Segunda-Feira
11 Libertando-se
Notas iniciais
A gente só dá valor na liberdade quando a perde.
A verdade é todos nós somos como os passarinhos, nascemos para voar, subir e descer a hora que bem entender, nascemos adeptos a liberdade.
Então chega o ser humano, ou um ser humano, nos pega com firmeza e nos prende em uma gaiola. A promessa é de uma vida melhor, é claro, afinal teremos alguém para cuidar da gente!
Só que o paraíso particular vai ficando a cada dia mais parecido com uma prisão. A gente não vê o sol, a gente não sente mais o ar batendo contra o rosto, a gente só canta de tristeza....
O tempo vai passando e a gente desaprende tudo. Desaprende a voar, desaprende a ser livre, desaprende a ser feliz e depois disso, aparece o medo. O medo de ter que aprender tudo aquilo de novo.
Mas talvez, ser livre, é como andar de bicicleta.... A gente até deixa de pedalar por um tempo, acha que não tem mais aquele equilíbrio, no entanto, a verdade, é que a gente nunca esquece!
Era assim que eu estava me sentindo naquela noite fresca e estrelada de sexta-feira: Livre, com um certo medo de voar alto demais, mas totalmente excitada com a ideia.
Encarei meu reflexo, me aproximando um pouco do espelho. É, eu estava bem e não me referia a camada de maquiagem aplicada em minha pele. Não somente, é claro.
A semana que passou, até rápido demais, fora uma das melhores que eu tive nos últimos tempos. Era ruim admitir, mas aquilo se devia a dois fatos: Jacob ficara preso em Buffalo e Edward me fizera companhia a semana toda. Chegava a ser absurdo, porém quanto mais eu ficava com ele, mais queria estar com ele.
Não tinha barreiras com Edward. Não precisava fingir, ocultar meus defeitos e escolher minuciosamente as palavras que ia dizer. Ele me aceitava como eu era. Eu sentia aquilo. Sentia em sua voz. Sentia olhando para aquelas imitações perfeitas do mar, que ele chamava de olhos.
Com ele eu podia bater as asas e voar. Voar alto. Sabia que se algo desse errado, ele me pegaria e não me deixaria cair.
—Só não pego minhas coisas e volto para casa hoje mesmo, porque o Sam me garantiu que em breve terei uma resposta definitiva. – a voz entediada de Jacob ecoou pelo banheiro até me encontrar, perdida entre lembranças e sorrisos, e me puxar pela mão.
Maneei a cabeça mandando embora meus pensamentos.
—Estou com saudade. – seu suspiro saiu longo e pesaroso. Engoli a seco, a culpa pesou sobre meus ombros. Em alguns momentos ela aparecia, dava tapas em meu rosto e me fazia enxergar como eu estava sendo uma vadia.
—Eu também. – era difícil mentir, por um motivo que eu desconhecia, minha voz ficava trêmula e falha. —Sabe, mais ou menos, quando sai essa resposta?
—Segunda ou terça-feira, eu acho. – ficou um minuto em silencio e pude ouvir sua respiração profunda. —Que filme você e sua mãe vão assistir?
Prendi a respiração por um longo momento. E agora? O que eu ia dizer? Não fazia nem ideia de quais filmes estavam em cartaz. Respirei com força, engoli e o ar e soltei as primeiras palavras chegaram a ponta da minha língua.
—Renée quem escolheu o filme, não vi o nome.
Jacob ficou um longo momento em silencio e aquilo começou a me preocupar. Fechei os olhos tapando meu rosto com as mãos, que também abafaram os xingamentos que soltei em sussurro.
—Tenho até medo de pensar em qual será, então. – ele finalmente respondeu, a voz entonada pela amargura.
—Deve ser alguma comédia romântica... – murmurei ainda temerosa.
Passei toda a semana desejando ir à festa de Embry, pretendia contar a Jacob quando ele chegasse, mas como ele ficara em Buffalo, decido omitir aquela informação. Era melhor não dizer nada, senão era capaz de ele pegar um avião e vir para Nova York somente para me impedir de ir.
—Acredito mais se for um romance erótico. – maneando a cabeça, concordei com Jacob. Filmes eróticos eram mesmo os preferidos dela.
—Jake, eu tenho que desligar, não quero me atrasar para a sessão. – peguei o iPhone de cima da mesa, eram quase onze e logo Edward chegaria.
—Ok, linda. – prendi o suspiro quando ele concordou. —Só me responda uma coisa, não está usando nada curto ou decotado, está?
Ergui os olhos até o espelho que por causa da distância que coloquei entre nós dois, refletiu todo meu corpo.
O vestido branco com florais em azul marinho que eu usava, tinha as duas coisas que Jacob mais detestava. Ele era de mangas longas de modelo flare, que ficava evidenciado pelas aplicações de renda nas barras. Era curto e o decote, apesar de ser discreto, existia.
—Claro que não. – neguei rapidamente.
—Acho bom. – seu tom mandão me soou um tanto quanto arrogante. Fechei os olhos com força e contei até dez, quando ele desligou o celular. Ele tinha aquela mania irritante: desligar na minha cara, sem se despedir.
Rolando os olhos coloquei meu celular dentro da bolsa para poder dar os últimos retoques em minha maquiagem. Havia caprichado aquela noite, desde o traço mais grosso e perfeito do delineador, ao aplique do blush coral.
Retoquei o batom vermelho em minha boca e com os dedos, separei um pouco as ondas que havia feito em meu cabelo, antes de jogá-lo para o lado.
Estava me sentindo muito bem aquela noite, autoestima elevada, animada e feliz. Há tempos que não me sentia daquela forma.
—Ela está muito animada. – descendo as escadas até o primeiro andar, ouvi minha mãe dizer, aquilo me fez ser mais cautelosa ao pisar nos degraus de vidro. —Faz muito tempo que não a vejo assim, tão feliz e leve. – estreitei os olhos com suas palavras. —Jacob não faz bem para ela. – seu sussurro me fez rolar os olhos. —É como um segue suga.
—Não sabia que ele era assim. – quando a voz conhecida se pronunciou, senti vontade de me lançar escada a baixo. Tapei o rosto com a mão rezando para que eu tivesse confundindo as vozes. —Achei que ele cuidasse bem dela, que a fizesse feliz. – era Edward, era sim. Não havia me enganado, até porque sua voz aveludada era única.
—Nem um, nem outro. – Renée voltou a falar. —Jacob não me passa muita confiança... Ele grita com ela, é bruto, não gosta que ela fique comigo ou com os amigos.
—Ele grita com ela? – Edward pareceu abismado. Contraí os lábios sentindo meu rosto queimar. Eu ia matar a minha mãe.
—Grita e na frente de qualquer um.
Um longo silencio circulou pela sala e eu quis terminar de descer as escadas, mas me sentia tão envergonhada que não tive coragem o suficiente para chegar até eles.
—E não é só isso, quando ele está perto dos pais e das irmãs, ele zomba dela, minimiza suas conquistas.... Ele decide como ela deve se vestir ou prender o cabelo. – engoli com dificuldade diante as palavras de Renée. —Ele a manipula, como um fantoche. Bella não tem voz, é completamente apática.
—Como ela aceita isso? – era estranho sentir tanta raiva na voz de Edward.
—Não sei, Edward. – minha mãe soou cansada. —Jacob tece a teia de modo perfeito. Faz com que ela se sinta insegura e incapaz de viver sozinha... Acho que ela tem medo. – uma nova pausa abriu a porta para o silêncio. —E para ser sincera, até eu tenho.... Tenho medo do que Jacob possa fazer se um dia ela o enfrentar ou terminar o namoro.
Pude sentir o medo de Renée e para ser sincera, ele me abateu também. Jacob não seria capaz de me machucar, seria?
—Não vou deixar que esse idiota a machuque. – Edward respondeu com a voz crispada. —Eu gosto muito dela. – assumiu com o tom mais leve.
Aquelas palavras me fizeram sorrir e amenizaram o clima ruim, tanto dentro de mim, como na sala.
Maneando a cabeça, respirei fundo e tomei a coragem que precisava junto com o fôlego.
—Eu sei, e sei que ela também gosta muito de você.
—Quem gosta do Edward? – incorporei minha melhor cara de paisagem. Ambos se levantaram ao ouvirem minha voz. Intercalei os olhos entre eles, minha mãe era uma ótima atriz e sorria falsamente. Quanto a Edward... Ele pareceu ficar ainda mais chateado depois que me viu, apertou os lábios, maneou a cabeça e correu a mão pelo cabelo.
—Você. – Renée respondeu com a maior cara de pau.
Rolei os olhos me aproximando deles, Edward voltou a me olhar, seus olhos ainda carregavam um pouco de raiva e indignação, contudo, estavam mais suaves.
Não deixei de reparar em como ele estava lindo com uma camisa jeans que marcava todos os seus músculos e uma calça azul marinho.
—Oi. – acenei em sua direção.
—Oi. – respondeu abrindo um sorrisinho torto. Aquilo me aliviou um pouco, não queria vê-lo irritado, queria vê-lo sorrindo. —Você está linda! – elogiou após varrer meu corpo com os olhos.
Respirei fundo abrindo o sorriso. Edward não fazia ideia de como seus elogios me fazia bem.
—Obrigada, você também está. – seus olhos azuis reluziram algo que não consegui captar. Maneei a cabeça soltando o ar pela boca. —Vamos?
—Vamos. – Edward concordou e então, se aproximou de Renée. —Foi um prazer te rever, Renée.
—O prazer foi todo meu. – eles trocaram um rápido abraço. —Se divirta, gatinha. – acenou para mim antes que eu fechasse a porta. Rolando os olhos, arrumei a bolsa em meu ombro, Renée pensava que me enganava. Pensava.
Edward e eu caminhamos até o elevador em um silencio chato. Aquele era um dos motivos pelo qual não gostava de falar sobre meus problemas com Jacob.
—Você está bem? – ele perguntou assim que paramos em frente ao elevador, seu dedo pressionou o botão acionando sua chegada.
—Sim e você.
—Não, eu estou preocupado. – sua sinceridade me abateu. —Bella, sua mãe me contou umas coisas...
—Eu ouvi o que ela te contou. – o cortei. —Só que...
—Só que, o que? – cruzou os braços me desafiando com o olhar.
Engoli a seco tentando não me sentir encurralada.
—Renée tende a exagerar.
—E ela estava exagerando? – indagou com os olhos nos meus. —Jacob não grita com você? Não é grosso e manipulador?
Abri a boca pronta para lhe responder, mas as palavras simplesmente não saíam. O que eu ia dizer? Ia tentar mentir para Edward?
Soltei o ar pela boca, meio sem jeito, tirei o cabelo do meu rosto.
—Podemos conversar sobre isso mais tarde? – pedi ao som da campainha do elevador. —Por favor?
Edward olhou para dentro do elevador e eu o segui, um homem engravatado parecia impaciente com a nossa demora, quando ele voltou a me olhar assentiu com a cabeça.
Entrei no elevador, Edward me seguiu de perto e se colocou ao meu lado. Aquele ar sério e tenso que se formou entre nós dois era novo e desconfortável. Não queria que minha relação com Jacob, pesasse sobre a que tinha com Edward.
O homem engravato saiu do elevador no trigésimo nono andar, mais ninguém entrou. As portas se fecharam com a mesma calmaria de sempre e então a música suave voltou a tocar.
Edward respirou fundo, pelo canto dos olhos o vi correr a mão pelo cabelo antes de virar para me olhar.
—Não fica chateada. – pediu com o timbre ameno. Me voltei inteiramente a ele, sua mão tocou a minha e então, nossos dedos se encontraram em um entrelaço perfeito.
—Não quero que você fique chateado. – murmurei me aproximando, Edward maneou a cabeça, sua mão livre subiu e tocou meu rosto com carinho. —Meu relacionamento com Jacob...
—Não tente justificar. – pediu nitidamente aborrecido. Soltei o ar pela boca e ergui um pouco o corpo para poder beijar seu queixo.
—Eu ia dizer que meu relacionamento com Jacob anda por um fio. – proferi e esperei pacientemente até que seus olhos se encontrassem com os meus. —Mas falamos sobre isso mais tarde. – meus dedos correram por seu maxilar, a barba cerrada espetava de um modo suave e até viciante.
—Certo. Mais tarde falamos sobre isso. – sua mão soltou a minha e então ele pode segurar meu rosto com as duas, uma de cada lado. Os dedos afagavam minha pele e só não eram mais ternos que seus lindos olhos mágicos. —Porque agora, eu quero beijar você.
E assim ele o fez. Colou sua boca na minha e me fez desmanchar em seus braços. Edward me enchia de carinho, fazia com que eu me sentisse importante... Amada. Aquilo deixava as coisas entre nós ainda mais intensas.
—Comprou um carro? – perguntei assim que paramos em frente a um Mercedes a200 branco. Edward desativou o alarme e abriu a porta do passageiro para que eu entrasse. Era um carro lindo, o interior luxuoso fresco e arejado, emitia um leve aroma de lavanda.
—Ele chegou hoje à tarde. – respondeu após negar com a cabeça. —Contratei uma transportadora para trazê-lo de Collierville.
Maneei a cabeça em concordância, Edward saiu com o carro pela rua, o clima ameno e tranquilo me fez suspirar. Era bom viver em paz.
—Quais músicas você tem? – perguntei fitando o belo sistema acústico no painel do carro.
—Qual você gosta?
—Todas da Adele. – minha resposta o fez rir suavemente.
—Ok, abre a pasta quatorze. – mandou me olhando rapidamente. —Tenho algumas músicas dela.
Aquilo me deixou super animada. Jacob detestava as músicas dela e sempre dizia que eu não tinha gosto musical. Quando Send My Love começou a soar dentro do carro, não me segurei e comecei a cantar junto com os acordes.
Edward me dava aquilo, sentia que com ele, eu poderia ser eu mesma. Poderia cantar desafinado, contar uma piada ruim, acordar descabelada.... Eu era livre para ser imperfeita, apenas um ser humano comum.
—Você canta bem. – elogiou assim que paramos em frente à casa de Embry. Ele morava em uma rua calma em Soho, em uma casa moderna e elegante.
—Não me zombe, bobinho. – deixei um tapa em seu ombro quando desci do carro.
—Não estou te zombando, bobinha. – Edward me puxou pela cintura e beijou a volta do meu pescoço, aquilo fez com que um arrepio corresse todo o meu corpo.
Fui obrigada a respirar fundo várias vezes, prendendo o ar por um tempo no pulmão e depois, o soltar com calma.
Edward soltou um risinho provocativo quando eu o empurrei com o braço, ele amava me desestabilizar.
—Finalmente! – Ângela cantarolou quando abriu a porta. A música alta chegou aos meus ouvidos de um modo incomodo. —Você veio! – ela saltitou até mim e me agarrou em um abraço apertado.
Rindo do seu jeito afobado eu a retribuí.
—Eu disse que viria. – lhe lancei uma piscadela quando nos afastamos.
—Pois é, milagres existem! – rolei os olhos, Ângela riu com vontade chegando mais perto de Edward. —E você, Ed! – esticando os braços ela o abraçou rapidamente. —Seja bem-vindo! A casa não é minha, mas seja bem-vindo do mesmo jeito.
—Obrigado, Ângela. – ele agradeceu com um sorriso.
—Não precisa agradecer. – ela foi até a porta e a fechou tomando o cuidado de passar todas as travas nela. —Vamos, o pessoal já está todo aí. – chamou com um aceno de mão. —Adivinhe quem veio essa noite. – Ângela pediu enquanto caminhávamos pelo longo corredor cheio de quadros abstratos que levava até a área social da casa de Edward.
—Não sei. – dei de ombros. —Quem?
—Victória. – seus olhos se iluminaram abaixo das lentes.
O nome ecoou dentro da minha cabeça. Victória. Não contive o sorriso. Victória era uma ex colega de trabalho, ela ficara anos conosco, até ser contratada por outra empresa.
—Sério? – sorrindo, Ângela concordou com a cabeça. —Que ótimo, estava com saudades dela.
Nós seguimos Ângela até as grandes portas panorâmicas que levavam até área externa de Embry, que era um verdadeiro luxo. Seu jardim incorporava uma grande piscina, uma jacuzzi e ainda havia uma grande área gourmet.
O pessoal estava espalhado por toda a parte, corri os olhos por cada um, reconhecendo Erick e Mike à frente da mesa de sinuca. Alice e Jéssica pareciam bem conectadas em sua conversa. E a frente do bar, estava Embry com Victória.
Ela estava de costas para nós, exibindo seu lindo cabelo ruivo escuro. O tom de fogo chegava a causar inveja! Os fios ondulados estavam mais longos do que eu me lembrava e escondiam uma parte da saia preta que contornava seu quadril.
—Olha só quem chegou, galera! – Ângela gritou em meio à música de Calvin Harris, fazendo com Edward e eu virássemos o cetro da festa.
—Ela veio! – Erick e Mike cantarolaram juntos. Rolei os olhos cumprimentando-os com um abraço.
—Bella nunca aparece em nossas festinhas. – Mike proferiu trocando um aperto de mão com Edward.
—É verdade. – Erick concordou me fazendo bufar. —E aí, cara! Como vai?
—Bem e você? – Edward respondeu a ele, que deixou dois tapas em suas costas.
Alice e Jéssica chegaram juntas, ambas abraçaram tanto a mim, quanto a Edward.
—Estava achando que você não ia vir. – Alice murmurou em meu ouvido.
—Até você? – já estava me aborrecendo com aquilo.
—Achei que você fosse ficar com Edward. – arqueou a mão livre, levando o copo com a bebida até a boca.
—Para com isso. – mandei fazendo-a rir alto. Pelo canto dos olhos, vi Embry chegar até nós. O sorriso malicioso iluminava seu rosto.
—Olá, baby! – sua voz saiu carinhosa, contudo eu conseguia sentir uma pitada de segundas intenções nela. Ele me abraçou com cuidado, visto que trazia dois copos, com uma bebida que eu desconhecia, nas mãos. —Tome, beba para esquentar. – mandou me entregando um deles.
Aproximei o copo do nariz para poder sentir o aroma da bebida. Tive que me controlar para não tossir. O cheiro estava bem forte, era uma mistura de vodca com tudo quanto é bebida alcóolica e morangos. Dando de ombros, tomei um grande gole.
Apesar de descer rasgando minha garganta, estava bem saborosa.
—Não vai cumprimentar sua velha amiga? – ergui os olhos quando a voz de Victória soou a minha frente. O sorriso voltou a delinear minha boca e sem esperar muito, eu me aproximei e a abracei com vontade.
—Vic! Quanto tempo.... Sua sumida! – ela encolheu os ombro quando nos afastamos. —Você sumiu.
—Pois é.... Tive uns probleminhas nos últimos tempos. – seus olhos verdes ficaram opacos por um momento. —Bom, depois eu conto. – soltou o ar pela boca voltando a sorrir. —Deixe-me entregar isso a ele. – erguendo o copo, Victória apontou para Edward, esse que conversava animado com Embry.
Victoria era minha amiga, gostava bastante dela, mas vê-la se aproximar de Edward me causou um desconforto grande.
Tomei mais um gole da bebida os fitando. Ela chegou e tocou seu braço, os olhos de Edward se voltaram para ela e o sorriso nasceu nos lábios cheios de Victória. Engoli com dificuldade, um mal estar tomou conta do meu estômago. Edward foi educado ao cumprimenta-la, aceitou a bebida e agradeceu com um sorriso simpático. Victória aumentou o sorriso e fui obrigada a me aproximar.
—Então, Vic... – parei ao lado deles, contendo com dificuldade a vontade de me por entre os dois. —Como você está?
—Estou bem e você? – ela desviou a atenção de Edward e a voltou para mim. Sorri mais aliviada quando Edward se afastou e foi até a mesa de sinuca.
—Bem também.
—Soube que ficou noiva de Jacob. – suas palavras me causaram azia, contive a careta de desgosto.
—É, pois é... – concordei correndo a mão pelo cabelo. —Estou noiva sim.
Assumir aquilo era ruim demais, era como se eu estivesse presa de novo. De volta a gaiola.
—Deixe-me ver esse anel. – pediu puxando minha mão, seus olhos analíticos se firmaram na joia em meu dedo. —Que lindo! – suspirou sorrindo com sinceridade. —Estou muito feliz por você. – sua voz era terna. —Você merece isso, amiga.
—Obrigada. – agradeci sorrindo, apesar de não estar nem um pouco feliz com meu noivado, eu lhe agradeci. Victória não tinha nada a ver com meus problemas. —Mas e você, está solteira, enrolada, namorando? – tomei um gole da bebida torcendo para que ela estivesse comprometida.
—Estou solteira. – sua resposta não me deixou satisfeita. —E quero ficar por um bom tempo. – completou me agradando um pouco. —Acabei de sair de um relacionamento super pesado.... O cara era um idiota, chegou a me agredir, acredita? – aquilo me surpreendeu e assustou.
—Sério? – Victória acenou com a cabeça, segurou em minha mão e me levou até os sofás.
—Começou com pouca coisa. – contou abaixando os olhos. —Ele era ciumento demais e no começo, achava aquilo fofo... Mas depois eu percebi como aquilo era doentio.
Fez com que eu me sentisse incapaz de tomar decisões. Usava da intimidação, culpa e ameaças para obter minha complacência. Dizia o que eu deveria ou não vestir. Falava como deveria deixar ou pentear o meu cabelo. Dizia que eu não era nada sem ele. Me tratava de maneira grosseira. Fazia várias ligações por noite ou aparece para garantir que você está onde disse que estaria. Me culpava pela maneira com que ele agia ou se sentia. Fazia pressão para fazer sexo. Me dava a sensação de que não tinha como sair do relacionamento. Não permitia que eu fizesse coisas que gosto, como ficar perto da família e de amigos.
Victória descreveu cada passo, contou tudo, até chegar a agressão física. Aquela pareceu a história de terror mais tenebrosa do mundo para mim, porque eu me via no lugar da protagonista. Eu me via em perigo e começava a sentir medo de Jacob, porque ele era e fazia as mesmas coisas que o ex de Victória fizera.
Aquilo me abalara bastante, me deixara pensativa e fez com que minha noite acabasse.
Jacob seria capaz de me agredir? Ele faria aquilo comigo? E se todos estivessem certos, e se eu estivesse mesmo em uma relação tão perigosa?
—Hey. – Alice chamou batendo com o ombro no meu. Maneando a cabeça, voltei os olhos para ela. —O que você tem? – seus olhos azulados demonstraram certa preocupação.
Respirei fundo tirando o cabelo do meu rosto.
—Só estava pensando. – respondi dando de ombros. —Victória te contou sobre o ex dela?
Alice pareceu me entender, contorceu os lábios e então assentiu com a cabeça.
—Estou com medo. – assumi com desgosto. —Enquanto ela falava, a única pessoa que vinha a minha cabeça era Jacob, porque....
—Porque ele age como o ex da Vic, certo? – soltei o ar pela boca confirmando com a cabeça. —Victória deixou as coisas irem longe demais, Bella. – sua mão afagou minha perna. —Ela não teve ninguém que abrisse seus olhos, não teve um exemplo tão próximo de como as coisas podem se tornar tenebrosas, mas você tem. – voltei meus olhos até os seus. —Já faz tempo que estamos alertando você, Bella. Sua relação com Jacob não é saldável, ele não me passa nenhuma confiança.... Só que parece que você não quer enxergar.
—Não é isso. – contestei. —É só que eu não o vejo tão monstruoso assim.
—Porque ele te manipula. – Alice sibilou com firmeza. —Mas eu não posso fazer com que você perceba isso. Ninguém pode, amiga. – ela respirou fundo antes de tomar um gole da bebida em seu copo. —Só espero que você acorde logo.
Alice e eu entramos em um silêncio chato. No fundo eu sabia que ela tinha razão. Precisava acordar logo, pôr um fim naquilo, me libertar de uma vez.
—Parece que Victória gostou de Edward. – seu comentário me obrigou a erguer a cabeça. Meus olhos varreram todo espaço até encontrarem os dois. Eles estavam próximos do bar, conversavam animadamente. —Acho melhor você agir, porque os dois estão solteiros.
Encarei Alice pelo o que pareceu ser um longo segundo. É claro que eu precisava agir. Odiava quando Edward ficava tão próximo de outra mulher, mesmo que essa fosse uma amiga minha.
Me coloquei de pé e com o ciúme gritando dentro de mim, fui até eles.
—Edward. – o chamei cortando sua risada. Seus olhos se voltaram para mim instantaneamente. —Eu quero ir embora, você me leva?
—Já? – perguntou estranhando minha decisão. —Mas ainda é tão cedo.
—É, mas eu quero ir embora. – rebati cruzando os braços. —Você me leva?
—Vocês chegaram não tem nem uma hora, Bella. – Victória comentou, sua voz não trazia maldade nem nenhum tipo de sentimento ruim, mas mesmo assim, eu quis que ela ficasse calada.
—Você está bem? – ele indagou e então, bufei alto.
—Estou. – afirmei com secura, Edward me encarou por um longo momento. —Deixa, eu pego um taxi.
Saí de perto deles com pressa, emburrada e enciumada. A única coisa que fiz, foi pegar minha bolsa com Alice que arqueou as mãos e se manteve em silêncio.
Edward também tinha que ser simpático com todo mundo? Tinha que fazer amizade tão depressa? Tinha que ser tão lindo?
Bufei quando saí na rua escura, silenciosa e vazia. Eu teria que andar um bocado até encontrar um taxi e aquilo só me deixou mais irritada.
—Bella! – a voz antecedeu a batida da porta. Não me virei para vê-lo se aproximar, apenas continuei andando. —Bella, espera! – sua mão segurou meu braço e fez com que eu cessasse os passos. —Eu vou levar você para casa.
Quando me virei, encontrei uma expressão desentendida e levemente aborrecida.
—Porque saiu de lá assim?
—Não importa. – dei de ombros puxando meu braço. —E não precisa mais, pode ir lá ficar com a Victória.
Ele bufou e voltou a segurar meu braço.
—Bella... – soltou junto com a respiração. —Você está com ciúme? – seu tom ficou mais ameno.
Abri a boca, pronta para negar, mas assim que encontrei seus olhos, eu me calei. Como eu poderia mentir? Não tinha jeito.
—Vocês estavam tão próximos... – abaixei a cabeça, minha voz saiu como um sussurro.
Edward soltou um riso, seus dedos seguraram meu queixo e então ele fez com que eu o olhasse.
—Só estava conversando com ela. – proferiu afagando minha bochecha. —Próximo mesmo, eu quero ficar é de você. – suas palavras fizeram com que um sorrisinho bobo nascesse em minha boca. —Não seja boba, meu amor. – pediu fazendo com que eu me aquece por dentro. —A única mulher que me interessa, é você.
Como poderia resistir aquilo? Aqueles olhos, aquelas palavras tão sinceras... Como?
Não tinha como e a verdade é que eu nem queria também. Simplesmente aceitei seu beijo ardente, e no fundo, sabia que nossa noite estava apenas começando.
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