Segundas Chances
6 Retribuição
Notas iniciais
Isabella
Edward estava confuso e um pouco assustado por estar ali. Assim como eu, ele não sabia o que estava acontecendo. Fomos informados que se tratava de um testamento. Edward havia comentado que seus pais tinham morrido, assim como os tios. Não havia quem deixar algo para ele. Acreditava estar sozinho todo esse tempo.
O delegado a nossa frente arrumava alguns papéis e remexia uma pasta. Finalmente achou o que estava procurando e nos fitou seriamente.
— Você é Edward Cullen, então... Demoramos a te achar rapaz.
O homem de meia idade estava em forma e tinha uma mania estranha de ficar mexendo em sua barba rala.
— Eu... Me mudei recentemente — Edward disse relutante, olhando-me.
— Sim, ficamos sabendo. — O delegado sentou-se à nossa frente, limpando a garganta e deixando claro que não daria maiores explicações de como achara Edward.
— Bem garoto, você tem uma grande quantia para receber, além de uma carta pessoal e alguns pertences.
— De quem? Quem me deixou tudo isso? — Edward estava chocado e também podia ver desconfiança em sua expressão.
Olhei-o e segurei sua mão, apertando-a em um gesto de apoio.
— Na carta pessoal, ele te chama de neto.
— Será que... Jack?
— Sim, é ele. Parece que vocês não se veem há anos, não é mesmo?
— Mal me lembro dele. Pensei que já estivesse morto.
— Ele parece lembrar bastante de você senhor Cullen, e veio a falecer há pouco tempo. Bem, agora vamos tratar de toda sua herança.
Edward
Eu não sabia exatamente o porquê, mas a presença dela mudava tudo naquele momento.
Eu jamais poderia imaginar que tinha um avô que sabia da minha existência... E muito menos que ele me deixaria alguma coisa. Na verdade, muita coisa.
Jack pelo que me lembro, sempre foi legal comigo. Porém, faz muitos anos e mal me recordo de seu rosto. Eu ainda não entendia porque ele resolvera deixar tudo para mim. Se estava vivo... Por que quando meus tios morreram não havia me procurado, sabendo que eu estava sozinho? Nove anos de minha vida que pensei ser órfão e esse tempo todo, meu avô estava vivo.
Passamos horas até resolver tudo sobre minha herança e fiquei aliviado ao saber que mesmo com crimes cometidos, a polícia não tinha conhecimento de nada. Ou não tinham provas.
Alguns dias se passaram até tudo se resolver, precisei fazer uma conta no banco e assinar muitos papéis, conversei com o advogado do meu avô e com outras pessoas que pareciam conhecê-lo bem.
E o melhor de tudo é que Bella estava ao meu lado, deixando-me só para trabalhar e ir à faculdade. Ela fazia toda a diferença.
Seus amigos, Alice e Jasper haviam partido para uma viajem de três meses.
Bella andava triste com toda a situação. Com os amigos longe, a mãe em um mar de sofrimento, e eu confuso com tanta coisa ao mesmo tempo. Mesmo assim ela sempre esteve firme e forte quando precisei dela.
Estava na hora de retribuir todo o seu apoio.
Estava saindo do banho quanto escutei a porta da frente da casa se abrir e fechar. Renée estava trancada no quarto, como sempre. Então só poderia ser Bella.
Botei uma calça de moletom larga e camisa de botões, olhei para o laptop que ela me ajudou a escolher, minha conta do banco estava aberta ali e bem... Agora eu era milionário.
Andei até a sala e lá estava ela, sua aparência era cansada e preocupada.
— Isabella?
— Oi, cheguei. — sorriu fracamente.
Isabella
Entrei em casa completamente focada em meus problemas, não tive boas notícias hoje, e tudo parecia que ia desmoronar de novo.
Estava prestes a entrar em uma crise de choro quando ouvi sua voz rouca. Arrepiei-me e suspirei. Desde aquele beijo na cozinha, que já faziam semanas, não tivemos mais momentos assim e sinceramente a cada dia que passava com ele, desejava-o mais.
Obriguei-me a ficar calma e não deixar que ele percebesse coisa alguma. Edward estava cheio de novidades para assimilar e não queria preocupá-lo mais.
— Você está bem? — Ele se aproximou e acariciou minhas bochechas. — Deveria descansar.
— Sim, estou bem. Apenas cansada. Mas vai passar.
Seus olhos avaliaram-me e pode parecer ridículo, mas ele me conhecia e eu sabia que acabaria descobrindo que havia algo errado.
— Isabella, não minta pra mim.
Fechei os olhos em tortura, segurando as lágrimas e obrigando-me a ser forte e apenas negar.
— Não estou mentindo, está tudo bem. É só cansaço. — Minha voz saiu um pouco fraca e sabia que naquele momento eu confirmara de que algo havia acontecido.
Ele pegou as bolsas que eu segurava e botou em cima da mesa da sala.
— Tome um banho, vou servir o jantar.
Se o conhecia bem, aquilo era um "Esse assunto não acabou".
Edward e eu nos aproximamos muito nesse tempo em que estávamos vivendo sobre o mesmo teto, era medonho o quanto parecíamos nos conhecer. Tanto da vida de um, quanto da personalidade do outro.
Saí da sala em passos rápidos e fui direto para o banheiro.
Arranquei as roupas de meu corpo e em segundos a água quente estava em contato com a minha pele.
E ali me libertei.
Chorei como se fosse melhorar alguma coisa. Chorei como se depois disso eu fosse ficar bem.
Hoje no trabalho tive a notícia de que eu estava na lista de corte de gastos. Alguns dos outros funcionários também seriam despedidos, porém eu precisava daquele emprego mais que tudo. Minha faculdade era pública, mas havia livros que eu precisava e minha mãe em seu estando frágil precisava de mim... Precisava de conforto e usava alguns calmantes que eu era encarregada de comprar. Voltaria à estaca zero de novo. E dessa vez eu não tinha Alice ali do meu lado.
Se não fosse pela casa de meus amigos, estaria na rua com a minha mãe.
O destino era esse afinal? Nunca conseguir melhorar de vida? Não era justo.
Eu precisava desse emprego e agora mal sabia como daria conta do que estava por vir.
Respirei fundo e aos poucos fui tomando meu banho. Se demorasse mais, Edward ficaria desconfiado.
Enrolei-me na toalha e me olhei no espelho. Cansada era pouco para o que eu parecia.
Ignorei meu reflexo e me sequei, penteei os cabelos e vesti-me confortavelmente. Estava frio por conta da forte chuva que caia lá fora.
Andei até a sala meio temerosa. Edward já tinha cozinhado outras vezes e era surpreendente como ele se dava bem na cozinha. Mas não sabia até onde isso ia.
— Edward? — perguntei.
— Na cozinha! Estou terminando.
— Tudo bem, vou chamar minha mãe.
— Não precisa Isabella, já estou aqui — O som da voz de Renée me surpreendeu. Ela nunca saia do quarto sem que chamássemos e tinha certo receio de ficar com Edward no mesmo espaço.
Na cozinha, encontrei os dois sorrindo e se ajudando com a refeição.
Peguei uma das travessas que estava na mesa e me dirigi para sala, em seguida os dois também vieram.
***
— Obrigada. — falei de repente.
— Pelo que Bella? — ele logo perguntou.
Olhei para meu prato vazio e sorri. O gosto delicioso de sua comida, que fora preparada com a ajuda de minha mãe, ainda estava em minha boca. Eles faziam uma boa dupla.
Renée já havia se recolhido e por isso sobrara eu e ele na sala.
— Por tudo. Você tem me ajudado aqui em casa.
— É o mínimo que posso fazer... Eu é que deveria te agradecer por tudo. Não sei como, mas... Bella você é tão boa para as pessoas que te tem por perto. Sempre tentando ajudá-las, criar soluções, cuidar da melhor forma possível... Eu vejo o que você faz, guarda seus problemas para si mesma, evitando preocupar os que estão ao seu redor. E o que mais me fascina e mostra o quão boa você é: Faz tudo isso sem esperar nada em troca.
Suas palavras me assustaram. Eu era realmente assim?
— E-eu... É automático. Eu não acho que seja tudo isso... Só... — gaguejei e me enrolei com as palavras.
Levantei o rosto e fitei seu rosto.
— O único problema, é que você cuida de todos, menos de você mesma. — Ele sussurrou e levantou.
Veio até mim e me ajudou a levantar. Olhei-o por alguns segundos e sabia que estava perdida. Não tinha como fugir do quanto eu queria esse homem comigo.
Abracei-o forte e ele retribuiu na mesma intensidade.
— Me conte o que aconteceu. Deixe-me cuidar de você. Eu quero ajudá-la.
Lágrimas escorreram por meu rosto e eu não conseguia segurá-las. Quantas vezes imaginei alguém dizendo isso pra mim... Alguém me estendendo a mão e pedindo para cuidar de mim?
Até hoje, só duas pessoas haviam feito isso. Alice e Jasper, por isso eu insistia tanto em esconder os meus problemas. Eu os amava e era grata demais por tudo que fizeram e fazem por mim. E foi ai que me dei conta.
Meu coração havia escolhido outro alguém para amar, e esse alguém era Edward.
Suas mãos em minhas costas faziam carinhos enquanto eu chorava. Ele beijava meus cabelos e murmurava palavras de conforto.
— Ah, Edward...
Afastei-me um pouco de seus braços e levantei minha cabeça.
Nossos lábios a centímetros. Eu já não aguentava mais. Desfiz o pouco de distância que ainda tínhamos e colei meus lábios nos dele.
Como eu havia sentido falta disso!
Um gemido escapou de mim e seguido por vários outros, meus e dele. Suas mãos me apertavam em seus braços, sua boca esmagava a minha com fome. Meus dedos puxavam seus cabelos suavemente e eu mal me aguentava em pé.
Minhas pernas ficaram moles e agradeci por ele estar me segurando. Afastei-me e olhei em seus olhos por um momento.
— Tão linda... — ele murmurou antes que eu juntasse nossos lábios de novo.
Minhas mãos deslizavam por suas costas e logo foram para a parte da frente, abrindo botão por botão de sua camisa.
Gemidos e roupas jogadas de qualquer forma no chão da sala, mostrava o quanto queríamos um ao outro.
— Minha mãe... Droga.
Separei-me dele e peguei sua mão, puxando-o para o “meu” quarto.
— Bella... — ele sussurrou e puxou meu corpo contra o dele.
Botei o dedo em seus lábios, impedindo-o de continuar.
— Apenas, faça-me sua.
Seus olhos claros estavam mais intensos que nunca e mais escuros por conta do desejo.
Ele me pegou pela cintura e aos poucos fui perdendo qualquer linha de pensamento.
Roupas eram tiradas de nossos corpos, até não sobrar mais nada. Beijos, sussurros, gemidos e pedidos.
Empurrei-o para cama e gemi ao sentir sua pele nua contra a minha. Edward olhava-me com devoção, o que me deixava ainda mais segura em minha decisão de entregar-me para ele. No momento, era o que eu mais queria.
— Minha preciosa Bella... — ele sussurrou antes de nos virar na cama, traçando beijos, lambidas e algumas mordidas por diferentes partes do meu corpo.
Eu não tinha experiência nenhuma em uma relação sexual ou de qualquer outro tipo de relação, mas com Edward tudo parecia tão fácil, certo e profundamente prazeroso. A cada beijo meu corpo parecia mais quente e pulsante, desejando-o dentro de mim. Desejando ser dele.
— Edward... Eu não aguento mais esperar.
Ele acariciou meu rosto com seu polegar e distribuiu beijos por meu rosto, descendo por meu pescoço e seios. Meus gemidos se tornavam cada vez mais altos.
Abri os olhos no momento que o senti entrar em mim.
Edward estava de olhos fechados, a respiração ofegante enquanto preenchia-me devagar. Seus olhos abriram, avaliando todas as minhas reações.
— Estou bem. — falei.
Em um único movimento minha virgindade foi rompida e soltei um gemido de dor. Lágrimas encheram meus olhos e um soluço ficou preso em minha garganta.
Edward ficou imóvel em cima de mim e secou minhas lágrimas com beijos.
— Vai passar, meu amor.
Ele começou a se movimentar, devagar e aos poucos minha dor foi passando, um absurdo prazer tomava seu lugar, apossando-se do meu corpo.
Apertei-o a minha volta e minhas unhas apesar de curtas, arranharam sua pele. A cada investida eu gemia mais e sentia-me no paraíso.
Nossos olhares estavam conectados num misto de sensações.
— Ah Isabella...
Calei suas palavras com um beijo ao mesmo tempo em que ele investia seus quadris contra os meus. Cada vez mais forte.
O prazer estava presente em cada toque, cada gemido e movimento. Segurei sua orelha com meus dentes.
— Mais... — sussurrei.
Não foi preciso dizer mais nada, ele aumentou a velocidade de seus movimentos e me perdi em seus braços.
Gemidos viraram gritos e ali eu tive a certeza de que ele era tudo que eu precisava. Eu me sentia segura, desejada e amada.
— Edward!
— Isso amor... Isso, linda...
Meu ápice se misturou ao dele e abafei meus gritos em seu pescoço.
***
— Eu não acredito que fizemos mesmo isso. — ri e ele me apertou em seus braços, rindo junto.
— Nem eu. Foi... — sussurrou.
— Indescritível. — completei.
Nos entreolhamos e rimos.
Estávamos há vários minutos, ou talvez horas deitados na cama, abraçados, ainda nus. Suas mãos estavam em volta da minha cintura, fazendo carinho em círculos e apertando-me levemente às vezes.
Eu me sentia absurdamente feliz.
— Sua pele é tão macia...
— Vou acabar ficando convencida com tantos elogios. — sussurrei brincalhona.
Sentia uma felicidade imensa, algo que nunca senti antes e Edward parecia compartilhar o mesmo estado de espírito.
— E deve mesmo. — rimos e ele beijou meus cabelos. — Isabella... Vai me contar o que houve?
E como uma faca afiada, a realidade chegou. Os problemas, as tristezas... Minha vida miserável estava de volta a minha mente.
— Vou ser demitida. Estou na lista de cortes de gastos da lanchonete. — falei enquanto me sentava de frente para ele.
Sempre havia pensado que sentiria vergonha em ficar nua com um homem, mas me enganara. Com Edward tudo parecia natural, eu realmente não me importava com isso.
— Ei, olhe pra mim. — ele sentou assim como eu e levantou meu queixo, fazendo-me olhar para ele.
— Você não está mais sozinha. — disse acariciando meu rosto.
— Isso não é justo. — resmunguei, já sabendo o que ele faria.
— É sim. Você me ajudou e agora é minha vez de te ajudar.
— Edward eu não quero que você... — comecei, mas seus dedos pressionaram meus lábios, obrigando-me a parar de falar.
— Eu vou te ajudar Isabella, quer você queira ou não.
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