Segredos e Mentiras
19 Me aceita
Notas iniciais
— Tudo que eu precisava agora era isso. – eu estava arrumando a bandeja do café da manhã e Alice estava no telefone. – Soube que ontem teve um jantar particular e Lauren foi! Lauren foi acredita nisso? Edward nem me convidou ou Esme...
Tentei transparecer tranquilidade enquanto derramava a calda no recipiente que separei.
— Isso não é chá para a rainha Isabella! – eu me assustei olhando para ela – É só um café da manhã e ande rápido com isso.
Fui pegar os ovos e bacon.
— Eu acho que ele oficializou algo com Tânia. – quase sorri para este absurdo. – Eu sei que ela viaja demais, mas não é conveniente demais? Ele só precisaria vê-las às vezes.
Arrumei a bandeja e fiquei esperando ela perceber que já podia levar.
— Não tenho como me livrar de Tânia. Ela está acima disso e você sabe, eu não tenho nada contra ela e sua vida é inconstante demais para que eu siga alguma pista ruim. Ela namorou aquele político... talvez tenha algo nisso, mas eu não sei... – ela olhou para mim com um olhar irritado – Leve isso agora, avise a Edward que estou em uma ligação importante. Ele vai comer na sala dele.
Ela continuou falando no telefone sobre Tânia ou Lauren, ela desconfiava que Lauren poderia ser o novo caso de Edward. Alice era completamente louca e queria que ela achasse mesmo que Edward estava com alguém que não fosse eu, agradeci a Deus por Tânia e Lauren serem pessoas que Alice não poderia atingir.
Edward estava sentado lendo uns papéis e se surpreendeu com minha entrada, imediatamente ele levantou para me ajudar. Sorri para ele sentindo uma saudade inexplicável, eu o tinha visto ontem no jantar, isso não era possível.
— Como você está? Dormiu bem?
Ele colocou a bandeja na mesa e voltou para mim. Olhei para a porta sabendo que Alice entraria a qualquer momento, mas ele não me tocou apenas ficou mais perto.
— Bem. Tudo bem.
— Está cansada? Saímos tarde ontem...
A porta abriu me assustando e Tânia entrou cantarolando sacudindo sua bolsa de pequena e vermelha. O sorriso dela me acalmou e sorri para ela.
— Bom dia pompinhos.
— Você deveria aprender a bater na porta. – eu vi como ele me olhava preocupado, mas meu coração estava desacelerando. Sorri transmitindo confiança e ele relaxou.
— Nunca precisei bater antes... estavam...
— Tânia! – Edward gritou e ela riu.
— Vim sequestrar sua namorada. – corei quando ela disse isso.
— Eu... hum...
— Onde vai levar ela Tânia? São apenas oito da manhã.
— Eu sei que não quer perder ela de vista, mas está tendo uma amostra de comidas internacionais na Galeria de San Lukas e pensei pudesse levar ela. Vão vender vários produtos, quadros culinários, chefes vão dar amostras de gastronomia molecular. O que é isso querida?
Sorri com a cara de Tânia, como se isso fosse coisa do outro mundo.
— É basicamente e resumidamente o estudo da interação química que acontece quando estamos cozinhando. O que nos leva a várias técnicas novas e mais eficientes, além de brincar com os sentidos. Você come uma coisa fria achando que é quente e o inverso. Um exemplo é claro.
Tânia me olhava com os olhos brilhantes e se virou para Edward com uma expressão de determinação muito forte. Seja lá o que ela quisesse, não iria aceitar um não como resposta.
— Ela precisa ir nesse evento Edward! Você quer ir não querida?
Eu não podia negar como queria mesmo participar de algo assim, seria uma oportunidade única.
— Sim... – falei sentindo a timidez vir com força.
— Edward libere Isabella e nos deixe ter um dia de meninas inteligentes.
Sorri me sentindo bem que Tânia estava animada e feliz.
— É claro! – ele falou convicto e eu não sabia o que dizer – Bill leva vocês, a leve direto para casa Tânia e não a deixe sozinha entendeu?
— Pode deixar querido, nunca faria algo assim com sua Isabella.
Edward e eu nos olhamos. Aquela troca de olhar gostosa que confirmava as palavras de Tânia, meu coração pertencia a Edward Cullen. A porta abriu e Alice entrou nos olhando.
— Eu sinto muito querida, acho que Edward e eu entendemos perfeitamente que precisa ir. – olhei para Tânia estranhando suas palavras sem sentido. – Ela pode ir visitar a amiga não é mesmo Edward? É um caso delicado...
— Oh sim claro... espero que ela melhore senhorita Swan.... eu...
Edward ainda pegou a fala de Tânia, mas ele com certeza não era tão bom quanto Tânia. Seu rosto tinha uma expressão preocupada agora, mas seus olhos tinham um ar arteiro leve. O que me fez pensar em uma Tânia mais nova aprontando talvez todas.
— Alice, providencie para que Edward receba comida daquele restaurante. A senhorita Swan precisa ir imediatamente, ela está com uma emergência.
— Claro... algo grave senhorita Swan? – ela parecia preocupada, mas eu e Tânia sabíamos que era superficial demais.
— Ela está com pressa, vamos querida. A deixo no hospital.
Edward apenas olhou para Tânia e eu sabia que eles estavam se comunicando, como dando mais instruções.
— Vou cuidar daquele assunto Edward com toda minha atenção assim que deixar a senhorita Swan no hospital. Pode confiar em mim. – ela sorriu e ele sorriu relaxado. Eu não tinha ciúmes deles, era engraçado como eu me sentia privilegiada por ver uma amizade verdadeira como a deles.
— Algo que posso ajudar Edward? – Alice perguntou solícita.
— Não Alice, Tânia está com tudo sobre controle e espero resultados favoráveis Tânia.
— Vamos senhoita Swan.- ela disse me guiando para fora e sem nem ao menos falar com Alice. Como ela ao mesmo aguentava isso vindo de Esme e Tânia?
Acompanhei Tânia e ela me esperou trocar de roupa. Por sorte estava com roupas que tinha comprado e eram novas, eu tinha resolvido que já que exagerei eu iria usar algumas no dia a dia. Soltei os cabelos e Tânia sorriu ao me ver.
— Vamos antes que aquela mimion sem noção nos veja e fique fazendo perguntas.
Queria rir do comentário de Tânia, mas achei inapropriado. Bill já estava nos aguardando quando descemos e eu esperava que Edward tivesse um bom dia. Eu iria sentir a falta dele, se fosse muito sincera eu já estava sentindo.
— Sabe por que Alice ainda trabalha aqui?
O carro deslizava pelas ruas e eu olhei para Tânia querendo mesmo saber a resposta.
— Ela é realmente boa. Edward já passou por alguns momentos complicados com funcionárias, por isso a área dele é restrita. – a olhei surpresa não realmente ligando a a´rea reservada a algo assim — Já foi processado por assédio acredita nisso? Isso só não foi a frente porque várias funcionárias se juntaram para depor a favor dele, mesmo sem ele pedir. A sala de julgamento era composta basicamente por funcionárias que estavam dispostas a depor a favor dele.
Admirei mais ele se possível. Imaginando funcionárias leais e comprometidas com Edward dessa forma. Ele era especial, isso era inegável. Gentil, cordial, sério e ao mesmo tempo sabia admirar nossas qualidades mesmo que elas não fossem nada comparadas as dele.
— Edward tem programas de incentivo a estudos, bolsas e muitas mães solteiras já puderam estudar por causa disso. Imagina você trabalhar e ter que sustentar casa sozinha? A bolsa de estudo é algo que as faz lutar por isso. Esme mesmo tem um programa de ajuda a filhos de mães solteiras. Alice entrou na empresa como secretária de um dos diretores e logo se destacou, sua formação é invejável eu tenho que admitir. – a olhei surpresa e ela riu divertida – Eu separo os lados, não é porque ela acha que é dona de Edward que eu não posso falar bem do trabalho dela. Ela é ágil, fala diversas línguas, sabe a hora de entrar e sair e ao mesmo tempo ajudar Edward no que ele não consegue nem pensar que precisa. Só que ela está misturando as coisas... e não sei se ele está vendo isso...
Ele não estava, ou esperava que isso fosse uma fase e passasse. Eu não poderia afirmar isso mediante as palavras de Tânia. Edward não era mal e se Alice fosse tão boa assim ele gostaria de mantê-la esperando que ela superasse talvez alguma paixão boba. Mas eu já tinha ouvido conversas demais para associar ela a algo perigo. Um arrepio percorreu meu corpo pensando o meu passado. Algo perigoso.
— Chegamos... – Tânia cantarolou mais uma vez e sorri afastando pensamentos ruins de mim.
Tânia estava animada, fomos a vários estandes. Nossa manhã foi preenchida por palestras, amostras e compras de produtos exóticos. Ela era divertida e engraçada, fez questão de participar das aulas práticas e fazer perguntas aos chefes que estavam ministrando as aulas. Eu me sentia bem com ela e com suas histórias e curiosidades.
— Não aguentei ficar longe... – a voz de Edward soou atrás de nós quando estávamos vendo misturas de temperos indianos. Sorri e abracei ele sem pensar. – É tão bom ver você feliz meu amor... é tão bom...
Ele cheirou meu cabelo e sorri mais abertamente. Ele pegou as sacolas da minha mão como se fosse automático para ele não deixar pobres meninas indefesas segurarem peso. Sorri para ele.
— Estamos atrasados para a aula de comidas do interior.
Olhei para Tânia vendo ela sorrir para nós dois.
— Bom... vamos descobrir o que o chefe vai nos ensinar? Pode comer?
— Já comi tanto... – Tânia disse para ele feliz e rimos.
Eu dividi a bancada com Edward enquanto Tânia ficou com uma senhora que estava sozinha. Tânia sorria para ela enquanto a senhora falava sem parar, mas ela não parecia nem um pouco aborrecida. Era estranho e gostoso a sensação que eu estava completa e feliz, satisfeita como nunca estive em anos.
— Ele está pedindo para misturar tudo... – Edward disse me fazendo olhar para ele em vez de seguir as instruções. – Você vai misturar ou quer que eu te ajude? Está tudo bem?
Sorri confiante para ele.
— Mais que bem.
Ele sorriu como se entendesse mais do que eu pudesse entender e então misturamos juntos os alimentos, rindo das trapalhadas dele, sorrindo quando nossas mãos se esbarravam por qualquer motivo e trocando olhares carinhosos e felizes. Tânia preferiu na volta ir direto para seu apartamento enquanto Edward me levou em seu carro particular para meu apartamento. Ele estacionou verificando o movimento das pessoas chegando do trabalho ou indo até outro lugar.
— Eu planejava fazer isso de outra forma...- o olhei querendo entender o que ele estava falando. Edward estava nervoso. – Mas Tânia falou algo... eu prometo fazer melhor da próxima vez... mas...namora comigo?
— Oh...
— Nos conhecemos a pouco tempo, eu sei disso. Sei que sou seu chefe e que isso deve lhe assustar, eu nunca fiz antes! – sorri ao encarar seu desespero, ele sorriu percebendo que eu acreditava nele. – Bella, eu realmente quero algo sério. Poderia te levar a mil encontros, vários deles fantásticos e incríveis, mas são dias como esse que me fazem ter certeza que é com você que eu quero estar. Você não quer ser impressionada.
— Você não sabe nada de mim... – falei baixo nervosa.
— Mas vamos aos poucos... com calma...não precisa ser tudo em um dia Bella. Não precisa ser nada imediatamente.
Ele me aceitaria? Ele conseguiria lidar com as mentiras e segredos guardados a sete chaves de mim? Eu conseguiria lidar com a verdade?
— Me aceita....
— Você que precisa me aceitar Edward. – as lágrimas caiam e eu sei que elas não faziam sentido para ele. Senti seus braços e deixei as lágrimas caírem querendo saber o que fazer.
— Sim... – sussurrei me sentindo como se me jogado do precipício mais alto do mundo. Era bom e ruim ao mesmo tempo. Libertador e quase sufocante.
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