Notas iniciais
Chegueeeeei com o último Capítulo! Enjoy.

Capítulo 18 – Segundas Chances.

Isabella

Eu não precisava perguntar a minha mãe o que havia acontecido, era bastante claro em suas roupas rasgadas, olhos fundos e unhas quebradas.

Por um momento, permaneci apenas observando o cenário a minha volta. Era bem diferente do meu último sequestro. O ambiente não tinha luz e nenhuma ventilação adequada. Tudo era iluminado por lampiões antigos, criando um ar mais sombrio do que se esperava de um galpão.

Minha mãe parecia fazer a mesma observação que eu, e aos poucos tentei me aproximar. Evitei tocá-la, já que ouvira alguns relatos nas aulas de autodefesa de vítimas de abuso sexual, nenhuma delas sentia-se confortável em relação ao toque.

— Bella… Você não deveria estar aqui – ela disse, enquanto olhava fixamente para minha barriga proeminente.

Sim, ela estava certa. Eu sabia que era completamente e totalmente irresponsável pelo risco que estava correndo, mas também sabia o que escolhas erradas eram capazes de fazer. E deixar Renée contando com a própria sorte, nunca seria certo para mim.

— Você deu tudo de si mesma. Tudo que tinha e não tinha. — respondi.

Ela sorriu, mas não como se estivesse feliz pelo que eu havia dito e sim, extremamente triste. Minha teoria logo se provou verdadeira, quando lágrimas escorreram de seus olhos.

— Eu dei tudo que tinha, meu amor. Mas nunca foi e nunca será o que você mereceu. Filha, o que você passou durante todos esses anos com Charlie, não é a forma que uma mãe deseja que sua filha cresça. Eu nunca quis que você perdesse sua pureza tão cedo, que visse o pior lado da vida de forma tão abrupta. Penso que se eu tivesse priorizado o que realmente importava, você teria melhores chances, menos sofrimento e muito mais sonhos a seguir. Você está certa, eu dei tudo de mim, mas não para quem merecia. Fiquei tão focada em salvar uma ideia de um casamento, que um dia fora bom, que não fui capaz de olhar o que estava bem a minha frente. A pessoa que realmente precisava de mim, você. Eu sei o que está fazendo, e por mais que me sinta grata...Se algo lhe acontecer, só poderei me sentir culpada.

Desde de criança, me considerava uma pessoa esperta. Sempre pronta para os principais imprevistos e perguntas indesejáveis. Nunca falhava em responder o que muitos consideravam difícil. Porém, Renée nunca foi uma pessoa de grandes discursos e na verdade, nem de agradecimentos. E ali, naquele instante, via-me sem reação, sem resposta e sem raciocínio lógico. Como poderia contestar aquilo? Ainda mais agora que eu seria mãe?

Eu simplesmente não podia.

Não sabia se eram os hormônios, ou apenas a tristeza em saber que ela estava certa, mas lágrimas rolaram de meus olhos, sem permissão alguma. Ao contrário do que imaginei, minha mãe não se manteve distante, esticou os braços em minha direção e prontamente, aceitei seu abraço.

Infelizmente, não durou muito. Logo ouvimos o som de passos se aproximando. Renée pegou o lampião antigo que estava no chão e logo vimos que se tratava de Charlie.

— Finalmente a família está reunida! — ele riu. — As duas mulheres da minha vida… Prontas para pagarem por seus pecados. As duas mulheres responsáveis pelas desgraças da minha vida, finalmente aqui...Presas e ao meu dispor. Sabem, quando estava lá confinado, pensei e repensei nas opções que tinha; Podia me tornar um de meus colegas de cela, loucos e bitolados na bíblia, mortos de arrependimento falso e desejos obscuros... Ou, poderia ser esperto e pensar em como fazer aqueles que mereciam, pagar. Não demorou muito tempo para me decidir – sorriu novamente. — Vocês vão adorar tudo que preparei para este momento tão íntimo.

Sim, eu sabia que Charlie era um completo desestabilizado, mas todas as suas loucuras, geralmente, vinham acompanhadas de drogas e álcool, o que não parecia ser o caso, no momento.

— O único responsável pela sua desgraça, é você mesmo. — minha mãe disse.

Charlie chutou uma barra de ferro que estava no chão, para o lado e se aproximou de minha mãe, puxando seus cabelos para trás.

— Você jurou, sua puta! Você jurou estar comigo em todos os momentos, jurou servir e obedecer! Eu acreditei...Acreditei que você seria uma boa garota.

Renée manteve os olhos abertos e curvou seu rosto para perto do de Charlie, cuspindo em seu rosto.

— Você não merecia um pingo de atenção. Meu maior arrependimento, foi ter te salvado todas aquelas vezes.

Aproximei-me dos dois, pronta para distrair Charlie do que estava acontecendo, quando ele reagiu. Rapidamente, socou o rosto de Renée e a empurrou até que estivesse no chão, chutando seu corpo de maneira raivosa. Em segundos, ela caiu desacordada.

Um grito ficou preso em minha garganta, eu precisava agir, precisava desfocá-lo de Renée. A verdade, era que eu precisava de tempo, sabia que Edward estava a caminho. Ele jamais me deixaria na mão.

— Ela não tem culpa se você sempre foi um fraco! Como você consegue ser tão egoísta e imaturo? Como não consegue perceber que o verdadeiro culpado de tudo, é você?! — gritei.

Charlie vociferou e avançou em minha direção, preparei-me para atacar, quando ouvi a voz de James.

— Charlie! Nós temos que ir embora, mate logo essas duas, antes que sejamos pegos! — gritou.

Olhei para cima, onde vinha o som de sua voz e vi quatro homens olhando para nós. Fugir seria quase impossível e eu sentia que meu tempo estava se esgotando. Não havia como resistir a cinco homens, não grávida.

Charlie apenas gesticulou e focou-se novamente em mim.

— Traidora. Como consegue dormir com aquele que foi culpado pela morte de seu irmão? Nunca pensei que havia criado uma fodida interesseira! Você não tem orgulho próprio, Isabella? Precisa dormir e engravidar de um marginalzinho que ficou rico? Se eu não fui capaz de te ensinar boas maneiras enquanto era pequena, ensinarei agora. Nem que ponha esse filhote de bastardo para fora da sua barriga a força! — vociferou.

Dei passos para trás, assustada. Como ele ousava?

Não me dei ao luxo de me submeter ao choque, olhei ao meu redor, vendo que a barra de ferro que Charlie havia chutado, estava longe demais para um alcance rápido e a única coisa que restava era o lampião antigo, acesso. Preparei-me para pegá-lo, quando ele me acertou. No rosto, nas costelas e finalmente, no ventre. Minha cabeça girou e minha visão ficou turva, meu corpo amoleceu com a última porrada que ele deferira em minha cabeça, caí desnorteada, sentindo uma terrível queimação em meu rosto.

Não se tratava mais de socos e sim de algo quente, profundamente quente.

Sem conseguir reagir, apaguei.

***

A queimação não havia parado, apenas melhorado, não arrisquei botar a mão onde ardia, apenas tentei abrir os olhos e com muito custo, consegui.

O escuro ainda predominava e Charlie estava sentado a minha frente, olhando-me atentamente.

— Querendo fugir da diversão? Tsc, tsc – disse. — Não está na hora de dormir.

Tinha certeza de que ele havia dito isso de forma rápida e clara, mas eu demorei mais que o normal para entender suas palavras. Meu rosto queimava e todo o meu corpo doía. Olhei ao redor com dificuldade e vi Renée ainda desmaiada, atrás de Charlie.

— Eu vou te matar, Isabella. Assim como a sua mãe. Edward sentirá o que eu senti ao perder Alec. — falou calmamente.

Quis responder, mas não consegui. Meu corpo não respondia aos meus comandos.

Charlie pegou uma faca em seu bolso e se aproximou de mim, botando-a em minha garganta.

Era ali, eu sabia. Eu havia perdido, havia me enganado de que conseguiria e os chutes em meu ventre, lembravam-me que minhas escolhas não refletiriam só em mim.

Uma dor irrompeu em meu peito enquanto via Charlie se aproximar de mim e do meu filho.

Eu havia errado.

Preparei-me para o último ato de defesa, quando vi Renée se levantando com a barra de ferro em mãos.

Pensei em milhares de frases para dizer, mas nada foi proferido. Apenas observei quando minha mãe bateu na cabeça de Charlie repetidamente, até que seus olhos paralisassem, abertos e chocados.

Seu corpo caiu de bruços.

Renée arfou e eu apaguei novamente.

Notas finais
O epílogo já está escrito e meu coração já está apertado de saudade! Espero vê-los nos comentários! Beijos