Segunda-Feira
6 Mudanças
Notas iniciais
Existem certos momentos na vida em que a gente se encontra perdida, totalmente sem rumo, sem saber para onde ir. Uma linha tênue e frágil separava os dois caras a minha frente. Não sabia para que lado correr, qual deles barrar... Tudo o que conseguia pensar era em como as coisas acabariam mal.
Jacob deu mais dois passos para dentro da sala, reconhecia aquela postura, ele estava pronto para o ataque. Pronto para gritar, brigar e quebrar.
Edward se manteve próximo, após a surpresa voltou a sorrir e a assumir aquela postura descontraída tão charmosa.
Eram dois extremos e eu estava bem no meio deles.
—Bella. – a voz de Jacob saiu carregada de tensão. —Pode me explicar o que está acontecendo aqui?
Eu o olhei. Nada, não saiu nenhuma palavra. Olhei para Edward. Nada.
Caralho!
Corri a mão pelo cabelo me perguntando quando desaprendi a falar. A voz simplesmente não saía, não conseguia dizer nada, era como se meus lábios estivessem costurados. Parecia um pesadelo, um daqueles em que a gente tem a paralisia. Ali, a minha boca estava paralisada.
—Estávamos apenas trabalhando...
—Falei com ela, cara. – Jacob cortou Edward com secura. Engoli a seco começando a me desesperar.
Reage, reage Bella!
Uma voz gritou dentro de mim e um estalo ecoou em minha cabeça. Soltei o ar pela boca ficando livre para intervir.
—Jacob, por favor. – meu pedido pareceu não agradá-lo muito. —Edward só estava me ajudando com as pastas.
Seus olhos negros eram tão frios e sem vida quanto dois botões de plástico. Ele respirou fundo feito um búfalo bravo, o maxilar estava cerrado e a postura curvada, mas não disse nada.
Sabia que no momento em que ficássemos a sós, as coisas iam ferver.
—Edward esse é o meu noivo, Jacob. – apresentei quando o silencio da sala ficou quase insuportável. —Jacob, esse é o Edward, meu novo colega de trabalho.
Edward se aproximou de Jacob estendendo a mão para ele.
—Como vai? – perguntou ainda sustentando a mão no ar. Jacob a encarou por um momento muito longo e angustiante, antes de aperta-la.
Parada entre eles, vi uma batalha ser travada. Eram as safiras azuladas, contra os botões negros. Algo me dizia que havia uma antipatia e um desgosto mutuo. Porque eu sentia que aquilo ainda ia rendar muitas confusões?
—Ótimo. – Jacob foi tão duro quanto uma rocha, mas aquilo não pareceu afetar nem um pouco a Edward, o que é claro, só piorou as coisas. —Vamos Bella? – quando ele me olhou, tive vontade de negar.
Não queria brigar, ainda mais no meu trabalho, mas o que eu poderia fazer? Me recusar a ir e ficar com Edward?
A opção me pareceu mais tentadora do que eu queria, mas estava fora de cogitação. Jacob era o meu noivo e era com ele que eu deveria estar.
—Vamos. – concordei por fim. Edward me passou as pastas com cuidado assim que estiquei os braços. —Tenha um bom fim de semana. – desejei a ele que abriu um pouco mais o sorriso e me lançou uma piscadela.
—Obrigada, linda. – a última palavra ecoou pela sala, assim como o ranger dos dentes de Jacob. Seus braços possessivos passaram por mim e me senti feito um animal preso no abraço de uma jiboia. Edward disfarçou a careta, maneou a cabeça e então voltou a sorrir. —Foi um prazer te conhecer, Jacob. – ele ainda teve tempo de provocar antes de nós saíssemos da sala.
Enquanto caminhávamos pelos corredores da Valanstain Jacob não disse absolutamente nada, contudo, sua ira era tão evidente que não era preciso palavras para demonstrá-la.
Engoli a seco assim que entramos no elevador e ficamos sozinhos. As portas se fecharam mais rápido que o comum mandando embora toda a chance que eu tinha de escapar.
—Eu não acredito! – vociferou enquanto andava de um lado para o outro. —Não acredito que você me fez vir embora mais cedo para chegar aqui e encontrar uma cena tão ridícula!
Suas alegações me deixaram surpresa, erguendo a cabeça encarei sua expressão rude.
—Eu te fiz vir embora? – perguntei descrente. —De onde tirou isso?
—Não se faça de desentendida. – acusou erguendo o dedo, o qual empurrei prontamente. —Fez joguinhos sentimentalistas quando te liguei, fez com que eu me sentisse culpado por desmarcar nosso almoço...
—Ah, por favor, Jacob! – rolei os olhos, aquilo que ele dizia era tão absurdo. —Eu não fiz “joguinhos” nenhum. Não tenho cinco anos, entendo que teve um compromisso no trabalho e....
—Entende nada. – aumentou a voz ao me interromper.
—Abaixa a voz.
—Você é egoísta. Não entende que eu tenho responsabilidades. – continuou ignorando meu pedido. —Resolvi todas as pendencias em Buffalo o mais rápido que pude para te fazer uma surpresa, mas o que eu encontro quando chegou aqui, hein? – perguntou parando a minha frente. Sua postura dura e fria assustaria até o mais forte dos homens, mas não surtiu efeito algum em mim.
—Fala baixo, Jacob. – mandei novamente. —Respeite o meu local de trabalho.
—Respeitar? – sua voz saiu cinicamente incrédula. —Porque eu tenho que respeitar, sendo que você não o faz? – bufei correndo a mão por meu rosto. —Acha que não notei o clima entre você e aquele... – parou de falar soltando o ar pela boca. —Se eu não tivesse chegado aposto que ainda estariam lá.
—Chega! – tive de aumentar a voz para calá-lo. —Já disse centenas de vezes que odeio quando grita comigo, então abaixa essa voz. – minha voz saiu crispada. —Pare de falar merdas, porque se alguém escuta isso, eu vou ter sérios problemas com a minha chefe. – Jacob cruzou os braços me desafiando com o olhar, sua postura deixava claro que ele não se importava nem um pouco. —E não pedi para você vir embora mais cedo, está aqui porque quer, não fiz jogo nenhum.
Ele deixou o buquê cair no chão, abriu a boca e estava pronto para o “contra-ataque” quando as portas do elevador se abriram. Enraivecido deixou um soco na parede e não esperou, simplesmente me deu as costas passando por entre as pessoas assustadas com passos largos. Ele não pediu licença ou desviou, abriu caminho usando de sua força e da total falta de educação.
Isso era tudo o que eu precisava para estragar o dia perfeito que havia tido, mas se Jacob pensava que eu iria atrás dele e pediria desculpas, ele estava bem enganado.
Vladmir já me esperava na porta do Empire State quando finalmente saí do prédio. Ele saiu do carro e abriu a porta de trás para eu entrasse. Sorri em sua direção, mas seus olhos captaram algo a mais em minha expressão.
—O que aconteceu, Petit? – sua voz doce me fez suspirar. Era bom ter pessoas boas para amenizar nossos problemas. As coisas ficavam menos “escuras” com elas por perto.
—Nada. – menti recostando a cabeça no vidro do carro. —Só tive uma semana cheia.
De tudo, não era mentira.
Minha semana fora realmente cheia. Cheia de sorrisos roubados, de risos espontâneos e uma felicidade gritante por ir trabalhar.
Ah, como eu odiava o fim de semana!
Queria uma segunda-feira agitada, com pessoas emburradas para todo o lado! Queria uma segunda-feira mal planejada, um esbarrão e uma deliciosa coincidência no trabalho! Queria uma segunda-feira preguiçosa acompanhada de um belo par de safiras... Não queria nem sexta, sábado ou domingo, porque a chance de encontrar com Edward, era praticamente nula.
O vibrar do meu celular me despertou no banco. Maneei a cabeça desviando os olhos do céu alaranjado, onde o sol se despedia no horizonte, para focá-los em meu celular.
Uma nova mensagem dele, estampou a tela fina.
Seu noivo é muito simpático.
E vocês combinam tanto quanto álcool e direção! Haha
Bom fim de semana, baixinha.
Quando dei por mim, já estava sorrindo. Com apenas uma mensagem, ele me deixara mais calma e leve.
Edward me fazia bem, aquilo era um fato. Jacob e eu, éramos realmente, feito álcool e direção. Uma combinação explosiva e até perigosa.
Corri a mão por meu rosto. Quando é que as coisas haviam mudado? Quando foi que Jacob deixou de ser tudo o que eu sempre quis? Quando ele parou de me fazer feliz?
Encontrei a resposta na primeira esquina. Ali, parada e exibicionista, fazendo com que eu me sentisse ainda mais idiota.
As coisas sempre foram assim. Jacob nunca foi o que eu sempre quis. Ele nunca me fizera inteiramente feliz.
Talvez, ter ficado tanto tempo em um quarto escuro, tenha me deixado cega. Mas Edward e sua luz, resgataram um pouco da minha visão.
Nada tinha mudado, a não ser, eu mesma.
Vladmir me deixou em casa, mas antes perguntou novamente se eu estava bem e se queria conversar. Apenas neguei beijando-o carinhosamente no rosto.
Eu tinha amigos maravilhosos, disso não podia reclamar.
Cruzei o estacionamento e tive de esperar o elevador descer, o caminho até meu apartamento pareceu bem mais longo que o normal.
Queria que Renée estivesse em casa, ela sempre me animava com seu jeito doido. Soltei o ar pela boca olhando as mensagens em meu celular. Nada. Jacob nem dera sinal de vida. No fundo, aquilo me agradou, dar um tempo e espairecer com cada um no seu canto, era melhor que encontros regados a discussões.
O elevador parou no meu andar, as portas se abriram e o longo corredor se revelou a minha frente, no entanto, ele não estava vazio como de costume. Alice estava parada em frente à minha porta, quando me viu abriu um sorriso largo. Meus passos até ela foram rápidos, seus braços esticados serviram para receber meu abraço.
Alice me fizera muita falta, ela era minha melhor amiga e era muito duro vê-la passando por um momento tão ruim.
—Eu deveria te dar uns tapas! – exclamei assim que caímos sentadas no sofá. —Está proibida de desaparecer assim de novo.
Alice sorriu amarelo, soltou o ar pela boca e correu a mão por seu cabelo castanho claro. Ela estava abatida, mais pálida que o comum, seus olhos azulados demonstravam uma tristeza latente.
Queria poder fazer alguma coisa para ajudá-la. Alice era feita no mais puro carisma, delicadeza e bondade, vê-la tão abatida, era ruim demais.
—Me desculpe, sei que eu sumi, mas estava precisando de um tempo.
—Tudo bem. – esticando a mão, afaguei seu ombro. —Como você está? Por onde andou?
Alice se remexeu no sofá, os dedos se embrenhavam nas pulseiras em seu pulso, os olhos acompanhavam cada movimento.
—Estou levando... É estranho sabe? Ainda não acostumei com a ausência dela. – sua voz soou levemente embargada. —Fiquei em Long Island com a minha tia, mas como tenho que voltar a trabalhar... – soltou o ar pela boca erguendo os olhos até os meus. —E você, como estão as coisas?
Alice não queria falar sobre ela, eu entendia e respeitava. Tudo o que eu queria era que ela ficasse a vontade.
—Minha vida pessoal parece estar desmoronando. – assumi recebendo toda a atenção que seus delicados olhos azuis possuíam. —Jacob e eu estamos cada vez mais distantes.
—Brigaram de novo?
—Várias vezes. – puxei meu cabelo prendendo-o em um coque frouxo. —Em certos momentos acho que nós somos diferentes demais e nunca vamos conseguir nos conciliar. – Alice esticou o braço e segurou minha mão. —Por outro lado, a parte profissional vai de vento em poupa.
—Nossa equipe está mandando bem? Não causei nenhum problema, não é? – ela soou preocupada.
—Não... Pode ficar tranquila, está tudo certo. – seu suspiro foi de puro alívio. —O novo publicitário chegou. – contei a novidade com cautela. —Ele é incrível. – até mesmo eu me surpreendi com meu tom de voz, ele saíra encantado demais.
Alice estreitou os olhos, curvou a cabeça para o lado e me estudou profundamente.
—Incrível, é? Sei! – provocou antes de rir com vontade. Fazê-la sorrir era muito bom, não queria que ela ficasse triste. —Já percebi o que anda motivando suas brigas com Jacob.
—Ah, não tem nada a ver. – murmurei rapidamente. —Em partes, pelo menos. – corrigi vendo um sorriso malicioso aparecer em seu rosto. —Nós nos conhecemos de um jeito tão incomum... – minha voz cantarolou em meio a lembrança que vagou por minha mente.
Então contei tudo para Alice, narrando cada detalhe daquela segunda-feira, a segunda-feira onde Edward e eu nos conhecemos.
—Amiga, quanta coincidência! – exclamou parecendo verdadeiramente surpresa. —Está parecendo obra do destino, hein. – brincou me obrigando a rolar os olhos. Nossas risadas se misturaram pela sala. —Então se tornaram amigos?
—Sim. É incrível, mas parece que eu o conheço há anos. – me abrir com Alice era muito bom.
—Ele mexe com você. – aquilo não foi uma pergunta, constatei assim que a encarei. —Dá para perceber. Seus olhos brilham quando falam dele, sua voz muda e você não para de sorrir.
Minhas bochechas ficaram quentes, pigarrei esfregando a mão em meu rosto. Alice era boa em ler as pessoas, aquilo era muito bom, mas também muito ruim.
—Não precisa ficar envergonhada. – afagou meu cabelo. —Não tem nada demais nisso...
—Claro que tem. – a cortei com um suspiro. —Estou noiva, vou me casar... Não é certo sair por aí flertando com outros caras.
—Então houve flerte? – Alice zombou me fazendo bufar. —Ok, desculpe. – pedir após cessar a crise de riso. —Bella, você não procurou isso, certo? E também, não aconteceu nada demais. Não tem que se culpar.
É, eu não tinha procurado, mas também não tinha colocado rédeas e imposto limites. Alice se calou e novamente me fitou analiticamente.
—Ou eu estou errada?
Respirei fundo passando a mão por meu rosto. Mordi meus lábios com força e em silencio, refleti diante os fatos.
—Não sei, Alie. – assumi por fim. —Nós ficamos muito próximos desde o primeiro momento e eu sou comprometida, deveria ter freado certas coisas, entende? – ela maneou a cabeça em concordância. —Hoje por exemplo, Jacob desmarcou nosso almoço de última hora e quando Edward me convidou para sair e almoçar com ele, eu aceitei. – mantive o ar nos pulmões por um tempo. —Isso não me parece muito certo agora...
—E aconteceu algo demais?
—Não.
—Então está tudo certo. Bella, vocês são colegas de trabalho, não amantes. – beliscando meu lábio inferior ergui os olhos até os dela. —Sabe o que eu acho? Que você está com medo. – sua carinha era perspicaz. —Está com medo de esse cara mudar suas ideias, seus planos, suas vontades.... Isso se já não mudou, não é!
Mentalmente, concordei com ela. Alice e suas certezas, chegava a ser chato aquilo.
—Jacob não pode nem sonhar que isso está acontecendo. Hoje mesmo nós brigamos feio por causa do Edward.
—Por causa de Edward? Como assim?
—Ele desmarcou nosso almoço porque teve de ir para Buffalo e disse que só voltaria amanhã. – expliquei rapidamente. —Não entendi o que aconteceu direito, só sei que ele chegou na empresa e me viu com Edward. – Alice fez uma careta. —Jacob me disse tanta coisa, teve a coragem de dizer que eu fiz “joguinhos sentimentalistas” para que ele voltasse mais cedo. – usei os dedos para fazer aspas no ar.
Alice bufou cruzando as pernas abaixo do corpo.
—Achei que ele tivesse perdido essa mania de pôr a culpa em você.
—Eu também. – minha voz saiu cansada, porque eu já estava esgotada com toda aquela situação.
—Você sabe o que eu penso sobre seu relacionamento com Jacob, não é? – Alice perguntou e com olhos baixos, apenas assenti com a cabeça. —Não é muito saldável, Jacob não me parece uma pessoa muito centrada.
—E ele não é. – concordei com um riso amargo. —Tem horas que ele se descontrola e começa a gritar comigo, me dá uma vontade de enfiar a mão na cara dele....
—Não faz isso. – Alice me cortou séria. —Tenho até medo de pensar na reação dele. – olhando em seus olhos consegui entender o que residia por de trás de seus medos.
Engoli a seco com um certo desconforto por dentro.
—Ah, Alice! – tentei rir para descontrair o clima. —Jacob é meio estressado, mas jamais seria capaz me agredir fisicamente.
Ela cruzou os braços e me desafiou com o olhar, perdi a batalha sem ao menos tentar um contra-ataque.
—Bella, minha mãe dizia que o que separa a agressão verbal da agressão física é uma linha bem tênue. – seu tom sóbrio me fez engolir com dificuldade.
Se tinha uma coisa que Mary entendia era de agressão. Alice contara várias vezes sobre sua infância difícil, onde via a mãe apanhando praticamente todos os dia.
—Ele não me agride verbalmente... – minha voz saiu mais baixa. —Enfim, vamos mudar de assunto. – pedi ignorando o amargo que ensopou minha boca. —Me diga que não tem planos para fim semana? – segurando suas mãos deixei minha voz chorosa. —Renée foi para o México, Jacob e eu estamos nessa situação... Você é minha última esperança de ter um fim de semana bom...
—Espere aí. – ergueu a mão me calando. —Renée está no México? Como assim?
Alice sempre se divertia com as loucuras que minha mãe cometia e com aquela, não fora diferente.
Ouvir suas gargalhadas me fizera muito bem, aliás, sua companhia me fizera muito bem. Para minha sorte ela aceitara ficar comigo aquela noite, a deixei escolhendo o sabor das pizzas que pediríamos e subi até meu quarto para poder tomar banho.
Enquanto a água caía por meu corpo e tentava amenizar estresse que os últimos acontecimentos do dia causara, mas estava difícil deixar de pensar no que Alice dissera.
Jacob as vezes chegava a me assustar... E se ela tivesse razão?
Reprimi tais pensamentos.
Jacob não faria aquilo. Ele não era aquele tipo de homem. Repeti aquilo como um mantra, tentando me convencer a todo instante que não havia perigo algum.
Talvez os pensamentos realmente tivessem forças e atraíssem tudo feito imas, porque assim que saí do banheiro, dei de cara com Jacob. Ele estava sentado em minha cama, a cabeça abaixada ergueu assim que ele notou minha presença, os olhos estavam opacos e a postura já não se encontrava tão tensa quanto antes.
—Jacob? – indaguei debilmente, motivada pela surpresa. —O que está fazendo aqui? Onde está Alice?
Ele respirou fundo e esfregou as mãos no rosto antes de se pôr de pé e vir até mim.
—Lá em baixo...Quero conversar com você. – suas mãos tomaram as minhas. —Dizer o que deveria ter dito mais cedo. – quieta apenas o escutei. —Sabe que eu odeio quando você me faz ficar exaltado e gritar. Odeio quando me obriga a ser rude com você, amor. – ele respirou fundo antes de beijar meus pulsos. —Me desculpe por mais cedo, não quero causar problemas no seu trabalho.
Jacob terminou seu discurso e me fitou com expectativa. Um silencio chato e incomodo se instalou no quarto.
—Tudo bem. – concordei por fim. Não queria brigar mais.
—Você é incrível, sabia? – perguntou ao soltar minhas mãos e segurar meu rosto. —Eu sou tão sortudo por te ter ao meu lado. – seus lábios se uniram aos meus por um momento. —Bella, aconteceu algo maravilhoso hoje! – quando Jacob se afastou ele estava bem mais calmo e relaxado.
Soltei um suspiro de alívio, ao menos, teríamos uma noite tranquila.
—O que...
—Querem que eu gerencie a filial de Buffalo! – contou contando minha pergunta. —Ainda estamos tratando de alguns detalhes, até porque tivemos apenas uma reunião, mas já está tudo praticamente certo... – sua animação era gigante. —Já podemos começar a ver nosso apartamento em Buffalo, amor.
—Como? – indaguei sem entender.
—Sei que prefere uma casa, mas acho que podemos começar com um apartamento. – Jacob continuou a falar, novamente me ignorando. —Até o fim do ano estaremos morando em Buffalo e casados, é claro!
Aquilo não fazia o menor sentido para mim. Jacob não parava de tagarelar, emendava uma palavra atrás da outra sem me dar a menor chance de palpitar.
—Pensei em praticamente tudo enquanto voava de volta para cá. – parou a minha frente, seus olhos brilhavam de expectativa. —Sua mãe pode continuar aqui, eu assumo as dividas dela sem o menor problema. – se inclinou e beijou minha testa antes de continuar. —Até porque eu acho melhor que você fique um ano, ou dois sem trabalhar... Quero minha mulher só para mim!
Seus últimos argumentos agiram feito uma dose de adrenalina aplicada em minhas veias.
—Jacob! – aumentei a voz para poder calá-lo. —Jacob. – repeti soltando um riso suave. —Do que é que você está falando?
Ele rolou os olhos e bufou alto.
—De quando formos embora para Buffalo!
Arqueei as sobrancelhas diante suas palavras e mais uma dose de problemas fora acrescentada a nossa conta.
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