Notas iniciais
Senti muita saudades de vocês nos comentários. A falta de incentivo me faz demorar mais, peço desculpas. Pouquissimos capítulos para o fim. Enjoy!

Isabella

Ele não me entendia e era nítido em seus olhos o quanto aquilo o perturbava.

Gostaria de gritar com ele, de apontar o dedo no meio de sua expressão convicta. Eu estava pronta para a briga, porém, assim como a firmeza estava em sua expressão, também estava o medo. Ele temia pelas minhas escolhas, temia pelo acaso e eu o entendia. Mas não concordava.

Dias e mais dias se passaram e evitamos esse assunto ao máximo, ele sempre acabava com a expressão contorcida ao conversar sobre armas.

Então, eu resolvi agir.

Edward era meu amor, minha paixão, minha fonte de conforto e porto seguro, mas ele nunca foi e nunca seria dono das minhas escolhas. No dia seguinte a nossa discussão, eu me matriculei em um curso de defesa pessoal, oferecida por policiais de Chicago. Essa parte em si, não incomodava tanto Edward. Ele me ajudava com alguns movimentos, mas eu via a dor em seus olhos por me ver tão empolgada.

No curso, haviam várias mulheres, a maioria delas guardava uma história horripilante de agressão, não só por homens, mas também por mulheres. Ali, estávamos aprendendo a nos proteger de qualquer um mal intencionado. Eu amava a energia daquelas mulheres, a força que passavam. Mesmo que não se conhecessem, não faltavam gritos de incentivos umas as outras. Aquilo me deu esperança.

Esperança de superar completamente os meus traumas, esperança de estar preparada para os dois homens que eu sabia que viriam atrás de mim. Tudo estava muito silencioso, calmo.

Eu havia mexido com James e com Charlie e sabia que isso não era pouca coisa, os dois tinham ligações com o que eu chamava de “submundo de Chicago”, ligações pesadas. Bastava pouca distração da minha parte para ser pega.

Meses depois de todo o horror do sequestro, eu já me sentia melhor. Agora eu fazia não só defesa pessoal, como krav maga.

A única coisa que ainda faltava, eram as aulas de tiro. Eu seria capaz de atirar em James de novo se necessário, e precisava estar preparada para isso. Com esse pensamento martelando minha mente, estacionei meu carro e peguei minha bolsa que estava no banco do carona.

Edward já estava em casa e hoje ele não fugiria das minhas insistências.

***

— Isabella, eu não quero discutir isso de novo. — disse pela milésima vez. Edward estava sentado em seu escritório, haviam pilhas de papéis organizados a sua esquerda e pastas a direita. Havia tanto para se cuidar, que logo ele precisaria de uma assistente pessoal, além da profissional.

Sinceramente, eu entendia sua posição. Edward estava sobrecarregado com a sua empresa, preocupado que a polícia não conseguia achar James e estressado por não conseguir se entender comigo. Gostaria de tonar tudo mais fácil, mas me recusava. Não poderia apenas me calar quando sentia-me tão insatisfeita.

— Edward, não estou pedindo para matar ninguém, mas que droga! Você não consegue entender que eu preciso disso para me sentir segura? Não vou suportar passar por aquilo de novo sem saber me defender! — ralhei.

Ele fechou os olhos e respirou fundo, afrouxando a gravata e abrindo alguns botões de sua camisa azul marinho.

— Bella… Não é necessário. Você já sabe lutar, já sabe desarmar uma pessoa melhor do que eu! Eu entendo o seu medo, entendo...Só que, isso não vai acontecer de novo. Ninguém irá pegá-la novamente. — garantiu-me.

Havia verdade em seus olhos, Edward acreditava fervorosamente que poderia me proteger do que quer que fosse. Eu acreditava nele também, mas não me sentia confortável sabendo que havia mais um passo que eu poderia dar a favor da minha segurança e não podia, por suas discordâncias.

— É importante pra mim. Eu preciso ser capaz e só estou insistindo tanto, porque confio em você. Quero que me ensine ao menos o básico. Por favor. — finalizei e me aproximei de sua cadeira.

Seus olhos me estudaram por minutos, sua respiração estava um pouco acelerada e os olhos expressivos demais para que disfarçasse o que estava pensando. Ele sentia medo pelas minhas reações. E mais de uma vez, me confessara de que gostaria de ter sido sequestrado em meu lugar.

Encostei meus joelhos nos seus, passando os dedos entre seus cabelos desarrumados.

— Só quero me sentir segura, quero sentir que sou capaz de lutar pela minha vida se necessário. Quero ser capaz de proteger aqueles que amo… Edward, quero que você confie em mim.

Sua expressão se contorceu e seus olhos encararam os meus intensamente. Eu sabia o que ele estava vendo.

Com dezessete anos, eu era uma menina com o mesmo olhar que apresentava agora. Com frustrações, vontades não realizadas e medos escondidos. Porém, a força nunca me faltou.

Uma garota, uma mulher, não importava. Eu como Isabella, só tinha uma reação quando me sentia insatisfeita. Lutar, batalhar para mudar e solucionar o meu incômodo.

Passei anos sendo agredida verbalmente pelo meu próprio pai, comendo menos do que deveria, trabalhando mais do que podia. Tentei por anos dar uma melhor vida para quem no final, quis a minha ruína. Sofri calada para amaciar um coração quebrado, como o de Dianna. E guardei meus sonhos para um momento mais propício. Quando se tratava de mim, eu sabia onde depositar meu medo. Mas, quando se tratava de tudo que eu amava? Só havia uma coisa que eu temia. Uma coisa que me destruiria.

Perder tudo aquilo que lutei com todas as minhas forças para conseguir; Edward, Renée, Alice, Emily, Jasper, Rosalie, Emmett e meu bebê.

Minha felicidade.

Edward

Confiava tanto em Isabella, que poderia ser perigoso. Eu tinha sim, medos e hesitações por ela, mas não podia impedi-la de verdade de fazer algo para seu próprio bem. Incomodava-me o quanto ela queria ter acesso a uma arma de fogo, pois eu sabia a sensação que elas davam.

Em meus dias de assaltante, eu não andava armado de verdade, não. Odiava ver os olhos das pessoas ameaçadas, as expressões de medo ou ódio. A revolta que eles tinham comigo, não chegava nem perto do que a minha própria.

Alguns do meu passado, perguntavam porque eu me negava a usar armas de verdade. Sempre guardei a resposta, sabendo que não era do interesse deles, as reflexões que eu fazia.

A verdade, era que eu só ia atrás de pessoas que não pareciam ameaçadoras em nenhum nível e em situação alguma eu gostaria de ter sangue inocente em minhas mãos, então se fosse o caso de eu me dar mal, bem… Que fosse. Não machucaria ninguém por meus caprichos. Porém, eu não lidava apenas com roubos a pedestres inocentes, não. Eu lidava com ladrões do alto escalão. E também os desordeiros, que roubavam uns aos outros.

Não havia honra no crime, pelo menos, não para mim. E por isso, eu havia aprendido a me defender e atacar quando necessário. As armas de fogo se tornaram minhas companheiras por um grande período e por saber na pele todos os motivos que me levaram a tê-las, eu cedi. Isabella estava certa em querer uma melhor chance.

Quando se está entre a vida e morte e existe um obstáculo apenas, impedindo que sua jornada continue, é bom estar preparado para ultrapassá-lo, neste caso, eliminá-lo.

Eu iria sim ensiná-la a atirar, mas isso só fortificava minha promessa de guardá-la como nunca. A responsabilidade de matar uma pessoa não chegava perto de poder ser explicado com pensamentos difusos e palavras tolas. Nada poderia destruir mais uma pessoa, do que tirar uma vida e mesmo que Isabella fosse forte, ela era uma pessoa com um lado sentimental predominante demais para não se culpar.

— O básico Isabella, você aprenderá o básico. — murmurei.

Seus olhos se arregalaram e lágrimas rapidamente se acumularam a eles. Ela acenou com a cabeça delicadamente e depositou um beijo em minhas bochechas.

— Obrigada. — disse, se retirando do escritório.

Fui atrás de uma dose de Whisky na adega, largando os sapatos no caminho.

A possibilidade de que Isabella poderia se machucar no futuro, não me era agradável. Mas, era uma escolha dela, afinal. E tudo que eu poderia fazer, era treiná-la bem, para que sempre voltasse para mim.

Quem havia dito que o amor não era egoísta?

***

Como era de costume, Isabella já dormia a sono alto quando abri a porta do quarto. A gravidez estava se avançando e o cansaço a acompanhava.

Eu nem poderia começar a imaginar o que deveria ser carregar alguém em seu próprio corpo. Mesmo tendo lido diversos artigos na internet e ter perturbado livreiros, atrás de indicações para leituras sobre gravidez, a realidade deveria ser bem diferente.

Eu via a quantidade de vitaminas que Isabella consumia diariamente, além de alimentos que não gostava. Eu a admirava por nem pensar duas vezes quando o assunto era nosso bebê e mesmo que ela me confortasse dizendo que eu fazia tudo que podia… Ainda me sentia inútil.

Bem, eu pagaria essa quando o bebê nascesse.

Sim, bebê. Suas fraldas serão minhas!

Sorri no escuro do quarto e comecei a me despir. O dia havia sido cheio, assim como todos os outros e eu precisava, desesperadamente de um banho para relaxar e deixar o estresse do lado de fora.

Meia hora depois e eu já me sentia melhor e pronto para dormir. Aproximei-me da grande cama de casal, onde minha mulher dormia, agarrada ao meu travesseiro.

Ela fazia isso quando se sentia sozinha.

— Meu amor – sussurrei e acariciei seus cabelos.

Deitei na cama, tirando meu travesseiro de seus braços, aproximando seu corpo do meu. A barriga já proeminente deixava certo espaço entre nós e isso me fez sorrir. Acariciei seu ventre e fechei meus olhos. Não havia melhor remédio contra a pressão do cotidiano, do que ter Bella para abraçar ao final do dia.

— Edward? — perguntou.

— Oi, querida. — acariciei novamente seu ventre e depositei um beijo em sua testa. — Volte a dormir.

Ela se mexeu, apertando-me mais entre seus braços e curvando a cabeça para me beijar nos lábios.

— Eu seria uma bruxa se quisesse que você tirasse umas férias? — perguntou.

Beijei seus lábios mais uma vez, sentindo o gosto do chá de camomila que ela costumava tomar antes de dormir. Descendo por seu pescoço e colo. Sua pele quente e macia, era uma completa tentação para mim.

— Quando o bebê nascer, eu prometo que terei mais tempo. Estou adiantando tudo que posso, amor.

Eu gostaria de poder dar total atenção a ela durante a gravidez e o pós-parto, porém os negócios não paravam e ela mesmo já havia me confessado que gostaria de estar na ativa.

Depois de todo o ocorrido com James, Bella havia pedido demissão. E eu respeitara sua decisão. Ela precisava de um tempo para si mesma.

— Eu sei, eu sei. Desculpa. Só estou com saudades.

Suas pernas envolveram meu quadril e seus braços procuraram apoio ao lado da minha cabeça. Isabella agora olhava-me de cima e rebolava lentamente contra mim.

— Eu também linda.

Sua boca se aproximou da minha novamente e nas horas seguintes, nada era mais importante para mim, do que o prazer de Bella.

***

Era sábado.

Bella estava se preparando para as aulas de natação, já que com a gravidez, as lutas estavam suspensas por hora. Eu havia tirado o dia para acompanhá-la e fiz Valéria prometer que não me traria problemas da empresa. Que deixasse os tubarões esperando até segunda – feira.

Observava enquanto ela preparava sua bolsa, quando meu telefone tocou. O número me era conhecido, porém, inesperado. Atendi e apertei o viva voz. Isabella gostava de saber todas as notícias sobre seu pai e meu antigo parceiro de crime.

— Edward falando.

Senhor… Tenho algumas notícias.

— Diga, Roger. — respirei fundo e apertei o aparelho com mais força.

Meu líder de segurança hesitou por alguns segundos.

James, está em Chicago senhor. Assim como Charlie. Eles foram vistos nas proximidades do aeroporto, partindo em um táxi.

Onde aqueles desgraçados estavam? Era inacreditável a ineficiência da polícia com o caso desses dois.

Roger não costumava enrolar e eu sentia que havia mais.

— Me dê todas as informações! — ralhei.

A polícia conseguiu fotos dos dois, mas não conseguiram pegá-los… Tem algo acontecendo, senhor.

— Como assim? — perguntei.

O marido de Renée prestou queixa, ela está desaparecida desde quarta-feira.

Isabella paralisou a minha frente, derrubando a caneca que segurava. O som da porcelana se espatifando pelo chão era mínimo perante o grito de ódio que ela deu.

Era certo, Charlie havia finalmente conseguido pegar Renée.

Notas finais
E agora, genteeeee? Bella segurando mais essa! Algum palpite do que vai rolar? Eu já sei tudinho hehe Deixe que a caixinha dos comentários, seduzam vocês! Grande beijo e até o próximo! Alexia.