Notas iniciais
Olá, meninaaas :D Voltei o/ Antes de tudo, eu queria pedir desculpa pela falta de respostas dos comentários, mas é que eu ando tão sem tempo, que até pra postar tá sendo difícil :( Enfim, me desculpem mesmo, viu? Bom, vamos ao capítulo. Há cenas fortes nele, então se vocês não curtem, é melhor não ler. Espero que gostem, boa leitura :D

Jacob estava furioso, a expressão contorcida em seu rosto, deixava aquilo bem claro. Evitei encarar seus olhos, que naquele momento estavam parecendo dois buracos negros, profundos, escuros e sombrios.

Um gosto amargo preencheu minha boca quando reparei que Renée não estava em casa, imediatamente o pedido de Edward veio em minha cabeça.

Bella, me prometa que só vai falar com Jacob se tiver alguém por perto.

Eu queria cumprir minha promessa, não apenas por manter minha palavra com Edward, mas também por estar com medo. Medo do que Jacob faria.

—Onde é que você estava. – sua voz saiu mais fria que uma pedra de gelo. Deixei minhas bolsas aos pés da cama, a saliva desceu por minha garganta tão afiada quanto uma faca.

—Na casa de Alice. – minha voz tremulou um pouco, contudo, fiquei satisfeita coma resposta.

Estava de costas a Jacob e quando ouvi o barulho de seus passos se aproximando, me virei para olhá-lo imediatamente. Um frio ruim se apossou do meu estômago e logo se espalhou por todo meu corpo em um arrepio de temor.

—Tem certeza? – questionou me estudando com os olhos. Voltei a engolir com dificuldade enquanto assentia com a cabeça. —Já lhe disse um milhão de vezes que não gosto que fique saindo com Alice.

—Ela é minha amiga...

—Não interessa. – me cortou impaciente. —Porque não atendeu minhas ligações ou respondeu as minhas mensagens, hein?

Ele havia me posto contra a parede, estava me pressionando e tirando todo o meu ar. Eu queria fugir. Queria sair daquele buraco escuro e ir de encontro a luz, a minha luz. Mas não podia fazer aquilo. Não podia fugir, não mais.

—Deixei o celular em casa. – proferi vendo-o esfregar a mão no rosto, o mesmo ficou prontamente avermelhado. —Esqueci. Esqueci o celular em casa. – me corrigi rapidamente.

—Você está mentindo. – acusou apontando o dedo. —Você está mentindo para mim! – aumentou a voz, trincando os dentes e dando mais um passo em minha direção. —Tem noção de como eu fiquei preocupado? Você simplesmente sumiu, não me deu nenhuma notícia.

—Eu sei que eu errei...

—Sabe? Sabe? – perguntou com uma raiva explicita. —Você não sabe de nada! – sua voz estava tão estrondosa quanto trovões. —Você é uma egoísta, não reconhece tudo o que eu fiz e faço por você. – prendi o ar nos pulmões, vendo-o puxar o nó da gravata com força desfazendo-o em seu pescoço. —Fui até Buffalo por você...

—Por mim? – o interrompi inconformada. —Por favor, Jacob! Nós dois sabemos muito bem que você foi para Buffalo por causa do seu emprego. – tive de fazer uma força imensurável para controlar a voz. —Eu não tenho nada a ver com isso...

—É claro que tem! – sua voz voltou ainda mais alta. —Além de ser mentirosa, egoísta, ainda é uma ingrata! – com um movimento brusco, Jacob puxou a gravata do pescoço e a laçou no chão. —Você deveria cair aos meus pés e agradecer por me ter em sua vida. Acha que outro homem vai fazer tudo o que eu faço por você? Vai aguentar suas mentiras, sua ingratidão.... Acha que outro homem vai aturar a peste da sua mãe? – sua gargalhada saiu tão alta quanto cruel.

—O que quer dizer com isso? – minha voz saiu baixa e mentalmente, tentava não deixar que meu lado submisso a Jacob se apossasse de mim e me fizesse crer que ele tinha razão.

Eu não era egoísta, nem ingrata....

—Que tem sorte, porque eu sou louco por você. – seus dedos longos começaram a desabotoar sua camisa social, Jacob deu mais alguns passos em minha direção, sua expressão ficou mais suave, contudo, ela ainda estava me assustando. —Agora vem cá, preciso matar essa saudade que eu estava de você....

Um calafrio de pavor correu por mim quando captei o que ele estava querendo falar, dei um passo para trás, aumento a distância entre nós dois.

—Ah, Jake... – ergui os braços tentando por algo entre nós dois. —Nós precisamos conversar e...

—Conversamos depois. – sua mão segurou meu pulso com firmeza, um brilho frio correu por seus olhos negros. —Quero comer você agora.

—Jacob, não estou afim... Quero conversar com você. – tentei desvencilhar meu braço do seu aperto, mas ele era muito mais forte que eu.

Ele ignorou minhas palavras, me puxou usando uma força bruta, colidi contra seu peito e sua mão livre, logo se apossou da minha cintura.

—Fiquei dias sem você. Não quero falar agora, quero trepar. – ele estava decidido, firme em sua decisão.

Senti o desespero crescer dentro de mim. Queria correr, fugir dali, mas Jacob não deixou.

Ele me jogou na cama, sem carinho, sem cuidado, sem ouvir minhas recusas. Seu corpo cobriu o meu, Jacob não controlou seu peso, sua mão vagou até minha nuca, os dedos embrenharam em meu cabelo e com força, ele me beijou.

Tentava empurrá-lo, sair de baixo dele, mas era uma batalha perdida. Não ia conseguir tirá-lo de cima de mim.

—Jacob, não quero... – proferi assim que ele se afastou, ajoelhado entre minhas pernas, ele tirou o blaser e a camisa social.

—Calada. – mandou e eu pude sentir um certo prazer em sua voz. Ele estava gostando daquela situação. —Usa essa boquinha gostosa só para gemer. – segurou meu rosto usando e abusando da força, sua boca colou na minha em um beijo rápido e estalado.

Senti meu estômago revirar dentro de mim. Aquilo estava me enjoando.

Tentei levantar. Ele novamente me empurrou e me manteve presa no colchão, com uma das mãos. A outra, desabotoou a calça preta, e abaixou o cós até o meio de suas coxas.

Me debati abaixo dele, forçando minhas pernas, erguendo-as, empurrando-o com os braços. Mas nada adiantava. Jacob mal se movia do lugar.

—Jacob, me deixa levantar. – minha voz mal saiu, eu estava ofegante e cansada. Seus olhos sombrios se voltaram para mim junto com o sorriso diabólico.

Jamais tinha o visto daquela maneira.

O desespero cresceu dentro de mim quando ele subiu minha saia, tentei fechar as pernas, mas Jacob novamente fora mais rápido, as afastou com o joelho e se encaixou bem no meio.

O ar faltou dentro de mim quando o vi abaixar a cueca e seu membro saltou para fora da peça. Jacob estava excitado, pronto para me tomar de vez e perceber aquilo, me deixou ainda mais enojada.

Como ele poderia se excitar, me querer, se tudo o que eu fazia era negar e pedir que ele me soltasse?

Ele arrancou minha calcinha com um puxão forte, minha pele latejou pelo contato brusco que o pano proporcionou antes de se partir. Bati as mãos em seu peito quando ele se debruçou sobre mim, eu iria empurrá-lo, mas quando ele me penetrou, eu estanquei no lugar.

Jamais imaginei que aquilo, um encaixe tão prazeroso e bom, pudesse doer.

Mas doeu. Doeu muito, não só fisicamente.

Seus gemidos começaram a ecoar pela sala, eu já não lutava, já não tentava me livrar de suas mãos nojentas. Fiquei travada, não chorava, não falava. Estava em pânico, apavorada, mas mesmo assim não conseguia nem demonstrar o horror daquilo tudo que estava acontecendo.

Tudo ficou nebuloso, tudo o que chegava a minha cabeça era a dor. Aquilo ardia, queimava, me rasgava.

A boca nojenta, que eu beijei com vontade por dois anos, desceu por minha garganta. Os gemidos foram abafados por minha pele, ele me mordeu com força e até a lamuria de desgosto ficou preso em minha garganta.

Ele sugou, mordeu, lambeu.... E eu só sentia meu estômago revirar e revirar dentro de mim. Estava com nojo. Nojo dele, do homem que ele era e nojo de mim, por ter permitido que aquilo acontecesse.

As sensações de horror se acumulavam dentro de mim a cada toque forçado que Jacob deixava no meu corpo.

Ele estava me expondo fisicamente e emocionalmente, dando chacoalhões e solavancos na tentativa de me obrigar a satisfazer suas necessidades, apesar do meu estado quase catatônico.

Aquilo pareceu durar uma eternidade.

Foi quando seu corpo convulsionou sobre o meu e ele explodiu com um urro em meio ao ápice.

Continuei ali, parada, petrificada, me sentindo suja, humilhada e envergonhada. Jacob se colocou de pé após pressionar a boca contra a minha, disse alguma coisa e se afastou.

Bastou o silêncio cair sobre o quarto, para o mundo desabar. Caí no chão, no choro, na raiva, no desespero... Fiquei ali tremendo, contando as respirações, quase sufocando num ataque de pânico causado pela junção de tudo o que aconteceu e estava acontecendo.

Estava com dor, enjoada, assustada.

Meu corpo tremeu em meio ao choro, a ânsia me fez curvar e então, vomitei tudo aquilo que havia reprimido. Todo o nojo, toda a raiva, toda a perturbação.

Dobrei os joelhos para apoiar meus braços neles e cobrir meu rosto.

Mal conseguia respirar, parecia que meus pulmões se recusavam a inalar o ar do quarto. Mesmo estando de olhos fechados eu sentia tudo rodar, como se estivesse em um daqueles brinquedos malucos presentes em parques de diversão que giram sem parar. Meu coração palpitava dentro de mim, batendo em uma velocidade fora do comum. Estava suando muito, parecia que havia me exercitado por horas.

Aquilo não parecia real, era como um pesadelo, o pior pesadelo de todos. Apertei os dedos contra o meu rosto, na vaga tentativa de “acordar” daquilo.

Meu estômago voltou a protestar dentro de mim e outra ânsia de vômito chegou até minha boca.

Sentia todo meu corpo formigar, meu rosto queimava e calafrios ruins percorriam minha espinha.

O choro ficou mais forte, mais alto e aquilo me causou uma dor imensurável no peito.

Tentei me controlar, limpei as lágrimas com os dedos, me esforçando para controlar minha respiração.

Como vim parar aqui? Como virei essa mulher?

Aquelas perguntas não saiam da minha cabeça. Estavam me perturbando, me deixando maluca.

Um zunido preenchia meus dois ouvidos e abafara uma voz, que no fundo, me pareceu bastante conhecida. Tive medo de abrir os olhos e ser ele de novo. Aquilo me fez tremer ainda mais.

Eu queria levantar, sair dali, correr o máximo que puder, contudo, não me sentia me capaz.

—Bella. – o toque quente em minha perna me fez saltar, tirei as mãos do rosto e assim que abri os olhos, encontrei a face de Alice.

Minha vista turva, não me impediu de ver a preocupação estampada em seu rosto.

Abri a boca para chama-la, para pedir ajuda, no entanto a voz não veio, ficou presa dentro de mim.

—O que aconteceu com você? – ela se abaixou a minha frente, suas mãos vieram para o meu rosto e com cuidado, ela tirou os fios de cabelo que cobriam parte dos meus olhos. —Meu Deus, você está tão gelada! – sua voz soou horrorizada. —Está passando mal? – indagou assim que viu a poça de vômito ao meu lado. —Vem, vem tomar um banho, vou levar você até o hospital...

—Não. – minha voz finalmente saiu, baixa, quase imperceptível. —O Jacob... – minhas mãos agarraram as suas. —Onde ele...

—Encontrei com ele no elevador, quer que eu vá chama-lo?

Ele havia saído. Ido embora como se nada tivesse acontecido, como se estivesse tudo bem. Aquilo me fez sentir ainda mais nojo. Ele era um monstro.

Voltei a cobrir o rosto com uma das mãos, quando uma nova crise de choro me abateu. Onde é que eu tinha entrado? O que eu havia feito com a minha vida? Como eu pude ficar tanto tempo ao lado de uma pessoa daquelas?

Eu era uma idiota, uma estúpida. Talvez, eu merecesse aquilo. Em partes a culpa também era minha.

—Hey, se acalma.... Por favor, Bella. – Alice pediu carinhosa, mas no fundo, pude sentir toda sua preocupação.

—Eu quero sair daqui... – minha voz se mesclou aos soluços que saiam da minha garganta. —Alice, me tira daqui.

Não sei como ela conseguiu me por de pé e me guiar até o banheiro, sustentando o peso do meu corpo que ainda tremia por inteiro. Ela me despiu e me colocou debaixo do chuveiro. Foi paciente e mesmo que estivesse se molhando, me ajudou a me lavar.

Era bom tê-la por perto, sua presença foi me acalmando aos poucos e mesmo que ainda estivesse horrorizada, e amedrontada, já conseguia respirar com mais facilidade.

O choro, porém não cessou em momento algum, Alice evitou fazer perguntas enquanto me ajudava a vestir uma camiseta e um short. Ela me abraçou dentro do elevador, afagou meu cabelo e disse que ficaria tudo bem.

Eu quis acreditar que sim, mas sentia tanto medo, tanto nojo e tanta raiva, que foi praticamente impossível.

Dentro do carro, recostei minha cabeça no banco e assim que fechei os olhos, as cenas do que aconteceu vieram até minha cabeça. Apertava os dedos por todo meu braço, raspando as unhas em minha pele, como se aquilo fosse me limpar, me deixar menos suja. Porque era assim que eu me sentia: Imunda.

—Vem, entra. – com os braços ao redor dos meus ombros, Alice me guiou para dentro de sua casa. Fazia séculos que eu não ia até lá, mas tudo se encontrava do mesmo jeito. Arrumado, perfumado e delicado. Como ela.

Ela me ajudou a sentar no sofá e deixou minha bolsa, a qual nem notei que ela carregava, no chão. Ignorei a dor em minha vagina, por mais que ela estivesse machucada, aquilo não se comparava a dor psicológica que eu sentia.

—Vou preparar um chá para você....

—Não. – pedi agarrando seu braço. —Não me deixa sozinha, por favor. – somente o pensamento de ela se afastar, me fez voltar a tremer. Não queria ficar sozinha com aquelas lembranças horrorosas. —Por favor.

Alice respirou fundo antes de assentir com a cabeça. Ela se sentou ao meu lado, suas mãos pegaram as minhas e as afagaram ternamente. Nós ficamos em silencio por um longo momento.

—O que ele fez com você? – sua voz saiu séria, preocupada e com um resquício de raiva.

—O que...

—Eu sei que foi Jacob. – ela praticamente cuspiu o nome, esse que me causou um calafrio de horror. —Vi como ficou assim que cogitei em chamá-lo. – engoli a seco, deixando que mais lágrimas caíssem por meus olhos. —O que aconteceu, Bella?

Não queria falar sobre, mas como eu podia fugir de Alice? Não tinha como, precisava contar a ela, talvez, aquela dor se dissipasse um pouco.

—Depois da festa do Embry, fui para o apartamento de Edward. – comecei do início, para que ela compreendesse. —E nós... Nós passamos a noite juntos. – pigarrei tentando limpar a voz. —Fiquei todo o fim de semana com ele, acabei ignorando as chamadas e mensagens que Jacob deixou em meu celular. – soltei uma de suas mãos para poder limpar meu rosto. —Edward me deixou em casa e quando cheguei no meu andar, dei de cara com Jacob. – minha respiração ficou mais forte, fechei os olhos e mais lágrimas caíram.

As imagens voltaram até mim, uma a uma, enquanto relatava tudo a Alice. Daquela vez, as coisas aconteceram em câmera lenta, o que só deixou tudo pior.

Ainda podia ver a crueldade em seu olhar, o prazer que ele sentia por estar me tendo a força... Ainda podia sentir seus toques em meu corpo, sua boca na minha.

Aquilo me fez hiperventilar, novamente.

—Meu Deus. – a voz de Alice soou tão baixa quanto perplexa. —Ele é um monstro. – concluiu com uma raiva explicita. —Bella, nós precisamos ir até a delegacia, você precisa denunciar esse monstro...

—Não, Alice. – neguei rapidamente. —Não quero envolver a polícia nisso...

—Bella, ele estuprou você!

Estuprou.

Aquela palavra ecoou dentro da minha cabeça me fazendo recuar o corpo. Sim, ele havia me estuprado, me violentado... Porque era tão difícil assumir aquilo? Porque eu me sentia tão suja e tão culpada?

—Ele tem que pagar pelo o que fez, Bella. – Alice disse com mais calma, tocando meu rosto com carinho. —Vamos até a delegacia.

—Não quero Alice. – minha voz saiu chorosa. —Por favor, não me obrigue a fazer isso. – pedi olhando-a nos olhos.

Foi difícil encontrar a pena em seus olhos. Ela estava com pena de mim e aquilo me deixou ainda pior.

—Vou ter que contar tudo o que aconteceu, você acha mesmo que os policiais vão me dar razão quando souberem que eu estava com outro homem, enquanto o meu noivo viajava a trabalho? – perguntei, mas não lhe dei tempo para que ela respondesse. —Eles vão dizer que a vagabunda sou eu!

—Pare de dizer isso! – sua voz saiu mais alta. —Pare, ok? – abaixei a cabeça, limpando o rosto novamente. —Você não tem culpa nenhuma. Nenhuma, entendeu? – ela segurou meu queixo e ergueu meu rosto, fazendo-me encará-la. —Ele errou, você não. – quis crer em suas palavras, mas não conseguia. —Meu Deus, Bella! Não pense assim.... Por favor, não pense assim.

Ela esticou os braços e me puxou, envolvendo-me em um abraço apertado. Com a cabeça recostada em seu ombro, deixei que o choro tomasse conta de mim novamente.

Não aguentava mais aquela situação. Estava sufocada, perdendo o ar e as forças.

—Quero que isso acabe, Alice. – sussurrei. —Não aguento mais, juro. – sua mão afagava meu cabelo. —Não aguento mais ter que justificar os erros dele, aceitar que os gritos, as histerias. – minha voz vacilou por conta do choro. —Já perdi as contas de quantas vezes ele falou mal ou ofendeu a minha mãe e eu... Eu não fiz absolutamente nada. – solucei dolorosamente. —Quantas vezes ele descontou em mim todo o nervoso que passou no trabalho e eu aceitei calada, quantas vezes já disse que eu não sou nada sem ele e eu acreditei.

Ergui a mão para poder limpar o rosto, a cada palavra que eu soltava, mais aquela dor aumentava.

—Ele grita comigo por nada, me perder toda a minha autonomia, todas as minhas vontades.... Não conseguia me enxergar mais nos olhos dos outros o reflexo que indicava o que era normal. Só enxergava o reflexo nos olhos dele e comecei a acreditar no que ele me dizia sobre mim. – parei por um momento, tomando ar pela boca. —Comecei a acreditar nas explicações irracionais dele. Deixei que ele definisse a realidade. Me isolei.

—Porque não me falou isso antes? – perguntou baixinho.

—Vergonha. – assumi. —É difícil assumir isso para as pessoas. Era mais fácil cortar minha rede de apoio que ter de mentir. Do que ter de encarar a humilhação da minha realidade. Parte de mim sabia que, quando soubessem tudo o que estava acontecendo, as pessoas viriam me julgar. Iriam dizer que eu estava com ele porque queria, que era só terminar e pronto. – ergui o corpo para encarar Alice. —Mas não é tão fácil assim, Alice. – fuguei. —Parece que eu estou presa a ele e toda vez que tento me afastar, ele me puxa de novo. Me puxa para o fundo do poço.

—Não, você não está presa a ele, Bella. – com carinho, ela limpou meu rosto. —Você é mais forte do que pensa, eu imagino que isso seja difícil, mas você vai conseguir. – suas mãos tomaram as minhas. —Você vai aprender a redefinir as fronteiras do comportamento normal e a realinhar suas expectativas.

—Quero sair disso. Quero me libertar...

—Você vai. – confirmou com o timbre terno. —Tem certeza que não quer ir até a delegacia? – apenas maneei a cabeça em concordância. —Vamos até o hospital então, você não está bem, amiga.

—Eu vou ficar. – proferi, tentando convencer a mim mesma.

Alice voltou a me abraçar, beijou minha cabeça e não disse mais nada. Fechei os olhos aproveitando sua presença tão aconchegante.

Era nisso que eu tinha que me apoiar. Nas amizades que eu tinha, na minha mãe, em um novo amor que batia a porta.... Era isso que ia me fazer sair das profundezas.

Notas finais
Tenso haha Foi muito dificil escrever esse capítulo, espero que eu tenha conseguido passar um pouquinho de tudo o que a Bella sentiu, para vocês. Meio dificil gostar de um capítulo assim, mas não mata dizer: Espero que tenham gostado! Bom amores, nos vemos segunda-feira, tentarei não atrasar kkk Tenham um bom fim de semana! Beijões :*