Segunda-Feira

29 Recomeços e oportunidades


Notas iniciais
Oi gente :) Nossa, quanto tempo, mds! Eu sei, eu sei. Sumi e sumi feio dessa vez. Mas melhoraria se eu dissesse que posso explicar? haha Bom, vamos conversar lá em baixo, porque antes tem capítulo para vocês lerem :D Eu espero mesmo que gostem.. Boa leitura!

O silencio que pairava na sala me deixava exageradamente incômoda. A situação era desconcertante demais. No entanto, chegava a ser cômico. Colocando no papel tudo o que acontecera recentemente, observando cada passo dado que me levara até aquela sala grande e clara, era impossível não ver ao menos um pouco de graça de todo aquele enredo.

O modo como as coisas haviam mudado, tão de repente, dando um giro de trezentos e sessenta graus em minha vida. Em tão pouco tempo, muita coisa aconteceu e eu já não conseguia enxergar mais aquela velha Isabella, quando me olhava no espelho. É, ela já não estava mais em mim, em minhas atitudes, minha postura, meu jeito de enxergar o mundo.

Sempre ouvi dizer que nós precisamos passar por fases ruins para crescer, e ou, aprender um pouco. Para falar a verdade, sempre achei aquilo um absurdo. Ver o lado bom do sofrimento e ainda “crescer” com aquilo, me parecia um tanto quanto masoquista. Porém, após tantas tempestades, tantas nuvens cinzentas e pesadas, isso começou a fazer um pouco de sentido. De um modo meio tortuoso, mas ainda fazia sentido.

O barulho da porcelana encostando no vidro da mesa, me obrigou a chacoalhar a cabeça. Mordisquei o canto inferior da boca e praguejei mentalmente. Eu e minha mania de viajar com meus pensamentos.

Um aperto aconchegante acolheu minha mão e não pude deixar de encarar o entrelaçado mágico, que meus dedos formavam com os de Edward. Um sorriso ameaçou surgir em minha boca, contudo a voz neutra e séria, o barrou.

—Eu já havia notado que algo estava acontecendo aqui. – foquei o pano da saia que cobria meu colo, um tanto quanto envergonhada pela revelação. —Fiquei esperando vocês virem até mim. – Heidi continuou em um tom aparentemente tranquilo.

—Nós não planejamos isso. – Edward tentou se explicar.

Meio receosa, ergui os olhos até ele e mais uma vez fui abalada pela sua beleza. Eu ainda me perguntava como aquela pessoa tão linda, por dentro e por fora, havia “esbarrado” na minha vida, de uma hora para outra. Tanta gente em Nova York, tantas empresas de publicidade... E nossos caminhos se entrelaçam assim. Eu não sabia a quem, ou a que, agradecer. Destino, coincidência... Não sabia. Só estava muito, mais muito agradecida.

—Eu sei que não. – a voz de Heidi voltou a soar e minha atenção se voltou a ela. Quando seus olhos se encontraram com os meus, me arrependi um pouco. Heidi não abaixava a guarda. Era sempre dura e imparcial.

Respirei fundo.

Mas ela tinha razão em estar daquele jeito. Edward e eu, estávamos errados. Talvez um pouco. Porque essas coisas, relacionadas a sentimento, fogem do nosso controle.

—A empresa não proíbe o relacionamento entre funcionários. Contudo, para evitar algum tipo de fofoca, nós somos recomendados a tentar evitar certas coisas. – ela tomou cuidado ao proferir a última palavra. —O caso de vocês é um pouco mais delicado, porque se trata de uma superior e um subordinado. – ela respirou fundo, arrumou a postura e logo voltou a falar. —Muita gente pode não ver com bons olhos isso, e a competência profissional dos dois, certamente vai ser questionada.

Ela estava coberta de razão e nós não podíamos ao menos tentar rebater aquilo.

—Alguém pode muito bem deduzir que há algum tipo de vantagem aqui...

—Eu jamais faria isso. – tive de interrompê-la. —Jamais deixaria minha vida pessoal interferir no meu trabalho. – continuei, olhando dentro de seus olhos analíticos. —Eu amo o que eu faço, amo trabalhar aqui e nunca que eu iria fazer algo para comprometer meu emprego. – tomei um pouco de ar antes de continuar. —Meu relacionamento com o Edward aconteceu, foi inevitável, eu...

—Sei disso, Bella. – dessa vez, foi ela quem me cortou. —Sei da sua competência, da sua índole. Sei também que ninguém controla essas coisas. – tanta compreensão de sua parte chegou a me surpreender um pouco. —Mas eu trabalho e conheço você há um tempo. – pontuou. —Nem todos lhe conhecem aqui. Nem todos vão gostar de saber do namoro de vocês. – ela era sincera. —E por mais que todos nós nos demos muito bem, eu sei e vocês dois sabem muito bem, que para uma pessoa conseguir o que quer, ela é capaz de tudo. – alertou e eu senti que alguns nomes passaram por sua mente. —É por isso que eu tenho que separar vocês dois. – completou antes de bebericar seu café.

Um arrepio gelado correu minha espinha. Por um segundo interminável senti o medo varrer meu corpo.

O que ela quis dizer com aquilo? E porque ela não explicava logo?

Preocupada, encarei Edward. Nem mesmo seu sorriso torto, fora capaz de me acalmar. Se bem que ele também estava um tanto quanto apreensivo.

—Você vai demitir alguém...

—Se for demitir, demita a mim. – Edward tomou a frente, cortando minha pergunta. —Bella ama isso aqui. Não seria justo tirá-la daqui.

—Não mesmo. Ela é a minha melhor funcionária. Jamais a demitiria. – Heidi quase soltou um riso ao final. Quase. —Eu não vou demitir nenhum dos dois. Vou apenar remanejar o Edward para outra equipe.

Engoli a seco e soltei um ar que eu nem sabia que estava prendendo. O alívio correu por minhas veias juntamente do sangue.

Heidi esticou o braço e alcançou o telefone a sua esquerda. Com o aparelho pressionado na orelha, ela nos fitava da mesma maneira neutra de sempre.

—Jessica, ligue para a Kim e mande ela vir até aqui. – o recado curto fora dado e em menos de cinco segundos o telefone já repousava no gancho espelhado. —Vou te colar na equipe dela, mas por favor, não vá se apaixonar por ela também, ok? – sua piada pareceu ter graça apenas para ela, seu riso saiu seco e rápido. Ela tinha mesmo um humor negro.

Quando decidimos contar para ela sobre nós dois, Edward e eu já devíamos ter nos preparado para aquele tipo de coisa, mas a preocupação em alguém ser mandado embora era tanta, que aquilo passou despercebido.

—Acho que é só isso. – a voz de Edward novamente me sugou do mar de pensamento em que eu havia me enfiado. Recostada na mesa, eu o observei atentamente. Seus braços fortes seguravam algumas pastas e cadernos, com um certo desajeito. A bolsa preta estava pendurada no ombro por uma alça que ameaçava arrebentar a qualquer momento. —Vou sentir falta de trabalhar com você. – lamentou curvando o lábio inferior em um biquinho.

Sorrindo, me aproximei dele. O salto alto do meu scarpin diminuía um pouco a diferença de altura entre nós dois e com isso, consegui alcançar seus lábios com um selinho rápido.

—Eu também vou. – assumi afagando seu rosto. A barba por fazer pinicou um pouco minha palma e eu me deliciei com a sensação. —Mas pense, podia ter sido pior.

Seus olhos azuis brilharam por um momento pensamento e então, ele maneou a cabeça em concordância comigo.

—Sim, verdade. – respirou fundo. —É melhor eu ir, antes que Heidi venha me chamar. – beijou minha testa. —Te espero para irmos juntos? – indagou parado na porta.

—Não, hoje eu tenho terapia em grupo. Vou para lá saindo daqui.

Edward sorriu e eu pude ver o orgulho brilhar em seus lábios. Desde que eu passei a frequentar a sessões, muita coisa havia melhorado em minha vida, e claro, as pessoas que me amavam, davam grande valor a terapia.

—Nos vemos a noite então? – jogou novamente.

—Sim, nos vemos a noite. – confirmei, me sentindo um tanto quanto ansiosa para vê-lo novamente. —Hey, não vai se apaixonar por sua chefe de novo, hein. – brinquei vendo seus olhos girarem.

—Impossível, eu só tenho olhos para você. – galanteou, me lançando uma piscadela. —Até mais tarde princesa. – erguendo o braço acenei em sua direção, observando sua figura desaparecer pelo corredor.

Ainda sorrindo, observei a sala vazia. Ia ser realmente estranho passar por ali e não ver a bagunça de Edward. Não poder beijá-lo as escondidas, ou simplesmente aproveitar sua presença.

Suspirei profundamente trancando a porta da sala noventa e três. Realmente ia ser estranho.

—Boa tarde. – Joane, uma das senhoras da faxina, me cumprimentou quando cruzamos no corredor.

—Boa tarde, Jo. – seu sorriso simpático preencheu todo seu rosto redondo.

Como era bom estar cercada por pessoas com energia boa. Aquilo me fazia um bem danado. Segurando na maçaneta, abri a porta da sala de reuniões. O falatório ali dentro me fez rir. Como eu amava aquilo. Ver todos meus colegas reunidos, discutindo sobre coisas importantes ou não. Um tentando falar mais alto que o outro, e então, crises de risos sem fim.

Me aproximei com cuidado, tentando não interromper aquele momento, que para mim era mágico. Eu amava tanto aquilo. Aquelas pessoas, aquele lugar. E eu estava realmente feliz por não perdido nada.

—Finalmente! – Eric exclamou quando me viu, chamando a atenção de todos para mim. —Chefona chegou.

—Bobo. – rolei os olhos, sem deixar de rir. —Desculpem o atraso, estava em reunião com Heidi. – me desculpei, tentando não focar no olhar curioso de Alice e Embry. —Vamos começar? Já estamos um pouco atrasados com o projeto.

—Vamos, que esse ano o Cannes é nosso! – Jéssica profetizou para a euforia de Angela, Eric e Mike.

Não deixei de rir, enquanto caminhava até minha mesa.

—E então, como foi lá? – Alice perguntou assim que se postou a minha direita.

—Conte-nos tudo. – Embry pediu parando a minha esquerda.

—Deu tudo certo, gente. – contei aliviada. —Heidi só transferiu o Edward de equipe. – me virando, intercalei meus olhos entre os dois. —Finalmente as coisas estão encaminhando.

E estavam mesmo. Desde que eu decidira dar parte de Jacob, tudo estava só melhorando. O que eu achava que seria uma vergonha e tormento, me trouxe uma paz e tranquilidade inesperada. Como a delegada me prometera aquela noite, uma liminar fora expedida e Jacob estava proibido de se aproximar de mim. Sua licença para porte de armas fora cassado e após passar alguns dias preso, ele cumpria alguns serviços sociais. Pelo menos fora isso que seus pais me disseram, quando me procuraram há um tempo.

Nunca tinha me sentindo muito à vontade na frente dos dois, e sempre senti que ambos não me aprovavam como nora, mas achei legal o fato de eles virem até mim e me pedirem perdão por tudo o que o filho havia feito.

Nenhum tentou desmentir minha história e transformar Jacob em vítima. Eles deixaram bem claro o quanto repugnam o estupro e prometeram que Jacob nunca mais ia voltar a me incomodar. Aquilo me deixou ainda mais tranquila.

É claro que ainda haviam muitas marcas em mim, não físicas, obviamente. E eu sabia que ainda ia levam um bom tempo até todas as feridas se fecharem, mas preferi seguir a vida, tentando deixar tudo de ruim que acontecera no passado.

Eu tinha tudo para recomeçar. A mãe mais incrível do mundo, os amigos mais maravilhosos que alguém poderia querer, e claro, o namorado mais gentil, dedicado e lindo. Cheio de defeitos, como qualquer outra pessoa, mas que conseguia me fazer um bem inexplicável.

A tarde passou voando. Em meio a tantas ideias para a finalização da propaganda para o perfume Imortal, as horas passaram tão rápido, que eu quase me atrasei para a terapia.

Gwen me recebeu com um sorriso grande, como sempre. Ela também não escondia o quão orgulhosa estava de mim, por todo o avanço que eu apresentei. E eu devia muito a ela também.

Quando adentrei na sala, havia apenas duas cadeiras vagas. Me sentei na mais próxima, desejando uma boa tarde a todas as mulheres presentes. Algumas ali eu já conhecia de outras sessões, mas havia três novatas, que pareciam gatinhos amedrontados. Estavam encolhidas nos acentos, com a cabeça baixa e uma postura totalmente desmotivada.

Respirei fundo me penalizando por cada uma delas. Chega a ser absurdo o estrago que certos atos fazem na vida das pessoas. Tantas mulheres são machucadas com isso, tantas famílias são destruídas... É horrível. Repugnante.

—Boa tarde, meninas. – Gwen desejou, assim que se postou no ultimo assento. Todas nós a respondemos em um coro desorganizado. —Hoje nós estamos recebendo mais três colegas. – ela sorriu ao fitar cada uma delas. —E eu quero dizer para elas se sentirem a vontade, que aqui todas somos amigas, mulheres e companheiras de histórias. – completou, antes de suspirar profundamente.

O sorriso não abandonara seu semblante em momento algum, e aquilo era algo realmente, confortante. Eu não sabia se as outras meninas se sentiam do mesmo modo que eu, mas Gwen conseguiu me fazer enxergar uma nova pessoa dentro de mim.

Mesmo depois de tudo. De toda a tragédia, de ter o mundo desmoronando nas minhas costas, ela me fez abrir os olhos e ver que depois da tempestade, o sol sempre volta a brilhar.

—Alguém se sente à vontade para dividir sua estória conosco hoje? – indagou intercalando o olhar entre nós que estávamos dispostas em um O quase perfeito.

A sala clara e de decoração simples fora embrulhada em um silencio longo. Aquela era uma hora difícil. Assumi para mim mesma, sentindo o incomodo embrulhar meu estômago.

Por mais que eu estivesse bem melhor e progredido bastante, ainda era complicado ficar falando sobre o ocorrido. Era como se eu tivesse mexendo em um machucado que ainda não estava totalmente cicatrizado.

Eu queria, realmente queria dividir a minha estória com as outras. Aquilo não ia ajudar somente a mim, mas também a cada uma presente ali, contudo, eu sabia que ainda não estava pronta.

—Acho que... – uma voz baixa e tímida ecoou pela sala. Erguendo a cabeça procurei rapidamente a dona do timbre. —Acho que eu quero falar hoje, Gwen. – disse um pouco mais confiante.

Quieta eu a fitei. Não sabia seu nome, mas já admirava pela coragem.

—Mas é claro, Claire. – Gwen a olhava ternamente. —Fique à vontade, estamos de ouvindo.

Claire.

Seu nome era delicado e combinava perfeitamente com ela. Sua pele negra era linda, lisa e sem imperfeições. Os olhos grandes e negros estavam um pouco opacos, mas a postura em seus ombros curtos era encorajadora.

Suas mãos subiam hora ou outra por seu cabelo crespo, armado e tão escuro quanto seus orbes, enquanto ela nos contava sua trágica estória.

Já havia ouvido vários relatos e para ser sincera, pouca coisa mudava. Marido, noivo, namorado... Todas presas em relacionamentos abusivos. Cegas, que se recusavam a enxergar o lado obscuro da relação.

Primeiro as proibições, a imposição de poder, a diminuição das conquistas. Depois o abuso psicológico. A agressão a nossas mentes, que poucas pessoas entendem o quão doloroso é isso. Até chegar o primeiro tapa. A primeira surra. E então ele, o estupro.

Com Clair, a coisa era um pouco mais delicada. Ela ficara presa nesse inferno por três anos e há um, que estava tentando sair disso. Mas o canalha não estava disposto a liberá-la. Ele não a deixava em paz, segundo suas próprias palavras. Se dizia arrependido e mudado. Jurara por tudo que era mais sagrado, que nunca mais ia voltar a lhe encostar um dedo sequer. Contudo, ela já não acreditava mais nele.

Agradeci mentalmente por ouvir aquilo.

Porque ele não ia mudar. Ele não ia parar de bater nela ou de abusá-la. Ele não tinha jeito. Gente ruim nasce ruim e morre ruim.

Claire terminou seu relato com uma frase que me tocou bastante: “Eu não via o quanto ele me controlava. Agora vejo que a mera lembrança que tenho dele me esvazia de qualquer felicidade”

E doeu. Profundamente.

Ainda quieta, sentada na cadeira, naquela sala arejada e clara, comecei a perguntar quantas pessoas estavam daquele jeito. Como Claire estava. Como eu fiquei. Como nós.

Quantas mulheres caíram em depressões tão profundas que jamais foram capazes de se reerguerem. Quantas mulheres perderam seus amigos, suas famílias, suas vidas a troco de nada.

Em um mar tão grade de devastação eu tinha muita sorte por ter conseguido recolher meus cacos e me “reconstruir”.

—Bella, querida. – maneei a cabeça quando Gwen me chamou.

—Ah, me desculpe... Meio que viajei nos meus pensamentos. – senti meu rosto esquentar quando percebi que todas as outras já haviam saído e eu era a única ali dentro.

—Não há problemas. – sorriu, recolhendo sua bolsa. —Então, você está bem?

—Sim, estou. – concordei me pondo de pé. —Cada dia que passa me sinto melhor. – assumi lubrificando os lábios com a ponta da língua. —Sabe, ouvindo esses relatos, eu percebo como tenho sorte.

Gwen me olhou por cima do ombro e acenou com a cabeça em concordância.

—Tem mesmo. Todas vocês que procuram algum tipo de ajuda tem. – respirou fundo antes de se virar para mim. —As estatísticas caíram um pouco, mas os números de feminicído ainda são muito altos. – abaixei os olhos sentindo minha espinha gelar. —E as únicas pessoas que podem mudar isso, somos nós. Ou melhor, vocês.

Observei a chave da sala entre seus dedos enquanto repassava suas palavras.

—Eu queria poder ajudar de alguma forma. – proferi caminhando ao seu lado para fora da sala.

—Mas você já ajuda, querida. – sua mão pousou em meu ombro. —Sabe-se lá quantas mulheres você salvou ao denunciar o seu agressor. – seus olhos eram carinhosos. —Só com isso você já mudou o mundo.

Sorri amarelo, maneando a cabeça.

—Não. Eu quero fazer mais. – ergui os olhos até os seus. —Sabe, trabalho em uma área com grande visibilidade. Consigo atingir milhares de pessoas com comerciais, anúncios, propagandas... – fiz uma pausa observando seu semblante acender. —Acho que eu posso usar isso a nosso favor.

O sorriso que apareceu nos lábios de Gwen fora enorme. E ela pareceu tão entusiasmada com a minha ideia quanto eu. Ainda não sabia bem o que eu ia fazer, e como fazer, mas estava disposta a elaborar alguma coisa que alertasse um pouco mais as mulheres do mundo. Nós precisávamos reverter essa situação e eu precisava fazer a minha parte.

—Então você quer fazer um anuncio sobre o feminicídio? – Edward pareceu não entender muito bem.

Abrindo a garrafa de vinho, neguei com a cabeça.

—Não seria bem um anuncio, amor. – servindo as taças a minha frente, procurei um jeito de lhe explicar. —Está mais para uma campanha.

—Hm. – mordiscou o lábio inferior enquanto mexia o macarrão na panela de inox.

—E não seria sobre o feminicidio. – coloquei. —Pelo menos não seria só sobre o feminicidio. – Edward sorriu diante o meu jeito meio esbaforido. —Seria sobre relacionamentos abusivos e todas as suas máscaras. – desligando o fogo, ele apoiou as mãos na bancada e manteve total atenção em mim. —Muitas pessoas acreditam que o relacionamento só é abusivo quando há violência física, e é aí que eu quero entrar. – lhe estendi uma das taças de vinho. —Eu quero fazer algo que mostre as mulheres que opressão psicológica também é abuso. – fiz uma pausa tomando um pouco de ar. —Controle, ciúmes excessivo, gritos... Tudo isso é abuso sim. E nós precisamos denunciar.

—É uma ótima ação. – Edward disse abrindo um sorriso que era a mescla perfeita entre animação e orgulho. —Tenho certeza que vai ser um arraso.

—Acha mesmo? – indaguei meio receosa.

—Claro. – concordou, dando a volta na ilha e vindo até mim. —Diante da atual situação, de um mundo tão misógino e machista, essa campanha vai cair muito bem. – girando na banqueta, entreabri as pernas para acolher seu corpo entre elas.

—Será que Heidi vai topar? – apoiei as mãos em seu peito fitando o azul intenso de seus olhos. —Não sei se ela vai querer fazer parte de algo tão polêmico.

—Hey, princesa. – Edward segurou em meu queixo e ergueu minha cabeça para que seus lábios pudessem encontrar com os meus em um selinho gostoso. —Vai dar tudo certo. Pode ter certeza.

Era praticamente impossível não confiar quando ele falava daquele jeito. Com aquela voz, aqueles olhos, aquele carinho.

—Eu amo você, sabia? – perguntei subindo minhas mãos por seu peito, até abraçar seu pescoço. —Muito. – beijei seu queixo. —Muito. – voltei a beijá-lo, dessa vez na pontinha do nariz. —Muito. – nossos lábios voltaram a se encontrar, daquela vez em um beijo mais quente. Sua língua roçando na minha em uma pressão deliciosamente excitante.

—Eu também te amo, pequena. – sua voz aveludada eriçou os cabelos da minha nuca. —O jantar já está pronto– contou abaixando a cabeça e distribuindo beijos pela pele do meu pescoço. —Mas acho melhor esperarmos Emmet e Rose. – fechei os olhos quando ele sugou minha pele e a lambeu.

—Eu.... – tremulei. —Eu também.

Edward ergueu a cabeça e me olhou. Seus olhos eram duas chamas azuladas que, ao percorrerem meu corpo, deixou cada pedacinho meu queimando.

Suas mãos subiram por minhas cinturas, e então ele tirou minha blusa. Com os olhos nos meus, puxou minhas botas pelos calcanhares, tirando uma e depois a outra. Meu jeans logo formou outro bolo no chão frio e então, fiquei apenas de sutiã e calcinha, um lindo conjunto de renda preta.

—Porra, você é muito gostosa. – ele sussurrou, seus olhos me contemplavam como se fossem a primeira vez que vissem daquele jeito.

—Você também. – lhe lancei uma piscadela e um sorriso sedutor, esse que logo sumiu para receber seu beijo faminto.

Meus dedos passeavam por seu cabelo o puxando-o com o mesmo ímpeto do desejo que queimava dentro de mim. Mordi seu lábio inferior e retirei sua camiseta, o que revelou sua pele macia e seu físico que me deixava sem fôlego. As mãos dele agarraram minhas coxas, afastando‑as um pouco mais. Senti as palmas de suas mãos quentes entre minhas pernas e fiquei ainda mais molhada com a maneira que as juntas de seus dedos me provocavam percorrendo minha boceta.

—Mmm, você está tão molhada. – sussurrou, mordendo meu lábio inferior enquanto afastava o elástico da calcinha. Excitado, me beijou de novo, movimentando o dedo em minha carne pulsante, o que me deixava ainda mais maluca. Minhas mãos desesperadas desabotoavam seu jeans e tentavam sem sucesso, abaixar a frente da calça.

—Hm, meu Deus! – murmurei, descendo sua cueca e segurando firme seu pau endurecido que latejava na minha mão.

Edward gemeu alto enquanto eu o masturbava com prazer, deixando-o ainda mais duro.

Ele voltou a colar a boca na minha ao me levantar da banqueta e me carregar com facilidade para o seu quarto. Edward me jogou na cama assim que entramos no cômodo aquecido.

Me arrumei no colchão, apoiando o corpo com os cotovelos, meus olhos focalizaram seu pau duro que aparecia por cima da calça aberta.

Era um nível extraordinário de calor e desejo.

Um sorriso safado e lindo, delineou seu rosto enquanto ele desceu a calça até tirá‑la, observei‑o tropeçar na cueca e então avançar em minha direção.

—Belo conjunto. – ele elogiou roucamente, ao se encostar ao meu lado na cama. —Mas prefiro o que tem por baixo dele.

Suas mãos deslizaram por baixo de minhas costas e se livraram do sutiã, que sumiu em meio ao quarto escuro. Então seus dedos experientes passaram para a parte da frente de minha calcinha, arqueei o corpo pressionando levemente minhas pernas contra sua mão, para dificultar seus movimentos e forçá‑lo a se empenhar, divertindo‑me com a provocação.

Edward estreitou os olhos, mas sem dizer nada foi para o pés da cama e ergueu um dos meus pés descalços até sua boca.

Aquela boca —a que me encantava, seduzia, enlouquecia. Seus lábios fizeram cócegas em todos os meus dedinhos, antes de envolver completamente o dedão. Uma aflição gostosa percorreu minhas pernas.

Então alcançou a mesinha ao lado, abriu a gaveta de cima, pegou uma camisinha e a colocou.

Vê-lo desenrolar a camisinha sobre seu membro rijo, era a cena mais excitante do mundo.

—Abra as pernas, Bella. – mandou.

—Diga por favor. – eu o provoquei ao alongar meus braços acima da cabeça e fechar os joelhos. Como era bom aquilo, procurar, dar e conquistar prazer.

Edward deslizou as mãos entre as minhas coxas, abrindo‑as com possessividade, e eu fiquei deitada ali, estendida e resplandecente, excitada com a expressão selvagem em seu rosto.

—Vou ensinar você a me provocar, amor. – ele não me deu tempo para respostar e com uma única investida, se colocou dentro de mim, me rasgando com o melhor tipo de dor que se possa imaginar. Minhas coxas apertaram com força seu quadril sensual.

Minha mão agarrou seu antebraço e minhas unhas cravaram-se em sua pele nevada.

—Ah, sim. – soltei ofegante, e ele penetrou outra vez usando mais força.

—Estou te machucando? – perguntou abaixando a cabeça e sugando meu seio.

—Não. – foi a única coisa coerente que consegui dizer.

Sentir seu pau grosso entrar e sair de mim, me deixava incoerente, irracional. Tudo o que conseguia pensar era em como aquilo era bom. Muito bom.

Edward segurou em meus quadris e começou a me penetrar mais rápido, mais forte.

Um calafrio subiu por meu umbigo e se espalhou por todo meu corpo. Prendi a respiração fincando as unhas na carne de suas costas.

Então Edward parou. E retirou o pênis de mim, deixando‑me faminta, ofegante.

Quase gritei de frustração até que percebi que ele não tinha intenção de interromper nada.

Ele se abaixou e sua língua nadou no meu umbigo, liberando outra onda de prazer que me fez ficar molhada novamente.

Seus olhos famintos vieram para os meus quando Edward empurrou meus joelhos para cima e os afastou, me deixando ainda mais aberta. Ele pressionava meus joelhos levantados para os lados e me segurava por baixo, seu rosto continuou a me explorar.

Um beijo nas partes internas de minhas coxas, uma mordiscada provocante e então, uma lambida em meu clitóris pulsante.

—Edward. – suspirei agarrando seu cabelo, enquanto ele agarrava minha bunda com uma das mãos e pressionava o polegar dentro de mim, a língua traçando círculos delirantes, tudo ao mesmo tempo.

—Diga por favor. – ele murmurou entre lambidas intermitentes. Ele estava me provocando e eu não podia aguentar. Não podia.

—Por favor. – minha voz saiu fraca e então, Edward passou a me sugar. Forte, sem parar, com vontade. Dois dedos me penetravam com força, indo o mais fundo que conseguiam em minha boceta.

E então eu cedi. Cedi a um orgasmo tão intenso que gritei bem alto enquanto seus dedos entravam e a boca continuava a me sugar.

Encurvei e arquejei quando aquilo disparou dentro de mim e atingiu os quatro membros. Meus olhos se fecharam com força para suportar a intensidade de tudo, antes que por fim e cruelmente cessasse.

Edward avançou devagar pelo meu corpo enfraquecido, beijando minha barriga, esfregando os lábios úmidos nos bicos dos meus peitos, depois se enfiando dentro de mim outra vez.

Ele estava muito duro, incrivelmente duro.

Mal pude recobrar o fôlego quando nossos corpos se encontraram de novo, minhas mãos agarrando seu quadril e o ajudando nas estocadas.

Meus joelhos o abraçaram novamente, a fricção me deixava tonta. Meu prazer aumentou novamente. E então gozei outra vez, como um trovão, jogando minha cabeça para trás.

Aquilo era o paraíso. E eu não queria sair de lá. Não tão cedo.

Notas finais
Falando primeiro sobre a fic... Estamos na reta final o/ Agora sobre todos esses meses que eu fiquei sem atualizar aqui. Bom, ano passado eu fui viajar. E fiquei um tempo fora. De tudo. Quando eu voltei precisei colocar a minha vidinha em ordem, porque eu estudo, trabalho, tenho família, amigos... Enfim, sou uma pessoa com qualquer outra que tem deveres e responsabilidades. Por conta disso, eu fiquei sumida daqui. Mas, aproveitei meus breves momentos livres para concluir a fic e agora voltei o/ Sério me desculpem pelo sumiço, quem me acompanha desde 2013 sabe que eu não sou de fazer isso, que eu sempre concluo minhas histórias e não vai ser essa que eu vou deixar incompleta. Agora falando sobre o grupo que eu soube que se desfez perante o meu sumiço. Antes de ir viajar eu tive a brilhante ideia de levar meu celular a um show. E lá eles pegaram meu celular ¬¬ Perdi o numero e consequentemente o contato de todo mundo. Como eu ia viajar, deixei pra comprar outro aparelho lá e fiquei de boa arrumando os ultimos detalhes pra ida a Califórnia. Quando eu voltei eu tinha uma vida pra por no eixo de novo. Eu precisava correr atrás dos meus estudos, porque eu fiquei um mês sem ir pra aula, e um mês é muito coisa. Quase comprometeu o meu ano. E depois disso, eu precisava voltar a trabalhar, porque eu tenho contas e tenho que comer né kkk A saída do "meu numero" do grupo não foi proposital. Ele já não me pertencia mais e obviamente a operadora percebeu que não havia nenhum movimento e deu bloq no numero. Eu jamais sairia de um grupo que eu criei e que eu gostava tanto. Queria muito ter recuperado o numero, mas não deu. E é isso gente. Se alguém ficou chateada, me perdoe. Sobre as várias mensagens que vcs mandaram aqui no nyah. Eu perdi o email do login e deu o que fazer pra recuperar, quando consegui tentei responder o máximo, mas foram muitas kkk Me perdoem se eu fiquei sem responder alguém não foi por quereeeer :( Enfim amores, é isso. Recado grande, mas precisava ser dado. Nos vemos em breve. Um beijo e se cuidem. P.S.: Pras meninas que tavam no grupo se quiseram, me mandem msg aqui no nyah que eu mando meu numero, não pretendo criar outro grupo, mas quero manter a amizade. Amo vocês ♥