Seguindo em Frente
5 Lembranças – Primeiro passo II – Arizona Robbins
Dra. Patrícia Bergan é uma mulher de uns cinquenta anos que sua pele negra não os deixa transparecer e seus enormes olhos negros tem o poder de nos olhar e ver através de nós mesmo.
O seu consultório é em um prédio antigo, mas muito bem conservado no centro da cidade a sala de espera era muito bem decorada com várias obras de arte na parede um sofá azul e duas poltronas com uma mesa de centro e tinha uma secretária no canto da sala, nós chegamos e logo fomos anunciadas, entramos na sala da Dra. Bergan, uma sala de estar comum de qualquer casa onde os amigos sentavam para conversar e ver TV, no canto uma cadeira reclinável bastante confortável preta onde ela estava sentada e os sofás era no tom pastel ela se levantou e veio nos cumprimentar.
– Vocês são Arizona e Callie.
– Sim eu sou Callie e minha esposa Arizona.
– Podem me chamar de Patricia. Então meninas sentem-se e sintam-se a vontade.
Sentamos uma ao lado da outra um pouco tensa de com o rumo que isso tomaria e Patrícia começou a falar.
– Bem hoje quero conhecer um pouco de vocês e o que as trouxeram aqui, então vamos começar por você Callie um nome diferente.
– Na verdade é abreviação de Calliope.
– A deusa da poesia e da música.
Callie balançou a cabeça concordando.
– Então Callie me fale um pouco de quem você é e o que a trouxe aqui.
Callie contou de onde ela veio e um resumo de nossa história.
– Bem e você Arizona me fale de você agora.
Eu também contei de onde tinha vindo um pouco de minha família e o que me levou a estar sentada ali na sua frente pedindo ajuda.
– Bem eu ouvi o relato das duas embora tendo pontos diferentes e comuns a ambos os lados sabemos vocês concordam que precisam de ajuda, que querem fazer dar certo o casamento, que se amam, que ambas erraram, que faltou uma grande comunicação e farão qualquer coisa para alcançar seus objetivos. Isso é mais que muitos casais que já sentaram aqui nesse sofá.
– Então não estamos tão ruins assim?
– Estão Arizona, muito ruim, nos relatos das duas existe muita mágoa e ressentimentos e muito perdão a ser dado e muito trabalho para ser feito, mas vocês estão em vantagem ao dar o primeiro passo em busca de ajuda.
– Temos solução então.
– Vai depender de vocês Callie de quanto perdão vocês estão dispostas a conceder e de até onde vocês estão dispostas a ir. Quando foi a última vez que vocês tiveram relação sexual?
– Ha duas semanas. Callie respondeu.
– E como foi? Precisam de honestidade aqui, certo?
Balançamos a cabeça em concordância.
– Callie quer falar primeiro?
Callie ajeitou os ombros sinal de estar nervosa, e começou a falar.
– Foi bom e ao mesmo tempo foi terrível.
Meus olhos se encheram de lágrimas ao ouvir da minha esposa que sexo comigo foi terrível não estava nos meus planos.
– Precisa explicar mais isso Callie, Arizona não entendeu e se possível olhe pra ela.
– Foi bom porque eu tinha em meus braços novamente a mulher que eu amo e a única com quem eu quero estar, no momento em que estávamos sabe lá fazendo me senti completa novamente era como se uma parte de mim que havia sido arrancada estava voltando pro seu lugar, mas no final eu lembrei-me que ela tinha estado com outras pessoas quando deveria estar somente comigo e pensar nisso me machuca e que essas pessoas são tudo aquilo que eu nunca serei, loiras, magras e lindas.
Enquanto Callie falava seu rosto ficou banhado de lágrimas.
– Arizona quer comentar isso.
– Callie me desculpa te causar tanta dor, eu percebi quando você chorou eu pensei que você estava arrependida de ter me chamado de volta eu te amo Callie e as outras pessoas com quem dormi não significou nada além de sexo, com Lauren eu estava me sentindo tão incapaz por ter perdido a perna e nosso bebê. Eu não me reconhecia mais, você me conheceu inteira Callie eu era outra pessoa quando me conheceu alegre cheia de vida, eu me perdi e não conseguia voltar, ai Lauren apareceu e não me conhecia eu fiquei iludida com o que ela via, ela me olhou e viu como eu era agora e não se importou. Você estava sempre se importando você me olhava e não me via Callie.
Então Callie se levantou e gritou.
– Porque eu te amo Arizona é meu trabalho me importar quando você cai em um buraco é meu trabalho te puxar de volta é isso que os relacionamentos são quando um cai o outro o ajuda a levantar, quando um se perde o outro o ajuda a encontrar o caminho de volta e não se aproveitar da situação e jogá-lo de volta no buraco. É isso que as pessoas que se importam fazem. E o outro tem obrigação de dizer que não está feliz e não sair por ai dormindo com outras pessoas.
As lágrimas escorriam dos olhos de Callie e dos meus.
– ok meninas, vamos nos acalmar dar uma pausa, Callie você pode voltar a se sentar conosco.
Ela balançou a cabeça em um sim e voltou a se sentar ao meu lado.
– Bom vejo que começamos bem eu quero te fazer uma pergunta Callie você está disposta esquecer a traição?
– Sim é por isto que estamos aqui para você nos ajudar com isso.
– Ótimo, eu posso mostrar a vocês o caminho, mas não posso fazer com que vocês o trilhem, de dez casais que entram aqui cinco não conseguem, para que consigam é preciso ter comprometimento é trinta por cento é terapia e setenta por cento luta diária, tudo só depende de vocês o quanto vocês querem ficar juntas e corrigir os erros e se tornarem melhores e mais fortes. O que vai demarcar se vocês conseguem ou não é o quanto de perdão estão dispostas a dar a si mesma e a outra.
Ela parou e nos analisou e disse.
– Por hoje está de bom tamanho, o perdão vem gradativamente um passo de cada vez eu vou ver vocês aqui uma vez por semana até achar que estão prontas para seguir sozinhas, durante a semana eu passarei tarefas a serem cumpridas e espero que vocês as cumpra isso faz parte da cura. Vocês concordam.
– Sim.
Respondemos juntas.
– Bom em primeiro lugar vocês não vão fazer sexo por um tempo, o motivo: ambas estão tão machucadas que o sexo só atrapalharia mais, casais tende a varrer seus problemas para debaixo do tapete do sexo e achar que as coisa estão boas como vocês fizeram e se magoaram mutuamente porque o que eu vejo aqui na minha frente são duas pessoas que se amam e que por falta de comunicação se machucaram tanto que precisam da minha ajuda para se curar. Segundo a partir de hoje vocês vão tirar um tempo para praticarem a comunicação, sem Sofia ou amigos sem ser na OS na frente de seus subordinados e vão conversar sobre o que aconteceu durante seu dia sei que trabalham na mesma empresa em departamentos separados então terão muito que compartilhar e se trabalharem no mesmo caso conversarão sobre a visão de cada uma em como se sentiram, vocês concordam?
– Sim.
– Ótimo, mais uma tarefa essa semana quero que pense em como se conheceram como foram os primeiros dias, as primeiras semanas, os primeiros meses de relacionamento o que sentiam a cada troca de olhares e escrevam uma carta endereçada a outra, outra coisa a partir dessa semana, vocês vão pegar algumas horas do seu dia de folga para fazer alguma coisa em família e mais uma tarefa essa é pra vocês fazerem individualmente, cada uma fará algo que se sente bem, ir a um salão de beleza, ao shopping comprar uma roupa nova, ir ao cinema, ao teatro, a um show qualquer coisa que as deixe feliz consigo mesma. Então meninas, as vejo na semana que vem mesmo dia e horário.
Saímos de lá em silêncio cada uma perdida em seus pensamentos, mas algo em mim estava mudado eu pude entender um pouco mais sobre as atitudes de Callie, sobre seus sentimentos, ela se sentia culpada por eu ter me perdido, ela se achava inferior e por um momento lembrei-me de que George a traiu com uma ex-modelo loira e linda e que Lauren e Leah eram loiras, me senti culpada, quebrei o silêncio quando me dei conta desse fato.
– Callie você é linda, quente e milagrosa, o fato de Lauren e Leah serem loiras foi uma ironia do destino. Desculpa.
Chegamos ao carro ela parou na frente da porta do carona e me disse.
– Obrigado Arizona, mas acho que devemos parar de pedir desculpas pelos nossos erros passados e começarmos a viver nosso presente e futuro, nada do que dissermos vai mudar o que já passou, mas o que nós fazermos de agora em diante vai definir nosso futuro. Eu quero viver um novo futuro, fazer diferente nós mudamos passamos por muita coisa e crescemos merecemos tentar.
– Eu também acho então vamos viver nosso presente e planejar um futuro.
– Então vamos fazer um pacto um voto a partir de agora, vamos sepultar os erros do passado e começar de novo uma nova história para nós duas.
– Eu aceito, vamos passar para um novo recomeço e superar cada problema juntas, prometo que a partir de hoje não vou esconder nada, mas nada de você mais e confiarei que você também não vá esconder nada de mim.
– Pacto e voto feito.
Callie ergueu a mão para eu apertar. Quando eu apertei sua mão ela me puxou para um beijo terno e lento e logo estava me pressionando contra o carro aprofundando o beijo até ficarmos sem fôlego.
Depois daquela primeira sessão de terapia de casal convenci Callie a comprar uma casa. Adoramos uma casa de uma arquitetura moderna, espaçosa com cinco quartos em um bairro chique, jovem, moderno e perto do hospital e de boas escolas, um pouco grande agora, mas estávamos pensando no futuro e nos nossos três filhos esse era o plano. Decidimos que a casa precisava de algumas reformas para que ficasse com nossa cara e foram quatro semanas de reforma divertidas pelo menos pra mim.
Contratamos um empreiteiro e quebramos paredes para que ficasse um ambiente aberto com integração de sala, copa, cozinha e um pequeno home-office com um local para as crianças brincarem, a cozinha trocamos os armários e a parede que quebramos a substituímos por uma bancada de mármore bege para combinar com os armários e os detalhes marrons, instalamos além do fogão, microondas, forno, geladeira, frezzer uma adega climatizada, o banheiro instalamos uma banheira de hidromassagem maravilhosa e trocamos as peças que eram escuras para brancas tudo muito lindo, confortável e romântico, compramos alguns móveis novos e reaproveitamos outros, Callie fez questão de uma cama super king, uma sala home-teacher com sofá imenso e uma TV enorme de ultima geração, tínhamos agora piscina, espaço para receber amigos e um lindo jardim gramado, nos mudamos quatro semanas depois da compra, não vendemos o apartamento o deixamos para nossos filhos quando forem residentes, não precisarem morar no porão do hospital para conseguirem as melhores cirurgias, o alugamos assim como o do Mark, o dinheiro do aluguel será colocado em uma poupança para pagar a faculdade deles.
Passamos a conversar sobre tudo as mínimas coisas que nos incomodava que nos dava alegria em fazer estávamos nos conhecendo novamente estava sendo um período muito bom. Durante as semanas cumprimos com as tarefas nos dada na terapia, estávamos investindo não só no nosso casamento, mas também em nós mesmas.
Uma das coisas que voltamos a fazer que nos dava grande prazer foi frequentar o banco do parque tendo um tempo para picnics divertidos e românticos.
No começo foi um pouco estranho, mas aos poucos estávamos recuperando algo que tinha se perdido nesse último ano nossa cumplicidade.
Na tarefa onde tínhamos que investir em nós Callie cortou o cabelo, comprou roupas e perfume novos e voltou a fazer algo que lhe deixava feliz dançar de calcinha, isso era estranho no começo, mas era algo que lhe fazia se sentir ela mesma então tratei de me acostumar.
Em um dia desses chequei em casa ela estava de camiseta, calcinha e fones de ouvido dobrando roupas em cima da mesa do jantar ela não percebeu quando entrei, então fiquei ali encostada na porta olhando minha esposa tão bela remexer o quadril enquanto colocava a roupas dobradas em um sexto. Até que ela percebeu, tirou os fones.
– Hey, chegou tarde.
– O cabelo ficou ótimo, me aproximei para dar um beijo e senti o novo aroma, o perfume é perfeito, Sofia?
Dei-lhe um beijo casto nos lábios.
– Obrigado, Sofia já está dormindo eles tiveram jogos na creche hoje então estava exausta mal consegui mantê-la acorda para o jantar. Seu jantar está no forno.
– Obrigada estou morrendo de fome, vou ver Sofia e já volto.
Olhei minha filha na cama que dormia serenamente dei-lhe um beijo na testa e voltei para sala peguei meu prato e sentei ao lado oposto de onde Callie dobrava as roupas notei que ela colocou uma calça.
– Desculpa pelo atraso meu paciente teve complicações e nós o perdemos, você estava bonita não precisava colocar calças, gosto de você em roupas íntimas.
Ela sorriu.
– Obrigada e lamento pelo seu paciente.
– Esse trabalho às vezes é uma droga, é uma droga dizer aos pais que seus filhos estão mortos eu fico pensando em Sofia e me dá um medo enorme.
– Eu também penso em Sofia, na minha família quando um paciente morre, fico pensando que poderia ser um de nós ali. Como está o jantar?
– Delicioso assim como você, vi suas bochechas ficarem vermelhas.
– Então você decidiu sobre passar o natal com meus pais?
– Acho que será uma boa idéia falei com o Hunt e ele disse que iria fazer um esforço, saberemos amanhã.
– Podemos sair na véspera cedo e voltar no dia depois do natal após o almoço assim não ficamos muito tempo longe e Sofia vai adorar ver os avós, mesmo indo para casa de meus pais gostaria de ter uma arvore aqui em casa para nos lembrar do natal.
– Claro.
– Então como foi seu dia?
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