Seguindo em Frente
22 A Cirurgia – Callie Torres
O dia da cirurgia chegou e com ela a família, Phil veio na tarde anterior em que minha irmã foi internada ele ficaria com ela e meus pais no dia seguinte, seus filhos ficaram com os pais de Phil.
O sol de Seatlle estava quente anunciando que o verão estava a todo vapor e que a tarde teríamos mais chuvas. Sofia não tem pré-escola hoje então Arizona e eu estamos levando os dois para creche logo cedo antes de enfrentarmos mais um dia de trabalho Arizona estava substituindo Hunt na chefia que estava na Alemanha treinando um pessoal em trauma.
– Você acha que eles já chegaram?
– Não sei acho que sim, minha mãe é a mulher mais pontual que conheço já devem estar por ai no hospital, mas não sei se vou vê-la.
– Você quer vê-la?
– Não sei.
Estávamos parando o carro em nossa vaga no estacionamento do hospital quando recebi a mensagem do meu pai dizendo que nos esperava no saguão. Quando Sofia viu o avô saiu correndo pulando em seu braços.
– Abuelito.
– Oi minha netinha linda estava com saudades.
– Abuelito porque não foi para nossa casa?
– Por que Abuelito queria te esperar aqui.
Papai me abraçou e beijou como de costume e deu um beijo em Arizona e logo que colocou Sofia no chão pegou Tim.
– Hey menino lindo Abuelito estava com saudades de você também como você cresceu o que suas mamães estão dando pra você comer, enhen garotão?
– Hey meninas como vocês estão?
– Bem respondemos juntas.
– Abuelito tia Ária veio a minha casa e nós brincamos sabia que eu tenho primos que vou conhecer.
– Sério Sofia, e ai você gostou dela?
– Sim ela é engraçada, ela brincou assim de Zumbi, ohohohoh. Mama posso ficar com abuelito hoje?
– Não Sofia hoje abuelito tem outra coisa importante pra fazer depois mais tarde talvez ele possa ficar um pouco com você.
– Sua mãe está com ela, eles já vão leva-la para cirurgia.
Papai ainda segurava Tim em seu colo quando percebemos que ele tinha pego a cola de sua camisa de seda impecavelmente passada e colocado na boca, agora estava toda babada.
– Tim pare a camisa do abuelito não é comida, desculpa Carlos ele está na fase de que tudo que pega vai à boca.
– Não se preocupem, abuelito é pra isso né garotão.
– Bom vou levar as crianças para creche já estou atrasada, vamos Sof.
– Hey Sofia, vá para creche e abuelito vai vê-la mais tarde ok.
Sofia balançou a cabeça não muito contente.
– Eu vou ajuda-la e já volto.
Sofia subiu sobre protestos, ela estava segurando a mão de Arizona e eu segurava Tim no colo que brincava com meu colar, quando o elevador parou no segundo andar ninguém além de minha mãe estava parada de frente, era a primeira vez que ela via toda minha família ali, na verdade eu não sabia o que fazer eu fiquei atônita. Arizona foi quem nos salvou.
– Bom dia Lucia.
– Bom dia.
– Bom dia mama.
– Bom dia Calliope.
Ela entrou no elevador em silêncio e se colocou em nossa frente de costas para nós e para seu desgosto o elevador subiu mais cinco andares antes de voltar a descer. A situação era constrangedora nunca em minha vida eu pensei em passar por essa situação as pessoas a nossa volta estavam totalmente alheia a todo o drama que nos envolvia, à medida que o elevador parava em outros andares, pessoas desciam e subiam e nós sempre éramos saldadas com um bom dia. Cada bom dia produzido era um desconforto para ela eu percebia isso porque tínhamos o mesmo tique de ajeitarmos os ombros quando estávamos nervosas e em desacordo com algo que deveríamos engolir e para ajudar Sofia estava falante essa manhã e ainda não se conformava em não passar o dia com seu abuelito.
– Mama porque não posso ficar com abuelito hoje?
– Porque abuelito tem algo importante pra fazer hoje.
– Porque Tia Ária não dormiu em nossa casa hoje?
– Porque Tia Ária tem algo importante para fazer hoje?
– Porque todo mundo tem coisa importe pra fazer hoje?
– Porque somos adultos Sof e adultos tem coisas importantes para fazer todos os dias.
– Eu posso então ligar para vovó Babara?
– A noite quando chegarmos em casa você pode falar com vovó pelo skip.
– Oba, ela disse que tem uma surpresa pra mim.
– Porque isso me dá medo.
Minha esposa respondeu, seguido de um sonoro suspiro eu apenas sorri, durante todo tempo eu lutava com Tim para não colocar meu colar na boca enquanto ele ficava no seu bumbumbum. O elevador parou no quarto andar entrou mais funcionários inclusive um animado Dawson que se espremeu no meio das outras pessoas e pegou a cadeirinha de Tim que estava na mão de Arizona e a bolsa de meus ombros. Com todo o pessoal entrando no elevador minha mãe foi forçada a ficar a minha direita, Dawson era um dos residentes que entrou para substituir as vagas deixadas por Shane e Brooks, ele é inglês, possui uma educação impecável e um enorme interesse por ortopedia o que me agradava muito, mas o que tinha de educação tinha de timidez.
– Bom dia Dra. Torres, Dra. Robbins e pequenos Robbins-Torres.
– Bom dia Dr. Dawson. Falamos juntas.
Sofia agora estava entretida com os botões do seu casaco.
– Dra. Torres as próteses robóticas acabaram de chegar estou ansioso para começarmos a quarta fase da pesquisa e já tenho todos esses e-mails de confirmação para a palestra de apresentação sua e do Dr. Shepherd e já quase não temos mais lugares, tem gente vindo do outro lado do país, não era pra menos você é uma grande diva da medicina ortopédica uma inovadora na área.
– Obrigado Dawson, você é um bom assistente.
– Dawson, espero que todo esse entusiasmo seja apenas para as habilidades cirúrgicas da minha esposa.
– Perdão Dra. Robbins eu não queria ofender apenas estou interessado nos ensinamentos da Dra. Torres você também é uma ótima médica e professora.
O elevador parou no andar da creche para alívio de minha mãe que já estava deveras constrangida por toda aquela conversa dentro do elevador nós saltamos com Dawson em nosso encalce. Deixamos as crianças na creche e seguimos para nossos afazeres. Limpei toda minha agenda do dia passaria o dia com minha família esperando pelo termino da cirurgia de Ária, atenderia apenas casos de emergência de vida ou morte. A previsão de duração da cirurgia seria de oito horas, então seria um longo dia, passei meu cartão de plantão despedi de minha esposa segui para área cirúrgica encontrei-me com Ária e Phil na última parada antes de entrar na área esterelizada.
– Hey, pensei que não a veria antes da cirurgia.
– Hey, oi Phil.
– Oi Callie Ária estava perguntando de você.
– Eu seguirei com você até lá dentro, vou ficar até você dormir.
– Essa é a vantagem de ter irmã cirurgiã.
– Essa é uma delas.
– Sr. Jones você só pode vir até aqui.
– Certo.
Phil beijou Ária nos lábio e disse.
– Amor eu te amo e estarei esperando por você aqui fora, e lembre-se nossos filhos estão esperando por você então pelo amor de Deus volte para nós, suas lágrima escorreram pelo rosto. Callie cuide dela certo.
– Pode deixar Phil eu vou cuidar.
Fiquei com Ária até anestesia fazer efeito que foi rápida.
– Dra. Torres será preciso pedir que saia.
– Não Dr. Shepherd, Derek, por favor faça o seu melhor.
– Eu farei o meu melhor.
Sai da sala e fiquei alguns minutos na porta esperando ele dizer.
– Está um belo dia para salvar vidas.
Quando ouvi as palavras sai em direção a capela era ali que eu me refugiava toda vez que precisava chorar ou pedir algo a Deus fiquei ali não sei quanto tempo rezando para que Deus salvasse a vida da minha irmã para que ela possa ver seus filhos crescerem e seus netos nascerem.
Estava de joelho rezando quando senti alguém sentando ao meu lado. Terminei de fazer minha suplica a Deu abri meus olhos, uma mão quente e macia tocou meu rosto e limpou as lágrimas.
– Sabia que te encontraria aqui. Então como você está?
– Tendo fé.
– Posso ficar aqui um tempo e ter fé com você?
– Você deve.
Fiamos ali sentadas de mãos dadas em silêncio cada uma nos seus pensamentos por um bom tempo.
– Callie você deveria procurar sua família eles estão na sala de espera aguardando por notícias.
– Minha mãe não que me ver.
– Sua mãe não é a única que está lá, estive na galeria e Shepherd já chegou no tumor vá levar notícias a sua família.
Como Arizona me sugeriu passei pela galeria da OS e fiquei um tempo olhando Shepherd mexer na cabeça da minha irmã ele me avistou e disse.
– Dra. Torres acredito que quer notícias, estamos dentro do tumor ele é maior e mais espessos que pensamos mas está pronto pra ser retirado ele não causou nenhum dano ainda e não vou deixá-lo causar.
– Obrigado Dr. Shepherd.
Sai da galeria e segui para o saguão, quando Phil me viu ele me abraçou e chorou no meu ombro.
– Callie me diz que tem boas notícias por favor.
Esperei que se acalmasse e passeio o que Derek me disse, para eles as palavras de Derek era um mínimo de nada, mas para nós cirurgiões era dizer que tudo estava indo como o planejado, por que nós cirurgiões não planejamos cirurgias para dar errado e sim para darem certo, nós estudamos o problema, traçamos planos, treinamos a nós e nossa equipe para entrarmos lá e salvarmos aquela vida consertando sua anomalia.
Durante quase seis hora ficamos naquela sala esperando e esperando era só o que podíamos fazer, de vez enquanto pegava minha mãe me olhando mas não trocamos nenhum palavra, pela sala de espera passou Mer, Alex e Avery, Bailey, Kpener e Webber, Ben e alguns residentes, assim como outras enfermeiras nos trazendo um pouco e conforto e ajudando a passar o tempo, meus amigos já tratavam meu pai com intimidade o chamando pelo primeiro nome, minha mãe e Phil eram apresentados a todos. No final da manhã Arizona e Cristina romperam pela porta da OS seguida por um dos residentes elas estavam para dar a notícia a família de uma criança de dois anos que o transplante de pulmão e coração tinha sido um sucesso. Vi a mãe da criança abraçar minha esposa em prantos.
Phil que estava sentado ao meu lado perguntou?
– O que Arizona e a outra médica estão fazendo?
– Dizendo àquela mãe que o filho dela vai viver.
– Então são lágrimas de alegria, o que tem o filho dela?
– Transplante de pulmão e coração, essa mãe está alegre por ter mais tempo para cuidar de seu filho, mas nesse momento outra mãe chora a perda do seu bebê. Em um transplante alguém morre para que se órgão viva em outra pessoa.
– Como vocês aguentam isso?
–Tentamos acreditar que fazemos mais bem que mal.
Minha mãe que estava sentada ao lado de meu pai não perdia um lance se quer de conversas.
Arizona e Cristina se aproximaram de nós Cristina estendeu a mão em cumprimento a meu pai.
– Sr. Torres, bom revê-lo pena ser nessas circunstância.
– Dra. Yang bom vê-la novamente também, essa e minha esposa Lúcia e meu genro Phil. Ela estendeu a mão aos dois em um sonoro prazer.
– Callie tem alguma atualização?
– Shepherd terminou a retirada da primeira parte, vai algumas horas ainda, mas até agora tudo está como planejado.
O page de Cristina tocou.
– Isso é bom, bem se me dão licença tenho uma consulta, até mais.
Arizona e Phil se mantinham um pouco distante em outra conversa paralela.
– Essa médica ela parece estranha.
– Quem Yang? Sim ela é muito estranha, com o tempo você se acostuma.
– Vocês cirurgiões são todos estranhos, já passou cada um por aqui.
– Imagino que já tenha conhecido nossos amigos.
– Com certeza alguns.
– Na verdade eu preciso de um café, Callie me trouxe o último e não quero fazê-la ir buscar novamente pode me dizer onde encontrar um.
– No primeiro andar na cafeteria, agora se quiser um melhor pode atravessar a rua tem um café bem ao estilo europeu e você pode obter algum alimento também.
– Obrigado.
Vinte minutos depois os peitos de Arizona indicaram que Tim precisava mamar, quando deixávamos a sala de espera para creche papai pediu para nos acompanhar.
– Preciso de um abraço dos meus netos.
Phil convidou minha mãe para um pequeno lanche, ela aceitou prontamente.
Durante a tarde tivemos algumas visitas.
– Torres pode verificar essa ressonância para mim? Era Karev com os exames de um recém nascido com má formação nos pés.
– Ele tem uma má formação nos pés precisa de cirurgia para colocar os tendões no lugar e muita fisioterapia, mas pode ser consertado.
– Você pode consertar?
– Alex estou de folga hoje, mas posso fazer amanhã, veja meus horários e agenda uma OS.
– Obrigado Torres.
Tivemos outra consulta rápida.
– Dra. Torres minha paciente deu entrada no PS com muitas dores na coluna então pedi uma ressonância e veja o que eu achei. Era Kepnner.
– Um tumor nas vertebras ele está invadindo os anéis por isso tanta dor, é um tumor inteligente veja Kepner ele está contornando o osso da vertebra para alcançar mais espaço e por coisas assim que me tornei cirurgiã ortopédica, ele precisa ser tirado o quanto antes, o que ela está tomando.
– Apenas analgésicos receitados pelo outro ortopedista.
– Interne-a e dê-lhe morfina, agende a cirurgia para amanhã, veja com Karev, que já tenho uma agendada com ele, ninguém merece sentir tantas dores assim.
– Obrigado Callie sua irmã?
– Ainda com Derek.
Depois dessas consultas ainda tivemos mais duas visitas Dawson com sua enorme lista de confirmação para a palestra da semana seguinte sobre minha pesquisa e do Derek, Arizona esteve conosco mais duas vezes ela e Phil pareceram gostar um do outro e finalmente quando já fazia oito horas e meia que estávamos ali esperando Derek surgiu pela porta nos informado que a cirurgia tinha sido um sucesso e minha irmã estava viva ainda não acordara teríamos que esperar, ela iria ficar na UTI durante a noite procedimento padrão para uma cirurgia como essa. Phil iria ficar com ela, depois de passar pela UTI e ver minha irmã fui para casa me juntar a minha família estava exausta.
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