Notas iniciais
Olá! Voltei menos atrasada que da última vez, mas mais atrasada que o normal, então espero que me perdoem. Minhas férias finalmente chegaram! (ouço um aleluia? sim). Minha crise de criatividade ainda continua, mas sorte minha que tenho uns capítulos guardados... exemplo de um é este, que na verdade, era a segunda parte do passado que por isso ficou menor que o normal. Obs: Recomendo que ouçam duas músicas. A primeira é Stay High - Habits Remix da Tove Lo e Hippie Sabotage. Depois a música Ride do SoMo. Comecem a primeira quando Arizona fala "Mostre-me então" para Callie e depois a outra. Me perdoem por qualquer erro de português. :)

ARIZONA PDV

– Querem algo para beber? – pergunto para as garotas quando o último show do festival termina. Já era próximo das 22 horas e meu corpo estava impregnado por pó colorido.

– Queremos água, por favor. – responde Addison, em voz das outras duas. Eu faço um sinal de afirmativo com a cabeça e saio em meio à multidão à procura do vendedor ambulante.

Já com quatro garrafas geladas em mãos, eu volto para o local na grama onde Addison, Callie e Teddy estavam sentadas. Esperávamos o fluxo de pessoas diminuir para que finalmente pudéssemos procurar o carro da ruiva e irmos embora.

Entrego a garrafa com água para cada uma e me sento ao lado de Callie. A morena tinha um sorriso megawatt no rosto e sua pele morena misturada com as cores fluorescentes fazia meu corpo responder positivamente àquilo. Eu estava feliz sabendo que Callie estava feliz. Eu nunca havia a visto tão radiante.

– Minhas pernas estão me matando... – resmunga Addison, tentando alongá-las na grama.

– Você ainda não viu nada... – retruca Teddy, provocando a ruiva. – Espere só para ver amanhã!

– Parem de reclamar... – cantarola Callie, dando uma risada doce. – Olhem para nós! Isso com certeza foi maravilhoso!

– Eu preciso admitir o mesmo... – murmuro, bebendo um gole do líquido gelado que eu tanto ansiava.

Eu achei a explosão bem legal! – completamos e eu e Callie ao mesmo tempo. Nós duas sorrimos e bebemos o líquido gelado de nossas garrafas. Percebemos Addison e Teddy se entreolharem.

– O quê? – pergunta Callie.

– É que... é bonitinho o jeito que vocês completam as frases uma da outra. – murmura Teddy, me lançando um olhar zombeteiro. Eu reviro os olhos e vejo que Callie ficara sem graça, fazendo um silêncio constrangedor rondar entre nós.

– Hãm... querem ir embora? – pergunto, tentando dar início a uma conversa.

– Claro. – respondem as mulheres, se levantando.

Aos poucos o calor que era passado entre as pessoas durante o show foi diminuindo e o frio da noite de Washington começou a ressurgir. Caminhamos entre as poucas pessoas que ainda restavam e saímos da grande área de shows minutos depois. Eu andava pela calçada enquanto Addison e Callie ainda cantarolavam as músicas que haviam sido tocadas. Deixo-as caminharem na frente e Teddy me espera para me acompanhar.

– Addison disse que está gostando de mim. – sussurra Teddy, cabisbaixa. Eu sorrio, de fato contente, mas eu não via a mesma reação no rosto da loira.

– Isso não é bom? – pergunto, ao ver sua expressão triste.

– Não assim... e não agora! – responde a loira. – O que elas vão achar de nós quando descobrirem a verdade?

Eu continuo em silêncio. Pela primeira vez pensar na possibilidade de perder aquele sorriso megawatt de Callie me atormentou. Ela era tão linda quando estava feliz. E como se a morena pudesse adivinhar que eu pensava nela, ela sorri para mim e aponta para o carro estacionado a poucos metros dali. Eu dou um sorriso fraco de volta e volto meu foco de olhar para Teddy. A loira suspira, pensando o mesmo que eu.

O vento frio da noite batia contra nossos corpos. Addison e Teddy novamente estavam no banco da frente e eu e Callie no banco de trás. Vejo a morena estremecer, provavelmente mandando um xingamento baixo para o fato de não ter trazido sua jaqueta de couro. Eu retiro minha jaqueta que estava dentro de minha mochila e coloco nos ombros da morena que em primeiro momento se surpreende.

– Obrigada... – ela sussurra, com um sorriso de lado.

– De nada. – respondo.

Callie se aconchega na minha jaqueta e desliza seu corpo até se encostar ao meu e repousar sua cabeça em meu ombro. Eu observo, franzindo o cenho. Mesmo com minha racionalidade dizendo não, eu a envolvo em um abraço para evitar que sentisse mais frio.

Uma hora depois e já dentro do perímetro de Seattle, Addison dirigia pelas ruas iluminadas. A ruiva diminui a velocidade quando o sinal vermelho aparece no semáforo.

– Aonde vão ficar, garotas? – pergunta Addison, com um sorriso amigo.

– Pode nos deixar em um ponto de ônibus mais próximo. – responde Teddy e eu sinalizo que sim, concordando.

– Nada disso! – retruca Addison, séria. – Não podemos deixar vocês duas sozinhas!

– Isso é verdade. – completa Callie. – Seattle não é segura.

– Eu tenho um quarto de hóspedes na minha casa. – murmura Addison, erguendo a sobrancelha para Teddy. As bochechas da loira rapidamente coram.

– Hãm... eu não quero incomodar. – gagueja Teddy.

– Você não vai incomodar. – retruca Addison, com um sorriso largo.

– Faço o mesmo convite a você, Arizona. – murmura Callie, levantando sua cabeça do meu ombro. Eu engulo seco. Eu não poderia entrar na casa de Carlos Torres. Eu... não teria sangue frio o suficiente para fazer isso. Além que bastaria uma troca de olhares para que o homem me reconhecesse e toda a verdade viesse à tona.

– Não é necessário... Eu... eu vou voltar para a universidade. – digo, com um sorriso sem graça. Vejo o sorriso de Teddy diminuir ao perceber a situação que eu me encontrava.

– Hãm... eu vou acompanhar Arizona. – completa Teddy, para tentar me ajudar.

– Sem essa! – retruca Callie, convicta. “Argh... essa teimosia...” meu cérebro resmunga. – Você vai dormir na minha casa!

– Callie... eu... – tento falar, mas a morena deita a cabeça no meu ombro e o sinal do semáforo abre de novo.

– Sem mais! – completa Addison, acelerando o carro. Teddy me lança um olhar preocupado por cima do ombro e eu suspiro, sabendo que Carlos iria me reconhecer.

“Deus... o que eu vou fazer?” meu cérebro gritava à medida que a distância até o bairro nobre diminuía. Callie nunca me perdoaria. Eu não deveria estar sentindo aquilo. Não deveria! Mas era impossível não sucumbir à dor. Como eu conseguia ser fria daquele jeito? A mulher estava deitada no meu ombro direito e eu pensando nesse tipo de coisa. Droga...

Quando Addison estaciona o carro eu posso finalmente analisar a casa que aparentava pertencer à família Torres. Nada que eu já não imaginasse que fosse. Uma mansão de tons pastel, com um enorme jardim verde na frente e uma árvore de carvalho branco na lateral. As luzes estavam desligadas e eu fico receosa ao fato de ter alguém ali.

– Estou sozinha em casa. – murmura Callie, como se novamente pudesse ler meus pensamentos. – Meus pais decidiram ficar mais esse final de semana em Londres.

– Oh... – digo, tentando disfarçar meu suspiro de alívio. Callie desce da BMW conversível de Addison e eu faço o mesmo, pegando minha mochila.

– Quando quiserem voltar para a universidade é só ligar avisando. – murmura Addison, dando uma piscadela maliciosa para Callie e esboçando um “aproveite a noite”. A morena dá uma risadinha sem graça para mim e eu seguro um sorriso achando aquilo bonitinho. A ruiva pisa fundo no acelerador e Teddy se segura no banco do carona.

– Oh, Deus... apenas espero ver minha amiga de novo. – provoco, observando o carro virar uma esquina. Uma risada doce sai dos lábios de Callie e ela caminha até a calçada.

– Addison vai cuidar bem dela. – responde Callie. Eu cerro os olhos para tentar distinguir se aquela frase tinha segundas intenções ou não. E como resposta para minha possível pergunta Callie sorri, erguendo uma sobrancelha sugestivamente. – Não vai entrar?

Um sorriso malicioso nasce em meu rosto ao entender as intenções da morena. Eu dou de ombros, fingindo não me importar e caminho em sua direção. Callie abre a porta com sua chave e espera eu passar para que finalmente a fechasse. Tento não deixar meu queixo cair ao ver o interior da casa. Com certeza era a mais luxuosa de todo o bairro. Quadros de diversos artistas estavam espalhados pelas paredes, esculturas e peças de porcelana no chão brilhante, os móveis estavam sem um grama de sujeira e eletrodomésticos eram de última geração.

Eu estremeço ao sentir um par de mãos quentes no meu quadril, por trás. Ouço a risada rouca de Callie e ela me empurra para frente para que continuássemos a andar. Eu sorrio ao sentir seu corpo tão perto do meu, fazendo meus problemas desaparecerem. Dois corredores se divergiam pelas laterais de uma escada que levava para o segundo andar. O subimos e chegamos à área dos quartos. Caminhamos pelos corredores e paramos de andar quando chegamos em frente à uma porta de madeira escura. Callie gira a maçaneta e eu adentro no que era de fato seu quarto.

A cor violeta escuro predominava nas paredes e uma cama de casal estava no centro do quarto. Alguns móveis e poltronas decoravam o espaço. Callie caminha até uma enorme janela e abre as persianas para que o ar frio da noite e a luz da lua entrassem. Ao fazer isso a morena vira-se para mim e me estuda por alguns segundos.

– É uma bela casa... – murmuro, segurando um sorriso.

– É sim... – sussurra Callie, dando um passo à frente.

– E com certeza é um quarto muito bonito... – continuo. Callie sorri enquanto dava passos lentos em minha direção.

– Obrigada... – ronrona a morena.

Callie apenas para de andar quando estava a poucos centímetros do meu corpo. Ela afaga meu rosto e eu suspiro, pronta para beijá-la. Ela aproxima seu rosto do meu e nossas testas se unem, mas ela nunca conectava nossos lábios.

Eu tento avançar, mas ela recua o rosto com um sorriso malicioso. Eu rosno baixo, porque toda a provocação vinda da mulher apenas me deixava mais ligada. Callie mordisca meu lábio inferior e eu deslizo minha mão para a base de suas costas e a puxo unindo nossas cinturas.

– Venha... vou te mostrar a parte de trás da casa. – sussurra a morena, contra meu rosto.

– A parte de trás da casa? – caçoo.

– Sim... – ronrona, mordendo o lábio inferior. Eu suspiro, observando seus lábios carnudos.

A morena entrelaça nossas mãos e me puxa para fora de seu quarto. Descemos as escadas e viramos no corredor da esquerda, caminhando até o fim do mesmo. Passamos pela longa cozinha e diversas portas que nos dava a outros inúmeros quartos da casa. Callie abre a porta dos fundos e eu me deparo com um longo jardim, com uma área de lazer e uma enorme piscina.

– O que você acha de nadarmos? – pergunta Callie, largando a minha mão e caminhando em direção da piscina.

– Callie... está congelando e estamos cheias de pó! – respondo, apontando para minha jaqueta que eu havia emprestado para ela. Caminho até perto dela e consigo vê-la revirar os olhos.

– Ok então... – resmunga, vendo que não ganharia de mim naquilo.

Ela me puxa pela cintura unindo nossos corpos. Eu gemo baixo, achando que finalmente ela iria me beijar. Sinto sua mão escorregar até minha bunda e enfiar a mão no meu bolso. Fecho os olhos esperando os lábios da mulher contra os meus, mas em vez disso, escuto uma risadinha e sinto-a tirar meu celular do jeans. Mal tenho tempo de abrir os olhos e sinto suas mãos me empurrarem em direção à piscina.

– Call... – eu tento gritar, mas a água corta minhas palavras. Ainda atordoada eu volto para a superfície às pressas, procurando por ar. Eu estremeço com músculos começando a ter espasmos para evitar o frio. – Oh, Deus! Você está louca? – grito, com raiva. Começo a esfregar meus braços para tentar produzir calor enquanto observava o pó que estava em meu corpo misturar à água.

– Arizona... – chama Callie, rindo. Eu enxugo o excesso de água dos meus olhos e olho para cima. – Não está frio. A piscina é aquecida!

Eu paro de esfregar as mãos em meus braços e pela primeira vez deixo meu cérebro raciocinar a temperatura real da água. Não estava frio. Callie dá uma gargalhada alta e eu sinto minhas bochechas corarem de vergonha.

– Você... você é... – eu rosno, cerrando os olhos para a mulher que ainda me observava do lado de fora. – Foi por isso que você tirou o meu celular, huh? – pergunto e Callie o coloca em cima de uma mesa perto. – Foi por isso que passou a mão na minha bunda?

– Gosto de passar a mão em sua bunda, Arizona. – retruca Callie, dando uma piscadela maliciosa para mim.

– Hummm... – cantarolo na provocação e continuo a boiar. – Você apenas vai ficar aí me observando?

– Talvez... – retruca Callie. Eu dou de ombros e com a mão espirro uma boa quantidade de água na mulher que não esperava. – Arizona! – rosna a morena.

Eu dou uma risada vitoriosa e observo a água marcar a camiseta em cima de seu sutiã vinho e ele, consequentemente, marcar seus seios. Minha risada vai diminuindo à medida que seus seios ficavam ainda mais visíveis.

– Parece que você vai precisar tirar a roupa molhada, Calliope. – provoco, erguendo uma sobrancelha. – Ou você vai congelar aí de fora...

Callie semicerra os olhos e retira minha jaqueta, jogando-a na grama ao lado. Em seguida ela abre o zíper de seu short e o desce por suas pernas tonificadas. Eu continuo observando-a, com apenas meus olhos e meu nariz para fora da água. Callie sorri e pega a bainha de sua blusa e a puxa por seu corpo, passando-a por sua cabeça. O conjunto de suas roupas íntimas era um vermelho escuro, que, assim como qualquer cor perante meus olhos, combinavam com o seu tom de pele. Aquele corpo...

A morena continua, sem quebrar seu olhar em mim. Ela se inclina e começa a desamarrar os tênis e eu tenho a visão maravilhosa de seus seios dentro de seu sutiã. Engulo seco, com meu centro dando os primeiros indícios. Ela desamarra os cadarços e retira os tênis, dando um passo para o lado. Ela tira também suas meias e por fim, as coloca dentro do sapato.

Callie ignora a escada ao lado e corre, pulando na piscina bem ao meu lado e fazendo uma boa quantidade de água espirrar em meu rosto. Retiro o excesso de meus olhos e vejo a mulher voltando à superfície e passando a mão pelos cabelos para jogá-los para trás.

– Você sempre viveu aqui? – pergunto, olhando a mansão. Callie nada até perto de mim e começa a boiar na minha frente.

– Nos mudamos da Flórida quando eu ainda era bem pequena. – responde Callie, olhando também ao redor. – Eu acho que foi meses antes de meus pais descobrirem que Aria estava vindo.

– Parece que você e sua irmã não se dão muito bem, não é? – pergunto, com um sorriso triste.

– Parece? – pergunta Callie, sendo um pouco sarcástica. – É meio que óbvio!

– Isso é algo que não aconteceu comigo. – comento, com um suspiro triste. – Mas... em compensação ao minha reação com o meu pai...

– A minha também não é uma das melhores. – responde Callie, dando de ombros. – Apenas quero formar... talvez eu nem faça meu internato aqui porque quero distância.

– Eu também não quero fazer meu internato aqui. – respondo, molhando meu rosto para diminuir o frio. – Quando eu me formar na universidade eu quero uma vida nova, sabe? – digo e Callie concorda com a cabeça. – Talvez Alex ou Teddy queiram mudar comigo. Mas, mesmo se eles não quiserem... eu farei o máximo para ir embora. Eu ainda não fui por causa de minha sobrinha.

– Sofia, certo? – pergunta Callie.

– Sim.

– É ela quem você chama de Picasso? – pergunta e eu sorrio.

– Sim. Ela desenha e pinta maravilhosamente. Minha mãe a ama. – respondo. – Meu pai... eu não sei... ele deveria dar mais atenção para ela, sabe? – digo e Callie continua me estudando atentamente. – Ela é a única neta dele!

– Entendo...

– E quando eu me formar... eu tenho em mente levar Sofia comigo. – digo e Callie se surpreende, erguendo as sobrancelhas. – Eu arrumarei um emprego em um hospital e ela poderá ficar em uma creche... eu... eu não sei... – suspiro. Fico em silêncio por alguns segundos, me questionando o porquê que eu havia falado aquilo tudo. Callie continua boiando e me encarando.

– Você sempre faz planos assim? – pergunta a morena.

– Na verdade, não. – respondo, um pouco sem graça. – Mas eu sei o que é ser um encosto na vida de alguém, Calliope. Não quero que Sofia cresça sempre sentindo isso.

– Arizona... você não é um encosto, ok? – adverte Callie, franzindo o cenho.

– Eu... argh... diga isso para meu pai. – suspiro, balançando a cabeça. – Mas... e você? O que quer fazer quando se formar?

– Oh... quero fazer meu internato em outro país. – responde Callie. – Talvez me juntar à Cruz Vermelha depois.

– Cruz Vermelha? – pergunto, surpresa.

– Eu gosto de ajudar as pessoas. – responde Callie. Um sorriso bobo nasce em meu rosto.

– Isso é uma ótima qualidade, Calliope. – murmuro e um sorriso megawatt nasce em seu rosto.

– Obrigada... – ronrona, se aproximando lentamente até mim. – Talvez eu faça meu internato em Londres... oh, sempre quis morar em Londres.

– Por que Londres? – pergunto, franzindo o cenho.

– Eu amo sotaque britânico. – responde Callie, com um sorriso malicioso. Eu bufo, imaginando outra pessoa falando naquele sotaque para ela. – Qual é, Arizona... – ronrona a morena, se aproximando de mim na piscina. – Vai dizer que não gosta de outros sotaques?

– Sou muito fã do sotaque espanhol. – respondo, dando de ombros. Callie semicerra os olhos, entendendo a possível provocação. – Não é por sua causa, acredite.

– Uhum... sei. – cantarola, descrente.

– Agora me diz... quem aqui se acha? – pergunto, provocando-a.

– Eu aprendi com uma loira por aí... – sussurra Callie me empurrando para trás na água até que eu sentisse os azulejos frios da piscina contra minhas costas.

– Oh... – ronrono, erguendo uma sobrancelha.

– Por causa dessa mulher eu me tornei uma viciada em sexo. – continua Callie. Eu não resisto e começo a rir.

– Parece que essa mulher entende mesmo do assunto. – retruco e Callie dá uma risadinha concordando.

– Sorte dela que eu aprendo rápido... – sussurra no meu lóbulo esquerdo. – E sei fazer melhor ainda.

– Hum... – cantarolo, mordiscando seu queixo. Sinto a morena suspirar contra o meu rosto. – Mostre-me então.

A morena sorri e com uma mão segura a minha nuca, já unindo nossos lábios em um beijo forte. Sua língua pede acesso à minha boca e eu aceito prontamente. O fato de precisarmos continuar batendo nossos pés para boiarmos tirava nossa total atenção do ato, então aos poucos Callie começou a me guiar em direção à escada da piscina.

Eu suspiro com o frio do metal do corrimão contra minhas costas, mas o calor do corpo de Callie rapidamente inibe qualquer rastro daquilo. Sento-me em um dos degraus da escada e Callie se posiciona entre minhas pernas. A morena pega meus calcanhares e os coloca ao redor de sua cintura e eu os fecho, cruzando-os em suas costas.

Só quando vejo Callie estudar meus seios por baixo da blusa agora transparente que percebo que ainda estava com todas as minhas roupas. A morena acha a bainha da minha blusa e levanta, passando o tecido encharcado por meus braços e o jogando para fora da piscina. Meu sutiã azul, também colorido, deixavam meus seios com uma ótima aparência e Callie suspira ao senti-los na palma da mão.

Fecho os olhos quando ela começa a massageá-los por cima do tecido e sinto sua respiração quente contra meu pescoço. Pouco depois sinto suas mãos escorregarem pelas laterais do meu corpo até o zíper do meu short e ela com movimentos rápidos abre os botões. Callie puxa o tecido por minhas pernas e novamente joga o tecido para fora da piscina. “Oh... isso dará trabalho para nós amanhã...” minha mente nublada pensa.

Callie desliza suas mãos por minhas pernas e para em meus tênis encharcados. Por causa da água, ela sequer precisou desamarrar os cadarços para retirá-los de meus pés junto às minhas meias e os jogá-los também longe.

Com esse pequeno espaço entre nós eu pude finalmente desfrutar da ótima imagem da mulher molhada. Com minhas costas para fora da água, rapidamente o frio começa a me fazer estremecer. A morena sorri docemente e passa a mão molhada por minha pele.

– Que tal um banho, huh? – pergunta Callie, contra o meu rosto. – Tenho certeza que lá a corrente de água é sempre quente.

– Você vai sempre me zoar por causa disso, não é? – pergunto e ela dá uma risada genuína.

– Talvez por mais alguns meses. – responde, inocentemente. Eu olho em seus olhos ao ouvir a palavra “meses” sair por seus lábios. – Vamos? – ela chama, ao ver meu silêncio eminente.

– Sim. – respondo, descruzando meus pés de sua cintura.

Subo o resto da escada e o frio totalmente bate contra o meu corpo. Eu começo a agitar minhas mãos em meus braços enquanto esperava Callie sair da piscina.

– Oh, Calliope, se apresse! – eu imploro, dando pulinhos para fazer meu coração acelerar e bombear mais sangue para aquecer meus membros. – Desse jeito vamos acabar ficando gripadas!

– Oh... você parece uma criança reclamona, Arizona! Engula isso! – resmunga Callie, saindo da piscina. Eu reviro os olhos, quase mostrando a língua para a mulher.

Callie passa o braço ao redor de meus ombros em uma tentativa sem sucesso de produzir calor entre nós duas. Corremos até a porta dos fundos ignorando nossas peças de roupas jogadas na grama. Callie abre a porta e eu adentro na casa quente. Suspiro um pouco mais aliviada e começamos a andar em direção à cozinha.

Por causa de meus pés molhados e o piso bem encerado, a falta de atrito me faz escorregar. Callie rapidamente me segura pelos braços, mas também escorrega fazendo nós duas cairmos ao chão. Em vez de reclamarmos, começamos a rir da situação de fato... sem graça.

– Somos duas idiotas. – diz a mulher, em meio às gargalhadas. – Devíamos ter pegado nossos tênis.

– E deixar pegadas de pó colorido assim como a bandeira gay? – pergunto e finjo pensar. – Oh... isso na verdade teria bastante estilo. – provoco-a e sua risada aumenta ainda mais.

– Você entende de estilo? – pergunta Callie, me encarando. Eu reviro os olhos e tento me levantar equilibrando em uma mobília.

– É claro que sim. – minto e solto a mobília para mostrar que conseguia pelo menos me manter de pé como uma “modelo”. Callie semicerra os olhos e sem precisar da mobília se coloca de pé graciosamente. Meu sorriso morre ao ver que havia sido “humilhada”. – Isso não tem graça. – bufo, assim como uma criança emburrada. Começo a andar na frente dela para onde eu achava que estava o banheiro e Callie segura uma risadinha.

– É no andar de cima. – ela comenta. Eu, ainda tentando ser superior, mudo minha direção para as escadas. A risada doce da mulher ecoa e eu não resisto em dar um pequeno sorriso. – Não faça isso, ok? – sua voz estava em minha nuca e de repente eu sinto seus braços ao redor de meu corpo por trás. – Prometo deixar você ter mais “estilo” da próxima vez...

– Uhum... – cantarolo, apenas para fingir que ainda estava magoada.

Callie coloca um beijo no meu pescoço e continuamos a andar até o fim do corredor e eu deduzo que aquele era um dos diversos banheiros espalhados pela mansão. Callie abre a porta e a primeira coisa que vejo que a grande banheira no centro do cômodo. Um espelho estava na parede ao lado, uma pia e vários suportes para os produtos. Havia também o box do chuveiro e uma estante cheia de toalhas. Ando até o centro, ainda estudando o cômodo enquanto a morena fechava a porta.

– Um mini system? – pergunto, apontando para uma pequena caixinha de som com o Ipod conectado.

– O que? – retruca Callie, quase ofendida. – Eu gosto de dançar no banho. – explica. Eu dou uma risadinha, estudando aquela mulher.

– Você é uma figura, Callie Torres. – provoco-a e ela dá de ombros, enquanto caminhava para abrir o box do chuveiro. – Vamos ver o que você tem aqui... – digo, começando a mexer na lista de favoritos.

Percebo que todas as músicas ali de fato eram as que eu já sabia secretamente. Havia até alguns que eu aprendi a gostar quando precisei pesquisar para saber do que se tratavam. Escolho uma e Callie vira-se para mim, surpresa.

– Você gosta de SoMo? – pergunta, franzindo o cenho.

– Eu ouvi em algum lugar... – respondo, sorrindo.

A morena semicerra os olhos e se aproxima de mim novamente. Ela puxa meu corpo contra o dela e começa a me guiar para dentro do box. Callie abre o fecho de seu sutiã que era na parte da frente e seus seios fartos saltam. Faço uma expressão de “continue” e ela rosna baixo, puxando sua calcinha por suas pernas e ficando totalmente nua na minha frente.

Um arrepio de prazer sempre cruzava o meu corpo quando eu via Callie Torres nua. E como resposta à minha provocação, a mulher ergue uma sobrancelha sugestiva para que eu retirasse as minhas roupas. Continuo parada, querendo ver onde aquilo daria e dou um sorriso pervertido.

– Vai ser assim? – rosna. Dou de ombros como resposta e ela sorri maliciosamente.

Ela insere dois dedos nas laterais da minha calcinha e puxa o tecido para baixo. Ao ficar em pé na minha frente de novo, ela vê o meu sorriso e entende a provocação. Ela morde o lábio inferior e procura o fecho do sutiã em minhas costas molhadas. Ao jogá-lo para fora do box ao lado de suas roupas, Callie estuda meu corpo com um ar vitorioso.

– Gosta do que vê? – ronrono, colocando meus braços em seus ombros.

– Hum... gosto sim. – responde, ainda sorrindo.

Callie liga o chuveiro e a água morna cai sobre nossos corpos com uma ducha forte. Como primeira reação eu estremeço com o choque de temperaturas que antes eu fui submetida. Deixamos a água escorrer por nossos corpos por alguns segundos, antes de Callie pegar um sabonete.

Eu mordo meu lábio inferior com força ao senti-la deslizar a barra por meu pescoço. Ela desce lentamente, deixando um caminho cheio de espuma por entre meus seios enquanto sua mão direita livre acariciava a pele. Eu dou um passo para trás e me encosto contra os azulejos brancos para me ajudar a sustentar.

A espuma entre nossos corpos deixavam nossas peles ainda mais macias. Callie continua passando o sabonete em nossos corpos e eu fecho os olhos, saboreando as reações do meu corpo. Seus seios tocavam nos meus... suas mão apertava minha nádega esquerda... através de um beijo desengonçado sua língua penetrava em minha boca.

Eu não precisava questioná-la para saber o que faria a seguir, pois meu corpo já respondia. Sua mão esquerda eleva meu joelho para a lateral de seu corpo e nossos ápices se tocam. Um gemido de aprovação que vem da minha garganta é abafado por seus lábios dominando os meus.

Minhas mãos estavam emaranhadas em seu longo cabelo negro. Callie desconecta nossos lábios em busca de ar e deixa a corrente de água deslizar por seu rosto. Eu passo meus dedos por sua testa, retirando os cabelos negros que ousavam cobrir sua beleza. A respiração pesada da mulher estava no meu pescoço e ela mordisca meu lóbulo esquerdo.

– Eu quero lhe provar... – sua voz ronca estava dentro da minha cabeça.

Lentamente ela desce minha perna de sua cintura e começa uma trilha de beijos do meu pescoço até meu seio esquerdo. Eu reviro os olhos de prazer quando Callie leva meu seio à boca. Sua boca mordiscava e sugava-o com fervor, enquanto isso sua mão direita vagava até meu centro. Gemo ao senti-la. Callie utiliza dois dedos para fazer círculos invisíveis contra meu clitóris sensível.

Um gemido alto sai por meus lábios e eu apoio meu pé na parede, dando mais espaço para a mulher. A água caia em meu rosto e eu fecho os olhos, sentindo tudo. E ficou ainda melhor quando eu senti a língua da mulher no lugar de seus dedos.

Como instinto minhas mãos emaranhadas em seus cabelos. Eu sentia suas mãos apertando meus seios e os massageando... seus dedos me penetrando arduamente... o prazer queimando dentro de mim... tudo de um jeito que me levava à loucura.

“Callie Torres me levava à loucura”.

Notas finais
Espera... é impressão minha ou o jeito que Callie e Arizona "ficaram juntas" começou a mudar? hummm... e por que algo me diz que a paz das duas nessa casa não vai durar por muito tempo? Imagina se alguém aparece... OMG! Deixem seus comentários, ideias, juras de amor, ameaças futuras de morte e opiniões sobre a história. :)