Segundas Chances
19 Epílogo
Notas iniciais
2 anos depois.
Edward
Hoje completavam exatos dois anos que Charlie havia morrido, assim como James e mais homens que estavam naquele galpão, eu gostava de lembrar desta data e odiava, ao mesmo tempo. Por um lado, finalmente estávamos livres daqueles que nos perseguiam e desejavam a nossa ruína, por outro, o preço dessa liberdade era pago até hoje.
Bella passara um longo tempo internada, assim como Renée. As duas tiveram ferimentos graves e muitos traumas novos com que lidar. Nenhuma delas gostava de conversar sobre o ocorrido e minha maior preocupação era com a minha mulher, que poderia não aguentar.
Muitos depoimentos foram prestados, Charlie havia sido morto antes de chegarmos e Bella assumira a culpa por seu assassinato. A polícia até hoje tinha dúvidas se realmente fora ela ou Renée, porém o caso foi julgado e decidido como legítima defesa. Eu sabia a verdade e admirava Bella, pela coragem.
Na verdade, eu a admirava por tudo.
Tivemos muitas dificuldades em lidar com todo o ocorrido, as escolhas dela nunca seriam aceitas por mim, mas para o bem de todos nós, eu precisara aceitar que seus motivos eram compreensíveis em seu ponto de vista. Eu me ressentia por sua irresponsabilidade. Mas, sabia que se Bella não tivesse ido atrás de Renée, provavelmente ela não teria mais mãe.
Infelizmente, as coisas não foram fáceis, Bella ficara com cicatrizes na lateral do rosto, que foram identificadas como queimaduras. Ela tinha constantes pesadelos, ataques de choro e pânico. Levaram-se meses para a terapia começar a fazer efeito.
Com Renée não fora muito diferente, ela se separara do marido e fizera questão de morar perto de nós, para visitar Bella constantemente. Elas haviam ficado mais próximas, usaram-se para se fortalecer. Renée não aceitou a terapia tão facilmente quanto a filha, e fora atrás de exercícios e práticas artesanais, que segundo ela, davam mais resultado.
E eu havia chegado a conclusão que também necessitava de ajuda, não só pela parte em que Bella já estava em minha vida, mas também para absorver e entender melhor toda aquela época que passei vivendo nas ruas, no mundo do crime.
Terapia não resolvia tudo, mas ajudava a entender um pouquinho mais o que éramos.
Isabella
Eu estava profundamente animada enquanto me arrumava para descer. Olhei-me no espelho e ajeitei meu cabelo curto, rente ao meu rosto. As cicatrizes não me incomodavam, na verdade, me deixavam orgulhosa.
Poucos eram os que possuíam marcas de batalha e viviam para contar história. Poucos eram os que se arriscavam por amor. E eu me sentia afortunada, pois eu sabia e refletia sobre todo o risco que corri quando ganhei estas cicatrizes, sentia-me satisfeita por ter sido a única afetada por minhas escolhas.
Eu estava grávida de Emma quando corri o maior risco de toda a minha vida e me culpava por isso, eu tinha uma divida com a minha filha, mesmo antes dela nascer e me martirizava por isso.
Apesar de ter nascido prematura, Emma nascera saudável, o que segundo os médicos era um milagre após tanto estresse e transtorno que eu havia passado. Eu havia prometido a mim mesma, que contaria tudo a ela quando fosse mais velha, mas por enquanto podia apenas aproveitar a minha bebê que estava em constante estado de crescimento.
Terminei de ajeitar meu vestido, já ouvindo a música alta vindo do jardim. Estávamos comemorando um grande negócio que Edward havia fechado, segundo ele a empresa The Royals ajudaria e muito no crescimento de seu nome.
Saí do quarto, indo buscar Emma e me preparando para ver seu doce sorriso com dentinhos de leite. Ela era a minha cara e eu virava uma completa babona quando as pessoas falavam isso.
Ela estava sentada em seu berço, brincando com ursinhos de silicone e deu um gritinho quando me viu.
— Oi, meu amor. — acariciei sua bochecha. — Está animada?
Emma sorriu e soltou outro gritinho, enquanto se balançava. Eu ri e a peguei em um abraço. Ela logo começou a brincar com meu cabelo, fazendo barulhos engraçados.
Olhar para ela, fazia-me entrar no maior estado de gratidão que já acessei antes. Ela estava bem, saudável, era inteligente e muito brincalhona. Os meus erros não haviam atrapalhado e nem machucado minha filha e eu agradecia a “força maior” todo dia por isso.
— Mamãe nunca faria mal a você, viu? — falei baixinho para ela, que estava prestes a botar uma das mechas do meu cabelo, em sua boca. Apertei seu corpinho contra o meu e respirei fundo, como eu a amava!
— Bella? — logo reconheci a voz de Edward e deixei que Emma se concentrasse nele, já que assim que ouviu o mesmo, começou a se debater e gritar de ansiedade. Edward riu e aproximou-se de nós duas. — Só faltam as mulheres da minha vida…
— Já estamos indo, não é Emma? — falei e sorri, enquanto minha filha ia para o colo do pai. — Todos já chegaram? — indaguei.
— Sim, vamos!- ele disse animado.
Saímos do quarto de Emma e descemos a escada de nossa casa, o jardim estava cheio. As pessoas se organizavam, de acordo com as plaquinhas em cada mesa e eu sorri tranquila, enquanto começava a cumprimentá-las. Seria uma longa tarde e meu Edward merecia muito comemorar por suas conquistas.
***
A CEO e o vice-presidente da The Royals, foram os últimos a nos cumprimentar. Eles foram educados e bastante contidos em suas palavras, claramente por mais divertido que a festa fosse, eles estavam agindo de modo profissional, eu os entendia. Não pude deixar de admirar a CEO de uma das maiores empresas do mundo. Era bom ver uma mulher que estava em tal cargo de poder, ao vivo e a cores. Com certeza, ela era durona.
Edward sorria como um louco e Emma se revezava entre o colo dele e o meu. Ela estava animada em ver tanta gente.
— Nunca vi nossa filha tão animadinha. — Edward disse enquanto observava Emma, brincando com Emily, a filha de Alice.
— Claro, olha só como todo mundo fica babando nela! — cochichei.
— Linda como a mãe – ele respondeu e passou a mão por minha cintura.
Eu sorri e o beijei delicadamente. Ele me deu um último beijo antes de ir até a mesa onde nossos amigos estavam.
Observei-os; Alice, Jasper, Emily, Renée, Beth, Steve, Edward e Emma. Todos estavam sorrindo, felizes e aproveitando o momento de descontração, todos ali já haviam passado por alguma dificuldade, mágoa e tristeza. E todos ali já haviam cuidado de mim, como eu deles.
Alice e Jasper foram os responsáveis por me dar uma luz no final do túnel, quando tudo estava surrealmente sombrio. Minha mãe, havia me ensinado a ser forte na vida, a lutar, cair e principalmente, se levantar. Edward não só fora a esperança que eu tanto precisava e queria, mas a pessoa que realizara tudo isso que estávamos vivendo, junto comigo, que havia me ensinado o que é um amor de verdade e o quanto ele pode doer e também trazer felicidade.
Emma era minha vida, eram centenas de coisas que eu aprendia com ela todo dia. Eram incontáveis, as vezes que eu me pagava chorando de gratidão, por tê-la ao meu lado. E eu também pensava, se como todas as pessoas ao seu redor, que superaram o insuperável, perdoaram o imperdoável… Se ela seria capaz de fazer o mesmo comigo quando chegasse a hora.
Mas afinal, a vida era isso; dramas, aprendizados, alegrias, dores, lágrimas, erros, acertos e sorrisos. A vida era feita de Segundas Chances.
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