Segunda-Feira

26 A máscara da felicidade


Notas iniciais
Oii meus amores *-* Nossa, quanto tempo! Ando tão sumida por aqui, já não é nem novidade quando eu apareço e peço desculpas e blá, blá, blá... Bom, acho que o melhor a se fazer é seguir para o capítulo né? kkk Bom, espero que gostem, tenham uma boa leitura :D Nos falamos lá em baixo :*

Eu tinha a sensação que estava presa em uma caixa apertada e escura. Quase sem ar. O telefone parecia pesar mais de um quilo e meus dedos, trêmulos, davam sinais de que não aguentariam segurar o aparelho por muito tempo. E minhas pernas queriam seguir o mesmo caminho.

Desde quando respirar e manter o equilíbrio era tão difícil?

Eu não sabia a resposta. Aliás, naquele momento, tudo o que eu tinha consciência era dos batimentos fortes do meu coração, que pulava sem controle dentro do meu peito.

A saliva desceu por minha garganta com muita dificuldade, era como se eu estivesse engolindo pregos.

Aquilo só podia ser um pesadelo. Tinha que ser um pesadelo.

Fechei os olhos e tentando assumir a rédea da situação, respirei com força, obrigando meus pulmões a se abrirem e aceitarem o ar.

Você não pode fraquejar.

A voz de Gwen se fez presente dentro da minha cabeça.

Ou você assume o controle, ou vai ser sempre controlada.

Havia perdido as contas de quantas vezes ela me dissera aquilo.

Reconheça seu medo, olhe para ele corajosamente.

Engolindo a seco, me recostei na prateleira de madeira, que sustentava várias garrafas de vinho.

Coragem não é ausência de medo, mas sim a capacidade de agir a despeito do medo.

Não conseguia parar de repassar os conselhos que Gwen me dera, porque eu sabia, que eram eles que iam me ajudar a enfrentar tudo. E ela tinha razão, eu precisava aprender a lidar com Jacob, precisava impedir que ele me paralisasse, me impedisse de agir, decidir, de ser feliz.

Eu precisava olhá-lo de frente, crescer diante dele, e ele iria adquirir a devida proporção.

Então, com o peito cheio de coragem e força, decidi enfrenta-lo.

—Eu não tenho absolutamente nada para falar com você....

—Você tem. – o ódio que eu destilei em cada sílaba pronunciada, pareceu não afetá-lo em nada. —E é bom que você não desligue. – chegava a ser cômico o jeito que aquela voz me enjoava.

—Não sou obrigada a falar com você. – cuspi as palavras juntamente com o nojo que eu sentia. —E se voltar a me vigiar ou a me ligar, juro que procuro a delegacia.

Sua risada ecoou alto pela ligação. Era incrível, mas eu conseguia odiá-lo mais a cada minuto que passava.

—Procura a delegacia para que?

—Você sabe muito bem. – respondi rápido.

—Oh, Bella, por favor... – ele soou irônico. —Vai dizer que eu estuprei você? É isso? – me mantive quieta, apenas controlando a respiração. —Acha mesmo que alguém vai acreditar em você? – indagou cheio de confiança. —Você não tem prova nenhuma contra mim e além disso, depois que eu contar que você me traiu com seu colega de trabalho, todos vão ter certeza que você não passa de uma cadela...

—Cala a boca! – mandei sentindo a veia pulsar em meu pescoço. —Mantenha distancia de mim, Jacob. Ou eu denuncio você.

Eu estava pronta para desligar, mas o que ele disse, me fez paralisar no lugar.

—Sabe, eu andei pesquisando e descobri que a Valanstain não vê com bons olhos um relacionamento entre dois funcionários. – proferiu com descaso. —Tenho certeza que se a sua chefe ver as fotos que eu tenho, você e aquele ordinário vão fazer parte do grande grupo de desempregados. – Jacob soltou um risinho sarcástico diante do meu silencio. —E até onde eu sei, seu namoradinho precisa muito do emprego.

—Você está blefando. – eu sabia que ele não estava, mas aquilo foi a única coisa que saiu por minha boca.

—Não estou. – foi firme. —Basta ter uma boa quantia e um bom detetive... Pronto! A gente descobre tudo sobre qualquer pessoa. – sua risada escrota voltou a se fazer presente. —Pelo o que eu fiquei sabendo, Edward é filho adotivo de pais endividados, donos de postos de gasolina que estão beirando a falência. – narrou com desprezo. —A mãe está aparentemente curada de um câncer, mas ainda precisa se tratar com remédios caríssimos e nem com a ajuda da filha mais velha, que também foi adotada, eles conseguem comprar tudo. – completou asquerosamente. —Então, Edward se mudou para Nova York, para poder ajudar os pais.

Toda aquela coragem que havia crescido dentro de mim, evaporou rapidamente. Aquilo estava tomando outro rumo. Eu já não era a única envolvida, agora, Edward e toda a sua família também haviam caído nas mãos sujas de Jacob. E eu sentia um medo absurdo só de pensar no que ele podia fazer.

—Dá um ótimo roteiro para novela mexicana, não acha? Ainda mais se levarmos em conta, o grande fato de que ele é irmão biológico de Alice. – Jacob voltou a falar e eu podia sentir o quanto ele estava se divertindo com aquela situação. —Depois que descobri sobre a mãe, entendi o motivo por eles serem tão insuportáveis, afinal, uma mulher como aquela não ia colocar dois seres descentes no mundo.

—Escuta aqui, você precisa lavar a sua boca com muita soda para falar deles. – o interrompi, sentindo uma vontade enorme de esmurra-lo. —Você nunca vai ser um décimo do que eles são. Nem que você nasça de novo. – continuei, com os dentes cerrados. —Você, Jacob, não passa de um verme. Não pode nem ser considerado um ser humano...

—É bom você medir as palavras, vadiazinha. – me cortou, demonstrando irritação. —Ou sua chefe maluca vai ter consciência do que está acontecendo, e você não quer que Edward perca o emprego, ou quer?

O desespero cresceu rápido em mim, quando me vi de mãos atadas. Tinha consciência de que Jacob era capaz de fazer aquilo e pior ainda, sabia que meu namoro com Edward era um motivo forte para sermos demitidos por justa causa.

Se ele fosse demitido, não ia conseguir ajudar seus pais, ia se afastar de Alice... Eu estava nas mãos daquele monstro e não podia fazer nada.

—O que você quer de mim? – mesmo temendo a resposta, perguntei.

—Quero me encontrar com você, para que possamos negociar. – foi claro e direto.

Caminhando sem rumo pela adega, apenas o escutei. Minhas mãos nervosas se infiltraram dentro do meu cabelo, remexendo-o com nervosismo e ansiedade.

—Só você e eu. Mais ninguém. – completou, para o meu total pânico. —E se você levar alguém, ou por acaso não aparecer, todo o relatório que o detetive me entregou vai chegar até Heidi e você sabe o que vai acontecer.

Engoli a seco, sentindo o mal estar crescer dentro de mim.

—Tudo bem. – concordei sem saída. —Eu me encontro com você. – tomei ar pela boca. —Quando e onde?

—Amanhã. O horário e o local, eu aviso. – me mantive calada. —E é bom que você vá, porque eu não estou brincando.

Ele não me deu chance para responde-lo, simplesmente encerrou a ligação. Um zunido forte preencheu meus ouvidos, minha vista ficou turva e tive de voltar a me apoiar para não cair ali, naquela adega sufocante.

A verdade é que eu queria gritar. Gritar até tudo aquilo desaparecer, para todo aquele tormento acabar.

O que eu tinha feito com a minha vida? Como eu nunca havia enxergado aquela face monstruosa em Jacob?

Perdida, deixei que meu braço caísse ao lado do meu corpo. O pior de tudo, é que agora, haviam outras pessoas envolvidas.

Se Heidi soubesse sobre Edward e eu, nós certamente seríamos demitidos, porque além de colegas de trabalho, eu ainda era a chefe dele, o que complicava ainda mais a situação. Aquilo ia agir em um efeito dominó. Nós seríamos demitidos, Edward não ia ter como ajudar seus pais, o tratamento de Esme ficaria comprometido, sem contar que ele se afastaria de Alice.

Tudo por minha causa.

E eu não podia deixar aquilo acontecer com as pessoas que eu amava.

Sair daquela adega exigiu um grande preparo psicológico, porque nenhum dos três podia perceber o que estava acontecendo.

Colocar um sorriso falso no rosto e fingir estar bem era fácil, mas aquilo causava uma dor inexplicável, porque, reprimir aquele tsunami de sentimentos ruins, segurando cada um deles dentro de mim, sem ceder ou despencar, era uma tortura.

Alice e Edward ainda conversavam entrosados quando retornei para a sala, e Rosalie, apenas fitava os dois com um sorriso deslumbrado. Todos centrados em algo muito maior do que o turbilhão de coisas que passava por minha cabeça.

A sensação de estar presa em uma caixa escura e apertada, me deixava sufocada. A verdade é que eu estava desnorteada, olhando para tudo que é lado e mesmo assim, não conseguia encontrar uma saída.

Passar a noite em claro, afogada em tanto pensamento e sentimento ruim, resultou em uma dor de cabeça insuportável pela manhã. Mas de novo, a pior parte, foi fingir que estava tudo bem.

—Onde você vai tão cedo? – a voz de Edward soou curiosa, erguendo os olhos do café que eu vi esfriar na xícara branca, intercalei-os entre os dois.

Um sorriso ameaçou surgir em minha boca, quando encarei meu namorado. Era incrível como ele conseguia ficar a cada dia mais lindo. A camisa preta de manga longa deixava o tom de verde jade do colete esportivo se destacar, mas nada, nem o cabelo loiro brilhoso, conseguia chamar mais atenção que aqueles olhos azuis.

—Dar uma volta por aí. – Rosalie desconversou, a olhei a tempo de vê-la dando de ombros. Ela estava excepcionalmente linda aquela manhã, com o cabelo preso em um rabo de cavalo alto, uma maquiagem bem feita e um belo conjunto de couro em tom nude. —Acho que vou pegar carona com vocês, depois tomo um taxi. – completou mordendo a torrada crocante coberta com geleia de morango.

—Porque não usa meu carro? Vou ir trabalhar com a Bella e depois podemos nos encontrar para almoçar juntos. – Edward deu a ideia, antes de limpar os lábios com o guardanapo.

—Sério? – ela perguntou lubrificando os lábios com a língua. Edward apenas afirmou com a cabeça. —Ok, vou adorar almoçar com vocês.

Entreabrindo os lábios, tomei fôlego junto com o gole de café. A temperatura fria me obrigou a fechar o semblante em uma careta.

—Vladmir chegou. – informei a Edward, após verificar a mensagem em meu celular. —Vamos? – o chamei, me levantando da mesa com cuidado. Ele rapidamente me acompanhou, terminando de beber o suco de laranja em pé. Exibindo um sorriso fraco, acenei para Rosalie que me lançou um beijo no ar. Edward beijou a testa da irmã, antes de pegar suas pastas e segurar minha mão.

Seus dedos se entrelaçaram aos meus e uma sensação de conforto aqueceu todo o meu corpo. Por alguns segundos, tive a certeza de que tudo ficaria bem.

—Amor? – Edward chamou antes de sairmos pela porta.

Ergui os olhos até os seus, fazendo um esforço sobre-humano para não deixar transparecer que eu estava desmoronando.

—Você está bem? – sua pergunta me fez engolir seco. Então precisei respirar fundo e vestir a máscara da felicidade.

—Sim, estou sim. – concordei soando mais natural do que previ. —Porque?

—Está quietinha. – seus olhos eram analíticos, mas mantive meu “papel” muito bem. —Aconteceu alguma coisa?

—Não. – neguei afagando seu rosto. —Não aconteceu nada, só estou com um pouco de dor de cabeça. – dizer aquilo foi fácil demais, até porque não era uma mentira absoluta.

—Hum. – ele passou o polegar por meu queixo, antes de beijar minha testa. —Quer um remédio? Tenho umas cápsulas ótimas...

—Não precisa amor, já tomei meu remédio para enxaqueca. – esticando os pés, beijei seu queixo antes de lhe dar um rápido selinho. —Vamos? Já estamos atrasados.

Com um aceno de cabeça, ele concordou.

—Bella. – Edward chamou, voltando a impedir que eu saísse pela porta.

—Sim?

—Eu amo você. – proferiu baixo e seus olhos me deram toda a certeza que eu precisava. Aquilo me fez ofegar e vacilar um pouco. Olhando-o fixamente, senti as palavras chegarem na ponta da minha língua e então, me senti preparada para lhe contar toda a verdade.

—Edward eu... – o medo soou alto dentro da minha cabeça e me fez parar.

Não, eu não podia contar, porque se o fizesse, ele certamente iria confrontar Jacob e aquilo não ia adiantar de nada.

—Você o que? – intrigado, ele questionou.

Maneando a cabeça, voltei a olhá-lo. O sorriso voltou a aparecer em minha boca.

—Eu também amo você. – completei, passando o braço livre por seu pescoço e unindo minha boca na sua. Sua língua recebeu a minha com cortesia, afagando-a daquele jeito que somente ele sabia fazer. Me aconcheguei dentro do seu abraço, sentindo a rigidez de seu peito, e aproveitando todo o conforto e segurança que ambos me transmitiam.

Ali, emaranhada no seu beijo, com o corpo colado no seu, senti que se eu o tivesse perto de mim, nada, nem ninguém, ia conseguir me ferir.

Edward e Vladmir conversaram animados durante todo o trajeto até o Empire State. Chegava a ser difícil de acompanha-los porque eles pulavam de um assunto para o outro, com a mesma rapidez que uma criança pulava amarelinha.

Mas a verdade é que estava difícil de acompanhar tudo. As conversas, as ideias... Era como se todas as pessoas ao meu redor estivessem trabalhando no modo rápido e eu em câmera lenta. Sem perspectiva, sem ânimo, apenas preocupada e angustiada.

—Bella. – duas batidas na porta me sugaram do transe que eu havia entrado. Maneando a cabeça, ergui os olhos até a porta, onde Embry estava parado. —Posso entrar?

—Claro. – lhe lancei um sorriso leve, arrumando meu corpo na cadeira enquanto o via se aproximar.

—Heidi pediu para você reavaliar essa produção gráfica, porque Jéssica não é “tão confiável”. — fez aspas com os dedos após me entregar o material.

—Mas porquê? Já está tudo certo e além do mais, Jéssica sempre cuida dessa parte. E ela sempre arrasa.

—Eu disse isso a ela, mas você a conhece tão bem quanto eu. – Embry bufou. —Ela só tem certeza que está bom, quando você está tomando conta...

Rolando os olhos, soltei o ar pela boca. Meu dia só melhorava.

—Embry, eu tenho uma pilha de briefings para analisar, não posso tomar conta disso. – ele encolheu os ombros, deixando claro que não tinha a menor culpa por aquilo estar acontecendo. —Tem horas que eu preciso contar até mil, caso o contrário eu a mando para o inferno.

—Uow... – Embry soltou, puxando a poltrona e se sentando a minha frente. —Baby, você não me parece muito bem hoje...

—E eu não estou mesmo. – confessei, cobrindo o rosto com as mãos. —Estou tão estressada, tão sobrecarregada... É muita pressão, entende? Não sei se consigo lidar. – minha voz vacilou um pouco, me obrigando a pigarrear.

Embry respirou fundo, esticou a mão até que a mesma alcançasse meu braço. Seus dedos afagaram minha pele na vaga tentativa de me passar algum conforto.

—Hey, não fique assim. – ele murmurou com carinho. —Sei que não é fácil, acredite, também fico assim as vezes. – apoiando o queixo na mão, o observei. —Mas você é capaz de passar por isso. Todos nós aqui sabemos da sua competência, da sua capacidade... Bella, Heidi só deixa tudo isso nas suas mãos, porque ela confia em você. – um sorriso doce estampou sua boca por um momento curto. —E ter a confiança daquela maluca, não é algo simples.

Mordendo meu lábio inferior, tomei fôlego, sentindo o ar entrar e passar por meus pulmões e pouco tempo depois, sair por minha boca.

—Mas eu estou cansada, Embry. – minha voz saiu mais baixa. —Cansada de ter tudo isso nas minhas costas, de não conseguir me livrar desse peso... – naquele momento, eu já não me referia mais a Heidi e Embry, pareceu notar.

—Bella, está acontecendo mais alguma coisa? – seu olhar ficou mais sério, contudo sua voz permaneceu terna.

—Anda acontecendo tanta coisa... – soltei o ar pela boca, meus olhos começavam a arder, dando sinal de que o choro estava se aproximando.

—O que, por exemplo? – perguntou nitidamente preocupado. —Baby, nós somos amigos, eu adoro você... Sabe que pode se abrir comigo, não sabe?

Uma piscadela rápida foi o suficiente para liberar as duas lágrimas grossas que estavam retidas em meus olhos. Elas escorreram silenciosas por meu rosto, enquanto eu acenava com a cabeça em concordância a pergunta feita por Embry.

—Então me fale, o que está acontecendo com você? – pediu me olhando atentamente.

Um nó sufocante apertou minha garganta, talvez provocado pelas palavras que queriam sair, mas simplesmente, não saíam.

O toque alto do telefone, me fez saltar na cadeira e então meu coração disparou no peito. E se fosse ele? Como eu ia falar com ele na frente de Embry?

Ergui o corpo da mesa e fitei o aparelho com se fosse algum bicho peçonhento.

—Não vai atender? – Embry perguntou meio desconfiado.

—Vou. – confirmei meio sem jeito. Minha mão tremulou um pouco e então, com o coração na mão aceitei a ligação. —Alô. – murmurei após pigarrear.

Os segundos de silencio que iniciação a ligação foi um tormento. Um zunido preencheu meus ouvidos e meu coração passou a bater com força, como se estivesse se esforçando ao máximo para bombear o sangue do meu corpo. E em meio a toda a essa loucura, ainda precisei disfarçar meu medo para que Embry não desconfiasse ainda mais.

—Bella. – o ar ficou escasso quando meus temores se confirmaram. —Sou eu.

—Pode falar. – minha voz saiu estanha, resultado do esforço que fiz para evitar a ânsia e parecer natural. —Estou ouvindo.

—Estou lhe esperando no Bistrô Gateou no Brooklyn. – avisou seco, frio, obscuro.

—Certo.

—É bom que não demore. – ele não esperou que eu respondesse para desligar, simplesmente bateu o telefona na minha cara.

Maneando a cabeça corri a mão por meu rosto limpando o traço húmido que a lágrima deixou em minha bochecha.

—Algo errado? – indagou analítico.

—Não. – neguei rápido. —Porque?

—Você está pálida. – observou com os olhos cerrados.

—Enxaqueca. – proferi meio sem jeito, deixando o celular sobre a mesa. Fungando, me coloquei de pé, meus dedos deslizaram pelo tecido da minha blusa buscando qualquer alisar qualquer ruga que houvesse surgido. —Vou sair para almoçar mais cedo, Renée quer me encontrar...

—Bella, quero continuar a conversar com você, ok? – ele segurou delicadamente em meu braço, parando a transição mecânica que eu havia incorporado por minha sala enquanto recolhia minhas coisas.

—Ok. – concordei sorrindo sem vontade.

Embry respirou fundo e beijou minha cabeça antes de permitir que eu me afastasse e saísse da minha sala.

Eu não sabia direito o que estava fazendo, mas sabia muito bem que aquilo não ia acabar muito bem. Dentro do elevador cheio de gente, recostei na parede fria, estava cansada. Esgotada para ser mais exata. Parecia que qualquer atividade exigia de mim um esforço acrescido, como se cada movimento meu fosse feito em areia movediça.

A bagunça e agitação da quinta avenida, que antes me parecia desafiadora, agora só me causava mais estresse. Me certifiquei de que Vladimir não estava por ali, para poder chamar um taxi. Não ia ser idiota o suficiente para deixar que ele me levasse até Jacob.

Pegar um taxi foi mais fácil do que eu pensei. Sorte a minha. Ri com ironia e certo desgosto, após passar o endereço para o moço de sorriso largo.

Recostei a cabeça no vidro da janela e deixei que eu me afundasse naquele oceano de dor emocional. Era uma dor intensa, que não podia ser identificada em qualquer parte particular do corpo. Me sentia fragmentada emocionalmente. Distante dos outros, como se eu vivesse isolada. Incompreendida.

Queria me abrir com alguém, mas aposto que ninguém ia me entender. Iam fazer perguntas e as minhas respostas nunca iam ser suficientes. E tudo isso só ia resultar em mais pressão.

—Chegamos.

Eu não queria descer. Não queria mesmo. E meu subconsciente gritava, suplicava para que eu mandasse o cara acelerar e me tirar dali. No entanto, eu não podia fazer aquilo, porque as consequências não iam cair só sobre mim.

Minhas pernas tremeram quando sai do taxi, mas aquilo não era algo exclusivo delas, porque todo o meu corpo tremia. Era claro meu nervoso e descontrole. Meu coração batia rápido demais e me obrigava a respirar mais fundo.

—Posso ajuda-la? – o maitre me recebeu com educação e gentileza, assim que subi os degraus de pedra branca e passei pelas portas de vidro.

—Eu vim... Encontrar uma pessoa. – gaguejei sentindo o nervoso crescer dentro de mim. —Jacob Black. – completei com um asco inexplicável.

—Senhorita Swan? – ele indagou após verificar na fixa em suas mãos. Com a cabeça, concordei. —Pode me acompanhar, é por aqui.

Ele me guiou pela entrada do restaurante, passamos pelo corredor entre as mesas e a cada passo que eu dava, mas eu me rasgava por dentro. Nós subimos alguns degraus e então chegamos a um lugar mais reservado.

Senti meu coração parar por um segundo quando percebi que a única mesa ocupada, era a aquele ele estava.

Fazia tempo que eu não via e sinceramente, não senti um pingo de saudade. Jacob estava do mesmo jeito. O cabelo negro penteado para o lado, os olhos pretos ainda mais obscuros, a pele no mesmo tom de castanho claro... Estava idêntico. A diferença estava em mim, porque quem mudou ali, fora só eu. Só a minha vida. E aquilo não era nem um pouco justo.

—Como vai? – ele perguntou assim que eu me aproximei.

—Não finja que se importa. – respondi puxando a cadeira e me sentando. Eu sabia que nutrir um sentimento tão ruim quanto o que eu nutria por Jacob não fazia bem, contudo não conseguia deixar de odiá-lo. —E vá direto ao ponto, por favor.

—Nossa, porque tanta pressa? – se fez de desentendido.

Abaixei o olhar e fitei cada um dos seis talheres dispostos a minha frente. Eu queria encontrar o mais afiado e passar por toda aquela cara cínica, até não restar um pedacinho de pele para contar história.

—Ficar perto de você me faz mal, então por favor, ande logo. – minha voz saiu trincada. —O que você quer de mim? Porque não me deixa em paz?

Jacob me encarou por um longo momento, bebericou o vinho tinto e então sorriu escarno.

—Adoro vinho seco... Beba um pouco... – desconversou colocando com cuidado um pouco de vinho na taça cristalina.

—Jacob. – precisei respirar fundo para manter a calma. —Pare e enrolar e fale logo...

—O que eu quero de você. – completou rolando os olhos. —É muito simples. Quero que se afaste daquele bostinha que tirou você de mim, que volte comigo e que pare de agir feito uma imbecil.

Soltei o ar pela boca, rindo com deboche de suas palavras.

—Acha que estou brincando?

—Não sei. – dei de ombros. —Pode até não estar. Não me importo. – deixei claro. —Até porque eu não vou fazer isso.

—Você vai. – ele me cortou com um sorriso maldoso. —Você vai sim, Bella. – reafirmou. —Vai sair daqui e vai terminar com o Edward, depois vamos reatar nosso noivado e dar seguimento a cada um dos planos que nós tínhamos antes dele aparecer na sua vida. – seus olhos assumiram um brilho perverso. —Caso o contrário, sua chefe vai ficar sabendo de tudo que aconteceu.

Minha boca ficou seca e a pulsação do meu corpo aumentou ainda mais. Senti minha vista ficar turva e sabia que estava prestes a ceder a tudo aquilo. Contudo, não podia fraquejar assim.

—Pois conte a ela, Jacob. – unindo o ultimo resquício de força que existia em mim, o confrontei. —Conte tudo a ela. Publique no New York Times, faça o que quiser, eu não estou nem aí. – mantive minha voz firme. —Perco o emprego, perco tudo, mas não vou me afastar do homem que eu amo e pior ainda, voltar a me relacionar com um monstro feito você.

Os olhos de Jacob reluziram uma raiva latente. Se nós não estivéssemos em um local público, provavelmente eu teria me amedrontado, mas sabia que covarde como era, Jacob jamais ia me machucar ali no restaurante.

Ele não disse uma palavra se quer, apenas se remexeu na cadeira até conseguir retirar a carteira do bolso. Quieta, apenas o observei.

—Acho que isso vai te fazer repensar. – e então, ele estendeu uma carteirinha plastificada em minha direção.

—O que é isso?

—Veja você mesmo. – seu sorriso foi um tanto quanto cruel.

Com os dedos suados e trêmulos, peguei a carteirinha de sua mão. Não precisei olhá-la por muito tempo para identificar do que se tratava.

Engoli a seco, um calafrio correu por minha coluna e tudo assumiu um tom ainda mais escuro.

—O que... O que isso significa? – indaguei debilmente.

—Você sabe. – Jacob soou firme. —Mas já que quer que eu diga. – pigarreou arrumando a gravata no pescoço com os dedos. —Essa é a minha licença para porte de armas de fogo, saiu recentemente. – proferiu com um descaso fora do comum.

—Você é doente. – sussurrei petrificada na cadeira. —Completamente doente...

—Doente por você. – falou em tom raivoso. —E eu não vou aceitar te perder assim, ainda mais para um zé ninguém como aquele lá. – sua postura era como a de um leão bravo. —Estou falando sério, Bella, se você não ficar comigo, também não vai ficar com ele. – engoli seco sentindo o peso da sua ameaça. —Você decide. – completou. —O que vai ser?

Notas finais
Eita, eita, eita haha Lindas, seguinte, sei que o rumo que a fic está tomando não é o preferido da maioria, até porque, quem gosta de ver o nosso Edward e a nossa Bella separados? Ninguém. Mas é que o caso exige isso, e bom, é o meu planejamento desde o inicio. Uma coisa que todas vocês querem: Edward acertando as contas com Jacob. O tão esperado confronto entre Edward e Jacob vai acontecer sim e logo, logo, Alice também vai saber de toda a verdade. Fim de fic é assim né, um turbilhão de emoções haha É isso lindas, nos vemos logo :D Espero que tenham gostado, beijões :*