Seguindo em Frente
7 O Natal - Arizona Robbins
Chegamos na casa dos meus pais quase na hora do almoço minha mãe já nos esperava com a mesa posta, estacionei o carro e entrei pelos fundos dando um tremendo susto nela que estava na pia cortando alguns legumes para salada.
– Arizona! Que susto, Daniel você as viu chegando e não me avisou!
Mamãe me envolveu em um abraço enquanto Callie estava parada na porta de mãos dadas com Sofia.
– Callie querida, que bom vê-la, papai a abraçou e beijou o rosto de minha esposa.
– Sofia vovô quer um abraço de urso.
Envolveu Sofia em seus braços fortes a levantou até o alto de sua cabeça com ela aos risos.
– Daniel eu também preciso de abraços de urso dessa linda garotinha.
– Callie seja bem vinda querida, mamãe a abraçou e a beijou no rosto.
Os dois ficaram ali disputando os abraços de Sofia, o almoço ocorreu muito bem com papai e mamãe falando sobre a reforma da casa o que eles andavam fazendo com sua nova condição de aposentados, e nós da nossa casa que esperávamos nos mudar em breve, mamã foi professora de literatura por 30 anos e papai um fuzileiro naval condecorado e gostava de ser conhecido como, o Coronel Daniel Robbins, eles também nos contou que estavam programando algumas viagens, que ingressaram em um clube da terceira idade onde se reuniam todas as quintas-feiras para um chá da tarde e jogos e tinham muitas viagens planejadas sozinhos e em grupos, a primeira viagem seria logo em janeiro presente de 40 anos de casamento, um cruzeiro de 10 dias pelo Caribe e que nos visitaria logo depois da viagem porque agora que moravam perto e estavam aposentados daria mais atenção a neta.
Logo depois que Callie e eu ajudarmos mamãe na louça, papai a chamou para lhe mostrar algo na casa ele estava empolgado com o bom trabalho que ele desenvolveu e ela demonstrava atenção então ele estava aproveitando, eles levaram Sofia.
Mamãe me chamou para sentarmos em um banco na beira do lago e deliciarmos de um bom e quente café.
– Então como estão as coisas entre vocês?
– Estamos seguindo em frente.
– Você encontrou um tesouro Arizona e ainda não se deu conta, muitas pessoas passam a vida procurando e não encontra e você encontrou e quase o atirou aos porcos.
– Você não deveria dizer isso não estava lá pra saber o que passei.
– Sério, que eu me lembre você nos expulsou a todos do seu lado.
– Eu sofri um acidente e perdi uma perna e um bebê.
– Sério Arizona, você não deixou ninguém esquecer que você perdeu a perna lembra-se disso e o bebê só ficamos sabendo quando você jogou seu casamento ao vento.
Ficamos em silêncio por alguns momentos e fiz menção em me levantar então minha mãe me puxou de volta.
– Sou casada com um fuzileiro naval por quarenta anos Arizona e o fato de você não estar na guerra junto com ele não quer dizer que não tenha feridas dessa mesma guerra porque quando os soldados voltam feridos é o nosso momento de viver a guerra por eles, Callie fez isso por você.
Apenas abaixei a cabeça ela continuou.
– Eu estive lá quando ela tinha nos braços uma filha doente por falta da sua mãe e a equipe de busca não queria mais procura-los e precisou do seu pai exercer toda sua influência para que voltassem as buscas, estava lá quando ela teve que decidir entre sua perna e sua vida, quando você a expulsou do seu quarto e ela chorou sozinha em um armário do hospital, quando não comia e nem dormia para estar lá pra você e o amigo quase morto, ela passou por isso sozinha isso são feridas de guerra, podem não ser iguais as suas, mas ainda são feridas.
– Você acha que sou culpada? Por isso está do lado da Callie?
– Não existem lados aqui Arizona, as duas tem que estar do mesmo lado da cerca e vocês ainda não estão lá estão caminhando sem dúvida, ainda vejo o medo nos olhos da sua esposa e nos seus a insegurança, mas o que vocês estão fazendo estão levando-as a ficarem juntas, a chance que está mulher está lhe dando é única e você deve saber o quanto está sendo difícil para ela. Callie te ama e você a ama ninguém tem dúvidas disso, mas só o amor não é suficiente para construir um casamento sólido, é preciso ter confiança, diálogo, respeito, companherismo, vocês são parceiras nessa vida, já vi muitas amputações e feridas de guerra na vida, muitos casamento amorosos se acabarem porque quando os soldados voltam da guerra com suas feridas eles se recusam a compartilhar com suas companheiras e se trancam em si mesmos então eles surtam e fogem, se matam ou terminam sua vida sozinho, sem amor sem os filhos. Não faça isso com você.
– Você tem falado com Callie?
– Sim pelo menos uma vez por semana desde o episódio da infidelidade.
– Você é minha mãe.
– Eu sou, mas Callie também precisava de uma mãe ela estava sozinha e tinha perdido sua amiga e seu amor. Eu perdi um bebê também.
– Como? Quando?
– Antes de Tim era minha primeira gravidez, estávamos muito felizes e Daniel foi convocado para uma missão na Rússia, sua embarcação ficou sumida por dias e ninguém me dava notícias então o stress e toda pressão me fez abortar um bebê de quase três meses.
– E mesmo assim engravidou de novo?
– Sim e foi a melhor decisão que já tomei em minha vida, Tim não está aqui mais conosco, mas ser mãe dele foi maravilhoso e olhe pra você é nosso orgulho e nos deu uma neta linda que é Sofia, depois que Tim se foi não pensava que iria viver isso.
Minha mãe me puxou para os seus braços e beijou minha testa.
– Pense nisso, está ficando mais frio, sua tia Gloria e seus primos chegaam em breve para ceia de natal então vou por meu carneiro no forno hoje quero ter bastante tempo para elogiar Sofia e fazer Gloria engolir os elogios que me faz engolir de seus netos e vá procurar sua esposa antes que Daniel a canse com suas histórias eles estão no porão.
Ouvir minha mãe falando daquele jeito não estava em meus planos. Ela me mostrou mais pontos que não tinha percebido, caminhamos de volta a casa em silêncio a deixei na cozinha e desci até o porão as escadas eram problemas pra minha prótese mas não era impossível só não dava pra fazer isso sempre, isso me cansava, Callie estava sentada num sofá vendo um álbum de fotografias, Sofia ajudava meu pai no que parecia uma montagem de um submarino, o porão também havia sido reformado, agora era uma espécie de escritório particular do meu pai em uma das paredes foi colocado um quadro onde tinha várias medalhas e três fotos a primeira de jovem em uniforme de fuzileiro era meu avô o Fuzileiro Naval Kallan Robbins o segundo o do meu pai Coronel Daniel Robbins e a terceira foto do Tenente Timoty Robbins em baixo todas as medalhas que os homens dessa família recebeu, em uma estante ao lado havia todos os troféus que Tim ganhou na escola e algumas fotos dele e minhas também de quando ganhei o prêmio do Clube de Ciência, da formatura da escola, vestida com meu primeiro jaleco e muitas outras.
Fiquei ali olhando aquelas fotos e uma lágrima escorreu de saudades do meu irmão.
– Não deve chorar esses homens deram suas vidas por outras pessoas, eles fizeram aquilo para que foram criados e treinados, eles fizeram um promessa e cumpriram até a morte.
– Então não eu deveria estar aqui ao lado deles.
– Você é uma Robbins Arizona, pode não ter feito carreira na marinha como nós, mas salva vidas e isso é uma profissão honrosa. Tá vendo aqui essa parte vazia.
– Sim.
– Esta é de Sofia, para suas conquistas.
Abracei meu pai.
– Obrigado pai e estas não são a coleção de miniaturas do Tim?
– As encontrei em uma caixa quando mudamos, então já que estou aposentado tenho que arrumar uma distração vou completá-las para o neto que vocês vão me dar, e Sofia está me ajudando com o submarino.
– Como sabe que será um menino?
– Minha intuição de avô. Espero que vocês não escondam de nós dessa vez, somos uma família e nos amamos, rimos e sofremos juntos.
Callie parou de olhar as fotos e ficou nos observando. Sentei-me ao lado dela.
– Você está vendo isso oh não isso é horrível. Pai você guardou essas fotos?
– Estavam em uma caixa de sua mãe quase a jogamos fora, mas como fiquei com o porão e sua mãe ganhou o sótão pra sua arte achei que aqui tem bastante espaço para guarda-las.
– Você foi líder de torcida? Sempre odiei as lideres de torcida, e me casei com uma, que horror.
– Callie que isso eu era uma líder de torcida boa.
– Sei.
– Bom meninas, vou ver se minha esposa precisa de ajuda, estou aposentado mas ainda gosto de seguir os horários.
A ceia na casa dos meus pais foi bem agradável e como minha mãe disse, ela e minha tia Glória pareciam concorrer em elogios para os netos enquanto eles só queriam correr pela casa, estava presente Tia Gloria que é irmã da minha mãe e meu primo Ed, sua esposa Maryska e seus dois filhos, e um casal de amigos de meu pai que serviu a marinha juntos com seus dois filhos e nora e genros e netos.
Sofia brincou com os novos amigos ela estava cansada e brigava com o sono.
– Vem Sof vovô vai coloca-la para dormir.
– Eu quero esperar Papai Noel.
– Querida Papai Noel não vem se você não estiver dormindo.
– Mas vovó se ele não sabe que eu estou aqui na sua casa?
– Eu tenho certeza que as suas mães o avisou que você estaria aqui no natal.
– Vovô você pode me contar uma história daquelas de navio pra eu dormir.
– Definitivamente ela prefere histórias de navio de guerra que as de conto de fadas.
Minha mãe protestou.
– Na verdade ela gosta de como ele encena a história Arizona faz o mesmo é difícil superar isso. Callie disse tentando confortar a sogra.
Na manhã seguinte acordamos com alguém gritando a porta.
– Mama, mamãe o Papai Noel veio, ele deixou um monte de presentes, tem pra vocês também.
– Bom dia Sof, bom dia amor e feliz natal pras duas.
Dei um beijo na testa de Sofia que se enfiava no meio dos cobertores e um nos lábio de minha esposa que ainda nem abriu os olhos.
– Por Dios, será que Papai Noel não poderia vir mais tarde.
Callie resmungou se enrolando mais nos cobertores. Sofia deitou no meio de nós duas e passava a mão no seu rosto.
– Mama Papai Noel trouxe presentes pra você também, abre os olhos e vovó tá fazendo panquecas e vovô tá lendo o jornal, eu quero ver o que Papai Noel trouxe pra mim tem um montão assim oh de presentes. E fez o gesto com as mãos.
– Isso mama vamos ver o que Papai Noel trouxe pra você e para Sof?
– Feliz Natal pra vocês também.
Callie levantou de súbito nos assuntando e pulou novamente na cama agarrando Sofia como uma grande ursa e lhe fazendo cócegas e quando a imobilizou em seus braços a cobriu de beijos até Sofia gritar.
– Pare mama, pare.
– Qual a palavrinha mágica? Diga e eu paro.
Eu estava ali ao lado sorrindo em ver as duas brincando.
– Por favor, mama pare.
– Ok então vou precisar de uma nova vítima.
E me deu aquele olhar sedutor pulado em cima de mim sem aviso.
– Oh não, em mim não.
– Sofia preciso de ajuda aqui.
As duas me pegaram de beijos e cócegas que eu não conseguia parar de rir até eu gritar.
– Por favor parem eu não agüento mais vou fazer xixi na cama.
– Sofia você escutou um por favor?
– Sim mama eu escutei.
Então as duas param Callie continuou me abraçando por trás com suas pernas envolta do meu corpo e os braços em minha cintura apoiando seu queixo em meu ombro.
– Então mocinha você escovou os dentes?
– Ainda não.
– Não escovou os dentes, mas quer ir abrir os presentes?
Sof fez uma cara de travessa com aquele sorriso Mark Sloan de quem está em apuros e em momentos pensei que esse sorriso ainda iria trazer muitos problemas.
– Posso ir escovar com vocês?
– Só se for agora?
– Certo.
E saiu correndo para o banheiro do corredor.
– Hey, Feliz Natal – e me deu um beijo nos lábios.
– Você vem?
– Sim já estou indo, vá na frente.
Coloquei minha meia e prótese e segui para o banheiro onde encontrei Callie e Sofia com a boca cheia de espuma, minha escova já estava posta em cima do mármore do lavatório.
Descemos para o café da manhã e para Sofia abrir os presentes, mamãe e papai lhe deram um cavalo de madeira desses que balançam papai mesmo que fez e mamãe o decorou ele era azul celeste com uma crina loira. Ela estava radiante em cima daquele monstro de madeira e meu pensamento era como vamos levar isso pra casa já que deixá-lo seria impossível. Callie estava ali parada olhando para os três que agora brincavam com o cavalo, os outros presentes com exceção do pijama dado por Cristina que Sofia já estava vestindo, não valiam de nada nem mesmo a boneca cara que nós lhe demos que tinha várias funções e nem mesmo o laptop com vários jogos, enviado pelo pai de Callie.
Aproximei da minha esposa e disse baixinho em seu ouvido.
– Você está pensando o mesmo que eu?
– Que ainda bem que compramos uma casa grande com bastante espaço?
– Bem eu estava pensando um pouco antes como vamos levar isso para nossa casa grande.
– Ow. Madre de Dios.
E rimos, o restante do dia foi ótimo, havia nevado um pouco durante a noite e saímos para brincar no quintal mamãe ensinou Sofia a fazer um anjo de neve no chão juntos construímos um boneco de neve que logo virou uma guerra de bola de neves, vendo minha família ali se divertindo e feliz, entendi que não precisava de nada além deles para se feliz também.
A viagem de volta foi no dia seguinte ao natal, partimos logo depois do almoço com a promessa que eles iriam nos visitar logo, papai colocou o cavalo em uma caixa que amarrou em cima do meu Audi novinho em folha, eles tinham pensado em tudo. Sofia mais calma e exausta pelos passeios e brincadeiras com os avós, dormiu grande parte da viagem paramos apenas para comprar alguns biscoitos, água e café e ir ao banheiro mamãe tinha nos feito uns sanduíches de peito de peru, eu e Callie dividimos a direção, durante o trajeto de volta nós falamos sobre a reforma da casa e como estávamos ansiosas pela mudança.
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