Segredos e Mentiras
5 Superior
Notas iniciais
Eu olhava a bandeja de café da manhã nervosa. Alice sempre levava e eu não tinha ideia de como levar isso.Mordi os lábios muito nervosa, me questionei sobre ter aceitado esse emprego e fiquei pensando em como voltaria atrás. A porta abriu e Tânia apareceu linda e sorridente, sua beleza e elegância pareciam ser tão naturais que quando se comparava a de Alice ganhava facilmente.
— Bom dia querida! Como você está?
— Bom dia senhora.
Ela gargalhou.
— Não sou casada e não pretendo cometer tal abominação tão cedo. Me chame de Tânia por favor. – assenti apenas – O clima não fica mais agradável quando ela não está?
Ela sorriu e eu não fiz isso, mesmo querendo.
— Já vou servir o café. Vou só...
— Nada disso, eu quero sua ajuda com as panquecas!
Então eu prontamente recoloquei o avental, trabalhar na cozinha com Tânia era fácil e até gostoso. Ela sorria e contava histórias da vida dela e de como aprendeu a fazer uma coisa e outra. Tânia viajou pelo mundo, ela mesmo disse que tinha estado mais em aviões do que na própria casa nos últimos meses.
— Como consegue fazer isso? – olhei para o prato procurando algum defeito.
— Não gostou? – fiquei assustada pensando em refazer.
— É um dom, você pega os alimentos e os transforma em verdadeiras obras de arte. Olhe essas panquecas, eram só panquecas e agora...
Eu tinha recortado frutas e feito uma calda doce, coloquei raspas de limão para dar uma acidez e enfeitei com pedaços pequenos das frutas que usei na calda. Não era nada realmente grandioso.
— Não é nada demais. – afirmei limpando o prato.
— Bom, vamos levar isso para a sala antes que Edward coma a caneta!
Ela sorriu e então me vi nervosa mais uma vez por vê-lo. Como iria continuar trabalhando aqui se cada vez que o visse eu ficava nervosa? Quando Alice voltasse com certeza ela recolocaria um muro entre eu e meu chefe e isso passaria. Isso me tranquilizou. As horas também passariam mais rápido, esse pensamento também me consolou mais um pouco.
— Bom dia! – Edward estava lendo alguns papéis usando óculos e me vi admirando essa nova imagem dele. Ele tirou os óculos e guardou no bolso, servi junto com Tânia o café. – Isso é realmente uma bandeja farta! Fez o chá senhorita Swam?
— Não... eu fiz... pensei...
— Não precisa ficar nervosa. – ele disse sorrindo e já sentando para tomar o café. – Eu quero tomar sempre, minha empregada não fez como a senhora e eu fiquei me perguntando o segredo.
— Não é nada demais...
— Isabella é uma verdadeira cozinheira! – Tânia disse se servindo. – Como descobriu ela?
— Tenho que ir. Bom apetite.
— Nada disso! – Tânia falou apontando para um lugar vago. Deus isso não estava acontecendo, meu coração disparou e eu não conseguia pensar em como sair dessa situação e manter meu emprego. Alice poderia descobrir e não ficaria nada feliz.
— Posso chamar você de Isabella também?
— Oh... claro senhor Cullen.
— Edward. – Tânia e Edward falaram juntos e riram depois. Dava para ver a cumplicidade entre eles, uma amizade construída em longos anos. Algo verdadeiro.
— Preciso ir.
Saí rapidamente deixando minha mente flutuar quando cheguei na cozinha. Algo verdadeiro. O que era verdadeiro? Eu tentei esses anos trabalhar sobre o conceito de verdade e mentira, mas isso era muito subjetivo e o fato cruel é que haviam mais pessoas como Alice do que como Tânia e Edward. Pessoas como Alice estavam ali, acima dos outros e ditando as regras para pessoas como eu. Respirei pausadamente como havia sido treinada para fazer em momentos de pânico.
Eu evitei Tânia e Edward com um certo pesar no coração, eles queriam ser simpáticos, mas eu queria meu emprego mais que simpatia. Alice detestaria saber que essa intimidade toda tinha surgido e eu sabia com que facilidade ela se livraria de mim.
— Você está nos evitando. – Tânia disse me deixando quase quebrar um vaso que estava limpando na sala de conferências.
— Não senhorita. – ela me olhou cruzando os braços em uma atitude clara de desgosto.
— Me diga Isabella o que fez você voltar atrás?
— Eu só acho que você é minha superior e eu deva tratá-la com o devido respeito.
Minha voz saiu baixa e sem vontade, como antes. Como antigamente.
— Sua superior? Jura que isso ainda existe nesse mundo? Deus amado, anos de evolução e você achando que eu sou superior?
Olhei para ela sem entender, ela foi se aproximando devagar como quem me dizia que estava se aproximando.
— Isabella eu posso apenas lhe dizer que seu talento a torna superior a mim e a muitas pessoas porque você sabe de algo que nós não sabemos.
— Eu só cozinho. – disse desesperada.
— Não. Você não cozinha. Você transforma alimentos em algo extraordinário, belo e gostoso ao mesmo tempo. Com humildade e amor. Sem forçar nada.
— Você não me conhece...
— Não preciso. – ela disse sorridente. – Há um ser humano nada superior achando que foi indelicado com uma dama na outra sala. – a imagem de Edward me veio a mente – Ele não morde e adora seu chá Isabella. Talvez.... – ela olhou para o relógio com diversão – Seja hora do chá das cinco.
Ela piscou para mim e saiu. Me vi pensando sobre o que fazer, mas depois me convenci de que era só um chá. Um chá. Preparei um diferente pensando que talvez ele quisesse apenas algo diferente hoje, e fui com a bandeja até sua sala.
— Boa tarde senhor Cullen.
Ele olhou não escondendo a surpresa em me ver, se ajeitou e mais uma vez tirou os óculos.
— Um chá? – assenti indo até a mesa servir. – Isso veio em uma hora perfeita! O que fez?
Sorri vendo como ele parecia ansioso em beber.
— Hortelã e canela.
— Gosto de canela.
— Vai bem com limão.
— Obrigado Isabella.
Ele sorriu e eu me vi gostando desse momento.
— Sabe, acho que minha mãe qualquer hora vem aqui só para provar seu chá. – ele tomou um pouco e soltou um gemido engraçado e baixo. – Isso está divino.
— Que bom que gostou.
— Sem biscoitos?
— Canela é algo forte, os biscoitos que combinavam acabaram. Amanhã providencio mais. Tenha uma boa tarde Edward.
Ele sorriu e eu saí satisfeita. Seja qual fosse o mal entendido ele estava desfeito, só esperava que isso continuasse.
Quando acordei no sábado eu sabia para onde tinha que ir, fiz o caminho a pé para o apartamento de Ângela não esquecendo de passar antes no mercado para abastecer sua geladeira e deixar alguma comida congelada para a semana.
— Você não desiste de mim? – ela perguntou quando me viu cheia de bolsas.
— Você nunca desistiu de mim.
Falei emocionada e então entrei para mais um final de semana com ela.Se eu pensasse no que havia de verdadeiro em minha vida nesse momento eu sabia que era ela.
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