Segredos e Mentiras
18 Promessas
Notas iniciais
Eu achava que estava apresentável. Eu não sabia o que significava informal nas palavras de Edward, mas eu fiquei feliz por estar indo rever Esme. Ela era muito agradável e como Ângela mesmo disse o fato dele estar me levando na casa dos pais significava que ele não queria algo superficial. Eu, um dia, teria que enfrentar a realidade que não serviria para ele, mas queria tanto um pouco de tudo que ele oferecia que quase me esquecia de quão errado era tudo isso.
O vestido branco dava um ar angelical e servia bem para um jantar em família. Pelo menos eu achava. Ângela tinha me maquiado mais cedo, mas eu retoquei antes de oito horas. Peguei minha bolsa e desci vendo o carro estacionado, Edward saiu e abriu a porta para mim. Ele estava lindo, casual e sorridente como sábado.
— Minha mãe está ligando de dez em dez segundos perguntando se já estamos chegando.
Eu sentei no carro me permitindo sentir o nervoso. Edward entrou e ligou o carro como se quisesse chegar logo.
— Você está mesmo bem? – ele perguntou olhando para mim.
— Já passou. E o médico foi ótimo.
— Você... tem isso sempre? – eu sentia a cautela dele ao perguntar. Meias verdades.
— Eu tenho ataques de ansiedade. – ele não disse nada por alguns segundos, continuou olhando para frente como se pensasse. Será que era agora que ele sairia correndo? Desistiria?
— Isso aconteceu por causa do café da manhã não é mesmo? – ele estava pensando o que causou isso.
— Mais ou menos... fiquei nervosa com o atraso...eu sempre consigo ser organizada, a cozinha ficou uma bagunça...
— Bella. – eu olhei para ele admirada que ele me chamou assim pela primeira vez – Era só um café da manhã qualquer. Todos nós temos nossos dias mais loucos e desorganizados. Isso não a torna menos qualificada para nada. Meus melhores funcionários já esqueceram de mandar emails, ligar para chefes de equipes ou marcar uma reunião. Isso não nos torna menos competentes ou desqualificados. Você precisa se cobrar menos.
Ele tinha acertado o alvo. Eu queria ser perfeita. Fazer tudo perfeitamente e dar aos meus pais a melhor filha que esse mundo já viu, mas a decepção foi muito grande. Mamãe não teria sobrevivido ao choque que causei a papai, por anos eu achei que a morte dela foi a melhor coisa que já aconteceu. Ela não me olhou da forma como papai fez há anos atrás.
— Bella?
— Ser perfeita era a única coisa que poderia ser para eles Edward. – confessei sem achar que fazia sentido para ele.
— Eu fumei maconha, bebi demais e bati com um carro caríssimo quando tinha dezessete anos. – eu o olhei surpresa. – A gente erra.
O carro parou e vi a mansão. Eu tinha vontade de continuar a conversa e falar com ele, mas porta da frente abriu e uma Esme sorridente veio até nós. Edward desligou o carro e foi abrir a porta mim.
— Que bom que você está aqui! – ela me abraçou e eu retribui me sentindo bem. – Não acreditei quando Edward disse que viria, espero que goste do jantar...
— Eu vou amar. – falei e ela me levou para dentro. Olhei para trás vendo Edward entregar as chaves para um empregado que apareceu. – Carlisle, Isabella chegou!
E na sala de estar sentados no sofá estavam Tânia, Lauren e Carlisle. Todos levantaram sorridentes para vir me cumprimentar.
— Como está querida? Lauren nos contou que você passou mal. Já está se sentindo melhor?
— Bem senhor Cullen.
— Carlisle querida, estamos em família.
Tânia me cumprimentou sorridente.
— Eu acho que ela precisa de férias Edward. Você é um péssimo chefe.
Olhei para trás vendo Edward sorridente e com um olhar admirado.
— Bom, a casa de campo é sempre um local maravilhoso. – Esme sugeriu como se isso fosse natural. – Leve ela lá por uns dias no próximo feriado querido, eu e seu pai estamos programando uma visita a uns amigos nos Hamptosn esse ano, aproveitando nossa temporada mais prolongada aqui.
— Os Jackson estão aqui também? – Edward se aproximou de mim me encaminhando para o sofá. Lauren e Tânia sentaram em outro sofá.
— Estão, acho que a filha deles quer ser finalmente apresentada. A garota é uma verdadeira pérola, mas não tem as mesmas vontades da mãe... isso vai ser uma briga bem interessante. O que quer beber querida?
Olhei para as mãos de todos vendo bebidas alcoólicas.
— Eu sirvo ela mamãe, Bella não bebe.
Edward se levantou indo até o bar e o pai foi acompanhando. Tânia falou da sua última viagem, mais curta do que ela pretendia, mas sua mãe estava passando mal e ela quis acompanhar isso de perto. Esme perguntou pelo noivo de Lauren e só então vi o lindo anel em seu dedo, a conversa sobre casamento começou e Edward e Carlisle continuaram conversando baixo sem atrapalhar a animação de Esme e Lauren sobre lua de mel e presentes.
— O jantar está servido. – uma empregada anunciou e nos levantamos.
Edward e eu sentamos um do lado do outro e sorri vendo ele claramente satisfeito com a organização que Esme tinha feito. O celular de Edward tocou algumas vezes, mas ele prontamente desligou assim que viu o visor. Eu tinha uma certeza dentro de mim que era Alice, mas Esme sorria toda vez que Edward apenas desligava o celular e continuava a conversar. Em anos não me sentia tão bem e acolhida, Carlisle perguntava pelos cursos de culinária, me indicou um amigo que dava aulas aos sábados, Esme falou da casa no campo com entusiasmo e só sossegou quando Edward pediu as chaves.
Tânia e Lauren nos faziam rir de alguma história das duas e me surpreendi por ninguém falar de negócios, na verdade, não pareciam tão importantes como o mundo os via. O jantar terminou e fomos para sala tomar um café.
— Você precisa vir aqui mais vezes, eu sei que amanhã trabalha e que já está tarde, mas prometo que será somente por duas horas.
— Trago ela semana que vem o que acha mamãe?
— Uma ótima ideia. Tânia vai estar aqui?
— Não... Nápoles me aguarda queridos e eu quero muito me aventurar.
Todos riram e Lauren comentou sobre como quer aproveitar ela ainda na cidade para discutirem negócios. Nos despedimos e respirei fundo quando Edward começou a dirigir. Apesar de cansada, eu estava bem. Edward estacionou em frente ao meu prédio e então me olhou.
— Eu amei essa noite Bella.
Ele pegou minha mão e beijou. E eu sorri amando essa nova interação.
— Obrigada por me proporcionar esta noite.
— Eu sei que você tem suas resistências. – ele não largou minha mão e eu gostei desse contato – Eu sei que não é tão simples assim, mas eu quero te pedir uma coisa. Nos dê essa oportunidade.
Eu não tinha como negar, não tinha forças e nem vontade. Eu queria mergulhar nesse sentimento.
— Não consigo ficar longe. – confessei e ele sorriu. – Mas eu tenho um passado Edward, ele não é bonito.
— Quando esse coração estiver preparado. Eu estarei aqui Bella.
As lágrimas finas caíram e ele limpou com seu gesto delicado.
— Não quero que ninguém saiba. – falei recuperando as forças em mim – Não quero ser apontada como...
— Você não vai. – disse firme.
— Não quero que ninguém saiba Edward. Ninguém mesmo.
— Minha família sabe. – disse sorrindo.
— Mas eu trabalho para você e você... bem... você é alguém...
— Você também é. – ele disse beijando minhas mãos me causando arrepios. Eu nunca senti isso antes.
— Não sou como você.... e você entendeu. Promete. Promete que isso é nosso e de mais ninguém...Eu não sou de espetáculo e não quero ser a atração principal. Durante anos eu lutei pela paz que tenho agora.....isso é importante para mim, como meu trabalho. Eu não quero dar motivos para ninguém.
— Eu prometo que isso. – ele disse com seus olhos brilhando e eu sorri. – Isso é nosso Isabella. Só nosso.
E então nos beijamos. Foi um beijo diferente, era como se tudo que houvesse entre nós caísse e que agora pudéssemos verdadeira andar juntos. Eu coloquei minha mão em seu rosto alisando seus cabelos enquanto seus lábios aproveitavam os meus e eu amei a sensação que estava sentindo, era uma paz e serenidade que nunca senti antes. Era como se eu estivesse completa, mesmo sabendo que nunca mais seria a mesma depois de tudo que aconteceu.
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