Segredos e Mentiras
17 Tendo ideias
Notas iniciais
Eu não fui para meu apartamento como sempre ia aos domingos. Ângela e eu vivemos um final de semana de meninas, nós comemos besteiras, rimos vendo filmes de comédia e eu contei os detalhes do encontro diversas vezes. Ela perguntava e eu respondia com animação. Era bom e agradável, me senti com dezessete anos na casa da melhor amiga.
— Bom dia senhorita Swan. – Bill sorriu e eu cumprimentei ele com um sorriso mais feliz. Eu sorria mais e enquanto esperava o elevador chegar fiquei pensando o que seria se papai me visse assim. Me visse feliz como eu me sentia.
Eu troquei rapidamente de roupa e fui arrumar o andar como sempre fazia. Não me surpreendeu o piano ainda estar ali, era bom limpá-lo e ter certeza que ele estava ali. Fui para o escritório de Alice, o tapete dela tinha uma manha de vinho que me deixou louca tentando tirar, e só quando vi a hora corri para seu banheiro para deixar ele limpo e organizado. Tinha roupas no chão que eu juntei para que a lavanderia levasse.
—... eu não sei mãe... – a voz dela me fez congelar. Ela chegou mais cedo. Olhei para os lados sem saber se saia ou terminava o que estava fazendo. – Ele me mandou para o outro lado da cidade resolver algo e quando liguei para o celular dele ele estava em casa...
Ela estava falando de quem?
— Eu fingi que estava com problemas com um cliente sábado e ele simplesmente me disse que segunda resolveria. – era de Edward que ela falava com a mãe. – Eu sei que tem alguém nessa história! – sua voz ficou mais alta e até me assustei com o tom que ela usou. – Não sei quem é...não faço a mínima dessa vez. Achei que tinha me livrado dessas loucas que correm atrás dele, a última vez foi fácil... só que não faço a mínima de quem ela seja!
Eu sentia meu coração acelerar pensando em Alice se livrando das namoradas de Edward. E agora ela sem saber queria se livrar de mim. Me olhei no espelho sabendo que eu seria um alvo tão fácil.
— Esme nem gostava daquela outra. Isso facilitou tudo e ela acabou casando com o Embaixador da Noruega, está grávida e tudo. Preciso ir mamãe, tenho que inventar algo para ter ligado para ele três vezes sábado a tarde.
Alice perseguia Edward. Como ele não via isso? Limpei rapidamente o banheiro e juntei as roupas saindo do banheiro sem vê-la, com certeza ela foi correr atrás de algum problema. Por causa disso atrasei meu horário de preparo do café e Alice entrou enquanto eu fazia o suco.
— Está atrasada senhorita Swan. O senhor Cullen acabou de me avisar que não tem tempo para esperar pela sua demora. – ela estava claramente alterada.
— Não devo mais fazer o café? – perguntei sem entender o que ela quis dizer com as palavras anteriores.
— Deve ser mais rápida! – ela gritou me assustando. – Vou repassar essa demora absurda por ovos e bancon fritos.
Ela saiu e eu fiquei alguns segundos perdida. Lauren entrou com algo nas mãos e olhei ao redor vendo a bagunça na cozinha causada pela minha pressa.
— Você está branca. – ela largou o pacote na bancada e então foi até mim.
— Eu.. atrasei tudo... não sei...
— Respira querida. Calma.
Lauren foi pegar um copo de água para mim enquanto eu respirava como me ensinaram. Controlar o pânico e ansiedade. Se controlar e tentar raciocinar. O barulho dos saltos de Alice me fizeram ter mais um ataque e Lauren ficou assustada olhando de mim para a porta.
— Não está pronto ainda senhorita Swan?
— Não...
— Alice ela precisa de alguns minutos. – Lauren me entregou o copo de água e eu bebi alguns goles imaginando como eu falhei.
— Ela terá todos na rua!
— Não pode demitir ela por ela estar passando mal. – minhas mãos começaram a tremer e Lauren tirou o copo de minhas mãos. – Sente Isabella, você está claramente abalada demais.
— Eu vou...senhorita Brandon...
— Isso é inaceitável. – ela disse com desgosto. – O que está fazendo aqui Lauren? Seu setor já não precisa de você?
— Minha chefe me mandou aqui senhorita Brandon e estou sendo aguardada pelo senhor Cullen, algum problema com isso?
Eu respirava controladamente já conseguindo me acalmar. Respirar e soltar o ar ajudava.
— Então por que está na área que não é da sua conta?
Ouvimos passos e tive vontade de chorar ao imaginar Edward me vendo dessa forma. Ele entrou e Alice logo mudou sua postura para algo mais calmo e doce. Eu olhei para Lauren vendo ela revirar os olhos, meu peito ainda subia e descia com o exercício de respiração.
Edward entrou e logo viu a movimentação estranha. Ele olhou diretamente para mim com um tom de preocupação.
— O que está acontecendo?
— Oh Edward... a senhorita Swan não está se sentindo bem. Acredita que se não fosse por Lauren ela teria desmaiado?
— Chame o médico de plantão no prédio Alice.
— Não será necessário...
— Agora Alice.
Alice saiu e eu senti meu coração acelerar agora por outro motivo. Edward veio até mim com passos largos.
— O que está sentindo?
— Só... um...
— Respira fundo. Calma. Lauren, a quanto tempo ela está assim?
— Já estava branca igual papel quando cheguei.
— Comeu algo de manhã?
Assenti e Alice entrou com um homem de cabelos brancos e uma maleta.
— Preciso de privacidade. – ele declarou. – Muita gente de plateia aqui não ajudará em nada.
— Lauren vamos rever o que Tânia enviou, Alice vá até o jurídico e pegue os contratos que precisam de revisão para que possamos ver as nítidas falhas que eles apontaram no email. Simons chega daqui a duas horas, gostaria que você fosse recebê-lo e almoçasse com ele no restaurante, ele é um parceiro antigo e merece nossos cuidados. Faça uma reserva para dois no Hilton e não esqueça de pegar a encomenda que está chegando...
Edward saiu com Alice claramente atordoada com tanto trabalho e Lauren os acompanhou me olhando com preocupação. O médico fez um exame superficial, fez várias perguntas e depois sentou na minha frente quando eu claramente já conseguia falar e respirar melhor.
— Há quanto tempo tem ataques de ansiedade senhorita Swan?
— Há seis anos. – falei certa que o que falasse aqui ficaria entre nós dois.
— E o que acha que ocasionou esse ataque hoje?
— Eu atrasei as coisas... o café da manhã...
Ele me olhou compreendendo.
— Sabe os exercícios não sabe... os de respiração? – assenti – Quer o dia de folga?
Neguei.
— Acha que consegue passar o dia na empresa?
— Sim.
— Toma alguma medicação para isso?
— Eu rejeitei a medicação. Tomo chá e faço os exercícios de respiração.
Ele assentiu e sorriu.
— Você é uma mulher muito corajosa. Os ataques são fortes às vezes e remédios ajudam a amenizá-los.
— Faço o que posso para não usar.
— Ramal 5 é o ramal da enfermaria. Qualquer coisa é só ligar tudo bem?
— Obrigada. Desculpa incomodar. – ele sorriu.
— Bom... é bom às vezes subir aqui...
Edward entrou sozinho.
— Como ela está?
Tinha mil tons de preocupação em sua voz, o médico se aproximou dele como querendo dar a Edward total atenção nesse momento.
— Bem. Foi algo passageiro não é mesmo senhorita Swan?
— Sim. – levantei da cadeira querendo demonstrar como tinha melhorado. Olhei para a cozinha percebendo que tudo estava um desastre.
— Você ainda está pálida. – Edward se aproximou e passou a mão pelo meu rosto.
Seu gesto foi tão bem vindo nessa onda de ansiedade. Como um verdadeiro calmante para me coração acelerado e mãos tremendo. Eu sabia que tinha corado um pouco de vergonha pela presença do médico, mas nada comparado se eu estivesse realmente bem.
— Ela vai se recuperar, lhe dê alguns minutos. – o médico disse e Edward nem olhou para ele. Me olhando intensamente, como se analisasse ou procurasse algo.
— Ela não precisa do dia de folga?
— Não. – eu respondi junto com o médico. Edward sorriu como se visse coragem nas minhas palavras.
Ele se virou para o médico.
— Obrigado por ter vindo.
— Para isso que estou aqui não é mesmo? Cuide-se senhorita Swan e lembre-se: ramal 5.
O médico foi embora e Edward me olhou novamente.
— Tem certeza que não quer ir para casa?
— Sim. Eu gosto de trabalhar aqui Edward. Desculpa pelo café da manhã...
— Esqueça isso pelo amor de Deus. Janta comigo hoje?
Fiquei surpresa com seu convite.
— Você não vai me levar no Hilton não é mesmo?
Ele riu com meu ar de desgosto.
— Eu poderia, mas não acho que vamos nos divertir tanto como na casa dos meus pais não é mesmo?
— Oh... eles vão pensar...
E antes que eu pudesse formular qualquer pensamento para explicar a eles mal entendidos ou desculpas, Edward sorriu seu sorriso lindo e seguro me cortou.
— Vão amar ter você lá. Mamãe não para de falar de você e Tânia e Lauren vão estar lá... será algo informal e bom. Vamos?
— Não acha que... vai dar ideias...
Ele sorriu e se aproximou me abraçando. Eu o abracei também esquecendo do fantasma de Alice e da bagunça na cozinha.
— Eu quero mais é que tenham ideias. Te pego no seu apartamento as oito. Saia as quatro hoje, vou almoçar fora com uns sócios. E descanse.
Beijou minha testa e saiu. Sorri com seu ar descontraído e leve.
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