Segunda-Feira
10 Me bagunça
Notas iniciais
Onde estavam aqueles sonhos que até ontem residiam aqui? Não sei.
Onde foram parar aquelas certezas? Não sei.
Onde estava os meus planos para o futuro? Não sei, não sei, não sei.
O que tinha acontecido comigo? Edward.
Ele era causa da minha bagunça. Desde que ele apareceu em minha vida que eu não sabia mais o que queria. Meus sonhos se espalharam pela cama e minhas certezas se jogam pela janela enquanto outras entraram e se acomodaram no sofá da sala. Tudo ficou de pernas paro ar e de olhar virado na direção dele.
Edward me bagunçou. Me bagunçou feito música que arrepia, feito vento que despenteia, feito amor que arromba a porta e muda tudo de lugar. Edward me bagunçou completamente e eu não sabia se queria arrumação.
—Gostei do seu apartamento. – a voz de Edward me sugou para a realidade. Maneei a cabeça rompendo o lacre das cervejas antes de olhá-lo por cima do ombro.
Edward estava parado no meio da minha sala de jantar, as mãos no bolso, e a mesma postura despreocupada e charmosa de sempre.
—Ainda tenho umas latas de tinta guardadas. – proferi enquanto caminhava em sua direção. —Se quiser usar um pouco de rosa na sua casa, eu te dou elas. – dei de ombros ao lhe entregar a garrafa de cerveja, seus dedos resvalaram nos meus
Edward riu aceitando bem a brincadeira, a mão livre foi até o cabelo e bagunçou um pouco os fios dourados.
—Posso pensar nisso. – alegou bebericando a cerveja. Soltei um riso puxando-o pelo braço, Edward me seguiu até o sofá sem recusa. —Quase que não te encontro em casa, então? – perguntou se ajeitando no sofá para poder ficar de frente para mim.
Respirando fundo, assenti com a cabeça.
—Sim, quase. – seu sorriso torto me assaltou levando de mim um longo suspiro. —Se eu acreditasse em destino diria que ele está a seu favor.
—A nosso favor, baixinha. – corrigiu me lançando uma piscadela. Tomei um grande de cerveja esperando que ela me refrescasse um pouco. Edward me causava ondas de calor um tanto quanto intensas. —E porque não acredita em destino?
—Ah, sabe... – soltei o ar pela boca dando de ombros. —Não acredito que o nosso destino já está traçado. – Edward me ouvia atentamente. —O hoje faz o amanhã.... O futuro é a soma dos nossos atos do presente, não um roteiro elaborado por “algo superior”. – usei os dedos para desenhar aspas no ar.
—Entendi. – ele maneou a cabeça. —Esse “algo superior” você se refere a Deus? – erguendo a cerveja até minha boca, concordei com um aceno. —Não acredita em Deus?
Engoli a cerveja devagar e enquanto o liquido descia por minha garganta, eu refletia diante sua pergunta.
—Ás vezes sim, ás vezes não... – mordiquei meu lábio inferior fazendo uma rápida pausa. —Tem horas que eu realmente duvido que exista, mas acontecem certas coisas que são inexplicáveis e então começo pensar que talvez nós todos fazemos parte de algo divino.
Edward levou a cerveja até a boca e tomou dois grandes goles de cerveja, tive de respirar fundo quando uma gota solitária escorreu por seu lábio inferior e ele, de modo absurdamente sexy, a capturou com a língua.
—E você? – minha voz demonstrou como eu estava afetada, o que me obrigou a pigarrear. —Acredita em destino e em Deus?
Seus olhos pararam nos meus por um longo momento e então vi um brilho indecifrável correr por seus orbes lindos. Ele respirou fundo algumas vezes antes de curvar os lábios em um sorrisinho.
—Acredito em destino sim. – proferiu ainda com os olhos nos meus. —Gosto de pensar que nós estamos onde devemos estar.... Se a gente cai, é porque tem que cair, não porque escolheu o caminho errado. – ele sugou o lábio inferior e o manteve entre seus dentes por um segundo. —Quanto a acreditar em Deus.... – parou para respirar fundo. —Nunca fui muito religioso, era como você, em alguns momentos em acreditava, em outros eu duvidava....
—Mas? – indaguei o incentivando a continuar.
—Há um ano minha mãe descobriu que estava com câncer no intestino. – tentei não transparecer o choque que sentia, então apenas maneei a cabeça. —Ela sempre foi a nossa base, nosso alicerce e quando descobrimos a doença... Foi muito difícil. – seu tom era pesado, podia sentir como aquilo fora doloroso. —Com o passar do tempo, crer só nos medicamentos e nos médicos, pareceu pouco demais... Nós precisávamos de algo maior.
Me aproximei um pouco mais dele no sofá, minha mão livre buscou a sua que descansava sobre sua perna. Edward me encarou e sorriu fazendo meu coração palpitar dentro de mim.
—Então vi que ter fé e crer que ela ficaria boa, era uma opção muito melhor do que simplesmente desacreditar. – seus dedos brincavam com os meus. —Toda ajuda é bem-vinda, não é? – sorriu ameno e eu retribuí concordando em silencio. —Quando o médico disse que ela estava curada senti que alguém, em algum lugar, atendeu aos pedidos que eu fiz.... – Edward soltou meus dedos rapidamente para poder correr a mão pelo cabelo. —Posso até estar enganado, mas acredito que foi Deus quem curou minha mãe.
O modo com que ele falara me tocara profundamente. Era doce, sutil... Edward não impôs suas crenças, ele somente contara de sua experiência de um modo bastante emocionante.
—Sua mãe está bem? – perguntei um tempo depois.
—Muito bem. – o sorriso em seu rosto ficou largo. —Nem parece que passou por tudo aquilo.
—Qual o nome dela? – saber que ela havia vencido câncer me deixara muito feliz, mas também muito curiosa, de repente queria saber tudo sobre a mãe de Edward.
—Esme. – o nome soou doce e agradável. A voz de Edward declamou carinho e o brilho em seus olhos fora tão intenso que pude sentir um pouco de todo amor que ele sentia pela mãe.
—Ok, me fale mais sobre ela.... – pedi vendo-o beber mais um pouco da cerveja. —Do seu pai e da sua irmã também. – completei rapidamente.
E então ele sorri enquanto brinca com minha mão. A vontade de puxar uma rede e estendê-la naquele sorriso lindo só crescia dentro de mim.
—Ah, minha mãe é bem mandona. – sua primeira alegação me fez rir. —Ela é forte, firme, não se abala facilmente. – continuou passando seus dedos por entre os meus. —O oposto do meu pai que é uma manteiga derretida. Ele é alguns anos mais novo que ela, talvez seja por isso que eles sejam tão diferentes... – soltei um suspiro profundo ouvindo-o atentamente. —E é bem estranho, porque mesmo com todos os gostos, manias e jeitos diferentes, é como se os dois se completassem. O que falta em um, tem no outro, entende?
—Entendo. – concordei antes de tomar mais um pouco da cerveja. —Isso se chama amor, Edward. – rindo, ele afirmou com um aceno. —Como seu pai se chama?
—Carlisle.
Carlisle. Repassei o nome mentalmente tentando imaginar um homem frágil e chorão, como Edward descrevera.
—Minha irmã, Rosalie, é bem parecida com a minha mãe. Só que um pouco mais controladora. – suas palavras me fizeram rir. —Nós dois nos damos super bem.
Meu subconsciente tentava acumular o máximo de detalhes para construir as três pessoas que Edward descrevera. A mãe, forte. O pai mais que chorava fácil. A irmã protetora.
Todos me pareceram pessoas adoráveis e eu queria muito conhecer cada um deles.
—E você se parece com qual dos dois? – não consegui evitar a pergunta, a curiosidade alcançara níveis altíssimos dentro de mim.
Edward riu de alguma piada que deixei passar, soltou minha mãe e se mexendo no sofá puxou o celular do bolso com certa dificuldade. Em silêncio ele varreu a tela clara por um bom tempo, antes de me entregar o iPhone. Lhe estendi minha cerveja, a qual ele deixara no chão junto da sua garrafa.
—Olhe e me diga, com qual dos dois eu pareço. – o olhei mais uma vez antes de concentrar minha atenção no celular. Era uma foto em família, uma data comemorativa e largos sorrisos nos rostos.
A primeira pessoa que reconheci foi Edward, ele estava no canto esquerdo da foto. Lindo como sempre! A barba por fazer no rosto o deixava com um ar mais maduro e a camisa de botões azul marinho marcava todos seus músculos perfeitos.
Ele abraçava uma mulher e a primeira coisa que me chamou atenção nela, fora o cabelo acobreado. Passando os dedos na tela, dei zoom em seu rosto e então, pude avaliar seus traços.
Ruiva natural. O cílios e as sobrancelhas não mentiam.
Ela era absurdamente linda! Tinha grandes olhos verdes claros, o nariz fino e empinado, os lábios desenhados e cheios. Não... Edward não se parecia em nada com ela! Mesmo ambos sendo donos de belezas exuberantes, elas se distinguiam e não se ligavam em absolutamente nada.
Arrastei a foto para o lado e quem apareceu, foi uma moça alta e loira. Ela era linda e mais parecia uma modelo que fugira das passarelas.
O cabelo loiro ia até o ombro, repicado e com algumas mechas mais claras, os fios desciam em ondas despojadas e ao mesmo tempo, muito bem feitas. Os traços eram delicados, os olhos bem redondos e maquiados faziam com que a cor castanho esverdeado se destacasse. E o sorriso... Era um sorriso perfeito, emitia um ar doce e meigo.
—Essa é a sua mãe? – indiquei a ruiva com o dedo. —E essa é a sua irmã? – perguntei voltando a atenção para a loira. Edward se aproximou de mim após concordar com a cabeça.
Respirei fundo tentando não me abater diante toda a beleza e então, passei a fitar a última pessoa da foto.
—Esse é o meu pai. – Edward apontou. Meus olhos ficaram centrados na figura alta e forte que tinha os braços ao redor da filha.
Carlisle era tão bonito quanto o resto da família, o cabelo era tão loiro que chegava perto do branco e o corte moderno com topete o deixava bem jovial. Os traços másculos eram atraentes assim como os olhos castanhos.
O observei com bastante atenção e depois, quando voltei a foto no tamanho original, cada um buscando algum traço que os semelhassem.
—Você não se parece com nenhum dos dois. – soltei por fim, meio frustrada por não ter encontrado nenhuma semelhança. —Nem com sua irmã.
Edward riu baixo abaixou a cabeça e beijou o alto da minha cabeça.
—É, nós não somos parecidos. – concordou passando o braço por meus ombros. —Rose e eu fomos adotados e também não somos irmãos biológicos. – sua revelação me deixou surpresa.
—Por isso que sua mãe parece ser irmã de vocês. – proferi lhe devolvendo o celular. Edward riu com vontade enquanto concordava com a cabeça.
—Ela vai ficar feliz em saber disso. – sua piscadela me fez sorrir.
Com um suspiro eu me acomodei em seu abraço, Edward se recostou no sofá e eu me aconcheguei em seu peito definido. Um sentimento gostoso me aqueceu por dentro e tudo o que eu conseguia pensar era em como aquilo era certo.
—Sua irmã é muito linda. – comentei, seus dedos brincavam no meu cabelo emitindo carinhos gostosos. —Ela é modelo?
Edward riu diante minha pergunta, seu peito vibrou abaixo do meu ouvido.
—Rosalie é legista. – aquilo me pegara totalmente de surpresa, erguendo o corpo eu o encarei. Edward voltou a rir, provavelmente da minha cara de espanto.
—Legista? Sério? – ele colocou meu cabelo atrás da orelha acenando positivamente com a cabeça. —Nossa... – soltei o ar pela boca. —Fiquei surpresa.
—Deu para notar. – rolei os olhos com sua alegação. —Mas a maioria das pessoas se surpreende mesmo. – sua mão se embrenhou por seu cabelo. —Ela e meu cunhado se conheceram durante uma necropsia. Emmet, o marido dela, também é legista.
—Meu Deus. – soltei baixinho. —Que romântico. – a risada de Edward fora tão gostosa que exigia por companhia, então eu o segui, rindo daquilo também. —Eles tem filhos?
Edward abaixou os olhos para capturar minhas mãos, seus dedos corriam por minha pele emanando leves arrepios por todo o meu braço.
—Ainda não. – negou erguendo uma das minhas mãos e a beijando carinhosamente. —Eles dizem que só vão ter um bebê quando eu apresentar uma namorada para a família. – aquele fato me deixou pensativa.
—Porque? – indaguei curiosa. —Nunca apresentou uma namorada para sua família?
Edward respirou fundo antes de negar com um aceno. Arqueei as sobrancelhas o encarando fixamente.
—Não é o que você está pensando. – garantiu arqueando as mãos.
—E o que eu estou pensando? – o desafiei com o queixo arqueado.
—Que eu pegava todas e não levava nenhuma a sério. – me mantive calada diante suas palavras, até porque ele tinha razão. —Não sou esse tipo de homem. – seus olhos eram sinceros e verdadeiros. —Não quero apresentar qualquer “casinho” para a minha família. — continuou. —Quero que eles conheçam a mulher certa, aquela com quem eu vou me casar e ter filhos.
Dois sentimentos me deixaram dividida. O encantamento e o ciúmes. Edward era realmente de outro mundo, a mulher que estivesse ao lado dele, teria uma sorte absurda. E eu queria, com todas as minhas forças, ser aquela mulher.
—Hmm, é um rapaz sério, então? – indaguei mordiscando meu lábio inferior.
Edward deu de ombros, virando o corpo e ficando de frente para mim. Seus braços me prenderam contra o braço do sofá e a excitação correu por meu corpo. De repente, eu havia ficado cansada de conversar. Tudo o que eu queria era ter sua boca na minha.
—Sim, sou para casar. – seu tom soou divertido. —Por isso, seria bom se você terminasse logo com seu noivinho antipático. – se inclinando sobre mim, ele deixou que seus lábios roçassem nos meus por um mero segundo. —Assim você ficaria comigo, eu te levaria para conhecer minha família e Rose daria um neto para minha mãe.
Apoiei as mãos em seus ombros sem conseguir prender a risada.
—E todo mundo ficaria feliz, certo?
—Certo. – Edward assentiu com a cabeça. —E então, o que me diz?
Abri a boca para responde-lo, mas o barulho da porta sendo aberta me fez permanecer em silêncio. Edward afastou o corpo do meu e um arrepio de horror correu por todo o meu corpo.
E se for Jacob?
A pergunta ecoou dentro da minha cabeça. Se fosse ele, o que eu iria fazer? Por onde nós iriamos fugir?
—Cheguei. – a voz de Renée fora um tranquilizante para mim. Fechei os olhos e soltei um suspiro, meu coração palpitava, era um misto de adrenalina e alívio. —Juro por Deus que qualquer dia desses eu vou voar no pescoço da Claire... – Renée deixou que sua voz entonasse a raiva enquanto caminhava até a sala. —Ela só não é mais chata que o Jacob, porque... – pausou seu discurso contra nossa vizinha, assim que parou ao lado do sofá. —Edward! – o sorriso iluminou seu rosto. —Você por aqui!
Ele se levantou, pude ver que sorria e parecia contente com a presença de Renée. Ainda sentada no sofá, os vi trocar um rápido abraço.
—Como vai, Renée? – ele perguntou ainda parado de frente para minha mãe.
—Ótima. – sua voz emitiu contentamento demais. —É muito bom ver que Bella está trazendo homens de verdade aqui para casa. – tapei o rosto com a mão diante suas palavras. —E você, como está?
—Bem. – Edward murmurou após soltar um risinho.
—Olhe meu amor, vou subir para tomar um banho e descansar, mas fique à vontade, ok? – seu tom era carinhoso e simpático... Até demais. —Se quiser comer alguma coisa, tomar um banho, ficar para passar a noite... – fez uma pausa dramática. —Não temos quartos de hospedes, mas tenho certeza de que a cama da Bella é grande o suficiente para vocês dois.
—Mãe! – exclamei me pondo de pé. Renée me fitou com cara de desentendimento, bufei rolando os olhos.
—O que foi?
—Ah... Eu... – Edward divagou parecendo meio sem jeito. —Agradeço o convite Renée, só que eu já estou indo embora.
Aquilo me desanimou. Não queria que Edward fosse embora, queria que ele ficasse comigo.
—Ainda é tão cedo.... Não é nem meia noite ainda.
Edward tinha o dom de me fazer esquecer das coisas, das pessoas, do resto do mundo, da hora... O tempo ao lado dele voava.
—Mas preciso ir. – afirmou com a voz terna. —Amanhã nós trabalhamos e não quero que Bella tenha problemas para acordar por minha causa.
Renée suspirou parecendo aceitar sua resposta.
—Tudo bem. – concordou por fim. —Volte mais vezes, ouviu? – rindo, Edward concordou com a cabeça.
—Pode deixar, vou voltar sim.
Os dois se despediram com outro abraço rápido e então, minha mãe subiu para o andar de cima.
—Não ligue para a minha mãe. – pedi meio sem jeito. —Ela não bate muito bem.
—Ah, sua mãe é incrível. – Edward deu alguns passos pela sala, rompendo a distância que nos mantinha afastados. —E você também.
O sorriso nasceu em minha boca, as mãos de Edward subiram e tocaram minhas bochechas. Suspirei com vontade, acomodando meu rosto no seu toque envolvente e viciante.
—É impressão minha, ou você está tentando me seduzir? – indaguei respirando fundo para poder ser inebriada por seu perfume.
Edward maneou a cabeça, o sorriso torto não abandonou sua boca um segundo se quer.
—Depende... Está funcionando? – seu polegar contornou minha boca, seus lindos olhos azuis estavam brilhantes.
Se estava funcionando? Edward não imaginava o quanto.... Preferi não lhe responder com palavras, então apoiei as mãos em seu abdômen e o puxei pela camisa.
Sua boca macia e quente se uniu a minha, nossos lábios tinham o encaixe perfeito. Uma das mãos de Edward desceu para minha nuca ao mesmo momento em que sua língua tocou a minha.
Um arrepio correu por todo o meu corpo fazendo com que cada parte de mim vibrasse. A malha da camisa me impedia de sentir a quentura de sua pele, mas não me impossibilitava de sentir seus músculos definidos.
Minhas mãos deslizaram até chegar em suas costas largas, uma vontade absurda de erguer a blusa para poder correr minhas mãos por ali, se apossou de mim. Foi difícil manter o controle, aliás, era difícil manter o controle. Não só do corpo, mas do coração também.
—Você vai na festa de Embry sexta-feira? – Edward perguntou enquanto caminhávamos pelo corredor.
—Não sei... – disse vagamente. Precisava ver com Jacob, mesmo que no fundo, não quisesse que ele me acompanhasse. —Você vai?
—Se você for, sim. – respondeu me lançando uma piscadela. Abaixando a cabeça, coloquei meu cabelo atrás da orelha. Mais um sorriso e um suspiro roubado. —Alice me disse que você não sai muito com eles.
Pigarrei diante suas colocações, Edward apertou o botão chamando pelo o elevador e em silencio, esperou por minha resposta.
—É que todos eles são solteiros e eu...
—Você é comprometida. – completou. —Jacob não gosta que você fique com eles. – aquilo não foi uma pergunta, mesmo assim, concordei com um aceno. —Sabe, ao invés de ele te afastar dos seus amigos, ele deveria ficar próximo deles. – colocou as mãos nos bolsos da calça.
—Eles são muitos diferentes e Jake... Ele é meio difícil. – tentei explicar, mas falar sobre Jacob com Edward era bem estranho. —Mas me fale, se encontrou com Alice depois do trabalho?
—Sim, descobri que ela mora perto do hotel onde estou hospedado e nós fomos tomar um café. – contou simplesmente regando a sementinha de ciúmes que fora plantada dentro de mim. —Ela é muito simpática... Gostei dela. – continuou com o tom terno. —Ela me contou que a mãe faleceu há pouco tempo.
—É, ela ficou muito mal.
—Imagino. – soltou o ar pela boca. —Ela não tem mais nenhum parente? Nem um irmão ou irmã?
—Que eu saiba não. – dei de ombros começando a me chatear com todo o interesse que Edward estava demonstrando. —Está muito interessado em Alice, hein?
Ele riu se aproximando um passo, sua mão segurou meu queixo e com isso, arqueou minha cabeça.
—Não do jeito que você está pensando. – sua voz era tão verdadeira quanto seus olhos. A campainha do elevador rompeu nossa conexão, Edward inclinou a cabeça e deixou um beijo demorado em minha testa. —Adorei passar esse tempo com você. – proferiu enquanto as portas ainda se abriam.
—Eu também adorei. – murmurei observando as duas senhoras dentro do elevador. —Obrigada pela visita.
Edward me lançou um sorriso lindo e uma piscadela divertida.
—Boa noite, baixinha. Até amanhã. – se despediu e só tive de tempo de acenar em sua direção, pois no minuto seguinte, as portas se fecharam.
Edward me bagunçou completamente, mas eu não ia fazer esforço algum para pôr tudo em ordem novamente. Já não importava o que eu era, tudo o que importava era o que nós dois poderíamos ser.
E ia ficar tudo bem, estava aprendendo a reconsiderar o mundo com Edward. E com ele, tudo ficava bem melhor. A vida ficava bem melhor.
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