Seguindo em Frente
20 A irmã II – Callie Torres
Cheguei em nossa casa já era quase meia noite estava exausta, passei pelo quarto de meus filhos dei um beijo em cada um, fui ao banheiro fiz minha higiene troquei minha roupa por um pijama e deitei na cama devagar para não acordar minha esposa, esta parecia ainda estar acordada, ela se virou e me deu um beijo nos lábios.
– Boa noite morena linda.
– Boa noite loira gostosa, estou exausta.
Deitei minha cabeça no travesseiro e me acomodei na cama e fechei os olhos, cada músculo do meu corpo reclamava inclusive meu estomago.
– Callie tenho uma coisa pra te contar.
– Uhum.
Não me lembro de mais nada. Na manhã seguinte acordei com os lábios de Arizona passeando pelo meu pescoço.
– Um jeito mais gostoso de acordar, mas ainda é muito cedo.
– Callie, preciso te contar uma coisa.
– Conta. Estou com tanta fome que posso sentir o cheiro de panquecas e torradas com manteiga de amendoim.
– Callie.
Parei e pensei um pouco, passei as mãos pelo o corpo da minha esposa e conferi que ela ainda não tinha se levantado.
– Espera se você está aqui e eu também quem...
Levantei correndo e fui a até a cozinha, e quase tive uma síncope.
– Arizona!
Gritei devo ter acordado nossos filhos, Arizona apareceu um pouco depois atrás de mim.
– O que minha irmã que não fala comigo a mais de cinco anos está fazendo em nossa cozinha?
– Era isso que tenho tentado falar com você desde ontem, mas você estava tão cansada que dormiu antes de por a cabeça no travesseiro. E você acordou Tim e Tim acordou Sofia.
Tim é muito sensível a gritos e barulhos autos, Arizona foi pegar Tim e Sofia apareceu na cozinha trazendo seu cachorro de pelúcia e agarrou minhas pernas.
– Mama eu tô com fome e meu joero dói.
– Hey bebê o que houve com seu joelho? Vou providenciar algo pra gente comer.
– Eu cai mama da bicicleta, e machucou olha!
Peguei minha filha no colo e a sentei na bancada da cozinha olhando pra minha irmã que fazia uma cara de não sei o que você está dizendo.
– Deixa mama olhar isso.
– Puxa vida isso foi feio enhen, bebê vou pegar a caixa de primeiros socorros e limpar para fazer um novo curativo, enquanto sua tia termina nosso café da manhã.
Tirei o curativo que Arizona tinha feito na noite passada era apenas um arranhão e uma pequena luxação de quem bateu de leve, mas estava com uma aparência feia. Sofia pegou em meu rosto e puxou pra mais perto a fim de falar em meu ouvido.
– Você viu a tia que nunca veio nos visitar? O que ela tá fazendo?
– Acho que panquecas, você gostou dela?
– Ela é legal, posso comer as panquecas dela?
– Pode elas são muito boas.
Ária colocou uma panqueca no prato com calda de chocolates e serviu Sofia com um copo de leite morno, ficamos em silêncio olhando de atravessado uma para outra, Arizona apareceu alguns minutos depois com Tim em seu colo ela já o tinha trocado e o alimentado. Deu um beijo nos meus lábios e me entregou Tim e beijou Sofia que estava toda lambuzada de chocolate.
– Bom dia Sofia e Ária, dormiram bem?
– Bem obrigado Arizona pela hospitalidade.
– Meu joero doeu.
– Eu sei menina grande, é joelho e não se deve falar de boca cheia.
– Arizona você ainda não me disse como essa situação aconteceu?
– O joelho de Sofia ou sua irmã em nossa cozinha.
– Os dois.
Arizona se serviu de panquecas e começou a falar.
– Sofia caiu da bicicleta ontem à noite, encontrei sua irmã no saguão do hospital ontem ela esperava pela sua hospitalidade latina então fiz isso por você.
– Sério Ária, hospitalidade latina?
Arizona nos olhou indignada.
– Espera, essa hospitalidade latina não existe, não é? Você me usou pra vir para casa comigo.
– Desculpa Arizona eu precisava de uma desculpa pra você me convidar a vir pra casa.
– Sabe de uma coisa eu tenho que trabalhar, tenho uma cirurgia agora de manhã e uma reunião com Hunt antes dele me passar o cargo de chefe interino, por um mês inteiro Calliope serei sua chefe.
E me deu aquele olhar sacana.
– Que Deus me ajude.
– Veja pelo lado bom você vai ser a garota que dorme com o chefe, vou me arrumar e levar Sofia para escola e Tim para creche você e sua irmã precisam de um tempo para conversarem, preciso de ajuda para arrumá-los, você vem Calliope.
– Claro querida.
Ajudei Arizona a arrumar as crianças e colocar no carro e voltei para dentro a fim de falar com minha irmã. Ária já havia lavado toda a louça suja do café e me esperava sentada na bancada com uma caneca de café com creme.
– Então agora somos só nós duas.
– Café com creme ainda é o seu preferido?
Balancei a cabeça em um sim.
– O que veio fazer aqui?
– Te pedir perdão.
– Está alguns anos atrasada não acha?
– Certo Callie eu sei que errei com você e hoje estou aqui para pedir seu perdão.
– E o que te faz pensar que aceitarei seu pedido de perdão.
– Porque você é minha irmãzinha Callie, que sempre foi doce com todos.
– Acho que você deveria trabalhar um pouco mais esse pedido de perdão.
– Certo, então preciso de medidas extremas.
Ária se ajoelhou no chão no meio da minha cozinha e começou.
– Callie me desculpa por ser uma irmã mais velha horrível, por não ter apoiado você quando precisou de mim, por não estar lá quando você quase morreu ou sua esposa, quando seus filhos nasceram, por nunca estar para você quando precisou, por ter deixado meu preconceito e meu ego ser maior que meu amor por você. Assim melhorou?
Caminhei até minha irmã agarrei seu braço tentando levatá-la.
– Ária levante-se daí.
– Eu preciso do seu perdão Callie por ser tão, mas tão estupida.
– Você agiu feita uma idiota Ária.
– Então diga que me perdoa e me levantarei.
– Certo eu te perdoo, agora se levante.
– Então se tenho seu perdão, quero um abraço como nos velhos tempos.
Ária me puxou para um abraço longo e apertado.
– Eu senti tanto sua falta Callie.
– Eu também Ária.
– Então você está bonita, o casamento e a maternidade te fizeram bem.
– Você também está muito bonita, mama sabe que você está aqui, o que realmente te trouxe aqui?
Conhecia muito bem minha irmã para saber que ela não mudou de ideia do nada e conhecia o poder que nossa mãe tinha sobre ela, Ária sempre foi a filha perfeita que nunca deu trabalho a filha delicada, estudiosa, cordata, cumpridora dos seus deveres católicos, nunca se metia em problemas, então algo estava errado naquela cena. Sentamos no sofá da sala ela me olhou deu um suspiro e começou a me dizer.
– Eu tenho um tumor cerebral inoperável, descobri a um mês que estou morrendo e foi só nesse momento que me toquei que a única pessoa com quem queria falar, e desejei estar ao meu lado era minha irmã. Então descobrir o quanto fui e sou idiota, mas ainda bem que Deus me deu um tempo para reconhecer meu erro e pedir perdão a você Callie, e você não tem muito tempo para pensar tem que me perdoar logo estou morrendo, os médico me deram no máximo seis meses de vida, não vou me submeter a quimioterapia.
Fiquei ali olhando para o rosto de minha irmã sem conseguir processar o que acabava de me dizer.
– Não vai dizer nada?
– Você precisou estar morrendo para pedir meu perdão?
Ela começou a rir e eu não pude mais conter minhas lágrimas. Ela me abraçou.
– É sou uma idiota Callie, não chore não é tão ruim assim, seria pior se tivesse morrido de uma vez e não ter a chance de vir aqui pedir perdão e conhecer sua família linda, eles são lindos Callie, você e Arizona construiu uma família linda.
– Obrigada.
– Sério Callie você mora em uma casa rosa? Onde estão as cores quentes de uma casa latina?
– Não é rosa é salmão e não comente sobre a cor, eu sou a latina quente aqui acredite eu posso ser muito quente.
Nós duas rimos.
– Você está muito calma para quem está condenada.
– Bem eu passei meu último mês olhando para meus filhos e marido e chorando por saber que não vou vê-los crescer, se formar, casar e serem pais, não vou conhecer meus netos, então eu decidi que se só tenho seis meses de vida quero passar com as pessoas que amo, se posso levar as lembranças pra onde quer que eu for vendo-as sorrir e que fiquem com lembranças boas de mim também.
– Nossa! Você mudou.
– Sim eu mudei e não foi só o tumor que fez isso comigo, eu já estava a meses querendo fazer isso o tumor só me deu o último impulso.
– Isso o quê?
– Pedir o seu perdão, conhecer minha cunhada e sobrinhos e apresentar a meus filhos a sua tia que abuelito tanto fala.
– Então seus filhos sabem que eu existo? Onde eles estão agora?
– Claro você é minha irmã. Eles estão com mama e papa, vou ficar dois dias e voltarei para eles. Papai me manda as fotos dos seus filhos e de Arizona ela é muito bonita, agora entendo como você se perdeu em amores por ela. Bem Carlos acabou de fazer seis anos e Elena está com um dois e meio, ela me lembra muito você, é espontânea, irreverente e cheia de si.
– Você é cheia de si.
– Não sou não, então quando vem conhecer minha família?
– Quando for convidada, mas antes faz uma coisa por mim.
– E o que seria?
– Vem comigo ao hospital e se consulta com Derek Shepherd, ele o melhor especialista do país, ele é viciado em tumor ele já tirou tumores de todos os tipos tenho certeza que vai poder ajudar você.
– Ah não Callie eu já passei por três cirurgiões diferentes é sempre a mesma resposta.
– Você me deve Ária, então vem comigo e te darei meu perdão.
– Você já me deu Callie.
– Não totalmente.
Naquela tarde Ária me acompanhou até o hospital, procurei por Shepherd ele prontamente se dispôs a examiná-la. Eu a acompanhei em todo o processo.
– Boa tarde Sra. Torres-Jones eu sou Dr. Shepherd essa esses são meus assistentes nesse caso, Dra. Edwards e Dra. Wilson, Você foi diagnosticada por meu colega Dr. Hilton de Miami com um tumor em seu lombo frontal.
– Exatamente Dr. Shepherd estou aqui por insistência de minha irmã, e pode me chamar de Ária.
– Então Ária como estava falando.
Minha irmã o interrompeu energicamente.
– Eu sei o que esse tumor significa Dr. Shepherd você é o quarto médico que visito em um mês, bem então vamos lá ver se você me diz algo novo.
– Ária dê um pouco de crédito ao Derek, ele é o melhor na sua área.
– Obrigado Callie, bem Ária preciso fazer mais exames que consigam ao mais real possível para ver como posso tirá-lo.
– Então Dr. estou a seu inteiro dispor não vou a lugar nenhum.
– Certo Dra. Edward e Dr. Wilson vão acompanhá-la e depois nos falamos.
Shepherd saiu do quarto da minha irmã meio atordoado Ária era bem diferente de mim, não tinha o mesmo carisma e falava com as pessoas com muita autoridade e arrogância, ela tem muito ainda que aprender.
– Derek o que você acha?
– Está vendo o tumor aqui, ela está em uma região muito incomum e não é nada bom é um tumor de um tamanho considerável, que está alojado em uma área de difícil acesso e que pode comprometer algumas funções.
– Derek você pode tirar?
– Sim eu posso Callie.
Ele colocou o exame no monitor do computador e começou a explicar como será o procedimento.
– Eu vou entrar por esse anglo aqui, pois acho que os danos serão menores ou até inexistente.
– Esse é parte do cérebro que coordena as emoções e as memórias antigas.
– Exatamente um deslize e ela pode não saber mais quem é ou até mesmo não conseguir sentir a emoção de um beijo.
– Ária você está entendo os riscos?
– São apenas esses?
– Não toda cirurgia tem risco de você sofrer um infarto durante ou um AVC ou até mesmo não acordar da anestesia.
– Qual a porcentagem de chance de tudo isso acontecer, Dr. Shepherd?
– Um por cento de chance.
– Então eu autorizo a retirada.
– Derek de quanto tempo você precisa para se preparar?
– Dois dias. Tenho que treinar um residente.
– Então terei dois dias de turismo pela cidade, então Callie ainda sou bem vinda em sua casa?
– Sempre, mas você deveria passar esse dia com seu marido e filhos, não acha?
– Vou ligar para o Phil.
Ária voltou no meu carro para minha casa enquanto eu terminava o meu turno no hospital.
Quando chegamos em nossa casa, ela estava fazendo o jantar.
O Jantar foi descontraído tive que ouvir Ária contar sobre nossa infância algumas histórias que me envergonhavam até, mas hoje riamos de tudo, Ária já tinha bebido muito vinho quando um assunto que nunca comentávamos veio à tona.
– Lembra de Mike Mcdonavan, Ah claro que você lembra dele Callie seu primeiro amor, desculpa Arizona não deveria falar sobre isso né.
– Não, não deveria e acho que não deveria beber mais também.
– Ah Callie deixa de ser chata até parece mama cheia daquelas regras de etiqueta e de pecados e de igrejas e rezas, Ária você não pode ser assim, não pode fazer isso Deus não aprova e não pode amar seu primo Raul porque é pecado e você vai para o inferno e olha onde estou isso é um inferno, me dá essa garrafa eu vou beber tudo que eu quiser, eu tô morrendo Callie e fiz tudo que mama quis, me casei com um bom homem católico, moro do lado da casa dela e tô morrendo então onde eu errei?
– Ária!
– Pare Callie não tem mais e nem menos Ária, eu deveria ter fugido com Raul pelo menos eu teria um casamento mais emocionante, olhe pra você e Arizona duas mulheres lindas tem uma família linda mama é um idiota por não ver isso, onde tá o pecado aqui, sabe quantas vezes você se tocaram e se beijaram desde que chegaram eu perdi as contas no dez eu pude sentir o amor no ar desde o momento em que entrei por aquela porta, vocês estão doidas pra eu ir dormir, vocês querem fazer sexo eu sinto daqui a excitação de vocês, e aposto que gostam de fazer no chuveiro e em todo lugar dessa casa, não é? Responde Callie me deixa com inveja.
– Ária!
– Vai responde Callie.
– Sim fazemos no chuveiro e em outros lugares, mas o que isso tem a ver?
– O que tem a haver Callie, tudo tem haver eu e meu marido, somos mornos na cama, é aquele sexo xoxo sem emoção uma ou duas vezes por semana e às vezes nem nos vemos nus. Callie é quente não é Arizona?
– Sim ela é.
Arizona que agora apenas observava o desabafo da minha irmã respondeu.
– Então eu sou quente também, então o que é falta de amor. Será que Phil não me ama ou eu não ao amo com a mesma paixão que amei Raul ele sim era quente o chão tremia em nossos pés eu devia ter fugido com ele, mas ele era pecado, porque os pecados são mais gostosos? Mas com Phil ele é tão recatado tão sem graça.
– Talvez devesse falar com ele sobre suas necessidades, vocês são casados trocaram votos.
– Eu me sinto tão cansada que nem consigo ver mais as coisas, olha eu não vejo mais a taça então vou beber na garrafa mesmo, acabou esse você tem mais um? Será que o tumor afetou minha visão Callie o tumor pode fazer isso?
– Não é o tumor é o vinho que afetou sua visão não temos mais você bebeu todo o estoque e se você tivesse fugido com Raul hoje seria uma garçonete frustrada e cheia de filhos para criar com um marido na cadeia, se me lembro Raul está preso por envolvimento com drogas.
–Mas ele era lindo e quente, vou sair pra comprar mais bebidas.
– O único lugar para onde vai é nosso quarto de hóspede, vem vou te levar pra cama.
– Callie você lembra de quando você e Lili Jhonson ficaram bêbadas na garagem lá de casa, vocês beberam toda tequila do papai?
– Sim papai me deixou de castigo por todo o verão.
Tirei as roupas da minha irmã sobre protestos e frases de você lembra e éramos felizes, até ela adormecer.
Quando finalmente Ária dormiu, Arizona já estava na cama, passei pelos quartos dos nossos filhos pra uma última olhada e me dirigi ao meu, foi ao banheiro fiz minha higiene troquei minha roupa e deitei ao lado de minha esposa.
– Porque ultimamente todo bêbado que conhecemos vem se alojar em nosso quarto de hóspedes.
Arizona fechou o livro que lia e sorriu.
– Por que eles gostam de estar em nossa casa, aqui o amor está sempre no ar.
Rimos das palavras de Ária sobre nossa casa nos aconchegamos mais uma na outra.
– Callie quem é Mike Mcdonavan?
– Alguém que não lembrava há muito tempo.
– Você o amou?
– Eu amo você, a partir de amanhã por um mês inteiro serei a esposa da chefe de cirurgia do Grey- Sloan Memorial?
– Já sou chefe hoje, Hunt me passou o cargo mais cedo.
– Então isso merece uma comemoração.
Comecei a beijar a nuca da minha esposa e passar as mãos pela sua barriga e seios, ela gemia, depois de um tempo ela se virou e começou a me beijar e descia sua língua pelo meu queixo e o pescoço, a agarrei pela bunda e enfiei a mão por dentro da sua camisola.
– Quero você nua.
Sussurrei em seu ouvido e tirei a camisola, deixando apenas a calcinha. Ela tirou minha blusa em seguida minha calça do pijama junto com a calcinha e foi descendo sua língua até meu umbigo, isso me deixava louca a impedi de chegar onde pretendia invertendo as posições, deitando por cima do seu corpo lindo.
– Hoje eu que mando, será as minhas vontades eu sou a chefe nessa cama agora.
Ela sorriu e tentou inverter o jogo e não deixei a beijando loucamente ao mesmo tempo em que imobilizava suas mãos e fui descendo lambendo seus seios e barriga até chegar onde eu desejava, fizemos amor loucamente. Arizona era uma gata selvagem na cama e sempre me deixava marcas o que não foi diferente naquela noite.
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