Notas iniciais
Oii gente, como prometido, eu voltei o/ Então, vamos ler? Capítulo tá postado e eu espero que gostem! Boa leitura :D

Você passa parte da sua vida apaixonada por um certo alguém. Sua vida gira em torno dessa paixão, desse amor, desse carinho.

Você dedica horas do seu tempo para pensar no que ele está fazendo, com quem está e se está bem. Investiga o que ele gosta, descobre seus gostos, manias e desgostos. A música dele preferida, de repente, se torna a sua também. Aquele livro que ele leu e comentou, de repente, toma um valor especial e você se põe a ler.

Na maioria das vezes, esse certo alguém não faz por merecer. Não entende o que você quer e se entende sai de mansinho. É grosso, possessivo e nem um pouco companheiro. Mas você aceita isso, até porque isso é só fase e fases passam, não é? Claro que passam! Ele só grita com você porque o trabalho o deixa muito estressado. Ele só é possessivo porque sua saia é curta demais. Ele não é companheiro, mas você aceita porque em toda relação tem alguém que “faz” menos.

E você vai levando isso, empurrando com a barriga e repetindo todos os dias em frente ao espelho que está tudo bem, na vaga tentativa de se convencer.

Até que em um dia, talvez em uma segunda-feira com promessa de dia ruim, você esbarra em alguém e com uma ajudinha do destino, do acaso ou de seja lá o que for, esse alguém se torna o seu colega de trabalho.

Ele vem em busca de possibilidades e não faz ideia de quantas está te oferecendo. Uma possibilidade de vida nova, de ser feliz.... Uma possibilidade de amor. Finalmente, poderá encostar sua cabeça no ombro de alguém e contar sobre o seu dia. Finalmente, encontrará um abrigo.

Só que, no meio de tudo isso, o medo aparece. E se as coisas forem iguais? Você pensa. E se você sair de um buraco para entrar em outro ainda maior?

É claro que os dois são bem diferentes, mas você tem medo. Tem muito medo. Tem medo de arriscar e se decepcionar ainda mais. Tem medo que ele não goste do seu jeito, das suas manias, que te critique, assim como o seu atual.

E então você não sabe o que fazer. Você fica ainda mais perdida, adentra ainda mais no escuro...

—Bella, que ser humano maravilhoso é aquele? – maneei a cabeça com a pergunta de Renée. A olhando notei como ela estava encantada, mas quem é que não se encantava com Edward?

Fechei a porta e com passos arrastados caminhei até o sofá. Estava mentalmente exausta.

—Ele é uma graça. – continuou indo até a cozinha e retirando uma cerveja da geladeira. Joguei algumas almofadas no chão para poder deitar no sofá. —Gostei muito dele. – revelou por fim.

—Edward é um amor mesmo. – soltei um suspiro cansado, virando no sofá a encarei por longos segundos. Renée segurava a garrafa a garrafa com uma mão e o celular com outra, seus olhos se revezavam entre os goles e o digitar. —Mãe? – chamei e esperei até que ela me olhasse para continuar a falar. —Acho que eu gosto dele. – minha voz saiu tão baixa que cheguei a duvidar que ela tinha me escutado.

Renée respirou fundo, deixou o celular de lado e então eu passei a ser o centro de sua atenção.

—A gente se beijou hoje. – continuei murmurando, confidenciando a ela um grande segredo. —Ele mexe tanto comigo e o pior é que eu não sei o que fazer. – fechei os olhos por alguns segundos. —Estou completamente perdida.

Ela caminhou em minha direção, sentou no chão ao meu lado e afagou meu cabelo.

—Está perdida entre Edward e Jacob? – seus olhos eram ternos. Quieta apenas concordei com a cabeça. —Posso te dizer uma coisa? – pediu enquanto mexia no meu cabelo.

—Pode.

—Você sempre teve luz própria, desde pequena. Iluminava onde passava com seu jeitinho alegre e sorridente. – um sorriso doce nasceu em seus lábios. —Mas parece que o Jacob te ofusca. Sinto que ele não te faz bem e não estou dizendo isso por não gostar dele, estou falando como sua mãe. – deixou claro, seus dedos faziam uma massagem gostosa no meu coro cabeludo. —Ele te domina de um jeito, que chega a me sufocar. Filha, você faz tudo o que ele quer, aceita todas as vontades dele.... Ouve desaforos e permanece quieta. – engolindo a seco, me mantive calada. —O Jacob te afasta dos seus amigos, te afasta de mim e você concorda. Isso para mim não é um relacionamento saudável.

Puxei o ar pelo nariz e o deixei preso nos pulmões por um bom tempo antes de soltá-lo pela boca.

—Tenho duas teorias: Ou você o ama demais, ou não se ama o suficiente. – sua sinceridade era quase palpável. —Porque para ficar em um relacionamento assim tem que haver muito amor, ou uma falta absurda de amor próprio.

Mordendo meu lábio inferior refleti sobre suas palavras. No fundo sabia que ela tinha razão.

—Não sei qual das duas opções é pior, porque amar um homem assim é horrível, mas não se amar o bastante para pôr fim em um relacionamento tão abusivo é pior ainda.

Girando no sofá encarei o teto de gesso por um longo momento.

—Eu não amo ele. – disse baixo. —Só que eu tenho medo de arriscar e entrar em uma furada ainda maior. – fechei os olhos sentindo os dedos de Renée correr por meu braço. —Tenho medo que não gostem de mim, que não aceitem meus defeitos... Porque o Jacob...

—Não diga que ele goste de você e te aceita. – me cortou com a voz mais firme. —Quem gosta faz por merecer, e me diz, ele faz?

A olhei pelo canto dos olhos negando com a cabeça.

—Tudo o que ele fez foi te deixar insegura, porque ele tem medo de perder uma mulher tão incrível. – respirando fundo, mamãe fez uma pausa. —Como eu disse, ele ofusca sua luz, para que os outros não percebam como você é maravilhosa.

Nós duas caímos em um silencio longo e chato. Não sabia o que dizer, até porque não tinha nada coerente na ponta da língua.

Sabia que meu relacionamento com Jacob era um caos, mas ouvir aquilo da boca de outra pessoa... Todos a minha volta davam indireta, contudo, somente minha mãe fora direta o suficiente.

Eu queria enxergar aquilo, queria abrir os olhos e acordar daquele pesadelo, no entanto, sentia como se estivesse paralisada. Soltei o ar pela boca e voltei a esfregar as mãos no rosto.

—O que eu faço, mãe?

—Recomece, se dê uma chance de ser feliz. – disse suavemente. —Não estou fazendo apologia para você terminar com Jacob e ir ficar com Edward, mas se ele te faz bem, se ele te faz feliz... Arrisque. – virando a cabeça, eu a olhei. —Até porque o cara é muito gostoso, não é? – suas últimas alegações me fizeram rir com vontade.

—É, ele é muito gostoso. – concordei virando o corpo e me apoiando no cotovelo. —Obrigada, mãe. – agradeci a puxando para um abraço. —Eu amo você. – murmurei a apertando um pouco mais.

—Own, minha gatinha. – sua mão afagou meu cabelo. —Eu também amo você. – ela beijou meu rosto antes de se afastar. —Só para deixar claro, sou Team Edward. – erguendo a garrafa de cerveja ela virou um grande gole na boca.

—Boba. – puxei uma das almofadas jogando em sua direção. —E a viajem, como foi?

—Ótima. – respondeu rodopiando na sala. —Foi tão divertido...

E então ela narrou cada parte de sua viagem destacando todas as loucuras, que ela chamava de “aventuras”. Segundo Renée, atravessar as fronteiras e entrar no México lhe causou uma grande dose de adrenalina, e sua Trupe Maluca estava pronta para repetir a dose.

—Tirando o leve probleminha que tivemos com a polícia local, correu tudo bem. – disse com naturalidade, como se ter problemas com a polícia fosse a coisa mais comum do mundo.

—Que tipo de “probleminhas com a polícia”? – eu tinha medo da resposta, mas perguntei mesmo assim.

—Coisa boba... Nada demais. – desconversou indo até a cozinha e deixando a garrafa vazia sobre o balcão.

Rolei os olhos e até pretendia coloca-la contra a parede para que ela me contasse o que havia acontecido, mas o toque do meu celular me impediu de fazer tal coisa.

Puxando minha bolsa, retirei o celular de lá dentro e quando li o nome de Jacob no visor, senti o desanimo crescer dentro de mim.

Com um suspiro cansado, aceitei a ligação.

—Oi Jake.

—Oi linda. – sua voz soou levemente animada. —Meus pais estão na cidade e querem jantar conosco. – fechando os olhos praguejei baixinho. —Passo para te buscar as sete, tudo bem?

Eu queria negar, queria mesmo, mas certamente entraríamos em uma discussão e não queria aquilo.

—Tudo bem. – concordei dando uma rápida olhada no relógio em meu pulso. Ainda tinha boas duas horas para me arrumar.

—Ótimo, nos vemos as sete então. – ele pareceu contente com a minha resposta. —Tenho novidades. – confidenciou. —Beijos.

—Que novi... — o barulho da ligação sendo encerrada me calou. Bufei soltando o ar pela boca. —Tão educado...

—O que o mala queria? – olhei para minha mãe por cima do ombro, sua cara estava contorcida.

—Billy e Laila estão na cidade, vamos jantar com eles. – contei observando seu semblante ficar ainda mais fechado, poderia até rir se o fato não me parecesse tão assombroso também. —Quer vir conosco?

—Deus me livre! – se benzeu fazendo uma cruz no peito. —Sabe que me lembrando desses dois, eu consigo entender o porquê de Jacob ser tão insuportável?

Soltei um riso baixo de suas palavras.

—Vou ir tomar um banho e começar a me arrumar. – avisei pegando minha bolsa e meus sapatos. —Até mais. – Renée acenou para mim antes de se esparrar no sofá, estava no topo da escada quando uma música do Queen começou a tocar.

Renée era super fã deles, tinha pôster, camisetas, autógrafos e até uma foto com Brian May. Aquele fora um dos primeiros desejos dela que eu realizei, a levei até um dos encontros exclusivos que ele fizera com alguns fãs. Renée surtara ainda mais na presença do musico que era bastante simpático.

Vesti o roupão rosa pink após dar uma leve secada em meu corpo com a toalha, essa que passei a usar para secar o cabelo. O silencio imaculado do meu quarto, fora rompido pela lida voz de Adele.

Caminhei até a cama com passos arrastados e desanimados, esperava que fosse Jacob que estava ligando para informar algo sobre o jantar, mas assim que vi o nome de Edward piscar na tela meu coração passou a bater mais forte.

—Alô. – contive o suspiro na garganta, o frio em meu estômago subiu por meu corpo me deixando arrepiada.

—Alô, baixinha. – saldou com a voz leve. —Se eu disser que estou sentindo sua falta, você acredita? – o sorriso cresceu em meu rosto. —O que foi que você fez comigo, hein?

—Não fiz nada... – minha voz vacilou um pouco por conta do suspiro que escapou por minha garganta.

—Fez sim. – alegou soltando um risinho. —Só é linda demais, não é?

Mordi o lábio inferior tapando o rosto com a minha mão livre, permaneci um tempo em silencio, apenas pensando no que dizer, mas Edward roubava toda a coerência que vivia dentro de mim.

—Bobo. – proferi fazendo-o rir novamente. —Minha mãe adorou você. – mudei um pouco o assunto querendo mandar embora aquele corar que se apossou do meu rosto.

—Ah, eu também adorei ela. – ele estava sendo sincero, sua voz deixava aquilo bem claro. —Entendi de onde você herdou tanta beleza e simpatia.

Ele adorava flertar comigo, aquilo era um fato.

—Você e sua mania de me fazer corar e sorrir por tudo. – comentei e som da sua risada me soou muito agradável.

—Só espero que isso te faça bem. – proferiu com a voz mais sóbria.

Se me faz bem? Me fazia muito bem. Mais bem do que ele poderia imaginar. Mais bem do que um dia eu acreditei ser possível.

—Claro que faz. – respondi mais baixo. Edward respirou fundo e o som novamente me encantou, era incrível como até a respiração dele me encantava.

—Que bom, pelo menos estou fazendo com você, o que faz comigo. – fechei os olhos mordicando meu lábio inferior, minhas bochechas já começavam a doer de tanto que o meu sorriso estava grande. —É incrível como minha irmã consegue me atrapalhar, mesmo estando a centenas de quilômetros. – Edward bufou alto, não deixei de rir de suas palavras.

—Não sabia que tinha uma irmã.

—É eu tenho, ainda por cima é mais velha. – algo em sua voz me alertou que ele não gostava de ser mais novo. —Ela não vai me dar paz enquanto eu não ligar para ela. – seu tom saiu meio chateado. —Vou ter que desligar, baixinha.

—Tudo bem. – não consegui conter o desânimo. —Não reclame da sua irmã, eu bem que queria ter uma...

—É só da boca para fora, eu amo ela. – sorri diante ao tom amoroso. —Nos falamos mais tarde, princesa.

—Certo. – concordei apreciando o apelido carinhoso. —Até mais.

—Até, beijos.

—Outros.

Uma onda de suspiros correu por mim e por longos minutos fiquei ali, sentada na cama e sonhando.

Edward era uma graça, como podia estar solteiro?

Nossa conversa não saiu da minha cabeça um minuto se quer enquanto eu me arrumava. Em alguns momentos me peguei suspirando e sorrindo bobamente... Em um dia Edward tinha um pequeno lugar no meu coração e de repente, quando eu fui procurara-lo lá, ele não estava mais. Já tinha se alastrado e dominado o lugar maior, a sala de controle.

O celular vibrou em minha mão no momento que entrei no elevador. Era Jacob que mandara uma mensagem avisando que já estava me esperando lá fora.

Respirei fundo tentando não desanimar diante o que me esperava. Meus sogros não eram as pessoas mais agradáveis do mundo e qualquer dez minutos ao lado deles, se tornavam horas intermináveis.

Maneando a cabeça tentei concentrar minha atenção em outra coisa, meu reflexo na parede espelhada foi a primeira coisa que tomou minha concentração.

O vestido que eu usava era lilás, tinha um discreto decote em canos e mangas curtas. O modelo drapeado delineava minha cintura e parava um pouco a cima dos meus joelhos. Minha bolsa era preta, assim como minhas sandálias Stiletto.

Prendi o cabelo no alto com um coque mais despojado e maquiagem, seguiu com o mesmo tom leve do meu vestido.

—Boa noite. – Jacob me cumprimentou assim que entrei no carro, ele se inclinou e beijou o canto dos meus lábios.

—Boa noite, Jake. – respondi passando o cinto por meu corpo, ele logo acelerou o carro pela rua. —Onde vamos essa noite?

Eleven Madison. – não andamos com o carro nem dois minutos e ele já parara em frente ao restaurante.

—Porque não viemos caminhando? – indaguei assim que ele entregou as chaves para o manobrista.

—Você sabe que eu odeio andar a pé. – sua resposta me fez bufar.

Nós dois entramos no restaurante e logo o Maitre se aproximou, foi educado ao nos desejar boa noite e depois que Jacob informou quem nos aguardava, ele nos acompanhou até a mesa indicada.

Somente de avistar meus sogros já me senti desconfortável. Billy, era chato, exibicionista e um tanto quanto arrogante. Laila era crítica e as vezes até maldosa, soberba e preconceituosa ao extremo.

Quem os olhava e analisava a postura refinada, não conseguia ver como eles eram tão desagradáveis.

Eles se colocaram de pé assim que nos aproximamos, os dois estavam muito elegantes, como sempre. Billy usava um belo terno de cor chumbo, o corte era tão perfeito e caro, quando o do vestido preto de Laila.

Se havia uma coisa que ambos não eram chegados era em troca de carinho, já havia me acostumado com a secura deles, por isso, nem estranhei com o cumprimento frio deles.

—Como você está, Isabella? – Laila manteve seus olhos negros em mim, eles eram tão profundos que tinha medo de encará-los por muito tempo. Ela era uma senhora bonita, tinha a pele achocolata, o cabelo escuro e na altura dos ombros. Os traços, apesar de marcantes, eram bonitos.

—Estou bem e a senhora?

—Bem. – sorriu suavemente. —E sua mãe? – sabia que ela estava sendo educada, Jacob partilhava com os pais a falta de simpatia por Renée.

—Está bem, também.

O garçom se aproximou, com cuidado e competência nos serviu uma boa dose de vinho tinto. Contive a careta, não era chegada em vinhos tintos.

—E então Jacob, a quantas andam sua transferência para Buffalo? – o tom de Billy era tão sério quanto sua postura.

—Quase tudo certo, praticamente. – pelo canto dos olhos o vi se animar. —Vou para lá amanhã, há algumas coisas que precisam ser tratadas pessoalmente.

—Muito bem, muito bem. – seu pai afirmou com a cabeça. —E você Isabella, animada para essa grande mudança?

Eu o encarei por um longo tempo, quieta apenas abria a boca sem saber o que falar. Jacob ia me pagar.

—Ham, eu...

—É claro que ela está. – Jacob me cortou. —Estamos para marcar a data do nosso casamento, queremos nos casar até o fim do ano. – ele segurou minha mão e a beijou.

O desconforto cresceu ainda mais dentro de mim.

—Oh, que maravilha! – Laila exclamou com um sorriso bastante falso. —Só espero que cuide muito bem do meu filho.

—Claro. – tive de forçar o sorriso. —Vou cuidar.

—Nós mulheres temos que valorizar nossos maridos. – continuou incorporando a filósofa. —Temos que segui-los e servi-los, porque esse é o nosso papel.

Tive vontade de tapar os ouvidos diante as besteiras que ela estava falando. Aquilo era tão machista e idiota, que chegou a me dar enjoo.

Tudo o que eu queria era que as horas passassem o mais rápido possível e que eu pudesse voltar para casa... Mas é claro que o relógio não estava a meu favor. As horas, pareciam estar com raiva de mim e praticamente se arrastaram, quase se recusando a passar.

—Então você vai para Buffalo amanhã? – questionei assim que entramos no carro. Jacob assentiu com a cabeça passando o cinto por seu corpo.

—Sim, embarco a uma da tarde.

—E volta quando? – olhando pela janela, fitei a rua movimentada. Nova York nunca parava. Nunca dormia.

—Se tudo der certo na quarta-feira. – não posso negar que saber daquilo me agradou um pouco. —Não vai aprontar nada enquanto eu estiver fora, ouviu?

Rolei os olhos com sua alegação.

—Rá, rá... Sem graça. – bati em seu ombro, Jacob me olhou por um momento assim que estacionou em carro em frente ao meu prédio.

—Estou falando sério. – soltando o cinto, ele se virou para me olhar. —Não quero você perto daquele cara, ou saindo por aí com aquele povo maluco que trabalha com você.

—Jacob! – o cortei. —Por favor, não é?

Ele soltou o ar pela boca, correu a mão por seu rosto e então se aproximou um pouco mais de mim.

—É sério, Bella.

—Ok. – concordei querendo mudar de assunto. —Ok. – um sorriso satisfeito nasceu em sua boca. —Não quer subir?

—Não, tenho que arrumar umas coisas em casa ainda. – explicou antes de se inclinar e beijar o canto da minha boca. —Vou sentir sua falta.

—Eu também. – minha voz vacilou um pouco, mas Jacob pareceu não notar. Deixei um beijo em seu rosto antes de descer do carro, ele acenou para mim antes de acelerar pela avenida.

Assim que o carro de Jacob desapareceu entre os vários outros, senti como se um peso fosse tirado das minhas costas. Mais leve, girei no calcanhar e caminhei para dentro do prédio.

Dentro do elevador, puxei o fone de ouvido de dentro da minha bolsa, ignorando as outra pessoas que estavam ao meu redor. Escolhi uma música da Adele, acionei o aleatório, deixei tocar e fiquei em silêncio, calando até os pensamentos.

Esperei que todas as outras pessoas descessem para que eu pudesse finalmente ir até o meu andar, porém aquela demora não me incomodou, tive tempo de ouvir mais duas músicas até que finalmente cheguei no meu andar.

I'm giving you up... I've forgiven it all...You set me free, oh.... – continuei a cantarolar mesmo após as portas terem sido abertas, e não precisei dar mais que dois passos para notar a presença de mais alguém. Ali, parado no meio do corredor estava ele. Edward.

—Você canta muito bem. – elogiou mantendo o sorriso no rosto.

—Edward? – perguntei debilmente. É claro que era ele. Ele e sua beleza estonteante, realçada por uma camiseta polo verde e calça jeans escura. —O que está...

—Fazendo aqui? – completou minha pergunta dando alguns passos em minha direção. —Resolvi fazer uma visita para a minha nova-yorkina favorita. – deu de ombros com o sorriso mais lindo do mundo desenhado nos lábios.

Foi impossível não retribuí-lo. Fiquei quieta, parada no meu lugar o observando chegar cada vez mais perto. Quando parou, ficou a centímetros de mim, seu perfume invadiu meus pulmões e causou reações por todo o meu corpo.

—Como descobriu onde eu morava?

—Alice. – respondeu simplesmente. Era apenas Edward e eu, nosso silêncio e todas essas coisas acontecendo ao nosso redor, através e apesar de nós. Era Edward, eu, e essa calma. A calma de ter um monte de coisas a dizer, mas não ter pressa nenhuma para contar. A calma que vinha do seu sorriso, que não me apressava, só me abrigava e me dizia que tudo bem, tudo bem não saber o que dizer, tudo bem não conseguir traduzir, definir, enquadrar o que se sente em algum padrão qualquer. Sem nomear emoções, sem estipular prazos, sem prever.

Eu me aproximei com um passo, minhas mãos subiram até o seu rosto e tive de me por nas pontas dos pés para alcançar sua boca. Eu o beijei. Eu tomei a iniciativa. E Edward retribuiu.

E fizemos de conta que o tempo não existia, que não existia a pressa, que lá fora não tinha ninguém. Deixei a calma permanecer. Deixei o depois para mais tarde.... Deixei tudo o que podia dar errado para depois.

E se o depois não chegasse a culpa era nossa, e se chegasse também seria. Culpados por culpados, iria apenas aproveitar. Aproveitar que a gente se esbarrou pela vida, aproveitar o esbarrão. A gente começou assim: com um esbarrão.

Edward abraçou minha cintura e me ergueu um pouco, para que assim pudesse aprofundar ainda mais o nosso beijo. Suspirei sob seus lábios sentindo algo único, intenso e absurdamente verdadeiro... Não dava para explicar, não tinha palavras, mas não era guerra, era paz. Era calma.

Notas finais
Esse Edward... :3 Sem comentário *---* Bom amores, espero que tenham gostado, nos vemos quarta! Fiquem bem, beijões :*