Segunda-Feira
5 Início de uma nova vida
Notas iniciais
Me disseram uma vez que amizade é feito flor. Ela brota do nada, vai crescendo, se fortalecendo, até criar raízes. E algumas até se forem arrancadas, voltam a crescer de novo.
Talvez, depois daquela segunda-feira mal planejada, eu finalmente tenha entendido aquilo.
Edward foi o primeiro a descer do carro, estava tão animado quanto eu. Soltando o cinto de segurança que prendia meu corpo no banco o vi encarar o pequeno e charmoso restaurante a sua frente.
O levaria em um dos meus restaurantes preferidos: Jeffrey's Grocery, onde eras servidos os melhores frutos do mar.
—Tem certeza que não quer almoçar conosco, Vlad? – os olhos dele estavam mirados em mim através do retrovisor. Um sorriso doce surgiu em sua boca.
—Tenho sim, Petit.
Edward e eu insistimos durante todo o percurso para que Vladimir almoçasse com nós dois, mas ele só soubera recusar o convite.
—Não quero atrapalhar. – completou com uma piscadela atrevida. Rolei os olhos deixando um tapinha em seu ombro.
—Rá, rá! Engraçadinho. – minha voz saiu entrecortada pela ironia, sua risada alta embalou minha saída do carro. Edward veio prontamente em minha direção, segurou minha mão para me ajudar a sair do veículo e então, fechou a porta com cuidado.
Lhe agradeci com um sorriso, recebendo outro em troca.
Nós entramos no restaurante em um silencio agradável, uma das garçonetes nos recebeu com eximia simpatia e então, nos auxiliou até uma das mesas. Era uma das melhores, ficava em frente as grandes janelas de vidro claro e sentados ali, nós podíamos aproveitar a vista gostosa que West Village, nos proporcionava.
Edward pediu o cardápio, educado e charmoso, como sempre.
—Então você adora frutos do mar. – seus olhos se focaram em mim e aquela sensação de estar sozinha com ele se fez presente.
—Apaixonada. – minhas palavras fizeram-no abrir um pouco mais o sorriso.
Edward era tão lindo que eu tinha vontade de eternizá-lo através de uma pintura ou qualquer outra coisa que evidenciasse cada um dos seus traços perfeitos.
—É bom saber disso. – proferiu com uma piscadela e uma segunda intenção gravada na voz rouca. Respirei fundo abaixando momentaneamente a cabeça.
Edward roubava muitas coisas de mim, como meus sorrisos, meu fôlego e até mesmo meus pensamentos.
A garçonete voltou com os cardápios entregando um para cada.
—Me conte, em que mais você é apaixonada? — Edward tirou os olhos do menu e os voltou a mim, sedutores e cativantes me fizeram desejar estar ainda mais próxima.
Inspirei arrumando a postura. Edward queria falar de mim, mas direcionar o assunto a ele me parecia bem mais interessante. Belisquei meu lábio inferior deixando a cautela acalmar minha curiosidade. Era melhor ir por partes.
—Sou apaixonada por publicidade e propaganda. – minha voz brincalhona puxou uma gostosa risada de Edward.
—E o que mais?
Tirei o cabelo do meu rosto pondo-o atrás da orelha, Edward me fitava em silencio aguardando minha resposta. Pensei por longos segundos tentando atrair o máximo de coisas em que eu era apaixonada.
—Bom... Sou apaixonada por dias nublados, chuvosos e cinzentos. – disse com certa timidez, afinal, aquilo não era nem um pouco comum.
—Sério? – Edward pareceu meio surpreso. —E o que te atrai em dias nublados, chuvosos e cinzentos?
Sua pergunta me deixou calada por um bom tempo. Beliscando o interior da minha bochecha com os dentes, pensei, pensei e pensei.
Porque aqueles dias me atraiam?
Talvez eu gostasse de acreditar e ver de um jeito diferente dias e climas que outras pessoas perderam a fé.
—Acho que aprendi a enxergar as cores das pessoas nessa época em que as nuvens fazem motim e passeata o dia inteiro. – lubrifiquei meus lábios com a ponta da língua. —Percebi que existem duas categorias de pessoas, as que acompanham o acinzentamento climático e as ensolaradas, e a gente pode escolher de qual quer fazer parte.
Quando voltei a olhar para Edward encontrei dois olhos indecifráveis, apesar disso, ele sorria com o canto dos lábios. Pigarrei sentindo minhas bochechas ficarem quentes.
—É muita maluquice, eu sei...
—Não é maluquice. – me interrompeu. Sua voz era doce e carinhosa. —Você consegue enxergar o lado bom de coisas ruins, isso é muito raro. A maioria das pessoas ignoram até o que é bom.
A janela aberta deixou entrar uma brisa suave, a brisa que chacoalhou o fios dourados de Edward e trouxeram seu perfume para mim. Inspirei fundo, o cheiro era muito bom! Era o cheiro de vida nova que eu tanto precisava...
Os olhos de Edward, unido ao seu lindo sorriso, mexiam demais comigo. Sua presença me dava a paz que eu precisava, me fazia lembrar da minha infância, onde tudo era tranquilo e brilhante como o céu azul.
—Continue me dizendo em que mais você é apaixonada. – Edward pediu, ele estava realmente interessado e aquilo me deixou mais à vontade.
—Gatos, eu amo gatos. – aquilo era a mais pura verdade, era apaixona pelos felinos. Queria ter um gatinho, mas Jacob era alérgico, e recusara veemente quando pensei em comprar um. —Gosto de coisas simples. – proferi ao perceber que Edward ainda queria uma continuação. —Um bom vinho, uma companhia, uma tarde fria, lareira acesa.... Sabe, coisas assim!
Edward correu a mão por seu cabelos, apoiou os cotovelos na mesa e abriu um sorriso grande.
—Gostei de uma coisa. – comentou puxando seu lábio inferior com dentes. Acho que eu estava perto demais dele, porque aquilo me hipnotizou e me fez imaginar como seria se ele mordesse o meu lábio. Um arrepio subiu por minha coluna.
Pigarrei tirando o cabelo do rosto e o colocando atrás da orelha.
—O que?
—Achei que a primeira coisa que iria dizer quando eu te perguntei fosse “sou apaixonada pelo meu noivo” – erguendo as mãos, ele fez aspas no ar. —E você não o citou em momento algum.
Prendi a respiração repassando cada uma de suas palavras. Podia ouvir as batidas do meu coração, tamanho o silencio que me enfiei. Edward tinha razão, mal lembrei de Jacob.
Meu rosto ficou quente. Ah, eu odiava corar!
A risada de Edward foi alta. Rolei os olhos batendo levemente em seu braço.
—Você fica linda quando cora. – seus dedos afagaram minha bochecha por um segundo.
—Aham. – ironizei. —E não citei meu noivo porque achei que não cabia no sentido da pergunta.
Edward me estudou com as sobrancelhas arqueadas, sabia que ele não havia acreditado muito em mim, mas fiquei grata por não contestar.
Nós mudamos um pouco o foco do assunto para fazer nosso pedidos. Edward foi de lula e eu fiquei no camarão, para acompanhar, pedimos uma boa garrafa de vinho branco.
—Sua vez de me dizer em que é apaixonado. – era tão bom mirar a direção para ele. Queria que Edward me contasse tudo sobre sua vida. Ele sorria com o canto dos lábios enquanto nos servia com o vinho.
—Gosto de coisas simples também.
Sua palavra vazia de detalhes me obrigou a rolar os olhos, observando minha expressão, Edward riu com gosto.
—Não sou tão incrível como você para conseguir gostar de dias nublados. – proferiu e então foi a minha vez de rir. —Mas gosto de viajar, fazer coisas ao ar livre... Ficar com a minha família.
Suas últimas palavras me deixaram pensativa. Peguei a taça de cima da mesa com cuidado, o vinho suave preencheu meu paladar.
—É um moço de família então. – Edward sorriu diante minhas palavras, concordou com a cabeça antes de bebericar seu vinho.
—Digamos que sim. – deixou a taça sobre a mesa para se arrumar na cadeira. —Sou muito apegado aos meus pais e a minha irmã. É a primeira vez que fico realmente longe deles. – sua voz teve uma entonação tristonha.
—Seja sincero, você tem chorado durante a noite, não é? – o provoquei para aliviar um pouco o clima. Edward sorriu soltando um riso baixo.
—Pior que sim, choro todas as noites. – concordou contorcendo o rosto em uma careta triste. —Se você quiser ir me consolar, te passo o endereço. – me lançou uma piscadela.
Bufei tentando ignorar o fato de que minhas bochechas estavam queimando.
—Bobo. – soltei o ar pela boca disfarçando o quanto havia achado tentadora a proposta. Sua risada foi alta e gostosa de ouvir.
A chegada do garçom com nossos pedidos interrompera nosso assunto por um instante. O perfume que os pratos exibiam era delicioso, assim como o sabor.
—Não vamos falar de mim, você é bem mais interessante. – Edward usou o guardanapo de linho para limpar os lábios. Respirei fundo assumindo uma postura desgostosa, porque Edward não podia me falar dele? De sua vida, sua família, seus amigos, seus lances amorosos... Porque ele queria falar de mim?
—Não me acho nem um pouco interessante. – soltei as palavras com o ar que prendia nos pulmões. —Mas vamos lá, o que quer saber?
Os olhos de Edward me estudaram por um tempo relevante. Mentalmente me perguntava se alguém ficava incomodado diante um olhar tão profundo, porque eu, particularmente, adorava ter aquelas safiras voltadas em minha direção.
—Queria perguntar por que não está solteira, mas acho que devemos começar com algo mais leve. – jogou charme com uma piscadela. Contive o riso na garganta, bebericando o vinho branco para disfarçar. —Tem um motorista particular há quanto tempo?
Sabia que aquele fato havia o instigado, mas não esperava por aquela pergunta.
—Tem pouco mais de um ano. – Edward levou um pedaço de sua lula até os lábios, era estranho, mas até o modo que ele comia era charmoso.
Inspirei com força repetindo o mesmo gesto com os meus talheres e provando mais uma vez do delicioso camarão.
—Poderosa.
Ri de sua brincadeira limpando os lábios com o guardanapo.
—Não tem a ver com poder e sim com necessidade. – os olhos de Edward pararam em mim. —Já deve ter percebido como é difícil pegar um taxi aqui, ainda mais nos pontos que eu preciso. – fiz uma breve pausa para tomar um gole do vinho. —Ter um carro é muito prático, mas é claro que é preciso saber dirigir. E eu não sei.
Edward ergueu o tronco estreitando os olhos e me fitando com surpresa. Lubrifiquei meus lábios com a ponta da língua aguardando que ele se pronunciasse.
—Por isso tem um motorista. – completou como se estivesse descobrindo o resultado de uma equação complexa.
Maneei a cabeça em concordância.
—Não tem vontade de aprender a dirigir? – Edward pareceu realmente interessado em algo tão banal. Aquele assunto que era motivo de piadas e brincadeiras para Jacob, pareceu um tanto quanto sério para Edward.
—Tenho mais medo que vontade. – sorri amarelo. —Quando fiz dezesseis anos minha mãe prometeu que me ensinaria, então nós saímos da cidade, achamos uma estrada deserta e ela me colocou a frente do volante. – enquanto falava via as cenas passarem diante meus olhos. —Os primeiros cinco minutos foram gloriosos, até eu perder o controle do carro e bater em uma árvore. – um arrepio passou por mim deixando-me com a boca amarga. —Minha mãe quebrou o braço e eu cortei toda a testa... Fiquei com cicatrizes horrorosas e desde então, nunca mais tentei guiar um carro.
Ainda tinha pesadelos ao lembrar daquele dia trágico, mas o pior, foram as cicatrizes que ele deixara. Os inúmeros tratamentos na pele para “apagar” as deformações que os cortes deixaram foram muito eficazes, mas não retiraram o principal: O trauma que o acidente causara.
—Ainda bem que nada mais grave aconteceu. – sua voz soou sincera e aliviada.
—Sim. – concordei. —O lado bom é que eu aprendi a nunca mais acompanhar minha mãe, ou dar ouvidos a suas maluquices.
Edward riu arrastando os dedos por seu cabelo.
—É sério, minha mãe não é muito certa da cabeça. – a risada de Edward soou mais alta. —Faz cada coisa que até Deus duvida.
—O que por exemplo? – Edward me desafiou parecendo meio incrédulo.
—Já foi presa por desacato, acusada de ter ações terroristas... – os olhos de Edward ficaram estalados. —Ela e uns amigos explodiram uma máquina para roubar bebidas no Brooklyn. — expliquei rapidamente. —Apesar de ser doidinha, minha mãe não faz mal para uma mosca. – rindo com vontade, Edward concordou com a cabeça. Pelo menos ele estava se divertindo.
—Qual o nome dela?
—Renée.
—Renée. – repetiu sorrindo. —Ela deve ser muito divertida e engraçada. – sua observação me deixou pensativa. —Quero conhece-la.
A maioria das pessoas ficava assustada quando eu contava sobre as travessuras de Renée, mas Edward pareceu não se importar.
—Cinco minutos com ela e você nunca mais vai querer me ver. – brinquei recebendo um rolar de olhar.
—Nunca mais querer ver você? Isso é impossível. – seu olhar foi intenso e carinhoso. Edward e sua mania de roubar meus sorrisos.
Maneei a cabeça pigarreando baixo.
—E o seu pai, você não falou dele ainda.
Engoli o caldo com dificuldade.
Pai. Eu não sabia nada sobre ele. Nem seu nome, ou se quer, de onde ele era.
—Não tenho pai. – minha voz soou mais baixa. —Só mãe.
—As duas contra o mundo? – perguntou trazendo boas lembranças a mim. Abri um sorriso concordando com a cabeça.
—Era exatamente isso que Renée me dizia quando eu era pequena. – contei com um suspiro. —Ela saía para trabalhar a noite, mas sempre me colocava para dormir antes. E então dizia: Nós duas contra o mundo.
Ainda podia visualizar a imagem de nós duas. Eu deitada na pequena cama de solteiro, com Renée sentada ao meu lado. Minha mãe sempre fizera com que eu me sentisse amada e especial, com beijos, carinhos, ou simplesmente o olhar terno.
—Ela te criou sozinha?
—Foi. – minha voz exalou todo o orgulho que sentia. —Ela trabalhava dia e noite, não tinha pausa. Tinha dias que a gente nem se via, porque ela simplesmente não parava. – respirei fundo retirando o cabelo do meu rosto. —Sei que ela fez certas coisas que não são bem vistas aos olhos da sociedade, mas mesmo assim eu sinto um orgulho tão grande dela...
—E tem que sentir mesmo. – Edward proferiu assim que me calei. —Ela foi incrível, batalhou por você. – erguendo a cabeça recebi seu olhar terno. —E o que ela fez foi criar uma filha sozinha, diante todas as dificuldades e obstáculos... – Edward respirou fundo, esticou a mão e tocou meu rosto. —Não importa o que a “sociedade” diga sobre ela, o que importa é o que ela representa para você. – abriu um sorriso lindo antes de continuar. —E eu posso ver, através dessas pequenas gotas de chocolate, que ela é o seu mundo.
Ouvir aquilo dele conseguiu deixa-lo ainda mais lindo. Edward não julgou minha mãe ou a recriminou por ter seguido certos caminhos, ele só apontou a parte bonita, a parte heroica e isso me deixara bastante emocionada.
É claro que depois daquela conversa, passei a me sentir ainda mais a vontade diante sua presença e nosso almoço só ficara mais agradável. Mas o relógio não estava a nosso favor e as horas pareceram ainda mais revoltadas passando em uma velocidade agoniante.
Nós voltamos para a empresa com a promessa de repetir aquilo mais vezes e mentalmente, já pensava em abrir meus horários de almoço para ter a companhia de Edward.
Com a campanha para a Durex praticamente encaminhada, a proposta era manter nossa reunião focada no comercial para a Avon. Assim que Ângela e Jéssica, ambas atrasadas, entraram na sala pude dar início ao trabalho.
—Alguma ideia? – perguntei assim que encerrei a apresentação do Briefing. Os rostos vazios e distantes me deixaram preocupada, o tempo estava curto e ainda estávamos na estaca zero. —Gente, Heidi vai surtar se não apresentarmos nada até terça-feira. – minha voz saiu chorosa. Ninguém merecia ouvir os longos sermões de Heidi, ainda mais quando eles vinham banhados de críticas.
Um longo silencio rolou pela sala. Jéssica tamborilava os dedos sobre a mesa, Mike encarava o teto, Erik parecia mais distante que a ponte do Brooklyn, Ângela só sabia inspirar e expirar, Embry fitava as unhas e Edward as mãos cruzadas sobre a mesa.
—Vamos lá galera! – incentivei batendo algumas palmas na vaga tentativa de animá-los. —O público alvo é formado por adolescentes, o comercial tem que ter um ar dramático...
Edward ergueu a cabeça e suas palavras foram a luz no fim do túnel que eu tanto precisava.
—Já sei! – seus olhos azuis, nunca estiveram tão iluminados. —Qual a maior febre entre os adolescentes na atualidade? – sua pergunta não surtiu nenhuma resposta, mas eu estava gostando de sua postura. —Qual o tema mais explorado por Hollywood nos últimos anos? – uma nova onda de silencio ecoou pelas paredes da sala. —Qual é, galera? – perguntou olhando para cada um de nós. —Vampiros.
A palavra escapou por seus lábios feito uma flecha certeira, alcançou o alvo em cheio.
—O perfume se chama Immortal, o que remete claramente aos vampiros. – explicou com um sorriso de orelha a orelha. Edward realmente nascera para fazer aquilo, ele era demais. —Podemos explorar esse mundo... Pegar carona no sucesso que as sagas e séries surtiram. Se criarmos uma campanha que reflita bem esse mundo de fantasia e sedução, tenho certeza que vamos causar delírio em cada adolescente desse mundo.
—Ual! – Jéssica exclamou, a voz tão fascinadas quanto os olhos.
—Amei, amei! – Embry a seguiu batendo palmas. —Olhem, eu posso ser a mocinha em perigo! – ergueu a mão se prontificando ao trabalho. —Se o vampiro for gostosão, é claro.
Não consegui rir da piada de Embry, estava extasiada demais. Edward era melhor coisa que havia acontecido em nossa empresa. Ele trouxera a luz necessária, a luz que iria nos levar cada vez mais longe.
Nossa reunião que antes estava parada e desanimada, foi mais produtiva e feliz do que eu imaginava. Todos estavam tendo ideias, era uma melhor que a outra.
Já conseguia nos avistar no festival de Cannes, recebendo os prêmios e tendo e a glória tão desejada.
—Estou sentindo que nós vamos arrasar com esse comercial. – Ângela vibrou enquanto saltitava pela sala de reuniões rápidas.
—Eu vou além, sinto que vamos ganhar a conta da Avon por definitivo! – as palavras de Mike só serviram para acender ainda mais a todos nós.
—Calma, galera! – Erik pediu arqueando as mãos. —Ainda nem começamos... Temos um longo caminho pela frente.
—Longo e glorioso. – Embry proferiu usando e abusando de seu poder de “diva”. —Já estou ouvindo o sucesso bater na porta.
—Seria demais se ganhássemos a conta da Avon, não é? – ouvi Jéssica perguntar a eles, sua voz estava tão esperançosa e feliz que chegou a me contagiar.
Seria maravilhoso se aquilo acontecesse. Sempre tínhamos que disputar as contas másters com as outras equipes e aquilo era uma tortura, até porque, ali não exista incompetentes;
Recolhendo minhas coisas suspirei diante o silencio que pairou na sala. O fim de semana mal havia chegado e eu já estava com saudades daquela turminha maluca. E de Edward, é claro.
Peguei minha bolsa e as pastas do briefing, assim que me virei, levei um susto ao reparar que havia mais alguém na sala.
Não um alguém qualquer. Ele ainda estava lá. A formiguinha perdida. A luz do fim do túnel. O cara que tinha o dom de roubar meus sorrisos.
Edward me olhou, sorriu, e eu fiquei muda. Muda. Ele e o seu sorriso lindo. Eu e minha falta de palavras. Eu o olhando e ele caminhando. Caminhava em minha direção e sorria.
Parou em minha frente, bem próximo a mim. Foi uma falta de espaço, falta de frases, falta de ar.
—Me deixe te ajudar com isso. – suas mãos quentes cobriram as minhas e cavalheiramente, ele tomou as pastas de mim.
—Obrigada. – minha voz vacilou um pouco. Edward não parava de sorrir e apertava os olhos. Meu coração bateu mais forte. Aquilo estava ficando grave. Muito grave!
Edward deu mais um passo e parou, tudo em volta também. Pareceu um filme. Um filme que eu nem sabia a fala. Mas eu não tinha fala e ele me olhava com seus lindos olhos azuis.
Como se não bastasse, ainda tinha aquele sorriso de canto. Droga. Droga! Ele me hipnotizara, levara embora toda a sanidade que ainda morava dentro de mim.
Respirei fundo quando sua mão tocou meu rosto, após deixar meu cabelo atrás da orelha. Merda. Que merda! Seu toque ficava a cada vez mais quente, mais intenso e envolvente.
Problemas, eu estava com grandes problemas.
—Bella? – a voz diferente fora a agulha que rompera aquela bolha. Edward pareceu tão assustado quanto eu, deu um passo para trás e deixou a mão cair ao lado do corpo. —O que está acontecendo aqui?
Quase enfartei ao olhar para o lado e ver Jacob parado na porta de entrada segurando um buquê de grandes margaridas. O rosto contorcido em raiva, os olhos queimando feito fogo saíam de mim e iam para Edward.
Engoli a seco.
A catástrofe estava prestes a acontecer.
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