Seguindo em Frente
15 O Preconceito – Arizona Robbins
Meu sétimo mês de gravidez não está sendo nada fácil nosso bebê tem escolhido para ficar nas posições mais incomodas possíveis e anda cada dia mais agitado, tem noites que não encontro uma posição confortável para dormir e tem dias que nem mesmo Callie consegue me ajudar e parece que tudo resolveu acontecer nesse período, Lauren voltando das cinzas para me assombrar confesso que quando Callie me disse que ela estaria no hospital novamente achei que tudo desandaria, que voltaríamos as conversas da terapia as inseguranças e as acusações, mas graças a Deus conseguimos passar por mais essa provação. Callie agiu de forma bastante profissional e adulta nessa situação mesmo sabendo o quanto isso lhe custou, o importante é que conseguimos e acredito que esse circulo Lauren e traição se fechou para sempre, estava orgulhosa de nós, seguimos em frente.
Outro episódio que nos marcou nesse período foi o garoto, Dylan Taylor, na verdade seu avô Robert Taylor.
Owen Hunt tinha servido no Iraque com o General Robert Taylor, em uma manhã fomos chamadas, eu e Callie para uma consulta em seu neto Dylan de 14 anos, ele sentia dores horríveis devido a um tumor agressivo na colina que se agravava a cada dia mais, a quimioterapia não havia surtido efeito, quando o General ligou para Hunt a procura de uma solução ele lhe sugeriu trazê-lo até o Grey-Sloan Memorial para uma consulta com Callie, ela me pediu para acompanha-la na consulta como pediatra responsável.
Então entramos no quarto eu, Callie, Hunt e Dawson o residente e sombra de Callie. Hunt se adiantou cumprimentando o General e nos apresentando.
– Bom dia General Taylor, é um prazer revê-lo uma pena ser nessas condições. Essas são Dra. Torres cirurgiã ortopédica, Dra. Robbins a cirurgiã pediátrica e seu assistente Dr. Dawson.
– Bom dia Major Hunt, e bom dia Dra. Torres, Dra. Robbins e Dr. Dawson. Esses são Dylan meu neto e Carolyne minha nora, meu filho está servindo no Iraque, então estou cuidando deles.
Nos cumprimentamos e Callie passou para o exame.
– Bom Dylan você vai sentir isso um pouco frio, mas preciso que respire e inspire e porfavor me diga quando sente dor.
– Eu sinto dores a todo momento Dra. até quando respiro.
– Preciso que se deite de lado que vou apertar em alguns lugares.
– Sim.
– Me diga quando dói.
– Dói agora e agora em todo momento.
A mãe do garoto ouvia tudo em silêncio, fiquei um pouco incomodada com aquela atitude geralmente as mães eram falantes, faziam perguntas e contavam coisas sobre as crianças, esta mãe era calada seu olhar estava atento as palavras e gestos de Callie.
Callie terminou de examiná-lo e se pôs a falar.
– Bem eu recebi os exames anteriores do Dylan, mas gostaria de fazer outro um pouco mais profundo, com imagens mais nítidas e recentes.
– Dra. já passamos por tantos médicos e exames até aqui, você pode nos ajudar? Ajudar meu filho?
Pela primeira vez ouvimos a voz da mãe de Dylan que se pronunciou em um apelo ao filho.
– Sra. Taylor pelo prontuário do Dylan ele já passou por muito até aqui, eu preciso ter uma visão melhor do que estou lidando, mas vou fazer de tudo que estiver ao meu alcance para ajuda-los.
– Obrigado Dra.
– Dawson leve Dylan para um TC e me chame quando estiverem prontos e administre esse medicamento vai ajudar a aliviar as dores um pouco até que possamos fazer algo.
Antes de Callie se afastar da cama de Dylan ele agarrou o seu jaleco.
– Dra. por favor, mesmo que eu fique pelo resto da vida em uma cadeira de rodas, tire isso de mim, eu não suporto mais essa dor, se você não pode fazer nada por favor me dê algo que possa me matar logo e sem dor.
Vi Callie pegando nas mãos do garoto a fim de confortá-lo eu adorava isso nela, foi essas atitudes que me fez mudar de idéia quanto a ter filhos, Callie era ótima com crianças.
– Dylan, não se preocupe nós vamos nos preocupar por você e acredite vamos fazer tudo que podermos para te ajudar.
– Obrigado Dra.
O avô do garoto nos fez mais algumas perguntas e saímos, estávamos seguindo para o elevador quando senti uma dor nas costelas.
– Ai. – saiu um pouco mais alto que previ.
– O que foi?
– O seu filho, está dormindo em minhas costelas hoje, porque ele não pode se encaixar em um lugar mais confortável, onde não esteja amassando um dos meus órgãos ou tentando quebrar minhas costelas?
– O meu filho? Parece ter certeza ser um menino hoje.
– É que ele chuta tanto que só posso pensar em um jogador de futebol.
– Pode ser uma menina que goste de futebol.
– É pode.
Entramos no elevador e Callie passou a mão pela minha barriga em instantes ele parou de chutar e parecia adormecer, o restante do dia foi bem agitado, nossos dias sempre eram agitados. Depois de sair da minha cirurgia fui até o laboratório de exames a procura da minha esposa.
– Hey, dei-lhe um beijo na face.
– Os exames de Dylan?
– Isso, tá vendo o tumor aqui? Então a dor vem porque ele está comprimindo esses nervos, mas o bom é que parece não tê-los comprometido, o que nos dá uma chance de salvar seus movimentos. Só saberemos depois que abrir, você vai me ajudar?
– Sim vou é claro, você consegue tirar tudo?
– Acho que sim, vou fazer o meu melhor.
Passei a mão pela minha barriga em desconforto e fiz uma careta.
– O que foi, o bebê ainda está em suas costelas?
– Completamente agora e ainda chuta.
– Vamos ver se conseguimos fazê-lo mudar de ideia.
Callie se abaixou e começou a falar com minha barriga, isso sempre me causava risos.
– Hey bebê é mama falando, dá pra você mudar de posição, mamãe está se sentindo desconfortável e já que você ainda tem mais dois meses para ficar ai é bom não irritá-la.
– Continue.
– Está funcionando?
– Só continue Callie.
– Hey bebê nós te amamos muito, e mal posso esperar para ver sua carinha e seu sorriso de covinhas, mama está ansiosa, mas precisa se comportar e encontrar um lugar mais confortável pra dormir, mamãe é cirurgiã e salva bebês e tem muitos aqui para ela cuidar até que você possa sair dai.
Callie continuou falando enquanto o bebê se movia era incrível como ele se acalmava e se movimentava ao som de sua voz, quando fomos interrompidas por um barulho na porta, Callie se levantou instantaneamente se recompondo.
– Sr. Taylor posso ajuda-lo? Perguntei.
Ele nos olhou um pouco desconfortável e interrogativo.
– Desculpem é que vocês estão demorando e estamos ansiosos pelo seu diagnóstico Dra. Torres, a enfermeira disse que a encontraria aqui.
– Eu já tenho os resultados Sr. Taylor e vou estar com sua família em alguns minutos.
Chegamos ao quarto do Dylan com os resultados o General nos olhava meio atravessado, enquanto Callie explicava como ocorreria a cirurgia. Quando ela terminou a mãe de Dylan se levantou e nos disse.
– Dra. Torres você tem filhos? Porque vejo que Dra. Robbins está esperando um bebê e você tem filhos?
– Sim tenho uma menina e um bebê a caminho.
– Então você entende o que vou lhe falar, Dylan é meu único filho ele é tudo o que eu tenho nessa vida o pai dele está no Iraque e somos apenas eu e ele, por favor não deixe meu filho morrer na sua mesa de cirurgia, salve a sua vida.
– Sra. Taylor vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para ajudar o Dylan.
A cirurgia foi marcada para o dia seguinte às nove da manhã, saímos do quarto de Dylan e seguimos com nossos outros compromissos.
No final do nosso turno Callie pegou Sofia na creche enquanto a esperava no carro, estava em pé na porta do motorista quando ela chegou e Sofia se jogou em meus braços como sempre fazia, Callie me apoiou para que eu não caísse, abracei minha filha e minha esposa me beijou nos lábios e passou a mão pela minha barriga, antes de abrir a porta para colocar nossa filha no banco de trás. Dei a volta no carro entrei e sentei no banco do carona, quando estávamos juntas na maioria das vezes ela dirigia então entrou e me puxou para mais um beijo, isso era normal entre nós.
Não percebemos em nenhum momento que estávamos sendo observadas.
Na manhã seguinte quando chegamos ao hospital depois de levar Sofia até a creche, estávamos na sala dos atendentes terminando de nos arrumar, Hunt nos procurou.
– Temos um problema.
– Bom dia pra você também Chefe Hunt, o que pode ser o problema hoje? Perguntei
– General Robert Taylor, não quer que vocês façam a cirurgia no Dylan, porque descobriu que vocês duas são um casal.
– Então tenho a manhã livre.
Callie fez menção de sair.
– Torres você entendeu o que eu disse?
– Entendi Chefe Hunt, o avô do paciente não me quer para tirar o seu tumor e salvar a sua vida porque sou gay, não vou me divorciar e deixar de ser gay para salvar a vida do seu neto só por ele ser um filho da puta homofóbico. Então pra mim tudo bem assinarei os papéis da alta e vou passar os papéis de responsabilidade para o avô assinar.
Callie saiu da sala. Fui atrás dela.
– Callie tudo bem?
– Não mais vai ficar.
Entrou no elevador me deixando no corredor falando sozinha, ela estava visivelmente irritada. Cheguei a pediatria um pouco depois dela que já estava no quarto do Dylan falando com o avô.
– Bom dia Sr. e Sra. Taylor, aqui estão os documentos de responsabilidade sobre a alta do Dylan é só assinarem e podem ir para casa.
Carolyne a olhava sem entender nada, até que resolveu se pronunciar.
– Desculpa Dra. Torres eu não estou entendendo nada a cirurgia está marcada para nove horas e você disse que pode ajudar meu filho e agora esses papéis.
– Não posso fazer a cirurgia em seu filho Sra. Taylor, pois seu sogro não me autorizou a fazê-la por descobrir que eu e Dra. Robbins somos um casal e como não vou me divorciar e deixar de ser gay, não posso fazer a cirurgia.
Todos no corredor puderam ouvir os gritos de uma mãe furiosa.
– Você ficou louco Robert, de onde você achou que pode decidir sobre a vida de meu filho, eu sou a mãe de Dylan eu fico acordada com ele todas às noite enxugando suas lágrimas de dor, eu estava com ele em cada sessão de quimioterapia eu decido quem vai fazer a cirurgia do meu filho, “meu filho” entendeu Robert.
Ela apontou o dedo para o peito do imponente homem, já que ela é bem mais baixa, em seguida rasgou os documentos e jogou-os no seu peito. Respirou fundo e se virou para minha esposa.
– Desculpa Dra. Torres por esse inconveniente, você foi a primeira médica que nos deu um esperança de cura e não me importa com quem seja casada, só que possa ajudar meu filho, onde tenho que assinar, espero que não seja um desses papéis que acabei de rasgar.
Callie entregou outro papel para a mãe enquanto o avô saiu do quarto envergonhado e irritado, acho que ele nunca esperava que a tão pacata nora tivesse uma reação tão apavorante.
– Muito bem Dr. Dawson, prepare Dylan para cirurgia te encontro em quinze minutos na OS.
– Obrigada Sra. Taylor, vamos cuidar do Dylan, até mais.
Vi minha esposa saindo com ar de vitoriosa do quarto e passar por mim.
– Você tem uma cirurgia em quinze minutos Dra. Robbins, não se atrase.
Saí atrás dela.
– O que você fez?
– Já ouviu falar sobre o ditado “Mãe é tudo igual só muda o endereço”.
– Sim.
– Aprendi isso depois que Sofia nasceu e acabei de usar.
Moral da estória Callie conseguiu tirar o tumor por completo sem causar danos aos movimentos de Dylan a mãe ficou agradecida e todos ficamos felizes, no fim até o General ficou feliz por ver o neto sem dor e andando.
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