Segundas Chances
12 Uma história
Notas iniciais
Isabella
— James...- sussurrei, sem forças para pensar em outra coisa.
— Então você lembra! — ele riu. — Não sabia que eu havia sido tão memorável assim.
James estava sentado a minha frente e com a expressão tão séria que era impossível acreditar que ele havia rido apenas alguns segundos atrás.
— Não tivemos a oportunidade de conversar da outra vez. Eu estava no meio de algo complicado. — sorriu com escárnio e esticou a mão para passar os dedos entre os meus. — Desculpa, docinho.
Olhar para seu rosto estava me dando um profundo enjoo. Não havia como ele querer algo comigo, afinal, para que correr tantos riscos só para brincar?
Havia algo mais. Eu podia sentir. E ele também sentia que eu não acreditava em sua atuação.
Minutos se passaram e percebi que ele esperava alguma reação da minha parte. Como continuei quieta, ele fez uma careta exagerada.
— Aquela idiota deveria ter te dado algo para comer, odeio falar sozinho.
Henley havia não só me traído, como feito isso por dinheiro. Amigos de verdade, realmente estavam em falta.
James suspirou auditivamente e levantou, cautelosamente se aproximou de mim e segurou meu rosto, apertando mais e mais forte.
— Eu odeio ficar de babá, sabe? Não é muito a minha praia. Então faça um favor a nós dois e coma o que estou te dando. Temos outras coisas a fazer.
Eu levantei a cabeça e olhei no fundo de seus olhos, tendo pela primeira vez a verdadeira noção do quanto ele era perigoso e arisco. Antes mesmo que pudesse pensar, cuspi em seu rosto.
Edward
Tudo estava um completo caos. Um caos tão grande, que eu mal conseguia acompanhar.
O rosto de Bella estava em todos os noticiários, os policiais tentavam reunir provas para descobrir onde ela estava e eu? Fodidamente me achava um inútil.
Tudo estava por um fio. Cada segundo que eu não sabia onde ela estava, podia ser o suficiente para que estivesse sendo maltratada, ou pior.
Por mais que todos ao meu redor me dissessem que tinha que esperar a polícia fazer o seu trabalho, eu não conseguia. Então, em uma noite, decidi reunir minhas próprias informações.
Vesti uma de minhas roupas antigas e gastas, despenteei meu cabelo propositalmente e peguei um ônibus até a parte mais suja da cidade. O ideal, seria ir ao meu antigo bairro, onde eu tinha conhecidos que me dariam o que precisava. Mas, eu poderia ser facilmente reconhecido, e não sabia se Charlie tinha aliados. Teria que lidar com o que tinha.
Rapidamente, me enfiei no meio dos drogados, agindo como eles, a procura da próxima substância que me tiraria desse mundo. Mas, na verdade eu não estava ali para o mesmo que eles, eu queria achar quem vendia e assim, coletar informações.
Por três noites, eu fiz a exata mesma coisa e ninguém havia me dado nenhuma informação útil. Havia notícias de sequestros o tempo todo e nenhum deles gostava de falar sobre isso.
Eu já estava pronto para desistir e começar a pensar em alguma outra forma de conseguir informações, quando conheci Mike. Ele comentara distraidamente de que havia conseguido um apartamento para um amigo que acabara de sair da prisão. As chances desse amigo ser Charlie? Minímas. Porém, até a miníma chance que eu tivesse de salvar Bella, já bastava.
Isabella
Meu rosto ardia, assim como as minhas costelas. Eu sabia que se rebelar não poderia ser uma boa ideia, mas não conseguira me segurar. Agora me encontrava no chão, encolhida e gemendo de dor, enquanto James me rodeava, talvez procurando mais lugares para me chutar.
— Eu não queria te machucar, docinho. Mas, você precisa aprender a ter mais respeito.
Minha visão finalmente voltou ao normal e pude observar o que havia ao redor.
Uma lamparina velha, material de limpeza, comida enlatada em um canto e cadeiras velhas e escuras no outro.
O local era bonito, bem pintado e claro, nada como um cativeiro deveria ser. Talvez, fosse por isso que eu estivesse aqui. Quem pensaria em um sequestro em um lugar comum como aquele apartamento?
— Agora, vamos te ajeitar e te fazer comer, certo? — falou com uma paciência fingida.
Olhei mais uma vez para o ambiente pequeno e os objetos que continham nele e deixei minha mente fluir, para um plano profundamente insano. Eu teria que fugir, e faria isso na primeira oportunidade que tivesse.
— Por que estou aqui? — perguntei.
— Primeiro você come e depois conversamos. — respondeu rudemente.
Parecia que os jogos haviam acabado.
— Eu não confio em você. Não vou comer.
James levantou minha cadeira, comigo junto e se pôs a minha frente.
— Posso drogar você a hora que quiser, e não preciso de comida para isso.
Ele tinha um ponto. Mas, o risco era grande demais.
Logo, ele pegou uma das latas que estavam jogadas no canto e a abriu. Depositando o conteúdo em um prato.
— Novo em folha.
Eu me encolhi. Para que eu pudesse fugir, precisaria de forças. Tinha que arriscar.
"Deus, que isso não esteja envenenado"
Lentamente, afastei os lábios e deixei que ele me alimentasse. Eu não pretendia fazer muitas outras refeições ali. Ele ficou em silêncio enquanto eu devorava tudo que ele me dava. Não havia percebido que estava com tanta fome.
James riu quando o prato ficou vazio e me olhou com ironia.
— Bom saber que você gostou, porque é a única coisa que irá comer enquanto estiver aqui.
Levantei minha cabeça e fitei seus olhos. Ele não veria medo em mim.
— Por que não me mata de uma vez?
— Não é isso que eu quero de você. — Ele lambeu os lábios e se levantou.
— Por que estou aqui? — indaguei, debilmente.
— Ah! Você não sabe? — ele riu.
Não o respondi, apenas esperei que ele parasse de me rodear. Eu não imploraria por respostas. Só queria distraí-lo.
— Você está aqui, porque Charlie quer se vingar do Edward, não é ótimo?!
Ouvi suas palavras com cuidado. Não era de mim que Charlie queria vingança?
— O Edward não fez nada. — murmurei para mim mesma.
James gargalhou e sentou-se novamente a minha frente. Ele estendeu suas mãos até as minhas e com uma tesoura, cortou as braçadeiras que seguravam meus braços.
— Eu vou te contar uma história docinho. — ele disse, enquanto brincava com a tesoura em suas mãos. — E se você fizer um movimento brusco ou me interromper, essa sua pele bonita não ficará lisinha por muito tempo. — Ele gargalhou e girou a tesoura em suas mãos.
Não pude evitar um tremor. Eu estava tentando não me afetar tanto com a situação que me rodeava, sabia que os primeiros estágios de uma gravidez, eram os mais perigosos. Quanto mais nervosa eu ficasse, pior seria.
— Pois bem, era uma vez dois amigos, eles saíam juntos, bebiam juntos, roubavam juntos e moravam juntos. Um deles, tinha uma família, sabe daquelas bem tradicionais? Pai, mãe, irmã... Mas, ele não suportava mais aquilo, queria emoção, queria viver e queria que a sua vida fosse mais que a rotina. Ele se tornou bom em roubar e junto com o outro cara, seguiu em frente. — Ele parou e aproximou o rosto do meu. — Veja, esse era o seu irmão – sussurrou. — Agora vem a parte do outro cara, ele perdeu os pais e os tios, se enfiou no mundo do crime e não via como sair. Já era mais esperto e mais talentoso que o outro, mas...Por algum motivo, também era o que mais se arrependia de tudo. Ele dizia odiar tudo aquilo e de vez em quando, deixava os outros na mão. Um dia, ele irritou um ladrão do alto escalão, daqueles bem poderosos. E a falta de comprometimento do ladrão resmungão não foi bem aceita. Veja, esse é o Edward, seu queridinho.
Ele parou por um momento, certificando-se que eu estava prestando atenção e sorriu.
— O que aconteceu depois? — perguntei calmamente.
— Eles foram atrás do Edward, iam matá-lo. Mas o único que estava na casa era o Alec. O seu irmão.
— Charlie quer se vingar do Edward por causa dos erros do meu irmão? — perguntei amargamente.
— Não, ele quer se vingar, porque o Edward abandonou Alec lá, mesmo sabendo que ele não era esperto o suficiente para ficar sozinho.
Lágrimas encheram meus olhos e eu me forcei a não lembrar daquela noite. A noite em que dois ladrões foram a nossa casa dizer que Alec estava morto. A noite que parte de mim morreu, a noite em que a minha família foi destruída.
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