronto-socorro e eu os acompanho. – Arizona, por favor! – pede Callie, puxando meu braço. Eu tento lutar inicialmente, mas eles somem através da porta de vai e vem. Balanço a cabeça, tentando me livrar dos piores pensamentos e faço o caminho contrário em direção a minha mãe que explicava alguma coisa para uma enfermeira.

– O que aconteceu? – pergunto, afobada.

– Ela começou a reclamar muito daquele desconforto na nuca. – diz minha mãe, em prantos. – De repente sua boca ficou seca e eu medi sua temperatura e estava 41ºC.

– Meu Deus... – suspiro, colocando as mãos na cabeça.

– Então ela começou a dar vômitos e a ficar irritada, não querendo que eu a ajudasse. Mas então ela começou a convulsionar e eu me desesperei e liguei para a ambulância e depois para você. – explica minha mãe, respirando fundo para falar. Callie sussurra algo para ela e minha mãe a abraça, precisando de apoio.

– Qualquer notícia sobre Sofia Robbins eu irei avisá-los. – diz a enfermeira Lisa.

Eu balanço a cabeça afirmando, mesmo sem saber o que aquilo significava. Cambaleio até a poltrona de espera mais próxima, pois minhas pernas estavam bambas por causa do excesso de adrenalina em minha corrente sanguínea. Vejo Callie ajudar minha mãe a caminhar até onde eu estava sentada. Aquele era o pior momento... o da espera.

– Você... – gaguejo, depois de alguns minutos em completo silêncio. O choro da minha mãe já havia cessado e ela fitava o nada, assim como eu. – Você ligou para o meu pai? Ou para Robert?

– Eu liguei para eles enquanto estava dentro da ambulância. – responde minha mãe, fungando. – Eles disseram que já estavam a caminho e que o jogo de cartas que estavam participando no clube havia atrasado e essa havia sido a razão para não chegarem ao aniversário.

– Tudo bem... – sussurro, atônita. – Eu não ligo para o meu aniversário... – digo, mais para mim. – Eu... eu quero saber de Sofia.

Vejo mais famílias caminhando em todas as direções. Homens e mulheres passavam vestidos em jalecos brancos. Eles pegavam prontuários e tablets com as balconistas, checando seus pacientes. Olho no relógio a cada um minuto, esperando que assim o tempo passasse mais rápido e que eu tivesse respostas.

Vejo minha mãe atender ao telefone quando nome de Robert aparece na tela. Minha mãe sussurra que eles estavam a caminho e eu dou um suspiro de alívio. E apenas quando um médico, o mesmo que me impedira de chegar perto de Sofia, caminha até nós que minha mãe desliga o celular.

– Eu sou Dr. Ross. Sou o Neurologista do hospital. – cumprimenta o homem moreno e alto, estendendo a mão.

– Como ela está? – pergunto, apreensiva.

– Fizemos alguns testes na Sofia e conseguimos estabilizá-la de suas convulsões. – responde o médico e minha mãe solta um suspiro aliviado. – Descobrimos que o problema em seu organismo está no cérebro. – minhas entranhas apertam, esperando a palavra que todo médico tinha receio de falar. – Não é um tumor, não se preocupem. – completa e suspiro, aliviada. – Suas meninges, que sãos as membranas que envolvem seu cérebro, estão inflamadas.

– Ela tem meningite? – pergunta Callie, franzindo o cenho.

– Sim. – responde Dr. Ross.

– Qual é o tipo? – pergunta a morena.

– É uma Meningite Bacteriana avançada. A vacina não protege contra todos os tipos de contaminação, ainda mais se o paciente tiver alguma infecção recente. – responde o médico.

– Ela teve uma infecção de garganta semana passada. – digo.

– Provavelmente essa foi a fonte da infecção. Como o socorro foi rápido e o diagnóstico também, iremos começar o tratamento com antibióticos adequados o mais rápido possível para evitar qualquer sequela.

– Sequela? – gaguejo, angustiada.

– Pode haver danos permanentes no cérebro, falências nos rins, AVC e problemas futuros no sistema reprodutor. Todos causados por causa da bactéria. – responde Dr. Ross, não podendo hesitar em nos dizer a verdade assustadora. – Ela provavelmente deve ter entrado em contato com alguém que portava a doença. Em crianças é fácil a contaminação e a convulsão acontece em 40% dos casos.

Eu respiro fundo, precisando me acostumar com aquilo, até porque estaria no lugar daquele homem um dia. Callie abraça minha mãe, que havia recomeçado seu choro. Afirmo positivamente com a cabeça, dizendo que havia entendido tudo.

– Ela ficará internada e não haverá previsão de alta por enquanto. – acrescenta o médico.

– Quando poderemos vê-la? – sussurro.

– Ela está sedada por causa dos exames que precisamos fazer e apenas acordará amanhã. – responde Dr. Ross. – Eu aconselho que vocês vão para casa, porque o pior já passou. Ela estará segura aqui conosco.

Novamente eu afirmo com a cabeça e o médico se distancia, dando-nos o espaço que precisávamos. Passos fortes ecoam no corredor e Robert aparece, sem ar. Ele nos vê e caminha em nossa direção.

– Como ela está? – pergunta o homem, afobado.

– Ela está bem. Ela tem Meningite Bacteriana... – começa a explicar minha mãe a seu marido. Caminho até o corredor e olho em direção da porta do hospital. A raiva começa a nascer lentamente em minhas entranhas.

– Onde está meu pai? – pergunto, virando-me para Robert. O homem fica em silêncio, enquanto Callie e Barbara esperava a mesma resposta. – Onde está o meu pai neste exato momento, Robert?

– Ele... ficou na empresa. – responde Robert, receoso. Eu dou uma risada forçada, não acreditando que aquilo estava acontecendo. – Eles o chamaram para uma reunião de última hora enquanto estávamos a caminho pra cá.

– É claro que ele faria isso! – rosno, passando a mão por meus cabelos.

– Arizona... – tenta minha mãe, mas minhas mãos suavam por causa da raiva.

– É claro que ele faria isso! – grito batendo minha mão em uma cadeira perto. As enfermeiras e internos que passavam se assustam e me encaram. – Sofia está em um hospital, pelo amor de Deus! Isso... isso não vai ficar assim! – rosno, pegando meu capacete e dando passos rápidos em direção da saída do hospital. – Isso não vai ficar assim!

Ignoro as vozes das pessoas pedindo que eu parasse e continuo a andar até passar pela porta automática do Seattle Grace Hospital. Corro até o estacionamento, já colocando o capacete na minha cabeça e retirando a chave do meu bolso. Monto na moto e giro a chave na ignição. Segundos depois eu já acelerava a moto, ignorando Callie, Barbara e Daniel gritando por mim na porta do hospital.

As buzinas dos carros sinalizavam o quão rápido eu pilotava a moto. Eu ultrapassava os semáforos, sem medo de um carro me acertar em cheio. O que eu teria a perder? Nada. Coloco a minha moto em teste e acelero mais.

Mal percebo quando estaciono a moto de qualquer jeito na porta da Robbins Company. Era um enorme prédio e o escritório do meu pai ficava no topo. Atravesso a recepção e aperto o botão do elevador com tanta força que eu jurava tê-lo quebrado.

A porta de metal se abre e eu aperto o botão do andar específico. Eu sabia que minha mãe e Robert estavam vindo atrás de mim. Mas, eu sinceramente, não ligava para isso. Eu queria gritar, eu queria bater, eu queria me livrar de toda aquela dor e raiva que sentia. A porta do elevador se abre e rapidamente Patricia vê minha compostura descontrolada.

– Arizona, não faça isso! – implora a mulher, levantando-se de sua mesa às pressas.

Eu podia escutar a voz do meu pai dentro da sala de reuniões junto a mais outras desconhecidas. Patricia tenta entrar na minha frente e eu ignoro seu chamado. Empurro a porta de madeira com força e ela bate contra a parede atrás dela. Cerca de 10 homens que antes conversavam intensamente agora me encaravam, atônitos. Minha respiração estava irregular e meus olhos avermelhados.

– Sr. Robbins, o Grande! – grito, dando uma risada sarcástica para meu pai que estava parado no centro da sala.

– Arizona, pare! – pede Patricia, atrás de mim.

– Está tudo bem, Patricia. – murmura meu pai, tentando dar um sorriso calmo para sua secretária.

– Adivinha o que aconteceu hoje? – pergunto, não diminuindo meu tom de voz alto. – Sua neta está no hospital! E é aniversário de sua filha!

– Eu sei o que aconteceu com Sofia. – rosna Daniel, sorrindo para se desculpar com seus companheiros de trabalho.

– Nós podemos voltar mais tarde... – diz um dos homens engravatados.

– Está tudo bem, vocês podem permanecer sentados. – pede Daniel, sendo educado. – E, aliás, Feliz Aniversário, Arizona.

– Jesus... – sussurro, para tentar não gritar de raiva. – Como você consegue ser tão... irônico?

– Não estou sendo irônico! – retruca meu pai.

– Você tem uma neta que acredita sinceramente que você não gosta dela. – digo, tentando diminuir meu tom de voz, mas a dor era insuportável. – Quero dizer... ela está tentando falar, mas você não presta atenção! Por quê? – grito, com a raiva voltando. – Por que ela, que foi a única boa da família que restou, não pode ser a coisa mais importante em pelo menos uma maldita noite?! Ela está em um hospital, pelo amor de Deus! Ela poderia ter morrido!

– Bem... eu sei que ela não morreu, Arizona. – suspira meu pai, encostando-se contra a mesa por alguns segundos. – Para que esse espetáculo todo?

– Porque tudo o que faço é uma tentativa de chamar sua atenção! – respondo, com um suspiro cansado. – E é apenas isso que faço! Tento chamar sua atenção para sua neta que acredita que é odiada pelo próprio avô!

– Ela é apenas uma criança! Ela não entende esses tipos de sentimento, Arizona. – pergunta Daniel, cruzando os braços na frente do corpo. – Isso é tudo novamente sobre você!

– Acha mesmo que se tratasse apenas de mim eu gastaria meu tempo com você? – retruco e eu vejo os homens arregalarem os olhos com a relação filha-pai.

– Nos realmente podemos voltar mais tarde... – o mesmo homem engravatado tenta mais uma vez se levantar.

– Senta nessa porra de cadeira, agora! – grita meu pai e todos obedecem.

Eu estremeço, pois raramente eu via meu pai perder a posição militar que tinha. Daniel afrouxa a gravata e respira fundo, me encarando com seus olhos azuis. Os barulhos de passos ressurgem do lado de fora da sala e minha mãe, Robert e Callie aparecem.

– Ela está bem? Sofia? – pergunta meu pai, olhando para a minha mãe.

– Ela está bem... – responde minha mãe, em uma tentativa de acabar com discussão. – Está tudo bem, ok?! Já chega!

– E essa sua preocupação agora realmente importa? – grito, olhando para Daniel. – Onde você estava quando Sofia precisou?

– Abaixe esse tom para falar comigo, Arizona Robbins! – retruca meu pai, com raiva. – Eu estava a caminho!

– Estava a caminho? – repito, dando uma risada sarcástica. – Esse aqui é o seu caminho? Espera! Não precisa responder, pois eu acho que já sei qual será a resposta. Sim! Esse é o seu caminho! Onde você estava quando Sofia estava no hospital? Aqui! Onde você estava no Natal? Aqui? Ação de Graças? Aqui!

– Sofia sabe muito bem que eu sempre cuidarei dela e nunca deixarei que nada lhe falte! – diz Daniel, tentando manter sua postura superior.

– E...? – retruco, com desdém.

– E que eu a amo. Eu a amo! – completa Daniel. – Como eu não amaria minha única neta? Você vive usando essas palavras sem ao menos saber o peso ou significado delas! Você as usa com qualquer uma! – murmura Daniel, com o tom sério.

– O que minha vida pessoal tem haver com isso? – rosno, fechando os punhos. – Você nunca quis saber o que acontecia comigo. Você nunca quis o que eu sentia! Você apenas julgava, julgava e julgava!

– Com quem você acha que está falando? – retruca Daniel, com a raiva crescendo em sua fala. – Pelo amor de Deus, você veio pra cá em uma moto de seu irmão! Você não tem que cuidar de nada, apenas estudar! Estudar em uma maldita universidade que eu pago para você! Você não precisa ser responsável por nada e nem por ninguém! Você é uma criança! Acha que é a primeira em perder algo na vida? – grita, apontando para mim. – Acha que, seja lá o que sente em seu coração, eu também não sinto no meu? Essa mesma dor... eu também sinto... sua mãe também sente! – murmura meu pai, olhando em meus olhos. Eu fico em silêncio por longos segundos, com toda a sala olhando para mim.

– Eu recebi o telefonema, não você! – sussurro, com as lágrimas fazendo meus olhos arderem. – Eu atendi o telefonema que dizia que meu irmão estava morto, não você. Eu o apoiei no sonho dele, não você... e você continua colocando a culpa em mim!

– Eu não coloco a culpa em você, Arizona. – responde meu pai, me encarando. – Você não consegue ver que você coloca a culpa em si mesma?

– Sério? – cantarolo, sendo irônica. – Acha que colocaria culpa do meu irmão morto em meus ombros? – pergunto, com as lágrimas escorrendo por meu rosto. – Esse o problema, pai! Você é o único aqui que não aceitou ainda que ele está morto! Você precisa entender que eu sou sua única filha viva. Eu ainda estou aqui! – digo, abrindo os braços. – E precisa entender que Sofia é a sua única neta e que ela correu perigo de vida hoje e o mínimo que você poderia ter feito era ter aparecido lá.

– Ok... – sussurra o homem, passando as mãos na cabeça. – Eu estarei lá quando ela acordar! – diz Daniel. Eu dou uma risada cheia de dor, por aquilo não ser suficiente.

– Você é tão tragicamente cedo que todos que você ama também irão querer mudar de país e você nunca mais irá os ver novamente. – digo, com veneno nas palavras.

O maxilar de Daniel trava quando eu acerto em sua maior fraqueza. Ele chega ao seu limite e dá passos rápidos em minha direção, partindo pra cima de mim.

– Sua ignoran... – ele grita, mas rapidamente os dois homens da ponta da mesa e Robert o empurram para trás.

– Arizona, saia daqui! – grita minha mãe, apontando para a porta.

Ao ver minha mãe novamente do lado de meu pai, mesmo depois de tudo o que acontecera naquela noite, foi o estopim para mim. Dou uma risada sarcástica e ignoro o olhar das pessoas. Dou passos rápidos através da sala e saio já em direção do elevador. Meu peito ardia em dor e eu me perguntava se aquilo um dia iria acabar.

Entro no elevador e aperto o botão do térreo. Encosto-me contra a parede fria de metal e me entrego às lágrimas. Bato contra a parede, em busca de diminuir minha raiva, mas era impossível. Atordoada, saio da empresa e percebo que meu capacete e a chave continuaram na ignição da moto. Monto nela e coloco o capacete na cabeça. Eu apenas queria ir para longe daquele lugar.

Piloto minha moto ainda mais rápido e cruzo mais semáforos, tentando fazer com que nem minha mãe ou nem ninguém me seguisse. O vento frio da noite de Seattle fazia meu corpo já trêmulo estremecer ainda mais. A trilha de lágrimas era constante e minha respiração irregular embaçava o vidro do capacete. Os minutos passavam e eu apenas continuava a seguir as ruas. Mal percebo quando entro no bairro nobre e paro a moto em frente ao meu apartamento que compartilhava com Alex.

Ele não estaria ali, pois me dissera que iria para a universidade naquela noite. Adentro com minha moto no pequeno estacionamento e passo pela recepção. Miguel vê o meu estado e sequer tem coragem de cobrar o aluguel que eu sabia que estava atrasado. O mexicano apenas joga para mim a chave do meu apartamento e eu subo as escadas às pressas, querendo escuridão e silêncio. Em frente a minha porta, coloco a chave na fechadura com certa dificuldade por causa das minhas mãos trêmulas. E quando consigo, abro-a e a fecho com força, gerando um barulho alto no corredor.

Não acendo a luz, não retiro minha jaqueta, não faço nada. Eu apenas tento encostar-me à parede, porque às vezes minhas pernas perdiam as forças. Eu estava tão cansada. Eu estava cansada de que tudo o que acontecia de ruim fosse por minha culpa. Nada, exatamente nada que eu fazia era algo concreto e bom. Meu pai tinha razão, eu não era responsável por nada. Eu era apenas uma criança!

Deslizo na parede e sento-me contra a mesma. O silêncio fazia meus ouvidos doerem, mas, aquela era a minha vida. Aquele completo silêncio que eu tentava constantemente preencher com bebidas e farras.

A única luz que entrava no apartamento era a da janela, proporcionada pelos postes na rua. Vejo um objeto fora incomum em cima de uma mesa na sala. Levanto-me, cambaleando para o lado e caminho até o porta-retratos. Ele não deveria estar ali. “Talvez Alex contratou uma mulher para limpar e ela o achou no fundo da gaveta” meu cérebro nublado tentou achar uma solução.

Pego o porta-retratos e analiso os quatro integrantes. Eu tinha aproximadamente dezesseis anos quando aquela foto foi tirada. Timothy estava ao meu lado, apenas um ano mais velho. O jovem fazia o sinal de chifres com dois dedos de sua mão esquerda e eu tentava retirá-la, rindo. Meu pai abraçava minha mãe que tinha um sorriso largo nos lábios.

Ver aquilo apenas fazia minha dor aumentar, pois eu mal conseguia me lembrar de como aquela família foi feliz um dia. O barulho de alguém forçando a maçaneta me faz sair dos pensamentos. Olho através do reflexo da janela uma silhueta alta e morena entrar e fechar a porta.

Ei! – a voz de Callie ressurge e eu suspiro, ao ver que ela não estava nem um pouco contente. – Como você pôde sumir daquele jeito? Você está maluca? – pergunta a mulher, com raiva. – Jesus... nós achamos que você tinha sofrido um acidente, Arizona! Fomos até a universidade e você não estava lá!

Eu continuo em silêncio, colocando o porta-retratos no lugar novamente, dentro da gaveta. Escuto a mulher rosnar por ser ignorada e ela puxa meu ombro, virando-me bruscamente para ela. Mas assim que ela vê meus olhos vermelhos e minha expressão pálida, a raiva que estava em seus olhos se dissipa.

– Arizona... – sussurra Callie, afagado meu rosto, preocupada. Eu fecho os olhos, ainda atordoada com tudo. – Querida, você está bem? – pergunta, envolvendo seus braços ao redor do meu corpo e bastou aquele contato para que eu desabasse em lágrimas novamente.

– Eu sou uma criança, Callie... – forço minha garganta dolorida, falando algo.

– O quê? – pergunta Callie, olhando em meus olhos. – Não... não escute as barbáries que seu pai falou.

– Ele está certo! – digo, soltando-me de seus braços. Eu não poderia tocá-la, eu não poderia continuar fazendo aquilo com ela. Eu era má, eu era uma hipócrita por levar aquilo tão longe. – Eu não tenho responsabilidade por nada. Eu sou uma nada! Eu vivo por causa de uma mesada que minha mãe me dá, escondida de meu pai! Eu quase fui expulsa da universidade diversas vezes! Eu sou estúpida, egoísta e não mereço pessoas boas perto de mim. Eu não mereço minha mãe, eu não mereço Sofia... eu não mereço você!

– Pare! – retruca Callie, com firmeza. – Pare, ok? Você não pode dizer para si mesma que não merece algo! Porque, Arizona, você é boa sim. E... quem não é egoísta? Quem não é estúpido? – pergunta, tentando se aproximar de mim novamente. Eu dou outro passo para trás, percebendo aquele era o momento de falar a verdade.

– Eu preciso te contar uma coisa. – sussurro, quase inaudível. Deus... minhas mãos estavam tremendo. – Eu... eu realmente preciso.

– O que? – pergunta Callie, pegando em minhas mãos.

– Hãm... – gaguejo. Meu estômago revirava. – No início... hãm... foi tudo errado! – digo. Balanço a cabeça, querendo organizar meus pensamentos. – Eu não fui verdadeira sobre mim no início...

– Como assim? – pergunta Callie, franzindo o cenho.

– Eu não era eu no início... – tento explicar, mas o nó na minha garganta não deixava. Callie faz uma expressão ainda mais confusa e aquilo me deixava com raiva. – Que droga! – grito, passando as mãos por meu rosto. Abro a boca para tentar novamente, mas Callie me interrompe.

– Eu acho que entendi. – murmura a morena. Meu sangue congela.

– O que? Como? – gaguejo, com os olhos arregalados.

– Eu sei que você usava uma camuflagem para se proteger dos sentimentos alheios, Arizona. – continua Callie. Eu balanço a cabeça sinalizando que não era aquilo que eu queria dizer, mas a morena continua. – Eu sei que sim! – reforça. Eu suspiro, desistindo. – Mas isso não é razão suficiente para você desistir de tudo! Muitas pessoas dependem de você! Muitas pessoas amam você!

– Você poderia me dar alguns nomes? – peço, dando uma risada irônica.

– Sofia, Barbara, Alex... Teddy... – responde a morena, caminhando em minha direção. – Eu.

– Não! – sussurro, dando passos para trás para manter a distância entre nós duas. Eu não conseguia pensar com ela ao redor de mim. – Você não me conhece, ok?!

– Arizona, você precisa parar de tentar afastar qualquer pessoa que demonstra um pouco de carinho e gratidão por você!

– Você apenas está demostrando gratidão por mim porque eu disse o que você não teve coragem de falar para sua mãe. – rosno, caminhando pelo corredor.

– Oh... eu entendi... – suspira Callie, com uma risada triste e abrindo os braços, colocando-se indefesa. – Você quer me machucar? Tudo bem... vá em frente. Eu aguento! Continue falando.

– Falar o quê? – retruco, virando-me para ela bruscamente. – Você não sabe quem eu sou! Você deveria pegar um avião e fugir pra longe de mim. Não deveria me ver nunca mais!

– Eu não posso fazer isso, ok?! – grita Callie, perdendo a paciência.

– Por que, Callie? Por quê? – grito dando um passo em sua direção, também querendo expulsar aquela dor.

– Porque eu te amo! – responde a mulher, abrindo os braços.

Meu coração para de bater por alguns segundos. Callie me encara, com seus olhos castanhos-chocolate olhando profundamente nos meus. Eu não sentia nada ao meu redor. Eu não sentia ar nos meus pulmões e nem força nas minhas pernas. Aquilo não poderia estar acontecendo.

– Não... – sussurro, com o meu queixo tremendo por causa das lágrimas.

– Sim... Arizona... eu te amo. – repete Callie, dando passos rápidos até perto de mim. A morena afaga o meu rosto. – Essa deve ser a pior decisão que estou tomando, mas eu não me arrependo de dizer que estou apaixonada por você. E não adianta tentar me afastar por causa disso, porque é tarde demais.

Eu não conseguia explicar o que eu estava sentindo. Eu não conseguia explicar o que aquela mulher me fazia sentir. Por que mais nada parecia ter importância quando Callie estava perto de mim? Por que até mesmo quando eu odiava suas ações eu as... amava?

Nunca em toda a minha vida eu estive tão exposta como eu estava diante Callie naquele momento. Ela era a única pessoa que estava olhando para dentro de mim. Eu queria gritar, chorar, beijá-la, tocá-la... eu queria fazer milhões de coisas. Mas eu continuo ali, em silêncio olhando seu rosto angelical e sua expressão temerosa por dizer aquelas palavras.

– Eu... eu não estou obrigando você dizê-las de volta, Arizona. – sussurra Callie, pensando que meu silêncio fosse por medo. Mas era... porém, não daquilo. – Eu sei que você não quer nada sério, ou... – ela hesita, pensando. — Eu sei que você não sente o mesmo por mim e...

Antes mesmo a mulher terminasse de dizer aquelas palavras eu uno nossos lábios em um beijo forte. Eu tinha uma vontade insaciável de estar perto dela, ou melhor, uma necessidade. Eu necessitava de seu corpo junto ao meu, sua pele contra a minha. Desconecto nossos lábios e olho profundamente em seus olhos.

– Nunca mais diga essas últimas palavras, Calliope! – sussurro. Eu não conseguia dizer de volta, mas aquilo parecia ser o suficiente para a mulher. Ela une nossos lábios novamente e responde, com sua língua pedindo acesso a minha boca.

Minha mente se concentra apenas na maravilhosa mulher na minha frente. Eu solto seu corpo apenas para puxar minha jaqueta por meus braços. Callie ainda afagava meu rosto, impedindo que nosso beijo se quebrasse. Jogo o tecido pesado em qualquer lugar daquela sala e de olhos fechados, eu começo a nos guiar pelo corredor.

Acho a bainha da blusa de longas mangas de Callie e a puxo por seu corpo e a passo por sua cabeça. Uma regata estava por baixo, para proteger a mulher do frio e ela a retira também, sem perder tempo. Eu faço o mesmo com a minha blusa e a puxo por minha cabeça. Callie me puxa contra seu corpo e eu uno nossos lábios novamente. Minhas mãos estavam trêmulas e eu não sabia o porquê. Meu corpo estava parcialmente sobre meu controle. Nossas línguas se tocavam como nunca haviam se tocado antes.

Continuo a nos guiar pelo corredor até parar na porta do meu quarto. O abro com certa dificuldade e conduzo Callie em direção à cama. A mulher inverte nossas posições e eu sinto a cama contra a parte de trás de minhas pernas. Sento-me na beirada do colchão, levantando minha cabeça para beijar a mulher agora mais alta do que eu. Nós duas, desajeitadas, retiramos nossos sapatos de qualquer maneira.

Aos poucos me inclino, arrastando-me para trás no colchão. Callie me segue, subindo também na cama. Eu puxo, com um pouco de força, a mulher para cima de mim, precisando dela. Ela coloca as mãos ao redor e paira sobre meu corpo. Callie fica de joelhos e eu ajudo a desabotoar o zíper de sua calça jeans.

Abro a calça e me sento na cama, com a mulher em meu colo. Beijo sua barriga lentamente, deixando que minha língua deslizasse por sua pele sensível. Um suspiro sai por seus lábios e eu a vejo de olhos fechados.

Começo a descer o jeans por suas pernas tonificadas. Seguro seu quadril e nos giro na cama, invertendo nossas posições para ajudá-la a retirar o restante do tecido por suas pernas. Pairando sobre ela, eu jogo o jeans para fora da cama.

Callie faz o mesmo e começa a desabotoar a minha calça. Sugo seu lábio inferior e ela suspira contra o meu rosto. Apenas retiro minhas mãos de seu rosto quando preciso deslizar a calça jeans por minhas pernas. Ao jogá-la para fazer companhia a sua, Callie se senta na cama e me puxa para seu colo.

A mulher recomeça nosso beijo. Eu coloco cada perna ao redor de seu quadril e me sento em suas pernas. Suas mãos deslizavam por minhas costas. Minhas mãos estavam emaranhadas em seus cabelos negros. Nossas línguas dançavam de um jeito que apenas elas conheciam. Meu pulmão começa aos poucos a arder, precisando de ar.

Sinto as mãos de Callie vagarem até o fecho do meu sutiã e então ouço um “click”. Ela puxa as alças por meus braços e desconectamos nossos lábios para retirar o tecido. A morena sorri para mim e me vejo completamente apai... “Droga...” meu cérebro choraminga. Não perco tempo e faço o mesmo, abrindo seu sutiã. Deslizo as alças por seus braços morenos e o jogo longe.

Minha boca fica seca ao ver os seios fartos de Callie. Eu simplesmente não conseguia ter o suficiente do seu corpo. Era algo mais que carnal, era além da luxúria. Callie afaga meu rosto e guia meu rosto para o seu, para que ela pudesse me beijar. A mulher deita-se para trás e nos gira na cama novamente. Oh... eu poderia me acostumar com ela sobre mim.

Ela liberta meus lábios e desce em uma trilha de beijos por meu pescoço. Eu fecho os olhos, sentindo-a em todos os lugares. Ela apalpa meus seios antes de levar o esquerdo à boca e meu corpo reage imediatamente. Meu coração acelera ao sentir sua língua ao redor de meu mamilo, fazendo círculos leves e invisíveis. Com a outra mão, ela massageava o direito.

Depois de um tempo que meu cérebro não ousou perceber e que Callie deu devida atenção aos dois, ela continua sua trilha de beijos por minha barriga. Arqueio meu corpo ao sentir sua língua em meu abdômen. As mãos que antes seguravam minha cintura vagam para o sul em direção do elástico da minha calcinha. Callie os pega com a ponta dos dedos e começa a puxá-los lentamente, enquanto seus lábios continuavam beijando minha virilha.

A dor vinda do meu centro se juntava ao calor que alastrava por meu corpo. Ela retira minha calcinha por minhas pernas e seus lábios chegam ao meu ápice, porém, eu não queria provocações. Eu não queria jogos. Eu queria Callie Torres. Afago seu rosto e a puxo para cima.

Giro nossos corpos e pairo sobre ela novamente, já puxando sua calcinha. Beijo suas pernas, saboreando o gosto de sua pele. Beijo suas coxas, suas panturrilhas e retiro o tecido por seus pés. Subo até seu rosto e nossos olhares se cruzam.

Coloco meu corpo sobre o dela com nossos seios e nossos abdomens se tocando pela primeira vez, fazendo-nos suspirar. Seus olhos estavam tão cheios de medo quanto os meus. Callie me amava. Ninguém nunca havia me amado antes e eu podia ver expresso em seus olhos castanhos-chocolate. Eles eram simplesmente lindos.

Uno nossos lábios novamente, dessa vez com menos pressa. Sinto o gosto deles, como se fossem feitos de algo doce. Coloco o peso do meu corpo em meu braço esquerdo enquanto minha mão direita acariciava suas pernas. Eu podia sentir o calor vindo de seu centro. Toco seu ápice e a mulher suspira debaixo de mim. Sinto seu clitóris contra meus dedos e estudo sua expressão... estudo-a fechando os olhos e sua boca entreaberta. Suas mãos acham meus cabelos loiros e emaranham-se neles.

– Você é tão linda, Calliope... – sussurro, unindo nossas testas. Callie me olha com ternura. – Você... é...você. – tento formar algo coerente na minha cabeça, algo que pudesse explicar o que eu estava sentindo, mas, nada saía. Suspiro, frustrada.

– Está tudo bem... – sussurra Callie, colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. Um sorriso megawatt nasce em eu rosto e meu coração acelera.

Revisto meus dedos de seus sulcos e deslizo dois para suas profundezas. Perco contato com seus olhos ao vê-los se fecharem. Um gemido rouco sai por seus lábios quando começo a movimentá-los em seu interior. Suas mãos puxam meus cabelos, tentando diminuir ao máximo a distância entre nossos corpos. Mantenho meu ritmo em seu interior, com seus gemidos sendo música para meus ouvidos.

– Calliope... eu preciso de você... – sussurro, com meu corpo ansiando por seus toques.

– Eu sei... – ela responde, em meu ouvido. – Eu estou aqui... com você.

Aquilo alimentou a febre que alastrava meu corpo. Sua mão esquerda solta meu cabelo e desliza por minhas costas. Callie aperta firme minha bunda e eu gemo entre dentes. Seus dedos tocam meu ápice e circulam minha entrada com meus sulcos. Ela os reveste também e eu fecho os olhos ao senti-los em meu interior. Aos poucos a morena começa seu ritmo, junto a mim.

Meu corpo estava em êxtase. Procuro seus lábios, querendo tocá-los novamente mesmo que não fosse um beijo perfeito por causa de nossas respirações irregulares. Encontramos então nosso ritmo. Ritmo... Nunca estive em ritmo com alguém antes.

Procuro por ar, mas era quase impossível. Algo queimava dentro de mim. Minhas entranhas queimavam e eu sabia que não era apenas por causa do prazer intenso que Callie me proporcionava. Era algo mais forte. Desconecto nossos lábios e coloco minha testa contra a sua. Eu não sabia quanto tempo estávamos ali, até porque aquilo não importava. Não importava o mundo lá fora. Aos poucos meus músculos começavam a responder com espasmos.

Nossos gemidos se misturavam no ar do quarto. O frio lá fora era algo insignificante, pois ali dentro era nossa bolha. Uma bolha rosa que havíamos criado sem mesmo percebermos. Seus olhos cruzam com os meus novamente. Não era sexo. Não era luxúria, não era busca pelo clímax. Era amor. Estávamos fazendo amor! E como se a mesma coisa passasse pela cabeça de Callie, ela inclina a cabeça e une nossos lábios.

A respiração de Callie fica pesada, sinalizando que estava junto comigo. Suas paredes já faziam contrações contra meus dedos e isso servia de estímulo para que nós duas não parássemos. Com seus lábios contra os meus, esperávamos nosso clímax e então ele chega forte.

Vejo o corpo de Callie responder e imediatamente o meu faz o mesmo. Gemidos altos de prazer saem por nossos lábios e eu tento uni-los, em uma tentativa sem sucesso de abafá-los. Segundos depois meu corpo relaxa e desaba contra o de Callie. Seu peito arqueava, ofegante. Ainda de olhos fechados, eu retiro meus dedos de seu interior ao sentir Callie retirar os dela.

Quando minha respiração já estava estabilizada eu abro os olhos e deparo-me com Callie me estudando. Sua mão acariciava meus cabelos calmamente. Eu precisava dizer algo de volta. Abro minha boca, mas a morena coloca um dedo sobre meus lábios.

– Não. – sua voz angelical pede. – Não é necessário agora.

– Calliope... – eu tento, mas ela sorri, fazendo-me ficar confusa.

– Eu sei... – sussurra Callie, beijando o alto da minha cabeça. – Apenas quando estiver pronta.

Eu franzo o cenho, estudando-a arduamente. Eu nunca havia conhecido alguém como aquela mulher. “Onde ela esteve todo aquele tempo? Por que ela entrou na minha vida daquele jeito... no momento errado e na hora errada?”, me pergunto. Callie sorri a me ver perdida em pensamentos e puxa a coberta sobre nossos corpos que perdiam calor.

Institivamente me acomodo contra seu corpo, com ela envolvendo seus braços ao redor de mim. Pela primeira vez há muito tempo eu me sentia segura. Eu queria dizer algo, mas não sabia como pronunciar aquelas palavras. Levanto meu olhar alguns minutos depois e percebo a respiração branda da mulher, mostrando que Callie dormia serenamente.

A dor do meu peito não diminuía e eu agora, de um jeito estranho e confuso, sabia a razão disso. Aquela dor que me corroía nos últimos dias não era apenas o remorso. Meu peito doía, porque eu me sentia culpada por amar aquela mulher. Eu a amava. Eu estava completamente apaixonada por Callie Torres.

“Eu vou reverter isso!” penso, olhando para seu rosto. “Eu tenho uma semana para fazer o que for preciso para acabar com isso e ficar com a mulher que eu amo.”.

Notas finais
~fungando~ Ai meu coração... ~fugando~ ~voz dos leitores~ "Mas esse capítulo foi muito grande..." ~voz dos leitores~ eu sei, eu sei... e o próximo vai ser maior ainda! Como eu disse, quanto mais Arizona quer que as coisas deem certo, piores elas ficarão... Deixem seus comentários, ideias, juras de amor, ameaças de morte por ter feito elas se apaixonarem e opiniões sobre a história! :D Obs: Já estou montando minha barraca nas colinas, porque daqui pra frente... olha... sem comentários.