Seguindo em Frente

19 A Irmã – Arizona Robbins


Tim está agora com sete meses e os dentes estão nos dando trabalho principalmente à noite, essa noite seria uma daquelas depois que tentei acalmá-lo nas primeiras horas e não fui bem sucedida, Callie ficou com a segunda etapa da noite e quase virou a madrugada sentada na cadeira de balanço com ele dormindo em seu ombro acordei já estava quase de manhã fui até seu quarto e os encontrei dormindo Callie sentada com Tim nos braços, a cutuquei e falei baixinho.

– Callie, me deixa por ele no berço, você vai ficar com dores nas costas em dormir assim.

– Devagar ele só se acalmou a pouco tempo, o remédio só fez efeito agora pouco.

O peguei com cuidado e o coloquei no berço, ele deu uma resmungada e continuou dormindo.

– Vem vamos pra cama já é quase de manhã.

– Estou exausta e com dores em todos os lugares imagináveis, como conseguimos passar por isso com Sofia?

– Tínhamos Mark.

– Ah sim Mark! Sinto falta dele, principalmente nessas horas.

– Eu também.

Callie deitou na cama e dormiu imediatamente.

Sofia desenvolveu um hábito de uns tempos para cá, de acordar e ir ao nosso quarto para verificar se nenhuma das mães passou a noite fora o que era muito comum em nossa profissão, as chamadas de madrugada e até os plantões alternados que temos se um dos lados estava vazio ela se deitava e nos abraçava, então dormir nuas se tornou um privilégio raro, que só desfrutávamos quando estávamos sozinhas em casa, ouvi o clique da porta se abrindo e seus pequenos passos pelo quarto tentando não fazer barulho, senti Callie se mexer então fiz pisiu para que ela não a acordasse.

– Mama está dormindo ainda ela está cansada e precisa de mais um pouco de sono.

– Mamãe estou com fome, minha barriga está fazendo barulho de monstro.

– Claro menina grande, vamos para cozinha que mamãe vai fazer panquecas com chocolate.

Levantei-me e coloquei a prótese com Sofia em pé ao meu lado olhando tudo com atenção, ela nunca fez perguntas sobre a perna, contamos a ela que sofri um acidente de avião e que minha perna ficou muito ferida por isso foi preciso amputá-la e que nesse mesmo avião estava seu pai, que por ferimentos muito profundos no coração veio a falecer, mas ela nunca nos questionou sobre nada, mas em seus olhinhos podia se ver que seus neurônios trabalhavam.

– Algum problema Sof.

– Não mamãe, só estou com fome.

– Certo então vamos fazer algo para matar essa fome antes que esse monstrinho acorde de novo.

Peguei em sua pequena mão enquanto ela tentava sair pé por pé sem fazer barulho que era uma tarefa bastante difícil para ela. A levei até a cozinha e com sua ajuda preparei nosso café da manhã, fazia muito tempo que nós duas não ficávamos sozinhas e como sempre Sofia é muito falante e me contava coisas da escola e de seus amiguinhos e me fazia muitas perguntas, nessa idade nós pais somos seus heróis e para eles somos uma enorme enciclopédia onde temos respostas para tudo e Sofia estava nessa fase de porquês, tudo tem que ter um porquê.

Callie acordou já passava da dez da manhã, Tim estava no carrinho brincando com seu coelho de pelúcia presente de Karev e Sofia assistia algum desenho na tv enquanto montava um brinquedo com blocos da lego, estava ocupando esse tempo calmo que era raro para ler um artigo médico em uma das revistas científica que recebíamos durante a semana, ouvi seus passos pela sala e levantei minha atenção até ela.

– Bom dia moça bonita.

– Bom dia amor e filhos lindos.

Ela se aproximou e me deu um beijo na boca, beijou a testa Timoty foi até Sofia e deu-lhe um beijo na bochecha. Que lhe devolveu um sonoro bom dia.

– Bom dia mama.

– Tem panquecas de chocolates no forno, quer que as esquente?

– Obrigada as como frias mesmo, só quero um café quente com creme.

Ela foi até a cafeteira pegou seu café quente com creme e as panquecas no forno, sentou-se ao meu lado de onde dava pra ver nossos filhos em suas atividades.

– Então ele tá mais calmo? Quais os planos pra hoje?

– Pensei em ficarmos em casa e descansar, essa semana Tim tem nos drenado as forças, pedimos aquele bife maravilhoso daquele restaurante novo do Shopping para o almoço, o que você acha?

– Pra mim tá ótimo adoro aquele bife, adoro ficar em casa com a família.

Beijou mais uma vez meus lábios que correspondi um pouco mais animada, adorava beijá-la.

A conselheira matrimonial nos aconselhou a fazer coisas que toda família normal, normal quer dizer, que não são cirurgiões vinte e quatro horas por dia faz em seus dias livres, como ir ao Shopping, pique-niques em parques, passeios em Zoológicos juntos para reconstruir nossa intimidade de família mesmo depois da alta decidimos continuar a fazer isso algumas vezes no mês, Hunt é um chefe muito solidário e procura sempre dar folga em dias comuns aos diversos casais formados no hospital depois que levamos essa proposta ao conselho, assim daria mais tempo para as famílias estarem juntos o que ajudou muitos casais em dificuldades conjugais depois que eu e Callie descemos ao inferno em nosso relacionamento passei a observar melhor as pessoas que trabalham conosco e mal pude acreditar ao saber que haviam muitos casais formados no hospital e que muitos enfrentavam dificuldades no relacionamento e muitos filhos que necessitavam a presença de seus pais.

O dia passou rápido como combinado aproveitamos o dia para descansar e ver alguns filmes que Sofia gostava, na verdade eu também adoro esses desenhos da Disney, Callie protesta as vezes mas também gosta muito.

Nossa vida estava perfeita, passamos pela grande tempestade, houve danos e conseguimos consertar, agora tudo caminhava em seu perfeito curso.

A segunda amanheceu chuvosa, o que não era novidade para nós moradores de Seatlle, aqui chove quase o ano todo, com previsão de um pouco de sol para as tarde e noites frias mesmo no verão.

Estávamos novamente presas no trânsito agora por conta de um vazamento de esgoto que estava sendo consertado, mais uma vez uma pista estava interditada.

Eu verificava meus emails no celular enquanto Callie tentava ouvir o noticiário do rádio local, com Timoty e Sofia fazendo barulho no banco de trás, Sofia se esforçava em ensiná-lo a cantar, mas em seus sete meses de idade a única coisa que sai é muito barulho e baba.

– Crianças vocês, podem ficar quietos um minuto estou tentado ouvir essa notícia.

– Não sei por que você gosta de ouvir essas notícias de manhã no carro Calliope.

– Esse noticiário fala do transito de Seatlle, se houve acidentes e por ele quase posso prever quantos ossos terei que consertar no dia.

– Calliope você é um gênio.

A puxei pela gola da jaqueta e a beijei. Sofia atrás bateu palmas e incentivava Tim a fazer o mesmo.

– Olha Tim mamãe tá beijando Mama, elas se amam.

– Você gosta disso né menina grande?

– Eu gosto de ver vocês beijando, Tim também gosta.

O transito foi liberado fizemos a mesma rotina de sempre deixamos Sofia na Pré-escola a levei no colo até a porta do colégio porque a chuva continuava e se ela fosse andando com certeza colocaria os pés dentro de alguma poça e adeus sapatos secos e chegamos ao hospital alguns minutos depois, , Callie pegou Timoty dentro de sua cadeirinha e nos dirigimos a creche, o Saguão do hospital já estava lotado, pacientes e acompanhantes esperando por consultas, familiares esperando por notícias de pacientes sendo operados, visitantes. Dei uma breve olhada por cima e tudo parecia lotado.

Como previa o dia foi longo, de manhã o PS estava lotado de pessoas que se acidentaram devido a chuva esse tempo lembrava muito as pessoas de sua vida solitária e o hospital parecia ser um porto seguro para elas, muitas tinham lesões leves ou apenas uma gripe elas estavam tão solitários em busca de atenção que paravam ali no nosso PS , no final da manhã tivemos uma grande emergência um parede de 20 metros desabou em cima de cinco operários em uma construção três deles tinham traumas graves e ossos esmagados. Nessas horas agradeço por ser pediatra.

Callie Teria que participar das três cirurgias porque nosso outro cirurgião ortopédico decidiu amputar o braço de um deles o que foi terminantemente contra. Enquanto ela participava de suas três cirurgias simultâneas e sem hora para terminar o hospital recebia uma visitante.

No Saguão.

Uma mulher muito bem vestida em um terninho Dolce & Gabbana cinza e sapatos que custaram mais que muitos salários de funcionários que trabalhavam ali, puxando uma pequena mala preta de rodinhas se aproxima do balcão de atendimento.

– Por favor onde posso encontra Dra. Calliope Torres.

– Bom dia Senhora, você tem consulta agendada com a Dra. Torres?

– Não, meu assunto com ela é particular onde posso encontrá-la?

– Dra. Torres está no centro cirúrgico atendendo uma emergência sem hora para terminar.

– Posso aguardá-la aqui?

– Claro Senhora, só creio que ela vá demorar, não quer deixar recado ou agendar um horário e voltar amanhã?

– Obrigada mas prefiro esperar.

Já se passava mais duas horas quando a mesma mulher se dirigiu novamente ao balcão.

– Moça pode me informar se a Dra. Torres ainda vai demorar?

– Senhora como disse antes ela está em uma grande emergência sem hora para terminar. A senhora deveria voltar amanhã ou então deixar uma hora agendada com ela.

– Não obrigado prefiro esperar.

E a mesma cena aconteceu mais uma vez.

Faltando cinco minutos para as dezoito horas e termino do meu turno, cheguei ao posto de enfermagem e informação no saguão do hospital.

– Alicia pode localizar a Dra. Torres para mim, por favor.

– Dra. Torres ainda está em cirurgia, agora com Dr. Shepherd e sem hora para terminar.

– O caso dos operários ainda?

– Sim.

– Então serei apenas eu e as crianças para o jantar, vou passar uma mensagem para ela dizendo que estou indo, obrigada.

– Ah! Dra. Robbins desculpa me intrometer, mas aquela senhora muito bem vestida ali com aquela mala preta está a procura da Dra. Torres e já perguntou por ela três vezes ela lhe parece conhecida?

– Não me lembro de conhecê-la, algum paciente de Callie? Ela realmente parece um pouco familiar.

– Não, ela disse ser assunto particular.

– O que acha Bailey?

Bailey acabava de chegar no balcão e prestava atenção na mulher.

– Ela não me é estranha, vocês perguntaram o nome dela?

– Não Senhora.

– Acho melhor você ir ver ela está atrás da sua esposa, pode ser importante.

– É eu vou lá.

Caminhei até a mulher e me coloquei a sua frente, ela lia alguma coisa no tablete.

– Boa tarde Senhora, sou Dra. Arizona Robbins, posso ajudá-la em alguma coisa.

A mulher elevou os olhos da tela do tablete e me encarou.

– Ária Torres estou esperando a tarde toda pela minha irmã.

E estendeu a mão para me cumprimentar que apertei um pouco reticente.

– A irmã de Calliope.

– Ela deve te amar muito só nossos pais a chama de Calliope.

– É o que parece, então Calliope está em uma emergência e não tem hora de terminar, você já ficou aqui a tarde toda não vai querer ficar o noite também.

– É você tem razão estou com o bumbum dolorido de ficar nessa cadeira a tarde toda e com fome, acho que preciso encontrar um hotel, tinha esperança de falar com minha irmã e ela se lembrasse da hospitalidade latina e me convidar para ficar em sua casa, então vim direto do aeroporto.

Ao ouvir aquelas palavras algo me tocou e por uns instantes analisei a situação Callie ficava triste por estar longe de sua família agora sua irmã estava ali na minha frente somos casadas e então posso convidá-la a ficar em nossa casa, a mulher a minha frente parecia cansada e faminta, então estenderia minha mão e Callie ficaria feliz.

– Ária você veio em paz? Você sabe quem eu sou certo?

– Sim eu sei a esposa da Callie, posso lhe garantir que vim em paz.

– Então posso exercer a hospitalidade latina por Calliope essa noite, você pode ficar em nossa casa você parece cansada e hotel a essa hora com toda essa chuva é complicado, só tenho que ir buscar meus filhos na creche e encontro com você aqui.

– Obrigado eu aceito e aguardo não vou sair daqui.

Voltei ao saguão vinte minutos depois, vestida com minhas roupas normais e trazendo Tim dormindo em sua cadeirinha e Sofia agarrada ao meu cinto, com um jovem estagiário carregando suas bolsas.

– Então Ária podemos ir meu carro está no estacionamento.

– Deixe me ajudá-la suponho que essa linda garota é Sofia, olá Sofia.

E estendeu a mão para nossa filha que ficou um pouco receosa de pegar.

– Sof essa é sua tia Ária ela é irmã da mama, diz olá pra ela.

Então Sofia estendeu a mão.

– Olá Tia Ária.

– E esse garotão só pode ser Timoty.

– É esse é meu irmãozinho Tim, você é a Tia que nunca veio nos visitar?

– Sof, não pode falar assim.

– Deixe-a, eu mereço, então Sofia posso segurar a sua mão.

Sofia me olhou pedindo permissão.

– Você pode segurar a mão de sua tia Sof ela vai pra casa conosco.

Caminhamos até o carro em silêncio, depois que colocarmos as crianças no banco de trás Ária tomou o lugar do passageiro ao meu lado, o silêncio era meio constrangedor, até minha cunhada quebrar o silêncio.

– Então você é a esposa.

– Sou e você é a irmã.

– Sou, Callie sabe que estou aqui indo pra sua casa?

– Callie está em uma cirurgia complicada de múltiplas fraturas isso leva horas, cinco operários formam soterrados por vinte metros de concreto em um canteiro de obras, uma parede desabou devido excesso de chuvas, muitos ferimentos isso leva tempo pra ser consertado. Não é prudente interrompê-la durante esse processo.

– Callie é a única cirurgiã ortopédica desse hospital?

– Com suas habilidades sim, ninguém conhece mais de ossos em todo noroeste do país ou talvez do pais todo, se ela não poder consertar não creio encontrar alguém que possa.

– Nossa essa nem parece a minha irmãzinha atrapalhada.

– Ela é uma excepcional cirurgiã e pesquisadora não tem nada de atrapalhada dentro da OS. Então o que a trás a Seatlle?

– Vim consertar um erro cometido ha anos.

– Calliope!

– Você acha que ela pode me perdoar?

– Em primeiro momento, não, mas se insistir com certeza.

– Essa é a minha irmãzinha que conheço.

Os vinte minutos que ficamos no carro juntas pudemos nos conhecer um pouco, quando chegamos em nossa casa permiti a Sofia brincar um pouco na varanda enquanto dava de mama a Tim, Ária observava toda a casa em todos os aspectos.

– É uma bonita casa, a decoração é muito bonita dá para ver um pouco de cada uma de vocês, na verdade não imaginava nada como isso.

– Na verdade você imaginava que morávamos em uma nave espacial, somos gays Ária, não extraterrestres, temos as mesmas necessidades que qualquer casal tem, ter onde morar de forma descente para criar nossos filhos, ir ao supermercado comprar nossa comida, não vivemos na “Gaiola das Loucas”.

– Desculpa você e Callie cozinham ou a cozinha é apenas enfeite, é uma bela cozinha.

– Nós cozinhamos, hoje mesmo vou fazer um filé que está em marinada ha dois dias, pena que Callie não vai experimentá-lo é seu prato preferido.

– Ela não volta pra casa hoje?

– Volta só que vai estar tão cansada que não vai comer, e vai direto pra cama, ela prefere dormir a comer.

Enquanto conversávamos e Tim mamava Sofia brincava na varanda de bicicleta e de repente ouvimos um barulho e Sofia chorando, coloquei Tim no carrinho que logo abriu um berreiro e sai em disparada para a varanda, Sofia havia caído e estava com o joelho toda ensanguentado.

– Sof o que aconteceu?

– Mamãe eu escorreguei e caí, tá doendo.

Agora eram dois a chorar descontroladamente abaixei para examinar o joelho de Sofia e Tim se calou.

– Hey menina grande foi apenas um ralado, tem mais sangue que machucado aqui vamos pra dentro vou limpar isso e fazer um curativo.

Nesse tempo Ária entrou e pegou Tim do seu carrinho e tentava acalmá-lo.

– Pode cuidar de Sofia eu fico com ele.

Levei Sofia para o banho lavei seu machucado e fiz um curativo. Quando voltei a cozinha Ária tentava limpar sua roupa o que parecia ser vomito.

– Hey garotão essa roupa custou uma pequena fortuna, e você acaba de vomitar nela, você tem o mesmo desprezo pelo dinheiro da família que sua mama.

Tentei ajuda-la, mas fui interrompida.

– Obrigado e desculpa por isso, ele está sempre fazendo essas coisas.

– Não se desculpe, sou mãe de duas crianças já passei muito por isso e Sofia?

– No sofá foi só um ralado, mais manha que dor, vou preparar o jantar.

Fiz o jantar enquanto Ária cuidava de meus filhos, comemos e pus as crianças na cama enquanto ela lavava os pratos, tivemos um bom tempo juntas onde ela me contou sobre o marido e os filhos e sua vida na Florida.