Segundas Chances
11 Negócios
Notas iniciais
Isabella
Eu sentia, sentia tudo ao meu redor tremer, mas, na verdade, era apenas eu mesma que tremia.
Meus lábios estavam secos e meus olhos arregalados, qualquer ruído me fazia tremer. Qualquer ruído daquele poderia ser o meu perseguidor.
De alguma forma eu sentia que algo aconteceria, o desejo de correr só crescia a cada segundo. Mas, eu não podia. O mais seguro era ficar escondida, longe dos olhos especulativos dos meus colegas de trabalho.
O medo do meu telefone estar de alguma forma grampeado, foi superado pela vontade de fazer alguma coisa. Ignorei todo o nervosismo e digitei os três números que jamais quis usar.
"911. Qual a sua emergência?"
Edward
O silêncio de Isabella estava começando a me preocupar, já haviam se passado vinte minutos do seu horário de saída do estágio.
Estabelecemos que um mandaria uma mensagem para o outro a cada duas horas, assim não haveriam preocupações. Em sua maioria eram códigos, palavras soltas, mas que significavam algo para nós.
Bella jamais atrasara alguma mensagem, então resolvi lhe mandar uma.
"Está tudo bem?"
Ignorei os funcionários que me desejavam boa noite e antes mesmo que pudesse pensar com clareza, me vi indo para o estacionamento onde meus seguranças já se encontravam.
— Roger, você pode contatar o Harry? Gostaria de saber se está tudo certo com a Isabella.
Roger era o chefe entre todos os seguranças que eu havia contratado. Ele se revezava entre Bella e eu, no momento ela estava acompanhado por William e Harry.
— Claro, senhor. Um momento.
Olhei para o meu telefone mais uma vez, checando se havia alguma nova mensagem e obriguei-me e ficar calmo quando vi que não havia nenhuma notificação. Gesticulei para Roger que falava ao telefone e entrei no carro.
Eu não esperaria. A empresa onde Bella estagiava, não ficava longe.
Isabella
Passos, o som de sapatos de salto alto batendo contra o piso se tornavam mais próximos a cada segundo. Tentei usar uma das estantes do arquivo como esconderijo, mas sabia que isso não ajudaria por muito tempo.
Poucos estagiários tinham acesso a essa sala, eu esperava que fosse apenas uma coincidência. Segurei o fôlego enquanto a porta se abria e uma mulher acendia a luz.
Não demorou muito para que ela me visse.
— Bella! Caramba que susto! Você está bem? — perguntou.
Henley parecia confusa, e antes que eu pudesse notar, estava abraçando-a.
— Henley! — exclamei.
— Bella, você está tremendo! O que aconteceu?
Afastei-me dela e rapidamente fechei a porta da sala. Eu tinha que ficar escondida até a polícia chegar.
— Nada, eu só... Estava descansando um pouco.
Eu gostaria de me bater por ser uma péssima mentirosa. E é claro que ela percebeu.
— Ei, se não quiser me contar, tudo bem. — deu de ombros.
Henley era uma pessoa divertida e me cativara desde a primeira semana que entrara na empresa.
— Vou pegar uma água para você.
Eu sorri com a gentileza e a deixei sair da sala.
Minhas mãos tremiam enquanto ligava para Edward, eu estava tentando não entrar em pânico. Duas ligações caíram direto na caixa postal e eu não pude evitar um xingamento. Ele deveria estar sem sinal.
Felizmente, alguns minutos depois uma mensagem dele chegou.
"Está tudo bem?"
"Não. Alguém está com o celular do William, o código não estava certo"
O respondi e pulei de susto quando Henley mais uma vez abriu a porta.
— Cruzes, Bella! Sou só eu. Por que está tão assustada? — ela me olhou preocupada.
— Obrigada – agradeci enquanto pegava o copo de sua mão.
Meu celular apitou e era Edward, dizendo que estava a caminho. Eu já havia chamado a polícia, então só precisava aguentar mais um pouco.
— Vamos mulher, respire. Parece que viu um fantasma.
— Ainda não – resmunguei de volta e tomei rapidamente a água.
Sentei-me atrás de umas prateleiras e ignorei as perguntas de Henley.
Você está segura Bella, está segura.
Aos poucos tudo foi se acalmando, tornando-se lento e confortável.
Eu já não sentia mais medo e muito menos entendia o que estava fazendo ali. Na verdade, meus olhos mal conseguiam ficar abertos. A vontade de dormir me tomou, eu precisava me livrar de toda aquela letargia.
Minha respiração se acalmou, meu corpo relaxou e meus olhos se fecharam. Apoiei a cabeça em uma das prateleiras e me permiti relaxar.
A última imagem que vi, foi o sorriso gentil de Henley, tornar-se diabólico.
Edward
Meu coração estava acelerado. Roger falava com outros seguranças ao telefone. Isabella estava sendo caçada por toda a empresa.
Três homens e duas mulheres não identificados, estavam evacuando o prédio, a fim de encontrar Isabella.
Eu não conseguia acreditar que alguém queria pegá-la com tanto afinco, seria Charlie, ou um louco qualquer?
Os seguranças que não foram apagados, estavam dentro do prédio também atrás de Isabella. Eu só esperava que eles a encontrassem primeiro.
***
Eu não queria acreditar no que via, a empresa estava vetada por polícias. Os funcionários se aglomeravam ao lado de fora, tentando entender o que estava acontecendo.
Logo fui autorizado a passar e sem me importar com nada, parti para as câmeras de segurança, eu precisava saber onde Isabella estava.
Infelizmente, o que vi nas câmeras, era muito pior.
Uma mulher de máscara preta e um homem corpulento carregaram Isabella para fora do prédio, por uma das saídas laterais. Ela havia se escondido na sala de arquivos, um dos poucos lugares da empresa onde as câmeras estavam com defeito.
Com a cabeça pulsando e os olhos ardendo, corri até a sala, como se o que acabara de ver no vídeo, pudesse ser um engano. Tudo estava em perfeito estado, como se um sequestro não houvesse acontecido ali.
Policiais examinavam a sala e os pertences de Isabella que ficaram para trás, incluindo seu celular.
Nele continha uma mensagem não enviada.
" Não se preocupe, não estou sozinha. Ficarei bem até você chegar"
Três dias depois
Isabella
Eu estava presa, não havia como saber a quantos dias, já que ficara apagada por um tempo.
Eu estava sendo vigiada, não havia como saber por quem, já que a pessoa nunca falava comigo e eu estava vendada.
Eu estava em algum lugar longe do centro, mas não havia como saber onde, já que não havia barulho, cheiro ou claridade.
Nada. Eu não tinha como saber de nada.
Minha maior preocupação, era que não estava sendo alimentada. Apenas recebia água de vez em quando, uma pessoa com mãos enluvadas me forçava a abrir a boca e sorver o líquido.
Eu estava grávida, e não fazia ideia de há quantos dias não comia ou saía da mesma posição.
Fiz questão de manter minha respiração calma e compassada, para que quem estivesse me vigiando, não notasse que eu estava acordada.
A fome estava dificultando a minha capacidade de raciocínio.
Tentar me soltar, estava fora de cogitação. O material usado em minhas mãos, não era corda e nem pano, era plástico. Braçadeiras de plástico. Eu precisava de algo afiado ou quente para me livrar delas. Minhas pernas estavam presas também, porém com corda, eu podia senti-las sobre a minha calça. Meus olhos estavam vendados por um pano com cheiro forte, perdera a conta de quantas vezes já vomitara por conta disso.
Eu me perguntava quanto tempo mais ficaria assim, não fazia sentido me sequestrar e me deixar morrer de fome. Seria uma completa estupidez, já que provavelmente, Edward deveria estar louco atrás de mim, assim como a polícia.
Um rangido me fez levantar a cabeça, era o primeiro barulho que eu ouvia em horas.
— Você já pode sair.
A voz era de um homem e por algum motivo, não me parecia totalmente estranha. Era rouca demais, e com tom ríspido.
O cheiro de cigarro logo preencheu minhas narinas e o enjoo tomou conta do meu corpo.
— Foi um prazer fazer negócios com você.
Aquela voz eu conhecia. Era Henley.
Vagabunda.
Eu ficara em dúvida se Henley havia mesmo me drogado, talvez fosse apenas uma alucinação, mas pelo visto, não era. Ela estava mesmo envolvida no meu sequestro, restava saber quem afinal, me queria aqui.
É claro que é Charlie!
— Sua vagabunda de merda.
Minha intenção era gritar aquilo o mais alto possível, porém tudo que saíra fora um resmungo. Eu estava mais fraca do que achava.
— Ela ainda fala! — gargalhou — Não se desgaste querida, o seu papo não é comigo.
— Vai se foder. — respondi.
— Chega. Vá embora. Eu cuido dela agora. — o homem disse.
Uma porta se fechou e eu respirei fundo.
O som de botas molhadas tomou conta do ambiente. Ele andava rápido e fazia muito barulho por onde passava. Pela primeira vez, pude ter a noção de que o lugar não era tão pequeno assim, seus passos se aproximavam e afastavam.
— Abra a boca. — o homem disse e eu pulei de susto.
Ele parecia estar a centímetros do meu rosto, sua respiração quente, fazia-me tremer. Além do cheiro de suor de sua pele, pude sentir também o cheiro de comida.
Continuei muda e fiz questão de contrair os lábios para dentro, deixando claro que não cooperaria. Qualquer coisa nociva que possam ter posto na comida, afetaria diretamente o meu bebê.
De repente, a respiração se afastou e minha venda foi tirada.
Finalmente, eu podia ver quem estava ali e uma lembrança me atingiu.
" Ele abriu a boca para me responder, porém, outro rapaz alto e com uma aparência rústica entrou na lanchonete, ele tinha uma cara mais séria e segurava um revólver.
— Cadê a Grana? — Ele perguntou sem enrolações.
Em uma das mãos ele possuía um revólver e apontou-lhe direto para o cara que acabara de me assaltar. Fiquei sem reação.
— Aqui! — Disse e entregou todo o dinheiro que acabara de me roubar. O outro cara pegou o dinheiro com agressividade e saiu da loja sem dizer mais nada."
Alto, loiro e de aparência rústica.
Aquele era James, o ex parceiro de crime do Edward.
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