Segundas Chances
10 Gargalhadas
Notas iniciais
Isabella
O som de unhas batendo contra a cerâmica era contínuo.
— Você pode ao menos fingir que está calma? — perguntei, fitando-a irritada.
— Não me culpe, Bella! Eu posso ser titia nesse exato momento! — gritou animada.
Talvez eu devesse ter sido mais esperta... Só talvez.
Não era um absurdo o fato de eu estar fazendo um teste de gravidez, considerando minha relação com Edward. Já estávamos juntos há alguns anos, tínhamos uma casa, amigos que podíamos contar, um bom trabalho e muito amor para dar.
Na verdade, não teria nada de ruim nessa situação... Se agora, exatamente agora, eu não tivesse recebido a notícia de que Charlie está solto e possivelmente, com alguns ressentimentos em relação a mim. Quem eu estava tentando enganar? Ressentimento era algo bem fraco, pro que meu pai poderia sentir. Em sua cabeça doente, eu tinha fodido com a sua vida.
O despertador do celular me impediu de continuar pensando em Charlie, os minutos já haviam se passado e era hora de olhar o pequeno tubinho branco que estava em cima da pia.
Eu podia sentir o olhar impaciente de Alice em minha direção. Respirei fundo e estiquei a mão para pegar o tubinho.
— Duas listras. Ah, meu Deus... — murmurei.
Logo eu estava sentada no chão, com as mãos entre as pernas e a cabeça abaixada.
— Bella... Está tudo bem. Respire, ok? Não é ruim. — Alice logo me abraçou e meus soluços começaram. — Vocês vão conseguir.
Eu não sabia como ela conseguia ser uma amiga tão boa. Ali parecia saber todos os meus medos e o que falar sobre eles.
— Estou assustada pra caralho. — resmunguei e respirei fundo. — Nós podemos, eu sei que vai ser difícil, não sei nada sobre bebês e o Edward também não... Mas, vamos aprender a trocar faldas e comprar pomadas e a desviar de vômitos... — tagarelei — Puta merda, isso vai ser uma loucura.
Passei as mãos pelos cabelos nervosamente e chorei por mais alguns minutos.
Não era uma coisa ruim, só profundamente assustadora.
O fato era que eu não queria ser apenas uma mãe, ser mãe não é algo difícil, se trata de engravidar e ter uma criança.
Não, isso não seria suficiente pra mim.
Eu queria ser uma ótima mãe, queria poder dar ao meu filho toda a dedicação, educação e amor que ele poderia precisar. Um filho é mais que qualquer outra coisa, uma responsabilidade para toda a vida. É a criação de uma pessoa em uma sociedade. Eu não poderia dar menos que o máximo de mim para algo desse tipo.
— Amiga, olha pra mim. — Alice sentou comigo no chão frio e olhou em meus olhos. — Você vai errar, e não importa o quanto você odeie ouvir isso... Você vai errar praticamente todo dia. Não existe um guia prático de como ser mãe, o gostoso é descobrir. Você, o Edward e esse bebê, vão descobrir dia após dia o que é errar e aprender com isso. Vocês vão aprender o que é ser uma família.
O meu choro não era apenas de incredulidade, mas de medo. Pensar em um dia ter filhos, era bem diferente de realmente estar esperando um. Mas, eu podia fazer isso. E não permitiria que ninguém me atrapalhasse, muito menos Charlie.
— Eu realmente odeio saber que vou errar, mas você está certa. Bem... Eu tenho nove meses pra me acostumar com isso. — soltei uma risada nervosa.
— Sinto te dizer, mas sua rotina vai mudar a partir de agora. — ela disse com um falso pesar nos olhos.
***
Poucas horas depois, eu já tinha entrado em contato com a médica que fez o pré-natal de Alice, ela me parabenizara pela notícia e me dera alguns conselhos básicos sobre o que fazer. Assim que Edward estivesse a par da notícia, eu poderia marcar uma data para ir ao seu consultório.
Logo depois que Alice foi embora, eu me peguei pesquisando alguns livros sobre gravidez. Talvez, fosse mais fácil se eu pudesse ler algumas experiências de outras mães e informações sobre como seria esse processo.
Eu me sentia absolutamente ridícula por estar tão assustada, mas não havia nada que eu pudesse fazer sobre isso.
Acabei me cadastrando em uma série de sites, comprando mais de quatro livros e lendo centenas de coisas na internet. Minha cabeça parecia que ia explodir de tanta informação.
Transferi alguns artigos sobre gravidez para o iPad e deitei na cama, lendo um atrás do outro até sucumbir a exaustão.
Edward
Charlie havia desligado o celular assim que completara a frase, claramente, ele só queria me deixar tenso.
Forcei-me a jogar as lembranças para o fundo da minha mente e a ignorar o que aquele filho da puta havia me feito lembrar. Não havia chance de eu dar ouvidos a ele.
— Sr. Cullen, estou liberada? — Valéria perguntou.
Valéria era minha assistente. Uma moça bonita e bastante séria. Parecia que nada a escapava e por conta da sua eficiência, já havia salvado meu traseiro mais de uma vez.
— Claro, tenha um bom fim de semana. — disse distraído.
Logo ela recolheu suas coisas e saiu.
Trabalhei por mais duas horas em uma proposta que eu faria na segunda- feira. Meus negócios estavam crescendo e logo eu teria coisas maiores para lidar.
***
Senti o cheio do perfume de Bella assim que passei pela porta, não havia como não relaxar ao me dar conta de que, finalmente estava em casa.
Já eram dez horas da noite e me odiei por chegar tão tarde. Mas, tivera um bom motivo.
Logo depois de arrumar a papelada para a próxima semana, Emmett me ligara. Os seguranças que eu havia solicitado estavam prontos para começar. Então, sem desperdiçar tempo algum, tratei de dar todos os detalhes de como as coisas deveriam ser feitas.
Eu me sentia melhor sabendo que não só a minha casa estava mais segura, mas também a de Alice. Se Charlie viesse até nós, não chegaria perto facilmente.
Subi as escadas da casa, enquanto tirava a gravata e abria alguns botões da camisa. As luzes estavam quase todas apagadas. Bella deveria estar dormindo.
Eu não poderia estar mais certo, lá estava ela. Linda e confortável em nossa grande cama. Os cabelos espalhados por todo o travesseiro, as pernas encolhidas e os braços envolvendo seu iPad. Já perdera a conta de quantas vezes eu a repreendi por dormir abraçada com aparelhos eletrônicos. Mas não havia jeito.
Tirei o resto de minhas roupas e joguei no cesto de roupa suja, me encaminhando para o banheiro.
Bella tinha o sono leve e eu sabia que estaria acordada quando eu saísse do banho, então tratei de me apressar.
— Edward? — ela perguntou sonolenta.
Fechei a porta do banheiro e sequei os cabelos com mais força, para poder deitar ao seu lado na cama.
— Oi, querida. — deitei na cama e puxei seu corpo para o mim. Ela estava quente.
— Está tudo bem? — perguntou e coçou os olhos. Eu queria que ela descansasse, mas sabia que não havia chance de dormimos sem uma conversa.
— Está sim, o seu dia foi bom? — Apalpei suas coxas e respirei contra sua pele, fechando os olhos.
— Hmm.... Foi interessante. — Seu corpo tremeu e notei certo tom de nervosismo em suas palavras.
Bella não era de ter essas reações por motivos bobos. Geralmente ela era bem objetiva em suas respostas, então deduzi que havia algo que ela queria me contar.
Cutuquei suas costelas e ela riu, dando-me um beijo doce no pescoço.
— Não me enrole. — sussurrei e beijei seus lábios calmamente. — Não gosto de ficar curioso.
De repente, seu sorriso diminuiu um pouco e por conta da luz do abajur, pude ver seus olhos verdes se arregalarem.
— A Ali veio aqui hoje. — começou. — E nós conversamos sobre a Emily e todo o processo que teve que superar. Ela está finalmente voltando a dormir e a cuidar do seu trabalho...
— Isso é ótimo! E ela sabe que pode deixar a Emily com a gente, certo? Vou amar ter umas gargalhadas gostosas aqui em casa.
— Isso é engraçado. — ela disse sorrindo.
— O quê? — perguntei confuso.
— Bom, você terá bastante gargalhadas de bebês aqui em casa. Então espero que não seja um comentário da boca pra fora.
Meu corpo congelou, minha respiração descompassou por um segundo. Isso já havia acontecido antes. Bella havia acordado um dia, super sorridente e com uma conversa pra lá de vaga, eu pensara que ela estava grávida, quando na verdade ela só queria adotar gatinhos. Não poderia me enganar novamente, então relaxei e esperei sua explicação.
Alguns segundos se passaram e ela não disse mais nada. Afastei-me de seu pescoço, para olhar seu rosto.
— Seria ótimo ter crianças por aqui, mas além da Emily, quem mais tem filhos? — indaguei.
Bella esticou a mão para o criado-mudo e pegou um livro que estava jogado em cima do móvel. Sem entender, peguei-o e abri onde parecia estar marcado. Um tubinho branco estava ali no meio e duas listras coloridas, se encontravam no centro.
— Parabéns, papai. — Ela sorriu e pegou o livro, mostrando-me o título. "O que esperar, quando se está esperando"
Isabella
Edward estava de olhos arregalados, e assim permaneceu por alguns segundos. Sua primeira reação, foi olhar novamente para o tubinho branco com as listras e depois para o livro.
— Você não está brincando comigo, está? — perguntou.
— Não querido, eu não estou.
Edward me olhou intensamente por alguns segundos, antes de sorrir. Seu sorriso, rapidamente virou uma gargalhada.
— Eu fodidamente não consigo acreditar! — Seus braços me envolveram e ele me apertou carinhosamente, seus lábios começaram a beijar meu pescoço, descendo para o vão entre meus seios e o começo da barriga lisa. — Bella, nós vamos ter um bebê! — suas mãos envolveram minha cintura enquanto ele beijava repetidamente meu ventre.
Eu relaxei em seus braços e comecei a rir também. Como eu não havia percebido antes o quanto ele queria ser pai?
— Sim, amor. Nós vamos.
Seus lábios faziam cócegas por minha pele e eu gargalhei quando ele começou a me dar pequenas mordidinhas. Não demorou muito para que ele me beijasse nos lábios e o único indício de seu nervosismo, eram os tremores que tomavam conta do seu corpo.
— Nós temos um bocado de coisas pra aprender, não é?
Eu ri e entrelacei nossas pernas.
— Você não faz ideia.
Três semanas depois
Os seguranças que Edward contrata eram bem eficientes, dois andavam comigo quase todo o tempo, de maneira discreta. E dependendo de qual era a minha rotina, mais dois nos acompanhavam de longe.
Alice a princípio se rebelara com a ideia de ter seguranças, mas seu marido, Jasper, a convencera a aceitar. Não sabíamos do que Charlie era capaz e isso seria até termos alguma garantia de que ele estava longe o suficiente para vivermos em paz.
Minha rotina continuava a mesma, porém agora eu tinha consultas com a Dr. Alana uma vez ao mês e também recebia dezenas de mensagens da mesma, me perguntando se estava tudo bem.
Não demorou muito para que os piores sintomas de gravidez aparecessem, eu mal podia sentir cheio de gordura que tinha ânsias assustadoras. Meu sono que era leve, tornou-se pesado e meu paladar, revelou–se uma verdadeira surpresa para mim mesma. Meus dias pareciam se tornar mais longos, e tudo que eu queria era dormir. Mas, não havia chance de que eu parasse as minhas coisas para sucumbir aos braços de Morfeu. Então eu resistia bravamente até o fim do dia.
Hoje era sexta-feira e eu poderia chegar em casa e descansar sem nenhuma preocupação. Edward avisara que chegaria mais cedo em casa e que prepararia o meu jantar favorito; Macarrão com molho branco, queijo, cogumelos e legumes.
Eu era uma mulher de sorte.
Ao final do dia, eu mal podia me aguentar de ansiedade para finalmente ir para casa e relaxar. Tratei de deixar o máximo de coisas possíveis resolvidas no estágio, para que na segunda-feira eu pudesse chegar com mais calma.
Guardei meus pertences na bolsa e estava me preparando para pegar o elevador que descia até o estacionamento, quando uma mensagem em meu celular, me parou.
Peço que espere um pouco Srta. Swan.
O número era de um dos seguranças que Edward havia contratado para mim e o protocolo a ser seguido era: Caso uma mensagem deste tipo me fosse enviada, eu deveria imediatamente me esconder onde quer que eu estivesse.
Não perdi tempo, peguei meus pertences e ignorei todas as pessoas que permaneciam no mesmo andar que eu. Entrei na sala de arquivos e tranquei a porta, deixando as luzes apagadas.
A sala era apertada e escondida, eu tinha a chave de lá por ser uma das estagiárias de confiança.
Encarei meu celular e esperei, só havia uma palavra que deveria me fazer sair de onde eu estava e continuar com a minha rotina. Se a próxima mensagem não viesse escrita "Emily", é porque algo estava profundamente errado.
O celular apitou e demorei alguns segundos para tomar coragem e olhar a tela.
Perdão Srta. foi apenas um engano, saída liberada.
Aquele não era o código. Havia algo errado, e aparentemente não eram mais os meus seguranças que tinham posse daquele telefone.
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