Segundas Chances
13 Memórias
Notas iniciais
Isabella
Eu me lembrava, lembrava nitidamente de quando o inferno começou. Se houvesse um real purgatório na vida, eu já havia passado por ele.
Minha família estruturada e feliz, passara rapidamente da felicidade a desgraça. Tudo desmoronou como se fosse feito de areia, e talvez fosse. O único selante de tudo era meu irmão, Alec. O primeiro filho, o irmão mais velho, o sensato. Ele era o preferido de meus pais, sempre fora nítido, mas eu nunca havia me importado, não havia como sentir inveja de uma pessoa tão amorosa. Seria burrice ter raiva do meu maior protetor.
Ele era o meu preferido também, era. Alec havia deixado a minha família, havia me deixado por um mundo de aventuras ilícitas. E eu senti inveja, por que ele podia se livrar de todas as amarras e eu não? Mas, tão rápido quanto a inveja veio, ela se foi. Alec nunca havia ficado livre, não com tanta desgraça que deixara para trás. Eu o sentia por perto.
Arrependimentos eram irrelevantes, eu não o perdoava por ter me passado o fardo de cuidar dos nossos pais. Nunca perdoaria, era o que eu pensava.
" Quem ele acha que é porra? Como ele pode me deixar sozinha com esses dois loucos? Alec seu merda, seu covarde!
Minha maior vontade era sacudir o corpo de Alec até que ele voltasse a vida, mas eu não podia, não podia porque eles não diziam o que tinham feito com o corpo do meu irmão, provavelmente havia sido queimado em algum beco fedorento e escuro.
Eu gostaria de pensar que ele merecia tal fim. Mas não conseguia, como podia culpá-lo de fugir de algo que eu mesma já pensara em lagar?
Eu tinha respostas para as minhas perguntas, só não queria aceitá-las. Alec foi embora quando tudo ainda estava perfeito. Quando ainda éramos uma família, ele era o culpado de tudo, de toda a minha desgraça, mas eu ainda o amava. Eu ainda o amava com uma força incontrolável e sentia sua falta.
No momento que a notícia foi dada, eu soube que só poderia esperar o pior de Renée e Charlie.
Eu quis ensinar ao meu irmão de que não se abandona aqueles que se ama, não se joga fora a força que possuímos dentro de nós mesmos. Era preciso lutar, e eu lutaria.
Eu não sentia nenhum vazio, nenhuma dor exorbitante, eu sentia raiva, raiva por tê-lo perdido por algo tão banal, por entender de uma vez por todas que meu irmão não era exemplo de nada, ele não era mais evoluído que qualquer outra pessoa. Era fraco e inconsequente. Eu não seria igual. Não! Não! Nunca. Eu não faria escolhas erradas, eu não me descontrolaria. Eu aguentaria até onde pudesse.
Alec havia me tornado forte com a sua morte, mas ao mesmo tempo, raivosa. Quando as desgraças vieram, eu não pude culpá-lo por ter ido embora, talvez ele já soubesse o monstro que Charlie era. Talvez ele soubesse que nosso pai era muito mais fraco que ele. Talvez ele soubesse que não teria uma vida emocionante cuidando de dois desequilibrados. Talvez ele confiasse em mim. Só talvez. Tantas perguntas...Tantos questionamentos.
E nada importava.
Nada importava mais.
Porque eu estava desmoronando.
Minha família estava caída e só eu poderia segurá-los. E foi o que eu fiz desde o dia que o meu protetor se foi. Passei a tentar proteger meus pais deles mesmos."
Perdera a conta de quantas vezes tivera pensamentos desconexos e recheados de pura fúria. Demorara anos para aceitar que Alec não havia feito nada mais do que escolher um caminho. Ele tinha aquele direito, era a vida dele. Eu não havia perdido tanto quanto imaginava, pelo menos ainda estava viva. Ainda tinha uma chance de redenção, de felicidade. Alec nunca mais a teria.
— Vamos, eu deixei você quieta por um tempo. Está na hora de reagir. Nós teremos visita hoje!
James andava de um lado para o outro, seus sapatos escuros, eram o perfeito contraste com o piso claro. Ele havia despertado tais pensamentos e a quase dois dias que eu não conseguia me concentrar em mais nada. Só comia, dormia e pensava em quanto tempo já havia passado.
A única coisa que ajudava, era o meu bebê. Ele estava ali, formando-se, tornando-se mais forte a cada dia. Era o meu lembrete de que nem tudo fora uma desgraça. Edward havia me ajudado a melhorar, ele havia me dado uma nova perspectiva de força e felicidade. E ele não era culpado pelos erros de Alec, não importava o que Charlie dissesse.
— Visita? Já estava na hora. — sorri ironicamente.
Torci os pulsos, constatando que finalmente as dores que as braçadeiras apertadas haviam causado, estavam passando. James não me mantia atada, talvez me achasse fraca demais para tentar alguma coisa.
E aquele era seu erro, me subestimar.
Seus olhos varreram meu rosto com certa surpresa, eu não o respondia muito e parecia que ele estava surpreso com a minha insistência em não ser dócil.
— Está animada? Vamos ver como se sai. – ele sorriu.
Os olhos de James me avaliaram minuciosamente, sua língua saltou de seus lábios entreabertos e sua respiração se acelerou. Eu conhecia aquele tipo de olhar, e não pude evitar de arfar e ser preenchida com o medo.
Ele me desejava, me desejava furiosamente. E aquilo era a coisa mais nojenta de tudo que já havia acontecido. Eu o encarei de volta em espanto, pronta para reagir se houvesse alguma aproximação.
Eu vi a decisão em seus olhos quando ela foi tomada e me preparei para levantar, James se inclinou para frente e um som estridente soou de um dos seus bolsos. Sem tirar os olhos de mim, ele pegou o pequeno celular e aceitou a ligação, mesmo sem saber quem era.
— Alô? — perguntou em tom gélido.
Minutos se passaram e apenas o zumbido da resposta de quem quer que fosse soava no ambiente. James agora parecia concentrado, a testa franzida e as mãos se apertando em punhos.
— Você acha que estou de sacanagem, Charlie? Siga a porra do planejamento.
Mais resmungos e a atmosfera estava mudando, James parecia calmo agora.
— Ela é bem divertida na verdade. É, sim. Bem, vou mantê-la entretida.
Eu sabia bem o que aquilo significava e jurava que podia ouvir a resposta de Charlie.
" Quero a Isabella bem mansinha"
Ele não se aproximou de primeira, ao desligar o telefone. James apenas me olhou com um sorriso enquanto se dirigia a outro cômodo. Eu não era boba. Não demoraria muito agora.
Não havia possibilidade que eu aceitasse o que ele queria.
Ele não me achava divertida? Vamos ver se gostaria do meu próximo movimento.
***
Os passos pesados de James ecoaram pelo apartamento, ele estava voltando e eu já estava em meu lugar, como se nunca tivesse saído.
O vidro escondido sobre o tecido da minha calça jeans raspava minha pele, era afiado e sorri com essa constatação. James não me teria sem revolta. A lamparina quebrada estava no canto, ele nunca a utilizava, então duvidava que percebesse o que eu havia feito.
Como uma máscara, mantive minhas expressões controladas, com a mesma cara de sempre. Eu só precisava que ele se distraísse.
Edward
Três endereços. Três, e nenhum deles era o correto. Nenhum deles era onde Bella estava.
Eu não desistiria, não podia. Só não podia. Seria como desistir de mim mesmo, desistir de toda a minha família. Bella estava por aí e eu precisava encontrá-la.
Uma parte de mim sabia que a veria de novo, eu sentia. Apenas rezava para que a encontrasse da mesma forma que a vira pela última vez. Saudável. Feliz.
Eu seria capaz de matar qualquer um que tirasse a felicidade de Bella, não admitiria, não depois de tanta merda que ela aguentou. Injusto seria pouco.
O quanto mais Bella sofreria pelos erros e escolhas dos outros?
O quanto mais Bella teria que ser forte para sobreviver?
Mike me dera um último endereço. Ele já estava desconfiado das minhas perguntas e eu não tinha mais como sustentar tal tática. Se esse não fosse o correto, teria que achar outro jeito de procurar por Bella.
Eu não sabia quem estava mais perdido. Eu ou a polícia.
Depois de passar o endereço para o chefe dos meus seguranças, me preparei para ir até o local. Eu esperava que dessa vez, estivesse indo para o lugar certo. Quanto mais demorava para achar Bella, mais possibilidades se formavam em minha mente e nenhuma delas, era agradável.
Isabella
Pela primeira vez eu andava pelo apartamento de cabeça erguida. James sempre me empurrava descuidadosamente quando eu precisava ir ao banheiro. Mas, dessa vez estávamos indo para um cômodo que eu nunca tinha entrado antes. Eu sabia qual era.
A primeira coisa que vi foi a cama, mal arrumada e envelhecida. Não parecia confortável e nem apropriada para o apartamento bonito.
James seguia silenciosamente atrás de mim, com uma arma pressionando a parte de trás do meu pescoço.
Sem pressão. Sem pressão.
Andei em silêncio até o meio do quarto, onde sua mão áspera e forte segurou meu pulso esquerdo.
— Vai ser ótimo docinho. Mal posso esperar pra ver você.
A voz de James estava sussurrante e carregada de desejo, seus dedos subiram pelo meu braço, acariciando a pele. Eu queria me afastar, queria pegar seus dedos e quebrar um por um, mas ainda não era o momento.
— Está nervosa? Não, não querida. Só vai ser ruim se você quiser.
Como aquilo poderia ser aceitável na mente de uma pessoa?
Um arrepio passou por meu corpo e James entendeu errado. Ele riu e se aproximou mais do meu corpo.
— Eu sempre soube que uma parte de você era pervertida.
A pressão da arma no meu pescoço diminuiu um pouco e ali entendi o que precisava fazer.
— Você não pode contar a ninguém – respondi hesitante e deixei minha mão direita, acariciar seus dedos.
— Será nosso segredinho – sussurrou perto da minha orelha e logo depois passou a língua por meu lóbulo.
Meu estômago se agitou e respirei fundo para me controlar. Eu teria que ser forte o suficiente, eu só tinha uma chance e era agora.
— Promete? — perguntei.
— O que você quiser. — respondeu prontamente.
Calmamente me movimentei, arriscando tudo. Virei meu corpo para olhar seu olhos e passando minhas mãos por seus braços. Controlei minha expressão de nojo e senti que ele me avaliava.
Não fazia ideia de como estava minha expressão, mas James pareceu gostar já que sorriu e aproximou seu rosto de meu pescoço, relaxando ainda mais a arma.
— Eu sabia. — reafirmou.
Eu não respondi, apenas olhei em seus olhos e mordi os lábios, aproximando ainda mais nossos corpos. James gemeu e desceu uma das mãos por minha coluna, parando na dobra da minha bunda.
Ele me empurrou para trás, ao mesmo tempo que tirava a arma do contato com a minha pele, ele a apoiou na mesinha que havia ao lado da cama e me fez deitar sobre o colchão.
Eu sorri. Um sorriso genuíno. Estava quase lá.
Quase lá, seu babaca de merda.
Puxei-o pela camisa, aproximando sua boca de meu pescoço, onde ele mordeu sem delicadeza nenhuma. Com o rosto enfiado entre meus cabelos, ele não pode ver minha expressão de desespero. Eu o odiava, eu tinha nojo, tinha repulsa.
Suas pernas prenderam as minhas e suas mãos desceram para minhas coxas, deixando minhas mãos livres. Eu me afastei um pouco e sorri, aproximando meu rosto do seu. Ele fechou os olhos enquanto eu me movimentava, friccionando seu corpo no meu.
Uma de minhas mãos, acariciou seu quadril e a outra, se dirigiu para parte de trás da minha calça jeans, onde o vidro furava minha pele. Não importava, doeria muito mais nele.
Segurei o vidro da melhor forma que pude e usei a outra mão para pressionar o rosto de James entre meus cabelos.
Em um único movimento, passei o vidro por meus cabelos, até achar sua pele, pressionando, rasgando e ignorando o calor de seu sangue que começara a pingar.
Ele gritou e se afastou, mas não a tempo.
Rapidamente pulei da cama e peguei a arma na mesinha, sem pensar duas vezes mirei em seu peito e apertei o gatilho.
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