Seguindo em Frente
13 A festa de Sofia – Callie Torres
É verão então a piscina será bem aproveitada para a festa de aniversário de Sofia, contratamos alguns garçons, um churrasqueiro e duas moças para tomar conta dos brinquedos e das crianças. O que era para ser uma pequena reunião no quintal de nossa casa se tornou uma coisa grande.
Sofia está adorando tudo, eu tenho que ser má e colocar limites nas duas, coisa que não está sendo fácil com Arizona nos últimos dias, quase todas nossas conversas sobre a festa acabava em lágrimas e eu cedendo aos caprichos de ambas.
Os pais de Arizona chegariam alguns dias antes da festa para minha alegria assim seria dispensada de algumas funções que seriam atribuídas a Barbara e Daniel Robbins. Meu pai chegaria no dia anterior à festa o que gerou um grande conflito já que Barbara e Daniel estariam hospedados em nossa casa, meu pai não achava justo já que ele é avô do mesmo jeito teria que ficar mais perto da neta, então agradeci pela primeira vez a casa grande assim montamos um novo quarto de hospedes, Pela primeira vez agradeci por minha mãe não vir, as coisa ficariam difíceis de administrar com todos lá.
Mamãe e Ária nunca mais falaram comigo desde o casamento, minha irmã é mais velha que eu dois anos e se casou com um engenheiro católico apostólico romano que trabalhava nas empresas da família Phil Stones, um ano antes de meu casamento desastroso em Las Vegas com George, e seu primeiro filho nasceu logo depois que rompi com a família e fui deserdada, o bebê era dois anos mais velho que Sofia um garoto que ela batizou com nome de nosso pai e que só conhecia por fotos que papai me enviava, seu segundo filho nasceu na mesma época do acidente de avião, é uma menina, fiquei feliz por ela e triste ao mesmo tempo por não participar da sua felicidade, eu estava feliz e em cinco meses nasceria meu segundo filho felicidade que também não seria compartilhada com minha mãe e irmã.
Fico triste por Sofia que não conhece sua avó, tia e primos de sangue, o interessante é que quando nossa própria família nos abandona Deus nos envia outras pessoas para chamarmos de avós, irmão, mães, tios e primos, Sofia tinha Daniel e Barbara e meu pai, avós que a amava e fazia tudo que queria até demais para desespero meu e de minha esposa e uma infinidade de tios da família do hospital que a amava desde o dia em que nasceu que lutaram pela sua vida desde o momento que entramos machucadas no hospital e sempre lutariam, porque somos assim lutamos e protegemos quem amamos.
Estava eu divagando sobre minha vida sentada na sala dos atendentes, antes de trocar minha roupa e ir para casa, quando meus pensamentos foram interrompidos por uma voz já conhecida.
– Torres o que faz ainda no hospital, está de plantão?
– Bailey, não estava apenas tendo um tempo de descanso é a primeira vez que sento desde que almocei.
– Dia difícil? Você parece cansada.
– Um pouco e você?
– Ben está de plantão Truck na casa do pai, aniversário da nova esposa, então estou indo pra casa só, mas quer saber? Precisamos de uma bebida, avisa tua esposa que vou te levar pra uma bebida no Joe’s antes de ir para casa, vamos anda Torres não me faça repetir.
– Eu aceito. Avisei Arizona que estaria no Joe’s com Bailey para uma bebida, mas que logo iria pra casa.
Foram mais que uma bebida no Joe’s. Na verdade Bailey precisava conversar éramos amigas ha bastante tempo entendia sua deixa. Depois de algumas bebidas Bailey se abriu e começou a falar sobre sua vida com Ben.
– Sabe Torres eu admiro você, depois de tudo que vocês passaram, foram ao inferno e voltaram e conseguiram dar a volta por cima e parecem felizes e vão ter outro bebê, sabe que eu quase me divorciei novamente alguns meses atrás, eu quase não perdoei o Ben e olha que ele apenas abandonou queria abandonar seu sonho de cirurgião.
– Estamos felizes Bailey, mas nada foi fácil o custo foi muito alto, o trauma da Arizona quase nos destruiu mutuamente, mas hoje posso andar de cabeça erguida novamente e sonhar com um futuro, então acho que tem valido a pena sim, houve dias que pensei que não conseguiria.
– As pessoas falam você sabe que esse hospital é uma fábrica de fofocas e as pessoas falam que você é uma heroína, sabe que quando você e Arizona estavam separadas havia uma fila e apostas para quem você pegaria primeiro, todos achavam que você voltaria aos tempos do Sloan e como ele não está mais entre nós, haviam muitos candidatos para ocupar o lugar dele.
– Sério Bailey, onde eu estava que não ouvi isso.
Demos uma bela risada sobre isso.
– Estava se escondendo Torres, assim como eu me escondi da vergonha do fracasso, veja como é as coisas eu me orgulhava de ser a cirurgião mais cuidadosa do hospital e três pessoas morreram por minhas mãos.
– Você não cometeu nenhum erro Miranda, você se contaminou por conta de um produto falho que pessoas sem noção de medicina decidiram comprar para poupar gastos, você foi tão vítima como seus pacientes, poderia ter acontecido com qualquer um de nós.
– Hoje eu sei Callie, eu entendi depois de passar por terapia e remédios mesmo assim desenvolvi TOC e tenho que usar remédios. Hoje eu entendo o que aconteceu comigo, com você e Arizona que ela estava doente e precisava de ajuda, nós médico não gostamos de ficar doentes e não admitimos que precisamos de ajuda então só acordamos quando perdemos algo importante em nossa vida ou cometemos erros, erros que quase são irreparáveis ou irreparáveis. Eu quase perdi o único homem que me amou de verdade e que entende minhas necessidades e agora ele quer um filho, o que acho justo já que tenho um ele quer um também.
– Então?
– Estamos tentando.
– Fico feliz amiga, um filho é tudo de bom, não vejo a hora de ver a carinha do meu com aqueles olhinhos azuis iguais os da mãe e o sorriso de covinhas fico toda boba só de pensar.
Miranda me deu um tapa no braço e disse.
– Você sempre foi toda boba Torres. Você sabia que Owen Hunt está pensando em adotar uma criança?
– Eu ouvi os comentários.
– As pessoas falam Torres.
– As pessoas falam Bailey.
Aquela noite tive que ir de taxi pra casa tomamos várias bebidas, cheguei em casa por volta das onze horas e Arizona estava vendo TV na sala.
– Hey querida, ainda acordada e Sofia?
Aproximei dela e abaixei para um beijo em seus lábios.
– Você bebeu tequila Calliope?
– Só algumas doses com Bailey.
Tirei minha jaqueta ela instantaneamente a pegou e começou a cheirar.
– Era só você e Bailey ou tinha mais alguém?
– Era só eu e Bailey quem mais poderia?
– Ora Calliope, estou ficando gorda e feia e aquele hospital tem fila de pessoas querendo ter uma chance com você.
– Arizona você não está falando sério né?
Comecei a olhar pra ela e rir, mas logo me arrependi porque seus olhos azuis estavam rasos d’agua e vi uma lágrima escorrer pelo seu rosto, os hormônios atacavam novamente, a abracei mesmo que ela me empurrou no começo.
– Querida você está linda carregando nosso filho, eu te amo e não estou disponível para nenhuma fila.
– Callie estou ficando gorda, você passou a semana toda enfiado no hospital, você está me evitando?
– Arizona você esteve no hospital todos os dias dessa semana também, onde você quer chegar com isso?
– Callie você é linda e....
– Hey, pare não vamos por esse caminho de novo, “Eu te Amo Arizona Robbins” e não há motivo algum para duvidar disso, certo.
Olhei em seus olhos e confirmou com um aceno de cabeça.
– Desculpa Callie é que esses hormônios estão me enlouquecendo, eu tenho tanto medo de estragar tudo de novo e você é linda e as pessoas te desejam até os pacientes dão em cima de você.
– Ninguém vai estragar nada dessa vez Arizona, nosso bebê está crescendo saudável e estamos indo bem, vamos dar um passo de cada vez e lidar com cada problema que surgir até o fim sem varrermos pra debaixo do tapete certo. Eu não estou te evitando e não fui ao Joe’s pra evitar vir pra casa eu amo estar em casa com você e Sofia, mas hoje era Bailey quem precisava falar, hoje fui apenas uma boa amiga ouvinte.
– Bailey está com problemas de novo?
– Não acho que seja problema, Ben quer um bebê.
– Ah!
– Agora que Hunt está pensando em adotar e nós vamos ter mais um bebê, parece que todos querem um também.
– Ah!
– Eu preciso de banho e o aconchego da minha esposa na cama, você vem?
– Para o banho ou para a cama?
– Para o que você quiser.
Nosso bebê começou a se mexer na décima oitava semana, estávamos deitadas em nossa cama falando sobre a festa de Sofia. Arizona estava tentando me convencer a contratarmos um mágico, quando me virei e comecei a passar a mão na sua barriga e falar com ele.
– Bebê aqui é mama, me ajuda estou sozinha nessa luta e tenho perdido todos os dias, era pra ser uma festinha para sua irmã mais velha e já temos um festão, fala pra sua mamãe que temos que parar de inventar coisas, parei de falar, Arizona me bateu nas costas chamando pelo meu nome.
– Calliope? Calliope?
– Ai o que foi, algo errado?
– Continua, continua falando.
– O quê está havendo?
– Continua Calliope falando com o bebê.
– Hey bebê o que está havendo ai dentro, mamãe está surtando agora, nós te amamos mama, mamãe e Sofia ela é sua irmã mais velha.
Falava com o bebê enquanto observava Arizona, rindo e chorando ao mesmo tempo.
– Callie ele está mexendo, enquanto você fala, ele mexe ao som da sua voz.
Não resisti e agarrei minha esposa em um beijo doce e apaixonado e depois beijei muito sua barriga. Nosso bebê está lá crescendo saudável aproveitando todos os momentos como deve ser.
Hoje é a festa de aniversário de Sofia a casa está toda enfeitada, Papai e Daniel fizeram um bom trabalho com a supervisão de Arizona é claro, houve momento que achei que eles desistiriam, o perfeccionismo atacou com tudo, mas agora olhando está lindo as pessoas que trabalharão na festa já estão todos aqui em seus postos, falta meia hora para a chegada dos convidados, Sofia está pronta e ansiosa Daniel e Barbara tentam entretela com algo na varanda, Arizona está em nosso quarto experimentando roupas já que nada fica bom, ela está grávida de cinco meses sua barriga está bem saliente e se sente gorda, fui expulsa do meu quarto quando ela perguntou pela décima vez se o vestido que usava a deixa gorda e respondi que ela não estava gorda e sim grávida em fim fui derrotada. Fui até minha adega climatizada, agora temos uma e peguei uma garrafa de vinho a fim de obter uma taça, meu pai se aproximou.
– Mi hija, quero uma taça também.
– Claro pai.
Nos servi o vinho, enquanto ele me olhava.
– Então como vão as coisas?
– Estamos conseguindo pai, obrigado.
– Os pais são para isso Calliope, para segurar os filhos quando eles se atiram da ponte. Lembre-se disso você terá que fazer isso algumas vezes por Sofia e pelo bebê que Arizona carrega.
– Obrigado por ter nos segurado pai, se não fosse por você não estaria aqui hoje.
– Estou feliz que vocês tenham se acertado e feito lembranças novas e felizes para apagar as velhas e tristes.
Envolvi meu pai em abraço apertado e demorado ele me beijou e sussurrou em meu ouvido.
– Estou orgulhoso de você mi hija, você lutou por sua família e a salvou, é isso que bons pais fazem, você é aquela que eu criei pra ser.
– Obrigado Pai.
– Arizona?
– Experimentado roupas.
– Não deveria ajudar?
– Eu gostaria, mas ela me mandou sair.
– Os hormônios!
– Sim.
Ouvi os passos de Arizona levantei a cabeça para ver ela está deslumbrante em um vestido de verão azul piscina que realçava seus olhos uma maquiagem leve e o cabelo preso pra trás, como joia ela usa nosso colar símbolo do nosso amor e os brincos que lhe dei de presente no natal sua barriga de cinco meses de gravidez está linda. Meus olhos se encontraram com os dela e senti meu coração parar naquele momento, minha barriga está cheia de borboletas voando por todos os lados como no dia de nosso primeiro encontro, pensei alto nesse momento.
– Deus como amo essa mulher!!!!
Meu pai me deu um tapa nas minhas costas e sorriu sussurrando em meu ouvido.
– Todos sabemos disso e ela também.
Apenas sorri, nossos olhares permaneceram juntos enquanto ela caminhava em minha direção. Carinhosamente ela beijou meus rosto e disse baixinho em meu ouvido.
– Calliope você está linda!!!
– Você também querida.
Meu rosto imediatamente se avermelhou e vi meu pai se afastar nos dando espaço para curtirmos aquele momento.
A festa de Sofia correu tudo bem nossos convidados vieram quase todos, tivemos muitas crianças filhos de funcionários do hospital que ficam na creche com Sofia, algumas crianças que conhecíamos do parque e nossos amigos do hospital, Mer, Derek, Zola e Bebê Bailey, Alex e Jô, Jackson e April, Bailey, Ben e Turck, Webber e Catharine Avery, Cristina e Owen e dois casais vizinhos com seus filhos, com quem fizemos amizade desde que nos mudamos para nossa casa.
Sofia estava radiante com sua festa que além de tudo que uma criança gosta de comer ainda tivemos mágico, brinquedos e brincadeiras e piscina, quando o último convidado foi embora nossa filha estava jogada no sofá dormindo, dei uma limpada para tira o excesso de doce troquei-lhe a roupa e papai a colocou na cama.
Papai vai embora amanhã atrás de seus negócios e os Robbins na segunda-feira.
Jackson e April depois de sofrer uma grande repreenda da Dra. Catharine Avery, que não se conformava com atitude de Jackson e muito menos por não saber do envolvimento dos dois estavam se ajustando a sua nova condição de casados e por incrível que pareça eles já tiveram a primeira e outras brigas que levou April a ficar conosco alguns dias, até hoje ouvíamos comentários sobre o não-casamento, Matthew pediu transferência para outra cidade por não aguentar as fofocas todas as vezes que levava um paciente até o hospital.
Lembro-me do dia em que Catherine adentrou o hospital, louca a procura dos dois, e os trouxe cada um em uma mão pela orelha arrastando-os pelos corredores até uma sala de reuniões. Todos podiam ouvir.
– Mãe pare não pode fazer isso, está me envergonhando sou um cirurgião e membro do conselho.
– Você se envergou sozinho Jackson quando se levantou no meio do casamento dessa jovem e acabou com ele, deveria ter pensado nisso antes e como eu não sabia sobre esse envolvimento?
– Você prometeu ficar fora da minha vida pessoal.
– É verdade Jackson eu prometi a você não a Kepner.
– Você está zangada pelo Jackson ter atrapalhado o meu casamento ou por não saber do nosso envolvimento.
– Eu não sei Kepner o que mais me deixa zangada ser a última a saber do casamento ou ver meu filho fazer papel de tolo na frente de todos.
Alex e Jo estavam morando juntos foi o máximo que Jo aceitou depois do pedido de casamento desastroso que Alex lhe fez, depois da morte do pai do Alex as coisa ficaram muito difícil para ele, encontrar o pai depois de vinte anos e perdê-lo por um erro de um residente atormentado não foi nada fácil, Shane só não foi demitido do hospital porque Cristina o defendeu mas a convivência entre ele, Alex e Jo se tornou impossível, então ele pediu transferência, já tínhamos passado por muito naquele hospital e sempre nos apoiamos, mas nesse caso não foi possível ficar com Shane, Shepherd e Webber conseguiu uma vaga pra ele em Clevelend, Alex concordou em não processá-lo e nem ao hospital desde que ele fosse embora.
Cristina foi jantar em nossa casa na noite em que a convidei e tocamos no assunto que mais a feria, estávamos cansados de ver ela e Hunt sofrendo pelos cantos do hospital, eu e Arizona sabíamos o que era isso então delicadamente abordamos esse assunto enquanto comíamos pizza e tomávamos vinho, Cristina ia de tequila.
– Porque você não propõe ao Owen adoção tardia, você não quer um bebê, Owen quer filhos seria uma solução, uma criança mais velha não iria tomar tanto de seu tempo e você pode continuar sendo a estrela da Cardio e Owen teria o filho que ele quer.
– Eu não sei Callie, filho é filho em todas as idades.
– Mas pense bem Cristina você está sofrendo por perder o amor da sua vida e Owen está caindo aos pedaços e por mais que gostamos da Emma ela não o faz feliz, não é todo dia que encontramos o amor da nossa vida, e quando encontramos não podemos deixá-lo escorregar pelas mãos, temos que lutar.
– Sabe Callie tenho muito medo de ser como Ellis Grey e deixar uma criança perdida para ser criada por estranhos em um hospital, veja Mer e Derek fazem sacrifícios em suas carreiras pelos filhos, você a Arizona passaram o diabo e estão de pé pra ter outro filho, não sei se consigo, minha vida sempre foi focada em ser o melhor cirurgião Cardio-toráxico do pais eu me preparei para isso não sei se posso fazer concessões. Amo Zola, Sofia e Bailey, mas não sei se posso ser mãe.
Naquela noite Cristina dormiu em nosso quarto de hóspedes desde que estamos morando nessa casa já tivemos Kepner por mais de uma vez, Karev, Yang e até Hunt já esteve naquele quarto bêbado, acabo achando que nossa casa era um porto seguro para nossos amigos com problemas amorosos e bêbados.
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