Seguindo em Frente
21 A Irmã III – Ária Torres
Acordei na manhã seguinte com uma tremenda dor de cabeça e gosto de cabo de guarda-chuva na boca, levantei e sentei na cama para me situar onde estava e me lembrei estar na casa da minha irmã em Seatlle e que na noite anterior tomei todo seu estique de vinho, na mesinha de cabeceira em baixo do meu celular encontrei um bilhete.
“Querida irmã
Suas roupas estão na cadeira e tem toalhas limpas e uma escova dente no banheiro, o café está na cafeteira e tem analgésicos ao lado, panquecas no forno, leite, suco e queijo na geladeira, porfavor tranque a porta se for sair, se for precisar de taxi use esse número para chamar, o endereço da nossa casa está no verso. Te vejo em breve.
Beijos
Callie”
Callie estava sendo muito gentil e carinhosa, na verdade Callie estava sendo Callie, minha irmã mudou seus hábitos e gostos isso era visível em toda sua vida até mesmo no carro que dirige, onde estava aquele Ford Thunderbid antigo de dois lugares azul que costumava dirigir, agora tem SVR confortável e seguro de uma mãe de família, sua casa não se parece mais com aquele lugar sombrio que era seu quarto, é grande clara e muito bem decorada, claro que nisso tem muito dedo da Arizona, ela com aquele sorriso de covinhas, como alguém pode ser tão sorridente o tempo todo.
A casa fica no meio do quarteirão de um bairro residencial chique e muito arborizado perfeito para se criar filhos, uma casa térrea de arquitetura moderna e bem espaçosa, janelas grandes que aproveita bem a luz natural, com uma piscina, um grande jardim bem cuidado, com brinquedos de crianças, dois balanços, uma escorrega e uma gangorra, uma garagem para quatro carros.
Peguei meu café e um analgésico e fui fazer um tur pela casa no Lob de entrada tem um espelho com um aparador e uma bandeja de prata de muito bom gosto, onde se via claramente ser lá colocado as correspondência no lado oposto um armário para bolsas e casacos, sua entrada dava para a ampla sala de estar com a lareira e um pequeno home-office que dividia espaço com um canto para as crianças brincarem, no outro lado dava em um enorme sofá em L vinho de camurça com chaise e uma enorme TV de 80” posta sopre um painel de madeira de demolição, no fundo ficava a cozinha com enormes armários brancos com detalhes marrom, geladeira, forno, micro-ondas e uma adega climatizada, ao meio uma ilha com o fogão, a pia e uma bancada com quatro bancos, ao lado ficava uma mesa com tampo de vidro escura e 10 cadeiras estofadas em tecido colorido o piso é de carvalho maciço e laminado o que fazia o maior contraste com as paredes claras.
No pequeno home-office, há dois painéis um cheio de desenhos de Sofia e outro emoldurado com fotos das crianças com os avós e amigos algumas dessas pessoas conheci no hospital no dia anterior, tem fotos delas com Sofia e Tim brincando na neve e algumas fotos que parecia ser do aniversário de Sofia, e muitas crianças de todos os tipos, a que mais chamou minha atenção foi uma onde Sofia estava com um casal mais velho segurando um peixe na frente de um lago com certeza são os pais de Arizona.
Na estante que faz frente a este painel dividia com vários livros de medicina e dicionários de várias línguas mais algumas fotos, nelas se vê Arizona bem mais jovem abraçada a um jovem também loiro e olhos azuis em uniforme da marinha, deduzi ser o irmão dela em outra ela, o irmão e outro jovem fuzileiro naval, logo uma foto de Callie, Arizona em vestido de noiva e um homem mais velho alto de olhos verdes, ao lado uma foto do mesmo homem segurando Sofia, deduzi ser Mark o pai dela, em outra foto reconheci o rapaz latino nosso primo Hector, ele morreu alguns anos antes em um acidente de carro, ele e Callie eram muito amigos.
Olhando essas fotos pude ver que Callie está escrevendo sua própria história e quando a família lhe virou as costas muitas outras pessoas lhe estendeu a mão e hoje ela construiu algo que ninguém poderia lhe tirar. Hector se estivesse vivo com certeza estaria naquelas fotos.
Ainda em minha exploração pela casa fui ao quarto do casal, é um local espaçoso com uma cama de casal king as paredes eram claras e no fundo um papel de parede vermelho carne com algumas borboletas colado nele, anotei mentalmente para perguntar a Callie o porquê das borboletas, um criado em madeira que parecia ser de lei de cada lado da cama, na parede de frente a cama uma rack com uma TV grande, ao lado esquerdo do quarto um pequeno espaço de leitura que continha uma poltrona moderna reclinável de couro preta e um puf da mesma cor e uma mesa de canto com uma luminária, de frente a janela que dava para o jardim e na parede de frente a essa poltrona um pôster em tamanho natural de Callie e Arizona vestidas de noiva no dia do seu casamento elas pareciam muito felizes, mas um dia importante da história de minha irmã do qual não fizemos parte.
Por um instante me lembrei de minha mãe e de suas palavras sobre esse casamento. “Ária você está proibida de comparecer a este casamento já me basta uma filha que criei e eduquei com tanto amor indo para inferno se depender de mim trarei Calliope de volta para casa e veremos o que fazer para reverter essa situação em que ela se encontra diante de Deus” Mamãe não sabia de nada, ela se quer deu chance a Callie de mostrar o quanto está feliz, pelo que soube pelo meu pai Callie e Arizona passaram por muito e estavam ali juntas criando seus filhos com seus valores e com muito amor quem em sã consciência poderia dizer que Deus não estava ali.
Sentei um pouco na cama e fiquei observando o quarto, o cheiro é uma mistura do perfume das duas, tudo muito limpo e arrumado, na verdade tem alguns brinquedos e objetos das crianças em cima do criado e da estante em frente a cama assim como muitas fotos dos quatros espalhada pelo quarto. Levantei e fui até o banheiro que coisa de cinema com hidromassagem, chuveiro grande, pias conjugadas e vaso sanitário, realmente Arizona e Callie capricharam nesse cômodo. Depois dessa exploração resolvi sair, passei uma mensagem para Callie.
“Obrigado Callie por cuidar de mim, e agradeça e peça desculpa a Arizona pela bebedeira de ontem, amei conhecer sua família em breve vou lhe apresentar a minha. Sei que é ocupada, mas tem um tempo para o almoço estarei no saguão do hospital em breve. Bjs”
Almoçamos juntas naquele dia em um restaurante próximo ao hospital. Contei a Callie sobre meus filhos e suas aventuras e sobre meu casamento com Phil, ela me aconselhou conversar com ele e dizer como me sinto e juntos apimentarmos o relacionamento com mais romance e sexo.
– Estou depositando minha confiança nesse Dr. Sheppher e andei fazendo umas pesquisas essa manhã e li algumas coisas boas sobre esse hospital, os médicos daqui são inovadores e malucos por cirurgias, então se algo não pode ser feito aqui dificilmente vai ser feio em outro lugar.
– É nós somos viciados em curar pessoas. Callie me olhou e deu um belo sorriso.
– Então Callie me fale de Sofia e Timoty.
– Sofia é nosso milagre, ela nasceu muito prematura apenas vinte três semanas de gestação e meio kilo, ninguém poderia prever o que poderia acontecer com um bebê tão pequeno, ela foi forte e conseguiu, depois que a levamos para casa nossa preocupação ficou em torno de seu desenvolvimento tínhamos medo dela ter problemas de aprendizagem e outros físicos devido ao sangramento no cérebro apesar de pequeno, não deixava de ser sangue no cérebro, ela é um pouquinho menor que as crianças da sua idade, só um pouquinho porque o meu tamanho e do Mark a ajudou nisso então a desvantagem em relação as outras crianças é pouca, ela é inteligente e esperta pra sua idade e faz perguntas incríveis que nos deixa em situações complicadas as vezes. Tim ainda é muito jovem e já tem suas vontades ele é muito calmo está sempre sorrindo e gosta fazer bolhas com a boca e comer o pé, Arizona diz que ele se parece comigo prefere dormir a comer e tem o cabelo dourado como o da mãe e olhos azuis escuros.
– O que eles gostam?
– Sofia gosta de desenhar você viu o painel em nossa casa que fica sempre lotado e temos que fazer acordos para tirar alguns, Tim gosta de um coelho que Karev, o padrinho, deu pra ele, não podemos nem lavar está sempre babado e de colocar o pé na boca, não ha meias que cheguem, ah! Sofia gosta também de coisas do coração humano ela já sabe nomes de algumas artérias.
– Do coração humano isso é grande?
– É uma longa história em resumo sua madrinha é Cristina Yang uma super-estrela cirurgiã cardio-toráxica, que está empenhada em fazer sua afilhada sua sucessora.
– Então Sofia já está predestinada a ser uma cirurgiã.
– Esperamos que sim Sofia e Tim tem um grande legado em cirurgia nesse hospital, Mark foi o melhor de seu tempo em sua área e Arizona é a melhor cirurgião pediátrica do país e eu bem tento dar o meu melhor.
– Não seja modesta Callie eu tenho visto seu nome em diversas coisas relacionadas a ossos e cartilagem regenerativa, um livro e uma vídeo-conferência em TED a maior feira de inovações tecnológica, isso não é para qualquer um.
– É eu tento ser o melhor.
– E as borboletas?
– O que tem as borboletas?
– As que estão pregadas no seu quarto.
– Ah isso, você andou explorando a minha casa?
– Só um pouco então o que são aquelas borboletas.
– Algo entre mim e Arizona, elas estão sempre nos seguindo, sempre que nos encontramos na vida lá estão as borboletas.
– Entendo.
– Você ligou para nossos pais?
– Sim eles veem depois de amanhã para acompanhar a cirurgia.
– Mama também?
– Mama também.
Senti uma nuvem de tristeza nublar os olhos de Callie, agora entendia um pouco do que ela sentia.
– Talvez esse tumor seja o motivo de nossa família ficar juntas novamente, mama está vindo e vai ter a chance de ver como a garotinha louca dela cresceu e se tornou uma Senhora responsável mãe de uma família linda e uma grande médica.
– Não tenho tantas esperanças assim, ela fala de mim?
– Olha não fica assim você conhece a nossa mama é teimosa feita uma mula, uma hora ela muda de ideia e tudo fica bem, tenha fé.
– Eu tenho fé.
Passei a mão pelo rosto de minha irmã e enxuguei a lágrima que escorreu, Callie não mudou tanto assim, ela ainda é a minha irmãzinha e precisava ajudá-la.
Liguei para o Phil naquela manhã contando onde estava e que pretendia deixar esse Dr. Shepherd abrir minha cabeça, ele ficou esperançoso e preocupado ao mesmo tempo e pegou o primeiro avião para Seatlle aquela manhã e chegou no início da noite, pensei em irmos para o hotel mas Callie insistiu em ficarmos em sua casa até o dia seguinte quando seria internada para preparação da cirurgia, nossos filhos ficaram com seus pais, já que os meus embarcariam no dia seguinte para Seatlle, não vi motivo de trazê-los para tão longe.
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