Notas iniciais
Oláaa amores!!! Antes de tudo, queria pedir mil e uma desculpas pela demora absurda. Fim de ano me prende completamente e mal tenho tempo para pensar no que escrever, quem dirá então escrever a fic. Espero que me desculpem... Mais uma coisinha, Sara, meu amor, muito obrigada pela recomendação! Eu amei!!! Agora, vamos a leitura :D Tenham uma boa leitura, espero que gostem ^^

Enquanto o chaveiro fazia a troca da fechadura da minha porta de entrada, eu me permitia pensar em como aquilo era significante.

Não era apenas uma troca. Não, aquilo era mais, muito mais. Era o primeiro passo para uma vida nova, uma vida onde Jacob não tinha espaço ou se quer direito de entrar em casa.

Casa.

Reconhecer aquele apartamento como casa, fora bem complicado, não mais é claro, do que ter que entrar naquele cômodo que servira de cenário para o filme de horror mais tenebroso de todos os tempos: O meu quarto.

Mas eu só o fiz, só adentrei naquele cômodo maldito, depois que Renée se desfizera de cada um dos móveis. A cama, o colchão, a cômoda.... Tudo, absolutamente tudo, até mesmo as persianas que tapavam as janelas grandes.

Aquilo era mais um passo para a vida nova. Vida nova, quarto novo.

—Bella. – o toque em meu ombro me causou um grande susto e mesmo ouvindo o doce som da voz de Renée, não consegui esconder o sobressalto. Seus olhos me estudaram por um momento assim que me virei para olhá-la. —Sua chefe está no telefone, quer falar com você. – informou colocando meu cabelo atrás da orelha.

Entreabri os lábios e suguei o ar, deixando meus pulmões cheios.

Era horrível ficar daquele jeito. Sensível a cada toque, a cada presença inesperada. Sentia como se tudo ao meu redor emitisse ameaça. O medo e a desconfiança agora, eram minhas sombras.

Soltei o ar pela boca e me acomodei no sofá, minhas pernas se dobraram abaixo do meu corpo no momento em que pressionei o telefone contra a orelha.

—Alô.

—Bella, bom dia. – Heidi foi educada e aquilo me deixou mais confiante, era um bom sinal. —Soube que está doente, uma virose, certo?

—Certo. – confirmei um pouco seca demais, odiava mentir, ainda mais quando isso implicava diretamente no meu trabalho.

—Está se hidratando direito? Nessas situações, estar hidratada, é crucial para a recuperação... – seu tom ameno deixou claro que hoje, ela estava mesmo de bom humor.

Soltei um suspiro profundo retirando os fios de cabelo do meu rosto.

—Estou sim... Hm, amanhã, já irei trabalhar...

—Não se preocupe com isso. – me cortou usufruindo de uma delicadeza praticamente desconhecida. —Venha se estiver boa, caso o contrário fique em casa e se recupere.

Prendi o ar na garganta por um tempo. Meus olhos arderam e as lágrimas pesaram mais uma vez.

Era incrível como eu estava cercada por tantas pessoas boas. Renée, Alice, Edward, Heidi.... Tantas pessoas maravilhosas que só faziam por demonstrar como me queriam bem.

—Obrigada. – tive de pigarrear para limpar a voz. —Obrigada mesmo, Heidi.

Ela se manteve em silêncio por um instante, suspirou com leveza e então voltou a falar.

—Não tem que me agradecer... E fique tranquila, Embry está cuidando de tudo por você. – não contive o riso ao pensar na situação.

Embry cuidando de tudo. Ele odiava quando o serviço pesava para o seu lado.

—É, mas manhã já voltarei ao trabalho...

—Vou repetir, volte somente quando estiver boa. – seu tom me fez sorrir. —E se cuide direitinho, ok?

—Ok.

—Tenha um bom dia e melhoras, até mais querida.

—Até mais, Heidi. – me despedi tratando de soar o mais doce possível.

A situação em que eu me encontrava era bem difícil, mas apesar dos pensamentos que rondavam minha cabeça me alertando que eu não merecia estar ao lado de pessoas tão legais, sentia que era bem ali que eu deveria ficar, no meio de seres tão maravilhosos.

—E então, ela foi rude com você? – Renée indagou caindo sentada ao meu lado.

Ergui os olhos até sua face e não contive o sorriso. O cabelo loiro e desfiado estava preso no alto da sua cabeça, em um rabinho de cavalo fofo e juvenil. Mamãe era toda juvenil aliás. Ela tinha a alma e a mentalidade jovem... Isso, obviamente, refletia em sua aparência.

No fundo, mesmo com sua constante falta de noção, tudo o que eu queria era ser como ela.

Forte como uma mulher, aventureira como uma adolescente, alegre como uma criança.

—Não, não. – neguei com um suspiro longo. Inclinei o corpo e com um pouco de dificuldade, deixei o telefone no gancho. —Foi muito gentil e delicada.

—Hm, que bom. – meio surpresa, ela abriu um sorriso. —E quando vai voltar a trabalhar?

—Amanhã. – ergui a mão para pôr meu cabelo atrás da orelha, logo a mesma voltou a repousar em meu colo. —Vai ser bom... Voltar ao trabalho... A ativa.

—Claro que vai. – concordou se aproximando de mim. —Você é mais forte que isso, filha. – sua mão afagou meu rosto. —Vai passar por isso. – respirei fundo encarando um ponto qualquer do tapete a minha frente. —Estou com aqui com você. – sua mão tocou a minha e logo, seus dedos se entrelaçaram aos meus.

Ergui a cabeça e deixei que nossos olhares se encontrassem, Renée sorriu e logo retribuí, ela se inclinou e beijou meu rosto com ternura.

—Sabe, falei com Edward hoje de manhã e acho que ele tem razão. – começou com certo cuidado. —Seria interessante se você procurasse um psicólogo ou um terapeuta.

Psicólogo ou terapeuta.

Nenhuma daquelas opções me pareciam muito atraentes, mas talvez, fosse bom me abrir com algum dos dois. Talvez, ouvir a opinião de alguém que não está nem um pouco envolvido no caso, fosse realmente me ajudar.

—É, vou pensar nisso. – respondi tendo de pigarrear para limpar a voz.

Renée suspirou com pesar, sabia que minhas respostas curtas e secas a incomodava, mas no momento, aquilo era a única coisa que eu podia lhe oferecer.

—Seu novo quarto está ficando uma graça. – mudou de assunto assumindo um animo palpável. —Phil já está montando sua nova cama e até a noite, já vai estar tudo pronto.

Eu queria olhar para ela e lhe dar uma resposta boa, emitir ao menos um pouco do animo que ela transmitiu, contudo, tudo o que eu consegui foi lhe exibir um sorriso torto e sem vida.

—Ai, Bella! – exclamou com um suspiro pesado. —Reaja, por favor. – pediu me puxando para acomodar a cabeça em seu peito. —Não quero te ver assim, está muito deprimida....

Sua voz triste me deixava péssima, doía demais saber que eu a deixava assim.... Respirei fundo, fechei os olhos e admirei as batidas sincronizadas do seu coração.

Já não tinha mais lágrimas para derramar e até gostava daquilo, afinal, não queria ficar chorando.

—Eu vou ficar bem. – minha voz saiu mais firme e confiante, mesmo que por dentro eu estivesse desmoronando e completamente insegura.

—Claro que vai. – sua mão correu por minhas costas. —Com o tempo, essa dor vai passar...

Tempo.

A palavra repercutiu dentro de mim.

As pessoas tem a mania de falar que o tempo cura todas as dores, o que claro, não passa de uma mentira absurda. O tempo não cura nada, ele só permite que a gente se acostume com a dor.

Porque é isso que acontece.... A dor não diminui, a gente só aprende a conviver com ela.

O toque alto do interfone repercutiu pela casa. Não me mexi, assim como Renée, Tia estava em casa, apesar de ser um dia atípico, mamãe pedira que ela fosse ajudar com a arrumação do quarto.

—Algum problema, Tia? – a pergunta de Renée me fez abrir os olhos. Tia estava parada a nossa frente, o semblante que sempre andava sorridente, agora estava preocupado.

Ergui o corpo e sequei o canto dos olhos, seu silêncio começou a me preocupar também.

—É o porteiro. – informou com cautela. Cerrei os olhos com suas palavras. —Ele disse que o senhor Black está lá em baixo e está insistindo muito para subir.

O ar ficou parado na sala e a tensão, que já era gigante, se tornou ainda maior. Era sempre assim, os sentimentos ruins se personificavam ao meu redor e me seguiam por onde eu ia.

Renée levantou do sofá, enfurecida começou a despejar milhares de palavras raivosas. Ela queria descer e expulsá-lo pessoalmente, mas aquilo não me parecia uma boa ideia.

É claro que eu não queria ficar perto de Jacob, só de pensar, o medo já crescia em mim, mas eu sentia que aquilo era preciso. Eu realmente precisava dar um basta naquilo e se eu não o fizesse olhando em seus olhos sujos, aquele tormento não teria fim.

—Deixem ele subir. – minhas palavras ecoaram pela sala e como se eu fosse alguém muito importante que clamasse por atenção, as duas se voltaram para mim.

—Bella, você perdeu o juízo? – Renée se voltou para mim, sua voz emitia tanta perplexidade quanto sua feição.

Respirei fundo ponderando diante sua pergunta. Talvez eu tivesse perdido mesmo, no entanto, precisava daquilo.

—Mãe, olha... – me pondo de pé, varri todo o meu vocabulário de palavras, buscando as certas para serem ditas. —Eu preciso disso, ok? Preciso dizer tudo o que está engasgado.... Eu preciso sair disso, mãe. – parei por um momento, tomando ar pela boca. —Preciso me livrar do Jacob. De uma vez por todas.

Aquilo não a agradou nem um pouco, mas Renée não disse nada, também de nada ia adiantar, eu estava determinada. Ela ergueu as mãos e as esfregou no rosto, logo após, respirou fundo várias vezes.

—Não vou te deixar sozinha com ele. – sua voz saiu firme. —Phil vai descer e vai ficar comigo aqui em baixo. – continuou decidida. —Se aquele imbecil tentar fazer alguma coisa com você, ele vai pagar.

Mordiquei meu lábio inferior consentindo as suas exigências. No fundo, aquilo me tranquilizou um pouco, saber que eles estavam perto de mim, prontos para me ajudar se eu precisasse, me fez bem.

Tia subiu para chamar por Phil antes de finalmente liberar a subida de Jacob. Renée beijou meu rosto e segurou minha mão, deixando claro que ficaria ao meu lado até a chegada do monstro.

Meu coração batia em uma velocidade fora do comum, podia sentir o sangue pulsar em minhas veias e toda aquela ansiedade, me fazia suar frio pelas mãos.

Vai ficar tudo bem. Vai ficar tudo bem. Vai ficar tudo bem. Vai ficar tudo bem.

Repeti várias vezes para mim mesma, na falha tentativa de me convencer.

Inalei o ar com força, fechei os olhos e mentalmente, busquei por toda a força que eu sabia que residia dentro de mim. Eu era uma mulher forte e estava mais do que na hora de agir como tal.

Quando a porta de entrada fora aberta, ela revelara o ser mais desprezível do mundo. O nojo deixou minha garganta contraída e enquanto olhava para a figura alta de Jacob só conseguia sentir mais raiva dele.

Seu semblante estava sereno, como se nada tivesse acontecido. A mesma postura arrogante e o mesmo olhar soberbo de sempre.

Um riso amargo escapou por minha garganta. Como eu odiava aquele homem!

—Fui barrado na portaria, deve ter acontecido algum mal-entendido...

—Não aconteceu mal-entendido nenhum. – Renée o interrompeu emitindo uma ira gigante, só não era maior que a existia em mim.

Jacob cerrou os olhos, contraiu o maxilar e após um tempo, abriu a boca pronto para retrucar, contudo, o pigarro de Phil unido a sua postura nada acolhedora, o fez pensar melhor.

Mordisquei meu lábio inferior, o ar escapou por minha garganta em forma de suspiro assim que me virei de frente para minha mãe.

Seus olhos ternos me acolheram de imediato com todo o amor e carinho que eu precisava. Sorri tocando seu rosto.

—Mãe, está tudo bem. Pode deixar que eu resolvo isso. – vi o temor desenhar rugas em sua testa. —Sério...Qualquer coisa, eu chamo vocês.

A ideia de me deixar sozinha com Jacob não lhe agradou nem um pouco e sendo sincera, nem a mim mesma, no entanto, como havia lhe dito, eu iria resolver aquilo.

O silencio perdurou naquela sala no momento em que os passos contrariados de Renée e Phil se calaram. Era apenas Jacob e eu, naquele momento e mesmo com o estômago doendo de medo, eu o encarei nos olhos.

Um calafrio correu minha espinha no instante em que fitei aqueles orbes escuros e sombrios.

Eles não tinham brilho, não tinham bondade e não eram nem um pouco mágicos. Me disseram uma vez que nossos olhos refletem a nossa alma, então, como eu nunca percebi a pessoa podre que Jacob era?

Estava estampado em sua cara nojenta, exposto para qualquer um ver.... A raiva fez o sangue pulsar em minhas veias. Como eu pude ser cega por tanto tempo?

—Você me deve desculpas. – ele começou com o mesmo ar prepotente de sempre. Suas palavras me chocaram.

Entreabri os lábios encarando-o com toda a perplexidade que eu sentia.

—Eu te devo desculpas? – indaguei descrente, diante de seu olhar insensível. —Pelo que, exatamente?

—Por várias coisas. – cruzou os braços estreitando aqueles dois pontos negros. —Principalmente pelo constrangimento que me fez passar na portaria. – cerrei os dentes fazendo o máximo de força possível, para me conter.

Eu queria avançar contra ele e desferir socos por todo seu rosto, sem parar, sem ter pena.

—Aliás, pode me explicar o porquê daquilo?

Engoli a seco, mentalmente contei até três. Não podia existir uma pessoa no mundo que sentisse um ódio maior do que o que eu sentia por Jacob.

—Posso. Posso sim. – minha voz saiu crispada. —Por que eu tenho nojo de você. Eu tenho vontade de vomitar toda vez que eu olho para essa sua cara de bosta. – de punhos cerrados, me aproximei um passo dele. —Você não é um ser humano, Jacob... Você é um monstro. – sua cara estava contorcida pela surpresa. —E tudo o que eu quero de você, é distância.

Minhas palavras repercutiram na sala emitindo ecos dramáticos. Por um longo momento ele me encarou sem entender o que estava acontecendo, o que é claro, só serviu para me deixar ainda mais irada.

Meu coração batia disparado em meu peito e enquanto tentava controlar minha respiração, tentava me convencer de que partir para a agressão física, era a pior alternativa no momento.

—Eu odeio você. – dizer aquilo me causou um prazer latente. —Eu nunca amei você, mas hoje, eu odeio você. – sem me conter, apoiei as mãos em seu peito e o empurrei com força. —Eu odeio você por ter me prendido por tanto tempo. – proferi voltando a empurrá-lo. —Eu odeio você por ter me colocado contra a minha mãe várias vezes. – sem reação, ele permitiu que eu o empurrasse novamente. —Eu odeio você por fazer com que eu me sentisse a mulher mais suja do mundo. – com as mãos fechadas em punhos, eu as bati em seu peito. —Eu odeio você, Jacob, eu odeio....

—Já chega. – suas mãos seguraram meus pulsos com força, imobilizando meus braços e impedindo que eu continuasse a soca-lo. Seus olhos vieram para os meus e até pensei estar vendo o reflexo dos meus orbes ali, mas não era. Jacob também me odiava, aquilo estava explicito. —Quem você pensa que é para falar assim comigo, hein? – ele me chacoalhou com certa brutalidade, mas continuei ali, firme. —É melhor medir essas palavras, ou...

—Ou o que? – aumentei a voz, livrando meus braços dos apertos de suas mãos. —Você vai me bater? – perguntei com deboche. —Então bate. – o desafiei parada a milímetros de distância dele. —Bate. – toquei meu rosto com a mão. —Depois do que fez, já espero tudo de você.... Gente como você não tem limite. – pude ouvir o barulho de seus dentes sendo cerrados uns aos outros. —Bate, Jacob...

—Gente como eu? – seu olhar se mesclou entre raiva e ironia.

—Sim. – confirmei com um aceno de cabeça. —Covardes, sem escrúpulos, que precisam violentar uma mulher para se sentir um homem de verdade. – dentro de mim, meu estômago revirava. —O que é muito controverso, sabe porquê? – engoli a ânsia que chegou até minha garganta.

Não sabia ao certo o que motivava aquele enjoo, mas todos os motivos estavam ligados em Jacob.

—Porque você, ou melhor, vocês, não são homens e nunca vão ser. – em um movimento rápido, Jacob ergueu a mão, meu coração pulou uma batida e então esperei pelo tapa de olhos fechados. Ele não veio.

—Você quer me tirar do sério. – ele proferiu e só então, voltei a abrir os olhos. —Porque está tão revoltada, hein? – afastado de mim, Jacob caminhava de um lado para o outro. —Porque eu te comi a força, não é? – suas palavras nojentas saíram com um contento desumano. Sorrindo com maldade, ele se aproximou aos poucos, até parar a minha frente novamente. —Mas a verdade, é que você amou aquela trepada. Amou o modo com que eu te peguei e te fiz sentir a cadela que você é....

Arqueei o braço e sem pensar duas vezes, desferi um tapa contra sua face. O contato bruto causou um estalo alto e deixou a palma da minha mão formigando.

Jacob pareceu sem reação por um bom tempo, cobriu o rosto e me encarou com descrença por alguns segundos. Segundos esses que duraram bem pouco.

—Sua vagabunda... – esbravejou, pronto para partir para cima de mim e aquela vez, senti o medo crescer dentro de mim.

Sabia que se ele me pagasse, ele iria me machucar ainda mais.

—Nem ouse relar nela. – a voz de Phil cortou a reação de Jacob. —É melhor controlar essa boca, cara. – com passos rápidos, ele passou por mim e foi até Jacob. —Se não quiser ficar sem dentes.

Renée se postou ao meu lado, os braços envolveram meus ombros e me acolheram como sempre. Continuei quieta, encarando os dois a minha frente. Parado diante de Phil, Jacob só parecia um franguinho magro e covarde.

—Quem você pensa que é para me ameaçar...

Jacob nem teve tempo de concluir a pergunta, pois no segundo seguinte, ele estava suspenso no ar. Phil agarrara no colarinho de sua camisa e o erguera com a maior tranquilidade. Ver o medo nos olhos de Jacob, me causou uma nova onda de prazer.

—Vou te dar um último aviso. – Phil disse com os dentes cerrados. —E é bom que você entenda. – continuou antes de soltá-lo e empurrá-lo. Jacob cambaleou pelo hall de entrada, esfregando as mãos no pescoço e com o semblante assustado. —Fique longe dela ou eu farei você se arrepender por ter nascido.

O recado fora dado e Jacob, pareceu compreender. Respirando fundo, me aproximei de sua figura nojenta uma última vez. Aquela aliança cara e maldita explodira contra seu peito e caíra no chão, quicando algumas vezes antes de acabar no piso frio.

Por cima do ombro eu o vi abaixar e recolher o anel.

—Está tudo acabado entre nós dois. – no momento em que lhe dei as costas, senti um peso sair por minhas costas.

Caí sentada no sofá, ainda enjoada e nervosa, mas aliviada. O primeiro passo estava dado. Aquele monstro saíra da minha vida.

—Como você está? – preocupada, Renée me perguntara.

Voltei meus olhos para os seus, um sorriso terno se abriu em meus lábios.

—Muito melhor. – fui sincera. —Pronta para recomeçar. – nem eu mesmo acreditei que aquelas palavras saíram da minha boca, mas era daquele jeito mesmo que eu me sentia: Pronta para recomeçar.

—Fico muito feliz por ouvir isso. – mamãe disse ao me abraçar. —Quero que você seja feliz, meu amor. – murmurou beijando minha cabeça. —Muito feliz.

—Eu sei disso, mãe. – respondi beijando seu rosto. —Ainda bem que eu tenho você. – murmurei a olhando, e quando Phil se postou ao seu lado, precisei corrigir. —Ou melhor, ainda bem que eu tenho vocês.

Eles podiam não ser as pessoas mais certas do mundo, mas eram as melhores para mim. Minha mãe, completamente maluquinha, era a melhor mulher do mundo e Phil, a presença mais clara que eu tinha de um pai.

Batidas na porta estouraram a bolha que nos envolvera. Phil saltara do sofá, incorporara a pose raivosa e marchou até a porta.

—Se for aquele bostinha de novo, juro que eu jogo ele pela janela... – suas palavras não deixaram de ser cômicas.

Soltei um suspiro, mesmo tensa diante a possibilidade de ser Jacob, voltei a me recostar em Renée. Phil daria conta do recado.

—Ah, é você. – a voz calma de Phil me fez cerrar os olhos. —Entra, Bella está na sala.

Erguendo o corpo, não precisei esperar muito para ver quem era. Assim que a figura alta e forte de Edward apareceu, um sorriso se abriu em meu rosto.

Ele era o homem mais lindo do mundo, disso eu não tinha dúvidas. A camiseta cinza delineava seu peitoral largo e combinando com a calça jeans preta, o deixava ainda mais jovial.

—Oi, Renée. – cumprimentou minha mãe primeiro, como sempre tratando-a com bastante carinho. —Como você está?

Renée se colocou de pé para beijá-lo no rosto.

—Olá, meu bem. – o sorriso no rosto dela deixava claro que ela estava feliz por vê-lo aqui. —Bem e você?

Edward maneou a cabeça e então, voltou seus olhos para mim.

—Depende. – proferiu pondo as mãos nos bolsos. —Se a minha nova-yorkina favorita estiver bem, então, eu também estou.

Soltei um riso, ele se abaixou a minha frente. Lindas covinhas enfeitavam seu sorriso lindo.

—Estou bem. – disse ignorando as palavras “você me faz bem” que ameaçaram sair por minha garganta.

—Certeza? – preocupado, ele colocou meu cabelo atrás da orelha. —Vi Jacob saindo daqui bastante transtornado.... Aconteceu alguma coisa?

Respirei fundo, minha mão tocou a sua e então, nossos dedos se entrelaçaram.

—Phil, vamos continuar lá em cima? – mamãe convidou. —Edward, vamos terminar de arrumar o novo quarto da Bella, fique à vontade, ok? – ela dera a desculpinha esfarrapada para nos deixar a sós e Edward, concordara com um sorriso torto e um agradecimento rápido.

Edward conseguiu me enfeitiçar... Com sua maneira de sorrir, de falar, de me olhar, enfim todas as suas ações. Com ele ao meu lado me olhando com os olhos cheios de ternura, transformando o mundo simples a nossa volta, em um mundo de sonhos, em um paraíso do amor, tive a certeza de que se não tivesse p conhecido, não teria descoberto o verdadeiro sentido da felicidade.

—Terminei com Jacob. – contei em meio a um suspiro de alivio. —Ele veio aqui, começou a brigar na portaria, porque foi barrado... Mas eu deixei que ele subisse. – Edward ergueu minha mão e beijou cada um dos meus dedos. —Disse tudo o que estava entalado e então, rompi de uma vez por todas.

—E como você está?

—Aliviada. – escolhi a palavra com cuidado. —O que aconteceu ainda está marcado e vai ficar por muito tempo, mas agora, eu quero seguir em frente.

—Vai a polícia?

—Não. – neguei maneando a cabeça. —Não quero prolongar isso. Já acabou.

Edward contraiu os lábios, sabia que minha decisão não o agradara.

—Bella, é melhor ir até a delegacia e prestar queixa.... Não acho que ele vai aceitar o fim tão bem.

—Phil deixou bem claro que se ele se aproximar de mim, a coisa vai ficar feia. – proferi afagando sua mão com meu polegar. —Acredite amor, Phil consegue ser bem assustador quando quer.

Edward soltou um risinho, antes de abrir um sorriso torto. Um lindo, sorriso torto.

—Não quero te pressionar, se você acha que o melhor é fazer isso.... – sua compreensão me fez sorrir ainda mais.

Esticando o corpo para frente, beijei seu rosto.

—Mas então, como é que nós ficamos, senhorita Swan? – com os olhos brilhando ele me encarou. —Agora você está solteira...

—Hmmm, verdade. – confirmei com a cabeça. —Ficamos juntos para sempre? – soei em tom de brincadeira, mas a verdade é que eu queria exatamente aquilo.

—Para sempre e sempre?

—Se você aceitar ficar para sempre com essa mulher aqui, meio louca, com uns sentimentos estranhos e bem complicada....

—Complicada e perfeitinha. – jogou charme com uma piscadela. —Eu gosto de você assim, desse jeito, sem tirar nem por. – sua mão tocou meu rosto. —Então, sendo louca ou não, eu quero você e quero ficar com você. – a sinceridade brilhava em seus olhos. —Por uma semana, por um mês, ou para o resto da vida. – senti meus olhos marejarem. —Espero que seja para o resto da vida.... Mas eu quero ficar com você.

Engoli a seco fazendo um esforço enorme para não chorar.

—Me deixou sem palavras... – bati a mão em seu ombro, empurrando-o levemente.

—Não precisa dizer nada além de um “sim”. – seus dedos fizeram aspas no ar e eu soltei um risinho. —Então, senhorita Swan, minha nova-yorkina favorita... Aceita namorar comigo?

—Sim. – confirmei antes de esticar os braços e enlaçar seu pescoço.

Aquilo era mais um recomeço, um lindo recomeço.

Notas finais
É isso aii minhas lindaass! Espero que tenham gostado e prometo que não vou demorar tanto assim para voltar! Nos vemos em breve amorzinhas :* Se cuidem e tenham um ótimo fim de semana! Sara, mais uma vez, obrigada :D Beijoes lindas :*