Notas iniciais
E aí, o que acharam da história na visão de Arizona? Que tal sabermos como é o lado da Callie? Aí está! Obs: Recomendo que ouçam a música My Songs Know What You Did In The Dark do Fall Out Boy no início do PDV. E me perdoem por qualquer erro de português. Eles serão corrigidos depois.

CALLIE PDV

O suor escorria por meu pescoço e fazia seu caminho por minha pele morena. Meu corpo estava em total êxtase por estar se exercitando habitualmente. Tudo o que meu cérebro processava era as batidas do meu coração misturadas com as vibrações vindas do meu fone de ouvido.

Com uma boa música em meu MP4, eu fazia a minha corrida matinal pela vizinhança. A vista era basicamente casas cada vez maiores que as outras sendo construídas, jardins verdes com o excesso de água e crianças brincando com bonecas caras. Olho em meu relógio de pulso quanto tempo já corria em busca de não me atrasar logo hoje. Com a cabeça cumprimento a Sra. Ramírez, uma idosa que morava cerca de três casas da minha.

– Ótima manhã, não é, querida? – pergunta a mulher, tentando ser prestativa. Eu diminuo meu ritmo, mas continuo me movendo sem sair do lugar.

– Sim, Sra. Ramírez, está. – respondo, com um sorriso educado.

– Por que não vai à minha casa mais tarde para tomar um café? – pergunta a idosa. Eu sorrio com ternura, sabendo que depois da morte de seu marido há um ano ela estava em uma completa solidão.

– Hoje eu não posso, Sra. Ramírez. Eu tenho que voltar para a universidade. – murmuro, com um sorriso triste.

– Oh... tudo bem. Você está fazendo a coisa certa! – responde a mulher, com um sorriso feliz. – Espero estar viva para poder consultar com você um dia.

– É claro que estará, Sra. Ramírez. – corrijo-a, fingindo estar magoada com suas palavras. – Mas, infelizmente eu realmente preciso ir.

– Fique com Deus, querida! – responde a mulher, quando eu começo a correr novamente.

– Que Ele também esteja com você. – respondo, sorrindo por cima do ombro.

Eu morava em uma região nobre de Seattle, mais precisamente na região oeste e há alguns quilômetros da última casa do quarteirão que pertencia a James Murphy, um grande arquiteto. Precisava admitir que quando era criança eu gostava de morar naquelas redondezas, mas depois que ganhei certa maturidade eu percebi como a maioria das pessoas fizeram coisas sem ética para estarem onde estavam.

Como por exemplo, a mulher do meu vizinho de porta, Marie, uma estrangeira que seduziu o homem e ele a tornou sua esposa para que ficasse no país. Ou até a família que morava duas casas após a minha, que o filho vendia drogas.

Eu sabia de tudo, porém me mantinha calada. Foi algo que eu aprendi sozinha: Não fale nada e não será julgada. Acredite em mim, eu não sou psicótica ou curiosa demais, é apenas que eu tive bastante tempo para observar minha vizinhança, porque meus pais não eram liberais... não depois do que havia acontecido.

Sem retirar os fones de ouvido, eu subo os degraus em frente a minha casa e vou direto para os fundos usando um pequeno corredor ao lado. Passo pela enorme árvore de carvalho que nos disponibilizava nos tempos de verão uma sombra fresca. Cumprimento Collin, o jardineiro, e entro pela porta dos fundos tentando não chamar atenção de ninguém na casa, principalmente dos empregados. Atravesso a enorme cozinha e caminho pelos longos corredores.

Entrando às escondidas novamente? – a voz rosna perto do meu ouvido.

– Jesus... Aria! – grito, colocando a mão no peito e sentindo meu coração acelerado. – Eu odeio quando você faz isso!

– Então por que entra em silêncio? – pergunta minha irmã mais nova, cruzando os braços na frente do corpo.

Eu reviro os olhos, odiando o fato de ela ser tão mimada. Observo a roupa que vestia: um blazer rosa sobre a blusa branca e a calça longa, assim como nossa mãe nos obrigava a usar. Ou melhor, obrigava Aria a usar.

– Porque não quero ninguém me perguntado a razão de eu ter saído, sendo que todas as malditas manhãs eu faço a mesma coisa! – rosno, subindo as escadas em direção ao meu quarto no segundo andar.

– Nossa mãe não gosta que você fique falando esse tipo de palavreado. – retruca Aria, me seguindo.

Eu bufo e paro de andar quando estava na frente da porta do meu quarto. Estudo minha irmã novamente, perguntando-me mentalmente se ela realmente era apenas cinco anos mais nova do que eu e se de fato tinha 19 anos. “Eu não era tão chata aos 19...” meu cérebro zomba.

– Eu tenho 24 anos, pelo amor de Deus, eu me responsabilizo pelas palavras que saem da minha boca! – rosno e abro a porta.

– Vamos ver o quê ela tem a dizer sobre isso. – retruca Aria, erguendo uma sobrancelha para tentar me intimidar. Eu apenas dou uma risada sarcástica.

– Vá em frente! – respondo, sorrindo e fechando a porta bruscamente.

Tranco a porta para me certificar que não veria minha irmã tão cedo naquele dia. Por cima do ombro vejo que já era próximo das 10 horas da manhã no relógio em cima de uma escrivaninha perto da minha cama. Eu sabia que em menos de duas horas Addison já estaria passando para me dar uma carona até universidade.

Jogo meu MP4 em cima da cama e vou até a janela para abrir as persianas para deixar os raios entrarem naquele quarto. Decido usar aquele intervalo de duas horas para tomar um banho longo e arrumar minhas coisas para levar para meu quarto no alojamento.

Quando o barulho da buzina da BMW conversível vermelha de Addison ecoa por meu quarto, eu pego minha mochila e a jogo nas costas. Com uma caixa com alguns utensílios em mãos, eu corro pelos corredores da casa e desço a grande escada.

– Não vai se despedir de mim? – pergunta minha mãe, quando eu atravesso a sala de recepção em direção à porta principal.

– Quando você chegou? – pergunto, sorrindo.

– Tem poucos minutos... já estava pensando em lhe procurar pela casa. – responde Lucia.

Minha mãe não era muito alta, mas tinha cabelos negros como os meus. Em roupas desenhadas por ela própria, a mulher exalava o poder que realmente tinha.

– Preciso ir, Addison vai me dar uma carona. – murmuro, enquanto Addison buzinava intensamente do lado de fora.

– Addison? – pergunta minha mãe, dando-me um olhar de soslaio. – Você sabe a minha opinião sobre essa garota. Pode ter bons pais, mas sua personalidade...

– Mãe, pare! – peço, o mais educada que eu poderia ser. – Ela é a minha única amiga, ok? Sem ela... eu não vou ter ninguém.

– Você sempre terá sua família. – responde Lucia, sorrindo. Vejo atrás da minha mãe uma figura feminina. Sorrio para Herman e ela faz um cumprimento formal com a cabeça.

– Precisa de alguma coisa, Srta. Torres? – pergunta a governanta. Nicole Herman trabalhava com a família a mais de 13 anos e era amada por todos.

– Já disse para não me chamar de Srta. Torres. – peço, gentilmente. – É apenas Callie e não preciso de nada. Muito obrigada! – digo e Herman sorri para mim. – E o papai? – pergunto para minha mãe, prestes a abrir a porta.

– Trabalhando. – responde minha mãe, com um sorriso triste. – Nós sabemos como é.

– É... – suspiro.

– Vá com Deus, minha filha. – diz minha mãe, se aproximando de mim e me abraçando. Eu retribuo o afeto e ela me dá um beijo na testa.

Eu sorrio e caminho até o carro de Addison. A ruiva estava com um óculos de sol e um short curto, deixando sua marca registrada. Jogo minhas coisas na parte de trás do carro e sento no banco do carona.

– Prometo cuidar de sua filha, Sra. Torres... – provoca Addison, dando um sorriso de lado.

Eu abaixo a cabeça, envergonhada. Minha mãe dá um sorriso falso e faz um sinal de despedida com a mão antes que Addison pisasse fundo no acelerador. Eu me seguro no banco de couro e pouco depois já estávamos longe da minha casa.

– Eu sei que ela me odeia. – diz Addison, dando uma risadinha.

– Ela não te odeia. – respondo, sorrindo. – Ela apenas acha “inovador” seu jeito de viver.

– Quer dizer o fato de eu não ter um namorado fixo? – pergunta Addison, erguendo uma sobrancelha sobre o seu óculos de sol preto. – Porque se for isso, você também não tem.

– Eu sequer tenho namorado, Addison. – retruco, revirando os olhos.

– Vai me dizer que não pegou nenhum cara nessas férias de Julho? – pergunta a ruiva, dando um sorriso malicioso.

– Eu e minha família fomos para Paris. – respondo, observando a vizinhança ao nosso redor. Idosos cortavam grama, mulheres conversavam animadas provavelmente sobre o novo modelo de tapetes. Mas nada que realmente me interessava.

– Uau... – cantarola minha amiga, interessando-se pelo assunto. – Quer dizer que você teve sexo quente com alguém na França?

– Addison! – advirto-a, rindo. – Eu conheci um cara.

– Eu sabia! – grita a ruiva, batendo as mãos no volante. – Me conte os detalhes, amiga! Ele te levou para jantar? – pergunta Addison, com um sorriso malicioso. Eu podia ver suas mãos apertarem no volante em busca de uma boa fofoca para escutar.

– Sim. Jantamos observando o rio Sena.

– E...? – pede a ruiva, acelerando o carro de acordo com sua empolgação. Desse jeito estaríamos na universidade antes dos cinco minutos que gastávamos habitualmente. – Ele te levou para a casa dele? Como você se livrou de seus pais para fazer essa proeza?

– Meus pais foram em uma festa de gala, onde algumas amigas estilistas da minha mãe estavam. – respondo, erguendo uma sobrancelha sugestivamente. – E sim... ele me levou para a casa dela que, na verdade, era uma mansão!

– Oh meu Deus! – cantarola a ruiva. – Eu sabia que tinha uma Ursa Safada dentro de você! Tem o quê? Quatro meses desde que você foi pra cama com um homem? Qual era o nome dele mesmo... ah... Connor! Isso! Jesus... quatro meses!

– Você vai me deixar falar ou não quer saber sobre a banheira cheia de espumas que ficamos? – provoco, sorrindo. – Ou dos morangos e chantilly?

– O que? – pergunta Addison, boquiaberta. – Conte-me os detalhes, agora! Como era o corpo dele?

– Oh, ele tinha um abdômen que... por Deus! – ronrono, revirando os olhos. A mulher geme, de fato imaginando a cena.

– Argh! – suspira a mulher. – E vocês fizeram onde? Na banheira mesmo ou ele te levou para a cama?

– Fizemos em todos os lugares. – respondo, com um sorriso malicioso. A mulher freia o carro no sinal vermelho em um semáforo.

– Calliope Iphegenia Torres! – grita a mulher, histérica. – Eu não acredito!

– Shhhhh! – eu rosno, olhando para os lados certificando que ninguém havia escutado meu nome completo. – Você sabe que odeio meu nome completo!

– Vocês usaram preservativo, não é? – pergunta Addison, colocando a mão no meu ombro. – Qual era a marca? Vai saber se essas marcas francesas são boas...

– Sim, claro que usamos! – respondo, fingindo estar séria. – E a marca era “Mensonge”. Quer saber o que significa isso?

– Claro que sim. – responde a ruiva, com um sorriso pervertido.

– “Mentira” em francês. – respondo, segurando uma risada.

A mulher hesita por alguns segundos processando tudo e, de repente, seu sorriso morre por completo. Ela retira seus óculos escuros e me lança um olhar mortal com seus olhos claros.

– Você estava de brincadeira com a minha cara o tempo todo? – pergunta a ruiva, realmente séria. Eu não resisto e começo a rir descontroladamente.

– Não! Eu juro! Nós realmente fomos jantar, mas ele me levou para o hotel antes da meia-noite e eu assisti TV até meus pais chegarem. – respondo, procurando por ar.

Addison bufa e engata a primeira macha em sua BMW. Eu não conseguia parar de rir da expressão de desdém da ruiva. Já perto da área universitária, um carro cheio de homens passou por nós e nos lançaram diversos beijos e cantadas. Addison prontamente às respondeu e me incentivou a fazer o mesmo.

– Achei que você não estivesse mais em homens. – provoco a ruiva enquanto ela passava pela placa “Universidade de Seattle” e continuava a dirigir pela rua que nos levaria até o estacionamento para alunos.

– Mulheres... homens... o que importa é que são pessoas. – responde a ruiva, dando de ombros. – Conheci uma morena em Los Angeles nesse Julho.

– Então quer dizer que você está falando monólogos da vagina oficialmente? – pergunto, dando uma risada.

A ruiva bufa e estaciona o carro em uma das poucas vagas que ainda restavam. Diversas pessoas caminhavam pelas calçadas com mochilas e caixas em mãos.

– Olhe só quem está falando... pelo menos eu assumo o que sou. – retruca Addison. Meu sorriso morre em questão de segundos. A ruiva morde a língua, percebendo o que havia dito. – Me desculpe, Callie... eu... eu...

– Você apenas disse a verdade. – digo, ríspida. Eu abro a porta de sua BMW e pego minha mochila e caixa no banco de trás. Vejo a expressão de culpa da ruiva e dou um sorriso fraco para tentar acalmá-la. – Está tudo bem, ruiva, eu gosto da sua sinceridade... às vezes.

– Eu realmente preciso segurar a língua às vezes. E você também! – murmura Addison, sorrindo e pegando sua caixa também. – Agora vamos... temos um quarto em um alojamento feminino para arrumar.

A universidade tinham regras simples. Era proibido sair da universidade depois das 23 horas e fins de semana eram opcionais. Alunos que não moravam na cidade ou até no país, podiam ficar nos Sábados e Domingos. Era começo de segundo semestre e todos ali já estavam acostumados. Eu e Addison estávamos distraídas conversando sobre quem ficaria com a melhor cama dessa vez e não percebemos a chegada de um carro por trás. O barulho dos freios nos alarma.

Addison... você tem uma linda bunda e eu adoraria continuar olhando pra ela, mas eu realmente preciso estacionar o meu carro nessa vaga! – a voz de Alex Karev ecoa pelo pátio.

Viramos ao mesmo tempo e eu vejo o homem dentro de seu carro. Ao seu lado, no banco do carona, estava Arizona Robbins. A loira de olhos azuis estava na minha classe desde o início do ano, mas nunca de fato conversamos. Ela e Alex foram transferidos depois de arrumarem alguma confusão com a outra turma. Mentalmente eu me questionava se Richard Webber não era paciente demais com aqueles dois.

E rapidamente eu tenho a minha resposta: “Ela é filha de Daniel Robbins.” e assim tudo fazia sentido. Arizona não era a única que nunca havia me notado dentro daquela sala, pois a maioria também não. Mas, eu sabia coisas sobre ela e sabia que principalmente que todo o alojamento feminino a conhecia de “outro jeito”.

– Vá se danar, Alex! – responde Addison. Alex e Addison já tiveram seus “momentos” e o rapaz nunca desistia de querer repeti-los.

– Você tem meu número, linda, por que nunca me ligou depois daquela noite? – grita o homem, de dentro de seu carro enquanto estacionava na vaga.

No interior do veículo eu podia ver Arizona Robbins deslizando seu óculos por seu nariz e estudando eu e Addison. Reviro os olhos, dando um passo à frente para que Addison seguisse meu exemplo.

– Me desculpe, querido, mas... eu não gosto de café requentado. – retruca Addison e dá uma piscadela para Alex, que saía do carro junto com Arizona.

A loira dá uma risada alta acompanhada de Teddy, Mark e George que estavam debaixo de uma árvore próxima. Eu seguro um sorriso para não rir do pobre homem humilhado. Addison dá uma risadinha e me puxa pelo braço para que voltássemos a andar pelo pátio sem olharmos para trás.

– Por que senti uma leve implicância ali atrás? – pergunta a ruiva, enquanto cumprimentava as pessoas que passavam por nós.

– Do que você está falando? – pergunto, confusa.

– Eu vi o jeito que você revirou os olhos quando Arizona Robbins estudou suas pernas. – responde Addison, rindo como se aquilo fosse óbvio. Caminhávamos em direção ao prédio principal passando por uma fonte que jorrava água para cima.

– Como você percebeu isso? – pergunto, franzindo o cenho. – Achei que você estivesse brigando com o Alex.

– Sou multitarefas. – responde Addison, dando uma risada alta com a própria bobagem.

– Não suporto o jeito que ela age. – murmuro, com desdém. – Apenas isso...

– Oh, sério? – provoca Addison, com um olhar de soslaio.

Ao chegarmos a frente ao prédio principal percebemos o aviso que teríamos apenas até às 13 horas para arrumarmos nossos quartos antes que fosse necessária nossa presença no salão de festas no norte da universidade. Já acostumadas, pegamos um caminho que todos os jovens ali seguiam em direção a um corredor que ligava até única e principal praça da área universitária.

– O que você quer dizer com “Oh, sério?”? – pergunto, semicerrando os olhos.

– Ninguém tem implicância com outra pessoa sem razão. – responde Addison.

– Não é apenas a Arizona ou apenas o Alex. – retruco, revirando os olhos. – Você sabe que não tenho muita paciência com pessoas... como eles.

– É... eu sei disso. – murmura Addison, sorrindo. – Me admira o fato de você me suportar.

– Preciso concordar com você. – digo, aceitando sua provocação. A mulher finge um olhar magoado, mas eu entrelaço nossos braços e nós seguimos em direção ao nosso alojamento.

A praça principal era o coração da universidade. Na sua frente estava a reitoria da escola, ou melhor, onde Richard Webber, Ellis Grey e Meredith Grey moravam. Richard era o diretor da universidade e estava noivo de Ellis Grey, mãe de Meredith Grey, além de ser professora e viúva de Thatcher Grey que falecera há cinco anos.

Homens tinham a sua região de alojamento e mulheres a sua. Richard Webber disse que por mais que já fossemos adultos era da responsabilidade dele evitar conflitos... e claro, evitar qualquer notícia nos jornais de algum tipo de abuso. Como se isso realmente evitasse o contato entre gêneros dentro da universidade... principalmente depois das 00:00 nos quartos.

Do lado esquerdo do prédio ficava a região de alojamentos masculinos. Eles eram divididos em três prédios com cada contendo três andares, um elevador, banheiro compartilhado e uma sala de recepção com uma televisão enorme que na maioria das vezes passava jogos de futebol... como já é de se esperar de homens.

Do lado direito do prédio ficava a região de alojamentos femininos. Também eram divididos em três prédios de três andares. O banheiro ficava no terceiro piso, ocupando quase metade do andar.

Caminhamos até em frente o alojamento A. Adentramos na recepção e somos recebidas por Olivia, uma mulher de aproximadamente trinta anos, alta e loira, que era responsável de arquivar a hora exata que deixávamos o quarto por qualquer razão que fosse.

– Bom dia, garotas! – cumprimenta Olivia. Nós respondemos com um aceno. – Onde estão os cartões de vocês? – pergunta, pedindo pelos cartões verdes de nossos quartos do semestre passado.

Eu pego o meu em meu bolso e a entrego. Addison faz o mesmo e Olivia pega os dois cartões e os arquiva em seu computador. Ela caminha até uma estante e pega novos cartões que dessa vez eram da cor azul.

– Obrigada! – respondo, sorrindo.

– De nada, querida, bons estudos! – diz Olivia, também sorrindo.

Diferente do início do ano, não havia pais rondando as filhas, então o tráfico até nosso quarto não foi congestionado. Com pouca bagagem, pegamos o elevador e subimos em direção ao terceiro andar. Nosso quarto era o 315 e no fim do mesmo corredor, era o banheiro compartilhado do prédio.

Em frente à nossa porta, eu passo o meu cartão no detector e uma luz verde aparece com a porta destravando. Tudo estava do mesmo jeito que deixamos há um mês. As paredes eram revestidas pela tinta neutra branca e o piso de linóleo também branco.

Duas camas estavam em lados opostos, uma perto da janela no canto esquerdo e a outra do lado de direito perto de um médio guarda-roupa. Guarda-roupa que tinha mais roupas da Addison do que minhas. Uma única poltrona estava em frente à cama de Addison e uma escrivaninha longa estava embutida na parede do lado da janela. Havia bastante espaço no centro do quarto para que duas pessoas pudessem transitar sem nenhum problema.

– Não deveria admitir, mas eu senti falta desse lugar. – murmuro, jogando minha mochila na cama perto da janela.

– As coisas em casa não estão bem? – pergunta Addison, caindo sobre sua cama.

– Meu pai trabalha o tempo todo e por mais que o quê ele faz seja perigoso... ele não aceita isso. – rosno, sentando na poltrona em frente à cama da ruiva.

– Sua irmã mais nova ainda lhe atormenta? – pergunta Addison, fazendo uma careta ao mencionar Aria.

– Todos os dias. – respondo, com um suspiro cansado.

– Sabe o que devemos fazer? – pergunta a ruiva, sentando-se na cama. – Devemos sair para beber.

– Oh, não, hoje não! – respondo.

– Eu não disse o dia. – rosna Addison, me dando um olhar soslaio. – Você ficou sabendo da festa que vai ter na casa de Derek amanhã?

– Derek? Seu ex? – pergunto, franzindo o cenho.

– Aham. – responde Addison, erguendo as sobrancelhas sugestivamente. – Ex? Já tive vários depois dele, querida.

– Ele namora a Meredith Grey. – retruco, rindo. – Que são amigos de Jackson e April. E em relação à April... sabemos que com aquela precisamos ter cuidado... a loucura dela é contagiosa.

– Verdade. Somos as mais sãs dessa universidade. – responde Addison e compartilhamos uma risada.

– Com certeza. – suspiro. O silêncio vaga pelo quarto por alguns segundos. Eu respiro fundo e encaro o teto do quarto.

– Acha que esse semestre vai ter algo de diferente? – pergunta a ruiva.

– Eu não sei. – respondo, sendo sincera. – Mas eu espero que seja algo bom...

“E que mais um semestre comece... por que eu realmente preciso de algo bom.”

Notas finais
Primeiro "contato" de Callie e Arizona... já sinto algo? hahahaha Deixem seus comentários, ideias e opiniões sobre a história! Isso me deixa muito feliz e me ajuda a continuar escrevendo! :D