Segredos e Mentiras
20 Seu sorriso
Notas iniciais
— Oi Bella!
Ben se surpreendeu com minha presença. Eu sei que quase não nos víamos e que na maioria das vezes tínhamos conversas curtas, ele sabia como eu me sentia envergonhada por ele ter me visto em meu pior e saber de tudo.
— Ia esquentar agora o que preparou. Está tudo delicioso como sempre.
— Obrigada... ela está dormindo?
— Não... está vendo algum seriado esquisito...
Eu entrei tirando o casaco e vendo Ângela concentrada no seriado. Sentei do lado dela e fiquei quieta.
— O que faz aqui Swan?
Sorri achando engraçado como ela não cansava de me chamar assim.
— Estou namorando.
Ela me encarou.
— Amor faz pipoca! – ela gritou e ouvi Ben resmungar algo sobre comer algo mais saudável, mas nós sabíamos que ele faria pipoca. – Edward a pediu em namoro?
— Sim...
— E você aceitou que coisas boas acontecem a você?
Eu olhei para Ângela com incerteza, com medo e até mesmo assustada como as coisas estavam indo entre mim e Edward. Tinha muitas coisas que não poderiam ser ignoradas.
— Ele não sabe de nada Ângela. Edward não sabe de nada....
E meu coração se apertou com lembranças que iam e vinham, flashes de uma vida passada e feia. Ângela deu os ombros.
—Bom, um dia não é mesmo?
— Eu queria tanto papai aqui para me ajudar... eu lembro como ele não gostava de Jacob e se eu tivesse escutado ele...
— Aquilo acabaria mal de qualquer jeito. Vocês eram amigos antes de namorarem e seu pai não contou tudo que sabia.
— Ele pensou que nada de grave fosse acontecer... pensou que...
— Todos nós pensamos Bells...todos nós, e ninguém consegue prever o que vai acontecer quando virar na esquina. – joguei minha cabeça para trás olhando o teto agora recostada no sofá.
— Ele se sentia culpado e eu não conseguia lidar com a culpa dele. Fui egoísta não fui?
— Foi humana. – o cheiro da pipoca invadiu nossos sentidos. – Já parou para pensar que você é humana e não perfeita?
— Eu queria tanto agradar eles... – confessei sentindo as lágrimas caírem.
— Vou ser estúpida ok? Sua mãe morreu Bella, não agradamos a mortos, simples e fácil. Ela amava você e teria amado você até se fosse uma safada bandida, porque isso é que mães fazem, nos amam. Seu pai a ama Bells. Você se afastou dele e não ele de você.
As palavras duras dela me doeram mais que um soco no estômago, mas eram verdade.
— Eu o decepcionei mais do que outra coisa. Papai estava radiante com Yale... radiante que...
— Pais ficam radiantes com estrelas de papel que os filhos ganham na escola Bells. Eu olho uma ultra do bebê e parece que é a coisa mais linda que já vi na vida. Eu sei que não é isso que ele sente neste momento, decepção passou longe dele todos esses anos.
— Você não pode ter certeza disso. – alfinetei e fomos salvas pelo pote de pipoca que Ben trouxe.
— Você também não pode ter certeza de absolutamente nada já que não fala com ele há anos.
O seriado voltou e ela ficou olhando para televisão e comendo a pipoca que Ben trouxe. Esperei ele terminar de esquentar a janta para ir e enquanto eu voltava para casa fiquei pensando nas palavras de Ângela. Eu sentia muita falta de meu pai.
Eu não consegui dormir muito, acordei atrasada e correndo para chegar a tempo no trabalho, mas um acidente e atrasos no trem estavam deixando Chicago um verdadeiro caos.
— Bom dia senhorita Swan. – Bill me cumprimentou e eu respondi com um sorriso simpático. Assim que entrei na cozinha Alice estava lá em pé me olhando.
— A senhora está muito atrasada senhorita Swan. – ela me olhou de cima abaixo. – Você não está de uniforme.
— Acabei de chegar senhorita Brandon...
— Prenda essas cabelos e coloque seu uniforme senhorita Swan, isso definitivamente não é uma festa. O café da manhã do senhor Cullen precisa ser servido, nada foi limpo e temos hoje compromissos importantes.
— Sim senhorita.
Me troquei rapidamente e por alguns segundos fiquei muito chateada com Edward por ele não perceber como Alice é verdadeiramente, mas as palavras de Tânia vieram a minha mente. Ela era eficiente e não oferecia a ele nenhuma ameaça declarada, ele nunca olhava para ela mais do que o necessário e nem parecia se importar com sua roupa desde que ela estivesse a altura da empresa. Fiz um café simples e rápido, Alice voltou minutos depois com um ar menos arrogante e pouco confiante.
— Edward disse que não precisa correr com o café, ele está analisando os papéis e preciso ir entregar pessoalmente uns papéis para o Prefeito analisar. Ele tem um almoço importante com o dono de uma construtora e marcou em um restaurante já que a senhora chegou atrasada senhorita Swan. Viu como chegar na hora e fazer suas obrigações são essenciais?
Ela se virou e foi embora me deixando com suas palavras venenosas. Terminei o café e fui levar para Edward esperando não encontrar Alice.
— Não precisava... – ele quando me viu correu para me ajudar com a bandeja. Me beijou rapidamente nos lábios e me senti bem com esse gesto espontâneo dele.
— Alice me disse que cancelou o almoço aqui... eu posso servir algo...cheguei tarde me desculpa.
Edward colocou a bandeja na mesa e voltou pegando na minha mão. Me levou até um sofá e sentamos juntos, sorri sentindo sua proximidade.
— Soube que do acidente e do atrasado dos trens, você chegou bem?
— Oh sim... – eu amava sua preocupação com os mínimos detalhes, o jeito como ele parecia estar ligado em mim mesmo sem estarmos juntos.
— Dormiu bem? – ele deveria estar reparando nas olheiras que não pensei em disfarçar.
— Um pouco... pensei em meu pai...
— Noite difícil não é?
— Muito. – confessei e amei o fato dele nunca querer se aprofundar por parecer entender que eu não me sentia a vontade com esse assunto. – Por que você fez um andar tão equipado? – ele riu como se achasse essa pergunta muito engraçada. – Não em entenda mal... eu amo essa privacidade... essa calma...
— Então está explicado Bella.
— Você exagerou nisso não? – ele sorriu passando a mão em meu rosto e beijando meus lábios de leve, se afastou me olhando.
— Eu sofri acusações de assédio que poderiam ter estragado não só a minha imagem como a da minha empresa e a confiabilidade no nome que construímos por gerações. Isso parece fútil, mas do meu nome depende várias famílias e a perda de credibilidade ou escândalos nos levam a medidas como cortes por falta de contratados, arrecadações ou qualquer serviço que a empresa preste. Isso é sério. A economia de alguns países contam com nossas empresas para manter seu povo empregado, seus impostos sendo cobrados e todo uma máquina de dinheiro fluindo no país. Países pequenos como Finlândia ou Irlanda valorizam muito as empresas que estão dispostas a enfrentar suas leis e barreiras ambientais para se instalarem e gerarem empregos.
O olhei mais admirada se possível.
— Por isso quando tudo isso aconteceu eu me vi na responsabilidade de lidar melhor com qualquer situação que possa acontecer no futuro. Junte isso ao fato de qualquer encontro que eu fizesse com qualquer pessoa se tornasse um verdadeiro escândalo no meio econômico, se me encontrasse com o Primeiro Ministro a bolsa especulava uma crise, se um Senador viesse era porque eu o estava apoiando em qualquer esfera de suas ideias por mais louca que elas fossem. Esse andar surgiu da necessidade de não só me dar privacidade, mas de dar aos meus clientes e amigos privacidade. Pessoas podem entrar e sair sem que isso cause um caos econômico na Bolsa. E com esse andar veio a necessidade de restringimos o acesso de funcionários, toda uma equipe foi realocada na empresa e só sobrou Alice e agora você.
Fazia muito sentido.
— Eu gosto dessa privacidade. – confessei sorrindo para Edward que entendeu que agora estávamos indo para outro caminho, seus olhos tinham um ar mais ardente que antes e pela primeira vez me deixei me envolver nesse fogo estranho que crescia em mim. – Preciso de um beijo...
— De muitos.
Então nos beijamos como dois adolescentes no sofá procurando explorar dos lábios um do outro mais do que podíamos ou tudo que podíamos. Edward tentava ser controlado, mas quando mordi seus lábios ele soltou um gemido baixo que me fez abrir os olhos e ver seu rosto cheio de desejo e prazer. Nunca foi assim, nunca quis tanto algo e nunca quis provocar como estava fazendo.
— Bella... – ele sorriu e se afastou um pouco e me vi controlando a respiração. Sorri muito feliz para ele. – Eu amo esse sorriso... – ele comentou sorrindo para mim.
— Você o trouxe de volta sabia?
— Faria tudo para tê-lo toda hora... o que vai fazer nesse final de semana?
— Ver Ângela...
Ele pareceu pensativo por alguns segundos.
— Sua amiga fica bem sem você?
— Por quê?
— Vamos para a casa que meus pais sugeriram? Vem comigo...
Edward não sabia, mas era impossível negar algo a ele. E depois do meu sim ele voltou a me beijar até precisamos de ar e nos acalmar.
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