Seguindo em Frente
6 Lembranças – Segundo Passo – Arizona Robbins
Falamos sobre o ocorrido daquela noite na terapia de casal onde pude colocar pra fora todo medo, incapacidade e vergonha que eu sentia, no meio da terapia fiz uma pergunta a Callie, Patrícia nos deixava bem a vontade sendo apenas uma mediadora entre nós.
– Callie você ainda sente desejo por mim?
Callie me olhou incrédula.
– Você tá brincando né Arizona?
– Callie apenas responda a pergunta da sua esposa.
Callie era muitas vezes repreendida nas terapias ela tem esse jeito explosivo, algo bastante implícito a sua personalidade acho que pelo seu sangue latino quente.
– Claro que eu ainda sinto desejo por você Arizona, você é minha esposa a mulher que eu amo, com quem eu troquei votos.
– É isso Callie você está comigo pelos votos?
Ela ficou me olhando por alguns instantes e depois olhou pra Patrícia em um pedido silencioso de Ajuda.
– Talvez você devesse explicar melhor a ela Arizona.
Parei por um minuto e comecei.
– Eu não sou mais a mulher que você conheceu a cinco anos, atrás com quem você trocou votos eu mudei Callie e preciso saber se você se sente atraída por essa Arizona, sou uma pessoa inválida que você tem acalmar depois de um pesadelo e ajudar a fazer coisas que não consigo sozinha, não posso mais dançar você gosta tanto de dançar, você ficou tão decepcionada quando eu disse que não queria tentar ter outro filho.
Callie pegou minhas mãos e as colocou no meio das suas.
– Arizona olhe pra mim.
Levantei minha cabeça e olhei dentro de seus olhos. Ela então começou a falar comigo em uma voz branda sem irritação.
– Ninguém é mais igual a quem foi cinco anos atrás, eu também mudei, mudei quando terminamos por você não querer filhos, ai aquele maluco entrou no hospital atirando em todo mundo, mudei quando você foi para África sem mim, quando sofri o acidente e Sofia e eu quase morremos, quando você sofreu o acidente de avião e tive que decidir entre sua perna e sua vida, todos os dias nós mudamos Arizona, uns sofrem mais perdas que outros, mas mudamos todos os dias é por isso que eu me apaixono por você todos os dias, me apaixono pela a mulher que acorda ao meu lado todas as manhãs por cinco anos.
Enquanto Callie falava nossas lágrimas iam caindo em cachoeiras.
– Eu fiquei decepcionada sim por você não querer tentar ter outro bebê e peço perdão por isso, porque nunca em minha vida eu pensei que você ficaria grávida e quando você me propôs ter outro bebê e que você iria engravidar dessa vez, fiquei tão feliz que mal podia me conter, eu podia já ver sua barriga crescendo, nosso bebê se mexendo e o rostinho do nosso bebê loirinho com esse sorriso mágico nascendo, me perdoe por não te apoiar e ser tão egoísta e pensar só em mim.
– Callie...
– Me deixa eu terminar.
Balancei a cabeça em concordância, ela respirou e continuou.
– Nós não planejamos Sofia, ela aconteceu por que eu dormir com Mark quando você foi pra África e por mais de três meses não atendeu minhas ligações ou respondeu meus e-mail eu estava tão brava, que quando você voltou de início não a queria de volta, mas esse bebê ele seria nosso, nós estivemos planejando juntas passaríamos por todas as etapas juntas só eu e você.
– Callie eu amo Sofia ela é minha também eu me apaixonei no momento em que ouvi seu coração batendo.
– Sofia sempre será sua, você sempre será apaixonada por nossa menina é assim que as mães são e você é uma mãe melhor que eu, é difícil concorrer. Você é linda Arizona, com ou sem a perna e se continuar a deixar a tolha cair na minha frente não serei capaz de cumprir o acordo da abstinência sexual até sermos liberada está proibida de ficar nua na minha frente.
Rimos juntas e acabamos num abraço
– Callie eu te amo e sinto muito por estarmos passando por isso.
– Eu também te amo Arizona e a culpa não é só sua, nós duas cometemos erros, por isso estamos aqui e já nos prometemos para de pedir desculpas pelos erros passados.
– Bom meninas muito bom mesmo, acho que podemos parar por aqui hoje, acho que vocês estão trabalhando bem juntas colocando pontos importantes da relação para fora medos e ressentimentos e vejo o empenho em cumprir as tarefas, então para essa semana tente surpreender uma a outra. Quando vocês entraram aqui hoje percebi algo diferente, vocês entraram de mãos dadas e falavam algo divertido porque as vi entrando sorrindo, isso é bom, vocês estão recuperando a intimidade de casal que não deve ser somente sexual tem que ser espontânea, de trocarem carinho sem medo de ser rejeitada porque é sempre bem vindo.
– Há muito trabalho a ser realizado principalmente você Arizona que tem que quebrar algumas barreiras que se impôs, as perdas não pode ser o fim sejam elas quais forem e sim o início de algo novo que temos que aprender a lidar, encontrar o caminho de volta para nossos antigos sonhos e criar novos requer muito trabalho e não existe uma formula secreta, cada um tem que encontrar a sua própria formula de como seguir em frente, eu tenho falado com a Dra. Wyatt e sei que tem obtido progresso, este panfleto é de um centro de ajuda a deficientes de um amigo meu, ele é fisioterapeuta e seu trabalho é ensinar as pessoas que como você sofreu alguma perda de membro ou mobilidade, você pode se surpreender com o que vai ver lá, se tiver vontade faça uma visita.
– Obrigada Patrícia.
– Callie você tem trabalhado duro para ajeitar as coisas e as vezes vejo que tem se frustrado precisa deixar Arizona querer sua ajuda, essa semana você tem uma tarefa diferente você só poderá ajudar sua esposa se ela te pedir, as vezes nós na ânsia de ajudar nós a sufocamos e fazemos mais mal que bem.
– Arizona quando precisar de ajuda vai te pedir a sua esposa, caso contrário terá que se virar sozinha.
Callie tem esse jeito protetora estava na sua índole proteger os que ela amava então ela não se permitia sentir a dor porque ela sempre tinha que nos proteger, então entendi o lado dela também na sua mente ela deveria ser forte pra mim e por Sofia, isso tinha que mudar tínhamos que parar de sermos vítimas ou heróis pra nos tornar pessoas que erram e que sentem.
Dois dias depois da terapia como havíamos combinado fomos passar o natal na casa de meus pais que agora morava no interior do Oregon, fomos de carro, o sonho tinha acontecido alguns dias antes ainda me sentia frágil, Callie estava levando as tarefas muito a sério, durante os dois primeiros dias eu senti falta da ajuda não só porque eu precisei mas porque isso a fazia ficar distante de mim parecia que não se importava, minha esposa colocou nossa filha na sua cadeirinha no banco de trás e sentou-se no banco do carona, eu fiquei ali olhando para a parede da garagem sem conseguir colocar a chave no contato eu estava com medo, ela checava seus e-mails e não notou o meu desespero.
– Você precisa ligar o motor para o carro sair do lugar.
– Eu sei, é que ....
– É o que?
– Vamos parar certo eu já entendi, não aguento você ficar me tratando com essa indiferença eu preciso que você me ajude, não porque sou uma aleijada que sempre precisa de ajuda, porque é muito ruim fazer as coisas sozinhas esses três meses que ficamos separadas foram os piores da minha vida, eu sinto sua falta Calliope, por favor volte a fazer o que você sempre fez, vamos voltar a fazer as coisa juntas eu preciso de você de volta.
Quando comecei a falar eu estava olhando para frente e terminei olhando em seus belos olhos castanhos que agora estavam brilhando e o sorriso lindo estampado no rosto, eu me lembrei de como eu amava tudo aquilo.
– Senti falto disso também.
Agarrei sua jaqueta de couro e a trouxe para um beijo quente e molhado, por um momento me esqueci de nossa filha no banco de trás ela nos interrompeu.
– Mamãe tá beijando mama.
Sofia caiu na gargalhada.
Interrompemos o beijo e ficamos de testa juntas rindo.
– Acho que não foi só você que sentiu falta eu e Sofia também, né menina grande você gosta disso né.
Callie virou para trás e bagunçou sua cabeleira castanha.
– É. Não mama pare.
– Callie você pode dirigir a primeira etapa do caminho?
– Claro.
A viagem estava sendo tranquila, ainda era cedo e o transito estava colaborando em menos de vinte minutos estávamos na rodovia rumo a casa de meus pais, Sofia dormiu antes mesmo de chegarmos a rodovia eu a ajeitei na cadeirinha e a cobri com uma manta.
– Ela dormiu mais rápido do que esperava.
– Nós a acordamos cedo imaginei que isso iria acontecer.
Eu pousei a mão na coxa de minha esposa que a pegou e levou aos lábios para um beijo.
– Mantenha as duas mãos no volante e os olhos na estrada sim.
– Claro.
– Callie.
– Hum.
– Estamos conseguindo não é, eu digo nós já estamos tendo intimidade as coisas já estão ficando mais claras e nós já passamos por cima dos erros, você está conseguindo Callie?
– Eu acho que sim estamos conseguindo, eu já posso olhar para os erros e os vê-lo distantes, e você?
– Eu já consigo ver alguns sonhos voltando e me sinto mais forte. Estamos ficando fortes?
– Sim estamos.
–Eu ainda não estou pronta agora, mas depois que falamos sobre o bebê na última sessão de terapia eu quero voltar a engravidar eu só preciso de um tempo.
Callie se virou e me olhou com o sorriso mais lindo do mundo.
– Você tem todo o tempo que precisar.
– Callie olho na estrada você está conduzindo os meus maiores tesouros.
Ela parou no acostamento e me puxou para um beijo longo, calmo e apaixonado de tirar o fôlego só paramos porque faltou ar.
– Se vamos ficar fazendo isso não vamos chegar para o almoço, mamãe vai ficar brava.
– Certo então vamos seguir viagem, sem interrupções agora.
Foram duas horas muito divertidas contei a Callie um pouco da minha infância quando eu, Tim e meus primos e algumas vezes o Nick íamos visitar nossos avós nos verões no Oregon, de como nos divertíamos nessa época ela ria de algumas brincadeiras que fazíamos e me contava algumas coisas da sua também ela não gostava muito de falar da sua infância ou adolescência ela tinha sofrido bullying e isso a machucava, disse que ela iria gostar do lugar era uma casa estilo vitoriana muito bonita e espaçosa na beira do lago e que estava louca pra ver a reforma que meus pais fizeram.
Nesse meio tempo Sofia acordou.
– Mamãe nós já chegamos à casa da vovó.
– Não Sof ainda falta um pouco, você está com fome menina grande?
– Quero fazer xixi mamãe.
– Callie podemos parar em um restaurante de beira de estrada para comermos, eu e Sof não comemos direito e precisamos ir ao banheiro, o Google diz que tem um logo ali na frente.
– Claro, aguente um pouco Sofia vamos parar logo ali na frente, querida.
O restaurante em que paramos era típico desses americanos cheio de gente de passagem e alguns moradores locais com um enorme cheiro de hamburguer, batata frita e bacon, na verdade era a primeira vez em cinco anos que saíamos em uma viagem longa juntas, nossa vida tinha sido uma loucura até agora nós nos separamos por três vezes, enfrentamos tiroteio, África, gravidez, acidente de carro, trauma cerebral, bebê prematuro, casamento, acidente de avião, amputação, compra do hospital, traição e agora estávamos voltando novamente espero que pela última vez e para o bem do nosso casamento desaceleramos uma pouco nossa vida profissional, somos grandes cirurgiãs e salvamos vidas mas nesse momento estávamos salvando as nossas, passamos por muitas coisas juntas era justo nos darmos essa chance, meus pensamento foram cortados pela vós da minha filha.
– Mamãe, preciso fazer xixi logo.
As duas estavam olhando pra mim.
– Tudo bem?
– Tudo, vamos levar Sof para o banheiro, passei a mão pelo rosto da minha esposa.
Fomos até o banheiro e em seguida escolhemos uma mesa desocupada no canto do restaurante e sentamos.
– Esse lugar tem tudo o que você mais gosta.
Callie me disse provocando.
– Pelo menos parece limpo Sof o que você quer comer?
– Um igual aquele. E apontou para um garoto visivelmente acima do peso sentado na mesa ao lado com um enorme sanduiche que deveria ter todos os tipos de gordura e açúcar possíveis e um enorme copo de refrigerante.
Callie apenas olhou para o cardápio e sorriu ela sabia que se dependesse de mim Sofia só poria algo parecido na boca quando não estivesse mais morando conosco, mas aqui estávamos nós as três sentadas em um restaurante de beira de estrada e minha filha queria um super lanche gorduroso, uma garçonete com metade dos peitos de fora e uma saia curtíssima veio nos atender.
– Bom dia Senhoras o que vão pedir.
Vi quando ela quase caiu dentro do decote da minha esposa.
– Sofia vai querer um desses e um suco de morango, eu quero café com creme, panquecas e bacon.
– Eu vou querer o mesmo que minha esposa por favor.
Enfatizei “o esposa” que saiu um pouco rude e a moça saiu sem graça e foi buscar nossos pedidos.
O restante da viagem assumi o volante, Callie e Sofia jogavam um jogo de músicas outros Sofia contava uma história da creche, tocou uma música antiga no rádio Callie aumentou o som e cantamos as três juntas, foi divertido.
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